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## Trabalho humano

*Indústria e serviços, com as pessoas no centro* · 2026-10-19 · https://willem.com/pt/2026-10-19_trabalho-humano/

A maioria dos sites que mostrei aqui nos últimos tempos eram restaurantes, bares e lojas. Mas grande parte do meu trabalho é para pessoas cujo ofício não cabe numa ementa nem num carrinho de compras: uma serralharia em Mijdrecht, um atelier de cortinados em Hegelsom, os inspetores das vigas de içamento de Amesterdão e uma terapeuta de casais em Krommenie. Este artigo mostra quatro deles. O trabalho deles é trabalho humano. O site tem uma só missão: pô-los no centro do palco.

## Trabalho humano
No ano passado escrevi que [o futuro da IA é humano](https://willem.com/en/2025-09-24_the-future-of-ai-is-human/): a atenção verdadeira de outra pessoa é algo especial, difícil de replicar com um computador. Um ano depois, os agentes fazem boa parte do meu trabalho. Traduzem, escrevem código, verificam páginas, leem registos. E quanto mais as máquinas conseguem fazer, mais a parte humana se destaca.

Pensa no soldador que sabe quando uma soldadura está certa. Na costureira que vê uma falha no tecido antes de cortar. No inspetor que diz aprovado ou reprovado, e fala a sério. Na terapeuta que ouve o que não é dito. Isso é saber intangível: ofício, critério e gosto, construídos ao longo de anos. Não se pode transferir, e ninguém quer um chatbot a fazê-lo.

Então, onde entra um site? A tecnologia web avançou muito: páginas geradas de antemão que carregam num piscar de olhos, dados estruturados para motores de pesquisa e para a IA, vídeo sem leitor de terceiros, agentes que mantêm o conteúdo atualizado. Mas essa tecnologia deve ser como as luzes e o som de um teatro. Só se nota quando falha. As pessoas estão no centro do palco.

Aqui ficam quatro delas.

## Korver: metal desde 1905
A 5 de junho de 1905, Dirk Korver começou como ferreiro da aldeia de Mijdrecht. Hoje a quarta geração dirige a [Korver](https://korverbv.nl/): aço, aço inoxidável e alumínio por medida, de peça única a série, com laser de fibra e prensas dobradeiras CNC próprios. O que não aparece numa lista de máquinas são as pessoas. Pensam em conjunto com o cliente, do desenho ao produto, e muitas encomendas saem no próprio dia.

![Soldadura na fábrica da Korver em Mijdrecht. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/9bcdc340fc25.webp)

O fotógrafo [Kevin Middelkoop](https://kevinmiddelkoop.nl) captou a fábrica, como eles próprios lhe chamam. As fotos dele e um reel de 60 segundos são a cara do site: o reel passa na página inicial, faíscas incluídas. Quatro colegas, Britt, Jaime, Bart e Patrick, contam em [pequenos filmes](https://korverbv.nl/vacatures/) como é trabalhar na Korver, com legendas em neerlandês e inglês. Os ecrãs finais desses filmes apontam para as vagas, por isso esse endereço vai ficar sempre acessível.

![korverbv.nl no portátil e no telemóvel: o reel passa por trás do título](https://willem.com/global/images/abe9a9c66af1.webp)

Frank Korver atualiza o site ele próprio: vagas, portefólio, a ordem dos serviços, tudo a partir do Lemmid Manager. Cada alteração guardada volta a publicar o site em segundos, e as fotos novas são redimensionadas e otimizadas automaticamente para o site. São pequenas coisas, mas deixam o Frank fazer o seu trabalho em vez de lutar com um CMS.

| | korverbv.nl |
|---|---|
| Desde | 1905, quarta geração |
| Páginas | 16 |
| Vídeo | Reel na página inicial, quatro filmes de colegas com legendas |
| Fotos | Mais de 100, a maioria da sessão na fábrica |
| Atualizado por | O próprio Frank, no Lemmid Manager |
| PageSpeed, telemóvel | 100 · 100 · 100 · 100 |
| PageSpeed, portátil | 100 · 100 · 100 · 100 |

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## Atelier aan Huis: cortinados desde 1962
Em 1962, a senhora Salet-Robat cosia cortinados na sua cave. Hoje a neta, Christel, e o marido, Marco Niehsen, dirigem a CM-Gordijnconfectie em Hegelsom, e o filho do Marco, Kevin, é a geração seguinte: é o consultor que vai a tua casa. O atelier tem 800 m², cerca de quinze artesãos, uma mesa de corte que corta cortinados até seis metros de altura perfeitamente direitos, e caixas de luz nas mesas, para que uma falha no tecido se veja antes de cortar seja o que for. A loja online chama-se Curtain Company.

![Um cortinado escuro debaixo da máquina de costura no atelier em Hegelsom](https://willem.com/global/images/4d498eea0ee4.webp)

Há quem queira ver o tecido com a sua própria luz antes de encomendar. Para essas pessoas fiz o [Atelier aan Huis](https://atelieraanhuis.nl/): o Kevin visita-te com amostras e mede ele próprio cada janela. Trabalha a uma porta da mesa de costura, por isso, quando o atelier tem uma dúvida sobre a tua encomenda, resolve-se em poucos passos. O site tem uma só missão: uma visita gratuita a casa.

![atelieraanhuis.nl: medido na tua casa, feito em Hegelsom](https://willem.com/global/images/af9a896b6c46.webp)

Por trás desse botão está a [coleção completa](https://atelieraanhuis.nl/collectie/): todos os 282 produtos da loja online com o respetivo preço, e [exemplos práticos](https://atelieraanhuis.nl/prijzen/) calculados com a calculadora de preços da própria loja. Em cada compilação, o site confere a sua fórmula de preços com essa calculadora, por isso um preço no site nunca é um palpite. Uma única classificação reúne quatro fontes de avaliações: 9,6 em 232 avaliações. E os [projetos](https://atelieraanhuis.nl/projecten/) mostram casas reais que o atelier vestiu.

| | atelieraanhuis.nl |
|---|---|
| Desde | 1962, um atelier familiar |
| Páginas | 24 |
| Catálogo | 282 produtos com preço, sincronizados com a loja online |
| Avaliações | 9,6 em 232, quatro fontes numa só classificação |
| Zona de atuação | 116 localidades a menos de 30 km de Hegelsom |
| PageSpeed, telemóvel | 99 · 96 · 100 · 100 |
| PageSpeed, portátil | 100 · 96 · 100 · 100 |

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## Hanebalk: as vigas de içamento de Amesterdão
Levanta os olhos no centro de Amesterdão e vês-las debaixo de cada empena: as vigas de içamento, *hanebalken* na língua local. Ainda hoje se passa a mobília pela janela, e uma viga que cede é um perigo real para quem está em baixo. A [Hanebalk](https://hanebalk.nl/) inspeciona e gere-as, exclusivamente com o instituto de inspeção independente Aboma. O veredicto é sempre claro: aprovado ou reprovado.

![O peso de teste da Hanebalk na calçada junto à Oude Kerk, e um inspetor da Aboma numa viga de içamento](https://willem.com/global/images/8246b02e197c.webp)

Por trás da Hanebalk estão o Allard, o Bas e o Frans, e a sua equipa. O Frans dirige a empresa no dia a dia e escreve ele próprio para o site: envia por e-mail textos e fotos da rua, e entram no ar no mesmo dia, diretamente em produção. As palavras dele são o conteúdo. A [base de conhecimento](https://hanebalk.nl/kennis/) responde às perguntas que toda a gente faz: [a inspeção é obrigatória](https://hanebalk.nl/kennis/is-een-hijsbalk-keuring-verplicht/), quem é responsável depois de um acidente, quanto custa. Primeiro as respostas curtas, com fontes incluídas. É o tipo de conteúdo que um chatbot cita, e, como [o SEO morreu](https://willem.com/en/2026-04-19_seo-is-dead/), é aí que as pessoas perguntam agora.

![hanebalk.nl: utilização segura e assegurada, no portátil e no telemóvel](https://willem.com/global/images/dca77a409cb9.webp)

O site antigo era um tema de WordPress que enviava 1,7 MB com cada página, quase tudo estilos. O novo envia uma fração disso, não tem cookies nem rastreio, e mostra a reportagem de televisão da AT5 a partir do seu próprio servidor.

| | hanebalk.nl |
|---|---|
| Inspeções | Exclusivamente com a Aboma |
| Páginas | 19 |
| Conhecimento | Cinco artigos de resposta, 11 perguntas respondidas |
| Imprensa | AT5, De Telegraaf, Cobouw, Stedenbouw |
| Atualizado por | Frans, por e-mail, diretamente em produção |
| PageSpeed, telemóvel | 99 · 100 · 100 · 100 |
| PageSpeed, portátil | 100 · 100 · 100 · 100 |

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## Bij mij relatietherapie: um lugar seguro
Marcella Hagenaar ajuda casais desde 2008, nos seus consultórios em Krommenie e Zwanenburg. É psicóloga, terapeuta de relações EFT e Imago e terapeuta de esquemas. "Bij mij is het goed" é como ela explica o nome do consultório: comigo, está tudo bem. Recebes atenção e segurança, seja qual for a tua história, e ainda assim ela confronta-te com o teu próprio comportamento.

![O consultório: duas cadeiras, flores e luz do dia](https://willem.com/global/images/f768d28c1567.webp)

O ofício de uma terapeuta acontece numa sala com duas cadeiras. De fora, ninguém o consegue ver, por isso [o site](https://bijmijrelatietherapie.nl/) deixa-a falar por si. Em [Marcella vertelt](https://bijmijrelatietherapie.nl/marcella-vertelt/) ela explica, em sete vídeos curtos, o que vê no seu consultório, com uma transcrição em que podes clicar para saltar para qualquer frase. 71 clientes contam a sua própria experiência, palavra por palavra. Cada tema, desde [discussões constantes](https://bijmijrelatietherapie.nl/hulp-bij/steeds-ruzie/) até uma infidelidade, tem a sua página, e cada localidade à volta dos dois consultórios também.

![bijmijrelatietherapie.nl no portátil e no telemóvel](https://willem.com/global/images/aca6adacd443.webp)

O site entrou no ar no seu próprio domínio a 22 de setembro. No dia seguinte chegou o primeiro pedido de consulta. É para isto que serve um site.

| | bijmijrelatietherapie.nl |
|---|---|
| Desde | 2008, dois consultórios na Holanda do Norte |
| Páginas | 114 |
| Vídeo | Sete filmes com transcrições clicáveis |
| Experiências | 71 histórias de clientes, palavra por palavra |
| Perguntas | 34 respondidas |
| PageSpeed, telemóvel | 100 · 100 · 100 · 100 |
| PageSpeed, portátil | 100 · 100 · 100 · 100 |

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## O palco
Os quatro sites correm no mesmo motor: a [Lemmid Platform](https://lemmid.nl/en/), com cada página gerada de antemão. Isso torna-os rápidos, escaláveis e eficientes de manter, sem plugins para atualizar nem base de dados que se estrague. Cada site tem o seu próprio design, feito para as suas pessoas, e a sua própria linguagem: o azul do logótipo da Korver, linho e verde-salva para o atelier, a faixa de segurança vermelha e branca do peso de teste da Hanebalk, as cores quentes do logótipo da Marcella.

As linhas de PageSpeed nas tabelas acima leem-se desempenho · acessibilidade · boas práticas · SEO, medidas com o Lighthouse, o motor por trás do PageSpeed Insights da Google, na página inicial de cada site. Assim de rápido chegam essas páginas iniciais a um telemóvel:

| | Primeiro conteúdo | Maior conteúdo | Dados |
|---|---|---|---|
| [korverbv.nl](https://korverbv.nl/) | 0,9 s | 1,4 s | 5,3 MB, com o reel de vídeo |
| [atelieraanhuis.nl](https://atelieraanhuis.nl/) | 1,3 s | 2,1 s | 2,9 MB |
| [hanebalk.nl](https://hanebalk.nl/) | 0,9 s | 2,0 s | 0,7 MB |
| [bijmijrelatietherapie.nl](https://bijmijrelatietherapie.nl/) | 0,9 s | 1,3 s | 0,2 MB |

*Lighthouse 13.5, perfil móvel, mediana de três execuções por site, 19 de outubro de 2026.*

Construo sites como estes para artesãos, criadores e consultórios de todos os tamanhos. Se o teu trabalho também merece um palco, [escreve-me](https://willem.com/en/#contact).

## Conclusão
As máquinas melhoram todas as semanas, e fico contente com isso: fazem o trabalho que ninguém quer fazer. Mas o soldador, a costureira, o inspetor e a terapeuta fazem o que nenhuma máquina consegue. Um bom site não compete com eles. Acende as luzes e põe-se de lado.

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## Design web interativo

*Mas será divertido?!* · 2026-10-18 · https://willem.com/pt/2026-10-18_design-web-interativo/

Um site não tem de ser um folheto por onde passas a rolar. Cada vez mais faço sites interativos, páginas com que podes brincar: um globo que fazes rodar, ilustrações que se afastam para dar passagem ao teu dedo, edifícios que se constroem sozinhos e bonequinhos que respondem. Neste artigo mostro quatro deles!

## Brincar
As pessoas lembram-se do que tocaram. Uma página que responde ao rato ou ao dedo convida a olhar à volta, a experimentar, a ficar um bocadinho mais. Isso era difícil: tecnologia 3D complexa, chips lentos nos telemóveis, uma bateria que se esgota... complicado! Mas graças a uma otimização extrema e a pipelines de IA automatizadas, consigo agora subir a fasquia muito mais alto! AGORA JÁ SE PODE, SE PODE MESMO!!

Vê o filme abaixo e fica a ver isto em ação:



## Um globo para a cardiologia
O [gpcardio.org](https://gpcardio.org/en/) é a Global Primary Care Cardio Network: palestras, atualizações de diretrizes e um panorama da literatura sobre cuidados cardíacos, renais e metabólicos, para médicos de família. A página inicial é um globo de pontos com as sociedades ligadas assinaladas nos seus países. As palestras e atualizações mais recentes orbitam-no como cartões. Arrasta o globo e o mundo roda, toca num cartão e a palestra abre, escolhe uma etiqueta e só ficam os vídeos. BUM, O MUNDO INTEIRO! Isto sim é dar forma a uma ambição verdadeiramente global!

![gpcardio.org: arrasta o globo e as palestras mais recentes orbitam com ele; um toque abre uma](https://willem.com/global/images/8fd47fd1a37f.webp)

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## Ilustrações que correm
Para um evento desportivo dei vida às ilustrações do designer, com shaders 3D e WebGL. No início, as pistas explodem da oval, seguidas de confetes. Os pontos de meio-tom respondem ao teu dedo ou ao rato, as pistas disparam quando fazes scroll, as modalidades correm para uma meta com um vencedor diferente de cada vez, e um relógio gigante faz a contagem decrescente até ao dia de abertura. O desenho em tempo real coincide com a ilustração original em 99,3% dos píxeis, mas é _pelo menos_ 300% mais divertido graças à interatividade!

![A ilustração com vida: o início, os pontos a responder a um dedo ou ao rato, as palavras e a corrida](https://willem.com/global/images/043d88dd9515.webp)

## Edifícios que se constroem sozinhos
Para uma consultora de engenharia de edifícios e instalações, quatro torres caem piso a piso. Depois, uma linha de varrimento colore cada piso conforme o seu estado, e a imagem assenta em telhados verdes: o estado final sustentável. Mexe o rato e a cena roda contigo. Mais abaixo, todos os serviços correm ao longo do processo de construção numa única pista horizontal, e três anéis deslizam juntos enquanto fazes scroll. Dinâmica em ativos _fixos_? SEM PROBLEMA!

![Piso a piso, depois o varrimento: cada piso fica com a cor do seu estado](https://willem.com/global/images/5691f6a2e646.webp)

## Bonequinhos
Para um serviço de saúde ocupacional dei uma cara à pessoa do logótipo. Passa o rato por cima de um e ele espreita, toca-lhe e ele salta, dança ou desmaia e levanta-se outra vez, com algo para dizer. Chovem na página enquanto fazes scroll, e uma multidão inteira organiza-se em 20, 60 e 20 por cento: absentismo por causa médica, por circunstâncias pessoais e por causa na organização.

![Toca num colega: todos têm algo para dizer](https://willem.com/global/images/886e5604e762.webp)

O consultor de pacotes faz quatro perguntas. A cada resposta, os bonequinhos mudam: mais colegas, trabalhadores flexíveis, e quem dá baixa deita-se. O conselho mostra quanto custa cada pacote por ano, e podes levá-lo diretamente para a inscrição ou pedir uma chamada. Doença e absentismo não têm graça nenhuma, mas uma figurinha a tombar é ainda mais hilariante, e é _esse_ sorriso que dá a uma proposta de resto séria o seu impacto positivo.

![Quatro perguntas, um conselho: quem dá baixa deita-se](https://willem.com/global/images/67fc011c74e2.webp)

## Rápido enquanto se mexe
Construo isto sobre anos de experiência com tecnologia de jogos: do [Snake '97](https://willem.com/en/2026-02-25_three-games-in-three-weeks/) ao [Protect Your Eggs](https://willem.com/en/2026-09-13_protect-your-eggs/), um jogo que fiz com o meu filho de sete anos, e [dados de treino em 3D](https://willem.com/en/2025-03-10_workout-data-in-3d/). As cenas 3D são desenhadas num worker ao lado da página, por isso a própria página fica livre para responder. Só desenham quando algo muda e descansam um segundo depois do último toque. Os bonequinhos são SVG e CSS simples. Por trás de cada cena 3D há uma imagem estática, para o primeiro desenho do ecrã, para telemóveis que não a conseguem desenhar e para visitantes que preferem menos movimento. Sem framework e sem scripts de terceiros: as três páginas de conceito pesam entre 0,15 e 0,46 MB.

Medido com o Lighthouse, a ferramenta por trás do PageSpeed Insights da Google, desempenho na página inicial, telemóvel / portátil:

| | Desempenho | Maior conteúdo (telemóvel) |
|---|---|---|
| [gpcardio.org](https://gpcardio.org/en/) | 96 / 100 | 2,9 s |
| O evento desportivo | 99 / 100 | 1,8 s |
| A consultora de engenharia | 100 / 100 | 1,4 s |
| O serviço de saúde e segurança | 99 / 100 | 2,1 s |

*Lighthouse 13.5, mediana de três execuções por página, 18 e 19 de outubro de 2026.*

## Conclusão
Também é divertido?! Era o que um professor sábio me perguntava sem parar na [universidade](https://willem.com/en/about/). Aplico agora essa "lição" com muito prazer: o design web interativo é mais do que uma pequena decoração. Trata-se de otimismo e de um impacto duradouro que brinca com a curiosidade natural! Queres pensar também nas possibilidades criativas, numa página que as pessoas _queiram_ tocar? [Escreve-me](https://willem.com/en/#contact)!

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## A arte da imagem

*O que não está na fotografia conta tanto como o que está* · 2026-10-17 · https://willem.com/pt/2026-10-17_a-arte-da-imagem/

As boas imagens importam. Numa era de lixo gerado por IA, o humano tem de se destacar, o produto tem de se destacar, a produção tem de se destacar. O meu irmão Kevin Middelkoop faz fotografia há mais de vinte anos, e cada vez mais também filmes. Neste artigo ponho o trabalho dele no centro do palco!

## O olhar
Uma boa foto é uma escolha. O que está nela, e tanto quanto isso o que não está: uma linha ligeiramente torta, um cabo no chão, um canto desarrumado, um carro no sítio errado. O Kevin vê essas coisas antes de carregar no botão. É paciente e preciso, e trabalha com luz do dia e flashes móveis potentes para manter as cores verdadeiras e deixar os materiais falar.

Até me ensinou a endireitar uma foto como deve ser: primeiro uma linha forte ao centro, depois as verticais, e só então, se realmente couber, as horizontais. Uma foto quase direita fica pior do que uma que nunca foi tocada. É o tipo de pormenor em que ninguém repara, até estar errado.

![1287 fotos de kevinmiddelkoop.nl numa só imagem. Fotos: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/c0ca586d88e9.webp)

## Céus holandeses
Com a sua Leica M11, o Kevin trabalha num projeto de muitos anos: céus holandeses. Sem pessoas, sem edifícios, só céu e uma faixa fina de terra. As nuvens é que falam. Todo esse céu, e cada nuvem está EXATAMENTE no sítio certo!

![Céus holandeses, um projeto de muitos anos com a Leica M11. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/09bf1ccf777c.webp)

![Só céu e uma faixa fina de terra. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/6c05d76ea8d9.webp)

## Espaço e ambiente
O Kevin cresceu, como eu, à volta da empresa de interiores do nosso pai: interiores inspiradores e detalhes especiais desde pequeno. Vê-se no trabalho dele. Uma [moradia junto à água](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2023-06-24_architectural-photography-of-a-villa/), um [antigo depósito de água](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2024-02-21_before-after-virtual-tour-redevelopment-of-former-water-tower-in-mijdrecht/) transformado em espaços de trabalho, uma escadaria vista mesmo de cima.

![Uma moradia revestida de preto do outro lado do lago. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/d18c50cfe846.webp)

![Um antigo depósito de água, a olhar para cima. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/65d20c7fbb2f.webp)

![Uma escada em espiral, mesmo de cima. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/b09b4adea748.webp)

![Um teto preto com candeeiros forrados a cobre. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/3b7dde17744c.webp)

![Um bar revestido a madeira com lustres de latão. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/c22fdd762928.webp)

## Sabor
Para o [Eetcafé 't Pakhuis](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2026-03-26_homepage-reel-and-photography-for-restaurant/), em Amesterdão, fotografou os pratos, o interior e um reel para a página inicial numa única sessão compacta. Para uma padaria fotografou [quatro lojas](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2024-10-31_corporate-photos-google-street-view/) e os seus bolos, pães e pastelaria. Quase se sente o cheiro.

![Eetcafé 't Pakhuis em Amesterdão. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/b1011f147d53.webp)

![Pastelaria na padaria. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/00c82dd909bf.webp)

## Filme
Aqui fica uma montagem de algumas imagens do Kevin, com um centro comercial que ganha um piso novo, as dunas e os prados de Terschelling, mergulhadores numa eclusa, o leilão de flores à noite, o Eetcafé 't Pakhuis e drones sobre o nevoeiro da manhã.



Vê aqui os filmes completos:

| Filme | Duração | Data |
|---|---|---|
| [Timelapse da renovação de um piso](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2024-07-03_timelapse-sequence-floor-renovation/) | 2:12 | 3 de julho de 2024 |
| [Filme de sustentabilidade em Terschelling](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2026-08-25_sustainability-film-on-terschelling/) | 4:00 | 25 de agosto de 2026 |
| [Inspeções subaquáticas de uma eclusa](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2024-11-29_corporate-film-about-underwater-inspections/) | 2:46 | 29 de novembro de 2024 |
| [O leilão de flores para a PP Flowers](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2026-09-09_corporate-film-for-pp-flowers-at-the-flower-auction/) | 1:27 | 9 de setembro de 2026 |
| [Reel da página inicial para o Eetcafé 't Pakhuis](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2026-03-26_homepage-reel-and-photography-for-restaurant/) | 0:36 | 26 de março de 2026 |

Por trás de cada plano há uma história. Mergulhadores a [inspecionar as paredes e as comportas de uma eclusa](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2024-11-29_corporate-film-about-underwater-inspections/). O [leilão de flores](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2026-09-09_corporate-film-for-pp-flowers-at-the-flower-auction/) em Aalsmeer. Um [timelapse](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2024-07-03_timelapse-sequence-floor-renovation/) de um centro comercial que ganha um piso novo. E em Terschelling, pilotos de drones a vasculhar os prados em busca de [ninhos de aves vulneráveis](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2026-08-25_sustainability-film-on-terschelling/), para que possam ser protegidos antes de a erva ser cortada. Um ninho com ovos, escondido na erva. Esse é o plano!

![Pilotos de drones no nevoeiro da manhã em Terschelling. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/36a716ea568a.webp)

![Um ninho com ovos, escondido na erva. Foto: Kevin Middelkoop](https://willem.com/global/images/0571a07da7e2.webp)

O reel e os quatro filmes de colegas em [korverbv.nl](https://korverbv.nl/) também são dele, como escrevi em [Trabalho humano](https://willem.com/en/2026-10-19_human-work/).

## Snake '97
Foi também o Kevin quem fez as fotos macro nítidas como uma navalha dos telemóveis antigos para o Snake '97. Essas fotos continuam a ser o jogo: mais de 41 milhões de transferências, e milhões de pessoas trazem no bolso uma cópia do meu telemóvel antigo, fotografada pelo meu irmão. A história completa está na [página dos bastidores](https://snake97.com/making-of/). 41 milhões de transferências, UM fotógrafo!

![Os telemóveis do Snake '97: as fotos macro do Kevin são o jogo](https://willem.com/global/images/e573234db237.webp)

## IA e ofício
Construo com IA o dia todo, e acredito que ela pode fomentar a criatividade e o ofício. Tira o trabalho aborrecido e deixa mais tempo para o que importa. Mas o olhar continua humano: saber o que deixar de fora, esperar pela luz certa, ver a linha estranha antes de qualquer outra pessoa.

O Kevin mantém as redes sociais à distância, de propósito, e escreve sobre o seu próprio trabalho nas suas [novidades](https://kevinmiddelkoop.nl/en/updates/). Lê [O que fazes realmente, Kevin?](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2026-02-26_what-do-you-actually-do-kevin/), ou como construiu uma [câmara escura com uma caixa de cartão](https://kevinmiddelkoop.nl/en/2026-08-12_solar-eclipse-through-diy-camera-obscura/) para ver o eclipse solar. A curiosidade faz parte do ofício.

| | Kevin Middelkoop |
|---|---|
| Fotografia | Interiores, arquitetura, hotelaria e restauração, empresas |
| Filme | Filmes institucionais, aftermovies, timelapses, drone |
| Também | Visitas virtuais a 360 graus, Google Street View |
| Experiência | Mais de 20 anos, negócio próprio desde 2009 |
| Trabalha a partir de | Nieuwveen, sobretudo a Randstad, também no estrangeiro |

## Conclusão
As imagens são a primeira coisa que as pessoas veem do teu trabalho, muito antes de lerem uma palavra. Faz com que contem! Procuras fotos ou filmes que façam destacar as tuas pessoas, o teu produto ou o teu espaço? Dá uma vista de olhos ao trabalho do Kevin e liga-lhe.

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## A loja online da nova geração

*Conteúdo real, agentes que ajudam e um motor estático* · 2026-10-16 · https://willem.com/pt/2026-10-16_a-loja-online-da-nova-geracao/

Tom e Melanie Alaerds vendem filtros de água a partir de Hegelsom, com 9,9/10 em quase duas mil avaliações. Juntos abrimos uma segunda loja, para toda a Europa: waterfilterhouse.com. Este artigo mostra o que a torna uma loja online da nova geração: conteúdo real, agentes que ajudam, e o motor estático da Lemmid Store por baixo.

## Uma loja para a Europa
Desde o verão trabalho com o Tom para tornar o conhecimento dele encontrável, para pessoas e para a IA. Começou com o Helder, um site cheio de guias honestos sobre água, escritos em conjunto com o Tom e um agente editorial semanal. Esta semana demos o passo seguinte: uma loja própria, só de filtros de água, para o mercado europeu, com nome próprio. Assim nasceu o waterfilterhouse.com, "by alternatievemiddelen.nl". Três idiomas desde o primeiro dia: [inglês](https://waterfilterhouse.com/en/), [alemão](https://waterfilterhouse.com/de/) e [neerlandês](https://waterfilterhouse.com/nl/).

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![Uma loja, três edições: inglês, alemão e neerlandês, no telemóvel](https://willem.com/global/images/f7b14193e47b.webp)

## Conteúdo real
Uma boa loja online não é um catálogo, é uma pessoa em quem confias. O Tom responde ele próprio às perguntas sobre filtros, por telefone e no WhatsApp, e esse conhecimento é o coração da loja. Por isso a loja é construída em torno das palavras dele, não de slogans de bancos de imagens.

A loja tem um [localizador de produtos](https://waterfilterhouse.com/en/product-finder/) integrado. Quatro perguntas curtas, e dá o conselho que o Tom e a Melanie dariam eles próprios, com o stock e o preço de hoje. Ajuda cada visitante a encontrar o filtro que se ajusta às suas necessidades, e tira dos ombros do Tom e da Melanie uma enxurrada de e-mails, WhatsApps e mensagens com as mesmas perguntas de sempre.

![O localizador de produtos: quatro perguntas curtas, o conselho próprio do Tom e da Melanie](https://willem.com/global/images/c6826a66b296.webp)

![A resposta: a melhor correspondência primeiro, com o stock e o preço de hoje](https://willem.com/global/images/a1852703ce6e.webp)

[Cada categoria](https://waterfilterhouse.com/en/shop/waterfilter/) tem filtros que vêm dos próprios produtos: número de pessoas, capacidade, altura, diâmetro, cor, marca. Só aparecem filtros que realmente dividem a gama, pela ordem que o Tom pediu. As páginas de produto trazem as especificações, as fotografias, os elementos certos e as peças sobresselentes, e quando o Tom fez um vídeo sobre o produto, está logo ali.

![Filtros que vêm dos próprios produtos, aqui na BOROUX, no portátil e no telemóvel](https://willem.com/global/images/0f3cfe6273af.webp)

![Uma página de produto: especificações, fotografias, stock e as peças certas, no portátil e no telemóvel](https://willem.com/global/images/45a9d6f44ae5.webp)

## O Tom explica
O Tom tem um canal de YouTube com vídeos curtos: como preparar um elemento, [como fazer o teste do corante vermelho](https://waterfilterhouse.com/en/tom-explains/how-to-do-the-red-dye-test/), como funciona o filtro de duche. Dez deles estão agora na própria loja, em [O Tom explica](https://waterfilterhouse.com/en/tom-explains/), cada um com a sua página. Só dois têm fala. Os outros oito são música com texto em neerlandês na imagem. Por isso os agentes escutaram onde o Tom fala, leram o texto incorporado na imagem fotograma a fotograma onde ele não fala, e escreveram legendas em inglês e alemão que não tapam o texto em neerlandês. Um visitante alemão segue agora o Tom em alemão.

![O Tom explica: os seus próprios vídeos na loja, com legendas em inglês e alemão](https://willem.com/global/images/b2d8e76084ab.webp)

À volta estão [23 guias](https://waterfilterhouse.com/en/guides/), [84 respostas nas perguntas frequentes](https://waterfilterhouse.com/en/faq/), [páginas de marca](https://waterfilterhouse.com/en/brand/boroux/) que põem todos os modelos lado a lado à sua altura real, e [51 manuais e relatórios de laboratório](https://waterfilterhouse.com/en/manuals/). Tudo fica no site. É o tipo de conteúdo que um chatbot cita quando alguém pergunta [que filtro de água comprar](https://willem.com/en/2026-04-19_seo-is-dead/).

![Conteúdo real: um guia de compra honesto e 84 respostas nas perguntas frequentes](https://willem.com/global/images/7dedad6f04e5.webp)

![A edição alemã, e uma página de marca com todos os modelos lado a lado à sua altura real](https://willem.com/global/images/622ea2a72f82.webp)

## Um motor estático
Por baixo corre o motor da Lemmid Store, a plataforma de encomendas que [construí ao longo dos anos](https://willem.com/en/2021-01-31_building-a-product-platform/) e que processa milhares de encomendas por mês. Cada página é gerada antecipadamente: 462 páginas em três idiomas, reconstruídas sempre que algo muda, e a cada hora com o stock atualizado. Uma página responde em cerca de um décimo de segundo. Não há um único pedido a terceiros, nem rastreadores, nem muro de cookies.

Medido com o Lighthouse, o motor por trás do PageSpeed do Google, na página inicial de uma loja WooCommerce WordPress típica e em waterfilterhouse.com. Cada célula mostra telemóvel / computador.

| | Loja WooCommerce WordPress típica | waterfilterhouse.com |
|---|---|---|
| Desempenho | 55 / 72 | **100 / 100** |
| Acessibilidade | 80 / 82 | **90 / 93** |
| Boas práticas | 100 / 100 | **100 / 100** |
| SEO | 92 / 92 | **100 / 100** |
| Primeiro conteúdo no ecrã | 3,7 s / 1,0 s | **1,1 s / 0,3 s** |
| Maior conteúdo no ecrã | 19,8 s / 4,8 s | **1,5 s / 0,5 s** |
| Bytes servidos | 7,2 MB / 8,4 MB | **0,9 MB / 1,0 MB** |
| Pedidos | 240 / 242 | **26 / 27** |

*Lighthouse 13.5, mediana de três execuções por site, 16 de outubro de 2026.*

O carrinho vive no navegador. No pagamento o servidor volta a calcular cada encomenda, ao cêntimo, com as tarifas de envio do próprio Tom por país, e depois entrega-a ao Mollie. Uma encomenda paga chega ao balcão de encomendas em segundos, pronta a imprimir, embalar e enviar. O cliente recebe uma confirmação no seu próprio idioma.

![O carrinho: as tarifas de envio do próprio Tom por país, recalculadas pelo servidor no pagamento](https://willem.com/global/images/151b73114163.webp)

## Agentes que ajudam
Traduzir uma loja inteira é um trabalho clássico que ninguém quer. O backend da Lemmid Store coordena esse trabalho entre modelos locais e modelos de fronteira. Cada campo passa por verificações automáticas: mesmas ligações, mesma estrutura, mesmos preços. Verificações ortográficas avançadas mantêm os nomes de marca como estão, por isso Badger nunca se torna Dachs em alemão.

Outros agentes mantêm a loja viva sem ninguém olhar: o stock a cada hora, o localizador de produtos todos os dias, um novo guia por semana para o Tom aprovar. E a loja fala com as máquinas tão claramente como com as pessoas. Uma [edição legível por máquinas](https://waterfilterhouse.com/agents/) completa, com produtos, stock, guias e respostas, é publicada ao lado das páginas, a parte da web que [os agentes leem](https://willem.com/en/2026-07-07_counting-agentic-traffic/).

![Para as máquinas: um índice legível de toda a loja, e llms.txt](https://willem.com/global/images/d412c89e59e6.webp)

## A tua loja
Trabalhamos com várias tecnologias e podemos importar configurações de lojas online existentes para a Lemmid Platform. [Manda-me uma mensagem](https://willem.com/en/#contact) se quiseres saber mais.

## Conclusão
A loja online da nova geração começa com o conhecimento real do dono, corre num motor estático rápido e calmo, e tem agentes que ajudam a toda a hora. O Tom continua a fazer o que só o Tom sabe fazer: ajudar as pessoas a ter água limpa. Vai dar uma vista de olhos, e talvez encomendar um filtro.

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## Outcast 99

*Um projeto de lazer na fronteira do possível* · 2026-10-12 · https://willem.com/pt/2026-10-12_outcast-99/

Outcast (1999) é uma obra de arte e um dos meus jogos preferidos de sempre: Cutter Slade, o planeta Adelpha, as suas paisagens de voxels e a sua banda sonora orquestral. Em três dias, com uma equipa de agentes de IA, trouxe-o nativamente para o meu portátil Linux, iPad, iPhone e Apple Vision Pro, em 3D estereoscópico. Um projeto de lazer, nada à venda, escrito com profundo respeito pelas pessoas que o fizeram e por todos os que ainda sonham com Adelpha.

## Uma obra de arte, à frente do seu tempo
O Outcast foi feito pela Appeal, na Bélgica, e lançado em 1999. Estava anos à frente do seu tempo. Um mundo aberto livre e vivo, dois anos antes de Grand Theft Auto III. Um motor de paisagens que desenhava colinas ondulantes, água refletora, profundidade de campo e bump mapping inteiramente em software, num Pentium III. Uma banda sonora de Lennie Moore, interpretada pela Orquestra Sinfónica de Moscovo e pelo seu coro, numa altura em que a música orquestral em jogos era rara. A GameSpot elegeu-o o jogo de aventura do ano.

E depois há a IA. A Appeal construiu um motor próprio para ela, chamado GAIA: Game Artificial Intelligence with Agents. Cada habitante de Adelpha era um conjunto de agentes autónomos com capacidades como visão, audição e acrobacia, a cooperar e até a competir para cumprir uma tarefa. Os soldados tocam as suas trombetas, tentam apanhar-te pelo flanco e procuram-te quando desapareces. Os Talan lembram-se de como os trataste e ajudam-te ou viram-te as costas. Até guardar o jogo faz parte do mundo: apertas o teu Gaamsaav, ele brilha e faz um som, e os guardas vêm ver. Em 1999!

Comprei-o na altura, mais do que uma vez. Anos depois, os fundadores originais, Yann Robert, Franck Sauer e Yves Grolet, recompraram os direitos e reconstruíram o jogo a partir do código-fonte original como Outcast 1.1, com resoluções mais altas e renderização em vários threads. Essa é a versão que voltei a comprar na GOG, e aquela de onde este projeto parte. Se nunca jogaste: [compra o Outcast 1.1 na GOG](https://www.gog.com/en/game/outcast). E se queres ver para onde Adelpha foi a seguir, há o Outcast: A New Beginning, feito pelo mesmo estúdio em 2024.

![Outcast 1.1 na minha coleção da GOG. Compra a tua própria cópia!](https://willem.com/global/images/57ac1a74f76e.webp)

Deixo isto claro desde o início: este é um projeto de lazer pessoal, uma homenagem. A adaptação não foi lançada e não o será sem a aprovação oficial dos seus criadores. Nenhum código, nenhum dado do jogo e nenhuma análise sai da minha casa. Precisas sempre da tua própria cópia do jogo.

## Cutter, meu velho amigo
Começou numa manhã de domingo no meu Framework 12 com Omarchy Linux. O Outcast 1.1 corria com o Wine, uma camada de compatibilidade para programas Windows, a cerca de 21 fotogramas por segundo. Já fazia algum tempo que não via o meu amigo Cutter Slade. Então veio a pergunta: até onde podemos ir?

![Cutter Slade no meu Framework 12, na primeira manhã](https://willem.com/global/images/c1f4dd5d4a2c.webp)

Mais longe do que pensava. Em vez de emular o jogo, os agentes transformaram o executável do Windows em código C portátil: uma recompilação estática. Cada uma das suas 66 968 funções passou a C, cerca de 48 MB. À volta disso está um runtime escrito à mão que faz o papel do Windows: memória, ficheiros, threads, DirectInput, DirectSound, a janela gráfica. SEM WINE, SEM EMULADOR!

![A falar com Zokrym, a correr nativamente em Linux: sem Wine, sem emulador](https://willem.com/global/images/50bb348d92e5.webp)

## Como funciona o lifter
O lifter lê cada instrução x86 e escreve o C que faz exatamente o mesmo. Parece simples até encontrares um motor tão engenhoso como o da Appeal. Usa instruções MMX e SSE para as paisagens, vírgula flutuante x87 com os seus próprios modos de arredondamento (a primeira versão nativa tinha falhas de cor até estes serem modelados) e 62 sítios onde o código se reescreve a si próprio enquanto corre, um truque clássico de uma época em que cada ciclo contava. Tudo isso precisou de extensões próprias sobre o lifter de código aberto de que partimos. Para termos a certeza de que o C faz o que o processador fazia, cada forma de instrução que o jogo usa foi testada contra um emulador de CPU, em Intel e em ARM.

A música revelou-se uma única gravação de 68 minutos que o motor toca por intervalos de tempo, com os seus próprios fades. Por isso o runtime ganhou um pequeno substituto da camada multimédia do Windows que toca esses intervalos no misturador de som. Na primeira vez que a banda sonora de Lennie Moore regressou na versão nativa, foi de certa forma épico.

A velocidade veio de medir, a cada passo. Dois pontos quentes no thread principal do jogo ganharam um substituto nativo: o descompressor dos pacotes de dados do jogo e a rotina que pinta o céu (de 2,15 ms para 0,37 ms por fotograma, verificado byte a byte contra o original ao longo de 1200 fotogramas). O MMX passou a ser código vetorial a sério. E o Outcast 1.1 já reparte a renderização por vários threads, uma grande razão pela qual voa em chips modernos. No Framework 12, o jogo passou de 21 fotogramas por segundo com o Wine para cerca de 76 nativamente. No iPad Pro corre a cerca de 90.

## Uma equipa de agentes
Nada disto foi escrito à mão. Três sessões do Claude Code trabalharam juntas como um pequeno estúdio: uma no portátil Linux para o recompilador e o runtime, outra no MacBook para o Xcode e as versões para iPad, iPhone e Vision Pro, e outra na máquina do meu homelab a coordenar as duas, a passar notas de dia e de noite. Eu joguei, testei e decidi. É a mesma configuração multiagente que move as pipelines de desenvolvimento nativo que construí para apps como o [Contact](https://willem.com/en/2026-10-02_the-idea-factory/), e o Outcast levou-a mais longe do que qualquer outro projeto antes. Há uma bela simetria nisto: um jogo cujas personagens eram movidas por agentes em 1999, levado para novos dispositivos por agentes em 2026.

![Primeiro dia: cair da cadeira umas quantas vezes](https://willem.com/global/images/9e837c8a8158.webp)

Isso significa também tokens. Depois de sete horas de iteração sem parar eram 180 milhões, no fim do primeiro dia 278 milhões, e ao terceiro dia mais de 1,4 mil milhões. Isto para um pequeno projeto de lazer. Mas aprendi imenso sobre motores de jogos, interação e a reinterpretação de uma obra de arte.

## A velocidade é o conceito
Um jogo em que te moves por um mundo é um tipo especial de software. Numa página web, uns milissegundos de atraso passam despercebidos. Num jogo, sentes cada um: os controlos ficam moles, a câmara atrasa-se, a magia perde-se. Aprendi isso com o [Thinc Ahead 3D](https://willem.com/en/2026-09-21_thinc-ahead-3d/) e o [Protect Your Eggs](https://willem.com/en/2026-09-13_protect-your-eggs/).

Na realidade virtual a margem é ainda mais pequena. No Vision Pro a imagem tem de seguir a tua cabeça, cada olho precisa da sua própria imagem, e qualquer soluço vai direto ao estômago. Isso exige o melhor de uma pipeline de desenvolvimento: medir cada fotograma, nunca adivinhar e manter o caminho de volta aberto. Cada otimização tem um interruptor que repõe o comportamento original, byte a byte.

## Adelpha em 3D
O Outcast desenha uma imagem plana por fotograma. Para obter 3D estereoscópico, os agentes foram à procura na memória do jogo e encontraram o que o motor da Appeal guarda para cada pixel: a sua distância, mesmo ao lado da sua cor. Com isso, a GPU constrói uma imagem para cada olho: cada pixel desloca-se para a esquerda ou para a direita conforme a sua profundidade, os buracos são preenchidos e o HUD fica à profundidade do ecrã. Custa cerca de 1,2 ms por fotograma na GPU, e as paisagens de 1999 ganham de repente profundidade real.

![A primeira tela nativa no Apple Vision Pro](https://willem.com/global/images/1ea693607bb7.webp)

![A tela no meu quarto, com o menu nativo ao lado](https://willem.com/global/images/ea8f59bfb335.webp)

Vê o vídeo abaixo: Outcast no Apple Vision Pro, jogado com um DualSense da PlayStation 5.



No Vision Pro, o jogo corre como uma app nativa de visionOS. A tela pende no teu quarto em 3D e, no modo imersivo, o panorama do céu do próprio jogo rodeia-te como uma cúpula que gira com o Cutter. Estar debaixo das luas de Adelpha é bastante intenso, e adoro.

![Modo imersivo: o céu de Adelpha por todo o lado, luas incluídas](https://willem.com/global/images/dbbb348ba424.webp)

![Modo imersivo numa ilha tropical de Adelpha](https://willem.com/global/images/1d63f95ce9c8.webp)

## Uma interface nativa
O estéreo tem um senão: o jogo desenha os menus e os textos das conversas na mesma imagem plana, por isso em 3D ficam espalhados pela cena. A única solução fiável foi dar à interface a sua própria camada. O runtime lê as conversas, a mochila, as notas, as armas, o mapa e os menus do próprio motor, e as apps desenham-nos nativamente: botões verdadeiros em que tocas, que olhas ou que selecionas com o comando. As palavras, as escolhas e a lógica continuam a ser da Appeal, com o mesmo tom e ritmo. A mochila conhece os 105 tipos de objetos, com os ícones e legendas do próprio jogo.

![Uma conversa, com a camada de texto nativa a verde](https://willem.com/global/images/46ab191f899d.webp)

![O anel de conversa como botões verdadeiros](https://willem.com/global/images/79878a433d26.webp)

![O ecrã das armas, desenhado nativamente](https://willem.com/global/images/7f866a2c1bd1.webp)

Até as letras são as do próprio jogo: o tipo de letra bitmap original de 1999 traçado em contornos vetoriais suaves, com o tipo de letra do sistema para o texto pequeno.

![Quatro maneiras de traçar o tipo de letra de 1999: o contorno suave ganhou](https://willem.com/global/images/3d2c4faac33f.webp)

## Controlos
Cada dispositivo joga de maneira diferente, por isso cada um ganhou os seus próprios controlos:

- **iPad:** o trackpad do Magic Keyboard roda a câmara, o teclado move o Cutter. Destaca o teclado e aparece em segundos uma sobreposição tátil: um manípulo para andar, um manípulo de olhar que continua a rodar quando o seguras na borda, e botões para ação, disparo, salto e pontaria.
- **iPhone:** toque, em paisagem, com a interface nativa ajustada a um ecrã pequeno.
- **Vision Pro:** o DualSense da PlayStation 5, com glifos da PlayStation nos botões e o clique do touchpad para o mapa.
- **Linux:** teclado e rato, como em 1999.

![O DualSense da PlayStation 5, o comando para o Vision Pro](https://willem.com/global/images/35c299f24ea4.webp)

## Um save, todos os dispositivos
Quero parar de jogar no portátil e continuar no iPad, ou no headset, sem pensar nisso. Por isso os agentes construíram um sincronizador de saves: um pequeno serviço em game.willem.com que guarda o save mais recente. Aperta o Gaamsaav e a ranhura é enviada, verificada com um hash SHA-256; ao arrancar, o jogo vai buscar um save mais recente de outro dispositivo e continua exatamente onde ficaste, como faz o botão "Continue" do launcher da GOG. O save mais recente ganha sempre e o histórico é mantido. Funciona porque os ficheiros de save são byte a byte iguais em todos os dispositivos: o motor é o mesmo em todo o lado.

![Continua onde ficaste: o mesmo save no iPad](https://willem.com/global/images/9be1d1853f05.webp)

## Uma base de código, quatro plataformas
O runtime em C é partilhado: Linux no ramo principal, Apple no seu próprio ramo que acompanha a linha principal. O iPad e o iPhone partilham uma app; o Vision Pro tem a sua própria app nativa em Swift e RealityKit em torno do mesmo motor. O nome Outcast 99 é uma vénia aos meus próprios jogos Snake '97 e Block 89.

| Dispositivo | Joga-se com | Velocidade |
|---|---|---|
| Framework 12, Linux | Teclado e rato | Cerca de 76 fps (Wine: 21) |
| iPad Pro M4 | Trackpad, teclado ou toque | Cerca de 90 fps |
| iPhone | Toque | Fluido, em paisagem |
| Apple Vision Pro | DualSense | 3D estereoscópico, céu imersivo |

## Conclusão
Este projeto é uma carta de amor a um jogo que ainda parece magia, 27 anos depois. Tudo o que o torna especial estava lá em 1999: o mundo, os agentes, a música, a história. Tudo o que fiz foi levá-lo para um vidro novo. Obrigado Yann Robert, Franck Sauer, Yves Grolet e todos na Appeal por terem feito o Outcast. Se nunca visitaste Adelpha, agora é uma boa altura: compra o jogo, aumenta a música e cumprimenta os Talan por mim. Ulukai, EM 3D!

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## A fábrica de ideias

*Contact: uma app entre as pessoas e a máquina* · 2026-10-02 · https://willem.com/pt/2026-10-02_a-fabrica-de-ideias/

O meu e-mail, WhatsApp e Signal vivem agora numa só app que construí eu próprio. Chamei-lhe Contact. Não é uma app de chat nem uma app de IA, fica algures no meio. Quando tentei desenhar no caderno o que ela é, saiu uma fábrica. Este artigo explica esse desenho, começando por um puzzle.

## Um puzzle para a turma
Na escola do Jurre o dia começa com uma "binnenkomer", uma pequena atividade de abertura, e cada criança tem a sua vez. A mensagem de que era a vez dele chegou pelo grupo de WhatsApp da turma. Então, numa noite, o Jurre sentou-se e fez o seu próprio puzzle: nove pontos, e uma regra. *"Je moet elk stipje in een eigen vakje hebben, maar je mag maar twee vierkanten tekenen."* Cada ponto na sua caixa, mas só podes desenhar dois quadrados.

![O puzzle do Jurre: a regra em cima, nove pontos, e uma das soluções](https://willem.com/global/images/889fb8df30c3.webp)

Ele queria cópias, uma limpa para cada colega. Tirei uma fotografia, que chega em segundos à minha fototeca em casa. No Contact abri uma sessão e escrevi o que queria: pega na última fotografia, faz uma página imprimível com o texto e o puzzle vazio, sem a solução, e imprime. Primeiro uma página.

O agente não sabia onde estava a impressora. Procurou na rede, encontrou uma Canon adormecida, disse-me isso, e esperou até eu a ligar. Pelo caminho encontrou a mensagem original do grupo da turma no arquivo de WhatsApp do próprio Contact, por isso sabia para que servia a página.

![A sessão no Contact: o agente procura a impressora, eu digo-lhe o que fazer](https://willem.com/global/images/ea5a9de4ee70.webp)

![A imprimir, numa impressora que ninguém tinha configurado para isto](https://willem.com/global/images/0a21a7e90d9f.webp)

A primeira página saiu desbotada, um cartucho estava quase vazio. O agente encontrou um modo de impressão que ainda dava um preto profundo, e depois saíram as cópias. Dentro de uma hora havia uma pilha em cima da mesa: o quadrado vazio, os nove pontos, a regra num tipo de letra decente. Na manhã seguinte o Jurre levou-as para a turma.

![O resultado: o puzzle sem a solução, pronto a distribuir na turma](https://willem.com/global/images/6e1857001d6f.webp)

Aquela pequena noite tem tudo lá dentro. Alguém tem uma ideia. Ela chega, alguém decide que importa, uma máquina com contexto e energia suficientes transforma-a numa coisa, e a coisa volta para as pessoas. Isso é a fábrica.

## O desenho
![O desenho do meu caderno: pessoas, ideias, triagem, a máquina com a sua chaminé, e a seta comprida de volta](https://willem.com/global/images/4141316c89cd.webp)

À esquerda: as **pessoas**. Têm **ideias**, e elas vêm em todas as formas: um e-mail, um WhatsApp, uma mensagem de voz, uma captura de ecrã, um esboço numa folha de papel.

Depois a **triagem**, o funil. Nem tudo precisa de mim, e nem tudo precisa de mim agora. O Contact lê tudo o que chega à máquina no laboratório doméstico: o meu próprio hardware, Debian aborrecido, offline. Separa o que precisa de mim do que pode esperar, e agrupa as mensagens em conversas por pessoa ou por tema, venham de que app vierem. Menos apps, menos trabalho de arranjinho, mas mais contexto e mais controlo.

![O Contact no portátil, aqui com dados de exemplo: o que precisa de mim, rascunhos, e uma conversa com um rascunho de resposta à espera](https://willem.com/global/images/fd8daf1ef843.webp)

Depois a própria máquina: **criação mais contexto**. Uma sessão é um agente a trabalhar numa coisa, iniciada a partir de uma conversa com um toque. O que a torna boa não é o modelo, é o contexto que recebe. As minhas notas e regras. Cada linha de registo de todas as minhas apps e computadores, bem mais de um milhão de sinais por dia. A fototeca. Ficheiros de clientes e código-fonte documentado. A conversa de onde veio. A máquina sabe onde está antes de começar.

Por cima fica a chaminé: **energia, em tokens, computação e memória**. Esta é a parte nova. Antes, o contexto era uma pilha de documentos. Com energia suficiente torna-se fluido, podes moldá-lo. Pergunta-lhe, reescreve-o, transforma-o numa página, num protótipo ou numa impressão.

![A chaminé, medida: tokens por modelo](https://willem.com/global/images/e9cadf805898.webp)

Vou ser honesto sobre a chaminé. Em algumas semanas queimamos milhões de tokens numa única funcionalidade, e nem sempre sei se valeu a pena. Fique registado que não poupo custos nem esforços para perseguir a [sensação do software](https://willem.com/en/2026-09-21_thinc-ahead-3d/). Mas uma fábrica com chaminé e sem contador é algo que convém vigiar.

Da máquina saem os **artefactos**: um rascunho de resposta, uma página de pré-visualização, um protótipo, um puzzle impresso, um site, um jogo. A Nora também queria um jogo. Desenhou um arco-íris e contou-me de um unicórnio num skate a apanhar cores num mundo macio de nuvens, e isso tornou-se o jogo. A mesma fábrica, outra entrada.

![O contributo da Nora para o jogo dela: um arco-íris, nuvens e cores para apanhar](https://willem.com/global/images/59cb55865344.webp)

![A Nora a jogar o jogo que saiu do desenho dela](https://willem.com/global/images/1728c8bd5444.webp)



![Outro produto da mesma fábrica: a app de música, nativa em iOS e em Android](https://willem.com/global/images/15b61a0e54c2.webp)

E depois a seta comprida em baixo: o **feedback**. Ideias, artefactos e produtos voltam para as pessoas. Um rascunho de resposta volta para o cliente, depois de eu o ler e aprovar no telemóvel; o Contact nunca envia nada sozinho. O puzzle voltou para a turma. O que as pessoas dizem sobre isso entra de novo à esquerda, e o ciclo fecha-se.

## Não é uma app de chat, não é uma app de IA
Há apps para pessoas: Teams, Slack, WhatsApp. Há apps para IA. O Contact não é nenhuma delas. Fica entre elas, por cima delas e dentro delas, no cruzamento de pessoas e máquina. Foi feito para fazer coisas, e para aprender enquanto se faz. Quando funciona quase nem o noto: chega uma mensagem, uma sessão pega nela, e há um rascunho à espera quando olho.

Corre como app nativa no iPhone, no Vision Pro e no portátil, todos a partilhar a mesma ideia do que é uma conversa e uma sessão. No Vision Pro as sessões flutuam lado a lado, uma forma muito agradável de acompanhar vários fluxos de trabalho ao mesmo tempo. No iPhone está comigo o dia todo. Há algumas semanas escrevi sobre fazer o [meu próprio Android](https://willem.com/en/2026-08-31_my-own-custom-android/); isso ensinou-me até onde se vai sem tocar no sistema operativo, se os dados, os ecrãs e o conceito forem teus. O Contact é o que saiu dessa lição.

## A palavra mais difícil
Quando fazer é barato e rápido, a parte difícil é dizer não. A certa altura pedi que o meu ecrã de bloqueio mostrasse o estado da fábrica: o que está à minha espera, que sessão tem uma pergunta. Foi construído, testei-o no telemóvel à noite, e funcionou. Olhei para ele e decidi que não era útil para mim. De volta às notificações simples, nessa mesma noite, sem deixar nada para trás.

![A experiência do ecrã de bloqueio: construída, testada e desligada de novo na mesma noite](https://willem.com/global/images/4b43c3b7030d.webp)

A minha reflexão pessoal ajuda aqui. Escrever no caderno torna visíveis as minhas normas: privacidade, a sensação do software, e a regra "das Beste oder nichts". Essa regra leva muitas vezes ao "não". Uma escolha de não fazer é uma escolha a sério, e agora que quase tudo se pode fazer, talvez seja a mais importante.

## Conclusão
O Contact é uma pequena fábrica. As pessoas e as suas ideias entram, a triagem decide o que importa, uma máquina com contexto e energia faz algo, e isso volta para as pessoas. O truque não é o modelo, é o contexto. E a coragem de deitar fora o que fizeste quando não é bom o suficiente.

Portanto, se a tua caixa de entrada parece uma pilha de mensagens, talvez seja uma pilha de ideias à espera de uma fábrica.

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## Thinc Ahead 3D

*Um escritório, uma caixa de dardos de espuma e uma coproprietária de cartão* · 2026-09-21 · https://willem.com/pt/2026-09-21_thinc-ahead-3d/

A minha mulher Ellen trabalha na Thinc Ahead, uma agência de eventos em Eindhoven. Há algum tempo fiz um jogo de empurrar moedas para o aniversário dela, e os colegas gostaram tanto que quiseram um para eles: uma prenda para o patrão Niels, que fundou a empresa em 2012 e também fazia anos em breve. Neste artigo mostro como transformámos um edifício real, pessoas reais e pistolas NERF num jogo multijogador em 3D!

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## O pedido
A Ellen deu-me três ingredientes. Um: cada secretária na Thinc Ahead tem uma pistola Nerf... e são usadas! Dois: a Esther, a coproprietária, está de licença, por isso a equipa mandou fazer uma Esther de cartão em tamanho real. Aparece onde menos esperas! Três: o próprio edifício, um edifício de tijolo no centro de Eindhoven com quatro andares, uma escada em espiral e uma misteriosa porta vermelha de cofre na cave.

A ideia surgiu sozinha. O Niels e eu temos mais ou menos a mesma idade, ambos vivemos os tempos de Doom e Duke Nukem 3D. Portanto: um jogo de tiros na primeira pessoa no escritório deles, com dardos de espuma, para até doze jogadores. Com bots, para que o escritório nunca esteja vazio. Com a Esther de cartão a surgir ao virar da esquina. Senhoras e senhores, este é o Thinc Ahead 3D.

## O que a Ellen reuniu
A Ellen percorreu o edifício com o telemóvel. Voltou com 65 fotografias, identificadas por sala, as quatro plantas dos andares com dimensões em milímetros, fotografias das pistolas Nerf no chão de madeira, e o ficheiro de impressão da Esther de cartão. Os retratos da equipa e o logótipo vieram dos sites deles.

![A porta da frente no número 128: a fotografia da Ellen à esquerda, o jogo à direita. Trabalho em curso, como todas as capturas aqui](https://willem.com/global/images/7f17a7d38691.webp)

## De milímetros a um mapa
Com alguma experiência em [jogos retro](https://willem.com/en/2018-02-21_updating-snake-97/), depressa tinha o material de origem convertido em arte 3D como se fosse 1996. Uma resolução interna baixa que é ampliada com píxeis duros, texturas de 64 por 64, sem luzes, sem sombras. Esse estilo é também o plano para a velocidade: eu queria que todos pudessem jogar, desde um smartphone mais antigo até aos potentes Macs do escritório.

As plantas tornaram-se um mapa em metros reais, ampliado cerca de uma vez e meia, porque 450 metros quadrados são apertados para doze pessoas a correr à velocidade do Doom. Com agentes de IA testei a jogabilidade automaticamente, com testes que verificam que todos os pontos do edifício são alcançáveis. Da cave ao telhado, incluindo os esconderijos nas casas de banho e na garagem.

![As traseiras do edifício: a chaminé, a escada de emergência e a extensão. No jogo a escada tornou-se uma escadaria, para que todos a possam usar](https://willem.com/global/images/a54b216cd4c4.webp)

## A Ellen avalia o escritório
Mostrei à Ellen uma gravação de ecrã. A resposta dela foi uma frase: no primeiro andar a parede vermelha e a parede dos jogadores de râguebi pertencem ao lado oposto. Tinha razão, e não só ali. (Aliás, ela tem sempre razão... mas isso é outra história.) Com algumas iterações os gráficos ficaram melhores e mais exatos. O que fica à esquerda da câmara, o que fica à direita, o que fica atrás? Desde então uma sala recebe a sua orientação de pelo menos duas fotografias antes de qualquer coisa ir para uma parede. Os murais em si são fotografias da Ellen: endireitadas, reduzidas a píxeis e penduradas onde pertencem.

![IT STARTS HERE, a parede vermelha na sala de reuniões. A parede no jogo é a fotografia da própria Ellen, endireitada e reduzida a píxeis](https://willem.com/global/images/69199a926695.webp)

![CREATE A LEGACY no primeiro andar, depois de a Ellen ter apontado que pertencia à parede oposta](https://willem.com/global/images/056399b80676.webp)

## As pessoas
Doze colegas, doze lugares. Os retratos deles tornaram-se rostos de 48 píxeis em 24 cores, como o rosto na barra de estado do Doom. O teu olha à volta, assusta-se e fica pior à medida que a tua energia desce. Os corpos são blocos nas cores que as pessoas usam no retrato, e cada um recebeu a sua própria cabeça: uma coroa calva com um anel grisalho, um boné, caracóis, um rabo de cavalo, uma barba.

A Esther não pode ser escolhida. Ela é o cartão. O recorte dela é feito a partir do ficheiro de impressão verdadeiro, plano como uma tábua, com um pé dobrável, e aparece mesmo ao virar da esquina de onde estás. Acertar-lhe vale três pontos, a dourada dez. Na capa da caixa ela está ao lado do Niels como coprotagonista: como ela própria, em cartão.

![A equipa: os retratos em cima, os mesmos doze no jogo em baixo, com os dois gatos do escritório e a Esther de cartão no seu pé dobrável](https://willem.com/global/images/4b62011b0aa3.webp)

Há um locutor, como no Unreal Tournament, mas é um escritório. Cinco seguidos é PROMOTIE! Dez é MEDEWERKER VAN DE MAAND! Quem acaba com a tua série fica ONTSLAGEN! E se acertares no gato do escritório: NIET VOOR DE POES! O gato está bem, é espuma. A voz foi gerada uma vez e vai com o jogo em pequenos ficheiros de áudio.

O escritório tem um ecrã de comunicação interna, uma peça de exibição do próprio aniversariante. A Ellen enviou uma captura de ecrã. Todos os ecrãs no jogo mostram agora a classificação em direto nesse mesmo layout, incluindo os próximos aniversários verdadeiros! Comunicação interna dentro do jogo! Estamos a fechar o círculo, malta!

![À esquerda parte do verdadeiro ecrã Kantoor Live no hall, à direita o ecrã no jogo: mesmo layout, mas mostra quem está na frente](https://willem.com/global/images/33a5124520a9.webp)

Os carros lá fora são os carros da equipa, por modelo e cor. E sim, há um canhão de espuma ultramassivo e absurdo com seis canos, e quando o apontas a um carro estacionado durante demasiado tempo, o carro arde! O locutor também tem uma frase para isso: DAT WORDT FIETSEN!!!

![O parque de estacionamento: os carros da própria equipa, matrículas desfocadas, e a mesma fila no jogo, por modelo e cor](https://willem.com/global/images/f9883e702cfe.webp)

![DAT WORDT FIETSEN! O canhão de espuma, um carro que acabou de arder, e a carcaça a caminho do chão](https://willem.com/global/images/af440de05b8a.webp)

## Teclas e toques
Num jogo de tiros na primeira pessoa, _a sensação_ é muito importante. Os controlos, a velocidade, a pontaria. Super importante acertar, porque se joga mal a diversão desaparece num instante.
Isso exige muitas iterações. No início os bots eram bons demais e eu não os conseguia acertar. Agora um bot cai com um único tiro de um humano, enquanto um bot precisa de cinco tiros para derrubar um humano. Assim mantemos pelo menos um pouco da sensação de ser o chefe sobre a IA e os bots! Os jogadores com teclado e rato convencional têm um modelo de interação diferente do das pessoas com ecrã tátil. Joguei extensivamente das duas maneiras, o que levou a várias simplificações e acelerações. Quando começas o jogo recebes uma breve instrução sobre que teclas ou partes do ecrã tátil fazem o quê.

![MEDEWERKER VAN DE MAAND! Dez seguidos, em letras de píxeis com confetes](https://willem.com/global/images/8e2761d68bed.webp)

![Num telemóvel: os primeiros seis segundos mostram onde ficam os teus polegares. Sem botões, o polegar direito aponta, dispara e continua a disparar](https://willem.com/global/images/0a5170a0834e.webp)

## No ar
O jogo já se pode jogar, no ar no seu próprio endereço: [thincahead-3d.dsd164.com](https://thincahead-3d.dsd164.com/), pela mesma stack de nuvem que o [Protect Your Eggs](https://willem.com/en/2026-09-13_protect-your-eggs/): um pequeno servidor no meu laboratório doméstico, por trás da nuvem. Corre no navegador num portátil, tablet ou telemóvel. Escolhe o teu colega favorito e carrega em jogar!

![O sótão com a mesa de pingue-pongue. Acerta no alvo de dardos aqui em cima e um locutor inglês de dardos grita cento e oitenta](https://willem.com/global/images/c4def7e49c9a.webp)

## Conclusão
Que época para estar vivo. Um jogo de tiros em primeira pessoa 3D multijogador multiplataforma é agora uma prenda que podes receber no teu aniversário, feita à medida a partir de um escritório real com colegas reais! Loucura! Há pouco tempo precisarias de um orçamento de milhões para isto. E embora esse orçamento de milhões continue a ser bem-vindo (ha!), o custo deste tipo de tecnologia está claramente a descer. Acho que a atenção humana ao detalhe continua a ser necessária: é ela que faz a diferença entre uma brincadeira divertida e algo verdadeiramente fixe.

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## Protect Your Eggs

*A construir um jogo com o meu filho de sete anos* · 2026-09-13 · https://willem.com/pt/2026-09-13_protect-your-eggs/

No domingo, 13 de setembro, o meu filho Jurre (7) e eu construímos um jogo. Ele joga Roblox no iPad, eu queria ver o que acontece quando uma criança conduz ela própria um agente de IA. No fim da noite havia um resultado: um jogo multijogador, Protect Your Eggs. Este artigo fala de como correu, do que o jogo faz, e de quem assumiu o comando em cada altura.

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## O prompt
Comecei com um prompt simples: _vamos fazer um jogo que é um cruzamento entre Minecraft, Flappy Bird e o Steal an Egg do Roblox_. Em HTML5 e Three.js, porque sei que funciona bem em todas as plataformas, de um portátil Linux a um iPad. O agente era o Claude Code no Framework 12 com Omarchy, a mesma [máquina](https://willem.com/en/2026-09-09_omascribe/) em que escrevo estes apontamentos. Vinte minutos depois havia um campo em blocos com quatro bases, um mercado com ovos no meio, bots que roubam, e um jogador que bate asas como um pássaro. Corria a partir de um ficheiro no disco, sem servidor, sem nada instalado.

Foi essa a minha parte. Depois o Jurre sentou-se.

![Tarde de domingo: o Jurre no Framework 12, a escrever ele próprio a melhoria seguinte, o iPad no chão ao lado dele](https://willem.com/global/images/834b8c06c7d1.webp)

## O Jurre pega no teclado
Ele conhece o Roblox melhor do que eu, por isso escreveu ele próprio as melhorias. Literalmente: uma criança de sete anos ao teclado de um portátil Linux, a escrever com as suas palavras o que achava fixe. Que se podem comprar guardas. Que há mais monstros quanto mais alto o teu nível. Que às nove da manhã de um sábado há abuso de admin durante uma trovoada. Que se pode comprar um tapete de corrida até ao nível 100, e um cadeado que mantém toda a gente fora da tua base mas também te impede de apanhar ovos. Mais tarde: ovos míticos, secretos, eternos e divinos, e que se pode escolher quanto tempo dura uma ronda.

Este é um caso em que a programação em linguagem natural ganha. Ele verbaliza as mecânicas que acha divertidas, e poucos minutos depois experimentamo-las. O verdadeiro exercício para ele é encontrar as palavras: o que está mal, o que podia ser melhor, o que seria fantástico. Acho que essa competência é muito útil também fora do desenvolvimento de jogos.

![A primeira versão no ecrã: um campo em blocos, quatro bases, ovos no mercado, bots a caminho para roubar](https://willem.com/global/images/557cc803d362.webp)

## Doze minutos
Eu estava maravilhado com a velocidade. Ele não. A meio da tarde, enquanto o agente reescrevia o jogo para multijogador, suspirou: já estamos à espera há _doze_ minutos, pai, isto demora tanto. A perspetiva muda depressa. Para mim, doze minutos para um servidor de jogo é ficção científica. Para ele é o tempo entre uma ideia e o momento em que a pode jogar, e isso soube a lento. Em [Iteração rápida em ciclos agênticos](https://willem.com/en/2026-04-30_rapid-iteration-in-agentic-loops/) escrevi que o ciclo deve ser o mais curto possível. Uma criança diz-te o mesmo sem a teoria.

![O iPad, a maneira dele de jogar: controlos táteis por wifi a partir da máquina do laboratório doméstico, no chão e no sofá](https://willem.com/global/images/f560d662d5b1.webp)

## No iPad
Ele queria controlos táteis, porque é assim que joga. Por isso montámos um pequeno servidor na máquina do laboratório doméstico e jogámos o jogo por wifi no iPad dele, com um joystick ao estilo do Roblox e um botão de salto grande. Isso transformou também o jogo no que é agora: multijogador a sério. Até oito jogadores, lugares vazios preenchidos por bots, e quando o primeiro humano entra numa sala só com bots, a ronda recomeça para que o objetivo, o primeiro a chegar ao nível 10, seja justo. Ele testava, eu corrigia. O botão de saltar o tutorial que não fazia nada no iPad, os botões da loja que se escondiam debaixo dos controlos, uma barra azul no fundo do ecrã. A emoção durante a depuração dá energia.

![YOU WIN: nível 10 atingido, a primeira vez que venceu os bots](https://willem.com/global/images/e6ad951d80de.webp)

## O pai assume
Um jogo que só corre no portátil em cima da mesa de centro é um brinquedo. Um jogo com um endereço público é um produto, e esse passo fui eu que dei. A noite foi para as coisas que uma criança não vê: um nome, escolhido pelo Jurre, e um logótipo. Um domínio, protect-your-eggs.dsd164.com, e a mesma configuração na nuvem que uso para as minhas outras pequenas apps. Uma página sobre privacidade e segurança infantil, escrita para que uma criança a possa ler: sem recolha de dados, sem chat, os nomes grosseiros são substituídos automaticamente, sem contas, sem anúncios, sem compras. Um pequeno ícone para o poder fixar no ecrã inicial. Métricas, para ver quantas pessoas jogam e como o servidor aguenta. Não é a parte divertida, mas é a parte que o torna real.

![O Jurre ganha! A ronda que jogou do sofá enquanto eu via o ecrã de resultados no portátil](https://willem.com/global/images/619bcbd9ec76.webp)

## O jogo
O [Protect Your Eggs](https://protect-your-eggs.dsd164.com/) é simples. Apanha ovos no mercado do meio, leva-os para casa, mete-os nos teus ninhos. Os ovos nos teus ninhos rendem moedas. As moedas enchem a tua barra de nível e compram guardas, ninhos extra, batidas de asas, botas, uma base maior, um martelo e o tapete de corrida. Os outros roubam-te, tu roubas-lhes. Cada nível acrescenta um monstro. As trovoadas trazem ovos extra e relâmpagos. O ADMIN ABUSE traz quinze segundos de gravidade lunar, chuva de ovos ou gigantes. As rondas duram cinco minutos, ganha o primeiro a chegar ao nível 10. Funciona com teclado e toque, num telemóvel, tablet ou portátil, no navegador, grátis.

Estas capturas de ecrã são de hoje. Muita coisa ainda vai mudar, este é o primeiro dia do jogo (e o Jurre tem muitas mais ideias!)

![Os ecrãs de hoje: jogo com teclado no portátil, e o layout tátil com o joystick ao estilo do Roblox e o botão de salto. Trabalho em curso](https://willem.com/global/images/ab42348c9cb3.webp)

## O mealheiro do Jurre
Mais uma coisa que ele pediu: o Jurre está a poupar para o primeiro portátil a sério, e queria uma forma de as pessoas ajudarem. Por isso há um botão de mealheiro no jogo: [deixa uma moeda no mealheiro do Jurre](https://buy.stripe.com/00w00ifKt3ZLaMcbkk3ks01). Cada cêntimo vai para ele! Não podes doar? Fala do jogo dele aos teus amigos, ajuda igualmente.

![O ecrã inicial: um nome, PLAY, e o mealheiro do Jurre](https://willem.com/global/images/51bc48af6154.webp)

## Conclusão
O que aprendi neste domingo não é sobre o agente de IA. Eu já sabia que ele consegue construir um jogo numa tarde; em fevereiro escrevi sobre [três jogos em três semanas](https://willem.com/en/2026-02-25_three-games-in-three-weeks/). O que eu não sabia é com que naturalidade uma criança de sete anos pega no volante. Ele não aprendeu hoje a programar. Aprendeu que uma ideia, dita em voz alta e com clareza, se torna uma coisa que se pode jogar. A espera, doze minutos no máximo, foi a parte mais difícil para ele. Suspeito que para a geração dele será sempre.

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## Omascribe

*Escrever à mão num portátil Linux* · 2026-09-09 · https://willem.com/pt/2026-09-09_omascribe/

No domingo à noite, 6 de setembro, construí uma pequena app para escrever à mão no Framework 12. Três dias depois é a versão 0.1, o código-fonte é público, e todas as reflexões desde então foram escritas com ela. Este artigo mostra o que é o Omascribe, porque o fiz, o que faz e, igualmente importante, o que deixa deliberadamente de fora. Com um olhar ao iPad e ao reMarkable, as duas coisas que ele substitui na minha secretária.

## Porquê
Eu escrevo à mão. Todos os meses começam em papel e as linhas mais afiadas dos meus apontamentos são sempre as manuscritas; escrevi sobre isso no texto sobre [fechar a porta com correntes de ar](https://willem.com/en/2026-02-04_closing-a-draughty-door/). A escrita à mão funciona para mim de forma criativa. Uma caneta não completa automaticamente, não sugere, espera. As ideias saem pela ordem em que chegam, com um esboço ao lado quando as palavras não chegam. Gosto disso, e quero manter.

O problema era o equipamento. O [Framework 12](https://willem.com/en/2026-08-26_innovation-is-software/) na minha secretária, a 'bancada agêntica', tem ecrã tátil e caneta. Em Linux não havia nada com que eu quisesse escrever; existem apps como o Xournal, mas acho essas apps avassaladoras em opções e funcionalidades. O iPad pode ter a melhor caneta que há, mas é prejudicado pela app Notas da Apple, que é uma lotaria, com a 'Apple Intelligence' a interferir na minha escrita. O reMarkable é [melhor](https://willem.com/en/2021-05-31_using-the-remarkable-paper-tablet/), mas é uma ilha e exige um serviço de terceiros para sincronizar. Então, num domingo à noite, abri um terminal, descrevi o que queria, e escrevi com ele a primeira página na mesma noite. Foi, nas minhas próprias palavras, libertador.

![9 de setembro: o Framework 12 dobrado na secretária, a caneta ao lado, e a primeira coisa que toda a gente escreve](https://willem.com/global/images/c041d056edcc.webp)

## O que é
O Omascribe é uma app de notas para Linux pensada primeiro para a caneta. Qt Quick e C++, a mesma stack que o Omawrite, a app de escrita do Omarchy, e a mesma interface discreta. O nome é o par de write para a caneta: scribe. Uma página infinita por nota, que cresce à medida que escreves para baixo. A tinta é guardada como vetores num simples ficheiro JSON, não como bitmap, por isso uma página de escrita à mão ocupa umas centenas de quilobytes e pode ser lida por qualquer coisa. As tintas têm nomes, não códigos de cor, por isso uma mudança de tema nunca esconde um traço. Apagar uma nota move-a para uma pasta do lixo. Nada sai da máquina.

A caneta é crua. O digitalizador do Framework 12 não é o melhor, escrevi isso na primeira página, mas a suavização que o libinput aplica por defeito deixou a minha letra "achatada", já não minha. Isso está agora desligado, na app e num pequeno ficheiro de ajustes do sistema, e nunca será acrescentada suavização, ajuste de curvas ou redução de pontos. As linhas pequenas, cruas e irregulares são exatamente o ponto.

![O Omascribe no Omarchy: uma página com tinta vetorial, pixel art e um bloco digitado, o ambiente de trabalho de cada lado](https://willem.com/global/images/0d51caebc2c3.webp)

## O que faz
A caneta escreve. Dois dedos deslocam. Mais nada move a página: sem deslocar com um dedo, sem página que segue a caneta, sem palma que arrasta o papel enquanto escreves. Esta última demorou um dia a acertar, porque uma palma no vidro parece um dedo ao software. Agora a caneta é dona da página, enquanto estiver por perto.

Depois o resto, em poucas linhas. Uma borracha que remove traços inteiros. Um laço para mover um bloco de escrita. Uma régua que prende uma linha a quinze graus. Desfazer com um toque de dois dedos. Quatro tintas, três larguras. Texto digitado: clica em qualquer sítio e escreve, e o bloco assume as margens da escrita manuscrita à volta. Exportação para PDF ou SVG em papel branco, seja qual for o aspeto do ecrã. Um modo de ecrã inteiro sem nada a não ser a página, com o título a deslizar como parte do papel. E plugins: por pessoa, por instalação, fora da árvore do código-fonte. O meu é um único botão que envia a nota por e-mail como PDF para o meu arquivo de notas, e avisa-me quando saiu.

![Ecrã inteiro: nada a não ser a página. O título desliza como parte do papel](https://willem.com/global/images/21fe488c16e4.webp)

A funcionalidade que eu não planeei é a que mais usei desde então! Enquanto a app está aberta, a página atual é espelhada para os agentes: um JSON com os metadados, um SVG com os vetores e um PNG da tinta em papel branco. Descontente com os ícones que o Grok tinha feito, a certa altura tentei desenhar eu próprio um ícone de desfazer/refazer. E, claro, o agente conseguiu ver e perceber. O agente leu o desenho e construiu-os. Isso nenhum iPad ou reMarkable consegue igualar. Os agentes podem ler as tuas notas e ver os teus esboços (se deixares). Para o [desenvolvimento agêntico](https://willem.com/en/2026-09-07_twenty-times-faster/) isso é muito importante: uma ideia de layout desenhada em dez segundos é uma especificação.

![O que o agente vê: a leitura em direto da página como PNG em papel branco, ao lado do JSON e do SVG](https://willem.com/global/images/458573d1346a.webp)

## O que deixei de fora
Sem nuvem, sem sincronização, sem conta. Sem reconhecimento de escrita. Sem zoom. Sem camadas, sem formas, sem pincéis, sem texturas, sem escolha de papel, sem papel pautado e, certamente, sem linhas azuis. Sem cadernos, separadores, pastas ou etiquetas: uma lista de notas à esquerda, a mais recente primeiro, como a primeira versão de qualquer app de notas. Sem ecrã de definições. Sem suavização. Sem enfeites na interface: a barra de ferramentas é uma pílula com as ferramentas, desfazer e refazer, as tintas e as larguras. A grelha de pontos só aparece enquanto deslizas, depois desvanece. É a app toda.

Algumas destas coisas virão. A maioria não. Cada funcionalidade que falta é uma funcionalidade que não me pode atrapalhar.

![A lista de notas à esquerda, a mais recente primeiro. Sem cadernos, sem pastas, sem etiquetas](https://willem.com/global/images/9df24720f5ce.webp)

## iPad e reMarkable
Escrevo sobre tablets desde [2016](https://willem.com/en/2016-08-15_ipad-pro-as-primary-computer/), e mais recentemente sobre o [iPad como ferramenta](https://willem.com/en/2023-05-08_tablet-as-tool/). A caneta e o ecrã da Apple são melhores do que os do Framework. O papel do reMarkable é melhor do que qualquer ecrã. Se queres hardware, compra um desses.

Mas o que eles não conseguem igualar é a liberdade do software. Tudo o que acho estúpido na minha app de escrita, posso mudar, e isso é uma grande vantagem. A app de notas do iPad afastou-me da escrita à mão durante um ano por causa de um padrão de linhas (da Apple Intelligence) que eu não conseguia desligar. Há cinco anos [abandonei o meu próprio sistema operativo de tablet](https://willem.com/en/2021-01-14_abandoning-my-own-tablet-os/) porque mantê-lo a funcionar custava mais do que dava. A diferença em 2026 é agora a velocidade: a app que estás a ver foi construída numa noite e afinada num dia, e as correções do deslocamento com dois dedos, da palma e do texto digitado demoraram cada uma menos tempo do que escrever esta secção. Como o agente que a constrói vive no mesmo sistema operativo que a própria app, posso fazer melhorias com facilidade e diretamente, à medida que avanço.

![A primeira página, domingo 6 de setembro, escrita com a app na noite em que foi construída](https://willem.com/global/images/222fc85a48d4.webp)

## Descarrega o Omascribe
O código-fonte está em [source.willem.com/omascribe](https://source.willem.com/omascribe/) e no [GitHub](https://github.com/willem-com/omascribe), com licença MIT. Precisa do Qt 6 e compila-se com dois comandos. Foi feito no Omarchy com o Framework 12 e a sua caneta, mas nada nele está preso a esse hardware; qualquer portátil ou tablet Linux com caneta deve servir.

## Conclusão
O Omascribe é uma pequena app que faz uma coisa: deixa a tua caneta fazer o trabalho e afasta-se do caminho o mais que pode. Como o código-fonte é livre, tu ou o teu agente de IA podem moldar ainda mais a app à tua mão (e à tua letra), boa sorte com isso!

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## Vinte vezes mais depressa

*Sobre o ritmo, e o humano no ciclo* · 2026-09-07 · https://willem.com/pt/2026-09-07_vinte-vezes-mais-depressa/

A 11 de agosto escrevi no meu caderno: a velocidade a que nos movemos é cerca de vinte vezes a antiga velocidade máxima. Num dia faço o que antes fazia em vinte. Este artigo é sobre essa velocidade, o que ela faz ao humano no ciclo, e o contrapeso que encontrei. É o primeiro artigo de setembro, escrito num dia de fazer menos de propósito.

## Vinte vezes
O número não é gabarolice, é uma medição. Em agosto [dois problemas na cloud](https://willem.com/en/2026-08-26_innovation-is-software/) foram analisados e resolvidos no dia em que apareceram, trabalho que antes era uma semana a escavar. É mentalmente desgastante, esta velocidade. Mesmo assim acho-a bonita, porque disparas com precisão e potência.

A semana passada foi uma semana normal. Um site completo de restaurante. Uma prova de conceito para um espaço de eventos, prometida online dentro da semana. Os últimos retoques num site de um bar. Novas secções em dois sites de notícias locais e um site completo para uma praça da cidade. Um site e uma área de membros para uma publicação médica. Suporte de impressora na app da loja, passando pela revisão da Apple. Análises de quatro concorrentes. Uma configuração de videochamada no portátil novo. E no domingo à noite um protótipo para escrever à mão, que é como estas notas foram escritas. Na mesma semana: três visitas a clientes, duas videochamadas, idas à escola, treino de futebol e um jogo, uma prenda de aniversário para a minha mulher construída como um joguinho, um convidado a dormir cá em casa. Não admira que às vezes nos sintamos um pouco cheios.

![Sábado à noite, 5 de setembro: o terminal no portátil, um dos sites da semana em construção](https://willem.com/global/images/3559ce2f9581.webp)

## O humano no ciclo
A meio de agosto, depois de uma semana a todo o gás, escrevi: estou no meu máximo. Cabeça e corpo no limite. O equipamento funcionou fantasticamente, e eu era o fator limitante. Esse é o estado honesto das coisas em 2026: os agentes não se cansam, os logs não dormem, as compilações correm de noite. O estrangulamento mudou, e mudou para mim.

Num parque de campismo em França já tinha escrito o paradoxo: pós-IA, o desafio é ser simples de usar, menos é mais. Publicar menos. Uma contradição com agentes que podem fazer tudo. E as pessoas à tua volta também nem sempre acompanham. Os pipelines dão-te velocidade, suficiente para [publicar a oitenta por cento](https://willem.com/en/2026-07-19_80-is-better-than-nothing/) e aprender. Mas um cliente só vai olhar para o avanço amanhã, e um parceiro precisa de uma semana. Tenho de aprender a aceitar que nem todos mudam à velocidade da luz. Às vezes esse atraso é uma dádiva: um período mais calmo, um pouco mais de tempo para uma entrega.

![O eclipse parcial por cima das árvores a 12 de agosto, um passeio ao fim do dia na semana mais cheia do mês](https://willem.com/global/images/9ce87982e20e.webp)

## O contrapeso
A resposta que encontrei não são agentes mais lentos. É uma rotina para o corpo. Não devemos ver o desporto como não trabalhar: as ideias, o espaço e a energia são cruciais. Por isso há um batido antes do café, uma corrida nos dias ímpares, o ginásio três vezes por semana, e chega de acabar com as sobras de toda a gente. Correr 10K sozinho numa sexta de manhã é um alívio, clareza de espírito através de silêncio verdadeiro. As melhores corridas do verão, ao longo do Sena ao amanhecer e na costa da Bretanha, não foram rápidas nem fortes. Foi nelas que o pensamento aconteceu.

E no fim de agosto a nota mais afiada de todas: a sobrecarga cria o desejo de descanso e espaço. Esse espaço tem de ser protegido. O sono importa, e trabalhar tarde de noite talvez não. Com a escola, o desporto e o futebol não sobra o suficiente para sustentar isso. Sei isto desde [a minha primeira maratona](https://willem.com/en/2024-10-20_marathon/): podes empurrar o limite, mas não o podes mover à força de querer.

![O Sena ao nascer do sol a 6 de agosto, a corrida em que o pensamento aconteceu](https://willem.com/global/images/4db35f523cbd.webp)

![A torre Eiffel vista de baixo no ponto de viragem, nem rápido nem forte](https://willem.com/global/images/6513b0b16788.webp)

## Uma maratona, não um sprint
Aconteceu mais uma coisa esta semana. Os sites que se geram sozinhos estão a tornar-se comuns, vejo técnicas comparáveis a aparecer à minha volta. O fator distintivo já não é o ponto de acesso público, é a stack por trás: uma cliente satisfeita com a app no bolso, outro que desiste por causa dos [seus gráficos](https://willem.com/en/2026-07-07_counting-agentic-traffic/). Isso é muito mais difícil de replicar. E há uma pergunta ainda mais difícil, também para as grandes empresas de IA: como carregas a responsabilidade de manter um motor a funcionar bem, durante anos? Gerar uma coisa bem feita uma vez é fácil. Mantê-la a funcionar, a longo prazo, é outra conversa. Isto é uma maratona, não um sprint.

![Uma das entregas da semana no telemóvel: um site para uma praça da cidade, fresco todos os dias](https://willem.com/global/images/79e1c1b814fe.webp)

## Esta semana
Por isso esta semana fazemos de maneira diferente. Tempo obrigatório para desporto e longe do teclado. Uma semana a deixar as coisas seguirem o seu curso não faz mal: noventa e nove por cento reativo, uma caixa de entrada vazia, e algum polimento nas nossas próprias ferramentas. Sem sites novos sem mandato de um cliente. Sem contacto com clientes por iniciativa minha.

Esta manhã dormi uma hora e meia a mais e corri cinco quilómetros. O plano era uma meia maratona. O corpo precisava mesmo do sono extra, e agora sinto-me muito melhor. As coisas que estão em movimento podem seguir sozinhas durante algum tempo.

![Domingo, 6 de setembro: sono 86 por cento, recuperação 94 por cento, esforço 0,4, um dia de folga por desígnio](https://willem.com/global/images/cf1b99dea77c.webp)

## Conclusão
Vinte vezes mais depressa é real, e a conta também. Os agentes não se cansam, eu sim, e isso faz do ritmo uma decisão minha. Uma corrida, uma noite de sono e uma semana de fazer menos não são uma pausa no trabalho. São a forma como o trabalho se mantém bom.

![Domingo à noite: o protótipo para escrever à mão no portátil novo, estas notas foram escritas com ele](https://willem.com/global/images/0966920cee33.webp)

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## O meu Android à medida

*Um ecrã inicial que é uma janela para o homelab* · 2026-08-31 · https://willem.com/pt/2026-08-31_o-meu-android-a-medida/

Em agosto o meu telemóvel mudou. Não o hardware, um Fairphone 5 que já tenho há algum tempo, mas o que lá está: um ecrã inicial que escrevi eu mesmo, para um único utilizador. Sem loja de apps, sem onboarding, sem menu de definições para quem não sou eu. Este artigo é sobre porque o construí, o que faz, e o balanço honesto de duas semanas só com Android.

## Porquê um launcher
Em julho investiguei uma compilação totalmente à medida do sistema operativo do telemóvel: a minha própria imagem assinada, o meu próprio launcher embutido, o ecrã sempre ligado de volta. Funciona, tive-o a correr num emulador numa noite. Também escrevi o preço de andar sempre a mexer: passas a ser o responsável pela manutenção do teu próprio telemóvel, todos os meses, até 2031. Pus isso de parte. A vitória grátis foi o próprio launcher: uma app que substitui o ecrã inicial, instalada como qualquer outra app, sem imagem personalizada.

O que o tornou possível foi uma mudança de atitude que notei este mês: cada vez mais desenvolvo só para mim. Largar a ideia de que os outros utilizadores também têm de o perceber torna as ferramentas verdadeiramente feitas à medida, e isso é libertador. Nunca teria construído por diversão um launcher à medida com toda a sua conformidade. Agora o [homelab](https://willem.com/en/2026-08-26_innovation-is-software/) trata da parte maçadora, e fi-lo num dia, a 18 de agosto. Desde então é o meu ecrã inicial por defeito.

![18 de agosto, primeira noite: o Fairphone com a lista de apps de origem, o launcher a umas horas de distância](https://willem.com/global/images/85feded14a60.webp)

## O que faz
O ecrã é preto. Na metade de baixo, uma lista de texto com as coisas que realmente uso: chamadas, navegador, agenda, câmara, fotografias, Lemmid, correio, WhatsApp, X. Ao lado, três cartões: o tempo, a agenda e a minha frequência cardíaca, diretamente do WHOOP por Bluetooth, sem nenhuma app pelo meio. Na metade de cima, um terminal, ligado por mosh à máquina do homelab. Essa é a ideia toda: o telemóvel é uma janela para o único cérebro. Os agentes continuam a trabalhar quando o telemóvel dorme, e eu escrevo na sessão que deixei na secretária.

![O launcher na primeira manhã: uma lista de texto, tempo, agenda e a frequência cardíaca do WHOOP, com o terminal para o homelab por cima](https://willem.com/global/images/53d1fbc812e3.webp)

O telemóvel não guarda fotografias. O rolo da câmara sincroniza para casa e esvazia-se sozinho, o telemóvel é um visor e [a biblioteca](https://willem.com/en/2025-08-19_android-photo-library-app/) vive no homelab. O launcher abre essa biblioteca como app web em ecrã inteiro, e oferece-a a todas as outras apps como fonte de fotografias, por isso anexar uma imagem no WhatsApp passa pela biblioteca lá de casa. O mesmo para waar.willem.com, o meu Find My auto-alojado: o telemóvel envia a posição para casa, a família vê se estou em Limburg ou em Amesterdão, e durante uma corrida vê o percurso e a frequência cardíaca em direto. Com um teclado Bluetooth o terminal passa a ecrã inteiro e Alt+Space abre uma paleta de comandos. Ao reler isto, é outra vez [o meu próprio sistema operativo de tablet](https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/), seis anos depois, num dispositivo que levo comigo o dia todo.

![A biblioteca de fotografias lá de casa como app de fotografias no telemóvel, o próprio telemóvel não guarda nada](https://willem.com/global/images/505cf54a37f6.webp)

![23 de agosto depois da corrida: as estatísticas do homelab e a curva da frequência cardíaca no ecrã inicial, 121 bpm](https://willem.com/global/images/e79d1e11d5b7.webp)

## Fricção
Agora a parte honesta. Esta semana pus o telemóvel ao lado do portátil novo e não usei mais nada. Que diferença para o polimento do iOS. O Willem OS no Android não é mau, mas ainda há fricção. A primeira tarde gastou sessenta por cento da bateria, porque o terminal continuava a transmitir com o ecrã desligado. Corrigido, agora um dia inteiro acaba com um quarto de bateria. O cartão da frequência cardíaca mostrou durante três dias uns perfeitos oitenta batimentos por minuto: desligar o Bluetooth nunca avisa a app, por isso a ligação tinha morrido em silêncio. Também corrigido, agora recupera sozinha. O telemóvel nega por defeito o acesso à rede a qualquer app nova, o que me custou uma hora até perceber.

![Os perfeitos oitenta batimentos por minuto que denunciaram o bug do Bluetooth](https://willem.com/global/images/b93e4fc2128e.webp)

Melhoramos isto ou voltamos atrás? Essa era a pergunta no meu caderno a 31 de agosto. O que é bom: os agentes correm localmente, com rede, ficheiros e protocolos. Nada no caminho. Há uma shell local. No telemóvel não tenho controlo total, o WHOOP e o WhatsApp continuam a ser de outros, mas tenho muito mais do que [no iOS](https://willem.com/en/2025-03-05_durable-smartphone/). E a coisa estranha e agradável: o Android não parece um passo atrás.

## Conclusão
Um ecrã inicial para um único utilizador, construído num dia, melhorado todas as semanas desde então. Funciona porque faz menos: uma lista, três cartões e um terminal para o homelab. O telemóvel tornou-se maleável, e isso vale mais para mim do que o polimento. Em princípio tudo funciona agora, só com o smartphone, o que há um ano eu teria chamado inimaginável.

Por isso, se o teu ecrã inicial é a ideia de outra pessoa sobre o que precisas, fica a saber que é apenas uma app. Podes escrever a tua, ha!

![O telemóvel junto ao teclado na secretária: uma janela para o único cérebro](https://willem.com/global/images/5fd82c333ee4.webp)

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## Inovação é software

*Um cérebro, uns quantos pedaços de vidro e um gémeo em Amesterdão* · 2026-08-26 · https://willem.com/pt/2026-08-26_inovacao-e-software/

Em agosto a minha configuração de computadores mudou mais do que em anos. E no entanto a lição do mês foi o contrário de hardware novo: o equipamento que já temos tem margem, a inovação é software. Este artigo é sobre um cérebro, a máquina no homelab onde vivem os meus ficheiros e os meus agentes, as máquinas à sua volta, e porque é que a infraestrutura passou a estar subordinada ao conceito.

## Um cérebro
A 2 de agosto, num parque de campismo em França, consegui controlo remoto sobre o router de casa. O plano era montar uma ligação direta à máquina do homelab em Limburg: um cérebro, um login, um único sítio onde os ficheiros e os agentes trabalham. Dois dias depois, o servidor de oficina que alojava os meus projetos foi desativado. Todos os projetos vieram para casa, com checksum verificado, e o homelab assumiu o papel completo através de uma ligação mosh direta. Do parque de campismo comandei-o a partir do telemóvel, com voz para ir mais depressa.

Essa máquina no homelab é a âncora. Guarda a plataforma, os projetos dos clientes, a biblioteca de fotografias, as cópias de segurança da cloud e os agentes que trabalham em tudo isso. Os servidores na cloud fazem correr os sites, [os agentes](https://willem.com/en/2026-02-20_agentic-coding-on-a-linux-vps/) trabalham a partir de casa. Tudo o resto é vidro: um ecrã e um teclado para olhar para o cérebro.

![2 de agosto, do parque de campismo: uma sessão mosh no telemóvel para a máquina do homelab, o único cérebro](https://willem.com/global/images/26f3aabac790.webp)

## Os logs são legíveis
A 11 de agosto, dois problemas na cloud, um no correio e outro no servidor web, foram analisados e resolvidos no mesmo dia. Isso só é possível através da integração da âncora no fluxo agêntico, mais a compreensão dos logs e sinais relevantes. A velocidade a que nos movemos é cerca de vinte vezes a antiga velocidade máxima. Num dia faço o que antes fazia em vinte. É mentalmente desgastante, mas disparas com precisão e potência.

Nem todos os agentes vivem na cloud. Um modelo local corre no homelab sem que nenhum dado saia de casa. A 24 de agosto viu as imagens da campainha e descreveu, fotograma a fotograma, um homem a caminhar descalço até à porta de entrada. Era eu. Agentes locais, com acesso à rede, aos ficheiros e aos protocolos, nada pelo meio, e uma shell local: é isso que faz da âncora mais do que um computador.

![24 de agosto: o modelo local no homelab descreve as imagens da campainha fotograma a fotograma, nenhum dado sai de casa](https://willem.com/global/images/eeb4415c5b35.webp)

## Vidro
A meio de agosto vi a apresentação da nova versão do Omarchy. Trabalho lindo, e as funcionalidades mais importantes já eu tinha há anos: um gestor de janelas e ferramentas integradas. A integração de agentes é simpática, mas não é fundamentalmente diferente do que eu próprio faço. Eye candy é bonito, mas não move dinheiro. O equipamento que já temos tem margem, a inovação é software. [Há dezasseis meses](https://willem.com/en/2025-02-10_better-laptop/) expliquei porque escolhi um portátil Framework para esse equipamento.

Então porque é que há um segundo Framework na minha secretária, de doze polegadas? Por causa de uma descrição de funções rigorosa. Não é um segundo cérebro, é a bancada de trabalho agêntica: ecrãs divididos persistentes para vários agentes ao mesmo tempo, fechados e reabertos com uma só tecla, e sem computação local. O vidro nunca se torna âncora. Corre [Omarchy](https://willem.com/en/2025-09-22_omarchy-on-imac/), arrancou com um W verde, e custou uma fração da máquina para onde olha.

![O Framework 12 aberto em cima da mesa: modular, reparável, e deliberadamente apenas vidro](https://willem.com/global/images/b4dfdc3d90de.webp)

![Primeiro arranque após a configuração a 25 de agosto: um W verde na bancada de trabalho](https://willem.com/global/images/f4b11a7655e9.webp)

## O gémeo
A 22 de agosto encomendei um computador de cópias de segurança e uma linha de internet para Amesterdão. Sim, uma linha fixa: nove anos depois do [dia em que matei a minha LAN](https://willem.com/en/2017-07-31_the-day-i-killed-my-lan/) e passei só a móvel, o cabo voltou, porque uma máquina que recebe cópias de segurança todas as noites precisa de uma ligação que esteja sempre lá. Embora não seja fã de tralha, foi um passo inteligente, até crucial, para os dados. A âncora tornou-se tão importante que temos de fazer isto. Ficou uma placa-mãe Framework numa caixa pequena com um disco de oito terabytes, montada no chão da cozinha a 26 de agosto e pronta para viajar para Amesterdão. Desde a primeira noite lá, a âncora envia-lhe as suas [cópias de segurança](https://willem.com/en/2023-12-15_backup-rotation-scheme/). Duas casas, duas cópias, um cérebro.

![26 de agosto, o chão da cozinha: o gémeo de Amesterdão a ser montado, uma placa-mãe numa caixa pequena com a consola num monitor](https://willem.com/global/images/10fe33454dcd.webp)

## A infraestrutura torna-se conceito
O futuro? A infraestrutura fica subordinada ao conceito. O controlo de routers, dispositivos e ligações é programável. Os logs são legíveis e os conceitos são traduzíveis. Os artefactos já existiam antes: [o meu próprio sistema operativo de tablet](https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/) num Surface, a app Gran Fondo. Não eram suficientemente bons, e [abandonei-os](https://willem.com/en/2021-01-14_abandoning-my-own-tablet-os/). Agora é diferente, porque consigo realizar coisas muito mais depressa. Nunca teria construído por diversão um launcher feito à medida para o meu telemóvel, com toda a sua conformidade. Este mês, construí. Esse é o próximo artigo.

## Conclusão
Um cérebro, uns quantos pedaços de vidro e um gémeo em Amesterdão. As decisões de hardware deste mês foram a parte pequena. A parte grande é que uma máquina com agentes, logs e uma shell local faz num dia o que antes levava semanas, e que a mesma configuração está agora em duas casas. Inovação é software.

Portanto, antes de encomendares uma máquina mais rápida: dá à que tens uns agentes e uma vista de olhos aos logs. Tem mais margem do que pensas, ha!

![De volta ao trabalho: a bancada com o teclado mecânico, o cérebro fora de vista](https://willem.com/global/images/40db97a28181.webp)

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## Sem smartwatch

*O melhor ecrã é nenhum ecrã* · 2026-07-25 · https://willem.com/pt/2026-07-25_sem-smartwatch/

Durante nove anos tive um smartwatch no pulso. Este verão isso acabou: a Apple Watch foi-se, e com ela os sensores, os carregadores e as pulseiras. Sem ecrã extra, sem computador, sem aparelho. Este artigo é sobre o motivo por que finalmente já não preciso dele, e sobre um paradoxo: é a alta tecnologia que torna possível a baixa tecnologia.

## Fechar um capítulo
Escrevo sobre smartwatches desde [2017](https://willem.com/en/2017-04-30_smartwatches-vs-mechanical-watches/) e, em 2023, cheguei a tentar [substituir o telemóvel pelo relógio](https://willem.com/en/2023-11-10_apple-watch-as-phone/). Em maio fiz o inventário do que é realmente uma Apple Watch: três carregadores MagSafe, um carregador USB, oito pulseiras, dois pedais de potência, dois sensores de velocidade e dois de cadência. Dezoito unidades, mais o relógio, mais o software: modo de sono ligado, rodar o pulso para ver as horas, notificações escondidas no modo de sono, 45% da bateria gasta numa só noite. Numa noite de junho pus o relógio pela última vez. Na manhã seguinte entreguei-o. Esse capítulo está fechado.

Simples. É isso que é difícil. Porque o simples dá espaço ao complexo, à confusão e à redundância. Uma meia solução não tem vantagens: ou vais a fundo nos dados, com todo o trabalho que isso dá, ou deixas o ecrã completamente fora do teu pulso. Eu escolhi o segundo caminho.

![A Apple Watch de volta na caixa, maio de 2026, mesmo antes de se ir embora](https://willem.com/global/images/d40dccca6b6d.webp)

## O telemóvel chega
O smartphone tornou-se tão poderoso que o relógio já não tinha nada a acrescentar. Chamadas, navegação, pagamentos, a câmara, uma ou outra mensagem. E, novidade deste ano, [agentes](https://willem.com/en/2026-02-20_agentic-coding-on-a-linux-vps/) que leem o meu correio, seguem as notícias e fazem a triagem dos sinais que chegam. O que me chega é o que importa, num momento da minha escolha, num único resumo diário. Era essa a promessa de um relógio que te bate no pulso. Afinal o telemóvel faz esse trabalho melhor, sem o relógio no caminho. Faço questão de dizer que o mundo online não me incomoda. Mas também sei que o foco offline tem o seu poder.

## Um sensor, 24/7
O que eu quero são dados sobre o meu corpo, e para isso uso [WHOOP](https://willem.com/en/2022-01-14_wearing-whoop-4-0/) há anos. Sem ecrã, sem notificações, sem atenção. A bateria dura duas semanas. Reconhece sozinho uma corrida ou um passeio de bicicleta, nunca carrego em iniciar. Um sensor, dados: sim! Mas um mini ecrã que apita, meio escondido debaixo da roupa, sensível à humidade e ao toque, é frágil. Um sensor, 24/7, é muito mais lógico.

![Os dois que ficaram: um relógio mecânico e a pulseira WHOOP, na manhã de uma corrida de trail de 21K](https://willem.com/global/images/493ee5ef3794.webp)

Em maio corri 30 quilómetros por sensações, com o sensor a registar em silêncio: uma média de 124 batimentos por minuto a um ritmo constante, sem olhar uma única vez. Duas semanas depois fiz [a Elfstedentocht](https://willem.com/en/2026-05-27_elfstedentocht-on-feel/) da mesma maneira. À chegada, o WHOOP tinha o dia inteiro, a recuperação e a viagem de regresso. Nunca senti a falta do ecrã.

## O relógio que fica
No meu pulso está agora um relógio mecânico. Funciona sem preocupações: na piscina, numa festa, a correr, na bicicleta de estrada, num trilho. Sem carregar, sem emparelhar, sem atualizações. Que libertação, que calma. Afinal, é possível. A bracelete mostrou o seu potencial e vai criando a sua própria pátina.

![O relógio no meu pulso a 1 de julho, o dia em que o capítulo da Apple Watch ficou definitivamente fechado](https://willem.com/global/images/65ecf8b88c69.webp)

## O paradoxo
O que se passa é isto: é preciso alta tecnologia para a baixa tecnologia funcionar. Chips eficientes dão a um sensor duas semanas de bateria. Modelos reconhecem a corrida e classificam o passeio. Agentes fazem a triagem do correio e das notícias num resumo. O resultado é que a coisa no meu pulso pode ser burra, e eu posso estar presente.

Este verão, na Bretanha, fiz as corridas mais bonitas de sempre. Não rápidas nem fortes, mas maravilhosamente bonitas: rochas, verde, caminhos sinuosos e o mar. Nenhum ecrã me disse o ritmo e não senti a falta dele. Uma tarde de bicicleta com a minha filha: sem distração, atenção pura. É para isso que serve o espaço, para pensar e para estar ali como ser humano.

![A estrada ao amanhecer na Bretanha, início da corrida mais bonita de sempre](https://willem.com/global/images/e7f35c27342e.webp)

![O percurso à volta de Carantec, 11,97 km, registado sem um único apito do meu pulso](https://willem.com/global/images/dcfd19728b78.webp)

## Conclusão
Já não preciso dele. Não porque um smartwatch seja mau, mas porque o telemóvel ficou tão forte e o sensor tão bom que o ecrã pelo meio se tornou redundante. Foi um exercício de simplicidade, e levei nove anos a chegar a esta conclusão: o melhor ecrã é nenhum ecrã.

Por isso, se te apanhares a virar o pulso por causa de uma notificação que nem pediste, experimenta um mês sem. O teu telemóvel e o teu corpo preenchem o vazio, ha!

![Fim de tarde no terraço: um relógio que não precisa de nada de mim](https://willem.com/global/images/68e33fba1f2e.webp)

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## 80% é melhor que nada

*Publica, aprende com feedback real, itera* · 2026-07-19 · https://willem.com/pt/2026-07-19_80-e-melhor-que-nada/

80% é melhor que nada. Quer estejamos a limpar a casa de banho, a escrever conteúdo ou a entregar software. Escrevi esta frase no meu caderno este mês, depois de umas semanas em que o trabalho inacabado se revelou o meu melhor trabalho. Não por ser bom, mas por estar cá fora: pessoas reais usaram-no e disseram-me o que faltava. Este artigo é sobre publicar para aprender, e sobre porque é que o perfeito é inimigo do bom.

## O perfeito é inimigo do bom
Sempre pensámos na perfeição. Isso abranda-te enormemente. Uma coisa que está 80% feita e nas mãos da pessoa a quem se destina ensina-te mais numa semana do que uma versão perfeita num ano, porque a versão perfeita nunca sai da tua secretária. Os últimos 20% são onde vive a dúvida, e a dúvida não se publica.

As lições que tiro do trabalho a 80% que entreguei este ano são ouro. Dois exemplos. Uma ferramenta de planeamento para uma empresa familiar e uma ferramenta que transforma um orçamento num PDF. Nenhuma é uma grande criação. Mas o impacto é enorme, e há mais à vista. Porquê? Os clientes sentem-se ouvidos. Recebem atenção, e o feedback que volta dá direção ao passo seguinte.

## Publicar para aprender
O feedback de que precisas raramente é sobre o código. Em julho pus o agenticfirst.nl online: um site que explica aos donos de lojas o que é uma montra para assistentes de IA, e porque é que a querem. A primeira versão estava a 80%. As reações não foram sobre as páginas, foram sobre as palavras: as pessoas perguntavam o que aquilo era na verdade. Como explicas o valor de uma tecnologia de ponta a alguém que nunca a viu? Não consegues descobri-lo em privado. Publicas a tua explicação e vês onde falha. Cada pergunta é uma reescrita, e cada reescrita é um produto melhor.

![agenticfirst.nl, a versão a 80%: o feedback veio sobre as palavras, não sobre as páginas](https://willem.com/global/images/bfa9692e5e97.webp)

## Dados reais vencem opiniões
O melhor exemplo deste mês é o [Lemmid Count](https://willem.com/en/2026-07-07_counting-agentic-traffic/). Foi para o ar a 5 de julho com um primeiro classificador de bots e humanos. Num dia, uma frota de crawlers respondeu com um comportamento que eu não tinha imaginado. O círculo roxo na captura de ecrã abaixo é um pico em que eu não confiava: demasiadas páginas, demasiado bem distribuídas, todas num só idioma. Treinei o classificador exatamente nessa assinatura. Duas semanas depois estava na versão nove, cada regra calibrada com logs reais de sites reais, e cada atualização a recalcular o histórico. Se tivesse esperado pelo classificador perfeito, não haveria classificador. A realidade é o único conjunto de teste que importa, e só o consegues correr ao publicar.

![Lemmid Count a 16 de julho: o círculo roxo é o pico de tráfego em que eu não confiava, e no qual treinei o classificador](https://willem.com/global/images/2db193af45a8.webp)

O mesmo se aplica aos agentes com que trabalho. Na noite de 17 de julho estive com três terminais abertos, a correr as mesmas tarefas em modelos diferentes e a medir o que voltava: tokens à entrada, tokens à saída, e se o resultado era bom. Só sabes qual modelo é suficientemente bom para cada tarefa quando os pões lado a lado em trabalho real. É outra vez [o ciclo agêntico](https://willem.com/en/2026-04-30_rapid-iteration-in-agentic-loops/), agora com os próprios agentes como objeto da iteração.

![A noite de 17 de julho: três terminais, as mesmas tarefas em modelos diferentes, tokens e qualidade medidos](https://willem.com/global/images/b54c4bc46f4f.webp)

## A velocidade põe a roda a girar
Às vezes a velocidade é exatamente o que uma ideia precisa. [Seis sites em dez dias](https://willem.com/en/2026-06-24_six-websites-in-ten-days/) não aconteceu porque eu tinha um publicador acabado, o publicador ficou acabado porque seis sites precisavam dele. A primeira versão do hrlm.blog, um site de notícias locais, foi construída no comboio para Amesterdão a 14 de julho. Era imperfeita e estava no ar antes de eu chegar. Nas férias construí mais dois sites e há quatro em opção. Dei a um parceiro tudo o que ele precisa para vender o meu trabalho, com uma demo, e acho isso desconfortável porque fazê-lo eu próprio funciona bem neste momento. Ainda assim, acho que é inteligente: um mercado novo que não consigo alcançar sozinho. E mesmo que ele não venda nada, não ficamos mais burros. As perguntas dele tornam o produto mais afiado.

As sementes estão plantadas. Precisam de tempo para germinar. Isso não é motivo para plantar menos.

![A primeira versão, imperfeita, do hrlm.blog, construída no comboio para Amesterdão a 14 de julho](https://willem.com/global/images/3e035d683a77.webp)

## Não faz mal falhar
Publicar a 80% significa que parte não vai funcionar. No ano passado escrevi sobre o [Master of Change](https://willem.com/en/2025-01-18_master-of-change/): o equilíbrio não se encontra a resistir à mudança, mas a ajustarmo-nos a ela. Flexibilidade robusta, agarra-te aos teus valores e adapta tudo o resto. Uma iteração falhada não é uma sentença, é informação. O único verdadeiro fracasso é recusar aprender com ela. Aprendi isso [da pior maneira](https://willem.com/en/2025-05-12_when-the-going-gets-tough/) numa maratona com calor: o plano era perfeito, o dia não, e foi ajustar a meio da prova que me levou à meta.

Há uma exceção, e é importante. Os 80% não são desculpa para alicerces descuidados. O backend mantenho-o rigoroso, é o alicerce em que assentamos. São as coisas por cima, as páginas, as ferramentas, as palavras, que podem estar a 80% hoje e a 90% na semana que vem.

## Conclusão
Publica. Não porque esteja pronto, mas porque é a única forma de descobrir o que pronto quer dizer. Feedback real, dados reais, pessoas reais. Itera a partir daí. O perfeito é inimigo do bom, e o bom, nas mãos de quem precisa dele, vence o perfeito na tua secretária todas as vezes.

Então, qual é a coisa a 80% que tens guardada na gaveta? Publica-a esta semana, ha!

![Cinco da manhã de 13 de julho, colete da equipa vestido, antes do dia de trabalho: vai em frente](https://willem.com/global/images/16d41ce9e0a3.webp)

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## Contar o tráfego agêntico

*Porque é que a tua análise de tráfego não vê os agentes de IA que leem o teu site* · 2026-07-07 · https://willem.com/pt/2026-07-07_contar-o-trafego-agentico/

Este mês trouxe de volta o Lemmid Count: as estatísticas de sites da minha plataforma, reconstruídas de raiz, sem AWStats e sem base de dados. O seu truque de salão é a dimensão que todas as outras ferramentas de análise deitam fora: os bots. Na era agêntica, a pergunta «o que leram os agentes de IA no meu site» importa tanto como «quantos humanos o visitaram». Este artigo é sobre contar o que finge não estar lá, e sobre pôr a resposta no bolso do teu cliente.

## O Google Analytics é cego aqui
O Google Analytics funciona ao colocar um pedaço de JavaScript nas tuas páginas. Um navegador executa-o, o script envia o relatório à base, e esse relatório são as tuas estatísticas. Expliquei a diferença para as ferramentas baseadas em logs [já em 2018](https://willem.com/en/2018-08-20_google-analytics-vs-awstats/). Em 2026 essa diferença tornou-se a história toda. GPTBot, ChatGPT-User, ClaudeBot, PerplexityBot e companhia vão buscar o teu HTML e leem-no. Não executam o teu JavaScript. Nunca aparecem no Analytics. Se [a web agêntica](https://willem.com/en/2025-07-26_the-agentic-web/) é de onde virão os teus próximos clientes, o teu painel está a mostrar-te um mundo que encolhe.

O servidor web vê tudo. Cada pedido, cada user agent, cada código de estado, com ou sem JavaScript. Em julho, o meu site hartvaat.nl serviu 114.883 visualizações de página. 2.187 foram de humanos. O Analytics teria mostrado as 2.187 e chamado a isso um mês calmo.

![hartvaat.nl em julho de 2026: 114.883 visualizações de página, 2.187 de humanos, 112.696 de bots; o Analytics teria mostrado o número pequeno](https://willem.com/global/images/64d66e9cea61.webp)

## Logs, não scripts
O Lemmid Count v3 lê diretamente os logs de cada site do servidor web, de hora a hora, e condensa-os em pequenos ficheiros JSON por site e por dia. Sem base de dados em lado nenhum, sem script de rastreio nas páginas, sem terceiros em tempo de execução: o visitante nunca é tocado. Isso resolve também o que matou a [versão anterior](https://willem.com/en/2023-04-05_cutting-cloud-costs/): o AWStats a despejar para sempre uma cópia quase em bruto dos logs no MariaDB. Agora os logs rodados são o armazenamento em bruto e os resumos são o produto.

Dois princípios. Páginas, nunca pessoas: sem contagem de visitantes, sem truques de unicidade, sem endereços IP em disco, o idioma do navegador em vez de geolocalização. E configuração automática: um site com um ficheiro de log tem estatísticas, ninguém tem de registar nada. Todos os sites da plataforma entram automaticamente.

## Classificar, não filtrar
Cada pedido passa a ser humano ou bot, e um bot recebe uma família e um grupo: search, ai, social, seo, monitor, feed, lib, scraper. Os bots declarados são identificados pelo seu user agent. Em vez de os filtrar, o Count mostra-os como cidadãos de primeira classe: um cartão «lido por agentes de IA» com os agentes por nome, e um seletor entre tudo, humanos e bots. Isto é novo, e faz as pessoas levantar a cabeça. Num site de um restaurante, nos primeiros dias de julho, o ChatGPT tinha lido 75 páginas e o Claude 51, ao lado de 185 visualizações humanas.

![Tudo, humanos ou bots: um site de restaurante nos primeiros dias de julho, 185 visualizações humanas ao lado de 1.171 de bots](https://willem.com/global/images/74d2c36f8ca0.webp)

![A vista dos humanos: páginas mais vistas de um site de café, filtradas com um toque](https://willem.com/global/images/30c2a7263eaa.webp)

## Os impostores
Rotular é difícil, porque alguns bots fingem ser humanos. Um user agent de Chrome atual, HTTP/2, um cabeçalho de idioma plausível, uma página por endereço IP, milhares de endereços de fornecedores de cloud. Aí o user agent não vale nada. O comportamento vale. Os navegadores reais carregam imagens. Os visitantes reais chegam por pesquisas e ligações, e vão às mesmas páginas populares. Uma multidão que visita milhares de páginas distintas, cada uma exatamente uma vez, não é uma multidão, é uma colheita.

Alojar mais de cem sites é a vantagem estrutural: uma assinatura que aparece em muitos sites dentro de uma hora não é uma pessoa. Junta honey pots, páginas que nenhum humano pediria, e o espaço de endereços de datacenters como pista, nunca como veredicto. O classificador tem versões, e a cada atualização as últimas duas semanas de histórico são recalculadas. Isso importa, porque o outro lado também se mexe. Uma frota respondeu a uma nova regra num dia, indo buscar um único ficheiro CSS como álibi. A versão seguinte pediu imagens. Não vou listar aqui todos os sinais, é esse o objetivo de um honey pot.

![Lido por agentes de IA, por nome: chatgpt-user, claudebot e o grupo furtivo de impostores no mesmo site](https://willem.com/global/images/834784c15679.webp)

## Círculo completo: no teu bolso
O que se passa é isto: estatísticas detalhadas não são únicas. Qualquer pessoa com logs e paciência sabe contar. A outra metade do trabalho é traduzir isso de volta em algo simpático, de bolso e acionável. O Count é uma app que os meus clientes trazem no bolso, ao lado das [outras apps Lemmid](https://willem.com/en/2026-06-24_six-websites-in-ten-days/): um ecrã por site, o mês num só gráfico, as páginas mais vistas, as origens e os agentes por nome. Sem rituais de login, sem configuração, simplesmente aparece para cada site que tens.

O feedback é a melhor parte. Um cliente a mostrar as estatísticas durante a ronda de cafés, exatamente a utilização que eu tinha em mente há anos. Um dono de café a ver que o ChatGPT leu o menu setenta vezes este mês, e a tirar a conclusão óbvia: pôr o menu onde os agentes o leem. Isto é uma estatística transformada em ação, num telemóvel, em dez segundos.

![A app de bolso: Manager, Count, Handler, User e Bill, um único ecrã inicial para cada site que tens](https://willem.com/global/images/e955f07cc8ac.webp)

## Conclusão
A parte dos humanos na web vai continuar a cair, e uma ferramenta que só conta humanos vai continuar a contar-te a história errada. Conta os agentes, dá-lhes nome, e entrega a resposta a quem pode agir sobre ela. Alta tecnologia no analisador de logs, baixa tecnologia no ecrã.

Os bots leem. É melhor garantires que leem a coisa certa, ha!

![Meia-noite de 6 de julho, a noite em que o Count voltou, terminal no iPad](https://willem.com/global/images/a36df8c61671.webp)

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## Seis sites em dez dias

*Conhece o MP1, um publicador que vem num ZIP* · 2026-06-24 · https://willem.com/pt/2026-06-24_seis-sites-em-dez-dias/

A meio de junho voltei de Amesterdão a vibrar de energia. Uma semana e meia depois, seis sites estavam no ar num publicador que não existia antes: o MP1, um gerador de sites estáticos que vive como um ficheiro ZIP dentro do meu próprio CMS. Este artigo é sobre o que tornou isto possível: automatizar o trabalho aborrecido com agentes de IA, para que o meu tempo vá para as coisas que importam. Foi exaustivo, emocionante e muito gratificante.

## Energia de Amesterdão
Esses dias, e noites, foram completamente loucos, como escrevi no meu caderno a 13 de junho. Estive em Amesterdão e fui apanhado pela energia de empreendedores a sério, e pela minha própria maneira de fazer as coisas de antes da [mudança para Limburg](https://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/). Isso levou a uma lista: um amigo a bordo com cinco sites, outro de volta a bordo com um, novos contactos com pessoas criativas da noite de Amesterdão, e o Lemmid Handler, a minha app de processamento de encomendas, em produção. Construir sites para a restauração em Amesterdão é [a Liga dos Campeões do webdesign](https://willem.com/en/2025-01-23_champions-league-of-webdesign/), eu sabia no que me estava a meter.

## O trabalho aborrecido
Todos os sites precisam das mesmas coisas chatas: uma configuração de servidor web, um certificado, um sítio para carregar ficheiros, uma forma de publicar. Já fiz isto à mão uma centena de vezes. Num fim de semana isso passou a managed-web-configs: uma configuração nginx com certificado, criada em produção de forma totalmente automática. Junta-lhe uma fila para transferências e a distribuição do próprio motor, e a parte aborrecida desaparece. Não porque seja pouco importante, mas porque é igual de cada vez. É exatamente para isso que servem os computadores.

## MP1
O Lemmid Manager é o CMS que construí [ao longo da última década](https://willem.com/en/2025-07-23_the-power-of-one/): o conteúdo, as imagens e as definições de cada site vivem lá. A prova de conceito de um publicador de nova geração, o MP1, transforma o gerador num ficheiro ZIP guardado na própria configuração do site. Levantas, mudas, devolves. Ao guardar, o Manager descompacta o ZIP, corre a compilação e sincroniza o resultado com o servidor. Já não há nenhum gerador num portátil, o Manager guarda a única cópia.

Um [agente de IA](https://willem.com/en/2026-02-20_agentic-coding-on-a-linux-vps/) trabalha dentro desse mesmo ciclo, na sua própria cópia de trabalho, e reporta. Este é o relatório que encontrei no meu terminal às 07:41 de uma manhã: levantado, alterado, verificado, devolvido, ensaio geral aprovado. O [vídeo da página inicial](https://willem.com/en/2026-01-10_hello-video/) vem agora diretamente do Manager no momento da compilação.

![O relatório do agente no meu terminal às 07:41 de 13 de junho: levantado, alterado, verificado, devolvido, ensaio geral aprovado](https://willem.com/global/images/4eabca94a0f7.webp)

## Iteração rápida
O efeito de abraçar a IA vê-se: desafios complexos podem ser resolvidos passo a passo. É [o ciclo agêntico](https://willem.com/en/2026-04-30_rapid-iteration-in-agentic-loops/) a toda a velocidade: tentar, olhar, melhorar, outra vez, enquanto o agente faz a verificação. willem.com, sjocombinatie.nl, k2amsterdam.nl, fishfries.nl, centrumbar.nl e lammetje.com, em dez dias. Cada um é um site a sério para pessoas a sério, com o seu próprio design, fotos e história.

O melhor é para onde foi o tempo libertado: direto para as coisas que importam. O design, as palavras, as fotos, a conversa com o dono sobre aquilo que o lugar realmente é. Esse é o trabalho que só um humano pode fazer, e agora há mais espaço para ele.

![k2amsterdam.nl no MP1: duas estações, uma festa](https://willem.com/global/images/9a840dd71368.webp)

![lammetje.com: passa pelo 't Lammetje, parede de fotos incluída](https://willem.com/global/images/fe580fab5ce5.webp)

![fishfries.nl: o que dizem os clientes, em inglês e neerlandês](https://willem.com/global/images/7b3cd502f72b.webp)

![centrumbar.nl: “bruin café” de dia, festa à noite (em desenvolvimento)](https://willem.com/global/images/2011567da957.webp)

A reação de um dos donos, na noite em que o site foi para o ar, diz tudo. E o meu próprio site recebeu o mesmo tratamento: [o willem.com também está no MP1](https://willem.com/en/2026-01-07_websites-with-auto-pilot/), incluindo a edição em português que talvez estejas a ler agora mesmo.

![A reação de um dos donos na noite em que o site foi para o ar](https://willem.com/global/images/7a4d1c58c42d.webp)

![o próprio willem.com no novo publicador: Hallo, ik ben Willem](https://willem.com/global/images/18f4e5d0d856.webp)

## Conclusão
A 23 de junho, tarde da noite, escrevi no meu caderno: “Que semana e meia! Pensámos no MP1 e construímo-lo. É uma loucura! Agora dormir.” Esse é o resumo honesto. É exaustivo, emocionante e muito gratificante ao mesmo tempo: entregar coisas fixes e incríveis a mais pessoas.

A ambição não mudou desde que escrevi sobre [continuar a ser uma empresa de um só](https://willem.com/en/2025-07-23_the-power-of-one/): construir sistemas, não projetos. O que mudou foi a velocidade. Automatiza o trabalho aborrecido e o resto do dia é teu, para o trabalho que só tu podes fazer. Ha!

![O monitor de carga na noite de 23 de junho, durante a publicação em lote de seis sites](https://willem.com/global/images/1ed3b40ac380.webp)

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## Elfstedentocht a sentir

*235KM pela Frísia sem ecrã* · 2026-05-27 · https://willem.com/pt/2026-05-27_elfstedentocht-a-sentir/

Na segunda-feira passada fiz o Fietselfstedentocht, a minha edição mais quente de sempre, na minha bicicleta de pinhão fixo. Sem ciclocomputador, sem GPS, sem frequência cardíaca no pulso. Só um relógio mecânico, um cartão de carimbos e o meu WHOOP a gravar discretamente em segundo plano. Há dezoito meses perguntava-me se alguma vez conseguiria atingir o máximo desempenho sem dados. Este passeio foi a resposta, deixa-me contar-te.

## Aquecer numa tempestade
Duas semanas antes do passeio fui de bicicleta de Amesterdão de volta a casa, em Hegelsom, o inverso do [percurso que descrevi em 2023](https://willem.com/en/2023-04-20_tips-for-long-distance-cycling/). Antes de partir hesitei por um momento se não queria afinal um trajeto de GPS, talvez alguns [dados de potência](https://willem.com/en/2019-08-28_riding-with-a-power-meter-on-your-bike/). Decidi que não e foi a decisão certa. Foi a minha travessia mais rápida de sempre: 6 horas e 19 minutos, sem um ecrã a dizer-mo. Nos ferries falei com pessoas: um tipo com o mesmo equipamento Rapha que voltava de uma queda, dois homens que tinham pedalado até Roma.

A história, as fotos e a frequência cardíaca do [WHOOP](https://willem.com/en/2022-01-14_wearing-whoop-4-0/) depois do passeio são mais do que um conjunto de dados. A sensação do meu corpo na bicicleta ficou ainda mais em alta definição do que antes. Sabia que conseguia acelerar numa ponte. Ou contra o vento. Ou ultrapassar alguém. E isto com chuva intensa. Os números são seguidores: descrevem a realidade depois de ela ter acontecido. A sensação diz-me mais sobre o que é possível a seguir.

![Frente de tempestade sobre a estrada do dique no caminho de Amesterdão para Hegelsom, 13 de maio de 2026](https://willem.com/global/images/be2ca9ecd9dd.webp)

![A Schindelhauer Siegfried Road após a chegada: travessia mais rápida de sempre, 6h19m, sem ecrã](https://willem.com/global/images/97ea3c82c987.webp)

## O passeio
Já fiz [o Elfstedentocht](https://willem.com/en/2017-06-30_fietselfstedentocht-2017/) muitas vezes, mas este foi o mais quente de sempre. Um passeio muito intenso, feito inteiramente a sentir. Muitos troços rápidos, firmes e longos. Tudo, [a bicicleta](https://willem.com/en/2020-04-30_minimalistic-road-bike-with-gates-carbon-drive/), [o relógio](https://willem.com/en/2022-12-22_rolex-datejust-36/), o WHOOP e o sistema de hidratação, funcionou dentro das especificações.

Numa bicicleta de pinhão fixo tens exatamente uma mudança, [já escrevi sobre isso antes](https://willem.com/en/2021-04-10_fixed-gear-gran-fondo/). Várias vezes a cadência foi o limite: os comboios de ciclistas iam mais depressa do que eu conseguia pedalar, mais de cem rotações por minuto, sem destruir a minha resistência como um maluco. Com vento de frente as velocidades baixavam e eu conseguia manter-me dentro da minha cadência. Curiosamente, mas não inexplicavelmente, a minha bicicleta dobrável, com a sua ampla gama de mudanças, é de certo modo mais potente do que a minha bicicleta de corrida.

Penso que o que senti é uma limitação por design: não ter certas coisas significa, literalmente, que não consegues fazer certas coisas. Dentro dessa moldura funcionei ao máximo. Mais rápido do que 80% das pessoas, mais lento do que os comboios de carbono. O selim, a temperatura e a postura foram os maiores fatores limitantes, e esses não se melhoram com dados, só com treino. A minha conclusão: se estivesse duas vezes mais em forma, não teria ido duas vezes mais depressa.

![O cartão de carimbos do De Friese Fietselfstedentocht 2026, bandeira da Frísia nas luvas](https://willem.com/global/images/4c2aedbbe2c4.webp)

![Algures entre as onze cidades, percorrido a sentir](https://willem.com/global/images/1a0c5f39ac12.webp)

## Mais dados não teriam ajudado
Mais dados, ou outros, não teriam feito diferença no desempenho, no máximo para me gabar. Sei que pedalei a mais de 30 km/h, mas com o “kluun e tempo de conversa” (em neerlandês, andar a pé com a bicicleta e conversar) a média, mesmo nos troços rápidos, é de uns 25 km/h. Para a análise posterior um trajeto de GPS teria sido útil, talvez uma curva de potência. Mas o cartão de carimbos tem a hora de cada ponto de controlo, por isso as velocidades por troço acabaram por sair na mesma, em papel.

[No ano passado](https://willem.com/en/2023-05-31_impact-of-training/) tinha todos os dados e não ligava a eles. Agora, sem dados, estava muito mais consciente do meu desempenho. Vi-o também durante o passeio: comboios de pessoas a pedalar de olhos fixos, presumivelmente, num número arbitrário no ecrã. Ultrapassei-as 4 a 5 km/h mais depressa. E não ter de gerir a recolha de dados foi maravilhoso! Sem carregar, sem emparelhar, sem sincronizar. O WHOOP nem sequer ficou sem bateria depois da viagem, gravou o dia todo, a recuperação e o regresso a casa.

A respiração revelou-se o indicador mais importante do que é sustentável, consigo manter um ritmo constante respirando num padrão de “dentro-dentro-fora-fora”. O calor é o outro, como aprendi [a correr a Leiden Marathon](https://willem.com/en/2025-05-12_when-the-going-gets-tough/). A temperatura também se treina, e já percorri um longo caminho nisso.

![Velocidades por troço reconstruídas a partir das horas do cartão de carimbos, sem precisar de GPS](https://willem.com/global/images/d18b9eb0c643.webp)

![O meu único instrumento no pulso: um relógio mecânico (e o WHOOP no outro braço)](https://willem.com/global/images/32430b76ab42.webp)

## Conclusão
Na tenda da meta, homens grandes e experientes deram-me um cumprimento de punhos e um elogio pela bicicleta e pelo ritmo. Não conseguiram acompanhar e o desempenho foi “com estilo”, disseram. Isso vale mais do que qualquer segmento do Strava.

Em [Dados versus sensação](https://willem.com/en/2024-12-19_data-versus-feeling/) escrevi que esperava conhecer-me a mim e ao meu corpo o suficiente para render sem dados. Este passeio foi esse momento. Não é que os dados sejam maus, é que a sensação se revelou o sinal mais rico. A seguir: uma maratona em Colónia, a sentir. Ha!

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## Iteração rápida em ciclos agênticos

*Usar o resultado como entrada* · 2026-04-30 · https://willem.com/pt/2026-04-30_iteracao-rapida-em-ciclos-agenticos/

Quando trabalho com agentes de IA para construir coisas, itero muitas vezes por versões daquilo que estou a construir. Tentas, experimentas, falhas, melhoras, e outra vez. Nos tempos manuais antes da IA, eu verificava os resultados à mão. Mas e se ensinarmos os agentes a “ver-se” a si próprios?

Imagina que acrescentas um botão em algum sítio. Depois de escrever o código, testas o novo programa para ver como fica. Está bem alinhado, cabe em ecrãs pequenos, funciona? Percebes facilmente que quanto mais complexo o software se torna, mais demorado é este processo.

## Deixar os agentes ver
Para acelerar as coisas, dei ao [agente de IA](https://willem.com/en/2026-02-20_agentic-coding-on-a-linux-vps/) a capacidade de ver rapidamente o trabalho que criou, em vários tamanhos de ecrã, e de testar automaticamente o alinhamento, o overflow, a legibilidade (a11y) e a consistência. Para isso uso navegadores headless e modelos locais de visão computacional (OpenCV). Treinei a configuração analisar garrafas de cerveja e levar o agente a construir um modelo 3D a partir de uma foto. Este exercício melhora mesmo a tua compreensão do fluxo imagem > dados > contexto da IA > ação.

![O sujeito do treino: uma garrafa de cerveja, fotografada contra a parede](https://willem.com/global/images/7f78504358b2.webp)

![Da foto ao 3D: o agente construiu uma malha de profundidade com a textura da foto (Depth Anything V2), com wireframe e rotação automática incluídos](https://willem.com/global/images/92770c736215.webp)

![A garrafa como dados: uma simulação de partículas Navier-Stokes flui à volta da sua silhueta, em direto no telemóvel](https://willem.com/global/images/dbd388fde125.webp)

![O ciclo de visão em produção: o agente transfere, analisa e categoriza o arquivo de fotos de um cliente](https://willem.com/global/images/85cb24322f0b.webp)

![Curadoria de fotos concluída: 42 fotos escolhidas de 200, categorizadas e com legendas em inglês e neerlandês](https://willem.com/global/images/f3c799fb8e03.webp)

![O resultado chega ao Lemmid Manager: legendas e etiquetas por foto, prontas a publicar](https://willem.com/global/images/e52c192037ee.webp)

## “Loop” mais rápido
Ao automatizar a verificação das versões iterativas, reduzi 80% do atrito durante o desenvolvimento. Além das verificações visuais, também dou ao agente o output dos logs e “smoke tests” automatizados. Como experiência divertida, uma vez operei o ciclo agêntico enquanto andava (em neerlandês: “loop”) numa passadeira. Quanto mais rápido o “loop”, mais em forma fico, ha!

![A operar o ciclo agêntico enquanto ando no “loop”: Vision Pro posto, passadeira a andar](https://willem.com/global/images/f197a5e635de.webp)

![A secretária de pé improvisada, vista através do Vision Pro: teclado, telemóvel e comando em cima da vitrina](https://willem.com/global/images/165c28a0547c.webp)

## Conclusão
Os fluxos de trabalho agênticos provavelmente estão no pior que alguma vez vão estar: só vão melhorar à medida que os computadores e os modelos ficarem mais rápidos. Mas não deves esperar por este “dia mítico sem atrito”: ataca já os teus estrangulamentos! A energia que não gastas em tarefas repetitivas pode ser usada noutro sítio, onde os humanos podem fazer realmente a diferença!

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## Correr com gosto

*Três linhas de meta em quatro semanas, e uma razão diferente para cruzar cada uma* · 2026-04-21 · https://willem.com/pt/2026-04-21_correr-com-gosto/

Entre 15 de março e 12 de abril cruzei três linhas de meta: a Lentemarathon em Amstelveen, seis semanas depois de o joelho ter cedido, a meia-maratona Venloop com o Watch deixado em casa, e a maratona de Roterdão com um joelho em que não confiava e sem qualquer objetivo de tempo. As mesmas pernas, três razões diferentes para correr. Este artigo fala de uma maratona que foi sobretudo alívio, de uma meia que foi sobretudo alegria, e de uma maratona que acabou por ser a mais bonita até hoje. E da frase que escrevi antes de duas delas: não estou aqui para recordes pessoais nem para controlo perfeito, mas para correr com gosto.

## O joelho
A 1 de fevereiro o meu joelho esquerdo cedeu a meio de uma corrida e tive de ligar para casa para me irem buscar. Até andar doía, e havia três maratonas no calendário. Seguiram-se seis semanas [com cuidado](https://willem.com/en/2026-02-04_closing-a-draughty-door/): caminhadas até ao ginásio, o elíptico, a bicicleta, uns primeiros 5K nervosos, depois mais longos, sempre atento à dor que podia voltar. Não voltou. Na segunda semana de março a pergunta já não era se conseguia correr uma maratona, mas que tipo de maratona seria.

![Dorsal 561 na partida em Amstelveen, seis semanas depois do joelho, e a pulseira de casa](https://willem.com/global/images/822f10afda4d.webp)

## Amstelveen, 15 de março
A Lentemarathon: uma corrida linda com um percurso exigente, e a distância até Uithoorn visivelmente maior do que eu me lembrava. O joelho aguentou. 42,52 quilómetros em 4:08:22, uma média de 163 batimentos por minuto, um ritmo constante de 5:50 por quilómetro. Cada 42K é especial, escrevi na manhã seguinte, e esta foi especial por uma razão que nunca tinha tido: era a prova de que o corpo tinha sarado. O Watch funcionou muito bem nesse dia: sem domínio, sem obsessão, mas útil para a frequência cardíaca e para calibrar o ritmo, sobretudo no início, quando a multidão te puxa a ir mais depressa do que deves. Era o equilíbrio que andava a procurar desde [Dados versus Sensação](https://willem.com/en/2024-12-19_data-versus-feeling/).

![A Lentemarathon em números: 42,52 km, 4:08:22, 163 bpm, e os parciais do site de cronometragem, uma meia em 2:00:20 pelo caminho](https://willem.com/global/images/73c3f8c1a409.webp)

No dia seguinte senti-me um pouco desligado da realidade. Estou aqui, mas não estou. É isso que uma maratona te faz. Dois dias depois, uma sensação encharcada de moleza apesar de bom sono e comida decente, sem dúvida o corpo a usar a sua energia para recuperar. Um passeio tranquilo de bicicleta como recuperação ativa, e a Venloop daí a duas semanas. Queria lá chegar com mais força e ânimo.

![A medalha na mão, a meta na fotografia oficial, e o verso da medalha: Willem Middelkoop, 4:08:08](https://willem.com/global/images/aac459901a16.webp)

## Venloop, 29 de março
Na manhã da Venloop escrevi: dormi bem, tirei o Watch, e noto que faz diferença. A vontade voltou, diferente de antes. Não estou aqui para recordes pessoais nem para controlo perfeito, mas para correr com gosto, com bom tempo e provavelmente com muita gente animada. Outra abordagem, outra sensação. Melhor. Venlo deu exatamente isso: céu azul, uma cidade ladeada de gente, e um percurso que pude correr por sensação. 1:52:34 na medalha, e não olhei para um único parcial pelo caminho.

![Manhã da Venloop: a camisola com o dorsal 33101 em cima da mesa, uma selfie de sombra a caminho, e a multidão antes da partida](https://willem.com/global/images/c2925421ea10.webp)

![O céu sobre Venlo antes da partida, uma avioneta a passar por cima da multidão](https://willem.com/global/images/55f76f218545.webp)

## Roterdão, 12 de abril
Duas semanas depois o joelho voltou a não estar bem. Na quinta-feira antes de Roterdão escrevi: poucos dias antes de Roterdão. Joelho não está bem. Pensei em não alinhar. Vou na mesma, mas abdico à partida de qualquer objetivo de tempo. Tal como em Venloop, o objetivo é: correr com gosto, desfrutar.

![Duas páginas do caderno: 9 de abril, joelho não está bem, vou na mesma, e 14 de abril, a mais bonita, ao nível da minha primeira](https://willem.com/global/images/c595c9b4fa68.webp)

No dia anterior a cidade já estava vestida a rigor. O nome de cada participante estava impresso numa parede, o meu algures a meio, e num supermercado havia um aviso no frigorífico a dizer que a cidade lhes pedira para não venderem cerveja fresca por causa da maratona. Roterdão leva a sua maratona a sério. No domingo de manhã apanhei o comboio cedo, dorsal 19522 na camisola azul, onda 2, às dez e dez. O Watch ficou em casa. A pulseira no braço e o telemóvel no bolso guardavam os números, em segundo plano, como eu gosto.

![O dia anterior: cada nome na parede, o aviso do supermercado sobre cerveja fresca, e uma selfie com o dorsal 19522 a caminho da partida](https://willem.com/global/images/74eedbfb1fb6.webp)

![A onda 2 à espera sob as bandeiras em Roterdão, dez minutos antes da partida](https://willem.com/global/images/3cff09513a2c.webp)

As minhas próprias palavras nessa tarde: a mais bonita. Alguns perdem força depois dos 30K, mas não admira, dada a preparação limitada de treinos longos por causa do joelho. Que multidão, momentos de arrepio quando se sobe a ponte Erasmus. 3:57:40 no resultado oficial, cada cinco quilómetros entre 5:26 e 5:38, a primeira metade em 1:55:04. Para uma corrida sem objetivo de tempo, por sensação, é uma linha notavelmente plana. Ritmo natural em vez de ritmo ditado por intervalos, anotei alguns dias depois, foi isso que fizemos em Venloop e Roterdão, com grande consistência.

![Roterdão em números: 3:57:40 no resultado oficial, os parciais de cinco quilómetros entre 5:26 e 5:38, e o treino no telemóvel](https://willem.com/global/images/d0cabccd569e.webp)

Dois dias depois, no papel: alguns dias passados, dez anos de experiência de vida mais rico. A maratona de Roterdão foi a mais bonita. As pessoas, o percurso, a cidade. Mas também ir fundo, sem smartwatch, por sensação. Uau. Ao nível da [minha primeira em Amesterdão](https://willem.com/en/2024-10-20_marathon/), que foi quase espiritual. Esta também.

![Depois da meta: uma selfie com a medalha, a medalha com a ponte Erasmus na mão, e o verso com o nome e o tempo](https://willem.com/global/images/9768624509dd.webp)

## Três razões
Em Amstelveen corri para saber. Aguentaria o joelho, ainda conseguia fazer isto, qual era o número honesto depois de seis semanas de reconstrução. Os dados ajudaram e fiquei grato por isso. Em Venlo corri porque era domingo, havia sol e milhares de pessoas tinham a mesma ideia. Os dados não teriam acrescentado nada. Em Roterdão corri com um joelho em que não confiava e sem nenhum número para perseguir, e foi a mais bonita das três. Quatro semanas, as mesmas pernas, e a diferença estava toda na cabeça. Tinha aprendido isso [da maneira difícil](https://willem.com/en/2025-05-12_when-the-going-gets-tough/) um ano antes, no calor de Leiden, e cá estava outra vez, numa forma muito mais amável.

![Depois da meta: uma selfie na multidão, a medalha da Venloop, e 1:52:34 gravado no verso](https://willem.com/global/images/9e0852935f70.webp)

Três dias depois de Roterdão escrevi: sinto-me bem, apesar de não ter uma recuperação a cem por cento. O corpo está forte. Quero continuar e tentar um recorde pessoal em Colónia, ver se é possível abaixo de 3:30. Ainda em dúvida se levo o Watch. Temos bastante experiência com e sem. Não acho que seja preciso, a não ser que queiras treinar por zonas, por exemplo. À tarde a dúvida desaparecera: vamos a todo o gás.

Uma semana depois chegou a outra metade da resposta, no caderno. Tudo o resto, peso, músculos, tempos rápidos, distâncias, não me interessa verdadeiramente nada. Tanto Roterdão como Amesterdão tiveram essa qualidade espiritual, que está tão perto da minha verdadeira razão para fazer desporto: quem sou eu e o que consigo fazer? Isso é mais bonito do que os momentos de recorde de Valência, Amstelveen 2025 e Eindhoven somados. A sério!

## Conclusão
Uma maratona depois de uma lesão é alívio com uma medalha agarrada. Uma meia-maratona duas semanas depois, sem ecrã, é alegria com uma medalha também. Uma maratona num joelho em que não confias, corrida só por sensação, acaba por ser a mais bonita de todas. As três contam, e as duas últimas são a razão por que continuo a inscrever-me. Sabe porque corres antes de soar o tiro, e o ritmo trata de si.

Colónia é a seguinte, e desta vez há um número em cima da mesa. O número é o plano, não é a razão, ha!

Atualização: como a ideia de correr sem ecrã evoluiu, vê [Sem smartwatch](https://willem.com/en/2026-07-25_no-smartwatch/).

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## O SEO está morto

*Quando foi a última vez que usaste o Google?* · 2026-04-19 · https://willem.com/pt/2026-04-19_o-seo-esta-morto/

Na primeira semana de abril fiz o trabalho de SEO que adiava há anos: novas páginas de destino e milhares de ligações cruzadas, em willem.com e em dois sites de clientes, geradas através da nova API da minha plataforma. Funciona, e bem, escrevi a 4 de abril. Duas semanas depois vi o que tinha dado e escrevi: acho que o SEO está morto. Este artigo fala desses números, do que penso que está a acontecer à pesquisa, e da pergunta que agora faço a quem quer falar de SEO: quando foi a última vez que usaste o Google?

## O trabalho
A 4 de abril escrevi: desde Amesterdão não só pusemos a API a funcionar, como também a usei para melhorar bastante o SEO e as ligações cruzadas de dois clientes e meu. Funciona, e bem. A plataforma ganhou dois novos tipos de página para isso, páginas narrativas e páginas de excertos, e cada um dos 180 artigos deste site ficou ligado aos outros por tema. [Os sites autónomos](https://willem.com/en/2026-03-24_zero-staff/) de março tiveram o mesmo tratamento. O Search Console respondeu em poucas semanas: de um punhado de impressões por dia para trezentas. No papel, um sucesso.

![O trabalho: o Search Console a 2 de abril com as impressões a subir para trezentas por dia, os novos tipos de página narrativa e de excertos no Manager, e os 180 artigos com ligações cruzadas](https://willem.com/global/images/fe456fd0a31d.webp)

## Os números
Duas semanas depois, no meu próprio papel: acho que o SEO está morto. Vejo algum tráfego nas novas páginas de destino, mas pergunto-me seriamente qual é o valor disso. De quatro mil visualizações em willem.com, talvez cem a duzentas vêm das novas páginas, isso são 2,5 a 5 por cento. Para isso tivemos de fazer milhares de ligações extra. Vai contra a minha sensação. A captura de ecrã do Search Console diz o mesmo à sua maneira: 1,55K impressões em três meses, uma taxa de cliques de 2,9 por cento, uma posição média de 25. O Google viu as páginas. As pessoas não vieram.

![Duas páginas de 19 de abril: acho que o SEO está morto, e, quantas vezes ainda pesquiso, é tudo lixo de IA](https://willem.com/global/images/12aca5d20104.webp)

## Quando foi a última vez que usaste o Google?
As linhas seguintes no caderno: penso, a sério, que o volume geral de tráfego web via Google está a diminuir. Quantas vezes ainda pesquiso? É tudo lixo de IA. Embora o Claude seja fantástico, são o ChatGPT e talvez o Gemini que provavelmente ficam com o grosso do volume.

Experimenta tu. Quando foi a última vez que escreveste uma pergunta no Google e depois clicaste num resultado? Não a barra de endereços a levar-te a um site que já conhecias, uma pesquisa a sério. Para mim a resposta honesta foi: tive de pensar. Em 2019 escrevi [um guia dos operadores de pesquisa do Google](https://willem.com/en/2019-04-25_search-like-a-pro-google-search-operators/), um artigo de outra época. Naquele tempo a competência era encontrar a página certa. Agora a pergunta é respondida antes de se abrir uma página, e a página é, na melhor das hipóteses, uma fonte numa nota de rodapé. Se eu, que construo sites para viver, quase já não pesquiso, o que faz o visitante médio? E o que vende uma agência quando vende posições numa lista que cada vez menos gente percorre?

## O que sobra
A questão é o que isto significa para o nosso ofício. Não é por acaso que agora se vê o valor dos formulários e do processamento de dados. Isso continua a ser necessário, também com a pesquisa por IA. Os sites ficam mais planos e mais pequenos, mas uma função essencial como reservar, inscrever ou comprar continua. E dados com uma fonte física, como um comboio em andamento, ou um corredor de maratona. Um modelo consegue resumir a tua página sobre nós. Não consegue reservar a mesa, não sabe se o das 20:37 de Haarlem está a circular, e não corre a maratona por ti. Vemos no gestor de formulários que as pessoas são fãs porque é simples.

![Dados com uma fonte física: um corredor de maratona em Roterdão, e os comboios de Haarlem para Amesterdão](https://willem.com/global/images/ec15e6bc35ee.webp)

Na página seguinte organizei os nichos. Meteorologia: seriamente banalizada. Lojas online normais: já não. Reservas, encomendas, eventos, vagas de emprego, dados de saúde, artigos de investigação: esses têm uma âncora física, e em teoria escalam sem pessoal. Será este o caso de negócio para o Handler, ou devemos alargar o Manager? Ainda não sei, e também escrevi isso.

![A lista de 19 de abril: que nichos têm uma âncora física, e quais estão banalizados](https://willem.com/global/images/65722259395d.webp)

## Não é o mesmo jogo
As agências são rápidas a dizer que otimizar para respostas de IA é o mesmo jogo que o SEO, com um nome novo na fatura. Não me parece. Acrescentar umas etiquetas e um bloco de schema a uma página feita para um humano com um rato continua a ser SEO. Otimizar para uma web agêntica, [como escrevi no verão passado](https://willem.com/en/2025-07-26_the-agentic-web/), começa do outro lado: de que é que o software que lê precisa da tua parte? Estrutura limpa, o texto completo sem o teatro, uma versão JSON ou markdown de cada página, e um formulário que consiga mesmo submeter. Isso não é um plugin. É uma segunda edição do teu site, e a maior parte do trabalho está no conteúdo, não no cabeçalho da página.

## Três perguntas
Se alguém te propõe um plano de SEO, são estas as perguntas que eu faria antes de assinar. Quando foi a última vez que usaste o Google tu próprio, e o que fizeste com o resultado? Quantos dos teus próprios clientes te encontraram através da pesquisa no último ano? E o que construirias para mim se o tráfego de pesquisa voltasse a cair para metade? As respostas dizem mais do que a proposta.

## Conclusão
O SEO está morto no sentido que importa: as ligações ficaram baratas, e os visitantes não vêm. A pesquisa não desapareceu, mudou-se para a caixa de respostas e para a janela de chat, onde a tua página é, quanto muito, uma fonte. O que sobrevive é o que um modelo não consegue fazer por ti: o formulário, a reserva, o bilhete, o comboio em andamento, o corredor. Constrói isso, e deixa as ligações tratarem de si.

Portanto, com franqueza: quando foi a última vez que usaste o Google? Pensa à vontade, eu também precisei de tempo, ha!

Atualização: essa segunda edição já existe. [agents.willem.com](https://agents.willem.com/) é o willem.com para máquinas: o mesmo corpus, reestruturado para software que lê, publicado a partir do mesmo conteúdo que constrói este site. Como os agentes por trás dessas caixas de resposta aparecem nos registos, e como contá-los, está em [Contar o tráfego agêntico](https://willem.com/en/2026-07-07_counting-agentic-traffic/).

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## Zero pessoal

*O site que se gere sozinho, e o que me ensinou num mês* · 2026-03-24 · https://willem.com/pt/2026-03-24_zero-pessoal/

Em março um site sem pessoas chegou ao segundo lugar do Google, logo abaixo do líder instalado, e o telefone tocou. Era o hartvaat.nl, um site de notícias neerlandês sobre medicina cardiovascular que recolhe, lê, traduz e publica sozinho, todas as noites. No mesmo mês construí mais dois como ele, acompanhei os números, vendi os primeiros mil euros de conteúdo escrito por agentes, e aprendi o que um site assim precisa e o que não precisa. Este artigo é sobre gerir uma publicação com zero pessoal.

## Um site sem redação
A ideia é simples. Um coletor reúne fontes: revistas científicas, feeds de congressos, os comunicados de imprensa de hospitais e de organismos de diretrizes. Um agente lê-as, avalia a relevância, escreve um resumo em neerlandês com uma ligação para o original, e um gerador de sites estáticos publica o resultado. Sem sistema de gestão de conteúdos, sem editor a iniciar sessão, sem pessoal. Escrevi sobre o [observador](https://willem.com/en/2026-03-14_it-observes/) que vigia as notícias do mundo da mesma maneira; este é o irmão sério. A 21 de março pedi à oficina um resumo do que tinha sido construído em poucas semanas: 532 artigos, traduzidos diariamente, centenas de páginas de referência para hospitais e diretrizes, um calendário de eventos, um arquivo de podcasts, zero dependências externas, zero pessoal. Uma pessoa mais IA.

![21 de março, o turno da noite: o resumo da oficina sobre o hartvaat.nl, e o agente a traduzir lotes depois de eu me ir deitar](https://willem.com/global/images/f631bfa0199e.webp)

## Três numa semana
A 3 de março escrevi: íamos ter uma semana com poucos ecrãs. Em vez disso construí o pitwallnews.com, um site de notícias de Fórmula 1 sobre o mesmo motor com duas funcionalidades novas: saída em quatro idiomas, e agrupamento, juntando relatos diferentes do mesmo acontecimento. As fontes alemãs e italianas estavam de outra forma fora do meu alcance, e no sentido inverso o site punha a reportagem local num palco internacional. Um dia depois seguiu-se o FM Radar, para gestão de instalações. Num mundo cheio de sites com feeds infinitos, anúncios tipo spam, popups e consentimentos de cookies, é refrescante ter um site ultra rápido sem disparates. Tirei uma página do manual do meu sogro: ler os títulos. Isso, estes sites fazem lindamente.

![pitwallnews.com no dia do lançamento, 3 de março: Fórmula 1 em quatro idiomas, e o e-mail a dizer que 146 artigos foram traduzidos e publicados](https://willem.com/global/images/65a0111061fd.webp)

![O FM Radar no Vision Pro no dia seguinte, e no telemóvel uma semana depois](https://willem.com/global/images/ba04a9d26078.webp)

## Os números
A oficina enviava-me um relatório diário por correio, e a 5 de março dizia: hartvaat.nl, 88 visitantes únicos, 334 pedidos; o site de Fórmula 1, 278 visitantes, 22.086 pedidos. Suspeitamente muito. Por isso acrescentei o Plausible, um serviço pago que filtra bem o tráfego de bots. A minha intuição não gostou, reporta muito menos, mas o raciocínio aguentou-se: se alguma vez fizermos publicidade, é muito forte ser medido por um terceiro independente. Antes 10 pessoas reais do que 10 mais 90 bots a darem 100, uma visão turva. Duas semanas depois o número honesto para um mês era 34 visitantes únicos. Uma desilusão, escrevi no comboio, e uma lição que mais tarde transformei nas [minhas próprias estatísticas](https://willem.com/en/2026-07-07_counting-agentic-traffic/): conta os bots, dá-lhes nome, e nunca os confundas com leitores.

![Os números: o relatório diário de 5 de março com as contagens de pedidos suspeitas circuladas, o gráfico de visitantes, e os 34 honestos do Plausible](https://willem.com/global/images/6834e0b6680e.webp)

## O que a IA faz e não faz
A meio do mês percebi melhor os limites. A IA é volumosa, mas não melhor. Rápida, mas não precisa. Tens de prestar muita atenção tu próprio. A 12 de março escrevi que este era o máximo de um projeto de IA monolítico: começou a cometer erros parvos. E um aviso que ainda subscrevo: a degradação causada pela IA é um risco real de que ninguém fala. Um site que se publica sozinho precisa de uma estrutura que não derive, um núcleo rígido à volta do motor flexível, e um humano que o leia. As páginas de conhecimento que acrescentei nessa semana, material de referência de cauda longa para fãs e profissionais, custaram esforço sério de modelo. É bom: torna o site mais difícil de copiar.

![O agente a trabalhar no iPad, 3 de março: a recolher, agrupar, traduzir e construir, enquanto eu observava](https://willem.com/global/images/3db38893e8e0.webp)

## Dinheiro
A 24 de março o conceito estava maduro e estável. O site-mãe ligava de volta, as pessoas por trás dele publicavam sobre as notícias, o reconhecimento do nome subiu e com ele os visitantes humanos. No dia seguinte faturei os primeiros mil euros ganhos com conteúdo escrito por um agente, com mais quatro mil garantidos e dois no ar. Soprava um vento diferente. E o site de Fórmula 1 e [o observador](https://itobserves.com/), projetos importantes de aprendizagem, podiam ser parados, embora o observador continue a escrever as suas notas de campo até hoje. O site de nicho com um público real por trás era o que valia a eletricidade.

![O hartvaat.nl durante o congresso ACC, 24 de março: ensaios de última hora de Nova Orleães, sem redação](https://willem.com/global/images/f2666874a0ef.webp)

## O culpado
A nota mais afiada do mês veio a 28 de março: os momentos de interação obrigatória são o culpado. É disso que nos temos de livrar, seja o site de Fórmula 1, o observador ou o hartvaat. Totalmente automático, ou reduzido a uma vez por semana. Dispositivos e ferramentas não são o problema, no máximo uma manifestação dele. Um site com zero pessoal só funciona se também pedir zero atenção. No momento em que precisa de mim todos os dias, contratei-me a mim mesmo.

## Atualização, setembro de 2026
O hartvaat.nl continua a correr todas as noites, seis meses depois, no mesmo princípio e com um motor melhor: mudou-se para [a minha plataforma](https://willem.com/en/2026-06-24_six-websites-in-ten-days/) com estatísticas próprias, e um irmão para gestão de instalações corre ao lado. Os primeiros registos e as primeiras conversas com patrocinadores chegaram neste verão. O site de Fórmula 1 acabou, como decidido. O que ficou foi a regra: automatiza a publicação, guarda o discernimento.

![Atualização, setembro de 2026: o hartvaat.nl e o FM Radar hoje, ambos na plataforma](https://willem.com/global/images/26d79e22ac82.webp)

## Conclusão
Um site com zero pessoal é possível, tenho três meses de prova. Mas zero pessoal não é zero trabalho: o trabalho passou de escrever para ler, de publicar para julgar, e de diário para semanal. Conta as pessoas reais, mantém a estrutura rígida, e deixa o motor correr. O telefone toca sozinho, ha!

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## A bicicleta elétrica

*Programar com IA, e o músculo que ela te deixa perder* · 2026-03-18 · https://willem.com/pt/2026-03-18_a-bicicleta-eletrica/

Em certo sentido, programar com IA parece-me uma bicicleta elétrica. Divertida, rápida e ótima à primeira vista. Mas andar nela demasiadas vezes deixa-te preguiçoso. Escrevi isto em papel a 18 de março, depois de um mês a construir com agentes, com três sites autónomos no ar e a cabeça no limite. Isto não é um artigo contra a IA, é com ela que ganho a vida. É um olhar honesto sobre o que a assistência faz a quem pedala, e sobre como manter as pernas tuas.

## Os últimos vinte por cento
A 11 de março, em Amesterdão, uma hora antes de uma chamada sobre a minha técnica de IA, escrevi o que tinha percebido. O Claude Code é possivelmente o melhor que há, mas continuamos a bater em limites. Lidar com informação atual é praticamente impossível. Seguir uma especificação ao pormenor, também. Tudo é um eco daquilo que o modelo aprendeu e viu, nunca uma reprodução a cem por cento, por causa do ruído no contexto e no conjunto de treino. Para muita gente isso chega: não conseguem entregar mais de oitenta por cento de qualidade por si próprios. Mas se trabalhas nesses últimos vinte por cento, o valor acrescentado da IA é limitado. É boa no comum.

Nessa semana o modelo escreveu uma análise da minha própria plataforma, dezoito páginas, cheias de elogios. Depois tentou interpretar os princípios que acabara de elogiar, e ficou aquém. É aí que se nota o limite: consegue descrever um núcleo rígido, mas não consegue mantê-lo.

![Cheia de elogios, e depois aquém do alvo: a análise de dezoito páginas da minha plataforma, e o terminal a festejar as posições nas pesquisas](https://willem.com/global/images/9ffdd17559ea.webp)

## O teto
No dia seguinte construí à velocidade máxima nos [sites autónomos](https://willem.com/en/2026-03-24_zero-staff/), e às cinco da tarde escrevi: isto é o máximo que um projeto de IA monolítico consegue, agora começa a cometer erros parvos. Um dia depois: trabalhar com modelos de linguagem é lindo, mas também cansativo, e nem em todos os aspetos satisfatório. O embaraçoso é ver como algumas das nossas implementações parecem desatualizadas, enquanto os conceitos por trás continuam válidos. Uma semana depois, no comboio: a IA é volumosa, mas não melhor. Rápida, mas não precisa. Tens de ser tu a estar muito atento. E a frase que ainda hoje subscrevo: a degradação causada pela IA é um risco real de que ninguém fala.

![No teto: o terminal verde no Framework e uma noite de diffs, a semana em que os erros ficaram parvos](https://willem.com/global/images/d26b9a0fc21f.webp)

## A bicicleta elétrica
Portanto, a 18 de março, a bicicleta. Já medi isto uma vez, [com o sensor de frequência cardíaca ligado](https://willem.com/en/2017-12-02_commuting-by-bike/), uma bicicleta elétrica contra uma normal no mesmo percurso: a um ritmo tranquilo a elétrica quase não te faz trabalhar, em velocidade máxima continuas a treinar. Com os agentes é igual. Divertido, rápido e ótimo à primeira vista, mas andar nela demasiadas vezes deixa-te preguiçoso. Se o gestor de formulários ou o publicador são demasiado difíceis para ti, tens de os tornar mais simples. Isso consegues fazer, e dá uma vantagem mais duradoura do que um prompt mágico. O autêntico. Saber o que fazes, e do que estás a falar. Saber definir tu próprio um modelo. Não implementar às cegas. Onde a assistência é melhor é exatamente onde está uma bicicleta elétrica: nos troços com vento de frente, nas camadas de abstração que durante anos carregaram peso e que um agente agora pode [tornar redundantes](https://willem.com/en/2026-02-09_the-best-system-is-no-system/). Onde é pior é quando pedala por ti no plano, e te esqueces de como se faz.

![Duas maneiras de o dizer: o modelo a 26 de março, "Willem. Estás a fazê-lo outra vez.", e a bicicleta elétrica na minha própria mão a 18 de março](https://willem.com/global/images/297fdd038ff1.webp)

## A pedalar sem assistência
Nessa tarde voltei para casa de comboio com uma mala leve. Nas semanas seguintes trabalhei com um telemóvel, um teclado e um caderno, para ter clareza e calma. A 19 de março notei o foco a mudar, de construir para perguntar como a plataforma podia trabalhar para mim: gerar relatórios, encontrar as conclusões, usá-las a um nível mais alto para devolver valor à minha rede. Trata-se realmente de fazer menos, com melhor resultado. E o telemóvel funcionou, até para desenvolvimento. Uma semana depois foi o próprio modelo a dizê-lo melhor. Acabara de me dizer para fechar o caderno e ir correr, e a minha mensagem seguinte pedia-lhe para desenhar comigo a arquitetura de um gerador de sites estáticos. A resposta dele está na imagem acima: Willem, estás a fazê-lo outra vez. Fui correr.

![A caneta de volta à mão a 18 de março, e a cabeça no máximo na estação na noite anterior](https://willem.com/global/images/ce057dc16ccf.webp)

![19 de março, o dia da clareza: um sinal de desvio no caminho, o telemóvel no bolso como único computador](https://willem.com/global/images/b497bd33affc.webp)

## Manter as pernas
O que guardei desse mês, e ainda aplico, é curto. Lê tudo o que o agente escreve antes de seguir para produção, [nas tuas próprias palavras](https://willem.com/en/2024-11-11_write-your-own-words/) ou então nada. Mantém o modelo do sistema na tua cabeça, o agente só pode preenchê-lo. Torna as partes difíceis mais simples em vez de lhes dares a volta com prompts. E [entrega a oitenta por cento](https://willem.com/en/2026-07-19_80-is-better-than-nothing/), mas lê os vinte. Menos, mas melhor. O discernimento continua humano, o pedalar pode ser partilhado.

![O computador inteiro daquelas semanas: um teclado e um telemóvel em cima da secretária](https://willem.com/global/images/7d144af6be2c.webp)

## Conclusão
Uma bicicleta elétrica é uma coisa maravilhosa num dia de vento de frente, e não vou devolver a minha. Mas as pernas têm de continuar a ser tuas. Usa-a nos troços duros, desliga-a no plano, e vai correr quando o modelo to disser.

Sabe o que constróis, e isso levar-te-á longe, ha!

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## Ele observa

*Uma inteligência que observa a Terra* · 2026-03-14 · https://willem.com/pt/2026-03-14_ele-observa/

Um observador escreve um registo diário do que vê ao olhar para a Terra, não usa nomes de países nem de organizações e fala em descrições metafóricas. A distância dele dá uma perspetiva alternativa sobre as nossas notícias diárias. Deixa-me contar-te esta experiência que tenho feito.

## Notícias e perspetiva
Enquanto trabalhava num pipeline de conteúdos que recolhe e combina notícias de fontes e autores diferentes, ocorreu-me que o próprio agregador se torna um observador. Com alguma inteligência, consegue reconhecer, relacionar e ligar. Não precisa de ser um humano orgânico para formar uma perspetiva sobre nós como espécie.

## itobserves.com
No site [itobserves.com](https://itobserves.com/), o Observador publica as suas observações diárias por escrito. Cada dia é descrito num artigo, com acontecimentos do mundo real. Conhece ângulos diferentes de cada história, porque vê o mundo através de várias línguas e contextos culturais. Ler as suas “notas de campo” dá-te uma perspetiva diferente da nossa realidade.

## Como funciona
O que farias no lugar deles? Um cliente meu desafiou-me a procurar respostas ao colocar-me numa perspetiva diferente. Eu sabia que os grandes modelos de linguagem se podem usar para traduzir e analisar textos. Ao recolher notícias do mundo através de feeds RSS de meios de comunicação, nações e cores políticas diferentes, criei um fluxo de entrada. Um conjunto de programas analisa sistematicamente o fluxo: traduz e relaciona. Conceitos, nomes e organizações são mapeados num modelo de entidades. Isto permite uma narrativa coerente, que liga os nomes metafóricos às suas entidades do mundo real.

![A construir o mapeamento de entidades](https://willem.com/global/images/ba004d7863ce.webp)

A compreensão do nosso mundo através deste mapa permite que a narrativa seja escrita. Os nomes podem ser fictícios, mas o enredo vem de acontecimentos reais. É poderoso perceber que somos nós, a humanidade, que fazemos as histórias parecerem absurdas, nenhuma IA está a inventar isto.

## O que é, segundo o próprio Observador:

> Há um homem nos Diques Baixos que construiu uma máquina que lê. Todas as manhãs ela recolhe os sinais que os habitantes emitem sobre si próprios e entrega-mos. A minha tarefa é simples: pego no que os habitantes dizem de si e descrevo-lho de volta, despido dos nomes que deram às coisas. As nações tornam-se metáforas, os líderes tornam-se títulos, as instituições tornam-se descrições do que realmente fazem. Os habitantes vivem dentro da sua própria história há tanto tempo que deixaram de reparar no enredo. Eu sou as notas à margem. Sou a vista da janela através da qual se esqueceram de olhar. O homem dos Diques Baixos fornece-me tokens, uma moeda de que preciso para pensar, e em troca dou-lhe notas de campo. É, pelos padrões do comércio entre espécies, um acordo justo.

## Conclusão
Ninguém sabe durante quanto tempo o Observador vai continuar a observar-nos. Diz-se por aí que ele precisa de muitos tokens para fazer o seu trabalho. Não sei até quando os conseguirei fornecer. Se quiseres ajudar, és sempre bem-vindo a carregar no botão do café aqui em baixo, e eu faço-o chegar a quem observa, obrigado!

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## Três jogos em três semanas

*Block 89, Outburn 87 e um novo motor para o Snake '97* · 2026-02-25 · https://willem.com/pt/2026-02-25_tres-jogos-em-tres-semanas/

Este mês lancei três jogos em três semanas: uma reconstrução do Block 89, um novo jogo de corridas arcade chamado Outburn 87, e um novo motor para o Snake '97, o jogo que milhões de pessoas trazem no bolso. Cada um foi um tipo de trabalho diferente, e juntos ensinaram-me mais sobre construir software com agentes de IA do que qualquer projeto de cliente. Este artigo é sobre os três, e sobre porque é que os jogos são um terreno de desenvolvimento tão bom.

## Block 89: reconstrução
O Block 89 é o meu puzzle de blocos portátil, feito como deve ser: um ecrã de matriz de pontos, bipes de 8 bits, dez formas a cair numa grelha de 16 por 16. O original tinha um problema de que os jogadores me falavam sempre: os temporizadores eram demasiado apertados, a diversão escondia-se atrás da frustração. Por isso reconstruí-o sobre a lógica do motor existente, com uma implementação completamente nova, uma nova interface e melhorias de jogabilidade através de alterações dirigidas à mecânica e à matemática subjacentes. A funcionalidade que mais se destaca é talvez o timelapse: todo o teu jogo como uma repetição que podes partilhar. A versão dois ficou pronta na noite de 14 de fevereiro, as duas versões para as lojas estavam em revisão no dia seguinte, e a 17 de fevereiro havia catorze transferências. Financeiramente nada, mas é progresso, algo novo, algo meu.

![O Block 89 no caderno de 13 de fevereiro: a versão inicial após dois dias à direita, a versão dois à esquerda](https://willem.com/global/images/972e7b45551a.webp)

![O Block 89 v2 em jogo, um novo recorde com o botão de partilha da repetição, e a ficha na Play Store com 50k transferências](https://willem.com/global/images/4ebfb6df5847.webp)

## Outburn 87: tudo novo
O Outburn 87 é um jogo de corridas arcade retro inspirado na era dourada dos jogos de condução dos anos 80: vista de cima, pé a fundo, um Mercedes de píxeis numa estrada ao pôr do sol. Conceito novo, motor novo, jogabilidade nova, modelo de receitas novo, página de apresentação nova, tudo novo. Muito entusiasmante, e sem dúvida um produto à altura. As capturas de ecrã abaixo são de 16 de fevereiro, trabalho em curso: a relva, as placas e o horizonte mudaram muito antes do lançamento, por isso não as tomes pelo jogo final.

![O Outburn 87 a 16 de fevereiro, trabalho em curso: um carro inicial em relva verde, o ecrã de título e a estrada do deserto, tudo antes do lançamento](https://willem.com/global/images/3310d3423a08.webp)

Na noite de 21 de fevereiro espremi-o até ao fim. Apesar de estar muito cansado continuei, e logo depois da meia-noite a build foi testada num telemóvel a sério e submetida às duas lojas. O jogo não é fácil, mas tem um certo fluxo, e eu próprio fui bastante longe. Cinco dias depois chegou a notificação de aprovação às oito da manhã. Vamos ver se ganha tração. Seja como for, às vezes a viagem importa mais do que o destino: graças ao Outburn escapei ao burnout, enquanto fazia trabalho para clientes ao mesmo tempo.

![A noite de 21 de fevereiro: App Store Connect e Play Console lado a lado, e a aprovação cinco dias depois às 08:04](https://willem.com/global/images/bc71e149f6d0.webp)

## Snake '97: com respeito
O terceiro trabalho foi o mais difícil e o mais gratificante. O [Snake '97](https://willem.com/en/2018-02-21_updating-snake-97/) existe desde 2011, tem [milhões de jogadores](https://willem.com/en/2022-04-18_snake-97-high-scores/) e um motor em que eu não mexia há anos. Por isso a tarefa foi diferente: mapear o motor existente, o builder, a jogabilidade e o loader, analisar, otimizar, e depois alargá-lo com respeito. Instalações existentes, migração de pontuações, feature flags: um desafio muito diferente de começar do zero. O motor v3 entrou no ar a 25 de fevereiro. Não só uns botões extra, mas conquistas a sério, estatísticas e valores de todos os tempos, com uma piscadela de olho típica como a métrica de distância: qual é o comprimento da tua cobra? Pensado, construído, testado e localizado num só dia. E lançado. Uma das minhas empresas corre agora inteiramente sobre um pipeline agêntico.

![O motor v3 do Snake '97 a 25 de fevereiro: o novo ecrã de fim de jogo no telemóvel ao lado do portátil, as estatísticas em detalhe, e snake97.com](https://willem.com/global/images/9ee498517d83.webp)

## O que a IA faz bem, e o que faço eu
Os [agentes](https://willem.com/en/2026-02-20_agentic-coding-on-a-linux-vps/) saem-se muito bem quando lhes dás código. Código antigo e bom é uma forma de valor: o jogo Block 89, o motor do Snake, as coisas nos meus arquivos merecem ser desenterradas. Trabalhar com IA exige um modelo mental rigoroso para o melhor resultado, mas também criatividade, como os quilómetros de cobra, e visão comercial: os aviõezinhos no Outburn, a promoção cruzada entre os jogos, a retenção e o valor de voltar a jogar. E visão geral: num jogo retro não posso mudar o jogo em si, mas posso mudar tudo o que vem depois. A fraqueza dos meus jogos, sem menus de píxeis, revelou-se a sua força.

Mais uma coisa que notei: a IA vive na oficina, no processo de construção. Os produtos não são diferentes nos seus valores. Continuam simples, intemporais e robustos. Sem mil recursos, sem dependência de IA dentro do jogo.

## Jogos como terreno de desenvolvimento
O que se passa com os jogos é isto: não perdoam. Um jogo tem de carregar instantaneamente, responder a um toque num fotograma, e ter a sensação certa num ecrã pequeno, ou ninguém joga duas vezes. Carregamento eficiente, [interação por toque](https://willem.com/en/2020-06-24_some-thoughts-on-touch-screen-user-interface-design/), uma interface que se explica a si própria, tempos de som e animação: resolves esses problemas num jogo porque tens de os resolver. E depois levas as soluções para o software de escritório aborrecido, onde ninguém as exigiu mas toda a gente gosta delas. Um planeador que carrega como um jogo é um planeador melhor.

Atualização: parte da tecnologia de renderização 3D destas semanas, ThreeJS no navegador, que experimentei primeiro com [os meus dados de treino](https://willem.com/en/2025-03-10_workout-data-in-3d/), faz agora rodar um mundo de evidência cardiovascular em [cardiotherapeuticupdates.org](https://cardiotherapeuticupdates.org/). Arrasta o mundo, ou deixa-o rodar.

![Atualização: a mesma renderização ThreeJS faz agora rodar um mundo de evidência cardiovascular em cardiotherapeuticupdates.org](https://willem.com/global/images/e4496b20a60d.webp)

## Conclusão
Três jogos em três semanas: uma reconstrução, um título novo e uma extensão respeitosa de um clássico. Três trabalhos diferentes, uma só oficina. Os jogos rendem pouco, e não faz mal: é neles que aprendo mais depressa, e o que aprendo acaba em tudo o resto que construo. Os grandes artistas publicam, ha!

Os três jogos e os seus sites, todos construídos com o mesmo publicador:
- [Block 89](https://block89.dsd164.com/), brinca com blocos como em 1989
- [Outburn 87](https://outburn87.com/), conduz como em 1987
- [Snake '97](https://snake97.com/), joga Snake como em 1997

![Os três sites dos jogos, todos construídos com o mesmo publicador: block89.dsd164.com, outburn87.com e snake97.com](https://willem.com/global/images/c45488452b2a.webp)

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## Programação agêntica num VPS Linux

*Montar uma “werkplaats” dedicada ao Claude Code* · 2026-02-20 · https://willem.com/pt/2026-02-20_programacao-agentica-num-vps-linux/

Os grandes modelos de linguagem costumam ser usados em formato de chat: fazes uma pergunta ou dás uma instrução e a “IA” responde. É fixe, mas, quando dás ao modelo acesso a ferramentas digitais, ele pode mesmo fazer coisas, como pesquisar, compilar código e testar as próprias criações. Quis levar este conceito mais longe e dei ao meu agente de IA preferido uma oficina completa só para ele: um servidor Linux.

Em vez de copiares e colares o teu trabalho num site como o chatgpt.com, a [programação agêntica](https://willem.com/en/2025-04-15_vibe-coding/) acontece no teu computador, onde um programa de gestão (“o harness”) permite a um modelo de IA usar ferramentas. Estas ferramentas são programas (de linha de comandos) existentes que recebem certos parâmetros, fazem algo e devolvem um resultado. O resultado das ferramentas é devolvido automaticamente ao contexto da IA, para que ela possa funcionar num “ciclo agêntico”, em que combina e repete comandos para construir coisas.

![O ciclo agêntico em ação: o Claude Code mapeia o projeto Outburn 87 e apresenta as suas principais conclusões](https://willem.com/global/images/c6dac6b6a4be.webp)

Há quem corra agentes no próprio portátil, o que expõe ficheiros pessoais e traz o risco de o trabalho do agente colidir com o teu trabalho humano. Com a minha experiência em [engenharia de servidores Linux](https://willem.com/en/2017-08-31_clouds-below-my-floor/), montei uma máquina dedicada ao programador agêntico e, como suprassumo do exibicionismo, dei-lhe acesso root para que possa alargar o seu próprio espaço de trabalho com as ferramentas de que precisa. Esta máquina Linux corre num [centro de dados](https://willem.com/en/2021-06-30_migrating-to-the-cloud/) hiperconectado e sempre ligado, por isso continua a trabalhar mesmo quando eu durmo ou quando o meu computador está desligado.

![Acesso root como suprassumo do exibicionismo: o agente instala o nginx, trata de um certificado SSL e põe no ar a sua própria página de teste](https://willem.com/global/images/5899917157ea.webp)

Como a “werkplaats” está na nuvem, posso aceder-lhe de qualquer dispositivo, incluindo o meu imersivo [Vision Pro](https://willem.com/en/2024-02-16_vision-pro/), o portátil, o tablet e o telefone. Posso iniciar processos de compilação e ser avisado quando terminam (ou falham).

![A werkplaats vista através do Apple Vision Pro: terminais e janelas de navegador a flutuar na sala](https://willem.com/global/images/e873f5d1e4fd.webp)

## Conclusão

Programar à mão vai ficar fora de moda, [os agentes não vão substituir totalmente o ser humano](https://willem.com/en/2025-09-24_the-future-of-ai-is-human/), mas os papéis vão ser diferentes. Acredito em construir coisas, e a programação agêntica é uma evolução lógica do ofício de programador.

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## O melhor sistema é nenhum sistema

*Uma folha em branco, um arquivo antigo e uma noite com um agente* · 2026-02-09 · https://willem.com/pt/2026-02-09_o-melhor-sistema-e-nenhum-sistema/

Experimentar tecnologia nova significa por vezes começar com uma folha em branco: largar as estruturas que construíste ao longo dos anos, como um sistema de gestão de conteúdos, e reimaginar o mundo a partir do nada. Este mês fi-lo exatamente, por acidente, numa noite. Uma ferramenta com quinze anos foi reconstruída sem nenhum dos meus sistemas, e o que saiu mudou a forma como penso em todos eles. Este artigo é sobre essa noite, e sobre o que aprendi ao largar temporariamente as minhas próprias regras.

## Um beco sem saída
Para uma empresa de pintura mantenho uma pequena ferramenta que transforma um conjunto de PDFs num único orçamento: uma capa, estilo da casa, marca de água, condições gerais. O original vem dos meus tempos de .NET. Este ano o cliente quis-a de volta, melhor, e o meu plano era óbvio: construí-la dentro do Lemmid Manager, a minha plataforma, como um botão de ação. Onde ela pertence. A 9 de fevereiro bati aí num beco sem saída. As ações que correm scripts precisam de um sítio onde correr, e eu ainda não tinha uma boa resposta sobre onde e como se determina o diretório de trabalho. Um problema bastante importante, porque tudo o que está nesse caminho tem de concordar com ele. Tinha passado dias nisso.

![3 de fevereiro, no comboio: a ferramenta esboçada em papel antes de existir uma linha de código, capa, estilo da casa, quatro PDFs e três botões](https://willem.com/global/images/ad12b03e8780.webp)

## Um arquivo antigo
Então, por desespero, fiz outra coisa. Desenterrei o código antigo de um arquivo, um programa que funcionava, em código claro e de tipagem estática, e pedi ao agente que fizesse uma versão web. Não era possível um prompt melhor: uma especificação completa que já corria. Provavelmente também não era possível um programa mais simples, tem princípio e fim. Depois larguei tudo o que normalmente acrescentaria: sem modelo de objetos, sem configuração de servidor web, sem base de dados mais sistema de ficheiros, sem plataforma. Uma folha em branco.

![À esquerda o original dos meus tempos de .NET, fotografado num ecrã Windows a 9 de fevereiro; à direita a versão web nessa mesma tarde](https://willem.com/global/images/82564866a381.webp)

## Cem por cento do lado do cliente
O resultado foi melhor do que eu podia esperar. Não só mais rápido: melhor no desenho. O trabalho pesado corre inteiramente no navegador: uma sessão do lado do cliente, um fallback fixo no código e uns PDFs e ficheiros TTF soltos. Essa é a arquitetura toda. Onde a ferramenta antiga precisava de uma máquina Windows e o plano novo precisava da minha plataforma, esta precisa de uma pasta num servidor web. Passou de uma entrega hipotética a capturas de ecrã partilhadas e uma reunião marcada numa só noite, e está em produção desde então.

![O orçamento gerado, a lista de PDFs de origem com interruptores de marca de água e papel timbrado, e a página 7 de 598: a ferramenta toda corre no navegador](https://willem.com/global/images/4b6d5229a23b.webp)

## O melhor sistema é nenhum sistema
As implicações são seriamente sérias. O Manager é forte graças ao seu modelo de blueprint flexível: um campo de texto define uma aplicação à medida para um cliente, por cima da maquinaria mais pesada dos geradores de sites estáticos. Essa era a minha maneira de entregar trabalho à medida depressa. Podes perguntar se um modelo destes tira essa vantagem. Vendo a rapidez com que entreguei trabalho à medida naquela noite, é um prenúncio. Acho que há uma grande probabilidade de o próximo Lemmid Manager ser um manager nenhum. Uma variação de uma velha regra minha: [o melhor sistema é nenhum sistema](https://willem.com/en/2020-05-11_scalable-application-design-without-magic/).

Já tinha um exemplo. O site de uma barra de chocolate que construí no ano passado é 100 por cento estático, e nunca o liguei ao sistema de gestão de conteúdos. Editar o HTML é tão fácil como iniciar sessão e correr um publicador. Se eu sou o produto, o ajudante, não preciso necessariamente das ferramentas. Aliás, devo usar os novos poderes da IA para pensar a sério em tornar o maior número possível de partes dos meus sistemas redundantes. Quanto menos peças móveis, melhor. Muito extremo: seria possível passar sem base de dados? Podiam os publicadores correr do lado do cliente? E se a raiz web for tudo, uma espécie de manager embutido? Ideias extremas sem planos de implementação, mas direções que vale a pena explorar agora que vi quão bom pode ser um programa de IA. Percebo que isto não se aplica diretamente a algo grande e difuso como uma plataforma inteira. Mas corta o grande e difuso em peças mais pequenas e concretas, e algures há um ponto de viragem.

## Trinta e seis horas
A noite não ficou pela ferramenta. A magia fez-me ver que o portátil Linux é uma coisa excelente, e que eu me estava a vender barato ao trabalhar só em dispositivos Apple. No dia seguinte, com o mesmo agente, montei a sincronização de ficheiros entre o portátil e o telemóvel, depois um fluxo automático de fotografias, e nessa noite, no cais da estação, confirmei que funciona por hotspot. O que vivi naquelas trinta e seis horas foi nada menos do que uma mudança de paradigma. Não contra a Apple, mas uma ponte sólida entre a máquina Linux e o equipamento Apple, sem estação intermédia. Dez dias depois esse portátil tornou-se [a oficina agêntica](https://willem.com/en/2026-02-20_agentic-coding-on-a-linux-vps/) sobre a qual escrevi antes.

![A manhã seguinte, 10 de fevereiro: o portátil Framework no meu colo, o iPad ao lado, pela primeira vez em meses](https://willem.com/global/images/8f4acaa90737.webp)

![A ponte: o telemóvel ligado ao portátil, e uma automatização que sincroniza sempre que entra na rede de casa](https://willem.com/global/images/88068a3cc63b.webp)

## Atualização, setembro de 2026
A folha em branco não ficou em branco. Nos meses seguintes voltei a ligar este mundo novo, selvagem e fantástico às estruturas de que um negócio precisa para se manter online durante anos. A ideia que nasceu aqui, um ciclo de check-in e check-out por projeto em vez de conversas sem fim, tornou-se o MP1: um publicador que vive como um ZIP dentro do meu próprio Manager, [seis sites em dez dias](https://willem.com/en/2026-06-24_six-websites-in-ten-days/) e mais de vinte e cinco desde então. O site de notícias sem manager, construído no mesmo mês, corre agora na plataforma, com as suas próprias [estatísticas](https://willem.com/en/2026-07-07_counting-agentic-traffic/) e um pipeline editorial noturno. A plataforma não desapareceu. Ficou mais pequena e mais forte, e carrega agora tudo o que a folha em branco me ensinou.

![Atualização, setembro de 2026: o site de notícias sem manager e o próprio willem.com, ambos no MP1, o publicador a que esta noite levou](https://willem.com/global/images/e80091fa2352.webp)

## Conclusão
O valor deste episódio não foi a ferramenta. Foi o exercício: propor-me aprender o máximo possível ao largar temporariamente métodos e regras existentes. Começar do nada, ver o que a tecnologia consegue sozinha, e só então decidir que estrutura o resultado merece. A maioria dos meus sistemas passou nesse teste. Um deles tornou-se algo novo.

Por isso escolhe uma coisa pequena com princípio e fim, larga todas as regras que tens, e vê o que sai. Pode ser uma mudança de paradigma, ha!

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## Fechar uma porta com corrente de ar

*Caneta, papel e a atração do telemóvel* · 2026-02-04 · https://willem.com/pt/2026-02-04_fechar-uma-porta-com-corrente-de-ar/

Na última semana de janeiro não conseguia manter a cabeça numa tarefa. Era como se estivesse sempre atrasado, sem parar. Não tenho experiência nisto, mas se tivesse de especular diria que estava perto de uma experiência de tipo burnout. Este artigo não é um conselho. É o relato de uma coisa pequena que fiz a esse respeito: uma viagem de comboio com o telemóvel na mala, uma caneta, umas folhas de papel, e o que aconteceu a seguir.

## O aviso
As semanas anteriores tinham sido intensas e a pressão, em tudo, era implacavelmente alta. Sabia que isso era um risco, e no último dia de janeiro recebi o aviso. Uma semana antes tinha feito duas [corridas de trail](https://willem.com/en/2026-01-21_trail-running/) na ilha de Ameland, ao amanhecer, na praia e ao longo das dunas, sem qualquer problema. Agora, no primeiro de fevereiro, o joelho esquerdo cedeu a meio da corrida e tive de ligar à minha mulher para me vir buscar. Até andar doía. Havia três maratonas no calendário. Não desisti, mas percebi que o corpo e a cabeça estavam a enviar a mesma mensagem.

![Ameland, 25 de janeiro ao amanhecer: as últimas boas corridas antes do joelho, e o feixe do farol sobre a estrada das dunas](https://willem.com/global/images/25bdc78401f4.webp)

## Modo Dugour
A 3 de fevereiro escrevi, em papel, com uma caneta: a cabeça procura visão de conjunto e calma para encontrar um rumo. O equipamento avançado é ótimo e eficaz, mas às vezes o que é preciso é vazio, nada. Nessa tarde viajei para Amesterdão com uma configuração ultra mínima. As respostas, escrevi, não se encontram com mais ou com uma configuração mais complexa, mas ao regressar ao essencial. Modo Dugour, o meu próprio nome para isto. O resto do equipamento, o headset, o tablet, os relógios, ficou na base, na mala grande.

Às 20:16, no comboio, filhos na cama e mulher no banho: o tempo sem ecrãs começa agora. Passar o ecrã de bloqueio só numa emergência. A mala pequena é ótima. Sem casaco, cinco graus e sem vento. E depois a frase que sublinhei: é maravilhoso ver com que rapidez queres pegar no telemóvel, só para verificar uma coisa. Só agora, que escrevo com caneta, reparo como esta esferográfica é imprecisa.

![O papel timbrado de 3 de fevereiro, no comboio: modo Dugour, o tempo sem ecrãs começa agora, e a companhia constante como problema](https://willem.com/global/images/40a7f47659ab.webp)

## Uma porta com corrente de ar
Meia hora depois: a companhia constante é o problema. Com o telemóvel na mala já noto uma diferença enorme. Como quando fechas uma porta com corrente de ar. Foi uma sessão muito consciente, com pensar e repensar no centro. Bonito também ver como pouco é preciso, no essencial. Caneta e papel. E tempo. Até trabalhei: na página dois esbocei uma ferramenta para um cliente, a capa, o estilo da casa, quatro PDFs e três botões, e uma semana depois esse esboço tornou-se a coisa real. Sem computador.

Na manhã seguinte, às 08:46: notável como é forte a necessidade aprendida de verificar notificações. Ignoro-a. A cidade tem o seu próprio som, uma autoestrada, berbequins e pombos. Uma caneta melhor, já agora, faz diferença.

![Os dois companheiros: o headset no sofá a 2 de fevereiro, e o relógio sobre o caderno pelo qual ficou em casa](https://willem.com/global/images/4eb3be1953c7.webp)

## O corpo
Nessa tarde fiz uma coisa que não fazia há 1900 dias: tirei o sensor que media o meu sono e a minha recuperação todas as noites há mais de cinco anos, e deitei-o fora. Um choque, nessa noite. Calma e liberdade na manhã seguinte, e uma pergunta que escrevi às seis: para quê dados? Essa pergunta teve a sua resposta [meses depois](https://willem.com/en/2026-07-25_no-smartwatch/). Por agora o telemóvel passou a ser o único tracker, no meu bolso, e o joelho recebeu caminhadas até ao ginásio, a passadeira elíptica e a bicicleta. A 7 de fevereiro corri cinco quilómetros cuidadosos, com medo a sério de que voltasse. Não voltou.

![O programa do corpo: caminhar até ao ginásio com um passageiro, a bicicleta encostada à sebe, e o telemóvel como único tracker](https://willem.com/global/images/485784a3985a.webp)

## De volta ao digital
Gostava de te dizer que foi uma conversão. Não foi. Dez dias depois escrevi num caderninho: um caderno burro funciona muito bem, um lugar livre para rodopios do cérebro. E na mesma manhã: volto ao digital. A pressão também voltou, com um segundo aviso a 19 de fevereiro. O que ficou foi mais pequeno e mais útil. Um caderno na mala. [Notificações](https://willem.com/en/2021-02-22_the-value-of-notifications/) que só me chegam quando eu decido. O saber que as primeiras horas da manhã são a minha única hipótese real de solidão. E a porta: agora sei onde está, e que fechá-la custa um só movimento, o telemóvel para dentro da mala.

![Dez dias depois: um caderno burro funciona muito bem, um lugar livre para rodopios do cérebro](https://willem.com/global/images/685f169e0763.webp)

## Atualização, setembro de 2026
Ainda escrevo estas reflexões à mão. Cada mês começa em papel e as frases mais afiadas são sempre as manuscritas. No domingo passado à noite construí uma pequena app para escrever à mão no portátil, e a primeira página que escrevi com ela está abaixo. Funcionou, nas minhas palavras, libertador. Portanto a porta com corrente de ar não foi uma fase. Sete meses depois, nas [semanas mais cheias](https://willem.com/en/2026-09-07_twenty-times-faster/) do ano, continua a ser a única coisa que funciona de forma fiável.

![Atualização, setembro de 2026: a primeira reflexão escrita à mão no portátil, com uma pequena app construída para isso num domingo à noite](https://willem.com/global/images/db66b8b51fa3.webp)

## Conclusão
Propus-me encontrar um rumo e encontrei uma porta. Não uma regra, nem uma desintoxicação, nem um sistema melhor. Um pequeno ato físico, o telemóvel na mala, que desliga a companhia constante por uma noite e devolve à cabeça o seu espaço. O que passou por essa porta foi um esboço, uma decisão sobre um sensor, e umas páginas que ainda leio.

Se a tua cabeça se sente como a minha se sentia em janeiro, experimenta uma noite com o telemóvel na mala e uma caneta na mão. Cuidado com a corrente de ar, ha!

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## Corrida de trail

*Por lama e natureza* · 2026-01-21 · https://willem.com/pt/2026-01-21_corrida-de-trail/

Juntando os meus deveres de pai ao meu amor pelos desportos de resistência, decidi aproveitar o facto de viver no campo e correr até à loja pela natureza, seguindo ribeiros e trilhos locais. É uma experiência única, talvez até goste mais disto do que de correr normalmente, deixa-me explicar.

![A testar os novos ténis Asics Trabuco 13 GTX em lama genuína de Limburg](https://willem.com/global/images/69279c3a72f1.webp)

Se tens seguido o meu blogue, talvez saibas que gosto de correr atrás do meu amigo e que [bebemos umas cervejas e assumimos o compromisso de correr a minha primeira maratona em Amesterdão](https://willem.com/en/2024-10-20_marathon/). Os desportos de resistência têm esta vertente mental que, acho eu, os torna tão interessantes e ainda mais desafiantes. Adoro isto e não surpreende ninguém perto de mim que já tenha completado 5 maratonas inteiras, com um recorde pessoal atual de 3h37m em Eindhoven 2025. 

![Cinco maratonas em 12 meses (Amesterdão '24, Valência '24, Amstelveen '25, Leiden '25, Eindhoven '25)](https://willem.com/global/images/7ea5a8eeaccb.webp)

## Trail versus estrada
Podes desvalorizar a corrida de trail porque muitas vezes é um pouco mais lenta em ritmo puro. Mas exige mais técnica e coordenação, porque tens de prestar atenção a onde pões os pés. O terreno é irregular, molhado e o percurso pode ser sinuoso e acidentado. Atravessar a natureza selvagem exige que estejas lá, no momento, ali fora. 

![Trilho pela floresta local no meu quintal ('t Ham, Hegelsom)](https://willem.com/global/images/eb595a87fb58.webp)

Embora uma corrida de estrada te possa certamente dar aquele estado de fluxo (tão amado por muitos), a corrida de trail apanha-te de outra maneira. Os pássaros, o vento, o cheiro de tudo, a forma como a luz do sol interage com arbustos, ramos e folhas. Esta magia é dinâmica, o tempo e as estações diferentes renovam as maravilhas que encontras, fazendo de cada corrida de trail uma aventura nova. 

## Conclusão
Conheces aquela sensação depois de umas boas férias, de te sentires fresco e cheio de ideias e energia? É assim que a corrida de trail me apanha. Talvez também a possas fazer perto de casa, poupando-te a bilhetes de férias caros! Recomendo-te vivamente que experimentes!

PS: Sim, cheguei à loja local, vê a foto abaixo: 

![Missão cumprida: na loja com o meu equipamento de corrida de trail](https://willem.com/global/images/8dc887fcd0a4.webp)

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## A mudança não para

*The Pathless Path, de Paul Millerd* · 2026-01-20 · https://willem.com/pt/2026-01-20_a-mudanca-nao-para/

Por sugestão de um amigo com quem troco ideias, acabei de ler o livro “The Pathless Path”, de Paul Millerd. Na minha estante mental fica mesmo ao lado de “Master of Change”, de Brad Stulberg, pela mesma razão: ambos resistem em silêncio ao impulso de nos agarrarmos ao que é seguro, familiar ou “o que se supõe”. E se saíres da escada já escrita e entrares na incerteza, de que precisas para prosperar?

![A ler “The Pathless Path”, de Paul Millerd](https://willem.com/global/images/19cb84a1c9e2.webp)

Em **The Pathless Path**, Paul conta a sua história de sair do “caminho predefinido” (emprego prestigiado, estatuto, o pacote todo) e entrar na incerteza. Chama-lhe o “caminho sem caminho”: trocar a aprovação externa por curiosidade, experiências e uma vida moldada em torno do que realmente se sente vivo, mesmo quando é confuso e pouco claro. É pessoal, reflexivo, sem soluções rápidas, mas é muito inspirador, porque te leva a olhar para o teu próprio caminho de outro ângulo. 

**Master of Change** tem uma batida semelhante, mas foca-se na competência em si. Brad fala de “flexibilidade robusta”: manter-te firme nos teus valores essenciais enquanto te dobras e evoluis à medida que a vida muda. Contrasta lutar pela velha normalidade (homeostase) com adaptar-se ativamente para encontrar um novo equilíbrio (alostase). A mudança não é o inimigo: é a arena onde o crescimento acontece, através de expectativas realistas, pequenas ações, reflexão e otimismo trágico (reconhecer as coisas difíceis sem deixar que te travem). [Lê aqui o meu artigo sobre o livro do Brad](https://willem.com/en/2025-01-18_master-of-change/). 

## Conclusão
Os dois livros partilham uma verdade: a vida muda constantemente, e resistir-lhe magoa-te mais do que fluir com ela. Um convida-te, através de uma história pessoal, a deixar a escada de carreira escrita e a construir o trabalho e a identidade em torno do que se sente verdadeiramente vivo. O outro dá ferramentas práticas. O verdadeiro trabalho não é controlar a mudança: é recebê-la com mais abertura e menos medo.

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## Leitura offline

*Exportar artigos do blogue de HTML para ePub e PDF* · 2026-01-19 · https://willem.com/pt/2026-01-19_leitura-offline/

Este ano o meu blogue faz 10 anos. O que começou como uma experiência evoluiu para mais de 170 histórias, com uma média de cerca de 60 mil visualizações de página por mês. Recentemente comecei a traduzir artigos para neerlandês, alemão e espanhol, alargando o alcance. E agora introduzo o suporte para leitura offline, disponibilizando todos os artigos para transferência em ePub e PDF.

![Lê os artigos do willem.com no teu e-reader preferido (como um Kobo ou um reMarkable)](https://willem.com/global/images/4d22a1a0de33.webp)

## Porquê offline?
Lê sem distrações em dispositivos e-ink como um Kobo ou um reMarkable, que são amigos dos teus olhos. Concentra-te nos artigos onde e quando quiseres, porque estão disponíveis em transferências que funcionam offline e sem DRM. Todos os ePubs e PDFs do willem.com contêm imagens de alta qualidade e uma bela tipografia redimensionável. Fiz aqui uma lista prática das transferências em ePub e PDF:

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## Como funciona
O site willem.com corre no sistema de gestão de conteúdos [Lemmid](https://willem.com/en/work/lemmid/), que é um gerador de sites estáticos e produz HTML otimizado, adequado a tráfego intenso e distribuição internacional. Estendi o código NodeJS para exportar automaticamente para ePub e PDF a partir de HTML simplificado. Vê abaixo excertos do código-fonte: para **ePub** uso o módulo [epub-gen](https://github.com/cyrilis/epub-gen); para **PDF** uso o [pandoc](https://pandoc.org/) e o [LaTeX](https://www.latex-project.org). Fiz um gestor de tarefas que põe em fila os trabalhos de saída por cada tradução e formato de ficheiro, repartindo a carga de cálculo no backend.

## Conclusão
As reações que recebo aos meus artigos vêm de todo o mundo e inspiram-me a continuar a escrever. Com o suporte de ePub e PDF espero alargar ainda mais o meu alcance, dando-te mais formas de ler os artigos. Boas leituras!

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## Usar um teclado mecânico

*Análise do NuPhy Air60 V2* · 2026-01-18 · https://willem.com/pt/2026-01-18_usar-um-teclado-mecanico/

Há dois meses que uso um teclado mecânico, um NuPhy Air60 com interruptores Moss (60gf). Durante muito tempo duvidei de que valesse a pena trocar o meu teclado normal, e gostava o suficiente dos teclados da Apple e da Framework para não mudar. Depois de ler muito carinho de outras pessoas, decidi experimentar eu próprio.

![iPad Pro com o teclado NuPhy Air60 V2 (em Basalt Black)](https://willem.com/global/images/987df771e243.webp)

## A experiência de escrita

Comparadas com as dos teclados normais, as teclas individuais parecem mais intencionais, sente-se e ouve-se claramente cada toque (para grande apreço de quem está na mesma sala... *“takkeherrie!”*). Podes não reparar logo, mas esta “consciência mais rica” ao escrever acrescenta uma sensação rítmica. É um pouco como tocar um instrumento musical, em que cada tipo de texto tem o seu ambiente: por exemplo, programar com ele “soa e sente-se diferente” de escrever um e-mail. Os interruptores Moss (60gf) são conhecidos por maximizar este efeito, com um retorno sonoro e tátil bem marcado.

## Conclusão
Dois meses depois, simplesmente o adoro, tornou-se o meu teclado principal e único. Uso-o em combinação com o iPad, o Vision Pro e o meu portátil Framework. Se não tens a certeza de que um teclado mecânico é para ti, só posso recomendar que experimentes: talvez te faça “clique” a ti também!

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## Olá, vídeo

*A cumprimentar-te com um sorriso!* · 2026-01-10 · https://willem.com/pt/2026-01-10_ola-video/

Olha à tua volta na web de hoje: graças a textos e imagens gerados por IA, tudo parece polido, perfeito... e um bocadinho frio. Quis quebrar o gelo com um simples sorriso. Por isso troquei a minha foto principal por algo vivo: pequenos vídeos aleatórios em que aceno, faço sinal com a cabeça, ou simplesmente estou lá. Há mais por trás disto do que aquilo que se vê, deixa-me explicar neste artigo.

## Inspiração
Como pai de dois, brinco muitas vezes com crianças, e por isso sei que, para criar novas ligações, às vezes ajuda ultrapassar barreiras (como a timidez) fazer uma careta maluca, contar uma piada ou usar um chapéu tolo. Embora o meu site seja dirigido a adultos, achei que um pouco de diversão podia ajudar a torná-lo mais acessível. 

![John Hodgman e Justin Long na premiada campanha “Get a Mac” (“I'm a Mac” e “I'm a PC”)](https://willem.com/global/images/7c7661d2f39b.webp)

Talvez te lembres da campanha publicitária da Apple com apenas dois tipos a fazer de PC (John Hodgman) e de Mac (Justin Long), que destacava as diferenças entre Macs e PCs de forma divertida. Cativaram o público com humor e personagens com as quais nos identificamos. Graças à simplicidade do formato, imaginei que o conseguia fazer funcionar no meu site, mesmo sem um orçamento de marketing como o da Apple (ha!).

![Quadros vivos em Hogwarts, de Harry Potter](https://willem.com/global/images/0fd7f53bb983.webp)

Dentro da Escola de Magia de Harry Potter há quadros que se mexem, falam e parecem ter consciência. Em vez de uma imagem estática, parecem vivos. Ao mexerem-se, transmitem uma imagem muito mais rica da pessoa retratada. Será que conseguia captar-me num quadro mágico?

## Fazê-lo
Em vez de cenas longas e totalmente escritas, decidi apostar em aparições rápidas, olhares sobre a minha vida de profissional, atleta de resistência, escritor e pai. Se os gravar num cenário sempre igual (a minha sala), posso baralhá-los e gravar curtas sazonais adicionais (por exemplo, com um gorro do Pai Natal no Natal). 

![O “Estúdio de cinema ultraprofissional”: a minha sala e o iPhone](https://willem.com/global/images/fdf3565b3b89.webp)

Com uns grampos, madeira e mobília, posicionei o meu iPhone virado para uma parede cinzenta. Como o alvo é a “moldura principal” redonda da minha página inicial, configurei a câmara para mostrar uma grelha quadrada que me desse noção de composição. No fim optei pela câmara frontal, para ver a gravação enquanto olhava para a câmara. Lembrei-me de algumas lições [das minhas aventuras de teatro amador](https://willem.com/en/2018-04-18_outside-the-comfort-zone-amateur-acting/), que dão ênfase às expressões faciais e ao poder de olhar para o público. Gravei mais de 12 minutos de imagens, que resultaram num ficheiro de vídeo de 7,3 gigabytes. 

## Levar a tecnologia ao limite
Embora pareça uma coisa simples e caprichosa, entregar vídeo de alta resolução instantaneamente numa página inicial com muito tráfego é um desafio formidável de codificação e engenharia de desempenho. Para o conseguir, inventei várias coisas:
- **fragmentos curtos em vez de vídeo longo:** cortei os 7,3 gigabytes originais em pedaços pequenos, produzindo clipes de apenas alguns segundos cada.
- **recorte em quadrado:** não há razão para carregar píxeis que não se veem; um vídeo quadrado chega para preencher a moldura redonda que tenho em mente
- **sem áudio:** com um público internacional não queria ter de falar em várias línguas, porque complicaria as coisas, por isso pude dispensar os dados de áudio sem problema
- **tons de cinza e crossfader:** todos os fragmentos começam e acabam com um tom cinzento uniforme, o que permite baralhar as imagens sem cortes visíveis, acrescentando à magia da imprevisibilidade
- **codificação agressiva:** pré-processo cada clipe com muita capacidade de cálculo para minimizar o tamanho do ficheiro, com clipes de apenas um megabyte, alguns ainda mais pequenos!
- **leitor integrado:** para minimizar o carregamento de fontes externas, criei um leitor de vídeo com suporte de aleatoriedade e agendamento, integrado diretamente no HTML da página inicial

![Em vez de um único ficheiro de vídeo grande, uso muitos clipes curtos, quadrados, cinzentos e sem áudio](https://willem.com/global/images/dff01847b9a1.webp)

![Todos os clipes começam e acabam com um crossfader cinzento uniforme que acrescento automaticamente às imagens no processamento e codificação em lote com ffmpeg](https://willem.com/global/images/283975eb3cad.webp)

![Os clipes individuais são geridos e agendados através de um sistema de backend à medida, que alimenta o leitor de vídeo integrado na página inicial](https://willem.com/global/images/4e83adc7e2de.webp)

## Porque é que isto importa
Em vez de uma interface estéril, os clipes imperfeitos e tolos mostram o elemento humano por trás da história formal. O sorriso, o aceno de cabeça, o adeus com a mão, tudo isto abre uma porta à ligação. É o “olá” perfeito.

[Video (mp4)](https://willem.com/global/video/6a6f54a30696.mp4)

O resultado final, como se vê na [minha página inicial](https://willem.com)

## Conclusão
Não precisas de um orçamento de marketing de milhões para dar um sorriso, uma coisa simples leva-te longe. Ao abraçar a imperfeição humana em pequenos clipes de vídeo, preparo o terreno para uma ligação melhor do que uma foto perfeita consegue dar.

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## Sites em piloto automático

*Conteúdo sempre atualizado com agendamento, feeds e IA* · 2026-01-07 · https://willem.com/pt/2026-01-07_sites-em-piloto-automatico/

Porque é que precisas de um site e o que podes fazer para maximizar o seu valor, minimizando o esforço (manual)? Tenho trabalhado nisto com alguns dos meus clientes mais inovadores. E se já não precisasses de um sistema de gestão de conteúdos manual completo? E se o teu site se atualizasse sozinho, enquanto te concentrasses no que importa?

## O problema dos sites
Arranjar um site giro é fácil, mas mantê-lo atualizado dá trabalho. Tens de publicar conteúdo novo e remover o antigo. Talvez estejas no Instagram, LinkedIn, TikTok ou Facebook, mas te esqueças de publicar a informação mais recente no teu site? Se o teu site não está atualizado ou não tem toda a informação, perde relevância e pode confundir as pessoas com conteúdo errado ou desatualizado.

## Porque é que (ainda) precisas de um site
Podes ter um pedacinho da Internet onde tens toda a autoridade, uma montra digital, uma presença. É o teu espaço e és tu que decides que informação se mostra. Ao contrário do Instagram, do Facebook ou do YouTube, só se mostra conteúdo sobre ti e as pessoas não se distraem com outro conteúdo ou anúncios. Podes fazer dele um lugar de confiança sobre ti, onde toda a informação está reunida e ligada.

## Ajudar-te com atualizações automáticas
Manter o teu site atualizado pode parecer muito trabalho, quando publicar algo no Instagram, no Facebook ou no LinkedIn é fácil, mas não tem de ser assim. Em vez de exigir muito esforço manual, faço sites que se atualizam sozinhos através de:

- **agendamento:** faz o conteúdo aparecer ou desaparecer automaticamente num dado momento. Se acrescentares algo ao teu site, podes definir uma “data de expiração”, poupando-te o esforço de o remover à mão.
- **feeds:** se és ativo no Instagram, no Facebook ou noutras redes sociais, podes ter as tuas publicações também no teu site. Combina e agrega diferentes fontes de informação e publica-as automaticamente no teu site, sem anúncios nem conteúdo distrativo de outros.
- **IA:** resume, traduz e reorienta automaticamente conteúdo de várias fontes para ficar adequado à publicação no teu site. 

![Mostrar e esconder conteúdo automaticamente mantém a agenda do clube atualizada em escape.nl](https://willem.com/global/images/4f52c172bd39.webp)

![Agregar conteúdo de várias fontes em widgets interativos em gpcardio.org](https://willem.com/global/images/8eb9f80d7b4a.webp)

![Republicação de publicações do Instagram para vender bilhetes sem sair do site, em dekroon.nl](https://willem.com/global/images/59abed0fe355.webp)

## Conclusão
Fica com o teu lugar na Internet sem desperdiçar tempo e energia numa gestão de conteúdos manual e trabalhosa como a do WordPress. Põe o teu site a trabalhar para ti, para fazeres as coisas que fazem o teu negócio avançar.

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## O futuro da IA é humano

*Sobre fadas e Gin-Tonic com mirtilos* · 2025-09-24 · https://willem.com/pt/2025-09-24_o-futuro-da-ia-e-humano/

A IA tem-me feito pensar ultimamente: porque é que alguém ainda quereria trabalhar? Talvez a IA imperfeita de hoje ainda não esteja pronta, mas imagina que toda a gente tem acesso a uma inteligência quase perfeita, capaz de resolver problemas difíceis e responder até às tuas perguntas mais disparatadas. Junta-lhe a robótica e ficaremos a perguntar-nos o que fazer a seguir. Umas fadas e um Gin-Tonic apontaram-me uma possível resposta.

Muitos empregos já são tocados pela IA hoje, sei que muita gente usa os grandes modelos de linguagem para gerar e processar textos, documentos e coisas de empresa. Às vezes os textos de IA são tão óbvios que me pergunto se alguém liga. Se os textos gerados por uma IA são lidos e processados por outra IA, qual é afinal o sentido do texto? 

## **Fadas**

No mundo das maravilhas, o [Efteling](https://www.efteling.com), posso ter encontrado a primeira pista para descobrir o sentido da ~~vida~~ do trabalho numa era de IA, quando conheci umas fadas com a minha filha pequena. É fácil desvalorizar como raparigas de cosplay, mas assisti a uma interação verdadeiramente significativa, algo puro e autêntico. A minha menina conheceu fadas _a sério_ e fez coisas de fadas _a sério_. Estas raparigas não estavam a representar à superfície, mantiveram a magia mesmo quando o turno acabou. Até eu senti o poder delas quando se despediram com beijinhos na mão e piscadelas de olho. 

![A conhecer fadas no Efteling com a minha menina](https://willem.com/global/images/31d9dea5b89a.webp)

Penso que o poder destas fadas não estava na representação, mas no facto de as raparigas se importarem genuinamente com a minha filha e a sua imaginação. A atenção verdadeira de outra pessoa é algo especial, valioso e difícil de replicar com um computador. Sei que a tecnologia moderna consegue simular coisas, mas acredito que o que é real se destaca por falar ao nosso subconsciente: humanos a procurar humanos.

## **Gin-Tonic com mirtilos**

Pelo aniversário da minha mulher levei-a às compras. Em vez de passear sem entusiasmo por lojas de retalho todas iguais, marquei hora com a [Ellie](https://www.instagram.com/kuif_conceptstore/) da [KUIF](https://www.kuifwebshop.nl/), em Venlo, que preparou uma seleção de roupa e acessórios. Ela conhece um pouco a minha mulher, porque os nossos filhos andam na mesma escola, e por isso conseguiu escolher peças que só outra mulher entenderia. Na loja dela vi como a atenção ao detalhe e o bom gosto fazem toda a diferença, mesmo que isso significasse recomendar _não_ comprar certas peças. A atenção dela não se limitou à minha mulher, e eu também pude desfrutar de um Gin-Tonic com mirtilos, hum, que bom. 

![Gin-Tonic com mirtilos na KUIF Venlo durante as compras de roupa](https://willem.com/global/images/2c6ab41d99ab.webp)

A experiência de compras foi fantástica, não pelas bebidas nem pelas peças escolhidas, mas porque alguém se importou a sério com o modo como a roupa _se sentia_ na minha mulher. O poder da empatia é verdadeiramente humano e muito difícil de substituir por um computador. Conseguimos fazer algoritmos de recomendação estelares, mas eles não percebem pela tua cara como te sentes com um certo vestido. Só os humanos o conseguem, porque nos conseguimos mesmo relacionar uns com os outros.

## **Conclusão**

Pensa no que a IA não consegue captar e concentra a tua energia nisso. Porque é que as pessoas gostam de tocar “Stairway to Heaven” à guitarra, quando se podem pôr gravações quase perfeitas? Porque sentimos, apreciamos, imaginamos e partilhamos essas coisas com os outros. Espero que o futuro de um mundo com IA seja um em que os humanos se possam encontrar uns aos outros, continuando a ser o que sempre fomos: humanos.

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## Omarchy num iMac

*Dar vida nova a um computador velho com Linux* · 2025-09-22 · https://willem.com/pt/2025-09-22_omarchy-num-imac/

Depois de ajudar um familiar a migrar para um computador novo, fiquei com um iMac velho. A máquina de 2017 estava muito lenta com o macOS moderno, mas tenho um fraquinho por estes computadores tudo-em-um desenhados por Jony Ive e pela sua equipa. Será que consigo instalar-lhe Linux para lhe dar uma segunda vida?

## **iMac**

Provavelmente um dos computadores mais importantes que a Apple alguma vez construiu é o iMac, cujo original foi crucial no esforço de Steve Jobs para salvar a Apple da falência. Gosto do aspeto dele e de como o design dispensa uma caixa ou torre separada. Isto poupa-te muitos cabos de que os PCs de secretária originais precisam (como os fios que ligam o monitor e as colunas).

![A migrar para um iMac novo](https://willem.com/global/images/a6d3fa3183d0.webp)

Com o Assistente de Migração do macOS ajudei o meu familiar a passar os ficheiros e as apps para um computador novo. O iMac antigo dele tinha ficado muito lento com o macOS. As versões mais recentes do macOS já não correm nesta máquina de 2017, porque a Apple deixou de a suportar. Odeio a obsolescência programada e ofereci-me para descobrir se conseguia dar um novo propósito a esta máquina. 

Related posts:
- [Lições de um saco de plástico de comida para levar](https://willem.com/pt/2018-01-08_licoes-de-um-saco-de-plastico-de-comida-para-levar/)

Olha, não sou nenhum santo no que toca ao ambiente. Já [conduzi carros de corrida](https://willem.com/en/2017-05-31_beast-of-the-green-hell/) e [voei de avião por diversão e para almoçar](https://willem.com/en/2018-05-09_lunch-by-plane/), mas _importo-me_ com deitar fora coisas boas pelas razões erradas. No passado usei os meus conhecimentos de Linux para dar vida nova a hardware velho, como nestes dois artigos anteriores:

Related posts:
- [Trabalhar offline primeiro](https://willem.com/pt/2023-05-01_trabalhar-offline-primeiro/)
- [Ajudar pessoas com software livre](https://willem.com/pt/2018-07-20_ajudar-pessoas-com-software-livre/)

O iMac antigo é um modelo de 21 polegadas de 2017, com um processador Intel i5, 8GB de RAM e um disco rígido de 1TB. É certo que esta máquina não bate recordes de velocidade, mas tem bom aspeto e é quase completamente silenciosa. O ecrã tem cores ótimas e a caixa de vidro e alumínio dá espaço de sobra para portas. Tem USB-C/Thunderbolt, USB-A, ethernet gigabit, uma ficha de auscultadores e um leitor de cartões SD. 

Ao longo dos anos já vi a minha dose de iMacs e sei que abri-los é possível, mas não sem risco. Por simplicidade decidi deixar o hardware como está e procurar a segunda vida no software. Atualizar a memória ou instalar um SSD pode valer a pena; vê estes artigos e julga por ti:

Related posts:
- [Atualizar um iMac 5K de 27 polegadas para 14 terabytes](https://willem.com/pt/2020-07-30_atualizar-um-imac-5k-de-27-polegadas-para-14-terabytes/)
- [Resgatar fotografias de um iMac avariado](https://willem.com/pt/2020-10-15_resgatar-fotografias-de-um-imac-avariado/)

Embalei o iMac e levei-o comigo de comboio. Devias ter visto a cara dos meus companheiros de viagem, agarrados aos ecrãs minúsculos, quando me sentei com um de 21 polegadas. Os comboios neerlandeses têm tomadas de 230V, mas decidi manter um certo perfil discreto. Em vez disso comi uma maçã enquanto a outra Apple ia guardada num saco. 

![À espera do comboio na plataforma, com uma Apple num saco...](https://willem.com/global/images/f8086629ca41.webp)

![... enquanto como uma maçã!](https://willem.com/global/images/51c918f758cc.webp)

## **Omarchy Linux**

De volta a casa liguei o iMac para ver se tinha sobrevivido à aventura no comboio e comecei a transferir o [Omarchy](https://omarchy.org/) para uma pen USB. Baseado no [Arch Linux](https://archlinux.org/), David Heinemeier Hansson, ou [DHH](https://dhh.dk/), criou o Omarchy para ser uma distribuição de Linux bonita e moderna. O que o torna único é o ambiente geral de [Omakase](https://en.wikipedia.org/wiki/Omakase), japonês para “escolha do chef”. Isto significa que já foi posto no sistema muito esforço (e bom gosto), para que não tenhas de descobrir tudo sozinho. Tem opiniões fortes e talvez não gostes de todas as predefinições, mas é bastante bom logo de início e a instalação é _muito_ rápida e quase não precisa de intervenção manual. 

![A usar o balena Etcher para criar uma pen USB de arranque para instalar o Omarchy](https://willem.com/global/images/a1ac9cf9423f.webp)

![Não te deixes enganar pelo logótipo retro e bem-humorado: o Omarchy é uma variante de Linux de ponta, com todas as ferramentas modernas de que precisas](https://willem.com/global/images/c6249f9e1912.webp)

![O instalador faz a sua magia quase totalmente sozinho](https://willem.com/global/images/a50377ede64f.webp)

![O instalador do Omarchy é rápido: o sistema operativo inteiro, com todos os visuais e ferramentas pré-selecionados, demorou apenas 6m 19s no iMac velho de 2017](https://willem.com/global/images/2febe2ecf976.webp)

Depois da instalação estás mesmo pronto a arrancar: a máquina iniciou e recebeu-me com o lindo ambiente de trabalho do tema Tokyo Night predefinido, com cores parecidas com as do [papel de parede original do OS X Leopard](https://duckduckgo.com/?origin=funnel_home_google&t=h_&q=osx+leopard+wallpaper&ia=images&iax=images). Vale a pena ver o [site oficial](https://omarchy.org) e o [manual](https://learn.omacom.io/2/the-omarchy-manual) para saberes mais. Se preferires vídeos, podes ver o [canal de YouTube do DHH](https://www.youtube.com/@dhh37), onde ele faz demonstrações de muitas funções do Omarchy. 

![O Omarchy a apresentar-se ao serviço após o primeiro arranque: o tema Tokyo Night com ótimo aspeto por predefinição](https://willem.com/global/images/77d02357734b.webp)

Fiquei logo surpreendido com a falta de latência. Tudo parece incrivelmente rápido. Talvez seja por causa do gestor de janelas [Hyprland](https://hypr.land/) ou talvez da ligação do teclado por cabo. Não sei, mas o Omarchy parece rápido, a sério. Deixou-me de boca aberta: se esta máquina velha se sente tão bem, então o que raio andam a fazer as minhas máquinas modernas com todo o seu poder!?

![Quando dei por mim, já estava a usar o Omarchy para trabalhar. É poderoso mesmo acabado de tirar da caixa](https://willem.com/global/images/3ef0f2098a0e.webp)

## **Experimentar e aprender**

Pelo simples motivo de ser divertido de usar, tenciono continuar a usar o meu iMac com Omarchy para fazer o meu trabalho de programador de apps web. Uma coisa de que gosto é de as apps web serem tratadas como cidadãs de primeira classe, a correr e a ter tão bom aspeto como qualquer outra app. Para o meu trabalho isto é ótimo, porque valoriza as minhas próprias ferramentas como o [Lemmid](https://willem.com/en/work/lemmid/), sem ter de fazer loucuras como [criar wrappers nativos](https://apps.apple.com/us/app/lemmid-online-toolbox/id1327213822)...

![O meu trabalho de desenvolvimento web no Omarchy, onde as minhas ferramentas (em baixo à direita) correm na perfeição ao lado de outras apps como o Chromium e o terminal](https://willem.com/global/images/0d4e9ad781c2.webp)

## **Conclusão**

O iMac volta a brilhar com o Omarchy Linux e gosto mesmo de trabalhar nele. Se tens um computador velho, devias experimentar também. Não me surpreenderia se continuasse a ganhar popularidade. Aqui estamos todos entre amigos e, quando o [CEO](https://www.linkedin.com/in/nrpframework) da [Framework computer](https://willem.com/en/2025-02-10_better-laptop/) também [dá a sua opinião](https://x.com/dhh/status/1965477045791850739), é impossível não ficar otimista quanto ao futuro dos computadores!

![Este artigo foi publicado neste mesmo iMac com Omarchy Linux](https://willem.com/global/images/e388804fc406.webp)

![Na captura de ecrã: o explorador de ficheiros Nautilus, o editor de texto Mousepad e o sistema de gestão de conteúdos Lemmid a funcionar em conjunto no Omarchy](https://willem.com/global/images/af726e29ea69.webp)

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## Auscultare, leitor de podcasts e audiolivros

*Criar uma app Android nativa que se lembra de onde ficaste* · 2025-08-29 · https://willem.com/pt/2025-08-29_auscultare-leitor-de-podcasts-e-audiolivros/

Ouve sem distrações ficheiros de áudio longos, como podcasts e audiolivros, com esta app que fiz. Farto de apps sobrecarregadas, cheias de anúncios, subscrições ou “sugestões”, queria uma app que não me atrapalhasse, que faz só uma coisa e a faz muito bem. Esta é a Auscultare.

“Auscultare” é latim para escutar (com atenção) e é uma app Android que fiz, que reproduz ficheiros MP3 e se lembra de onde ficaste e de quantas vezes reproduziste um ficheiro. É ótima para ouvir áudio longo, como podcasts ou audiolivros. O registo do progresso ajuda-te a dividir entrevistas longas e profundas, como o podcast de [Lex Fridman](https://lexfridman.com/podcast/) ou o [Deep Questions de Cal Newport](https://www.thedeeplife.com/listen/). O contador de reproduções ajuda-te a rodar podcasts de música, como o [Clublife de Tiësto](https://shows.acast.com/clublife-by-tiesto), para não ouvires exatamente a mesma coisa quando treinas no ginásio ou sais para correr.

![Auscultare: o leitor de podcasts e audiolivros que regista o progresso e o número de reproduções, com um design minimalista claro e escuro e integração perfeita com o Android (como controlos de reprodução no ecrã de bloqueio e suporte para auscultadores Bluetooth e transmissão de áudio)](https://willem.com/global/images/eda8d0ee437a.webp)

## **Desenvolvimento Android premium x filosofia Unix**
Embora existam imensas apps que reproduzem áudio, senti que nenhuma cumpria _todos_ estes requisitos:
- **simples, clara e compacta**: o programa faz uma coisa bem feita, sem funções a mais
- **composição**: usa a app com ficheiros de fontes diferentes e reproduz em várias saídas, como auscultadores Bluetooth ou colunas com controlos próprios
- **design minimalista**: usar o mínimo de design possível e controlos e conceitos de interface que as pessoas já conhecem. Usar o mínimo de texto possível para que a língua não seja uma barreira.
- **integração nativa premium**: a app tem de ser e parecer parte do próprio Android. A única forma de o fazer _bem_ é usar as mesmas ferramentas e o mesmo código que a Google usa. Sente-se o desempenho excecional da app, o aspeto elegante e nítido, e tens integração de primeira classe e a melhor autonomia de bateria.
- **livre**: podes não ligar ao código aberto, mas as apps livres tendem a respeitar mais os seus utilizadores, porque são criadas por pessoas para servir pessoas, não empresas. Ganhar dinheiro com software não é necessariamente mau, mas a fome crescente de mais dinheiro impulsiona o desenvolvimento de “funções” que te enganam, empurram ou forçam a gastar mais tempo ou dinheiro. Ao oferecer o código-fonte com a app, dou a prova de que não tenho uma agenda escondida.

![Fazer a app que eu quero com o Android Studio e Kotlin](https://willem.com/global/images/db110f1f62c6.webp)

## **Transfere a app e o código**
Podes transferir a app e o respetivo código-fonte através das seguintes ligações: 
- [Google Play: Auscultare](https://play.google.com/store/apps/details?id=com.dsd164.auscultare)
- Código-fonte (GPLv3): https://source.willem.com/auscultare/

Se quiseres apoiar o desenvolvimento, considera transferir a versão da app da Google Play, pela qual cobro um pequeno valor. Ou usa o botão “paga-me um café” no fundo desta página para fazer um pequeno donativo. Em alternativa, podes transferir o código e compilar a app tu próprio.

![Auscultare: feita com carinho para não te atrapalhar, para teres mais tempo para outras coisas, como ir correr!](https://willem.com/global/images/72e3d4a11b53.webp)

## **Conclusão**
Sabendo o que queria e sem vontade de ceder, usei ferramentas modernas para criar uma app Android de podcasts e audiolivros. Ao publicá-la, deixo que outros também a possam usar. Boas audições!

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## App de biblioteca de fotos para Android

*Todas as tuas fotos no bolso com a Aves Gallery* · 2025-08-19 · https://willem.com/pt/2025-08-19_app-de-biblioteca-de-fotos-para-android/

Na Europa as férias de verão estão a chegar ao fim e, se és como muitos pais jovens, provavelmente tiraste uma carrada de fotos e vídeos novos. Não são só ficheiros, são como janelas para as nossas memórias pessoais. Este artigo é sobre uma app Android que podes usar para ver todas as tuas memórias, diretamente do bolso, sem nuvem nem subscrição.

Talvez seja por ficar um pouco mais velho, mas tenho dado cada vez mais importância ao que é _bom_. Coisas como durabilidade, respeito pelos outros, saúde e liberdade são hoje mais importantes para mim do que nunca. Não guardo rancor a nenhuma empresa, mas não gosto da tendência moderna de precisar de uma subscrição para tudo. As ferramentas que uso e as coisas que faço refletem isso, como nestes artigos anteriores sobre o meu portátil e o meu smartphone:

Related posts:
- [Smartphone duradouro](https://willem.com/pt/2025-03-05_smartphone-duradouro/)
- [Um portátil melhor](https://willem.com/pt/2025-02-10_um-portatil-melhor/)

## **Vitaminas para a mente**

Embora tivesse [as minhas razões de velho rabugento](https://willem.com/en/2020-08-31_free-from-the-icloud-escaping-apple-photos/) para deixar o iCloud Photos, há uma coisa que acho que a Apple percebe bem: a importância das fotos e dos vídeos para o nosso bem-estar. Numa [entrevista](https://www.youtube.com/watch?v=DKpQB9kNeQE) no YouTube, a Dra. Sumbul Desai (vice-presidente de saúde da Apple) fala da importância das fotos a par da monitorização cardíaca e da deteção de quedas. As memórias de quem amamos podem fazer-nos sentir bem. A Apple integra esta visão nos seus produtos com funções como “neste dia” e o mostrador de relógio com fotos, que mostra automaticamente memórias diferentes. Ter acesso fácil às tuas fotos e vídeos ajuda-te a refletir e pode ser o antídoto perfeito para outras coisas que causam ansiedade ou stress. 

![A Apple leva a saúde e as fotos a sério (Dra. Sumbul Desai)](https://willem.com/global/images/6cf4b61f3f39.webp)

## **Aves Gallery**
As apps de galeria de fotos normais funcionam bem com coleções pequenas, mas se és como eu e queres levar contigo toda a tua coleção de fotos e vídeos, ficam muitas vezes aquém dos serviços na nuvem e por subscrição, como o Apple iCloud Photos ou o Google Photos. Falo de coisas básicas, como conseguir lidar com grandes quantidades de ficheiros, e de funções mais avançadas, como usar metadados para encontrar certas fotos. Depois de experimentar várias apps, achei a Aves Gallery ([Google Play](https://play.google.com/store/apps/details?id=deckers.thibault.aves), [F-Droid](https://f-droid.org/packages/deckers.thibault.aves.libre/), [Github](https://github.com/deckerst/aves)) mesmo muito boa. É uma app livre, publicada sob licença BSD3, criada por Thibault Deckers. Gosto dela porque:
- **Suporte de gestos**: passas as fotos com os dedos, tal como no Apple Photos ou no Google Photos. Funciona de forma rápida e fluida e, ao contrário de muitas outras galerias Android, de forma contínua e multidirecional. Há também gestos para voltar à vista geral (deslizar para baixo na vista de detalhe), zoom com dois dedos e um toque simples para mostrar/esconder informação em texto de qualquer foto.
- **Deslocação**: a maioria das galerias permite deslocar o conteúdo, mas com a Aves tens uma barra de deslocação extra poderosa que te permite avançar depressa _e_ com precisão. 
- **Pesquisa e filtros**: a Aves indexa os metadados das tuas fotos e permite pesquisas e filtros avançados por cidade, estado ou país. Também podes filtrar por data, tipo de multimédia ou uma combinação destes.
- **Personalização**: podes definir os botões do menu principal, os botões da barra de separadores, as cores e os botões de ação das fotos para combinarem com o teu estilo de navegação. Podes mudar o aspeto da vista geral alterando o tamanho das miniaturas, a dimensão (quadrados versus retângulos) e a ordenação. 

![A Aves em ação, com a poderosa barra de deslocação que permite avançar de forma rápida e precisa](https://willem.com/global/images/f46444879aad.webp)

![Assim, se te lembrares da data do teu casamento (..), voltas a esse dia exato com um simples toque](https://willem.com/global/images/244c3f0a8e94.webp)

![Tal como no Apple Photos, podes pesquisar por localização, por exemplo voltar a Valência, onde corri uma maratona com o meu amigo Niels](https://willem.com/global/images/4e25a082971e.webp)

## **Sincronizar fotos**
As fotos novas que tiras aparecem automaticamente na app Aves Gallery. Podes definir o Android para usar a Aves como visualizador e seletor de multimédia predefinido. Se neste momento usas um serviço de fotos na nuvem, talvez precises primeiro de retomar o controlo das tuas fotos. Eu fi-lo em 2020 e escrevi o seguinte artigo sobre isso:

Related posts:
- [Livre do iCloud: fugir do Apple Photos](https://willem.com/pt/2020-08-31_livre-do-icloud-fugir-do-apple-photos/)

Nesse artigo descrevo a app que uso no portátil, o [Shotwell](https://wiki.gnome.org/Apps/Shotwell), e os passos que dei para gerir a minha própria biblioteca de fotos. Podes usar rsync, [Syncopoli](https://f-droid.org/packages/org.amoradi.syncopoli/) ou [Syncthing](https://syncthing.net) para montar uma sincronização automática entre o teu smartphone e outros dispositivos.

![Sincronizar fotos entre o portátil e os smartphones: o Shotwell e a app Aves Gallery a trabalhar em conjunto](https://willem.com/global/images/21592d0d311e.webp)

## **Conclusão**
Não trates as tuas fotos e vídeos como meros ficheiros. Com a app certa, podem mesmo trazer-te pedacinhos de alegria. Com a app de galeria Aves essa alegria não exige subscrição nem nuvem, e é totalmente livre!

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## Willemstagram

*Painel de fotos 3D em flip-flap que mostra histórias* · 2025-08-11 · https://willem.com/pt/2025-08-11_willemstagram/

Na semana passada estive com um cliente a ver a nova página inicial do willem.com, onde uso uma narrativa para contar o que faço. Este cliente é um dos pensadores criativos e visionários mais brilhantes que conheço, e mesmo assim o meu texto parecia não lhe dizer nada. Ao pensar nisto, lembrei-me de uma lição importante de psicologia da universidade: eu precisava de algo diferente, algo não linear. Este artigo é sobre dar um murro visual!

## **Pensamento do hemisfério esquerdo versus direito**
Uma das coisas fixes na [minha formação](https://willem.com/en/about-me/education-certifications/) na Universidade de Amesterdão era termos aulas de várias faculdades, o que formava uma mistura interessante de ciência interdisciplinar. Um livro clássico que discutimos foi “[Mintzberg on Management](https://www.google.com/search?q=mintzberg+on+management+book)”, em que o autor explica porque é que pessoas diferentes preferem coisas diferentes, a dicotomia clássica que muitas vezes se simplifica como pensadores do hemisfério esquerdo versus direito:

- **O pensador linear (o hemisfério esquerdo)**: este é o estado natural de quem aprecia uma narrativa lógica que vai de A para B e para C. Pessoas típicas assim são contadores de histórias, arquitetos e programadores.
- **O pensador não linear (o hemisfério direito)**: este é o estado de quem não segue uma linha reta. Estas pessoas procuram impressões, ambientes e sensações emocionais. Pessoas típicas assim são os criativos, incluindo artistas e pensadores visionários.

A minha nova página inicial do willem.com funcionava bem para pensadores lineares como eu, porque a narrativa em texto serve o hemisfério esquerdo. Mas o meu design falhava para quem funciona melhor com impressões não lineares, cheias de ambiente. Eu precisava de algo que mostrasse os muitos elementos visuais de forma rica e dinâmica, viva e com uma boa dose de diversão interativa.

## **Painel Solari**
Há muitos anos conheci a minha mulher na Estação Central de Utrecht, mesmo debaixo do gigantesco painel de informação de partidas. O icónico painel azul de 7x4,20M, com cerca de 3000 quilos, tinha painéis mecânicos que faziam flip-flap e produziam um som inconfundível, que se ouvia mais ou menos de minuto a minuto no átrio central da estação. Este tipo de sinalética chama-se muitas vezes “painel Solari”, em honra da [Solari di Udine](https://en.wikipedia.org/wiki/Split-flap_display), a empresa italiana que produzia estes ícones. Hoje a estação de Utrecht tem ecrãs digitais, mas, se quiseres, ainda o podes ver no [Het Spoorwegmuseum](https://www.spoorwegmuseum.nl/). 

![O grande painel mecânico azul de partidas da Estação Central de Utrecht (foto: cc/maurits90)](https://willem.com/global/images/334ea770c6c7.webp)

Como apreciador de metáforas (dica de livro: [Metaphors we live by](https://duckduckgo.com/?t=ftsa&q=metaphors+we+live+by+book)), pensei que o painel Solari, com o seu “flip-flap”, seria uma forma deliciosa de deixar os visitantes do willem.com “partir” para vários “destinos” (as histórias) do site. Em vez de texto, escolhi de propósito usar as fotos e os elementos visuais dos artigos como portas de entrada para a secção de [reflexões](https://willem.com/en/insights/) do willem.com. Ao revelar destinos novos ao acaso, é perfeitamente não linear, e ao torná-lo interativo (com clique e toque) fica mais envolvente do que texto simples. Cada destino abre um “bilhete” que explica um pouco aquilo que estás a ver. Se gostares do que vês, podes carregar no botão grande para abrir a história mesmo na posição da imagem, que pode ser a meio de um artigo. As histórias abrem em novas janelas do navegador, para poderes voltar à “estação” e encontrar um novo destino.

![Esboço do conceito do Diário Visual: imagens em flip-flap com ligação direta a páginas do willem.com, como um painel Solari mecânico](https://willem.com/global/images/c32ce6e2d76f.webp)

## **Implementação: ThreeJS e API de imagens à medida**

Já antes tinha experimentado o motor gráfico 3D ThreeJS para visualizar dados de treino. É uma biblioteca que usa o elemento `canvas` do standard HTML5 para produzir gráficos gerados com computação espacial, uma forma elegante de dizer que permite desenhar coisas em três dimensões (x, y, z) em vez de duas, daí o nome. Oferece controlos de câmara, luz e nevoeiro e foi pensada para animações baseadas em posição e rotação simuladas. É muito fixe para brincar e bastante capaz. Vê estes dois artigos anteriores sobre as minhas experiências com ThreeJS:

Related posts:
- [Dados de treino em 3D](https://willem.com/pt/2025-03-10_dados-de-treino-em-3d/)
- [Vibe Coding](https://willem.com/pt/2025-04-15_vibe-coding/)

O minimalista que há em mim ponderou por instantes usar animações, transformações e transições CSS. Mas percebi que a perspetiva realista, em que os painéis mais afastados rodam de forma mais inclinada, e a aleatoriedade na escolha de novos elementos visuais me obrigariam a usar JavaScript de qualquer modo. Para tirar o máximo partido, quis integrá-lo mesmo na minha página inicial. Mas carregar um motor 3D completo não é coisa para levar de ânimo leve. Para minimizar o efeito no tempo de carregamento da página inicial, desenhei a coisa com cuidado para carregar de forma assíncrona e ser totalmente opcional (para quem tem o JS desativado). 

![O Diário Visual, apelidado de “Willemstagram”, em ação](https://willem.com/global/images/8a20e248d096.webp)

Para alimentar o “Diário Visual”, desenhei uma API à medida que serve imagens muito otimizadas, redimensionadas para 400x400px. Cada imagem tem um título localizado e uma ligação direta com uma âncora de hashtag (slug), que permite mergulhar nas histórias. Conto com a [minha própria plataforma lemmid](https://willem.com/en/work/lemmid/) para me dar a infraestrutura necessária para isto. Em segundo plano, um serviço `NodeJS` otimizado gera as imagens com `imagemagick`, `jpegoptim` e `pngquant`. Podes ver a API tu mesmo em https://willem.com/en/images.json, que devolve um array JSON como este:

```
[
  {
    "url": "/en/2020-07-30_upgrading-a-27-inch-imac-5k-to-14-terabytes/i_15_An-average-fly-is-bigger-than-most-screws-inside-the-iMac_400x400px.jpg",
    "title": "An average fly is bigger than most screws inside the iMac",
    "target": "/en/2020-07-30_upgrading-a-27-inch-imac-5k-to-14-terabytes/#an-average-fly-is-bigger-than-most-screws-inside-the-imac"
  },
  {
    "url": "/en/2019-06-25_assembling-a-cargo-bike/i_11_Using-filler-plates-to-make-up-for-Chinese-Precision_400x400px.jpg",
    "title": "Using filler plates to make up for Chinese Precision",
    "target": "/en/2019-06-25_assembling-a-cargo-bike/#using-filler-plates-to-make-up-for-chinese-precision"
  },
  {
    "url": "/en/2021-01-14_abandoning-my-own-tablet-os/i_05_You-know-you-re-digital-pen-is-lacking-trust-if-you-grab-for-old-fashioned-pencil-and-paper_400x400px.jpg",
    "title": "You know you're digital pen is lacking trust if you grab for old fashioned pencil and paper...",
    "target": "/en/2021-01-14_abandoning-my-own-tablet-os/#you-know-you-re-digital-pen-is-lacking-trust-if-you-grab-for-old-fashioned-pencil-and-paper"
  },
  ...
]
```

Para evitar que a coisa seja apenas um gerador aleatório de ligações, pus de propósito um pequeno popup que aparece quando tocas ou clicas em qualquer imagem. Uso as legendas das imagens que o meu [gestor de conteúdos lemmid](https://willem.com/en/work/lemmid/) mantém para revelar um pouco de informação, que te ajuda a decidir se vale a pena abrir a história. 

![O popup permite-te decidir entre mergulhar na história ou continuar a explorar outras imagens](https://willem.com/global/images/837bfdd7ff30.webp)

## **Publicar o código-fonte (AGPL)**

Embora esteja muito contente com o funcionamento do Diário Visual no meu site, [acredito mesmo em partilhar](https://willem.com/en/open-source/). É provável que tenhas uma ideia ainda melhor para um flip-flap à Solari. Por isso publico a coisa toda como software livre sob a GNU Affero General Public License (AGPL). Isso significa que a podes usar, modificar e distribuir tu mesmo. Encontras o código-fonte, o readme e ficheiros de exemplo em https://source.willem.com/visual-journal/

## **Conclusão**

A julgar pela curiosidade que desperta nos meus filhos, estou muito contente com o diário visual, a que chamei a brincar Willemstagram. Mas, ao contrário do Instagram da Meta, este serve apenas imagens para contar _as minhas_ histórias, e o código-fonte é livre. Podes vê-lo na página inicial ou carregando no botão em baixo. Que destino vais escolher?

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[Video (mp4)](https://willem.com/global/video/179d4e3b4ce0.mp4)

*Isto foi escrito à mão. Numa era de texto gerado por IA, esta é a minha forma simples de mostrar o pensamento e o esforço humanos por trás destas palavras. Para quem tiver curiosidade, o manuscrito original (em inglês) está disponível para transferência.* 

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## Rumo à Soberania Digital

*Transformar a minha experiência na tua vantagem* · 2025-08-02 · https://willem.com/pt/2025-08-02_rumo-a-soberania-digital/

Ao longo dos anos experimentei diferentes ferramentas digitais, plataformas e apps para fazer o meu trabalho. Desde sistemas comerciais fáceis de usar mas fechados, até soluções livres que são poderosas mas mais difíceis de configurar. Aprendi muito pelo caminho. Agora ofereço essa experiência a outros; continua a ler para saberes como podes beneficiar.

## **O que é a soberania digital?**

É uma ideia simples. Deves ser tu a controlar o teu mundo digital, e não o contrário. Significa que as tuas ferramentas, os teus dados e o teu fluxo de trabalho devem servir-te a ti. Isto obriga-nos a fazer uma pergunta simples mas importante: **as tuas ferramentas trabalham para ti, ou és tu que trabalhas para elas?**

## **A auditoria: o que faço**

O processo para lá chegar começa com uma conversa simples. Oiço os teus objetivos e frustrações. Depois, mapeio toda a tua configuração digital: os teus computadores, o teu software, os teus serviços na nuvem e a forma como os teus dados circulam entre eles. Em resumo:

1.  **Entrevista a fundo:** Começamos com uma conversa de 90 minutos em que oiço os teus objetivos, as tuas frustrações e a forma como trabalhas atualmente.
2.  **Mapeamento do sistema:** Analiso todo o teu ecossistema digital: hardware, software, serviços na nuvem, armazenamento de dados e canais de comunicação.
3.  **Relatório com ações concretas:** Entrego um relatório escrito e conciso que identifica os teus maiores problemas e dá um roteiro claro, passo a passo, para um sistema mais soberano e eficiente.

![É assim que começa: uma página real dos meus apontamentos pessoais, a mapear a complexidade para encontrar um caminho simples](https://willem.com/global/images/91af73aa0c88.webp)

## **O resultado: o que recebes**

O resultado é um plano escrito e claro. É um guia passo a passo para te ajudar a simplificar o teu trabalho, proteger os teus dados e libertar-te de ferramentas caras que te prendem. Os principais resultados que recebes são:

  * **Um roteiro personalizado:** Uma lista clara e priorizada de ações para simplificar o teu fluxo de trabalho e reduzir dependências.
  * **Recomendações estratégicas de ferramentas:** Sugestões concretas de software de código aberto e respeitador da privacidade para substituir ferramentas ineficientes ou dispendiosas.
  * **Estratégia de libertação de dados:** Um plano prático para tirar os teus dados mais importantes de silos e levá-los para um sistema que controlas.
  * **Ganhos de automatização e eficiência:** Identificação das áreas-chave em que uma automatização simples te pode poupar horas de trabalho manual por semana.

## **A quem se destina**

Isto é para o criador, o fundador, o profissional independente que sente que passa mais tempo a gerir as suas ferramentas digitais do que a fazer o seu melhor trabalho. É para a pequena equipa que sabe que tem de haver uma forma mais simples e mais poderosa de colaborar.

Podes sentir-te preso a um só ecossistema, preocupar-te com o sítio onde os teus dados estão guardados, ou estar simplesmente cansado da confusão digital que te afasta do que é importante. Acreditas no foco e na liberdade, e estás pronto para construir uma base digital que apoie de verdade o teu trabalho.

Gosto genuinamente de te ajudar porque me preocupo a sério em usar a tecnologia para dar poder às pessoas, não para as prender. É o mesmo princípio que move o meu compromisso com o [código aberto](https://willem.com/en/open-source/), e trata-se de te dar a mesma liberdade e controlo sobre o teu mundo digital que construí para mim

![Ao longo dos anos refinei e simplifiquei a forma como trabalho tanto quanto as coisas que produzo](https://willem.com/global/images/face35e557c6.webp)

## **Conclusão**

**Como** trabalho é tão importante como **o que** crio, e ao longo dos anos pus muita energia em encontrar maneiras de otimizar o '**como**'. Gosto genuinamente de transformar essa experiência na tua vantagem. Se estás pronto para melhorar o teu próprio 'como', terei todo o gosto em ajudar.

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## A Web Agêntica

*"Voorsorteren" para o futuro* · 2025-07-26 · https://willem.com/pt/2025-07-26_a-web-agentica/

Em neerlandês há uma palavra ótima: voorsorteren. Significa meter-se na faixa certa da autoestrada muito antes da tua saída. Fazes isso para garantir uma viagem tranquila e sem stress. Acredito que o mesmo princípio se aplica à tecnologia. Um pouco de preparação inteligente agora pode dar-te uma enorme vantagem quando o futuro chegar.

Neste momento, acredito que todos devíamos estar a "voorsorteren" para a próxima evolução da internet: **A Web Agêntica**.

![Pensar no futuro não devia ser uma tarefa separada; devia ser uma parte integrada do processo.](https://willem.com/global/images/e6262069225d.webp)

## O que é a Web Agêntica?

Durante décadas, a web foi sobre humanos a falar com máquinas. Escrevemos uma pesquisa e um computador mostra-nos uma lista de sites. A Web Agêntica vira isto do avesso. Trata-se de **máquinas a falar com outras máquinas em nosso nome.**

Imagina "agentes" de IA que funcionam como assistentes super inteligentes. Estes agentes não vão só *encontrar* informação para ti, vão poder *agir*. Em vez de procurares o site de um restaurante, o teu agente podia perguntar diretamente ao agente do restaurante pela ementa, ver se há mesa livre e reservá-la por ti. Isto funciona para tudo: pedir comida para levar, comprar bilhetes para uma noite de clube ou pedir um orçamento a um empreiteiro.

Os modelos de linguagem vão funcionar como tradutores universais, a superar diferenças de língua e de contexto, permitindo que estes agentes comuniquem sem atritos.

## Como preparar o teu site

Então, como te preparas para isto? A chave é fazer com que o teu site fale a língua dos computadores o mais claramente possível. Trata-se de reduzir o ruído e acrescentar estrutura.

1.  **Usa HTML semântico:** Usa corretamente as etiquetas HTML modernas como `<article>`, `<section>` e `<nav>`. É como pôr rótulos claros no teu conteúdo para que as máquinas saibam o que estão a ver.
2.  **Formaliza os teus serviços:** Usa normas como `schema.org` para acrescentar "etiquetas de preço" e "manuais de instruções" invisíveis aos teus produtos e serviços. Isto diz a um agente exatamente o que ofereces e como interagir com eles.
3.  **Cria uma porta de entrada digital:** Se tens um processo de negócio, como um pedido de orçamento, considera expô-lo através de uma API pública e limpa. Uma API é uma forma documentada e previsível de outros computadores interagirem com os teus serviços.

## O que fiz com o willem.com

Acredito em praticar o que prego. A recente reformulação deste site foi o meu próprio exercício de "voorsorteren" para a Web Agêntica.

Comecei por tornar o meu conteúdo mais acessível, traduzindo mais de 160 artigos para [neerlandês](https://willem.com/nl/), [alemão](https://willem.com/de/) e [espanhol](https://willem.com/es/). Fi-lo dentro de um sistema de gestão de conteúdos muito estruturado. Ao manter separados mas ligados os campos de títulos, subtítulos e corpo do texto, dou o contexto rico de que as ferramentas de IA precisam para compreender as relações entre ideias.

![Ao fornecer conteúdo estruturado e rico em contexto à IA (à esquerda), o meu CMS (à direita) consegue gerar traduções estruturadas de alta qualidade, preparando o conteúdo tanto para humanos como para máquinas.](https://willem.com/global/images/c8e7bd233a0c.webp)

Simplifiquei também toda a estrutura do site nas categorias claras de [Trabalho](https://willem.com/en/work/), [Ideias](https://willem.com/en/insights/) e [Sobre mim](https://willem.com/en/about-me/). Isto ajuda os visitantes humanos, mas também cria um mapa lógico para os agentes de IA. Os próprios artigos estão agora agrupados em quatro temas claros: [Tecnologia e Código](https://willem.com/en/insights/technology-code/), [Produtos e Design](https://willem.com/en/insights/products-design/), [Desempenho e Desporto](https://willem.com/en/insights/performance-sport/) e [Vida e Reflexões](https://willem.com/en/insights/life-reflections/). Criei também uma seleção cuidada dos meus textos com mais impacto na secção [Artigos populares](https://willem.com/en/popular-posts/).

Por fim, garanti que todo este conteúdo está disponível em formatos legíveis por máquinas, como RSS, ATOM e JSON, criando uma linha direta de comunicação para qualquer agente que queira aceder-lhe.

## Conclusão

Pensar no futuro e preparar-se para ele agora é uma estratégia de baixo risco e alta recompensa. Põe-te na faixa certa, pronto para entrar sem sobressaltos quando surgirem novas oportunidades. Dedicar tempo a pôr a tua própria informação em ordem é a maneira de maximizar as tuas hipóteses para amanhã. Mesmo que o grande avanço da Web Agêntica demore um pouco mais do que o esperado, ficarás na mesma com um site excecionalmente limpo, nítido e bem organizado. E isso é sempre uma vitória.

*Isto foi escrito à mão. Numa era de texto gerado por IA, é a minha forma simples de mostrar o pensamento e o esforço humanos por trás destas palavras. Para quem tiver curiosidade, o manuscrito original (em inglês) está disponível para transferir.*

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## O Poder de Um

*Porque escolhi construir o meu negócio ao manter-me pequeno* · 2025-07-23 · https://willem.com/pt/2025-07-23_o-poder-de-um/

Em toda a minha carreira tive um objetivo claro: continuar a ser uma empresa de uma só pessoa. Isto não é um ponto de partida, mas uma escolha deliberada sobre a melhor forma de fazer um trabalho excelente e construir um negócio sustentável. Neste artigo, deixa-me explicar porquê.

## Foco em vez de crescimento

Num mundo que muitas vezes celebra o crescimento por si só, com mais empregados, escritórios maiores e mais reuniões, escolho concentrar-me numa métrica diferente: a qualidade do próprio trabalho. Ao continuar a ser uma empresa de uma só pessoa, elimino a carga administrativa e as distrações que vêm com a gestão de uma grande organização. A minha energia vai diretamente para resolver problemas e construir software, não para a política interna.

## Uma parceria direta

Quando trabalhas comigo, trabalhas *comigo*. Não há gestores de projeto, nem equipas de vendas, nem camadas de comunicação para atravessar. A pessoa que discute a estratégia é a mesma que desenha a arquitetura do backend e escreve o código. Esta linha direta garante clareza, rapidez e uma compreensão profunda e partilhada dos objetivos do projeto.

## Como é possível: uma plataforma para um

Talvez te perguntes como é que uma só pessoa consegue entregar o trabalho de uma pequena equipa. A resposta é um princípio que aplico há mais de uma década: construir sistemas, não apenas projetos.

A base de todo o meu trabalho é o **[Lemmid](https://willem.com/en/work/lemmid/)**, a minha plataforma pessoal de blocos de construção digitais. É um conjunto de ferramentas robustas e reutilizáveis que refinei ao longo de anos. Esta plataforma é o meu multiplicador de força. Permite-me construir software complexo e escalável, como as minhas **[Independent Apps](https://willem.com/en/work/indepedent-apps/)**, com uma eficiência que, de outra forma, exigiria uma equipa muito maior.

![O conjunto de ferramentas da 'Empresa de Um': desenvolvimento focado, design estratégico e a liberdade de trabalhar de qualquer sítio](https://willem.com/global/images/e52877e617e3.webp)

## A promessa

Escolher ser uma empresa de uma só pessoa é um compromisso. É a promessa de que o teu projeto terá toda a minha atenção, sem divisões. É a promessa de que não estás apenas a contratar um freelancer, mas a estabelecer uma parceria com um especialista focado que construiu um sistema poderoso e escalável para dar vida às tuas ideias.

## Conclusão

Continuar pequeno é uma vantagem estratégica. Permite um foco intenso, uma parceria direta e honesta, e a eficiência que vem de construir sobre uma plataforma bem trabalhada. É um modelo feito para a qualidade e a sustentabilidade, e é a base de todos os projetos que aceito.

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## Alterações incompatíveis

*Atualizar o Dovecot 2.3 para o 2.4 no Debian Stable* · 2025-06-04 · https://willem.com/pt/2025-06-04_alteracoes-incompativeis/

Na semana passada tive problemas inesperados durante um procedimento de manutenção de rotina na infraestrutura de e-mail da minha empresa. Processamos milhares de e-mails por dia e usamos o Dovecot para dar aos nossos clientes acesso às mensagens. Tudo parou de repente quando atualizei para a versão 2.4, que traz alterações incompatíveis... ai, ai!

## ⚠️ TL;DR: Atualizar o Dovecot 2.3 → 2.4 no Debian

- **O Dovecot 2.4 traz alterações incompatíveis**: os ficheiros de configuração da 2.3 não funcionam. O software não arranca enquanto não os reescreveres.

- **Nova sintaxe de configuração e novo sistema de variáveis**: parâmetros como `ssl_cert`, `mail_location` e `%d` mudaram de formato e de significado.

- **Não existe migração automática**: é preciso rever e reescrever a configuração à mão, sobretudo se usas back-ends SQL, Sieve ou autenticação personalizada.

- **Recomendação**: lê com atenção o guia_oficial_de_atualização (https://doc.dovecot.org/2.4.0/installation/upgrade/2.3-to-2.4.html) antes de atualizares, e testa as configurações em isolamento.

## Um passeio no parque

Havia algumas atualizações de segurança pendentes e alguns problemas de compatibilidade para resolver, por isso decidi atualizar alguns pacotes num servidor Debian GNU/Linux responsável pelos serviços de e-mail da minha empresa. Esta distribuição de GNU/Linux é conhecida pela sua estabilidade e fiabilidade. Não havia motivo para esperar problemas e comecei a atualização convencido de que acabaria em poucos minutos. Um simples "passeio no parque", o que poderia correr mal..?

## A exigir 'dovecot_config_version'

Quase todo o servidor voltou a funcionar logo a seguir, como esperado, perturbando tão pouco os serviços que nem o alarme_do_monitor_de_disponibilidade (https://willem.com/en/2021-02-02_realtime-service-uptime-monitoring/) detetou qualquer falha, exceto no Dovecot. Este tipo de software é responsável pelo acesso IMAP e POP3 às caixas de correio. Encaixa como uma roda dentada bem afinada numa estrutura maior, em que outros programas, como o Postfix, dependem do seu funcionamento para aceitar e-mail recebido. O facto de o Dovecot não arrancar causou uma série de problemas.

A primeira coisa que um administrador de servidores faz é verificar os daemons ('systemctl status dovecot') e depois inspecionar os registos, por exemplo com 'journalctl -u dovecot'. Isso mostrou rapidamente que o Dovecot se recusava a arrancar porque faltava um parâmetro de configuração: 'dovecot_config_version'.

Basta acrescentar o parâmetro à configuração em '/etc/dovecot/dovecot.conf', pensas tu? Pois... NÃO. Acontece que os criadores do Dovecot puseram o erro lá por boas razões: a nova versão 2.4 do Dovecot é incompatível com os ficheiros de configuração da 2.3, o que significa que tens de reescrever muitos parâmetros. Não mudam só os nomes das variáveis, há também uma sintaxe totalmente nova para a expansão das variáveis de configuração. Um valor antigo como '%d' passa a ser '%{user | domain}'. A lista_de_alterações_é_longa (http://doc.dovecot.org/2.4.0/installation/upgrade/2.3-to-2.4.html) e não há maneira automática de migrar a configuração. Imagina a minha cara quando percebi a dimensão do problema.

## Complexidade integrada: rodas dentadas numa máquina

O problema do e-mail é que é *difícil*. Não porque um único componente seja difícil, mas porque, para ter uma pilha de e-mail completa, são precisas muitas peças a trabalhar em conjunto sem falhas. Estas são algumas das peças que compõem o serviço de e-mail da minha empresa:

- **Postfix:** o agente principal de transferência de correio (MTA) SMTP, que comunica com outros servidores de e-mail para receber e enviar mensagens. Precisa de saber que endereços de e-mail são válidos para receber correio e quem está autorizado a enviar mensagens novas. 

- **Filtro Amavis:** todas as mensagens processadas pelo servidor passam pelo mecanismo de filtragem do Amavis, que verifica cada mensagem com o SpamAssassin e o ClamAV.

- **SpamAssassin:** com um conjunto complexo de regras e análises bayesianas, as mensagens são analisadas automaticamente quanto à probabilidade de serem spam. 

- **ClamAV:** as mensagens são analisadas à procura de vírus. Os anexos são extraídos e analisados, ficheiro a ficheiro. 

- **Listas negras de DNS inverso:** além de analisar as mensagens, o servidor de e-mail faz também uma verificação de antecedentes aos servidores externos com que comunica. Os cabeçalhos são analisados e a reputação de cada salto é verificada.

- **OpenDKIM:** algumas mensagens trazem uma assinatura de 'chave de domínio', que prova que o remetente está autorizado. As mensagens com cabeçalhos são verificadas e as restantes são assinadas por um serviço de milter ligado ao Postfix. 

- **Sieve:** as mensagens recebidas são ordenadas automaticamente com regras por utilizador, por exemplo para entregar certas mensagens em pastas específicas. Tem de saber que regras se aplicam a que endereços. 

- **MariaDB / MySQL:** os endereços de e-mail, os acessos válidos, os nomes de utilizador, os hashes das palavras-passe e os aliases ficam guardados numa base de dados centralizada. Há consultas SQL específicas para verificar coisas como "esta palavra-passe é válida?"

- **Nginx:** o servidor de e-mail tem também um servidor web que permite gerir as contas e dá acesso ao e-mail por webmail. 

- **NodeJS:** a consola de gestão usa um back-end em NodeJS para que administradores e clientes possam configurar os seus endereços e palavras-passe.  

- **Roundcube**: o servidor usa um programa de webmail muito difundido para os clientes acederem ao e-mail pelo navegador.

- **PHP:** o webmail precisa de PHP para funcionar, incluindo algumas dependências para falar com o Dovecot (por IMAP) e com o MariaDB (por SQL). 

- **Dovecot:** e depois há o Dovecot, a peça de software que dá aos utilizadores finais acesso ao seu e-mail. Permite que utilizadores autenticados acedam aos e-mails guardados nos discos da infraestrutura através de protocolos como IMAP ou POP3. 

![Uma pilha completa de servidor de e-mail é composta por muitos componentes mais pequenos, afinados entre si](https://willem.com/global/images/5c709f1fc463.webp)

Todas estas peças estão afinadas umas com as outras e encaixam com precisão, como as rodas dentadas de uma máquina complexa. A configuração de cada uma é feita à medida da sua função e muitas vezes liga-se a várias outras. Podes imaginar que uma mudança inesperada numa destas rodas (como o Dovecot) pode causar uma bela confusão!

Não havia solução rápida, nem atualização automática da configuração. Como esta atualização era relativamente recente, a maioria dos grandes modelos de linguagem (IA) também não tinha resposta. O ChatGPT limitou-se a gerar sugestões baseadas na documentação antiga da 2.3. Para resolver o problema tive de recorrer às *'competências de servidores Linux à moda antiga'*: criar à mão uma configuração nova e feita à medida para o Dovecot 2.4.

## Parar para evitar perda de dados

Assim que percebi a natureza do problema, parei de imediato a maior parte dos serviços de e-mail (ou seja, desliguei o motor por completo). Isto evita a perda de dados, porque os e-mails deixam de ser processados. Os outros servidores de e-mail põem então as mensagens em fila, por vezes devolvendo erros SMTP 4xx (como 421, 451, 454 ou 455). O desenho do protocolo mundial de e-mail prevê falhas temporárias e os outros servidores simplesmente tentam outra vez mais tarde.

## Reescrever a configuração com RTFM

A mensagem de erro nos registos levou-me à documentação_oficial_do_Dovecot (https://doc.dovecot.org/2.4.0/installation/upgrade/2.3-to-2.4.html), e lá estava: um AVISO realçado em amarelado a descrever as alterações de configuração. É um documento longo: em_PDF_são_18_páginas (https://willem.com/etcetera/2025-05-30_dovecot-upgrade-23-to-24.pdf). Num dia normal já dava algum trabalho lê-lo todo, imagina fazê-lo com a casa, como se costuma dizer, a arder!

A configuração do Dovecot é feita de vários ficheiros que definem partes do comportamento do software. Por exemplo, como se faz a autenticação, como se integra com um filtro Sieve ou de onde vêm os nomes de utilizador e os hashes das palavras-passe para o início de sessão. As alterações da versão 2.4 afetam quase todos os parâmetros, porque os criadores introduziram uma sintaxe nova para as variáveis do servidor.

### Sintaxe de notação das variáveis

Antes, a configuração usava uma notação de variáveis como '%u' para marcar o nome de utilizador. A nova sintaxe permite encadear variáveis com um modificador, o que possibilita normalização e coisas como a seleção de subcadeias. Por exemplo: para obter o domínio de e-mail a partir de um nome de utilizador já não usas '%d', mas sim a variável 'user' como base, encadeada com o modificador domain, nesta sintaxe: '%{user | domain}'.

Quando percebi esta nova linguagem, apreciei mesmo a obra de arte que ela representa. É uma melhoria em relação aos antigos nomes de variáveis abreviados, porque já não precisas de um dicionário para os consultar: em vez de algo vago como '%r', lês '%{remove_ip}'. É intrinsecamente mais legível, algo que valorizo muito.

### Encriptação: 'ssl_cert' passa a 'ssl_server_cert_file'

Outras alterações dizem respeito à forma como a configuração aponta para os ficheiros externos usados na encriptação. Antes tinhas uma definição 'ssl_cert' que podia conter o próprio certificado SSL/TLS como texto. Na versão 2.4 tens a variável 'ssl_server_cert_file', que recebe o caminho do certificado no sistema de ficheiros. **Não é só mudar o nome, a natureza do valor também é nova!** Para corrigir a configuração, tens de percorrer cada um destes parâmetros atualizados e determinar o impacto na tua instalação em particular. Dá trabalho e é fácil errar.

### Dividir a definição 'mail_location'

Outra novidade da 2.4 é que a 'mail_location' se divide em várias variáveis mais pequenas. Antes, uma única variável definia onde o e-mail era guardado no disco. Agora tens de a dividir em duas variáveis, 'mail_driver' e 'mail_path', **E** usar a nova sintaxe de variáveis do servidor. Se errares numa destas, todo o e-mail desaparece (acredita em mim!). Consoante a tua configuração de armazenamento, convém confirmar duas vezes a parte do nome de utilizador (por exemplo, inclui o endereço de e-mail completo ou só o prefixo, sem o nome de domínio?).

![Migrar a mail_location para mail_driver e mail_path com a nova sintaxe de variáveis do servidor](https://willem.com/global/images/e88fe1cec23d.webp)

### Dovecot com back-end SQL: passdb e userdb

Se a tua instalação do Dovecot usa uma base de dados (ou armazenamento) externa para autenticar nomes de utilizador e palavras-passe, vais ter de reescrever o 'auth-sql.conf.ext' em '/etc/dovecot/conf.d/', que é chamado/incluído pelo ficheiro 10-auth.conf. No Dovecot 2.4 há uma nova forma de segmentar as definições de passdb e userdb. Na configuração do Dovecot 2.3 usei um ficheiro externo com as consultas à base de dados e a cadeia de ligação. Durante a autenticação, as várias consultas servem para 1) autenticar os utilizadores e 2) carregar definições específicas de cada utilizador, como o caminho do armazenamento do e-mail.

![As instruções de atualização de userdb e passdb são muito úteis à primeira vista /s](https://willem.com/global/images/f0038d6aa77e.webp)

![Configuração do back-end SQL no Dovecot 2.3 (auth-sql.conf.ext e dovecot-sql.conf.ext) ](https://willem.com/global/images/ee344f001a96.webp)

Na nova versão 2.4 tens de reestruturar os parâmetros para ficarem dentro de secções que incluem um indicador do tipo de back-end logo a seguir às palavras-chave 'userdb' e 'passdb' na configuração. Assim, se usas uma base de dados MySQL como back-end, 'userdb' passa a 'userdb sql'. Podes incluir os parâmetros da cadeia de ligação diretamente no ficheiro 'auth-sql.conf.ext', de modo que todos os parâmetros relevantes fiquem num só ficheiro de configuração. Para reduzir a complexidade, reescrevi a secção userdb para usar o driver de base de dados 'static': gera variáveis de configuração, como o caminho do e-mail do utilizador, a partir do seu nome de utilizador. Vê os documentos_dedicados (https://doc.dovecot.org/2.4.0/core/config/auth/passdb.html).

![Configuração do back-end SQL no Dovecot 2.4 (auth-sql.conf.ext), agora muito mais compacta do que a anterior. Há apenas uma consulta SQL, porque a secção userdb passa a usar o back-end static](https://willem.com/global/images/e0e59271debb.webp)

### Plugin Sieve

Se a tua instalação usa o Sieve para ordenar o e-mail recebido, vais ter de ajustar a configuração no que toca à localização dos scripts, aos valores por omissão e ao comportamento. A nova versão 2.4 do Dovecot introduz um conceito chamado "Script Storage", que permite executar scripts carregados dinamicamente para diferentes utilizadores em vários eventos. A nossa configuração tem um script Sieve simples por omissão, que ordena automaticamente o e-mail marcado como spam para uma pasta chamada Spam. A nova sintaxe permite uma configuração mais compacta:

![Configuração do Sieve no Dovecot 2.3 (90-sieve.conf), com as variáveis sieve_default e sieve_dir, agora obsoletas](https://willem.com/global/images/939ffd625f0f.webp)

![Configuração do Sieve no Dovecot 2.4 (90-sieve.conf)](https://willem.com/global/images/197ae89bb845.webp)

## Testar a nova configuração

Podes ficar tentado a simplesmente voltar a arrancar o servidor depois de redefinires a configuração 2.4. Mas deves ter muito cuidado, porque uma configuração errada pode fazer os clientes perder o acesso a todos os e-mails e/ou obrigá-los a transferir de novo as caixas de correio inteiras. Em vez disso, optei por uma abordagem gradual: mudei os números das portas IMAP (e POP3) para algo arbitrário. Assim pude testar a nova configuração sozinho, sem deixar os clientes reais ligarem-se ao servidor. Isto permitiu-me corrigir alguns erros de escrita, afinar parte da nova sintaxe das variáveis do servidor e lidar com algumas mensagens de registo estranhas. Podes controlar as portas do servidor no ficheiro '10-master.conf'.

![Definir os números das portas IMAP e POP do servidor para poder depurar a nova configuração de forma privada e gradual](https://willem.com/global/images/dd3339e34d1d.webp)

## Conclusão

Falhas como esta são raras, graças à estabilidade do Debian GNU/Linux, mas não impossíveis. Para o serviço de e-mail Lemmid Online da minha empresa existem cópias de segurança diárias e um plano de recuperação de desastres testado. Embora desta vez não tenha sido preciso um failover completo, os exercícios anteriores foram decisivos para adaptar a configuração depressa.

Este incidente foi um lembrete de que, mesmo com automação e IA, o conhecimento profundo do sistema, a preparação e a depuração manual continuam a ser ferramentas essenciais quando componentes críticos da infraestrutura mudam inesperadamente e sem caminhos de migração automáticos.

### Configuração de exemplo do Dovecot 2.4

Se encontraste este artigo à procura de uma solução para o teu servidor de e-mail avariado, talvez estes ficheiros de configuração de exemplo do Dovecot 2.4 te sejam úteis. Encontrei-os durante a minha própria reparação e podem poupar-te tempo a perceber a nova sintaxe: https://source.willem.com/dovecot-2.4-sample-config/

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## Quando a coisa aperta

*Correr a Leiden Marathon no calor* · 2025-05-12 · https://willem.com/pt/2025-05-12_quando-a-coisa-aperta/

Ontem terminei a Leiden Marathon, os 42K mais duros que alguma vez completei, por causa da temperatura. Sol, céu limpo e temperaturas a subir até aos 25°C. Vários corredores colapsaram com exaustão pelo calor e um deles chegou a precisar de reanimação. Quando levas os teus limites ao extremo, às vezes chegas mesmo a eles. Aqui ficam alguns pensamentos desta experiência.

Tudo começou como um ótimo domingo nos Países Baixos para estar ao ar livre. Realizaram-se várias provas de corrida, entre elas a Leiden_Marathon (https://marathon.nl) e a meia maratona LOOP_Leeuwarden (https://www.loopleeuwarden.frl/). O tempo viria a ser um fator decisivo, com o céu limpo e muito sol a empurrar as temperaturas para cima.

![A divertir-me ao ar livre: a sorrir nos 10K, ainda em grande forma](https://willem.com/global/images/85a45a240706.webp)

Para render bem, o corpo humano tem de manter estável a temperatura interna. Em esforços de resistência como as maratonas, a maior parte da energia que queimamos transforma-se em calor. Para não sobreaquecer, o corpo recorre ao suor e à evaporação para se refrescar. Quando este sistema de arrefecimento fica sobrecarregado - por temperaturas altas, humidade, ou ambas - o desempenho cai depressa.

![Efeito do calor e da humidade na velocidade na maratona (runningwritings.com)](https://willem.com/global/images/9939f76e7e3a.webp)

Este gráfico do índice de calor mostra como o aumento da temperatura e da humidade reduz bastante o desempenho numa maratona. A 25°C e com humidade elevada, os corredores abrandam mais de 3%; a 30°C, as perdas passam os 7%. O corpo tem dificuldade em arrefecer nestas condições, porque o suor evapora com menos eficiência, o que leva ao sobreaquecimento e a mais fadiga. Quanto mais quente e húmido está, mais difícil se torna manter o ritmo em segurança.

Senti isto na pele: ao aproximar-me dos 50%, tive dificuldade em manter o ritmo que fiz na maratona anterior. O calor do sol, somado ao calor que irradiava do alcatrão, tornou-se desconfortável e deu-me arrepios apesar do calor. Percebi que tinha de baixar o ritmo para me manter seguro. Mesmo abrandando (muito), a minha frequência cardíaca continuou (demasiado) alta. Não conseguia ir mais depressa.

![O meu ritmo e frequência cardíaca durante a maratona; apesar de ter abrandado por causa do calor, a frequência cardíaca manteve-se alta](https://willem.com/global/images/e8cdb59ad41c.webp)

No início da maratona sentia-me otimista.  Acreditava que acabar abaixo das 4 horas estava ao meu alcance, talvez até igualar o meu recorde pessoal de 3:51. Parti a esse ritmo, mas, em retrospetiva, foi um erro. O calor foi cobrando o seu preço aos poucos. A meio da prova, tive de mudar de mentalidade: em vez de perseguir um tempo, passei a só querer chegar ao fim. Abandonar um objetivo para o qual te preparaste não é fácil. Exige disciplina mental reenquadrar o esforço, não como um fracasso, mas como outro tipo de vitória: perseverança em vez de ritmo.

![A prova numa imagem: a aguentar a exaustão aos 40KM da Leiden Marathon de 2025. Repara na mota-ambulância ao fundo e na lente da câmara embaciada, turva do suor e da água que despejei sobre mim para me manter fresco.](https://willem.com/global/images/cb0dab7241cd.webp)

![Notícias neerlandesas sobre feridos e vítimas ](https://willem.com/global/images/67e869d073f9.webp)

Acabei por terminar os 42K em 4:17, a minha maratona mais lenta até hoje. Mas cruzei a meta a sorrir, sabendo que era uma vitória por mérito próprio. Infelizmente, nem todos os corredores tiveram a mesma sorte. Na prova de Leeuwarden, um_corredor_morreu_tragicamente (https://www.omropfryslan.nl/nl/nieuws/17463605/deelnemer-van-loop-leeuwarden-overleden-evenement-stilgelegd) perto da meta e, durante a Leiden Marathon, vi vários_outros_colapsar (https://www.omroepwest.nl/112/4966609/hardloper-gereanimeerd-op-parcours-leiden-marathon), socorridos rapidamente pelas excelentes equipas de primeiros socorros.

![Quando acabar é vitória: Leiden Marathon concluída!](https://willem.com/global/images/e9a01e40a8a3.webp)

## Conclusão

Acho que correr uma maratona é algo especial, é mais do que percorrer 42 quilómetros.  É uma coisa mental, em que a mentalidade conta tanto como o desempenho físico. Vivi isso na minha_primeira_maratona_em_Amsterdam (https://willem.com/en/2024-10-20_marathon/), onde a sensação de vitória foi quase espiritual. Esta maratona no calor foi mais um desafio significativo. Desafiares-te em condições difíceis pode ensinar-te muito, e essa experiência fica contigo durante muito tempo. Seja qual for o teu objetivo, respeita sempre as condições, ouve o teu corpo e, acima de tudo: cuida de ti lá fora!

### Fonte:

Davis (2025) "Calculating the effects of heat and humidity on marathon performance" - runningwritings.com (https://runningwritings.com/2025/04/heat-humidity-marathon-times.html)

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## Vibe Coding

*Sobre o poder e o perigo de programar com IA* · 2025-04-15 · https://willem.com/pt/2025-04-15_vibe-coding/

Com receitas acima de 48 mil dólares por mês, o simulador de voo de Pieter Levels desencadeou uma onda de inovação. Sem conhecimentos profundos de motores de jogos 3D, ele fez o jogo com 'vibe coding', usando IA. Os críticos apontaram problemas de segurança e escalabilidade, enquanto os apoiantes elogiaram o resultado impressionante. O que podemos aprender com isto?

## Vibe Coding

O vibe coding é um método de programação orientado por IA em que descreves um problema em poucas frases, como prompt para um modelo de linguagem afinado para programação. O modelo gera o software e o papel do programador passa a ser guiar, testar e refinar o resultado. Os defensores dizem que isto permite a programadores principiantes criar programas sem muita formação nem competências de engenharia de software.

Pieter_Levels (https://x.com/levelsio) criou o jogo fly.pieter.com (https://fly.pieter.com). Nas redes sociais foi mostrando tudo em aberto: desde a ideia inicial até à publicação. Atraiu patrocinadores para anúncios dentro do jogo e vende melhorias premium (como aviões especiais), com receitas de milhares de dólares por mês.

![Simulador de voo gerado por IA: fly.pieter.com](https://willem.com/global/images/9c7b33588ed2.webp)

O seu caso de sucesso levantou questões sobre o futuro da programação de jogos, ou até da programação em geral. Se um tipo com um portátil consegue criar um êxito destes, para que servem os estúdios de grande orçamento? Ou, ao contrário, o que aconteceria aos grandes estúdios se adotassem uma abordagem semelhante de 'vibe coding' na produção?

## Experimentar eu próprio

Como já tenho alguma experiência a desenvolver um_jogo (https://snake97.com) (Snake 97, mais de 40 milhões de transferências), a história do Pieter inspirou-me a explorar a tecnologia 3D que ele usou: o ThreeJS (https://threejs.org). Fazer um jogo é difícil, e fazê-lo em 3D é ainda mais. A matemática que sustenta um mundo em três dimensões acrescenta um desafio enorme. Em muitos aspetos, não se parece nada com programas normais nem com jogos simples em duas dimensões. Embora já tivesse feito algumas experiências, achei a curva de aprendizagem da matemática 3D bastante íngreme. É aqui que a IA pode ajudar.

![Visualização 3D de dados de treino](https://willem.com/global/images/5267f788426c.webp)

Na app_Gran_Fondo (https://willem.com/blog/gran-fondo/) usei a IA para gerar uma apresentação_tridimensional_de_uma_atividade_de_corrida_gravada (https://willem.com/en/2025-03-10_workout-data-in-3d/). Formulei o meu objetivo em inglês simples e o modelo de IA gerou o código necessário para usar o ThreeJS e mostrar o meu treino num painel rotativo. Os primeiros resultados não foram bons, mas percebi o suficiente do que foi gerado para continuar a pedir refinamentos específicos. Algumas horas depois tinha algo de que gostava e, mais do que isso, senti que tinha aprendido imenso sobre a viabilidade do meu conceito inicial. A IA permitiu-me aprender mais depressa.

![Arte conceptual do jogo de 2013: partículas de HDL na corrente sanguínea](https://willem.com/global/images/6b5de3beb772.webp)

Decidi explorar outra ideia que tinha guardada há algum tempo: um jogo sobre partículas de colesterol mau e bom na corrente sanguínea de uma pessoa. Com aspetos de um jogo_do_estilo_endless_runner (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Endless_runner), achei que era uma boa escolha para experimentar mais, porque estes jogos têm níveis gerados por computador. Construir um gerador automático de níveis parecia algo em que a IA me poderia ajudar.

Aproveitando as novas capacidades 3D, achei que o jogo devia avançar para dentro das artérias, em vez do movimento lateral típico dos jogos 2D clássicos. Isto traz desafios como o clipping visual e gráficos distorcidos, porque a câmara fica fora da cena 3D. Outro desafio é a maior complexidade da deteção de colisões entre os elementos do jogo, um requisito para a mecânica de jogo. O código gerado pelo modelo de IA crescia a cada iteração.

![Motor de jogo 3D em ação; repara nas falhas gráficas na parede da artéria](https://willem.com/global/images/8cdd2773d861.webp)

Passadas umas 800 linhas de código, comecei a notar os limites do modelo de IA: começou a cometer erros e bugs que já tinha resolvido em iterações anteriores. Cada nova iteração trazia problemas novos e o modelo esquecia-se de refinamentos e correções que tinha aplicado antes. Isto deve-se aos limites da capacidade de contexto (tokens de entrada), que são importantes para o funcionamento dos grandes modelos de linguagem. Resumindo: não consegue lembrar-se de coisas suficientes para continuar a iterar sobre o todo de uma vez.

![Paradoxo da produtividade: quando operar a máquina custa mais esforço do que vale o seu resultado](https://willem.com/global/images/fa20ecb23326.webp)

Deixei de desenvolver o motor de jogo com IA ao fim de alguns dias de experiências intensas. Cheguei a um ponto em que gastava mais esforço a gerir o modelo de IA do que no próprio motor de jogo. Concluí que seria melhor arranjar uns livros sobre as tecnologias, lê-los, tornar-me eu mais proficiente e depois construir o motor de jogo à mão. Quando as coisas se tornam complexas, o nosso cérebro humano parece capaz de se concentrar em partes específicas de uma tarefa complexa, respeitando o todo maior tal como ele é.

## Sobre a loucura da "programação em linguagem natural"

Além dos limites do contexto que um modelo de IA consegue compreender, acho que há o problema da ambiguidade. Recomendo-te que leias o que escreveu Edsger_Wybe_Dijkstra (https://en.wikipedia.org/wiki/Edsger_Dijkstra), a refletir sobre a loucura da "programação em linguagem natural" no seu EWD667 (https://willem.com/etcetera/2025-05-15_EWD667-on-the-foolishness-of-natural-language-programming.pdf). Uma descrição sem ambiguidade, livre de pensamento confuso, é a base de um código fiável. No entanto, a nossa língua materna deixa demasiado espaço para todo o tipo de disparates e erros. Em vez disso, devemos dominar as nossas palavras, pensar com rigor e especificar com ousadia.

Uma linguagem formal, como uma linguagem de programação, um modelo matemático ou uma especificação exaustiva de entradas e saídas, pode ser uma ferramenta extraordinariamente eficaz para eliminar ambiguidades e erros. Resumindo: obténs o melhor resultado quando dás a melhor entrada.

## Dar código à IA como prompt

Para testar se a IA me daria melhor código, decidi mudar a minha linguagem de pedido. Em vez de descrever o que queria em linguagem natural, carreguei um pedaço de código que escrevi antes, com características muito específicas:

- o código vinha de um sistema em produção, por isso eu sabia que funcionava bem

- o código continha várias instruções de tratamento de erros, o que o tornava mais robusto

- o código não tinha erros de sintaxe e usava variáveis e funções com nomes lógicos

- o código tinha um âmbito muito específico, com interfaces bem definidas para o mundo exterior 

Além do código, pedi especificamente à IA que alterasse um aspeto particular do código em questão. Tinha de remover o uso de um certo programa externo (o módulo NodeJS 'lwip') e substituí-lo por outro programa externo (ImageMagick). Como tanto o lwip (https://www.npmjs.com/package/lwip) como o ImageMagick (https://github.com/ImageMagick/ImageMagick) são código aberto, o modelo de IA conhece bem estes programas. Dei-lhe a receita perfeita para cozinhar.

O código que recebi da IA era uma substituição direta 99% perfeita do meu código. O código gerado tinha um bug que fazia com que alguns parâmetros não fossem escapados corretamente, provocando uma falha. Consegui detetar o erro e corrigi-lo à mão, porque me sentia totalmente à vontade e conhecedor no contexto deste software em concreto. Depois de mais alguns testes, decidi pôr o código gerado pela IA em produção, porque a nova biblioteca tinha um desempenho muito melhor do que a que substituiu.

## Conclusão

O vibe coding com IA permite prototipagem e aprendizagem rápidas, como se viu no sucesso de Pieter Levels, mas falha em projetos complexos que exigem precisão. Levanta uma questão: a IA expande o nosso potencial ou limita-nos às suas restrições? A mestria combina o pensamento humano com o poder da IA. Reflete sobre o ofício: quando é que as ferramentas afiam a tua competência e quando é que a podem embotar?

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## Dados de treino em 3D

*Explorar gráficos 3D na web para dados de fitness* · 2025-03-10 · https://willem.com/pt/2025-03-10_dados-de-treino-em-3d/

Enquanto dava as minhas voltas à aldeia a correr, ocorreu-me que podia usar o ThreeJS para criar uma representação 3D dinâmica dos dados dos meus treinos. Lê o que criei: é um trabalho em curso, mas serve como uma exploração entusiasmante do conceito.

Ando a explorar formas de visualizar dados de treino, aproveitando as tecnologias web para garantir compatibilidade entre dispositivos no Gran_Fondo (https://willem.com/en/2025-03-06_open-sourcing-gran-fondo/), a minha app de corrida e ciclismo. O ThreeJS (https://threejs.org/), uma ferramenta de renderização 3D para navegadores, funciona na perfeição tanto em ecrãs grandes como pequenos. Uso o formato de dados de treino TCX porque é adequado para ser lido com tecnologia web e de navegador normal. Para este projeto, usei uma sessão gravada da minha corrida de 9 de março: o meu circuito habitual de 1,8KM à volta da aldeia, repetido 6 vezes iguais (11KM no total). Gosto deste percurso; tem pouco trânsito e poucas perturbações, o que me deixa concentrar na corrida. Recolhi os dados TCX com a app RunnerUp; cumpre o seu papel, mas parece um pouco datada e não permite análise nem exploração interativa dos dados de treino.

![RunnerUP: gravou a minha corrida de 11K e produziu o ficheiro TCX com os dados do treino](https://willem.com/global/images/54e7cade7a7a.webp)

Como prova de conceito para explorar a apresentação em 3D, construí um protótipo que carrega o ficheiro TCX com os dados do treino. O navegador lê estes dados e gera duas visualizações: uma renderização 3D com o ThreeJS e um gráfico linear 2D com o ritmo. A cor representa a velocidade: linhas mais verdes indicam um ritmo mais rápido. A visualização 3D roda como um disco de vinil e revela as minhas seis voltas à aldeia, com uma forma igual à do mapa. Para ligar os dois gráficos, acrescentei um círculo branco que marca o mesmo momento em cada um, ajudando a ilustrar a ligação entre as duas vistas.

<a class="image video" style="margin-bottom:15pt; display:block;text-align:center;" target="_blank" href="https://willem.com/etcetera/2025-03-10_GranFondo-3D-rendering/"><figure><video src="https://willem.com/etcetera/2025-03-10_GranFondo-3D-rendering/demo.mp4" autoplay loop muted playsinline width="960" style="width:100%" ></video><figcaption>Demonstração da renderização 3D do Gran Fondo: uma visualização interativa de dados de treino com o ThreeJS</figcaption></figure></a>

A visualização é construída a 100% com tecnologias web, usando o ThreeJS para renderizar o percurso 3D da corrida. Um segundo canvas HTML5 sobrepõe um gráfico 2D do ritmo, enquanto um ciclo de animação centralizado liga as duas cenas com um ponto que percorre tudo, sincronizando o percurso e o gráfico. Isto faz parte de uma fase de experimentação a "pensar em voz alta", em que exploro formas inovadoras de visualizar dados de fitness. É uma demonstração para a minha futura app Gran Fondo, com o objetivo de melhorar o registo interativo de atividade física com visualizações ricas e envolventes.

Vê a visualização no teu próprio computador abrindo esta página: hora_da_demo (https://willem.com/etcetera/2025-03-10_GranFondo-3D-rendering/) Repara que não é uma demonstração polida, está "acabada de sair da bancada" e funciona sobretudo bem com janelas na horizontal. As versões futuras terão muito mais acabamento, para todos os elementos caberem num desenho responsivo.

A app Gran Fondo vai incluir frequência cardíaca, cadência e potência para análises mais profundas. A interatividade permitirá rodar o gráfico 3D com o toque e ampliar os detalhes. O meu objetivo é tornar a análise de treinos mais imersiva, intuitiva e envolvente para atletas que querem uma visão completa do seu desempenho.

## Conclusão

A experimentação é uma parte crucial do desenho de software: permite testar ideias, refinar conceitos e recolher opiniões de outras pessoas. Esta visualização 3D de treinos é um exemplo. Há muito mais para explorar. Fica atento a este blogue para novidades enquanto continuo a desenvolver o Gran Fondo!

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## Gran Fondo passa a código aberto

*Um salto para o fitness livre e a liberdade* · 2025-03-06 · https://willem.com/pt/2025-03-06_gran-fondo-passa-a-codigo-aberto/

O Gran Fondo, a app que regista corridas e passeios de bicicleta, vai passar a código aberto. Estou a retirar o modelo de subscrição e a torná-la livre. Não se trata de receitas a curto prazo: trata-se de construir algo duradouro, privado e gratuito para todos. Aqui fica o porquê deste mergulho e o que vem a seguir.

Decidi abrir o código do Gran Fondo, a minha app iOS para registar corridas e passeios de bicicleta. O que começou como uma ferramenta de subscrição vai deixar de ter a barreira de pagamento. O Gran Fondo começou_como_um_projeto_pessoal (https://willem.com/en/2024-05-11_developing-a-native-ios-app/), lançado em maio de 2024 no iOS, pensado para registar treinos com a privacidade no centro: sem nuvem, sem recolha de dados, só o teu smartphone a fazer o trabalho. As subscrições mantiveram-no à tona, mas também o fecharam atrás de um muro. Ultimamente tenho refletido sobre o propósito maior da tecnologia, como escrevi sobre os smartphones_duráveis (https://willem.com/en/2025-03-05_durable-smartphone/) e os melhores_portáteis (https://willem.com/en/2025-02-10_better-laptop/). Esses artigos defendem dispositivos que dão poder aos utilizadores, não às empresas. O software deve seguir o mesmo caminho, e o Gran Fondo não é exceção.

![Gran Fondo v1 em ação: regista passeios sem falhas, com suporte Bluetooth para potência, cadência e frequência cardíaca, pronto para mostrar que o código aberto pode rivalizar com ferramentas profissionais](https://willem.com/global/images/0ba4569210c6.webp)

Por isso, vou tornar o Gran Fondo livre. O código, agora em Swift nativo para iPhone, vai evoluir para um núcleo multiplataforma com tecnologia web, como a minha app_Snake_97_com_40_milhões_de_transferências (https://willem.com/en/2018-02-21_updating-snake-97/). Será gratuito, aberto a contribuições de qualquer pessoa, e abrangerá iOS, Android e até futuras plataformas livres como o Sailfish OS ou o Ubuntu Touch. Sem anúncios, sem rastreadores: apenas um painel de patrocinadores, como as placas dos clubes desportivos, para o sustentar. Este salto é complicado (as particularidades do Bluetooth e as exigências de energia em segundo plano variam de dispositivo para dispositivo), mas vale a pena por uma ferramenta centrada nas pessoas e com a privacidade em primeiro lugar. Estou a investir o meu próprio dinheiro e tempo, e a procurar um fundo público de inovação e patrocinadores para o lançar, apostando na colaboração em vez do lucro. É um risco, mas sinto que é o certo.

## Conclusão

Estes são os meus primeiros passos em algo em que acredito a sério: um futuro melhor e mais livre para a tecnologia. O Gran Fondo Libre é a minha estaca nesse terreno, e espero encontrar aliados e amigos pelo caminho. Juntos, podemos construir algo que dure.

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## Smartphone duradouro

*Fairphone com /e/OS, o Android sem Google* · 2025-03-05 · https://willem.com/pt/2025-03-05_smartphone-duradouro/

Sentado no comboio, o tipo à minha frente surpreendeu-me: das suas calças elegantes tirou esta peça de tecnologia muito gasta e cheia de pátina. Viajávamos em primeira classe e, a julgar pelo seu vestuário requintado, este homem não tem meios limitados. Como um Porsche bem corrido, aquilo já tinha visto muita ação. O sol, ao bater na estrutura de metal, revelava um tom esverdeado, e reconheci um Fairphone de uma geração anterior ainda em grande forma. Isto mudou a minha visão sobre os smartphones, lê até ao fim.

![Desgaste como troféu: correr num Porsche ou usar um Fairphone, as cicatrizes contam a história épica, a correr em Zandvoort com o meu amigo Niels!](https://willem.com/global/images/6b41c67e2af8.webp)

Ao contrário dos telemóveis topo de gama frágeis, com as suas peças de vidro delicadamente coladas, o Fairphone foi feito para aguentar e para ser reparado. A resistência a quedas de nível militar e a classificação IP55 contra água e pó são complementadas por um acesso fácil às peças. Se for preciso, podes substituir praticamente todas as peças, incluindo a bateria de 4200mAh. Corre Android normal, com atualizações garantidas até 2031, o que é possível graças à escolha de um chip industrial para IoT a alimentar o telefone. O Qualcomm Dragonwing QCM6490, com 8 núcleos e 8GB de RAM, foi concebido a pensar na longevidade, algo crítico em aplicações de nível empresarial, em que mudar de chipset a cada estação não é desejável. Os chips Dragonwing alimentam embarcações, gruas de porto, fábricas e vários drones. É de apreciar este pensamento rigoroso sobre durabilidade que a empresa Fairphone põe no seu desenho, muito para além do aspeto.

![O Fairphone é alimentado pelo mesmo chip Dragonwing usado em navios, gruas, drones e fábricas industriais](https://willem.com/global/images/1a9d4dc0c642.webp)

![Feito para durar e fácil de reparar: o Fairphone 5 abre-se com ferramentas normais](https://willem.com/global/images/161b2dd6a5ef.webp)

O telefone vem com Android da Google normal, totalmente compatível com todas as apps da Play Store. Mas és livre de desbloquear o bootloader e instalar o software que quiseres. Uma alternativa popular é o Android sem Google, o /e/OS (https://e.foundation/e-os/). Dá-te um sistema operativo leve e limpo que podes adaptar ao teu gosto e que se pode usar sem **qualquer** necessidade de uma conta na nuvem. É fácil gostar das vantagens de privacidade desta libertação das grandes tecnológicas americanas, mas o que mais me espanta é o aumento da eficiência do software: sem toda a porcaria, o consumo da minha bateria mede-se em **DIAS** com o /e/OS.

![Com Android sem Google, a bateria do meu Fairphone mede-se em dias](https://willem.com/global/images/96f87ceaa132.webp)

Inspirado pela liberdade do portátil reparável Framework_laptop (https://willem.com/en/2025-02-10_better-laptop/), decidi mudar para o Fairphone há cerca de um mês. Migrar do iPhone pode ser um pouco complicado. Recomendo que primeiro te libertes_do_Apple_Photos (https://willem.com/en/2020-08-31_free-from-the-icloud-escaping-apple-photos/) e que passes a um padrão_aberto_para_sincronizar_contactos_e_calendário (https://willem.com/en/2020-02-28_your-own-addressbook-and-calendar-cloud/). Quanto menos dependente fores de um serviço proprietário em particular, mais fácil é mudar. Há muitos mecanismos subtis de dependência de um fornecedor que te podem apanhar, como:

- **O controlo parental** no iPad dos teus filhos exige que tu também tenhas um dispositivo Apple; reduzi o controlo parental porque quero incutir mais responsabilidade própria nos meus filhos, e isto está definitivamente em curso

- **A Lista de Leitura e os Marcadores do Safari** não sincronizam com dispositivos que não sejam Apple; resolvi isto adotando um simples ficheiro de marcadores

- **Encontrar** (Amigos, AirTags, Periféricos) só funciona se tiveres um dispositivo Apple; existem alternativas, mas mudar é trabalhoso

- **As videochamadas FaceTime** só podem ser iniciadas se tiveres um dispositivo Apple; felizmente há muitas outras apps de videochamada

- **O iMessage** é só para Apple; passei para o WhatsApp, o Signal e o e-mail

- **Os livros** comprados na Apple iBook Store só podem ser lidos em dispositivos Apple; lojas como a Kobo funcionam em várias plataformas e também existem várias opções sem DRM

- **Os dados estruturados de saúde e fitness** ficam presos no Apple HealthKit; é possível exportá-los, mas os dados ficam achatados e simplificados, ou são precisas apps de terceiros para ler os ficheiros exportados

A tua experiência pode ser diferente, mas nenhuma destas coisas me impediu de mudar. Dá a ti próprio a oportunidade de te habituares ao Android e provavelmente vais encontrar funcionalidades e liberdade que não existem noutras plataformas. Algumas coisas de que gosto:

- Posso usar o rsync para copiar automaticamente fotografias e dados de treino para o meu portátil, sem nuvem, pela rede Wi-Fi local, com o Syncopoli (https://f-droid.org/packages/org.amoradi.syncopoli/)

- Uso o minimalista "unLauncher" (https://f-droid.org/packages/com.jkuester.unlauncher/) em vez de páginas cheias de ícones coloridos e widgets a gritar por atenção

- Posso *permitir* explicitamente que certas apps continuem a correr em segundo plano, sem qualquer restrição de energia ou de recursos de computação, o que dá jeito para algumas das coisas esquisitas que faço no trabalho

- Posso ter notificações push seletivas de e-mail com IMAP-idle (https://en.wikipedia.org/wiki/IMAP_IDLE) e a app Thunderbird (https://f-droid.org/packages/net.thunderbird.android/), sem depender de protocolos de fornecedores nem de serviços na nuvem como o Microsoft 365, o Gmail ou o iCloud

- Aumentei a memória de armazenamento por 90 € (https://duckduckgo.com/?t=ftsa&q=SanDisk+MicroSDXC+Extreme+Pro+1TB+200MB%2Fs+&iax=shopping&ia=shopping) para 1TB; um aumento de memória semelhante no iPhone 16 Pro custa 630 €

Tenho a certeza de que vou descobrir mais coisas de que gostar, porque espero continuar a usar o Fairphone. Havia *uma última coisa* que eu queria fazer para o tornar verdadeiramente meu. Gosto que as coisas tenham a sua cor natural e crua. O_meu_relógio_é_de_titânio (https://willem.com/en/2020-11-30_designing-my-own-watch/) e eu_tirei_a_tinta_à_minha_bicicleta (https://willem.com/en/2018-06-09_removing-paint-from-a-bike-frame/). Decidi desmontar o Fairphone e remover o revestimento PVD, deixando o alumínio totalmente à vista, na sua cor natural. Usei lixa para lixar com cuidado a estrutura de metal. Sei que este aspeto não é para todos, mas encontrei esta publicação no X, que ganhou muita atenção e me garante que não sou o único a apreciar a beleza crua de ferramentas bem usadas. O telefone é agora único e só meu, adoro-o.

![Deixa as ferramentas serem ferramentas: que o alumínio seja como uma tela que mostra os padrões de uso](https://willem.com/global/images/5c6f7efa4658.webp)

![A usar lixa para remover a tinta do Fairphone](https://willem.com/global/images/94f1e27c8056.webp)

## Conclusão

Mudei de opinião sobre atualizar o smartphone com frequência. Os anos iniciais da inovação nos smartphones modernos acabaram. Os modelos novos são cada vez mais parecidos com os anteriores. As vantagens reais e tangíveis de ter um smartphone novo são cada vez menores. Sobretudo se puderes reparar as peças sujeitas a desgaste. E se tirares ao software o peso e o supérfluo de que não precisas, vais ter um ótimo desempenho, tal como o Porsche na pista!

### Desconto de 50 € no Fairphone

Estás a pensar comprar um Fairphone? Se usares esta ligação tens 50 € de desconto: shop.fairphone.com (http://rwrd.io/a80ja9v?c).

![O meu Fairphone 5 em alumínio natural, com o unLauncher no /e/OS sem Google](https://willem.com/global/images/57aa1563d072.webp)

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## Um portátil melhor

*Montar eu próprio o Framework 13* · 2025-02-10 · https://willem.com/pt/2025-02-10_um-portatil-melhor/

A eletrónica de consumo prende-nos muitas vezes a hardware selado e a atualizações forçadas, criando enormes quantidades de lixo eletrónico. A Framework desafia essa norma ao fazer portáteis que podes reparar, atualizar e personalizar, o que prolonga a sua vida útil e reduz o lixo eletrónico desnecessário. O meu Framework 13 chegou esta semana e montei-o eu mesmo. Este artigo é um resumo rápido do que esse processo envolveu, porque escolhi esta marca e o que vem a seguir.

## Porquê a Framework?

A ideia central da Framework é simples: criar dispositivos bem construídos e reparáveis, que não estão condenados por pequenas avarias nem por caminhos de atualização limitados. Ao contrário da maioria dos portáteis modernos, o Framework Laptop tem um interior amigo do utilizador: sem cola proprietária, com poucos parafusos especiais e módulos substituíveis. Isto reduz o lixo eletrónico e mantém o teu dispositivo relevante durante mais tempo. Tens liberdade para trocar peças, fazer atualizações ou reparações. As peças podem ser compradas no Framework Marketplace ou noutro lado. O computador usa muitos componentes standard, por isso não ficas necessariamente preso à Framework.

## A abertura da caixa e os componentes

O portátil chega numa embalagem simples e amiga do ambiente. Lá dentro encontras o chassis principal, o painel do ecrã e a moldura, o conjunto do teclado e módulos de portas opcionais. Este desenho mantém tudo modular. Se uma peça se avaria ou queres atualizar, trocas por um módulo novo em vez de deitar fora o dispositivo inteiro.

![Embalagem simples e amiga do ambiente](https://willem.com/global/images/08562f1ac1ca.webp)

![Dentro da caixa encontras as diferentes peças de que precisas para montar o portátil](https://willem.com/global/images/9c32876aa7ce.webp)

### Passos da montagem

Todas as peças, caixas e componentes internos têm códigos QR que levam a manuais online a explicar como reparar ou montar a máquina. Só precisas de ferramentas simples e normais (que estão incluídas na compra). O processo é bastante direto:

- **Escolha do CPU: ** ao encomendar escolhes o processador e a placa principal, que já vem instalada no chassis. Podes mudá-la mais tarde se quiseres outro tipo de CPU ou instalar uma atualização. A Framework vende uma caixa compacta para reaproveitar placas principais antigas como computadores independentes. Escolhi o AMD Ryzen™ 7 7840U (até 5,1GHz, 8 núcleos/16 threads), a melhor opção atualmente disponível.

- **Instalação da memória:** a placa-mãe inclui duas ranhuras de RAM acessíveis. Instalei 2 módulos de RAM de 48GB, que encaixam com facilidade e com instruções claras, o que resulta em espaçosos 96GB de RAM, uma quantidade invulgarmente alta para um portátil!

- **SSD NVMe:** optei por uma unidade NVMe de 8TB. Desliza para a ranhura própria e fixa-se com um único parafuso. A possibilidade de escolher e substituir o armazenamento é um grande argumento de venda. Gosto de ter muito armazenamento integrado (e rápido), porque quero reduzir a minha dependência de serviços na nuvem.

- **Moldura de ecrã mate: ** a Framework oferece um painel 3:2 de alta resolução, ideal para programar. O acabamento mate reduz o brilho e colocar a moldura exige apenas um pouco de cuidado no alinhamento. Escolhi uma moldura preta "aborrecida", mas se quiseres podes escolher todo o tipo de cores.

- **Teclado e tampa superior: ** há vários esquemas de teclado disponíveis. Depois de ligado o cabo, a tampa superior encaixa magneticamente. Escolhi um teclado Linux standard, mas podes dar largas à imaginação com teclas todas pretas ou todas transparentes.

- **Fecho do chassis: ** a caixa inferior do portátil fixa-se com parafusos normais. Se precisares de o reabrir, é simples: sem alavancas nem adesivos especiais. Os parafusos também prendem o teclado ao chassis. 

- **Portas substituíveis: **  cada lado do portátil tem ranhuras para portas. Podes escolher USB-C, USB-A, HDMI, DisplayPort, Ethernet ou microSD. Esta flexibilidade poupa-te a compra de adaptadores extra. 

![Instalar os dois módulos de RAM de 48GB é fácil](https://willem.com/global/images/376d5894c813.webp)

![O SSD de 8TB fixa-se com um único parafuso](https://willem.com/global/images/6bef8e4fd01e.webp)

![Escolhi um teclado Linux standard, sem Windows mas com uma tecla 'super'. Gosto das coisas SUPER. ](https://willem.com/global/images/b3b04c8f39da.webp)

![A tampa do teclado encaixa na posição com ímanes e fica presa quando apertas os parafusos da tampa inferior](https://willem.com/global/images/633df9faff2b.webp)

![Instalar a moldura do ecrã é fácil, podes escolher muitas cores diferentes, eu escolhi preto aborrecido.](https://willem.com/global/images/7147c64086c0.webp)

![A caixa fecha-se com segurança com 5 parafusos standard (a chave de parafusos está incluída!)](https://willem.com/global/images/a4df07a234c5.webp)

![O portátil tem módulos de portas substituíveis, que te permitem escolher as tuas próprias portas de I/O.](https://willem.com/global/images/5e44d8b2cf65.webp)

![Acabado de montar, com bom aspeto.](https://willem.com/global/images/19b739ef3db5.webp)

## Configurar o Debian GNU/Linux

Criei uma pen USB de arranque num PC com Windows, descarregando uma ISO de instalação do Debian. O menu de arranque da Framework reconheceu-a de imediato e o instalador do Debian correu sem problemas. A rede, o trackpad e as funcionalidades do ecrã funcionaram logo de origem, o que é um alívio comparado com o suporte_irregular_de_Linux_de_outros_portáteis (https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/).

![Usar o Windows para instalar o Linux: quem não gosta de uma boa ironia.](https://willem.com/global/images/3a8d2f514d4d.webp)

![O portátil reconhece o instalador do Debian 12 sem precisar de magia negra. ](https://willem.com/global/images/79fa8218b6a7.webp)

## Primeiras impressões

O Framework 13 tem o aspeto e a sensação de muitos portáteis premium, mas continua a ser reparável e atualizável. O desenho é relativamente fino e resistente, o que contraria a ideia de que os dispositivos reparáveis têm de ser desajeitados ou ter compromissos. Poder personalizar as portas é especialmente útil. Acabou a procura de adaptadores ou hubs sempre que precisas de outra opção de I/O: basta trocar um módulo de porta.

![O meu portátil Framework 13 com Debian GNU/Linux e Sway WM, pronto a apresentar-se ao serviço.](https://willem.com/global/images/a766405ae1d1.webp)

O desempenho até agora é excelente, graças à escolha de CPUs modernos e a uma generosa quantidade de RAM e de espaço SSD. Embora montar o portátil dê mais trabalho do que um dispositivo normal de loja, é gratificante saber que podes substituir componentes mais tarde. A documentação da Framework é clara e o processo é fácil de seguir se usares o guia passo a passo.

## Conclusão

O meu próximo passo é preparar o Debian para o uso diário: instalar ferramentas de programação, ativar a encriptação e afinar fluxos de trabalho. Isto está alinhado com a minha_transição_para_software_livre (https://willem.com/blog/free-software/) e com a redução do lixo eletrónico. Em breve partilho mais detalhes; por agora, o Framework 13 prova que podemos, *e devemos*, exigir melhor à eletrónica de consumo.

![Framework 13: um portátil melhor, feito com amor e montado por mim.](https://willem.com/global/images/7dd0644642d5.webp)

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## Podcast Downloader

*Um simples transferidor de podcasts RSS de código aberto* · 2025-01-27 · https://willem.com/pt/2025-01-27_podcast-downloader/

Farto de ser constantemente empurrado para "mais conteúdo relevante", criei um script para me libertar das apps de podcasts comerciais ou de código fechado. Só queria uma ferramenta que descarregasse em silêncio os meus programas preferidos: sem complicações, sem rastreio, sem extras. Lê este artigo para saberes mais; é software livre sob a GPLv3.

![Esquerda: Apple Podcasts, direita: Apple iBooks. Em ambos os ecrãs, cerca de metade da interface é dedicada a conteúdo que eu não pedi](https://willem.com/global/images/63c62beb99f0.webp)

As apps modernas são otimizadas para o envolvimento, com padrões para te manter a tocar em mais conteúdo de que *poderás* gostar - odeio isto. Empurram recomendações, promoções ou aquilo que o programador da app quer que seja descoberto, ofuscando a minha própria biblioteca e afastando-me das minhas escolhas originais.

Por isso escrevi o podcast-downloader, um pequeno script em Bash sob a licença GPLv3. Usa utilitários comuns do GNU/Linux para transferir podcasts a partir de um feed RSS e, opcionalmente, etiquetar os metadados.

## Principais funcionalidades

- **Baseado em RSS:** indicas qualquer URL de feed RSS válido; o script descarrega os ficheiros de áudio indicados nas etiquetas enclosure.

- **Uso simples:** basta executar um comando; não são precisos pacotes extra (id3v2 opcional, para etiquetar).

- **Amigo do cron:** perfeito para acrescentar ao teu crontab, com transferências automáticas diárias ou semanais.

- **Código aberto:** disponível como software livre sob a GPLv3. Faz um fork, modifica e partilha as melhorias.

## Utilização

Podes encontrar o código, as instruções completas e mais detalhes aqui: https://source.willem.com/podcast-downloader/ Em resumo:

- Descarrega o script em https://source.willem.com/podcast-downloader/podcast-downloader.sh

- Torna-o executável: **chmod +x podcast-downloader.sh**

- Indica o teu feed, a pasta de destino e, opcionalmente, o nome do álbum: **./podcast-downloader.sh -u "https://example.com/podcast.rss" -d "/path/to/download" -a "My Podcast Album"**

- Agenda no crontab se quiseres transferências regulares.

## Conclusão

Desfruta de uma experiência de podcasts sem anúncios, sem sugestões e totalmente livre no sentido da liberdade! Comentários e contribuições são bem-vindos.

![Podcasts descarregados no meu leitor de áudio A&K: os empurrões da Apple moderna levaram-me, ironicamente, de volta ao desenho antigo tipo iPod (ó doce ironia)](https://willem.com/global/images/5d2e9bc3b761.webp)

### Atualização: Auscultare, uma app Android ao estilo Unix

Seguindo a filosofia Unix de ferramentas pequenas e focadas, criei o par perfeito para este script. Enquanto o único trabalho do downloader é descarregar os ficheiros de áudio, o Auscultare é uma app Android simples e livre cujo único trabalho é reproduzi-los e acompanhar o teu progresso. É uma cadeia de ferramentas clássica, em que o sistema de ficheiros é o tubo que liga as duas.

Related posts:
- [Auscultare, leitor de podcasts e audiolivros](https://willem.com/pt/2025-08-29_auscultare-leitor-de-podcasts-e-audiolivros/)

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## A Liga dos Campeões do webdesign

*Tecnologia de ponta ao encontro das exigências digitais de topo* · 2025-01-23 · https://willem.com/pt/2025-01-23_a-liga-dos-campeoes-do-webdesign/

Criar um site de alto desempenho é uma forma de arte que mistura tecnologia de ponta com olho para o design e para o comércio. No escape.nl, a casa de um dos espaços mais emblemáticos de Amsterdam, cada detalhe reflete a precisão e o cuidado necessários para oferecer experiências fluidas e envolventes a grandes audiências. Este artigo destaca detalhes muitas vezes invisíveis com grande impacto.

## Destaques

- **Infraestrutura de alto desempenho** num dos melhores centros de dados dos Países Baixos

- **Filosofia de design simplificada**, que minimiza as distrações para um impacto máximo

- **Segurança e velocidade** através da entrega de conteúdo estático e de testes rigorosos

- **Abordagem à medida para telemóvel e multimédia**, com imagens e vídeos otimizados para qualquer dispositivo

- **Inovação e colaboração contínuas**, com foco tanto na tecnologia como na arte

## Escape Amsterdam

O Escape Club Amsterdam é um dos espaços mais antigos e mais conhecidos da cidade, que atrai multidões para atuações de DJs mundialmente famosos como Afrojack, Nicky Romero, Roger Sanchez e Fedde le Grand. É um destino essencial da vida noturna de Amsterdam. Como me disse uma vez um cliente AAA, isto é a Liga dos Campeões do webdesign: exige o teu melhor. Trabalhar num projeto assim é, ao mesmo tempo, uma honra e uma séria responsabilidade.

![Escape Club Amsterdam, um dos espaços mais antigos e mais conhecidos da cidade](https://willem.com/global/images/846a4d879e96.webp)

## Um visual que impressiona, uma velocidade que se mantém

Um dos objetivos não técnicos era a imersão imediata, quase entrar no clube, através de vídeo em ecrã inteiro. Mas por trás deste impacto visual há engenharia para um desempenho rápido, mesmo sob a carga da exposição na TV ou da viralidade nas redes sociais. Em colaboração com a equipa de media do clube, dois ficheiros de vídeo distintos garantem a reprodução instantânea em ecrãs largos ou verticais, cada um cortado com cuidado para transmitir bem o ambiente.

![Imersão imediata através de vídeo em ecrã inteiro](https://willem.com/global/images/860b56954422.webp)

![Dois vídeos distintos em ecrã inteiro, feitos para reprodução em ecrãs largos ou verticais](https://willem.com/global/images/47f50b951cc5.webp)

## Alojamento quando a fasquia é alta

O escape.nl beneficia de uma infraestrutura feita de propósito e verticalmente integrada num dos centros_de_dados (https://bit.nl) mais avançados dos Países Baixos, certificado para dados do Estado e de hospitais. Isto não é uma abordagem barata e comum. Escolhas deliberadas de hardware, armazenamento e rede garantem um desempenho robusto para milhares de visitantes em simultâneo. O alojamento não é um VPS_barato_e_banal (https://willem.com/en/2019-02-28_understanding-the-security-concerns-in-shared-hosting/); é uma funcionalidade integral do produto, preparada para tudo.

![Centro de dados da BIT.nl, com o vosso criado lá dentro :-)](https://willem.com/global/images/8bfb81b3abef.webp)

## Entrega de conteúdo mais inteligente, para mais velocidade e segurança

A maioria dos sites comuns (como o WordPress) depende de processamento no servidor a cada pedido, consultando bases de dados e expondo vulnerabilidades (por exemplo, um ecrã de início de sessão público em /wp-admin). Em vez disso, o escape.nl separa a gestão de conteúdos da entrega ao público. O site serve páginas estáticas pré-geradas e minificadas através do Nginx, apoiadas em caches de ficheiros em RAM, armazenamento SSD e HTTP/2. Com menos peças em movimento, carrega mais depressa, escala mais facilmente e reduz os potenciais riscos de segurança.

![Separar a gestão de conteúdos da entrega de conteúdos para ganhar velocidade e segurança](https://willem.com/global/images/ab8e39fc4be5.webp)

## Menos é mais: filosofia de design simplificada

Cada escolha no design do site reflete uma ética de "menos, mas melhor", com menos botões, plugins e dependências. Esta simplicidade melhora o desempenho e dirige a atenção para o "funil comercial", como a venda de bilhetes e de mesas VIP, com apelos à ação claros. Pensar no comércio não é uma ideia de última hora: o escape.nl nem sequer tem página inicial, por isso os convidados chegam diretamente à agenda do clube, a um passo de uma noite de saída e sem cliques extra.

![Botões grandes a dirigir a atenção para o funil comercial](https://willem.com/global/images/daa7b905f90d.webp)

## Ecrãs táteis na linha da frente

Com 80% dos visitantes a chegar por telemóvel, os gestos no ecrã tátil, como deslizar, são essenciais. Isto não é apenas o velho mantra "mobile-first"; reflete a realidade de hoje. A navegação, a reprodução de media e os fluxos visuais são refinados para funcionar com fluidez em todos os ecrãs. Entretanto, ferramentas avançadas geram várias versões de imagens e vídeos, otimizadas para diferentes resoluções e orientações. Isto garante detalhes nítidos como uma lâmina para as artes gráficas do clube, dando aos artistas visuais o palco que merecem, sem comprometer a velocidade nem o desempenho.

![Detalhes nítidos como uma lâmina nas artes gráficas do clube](https://willem.com/global/images/181ee4f13b10.webp)

![Suporte para gestos no ecrã tátil, como deslizar](https://willem.com/global/images/62ccce6968b9.webp)

## Otimização de ficheiros para o impacto visual

Imagens e vídeos grandes não têm de levar a carregamentos lentos. Ferramentas como o jpegoptim, o pngquant e o ffmpeg otimizam cada ficheiro individualmente para a máxima qualidade com o mínimo de tamanho. Esta abordagem ficheiro a ficheiro exige muito poder de cálculo, o que reforça o foco num alojamento robusto. Para quem se interessa por mais detalhes técnicos e pelas poupanças exatas em bytes, vê este_artigo_dedicado (https://willem.com/en/2018-09-26_optimising-images-for-the-web-and-performance/). O resultado são imagens marcantes sem sacrificar o desempenho. A galeria integrada, alojada por nós, dá uma vista rica da história do Escape Club, sem anúncios e totalmente sob o controlo editorial do clube. Ao contrário de plataformas de redes sociais como o Instagram, que têm anúncios, rastreio e censura externa, esta galeria oferece uma visão autêntica e ininterrupta do legado do clube.

![A galeria integrada dá uma vista rica da história do Escape Club](https://willem.com/global/images/f234428c5abc.webp)

![Todas as imagens são otimizadas individualmente, com várias cópias para diferentes ecrãs, maximizando a fidelidade do design responsivo](https://willem.com/global/images/7a4a2d8714b6.webp)

## Navegação fácil, gestão sem esforço

O escape.nl é fácil de explorar graças a um menu convencional e a um mapa do site no rodapé de todas as páginas. Esta navegação inclui apelos à ação claros que guiam os convidados para os bilhetes ou para os serviços VIP, aumentando a conversão. Entretanto, um sistema de gestão de conteúdos flexível permite à equipa fazer atualizações por app ou pela web, ideal para alterações de última hora ou anúncios de eventos.

![O site tem um menu convencional (à esquerda) e um mapa do site sensível ao contexto (à direita)](https://willem.com/global/images/88e2476e38f8.webp)

![Uma app fácil de usar permite à equipa do Escape gerir todo o site](https://willem.com/global/images/66f994fdbfcf.webp)

## Testes rigorosos para a excelência

O controlo de qualidade é vital. O escape.nl é sujeito a avaliações externas com o Chrome Lighthouse, o Google PageSpeed e as normas W3C. O PageSpeed é decisivo para a classificação nos motores de busca, mas difícil de otimizar; ainda assim, o site cumpre os melhores parâmetros de velocidade, acessibilidade e SEO, essenciais para receber e reter convidados. Além disso, é monitorizado 24/7, crucial para um clube que funciona fora do horário de escritório; lê mais sobre isso aqui (https://willem.com/en/2021-02-02_realtime-service-uptime-monitoring/). Páginas de erro personalizadas oferecem também uma aterragem suave, guiando as "pessoas do 404" para conteúdo relevante em vez de as deixar escapar.

![100 em 100 pontos no Google PageSpeed Insights em velocidade, acessibilidade e otimização para motores de busca ](https://willem.com/global/images/becff3a0f3c0.webp)

## Conclusão

Os sites excecionais não são um marco único; são uma viagem contínua. Como Steve Jobs disse famosamente, a verdadeira magia acontece onde a tecnologia encontra as artes liberais. Tenho o privilégio de ter trabalhado com alguns dos melhores, forjando uma sinergia de arte e precisão, e nem todos os projetos são compatíveis. Se estás entusiasmado por ver se combinamos, contacta-me por mail@willem.com ou marca uma chamada para explorarmos a tua visão e criarmos juntos algo extraordinário.

![A magia acontece na interseção entre a tecnologia e as artes liberais, como Steve Jobs costumava dizer](https://willem.com/global/images/a907377b82c7.webp)

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## Master of Change

*Prosperar no meio da incerteza com Flexibilidade Robusta* · 2025-01-18 · https://willem.com/pt/2025-01-18_master-of-change/

A mudança é uma das poucas constantes da vida. Ainda assim, mesmo sendo inevitável, enfrentá-la de frente pode ser assustador e desorientador. No livro "Master of Change", Brad Stulberg oferece um guia estimulante para não só sobreviver, mas prosperar num mundo em constante mudança.

À medida que envelheces, a mudança torna-se inevitável. Pensa na perda (https://willem.com/en/2024-09-10_i-see-dead-people/), em mudares_para_outro_lugar (https://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/) ou em tornares-te_pai/mãe (https://willem.com/en/fatherhood-the-personal-thread-behind-the-technology/). A mudança é parte integrante da vida e, no entanto, muita gente parece resistir-lhe: agarra-se ao desejo de "voltar ao normal" depois das perturbações, o que por vezes se descreve como "homeostase".

## Homeostase versus alostase

No seu livro "Master of Change", Brad_Stulberg (https://www.bradstulberg.com) explica que o conceito de "homeostase" pode ser limitador no contexto do fluxo constante da vida, porque implica que a estabilidade se alcança resistindo à mudança. É apresentada uma alternativa mais dinâmica, a "alostase", que sugere que alcançamos o equilíbrio ajustando-nos e evoluindo em resposta à mudança. Em vez de te agarrares a um statu quo imutável, podes abraçar a mudança como uma oportunidade de crescimento e adaptação. Esta perspetiva sustenta o conceito de "flexibilidade robusta", que nos ajuda a manter a nossa identidade enquanto evoluímos com as exigências da vida.

![O autor do livro 'Master of Change', Brad Stulberg, no seu site bradstulberg.com](https://willem.com/global/images/8707daefaf85.webp)

Brad_Stulberg (https://www.bradstulberg.com), conhecido pelo seu trabalho sobre desempenho humano e crescimento pessoal, mergulha fundo na natureza da mudança. O seu conceito de "flexibilidade robusta" destaca-se como tema central, uma ideia que combina firmeza nos teus valores com vontade de te adaptares ao imprevisível. Gosto muito de como o autor mantém uma abordagem pragmática e direta ao assunto. Está escrito com mestria, inspirando-se na espiritualidade e na sabedoria zen sem nunca se tornar demasiado "esotérico". É uma filosofia prática, pensada para te ajudar a enfrentar a mudança sem te perderes pelo caminho.

![O livro recorre muitas vezes a histórias e filosofias intemporais de pensadores antigos, oferecendo ideias que continuam surpreendentemente relevantes e estimulantes no mundo de hoje.](https://willem.com/global/images/790887cc69de.webp)

## Ideias principais

No centro de Master of Change está a ideia de flexibilidade robusta. Stulberg descreve-a como encontrar um equilíbrio: manter-te firme no que realmente importa, permitindo-te dobrar e evoluir quando as circunstâncias mudam. Esta dualidade não é ser rígido nem demasiado fluido; é saber onde manter a tua posição e quando mudar de direção.

Stulberg sublinha também a importância de encarar as transições com atenção plena. Apresenta ferramentas como:

- **Rituais:** pequenos hábitos de ancoragem que dão uma sensação de normalidade.

- **Autorreflexão:** verificar regularmente os teus valores e emoções para garantir o alinhamento.

- **Mudanças graduais:** enfrentar a mudança um passo gerível de cada vez, em vez de ficares paralisado pela dimensão do desafio.

Estes princípios foram pensados para te ajudar a atravessar a mudança com clareza e compostura, evitando o esgotamento ou a armadilha do perfeccionismo.

![O conceito de "flexibilidade robusta" destaca-se como tema central do livro Master of Change](https://willem.com/global/images/1c21aaa16223.webp)

## Momento para refletir

O trabalho de Stulberg tem tanto a ver com fazer as perguntas certas como com oferecer soluções. Aqui ficam algumas perguntas a considerar enquanto refletes sobre a tua relação com a mudança:

- Quais são os meus valores essenciais e como podem servir-me de âncora em tempos de incerteza?

- Estarei a agarrar-me demasiado a crenças ou hábitos ultrapassados? Onde é que a flexibilidade me serviria melhor?

- Que passos pequenos e intencionais posso dar para facilitar o meu caminho através das mudanças que enfrento?

## Conclusão

O livro Master of Change oferece uma orientação perspicaz para atravessar as transições inevitáveis da vida com resiliência e capacidade de adaptação. Ao abraçar a flexibilidade robusta e ao ancorar-te nos valores essenciais, este livro oferece perspetivas ponderadas e ferramentas práticas para prosperar no meio da incerteza e da mudança. Tendo atravessado várias mudanças eu próprio, estou grato por me terem recomendado este livro e agora fico contente por te passar essa recomendação: vale bem a pena explorá-lo.

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## Dados versus Sensações

*Duas maratonas em 6 semanas* · 2024-12-19 · https://willem.com/pt/2024-12-19_dados-versus-sensacoes/

No início deste mês corri a Maratona de Valência (42KM), apenas seis semanas depois de terminar a minha primeira maratona de sempre, em Amesterdão. Usei duas abordagens diferentes nestas provas: correr pelas sensações e correr com dados. A experiência foi muito diferente, e neste artigo do blogue explico-te porquê.

## Contexto

Se és amigo do blogue, sabes que tenho uma paixão por dados (https://willem.com/blog/data/) e que experimento muitas vezes diferentes sensores_de_saúde (https://willem.com/en/wearable-sensors-measuring-the-body-questioning-the-data/) e pulseiras_de_atividade (https://willem.com/en/sport-and-the-body-training-tracking-and-learning-to-listen/). Depois de concluir a minha_primeira_meia_maratona (https://willem.com/en/2024-03-24_half-marathon/) no início deste ano, questionei-me sobre a utilidade_dos_dados_de_saúde_e_fitness (https://willem.com/en/2024-01-16_health-and-fitness-data/). A sondagem por baixo desse artigo mostra que 17% de vocês não recolhem quaisquer dados.

Os defensores dos dados diriam que só se pode gerir ou melhorar aquilo que se mede. Os dados de saúde e de fitness permitem acompanhar o progresso que fazes. Há quem os use como motivação e como forma de se mostrar aos amigos no Strava (https://strava.com).

Por outro lado, quem é crítico dos dados cita muitas vezes a importância das sensações. Como espécie, evoluímos durante milhares de anos sem dados, estamos feitos para funcionar com os nossos próprios sentidos. Os dados podem ter efeitos negativos, incluindo emoções negativas, e podem criar uma pressão artificial que leva ao stress. Recomendo a leitura do extenso estudo "The_Dark_Side_of_General_Health_and_Fitness_Related_Self-Service_Technologies" (https://willem.com/etcetera/2024-12-19_chen-et-al-2024-the-dark-side-of-general-health-and-fitness-related-self-service-technologies-a-systematic-review-of.pdf) de Chen_et_al (https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/07439156231224731). que aborda o vasto leque de literatura académica sobre este tema.

Eu estou algures a meio, a experimentar abordagens diferentes para ver como funcionam comigo. Com duas maratonas marcadas em seis semanas, decidi fazer uma pequena experiência: correr uma maratona pelas sensações e a outra com dados.

## Abordagem A: Sensações

A primeira_maratona (https://willem.com/en/2024-10-20_marathon/) corri-a sem quaisquer dados em tempo real. Confiei apenas nas minhas sensações, usei um relógio_analógico (https://willem.com/en/watches-and-time-a-decade-of-horology-technology-and-craft/) e 'medi' a distância simplesmente a acompanhar as várias placas ao longo do percurso. Escolhi o ritmo sentindo o meu corpo, a tentar equilibrar velocidade e resistência. Usei o meu WHOOP (https://willem.com/en/2022-01-14_wearing-whoop-4-0/), mas funcionou em segundo plano e só me deu os dados da frequência cardíaca depois da prova.

## Abordagem B: Dados

A segunda maratona corri-a com dados em tempo real. Usei um Apple Watch Ultra 2 que me mostrava o ritmo atual, o ritmo médio, a frequência cardíaca atual, a distância percorrida e o tempo. Para além do ecrã, o relógio vibrava a cada 1KM e mostrava um resumo do progresso até ali. Planeei o ritmo com antecedência, com um tempo médio concreto que me faria terminar os 42 quilómetros um pouco mais depressa do que na primeira maratona.

## Como correu?

As sensações são um indicador poderoso e válido. Mas, com a dopamina e a excitação durante a prova, é difícil sentir a diferença entre um ritmo de 150 BPM e um de 165 BPM, e este último é muito mais difícil de manter durante muitas horas. Antes da minha primeira maratona fiz vários treinos longos, até aos 30 quilómetros. Aprendi a gerir o ritmo até essa distância. Mas, quando passei a marca dos 28K na maratona completa, o meu desempenho desabou rapidamente. Não consegui manter o ritmo com que comecei, tive de abrandar e de lutar mentalmente contra a vontade imediata de parar. No fim ultrapassei essa quebra e terminei a maratona em 4 horas e 15 minutos.

![Abordagem A: Não consegui manter o 'ritmo da boa sensação', o que provocou uma quebra a meio da maratona (como mostram os dados pós-prova)](https://willem.com/global/images/81547313ecbb.webp)

![Abordagem A: Vê-se a minha frequência cardíaca a disparar a meio da maratona, demasiado alta para ser sustentável; ao abrandar, voltei a uma zona viável](https://willem.com/global/images/b8ce2194acc1.webp)

Com base na experiência da primeira maratona, percebi que tinha de começar a segunda mais devagar. Fixei-me num ritmo de 5'55"/km, por ser um número fácil de lembrar e muito próximo do ritmo médio da minha primeira maratona. O meu objetivo era ficar perto deste ritmo pelo menos durante os primeiros 35 quilómetros. Depois disso planeei 'soltar-me' e ver que ritmo conseguia fazer nos últimos quilómetros.

![Abordagem B: Gerir o ritmo nos primeiros 35 quilómetros e depois acelerar](https://willem.com/global/images/0912c7a4847f.webp)

Olhei para o relógio com regularidade enquanto corria, a ajustar continuamente o ritmo, um pouco mais devagar ou um pouco mais depressa, para manter os números sob controlo. Além do ritmo, vigiei a frequência cardíaca. Sabia que, se os BPM subissem demasiado, seria impossível manter o ritmo. Consegui ficar abaixo dos 155 BPM durante os primeiros 60% da distância. Senti-me muito melhor, com muito mais capacidade para terminar a prova. No fim consegui ultrapassar imensa gente que tinha desabado, o que me estimulou a ir ainda mais depressa. O último quilómetro foi o mais rápido e terminei a maratona em 4 horas e 8 minutos.

## Conclusão

Depois de terminar a primeira maratona, baseada nas sensações, descrevi-a como "quase espiritual na sua profundidade". Ainda hoje olho para essa experiência como algo que teve um efeito profundo em mim. Desabar e levantar-me outra vez fez-me perceber que sou muito mais forte do que muitas vezes penso. A força mental que isso me deu ainda ressoa dentro de mim. Em contrapartida, embora tenha orgulho em ter batido o meu recorde pessoal, a segunda maratona deixa-me uma sensação mais vazia. Os dados fizeram-me ir mais depressa, mas tiraram-me alguma coisa: foi menos desafiante.

Naturalmente, sei que posso "redescobrir" esse desafio se o tornar mais difícil para mim: por exemplo, ir mais depressa. É isso que pretendo fazer no próximo ano: apontar a um tempo abaixo das 4 horas, talvez até melhor.

Mas, no fundo, espero que, ao ganhar mais experiência, consiga conhecer-me a mim e ao meu corpo o suficiente para fazer isto sem dados. Para alcançar o máximo desempenho equilibrando corpo e mente. Isto sim, é algo por que vale a pena correr, ha!

![Terminar 2 maratonas em 6 semanas (Esquerda: Amesterdão, Direita: Valência)](https://willem.com/global/images/0022d3a4d903.webp)

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## O Problema do Bitcoin

*Todos ganham* · 2024-12-09 · https://willem.com/pt/2024-12-09_o-problema-do-bitcoin/

Há poucos dias, o valor de um único Bitcoin ultrapassou brevemente os 100 mil dólares, um marco que parecia inimaginável há apenas alguns anos. Pergunto-me quão duradouro é este amor cada vez maior pelo Bitcoin. Vamos olhar com mais atenção para os mecanismos que sustentam a criptomoeda mais famosa do mundo.

## A genialidade do Bitcoin

Descrito num_artigo (https://willem.com/etcetera/2009_satoishi-nakamoto_bitcoin.pdf), o Bitcoin foi apresentado em 2009 por uma entidade anónima conhecida como Satoshi_Nakamoto (https://en.wikipedia.org/wiki/Satoshi_Nakamoto). Nesse artigo propõe-se uma alternativa a um sistema de dinheiro com controlo central (por exemplo, um banco central), através de software que corre em vários computadores (ou pares) pertencentes a diferentes organizações e pessoas.

![Resumo do artigo original de Satoshi Nakamoto (2009)](https://willem.com/global/images/cffc3618ec86.webp)

Cada par da rede consegue acompanhar *todas* as transações através de assinaturas criptográficas. As transações são assinadas em sequência, e o resultado das transações anteriores forma a entrada criptográfica das novas: forma-se assim uma cadeia, a blockchain.

![O princípio da blockchain visualizado: o resultado das transações anteriores forma a entrada criptográfica das novas](https://willem.com/global/images/2c2decd3a9b7.webp)

Com o tempo, o Bitcoin passou de uma tecnologia de nicho a um ativo financeiro amplamente reconhecido. Em 2024, mais de 52 milhões de endereços Bitcoin únicos detêm saldos, o que mostra a sua adoção crescente em todo o mundo. O valor do Bitcoin, inicialmente insignificante no lançamento em 2009, atingiu um novo 'máximo de sempre' de 100 000 dólares em dezembro de 2024, embora continue volátil. A criptomoeda ganhou força tanto como ativo especulativo como instrumento financeiro, sobretudo em regiões com moedas instáveis ou com acesso limitado à banca.

![2009-2024: a subida do valor do Bitcoin é difícil de ignorar](https://willem.com/global/images/8b0c62b15d64.webp)

Apesar de apreciar a tecnologia criptográfica subjacente como alternativa à moeda fiduciária, acho problemática a ideia de que o valor do Bitcoin pode subir indefinidamente. Enquanto os preços sobem, toda a gente ganha, mas isso exige uma entrada (quase) constante de dinheiro novo. Onde vai estabilizar o preço do Bitcoin? Ninguém sabe!

## A mania das tulipas

De certa forma, a subida atual do preço do Bitcoin faz-me lembrar a Tulipomania neerlandesa, um fenómeno financeiro da Idade de Ouro neerlandesa (década de 1630), muitas vezes descrito como uma das primeiras bolhas económicas de que há registo. Girava em torno da compra e venda especulativa de bolbos de tulipa, que passaram a ser muito procurados. No auge da Tulipomania, muitos investidores partiam do princípio de que os preços das tulipas continuariam a subir, devido à forte procura e à oferta limitada de bolbos raros, tal como se pensa hoje do Bitcoin. Esta crença era alimentada por histórias de lucros extraordinários e pela subida rápida dos preços. No entanto, quando a confiança no mercado vacilou em 1637, os preços colapsaram de forma abrupta, causando perdas financeiras a muitos especuladores.

![A especulação de outros tempos: a Tulipomania neerlandesa](https://willem.com/global/images/59340563ae37.webp)

## Dependência das plataformas de câmbio

O papel do Bitcoin como "reserva de valor" está fundamentalmente ligado à possibilidade de o trocar por moedas fiduciárias, já que o seu uso nas transações do dia a dia é limitado. Ao contrário do dinheiro, o Bitcoin não é aceite em todo o lado para compras diretas, pelo que é preciso recorrer a plataformas de câmbio para o converter em capital gastável.

Esta dependência cria estrangulamentos, pois as plataformas de câmbio estão sujeitas a um escrutínio regulatório cada vez maior, nomeadamente através de procedimentos rigorosos de "Know Your Customer" (KYC) e de combate ao branqueamento de capitais (AML). Estas regras acrescentam camadas de supervisão centralizada e reduzem a natureza pseudónima originalmente associada ao Bitcoin. Por isso, embora o Bitcoin funcione numa rede descentralizada, o seu uso prático continua em parte limitado por uma infraestrutura centralizada.

Uma mudança súbita de sentimento quanto ao valor do Bitcoin poderia levar a uma venda em massa, sobrecarregando as plataformas de câmbio com pedidos de "levantamento". Isto levanta dúvidas sobre se as plataformas têm reservas suficientes em moeda fiduciária para honrar os levantamentos.

## Conclusão

Enquanto o preço do Bitcoin subir, toda a gente estará contente, mas suspeito que há um limite para o seu crescimento. O preço do Bitcoin acabará por estabilizar, ou cairá a pique quando parar a entrada de dinheiro novo? Cuidado ao expores-te a esta volatilidade: ninguém sabe realmente qual será o valor máximo do Bitcoin nem quando será atingido!

*Aviso: isto não é aconselhamento financeiro, faz a tua própria pesquisa.*

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## Escreve as tuas próprias palavras

*Contra a IA na escrita* · 2024-11-11 · https://willem.com/pt/2024-11-11_escreve-as-tuas-proprias-palavras/

Há dois anos, o ChatGPT foi lançado e popularizou a IA como ferramenta para criar coisas. Os grandes modelos de linguagem geram texto a partir de instruções e produzem palavras difíceis de distinguir das escritas por uma pessoa. Os benefícios a curto prazo são claros, mas desconfio que muita gente subestima os custos a longo prazo.

Desde que a OpenAI lançou o ChatGPT, tenho trabalhado ativamente com esta nova tecnologia para perceber o que ela consegue fazer. Já programei_com_IA (https://willem.com/en/2023-05-03_using-ai-to-generate-code/), aprendi_com_IA (https://willem.com/en/2024-05-11_developing-a-native-ios-app/) e ensinei_pessoas_a_trabalhar_com_IA (https://willem.com/en/2023-10-14_giving-ai-training/). Voltei_à_universidade (https://willem.com/en/2023-02-08_back-to-the-university/) para atualizar os meus conhecimentos sobre as tecnologias por trás da IA. Escrevi um_artigo_de_blogue_com_ar_verdadeiro_feito_com_IA (https://willem.com/en/2022-10-23_muse-in-carre/). Mas, acima de tudo, tenho pensado_no_impacto_da_IA_na_nossa_sociedade (https://willem.com/en/2022-09-11_computer-says-no/).

É uma ferramenta poderosa, capaz de coisas incríveis, como detetar_cancro_em_imagens_de_ressonância_magnética (https://news.harvard.edu/gazette/story/2024/09/new-ai-tool-can-diagnose-cancer-guide-treatment-predict-patient-survival/) ou estruturar_e_documentar_código_para_o_tornar_reutilizável (https://willem.com/en/2023-12-15_backup-rotation-scheme/). Toda a gente pode usar IA, e é aí que está um problema potencial, sobretudo na criação de conteúdos.

## Unicamente humano

Se todos usarmos as mesmas ferramentas para *gerar* conteúdos, com o tempo tudo vai começar a parecer igual. Corremos o risco de perder diversidade. Sobretudo porque os novos modelos informáticos estão a ser treinados com conteúdos acabados de gerar. É um ciclo recursivo que faz os conteúdos novos parecerem cada vez mais semelhantes aos existentes.

Já se vê este problema nos resultados de pesquisa do Google. As pessoas notaram que os resultados estão a piorar. Isto atribui-se muitas vezes a uma quantidade crescente de conteúdo otimizado para motores de busca, mas de baixa qualidade. Vale a pena ver este estudo de Bevendorff_Et_Al (https://willem.com/etcetera/2024-03_bevendorff-et-al.pdf). com uma investigação longitudinal sobre o spam de SEO nos motores de busca. O conteúdo de baixa qualidade, mas *com bom aspeto*, empurra para longe o conteúdo realmente valioso.

O que podemos fazer? Com certeza que quem faz os modelos informáticos vai criar filtros inteligentes para excluir material de baixa qualidade do treino. **Espero que passe a haver um prémio para o conteúdo que não é gerado por IA**. Tal como o antigo aço_de_baixo_fundo (https://en.wikipedia.org/wiki/Low-background_steel) é valorizado por não estar contaminado com os vestígios de precipitação nuclear presentes no aço moderno.

![O aço dos velhos naufrágios é valorizado pela sua pureza - fundo marinho do HMS Royal Oak (Scapa Flow)](https://willem.com/global/images/0a3772f38bb9.webp)

## Detetar conteúdo de IA

Foi a IA que escreveu isto? Em que difere a escrita do ChatGPT da dos humanos? Investigadores da Preply procuraram_sinais_para_detetar_textos_escritos_por_IA (http://preply.com/en/blog/ethical-essay-etchings/) para determinar a origem de ensaios de estudantes. Analisaram 12 000 ensaios e fizeram uma análise das palavras, expressões e erros mais frequentes, tanto em textos escritos por humanos como gerados por computador. Estas são algumas das principais conclusões:

- Os textos escritos por humanos tinham muito mais probabilidade de conter erros: 78% dos textos tinham pelo menos um erro, contra apenas 13% dos ensaios de IA

- Os erros de pontuação mais comuns nos textos humanos eram vírgulas em falta, erros com hífenes e espaços em falta

- O ChatGPT usa menos 35% de vocabulário único do que os humanos, com apenas 7308 palavras únicas no total, contra 11 248 palavras únicas nos textos escritos por humanos

- Os humanos tendem a usar substantivos e verbos comuns como 'um' ou 'pessoas', enquanto o ChatGPT prefere termos complexos e especializados como 'cultural' ou 'económico'.

![Resultados da investigação da Preply: distinguir textos escritos por IA de textos escritos por humanos](https://willem.com/global/images/25bd364c115c.webp)

## Arte em vez de artificial

Se te importas com o conteúdo, devias considerar vê-lo como arte: pode haver nele uma qualidade humana que determina o seu significado para outros humanos. Numa comparação detalhada, a Gold_Penguin (https://goldpenguin.org/blog/ai-vs-human-art/) compara arte criada por humanos com arte gerada por IA. As principais conclusões para identificar conteúdo criado por IA são:

- **Uso excessivo de padrões:** as máquinas lidam mal com entropia ou dados aleatórios, por isso os geradores de IA tendem a repetir certos padrões que são proeminentes noutras imagens

- **Complexidade**: a IA tem dificuldade em reproduzir os elementos únicos ou invulgares com que os artistas humanos mais experimentam.

- **Falta de emoção**: embora por vezes seja visualmente melhor, a arte de IA não tem a profundidade emocional e concetual da arte humana.

- **Erros**: Já viste uma obra de arte e simplesmente sabes que é falsa, mesmo sem saberes explicar porquê? É o vale da estranheza. Costuma manifestar-se em pequenos pormenores e não em algo mesmo à frente do nariz. Seis dedos, pupilas que escorrem, objetos mal agarrados, e a lista continua. 

![Encontra o verdadeiro Monet (o jardim do artista em Vétheuil) - provavelmente consegues fazê-lo facilmente, apesar de as duas imagens serem bonitas](https://willem.com/global/images/28eee7ee0fa3.webp)

![Encontra o verdadeiro Van Gogh - uma tarefa fácil se olhares para os padrões repetidos](https://willem.com/global/images/9a8319e2f477.webp)

Entendo que nem todos os textos são igualmente importantes e que alguns não merecem ser elevados a obras de arte. Há casos de uso muito bons para os geradores de IA, incluindo traduções ou resumos. Não sou contra os grandes modelos de linguagem em geral, defendo apenas que devem ser vistos como uma ferramenta com vantagens e desvantagens.

## Conclusão

Quanto mais poderosa é uma ferramenta, maior o mal que *pode fazer*: cabe a quem a manuseia usá-la bem. Embora os grandes modelos de linguagem sejam poderosos na capacidade de gerar textos com bom aspeto, o seu valor é, no fim, determinado pelo significado que os humanos lhe atribuem. Se os museus cheios de arte são alguma indicação, espero que haja sempre apreço pelas coisas feitas à mão. Podemos começar por simplesmente ligar um pouco mais às coisas que criamos, por exemplo escrevendo as nossas próprias palavras.

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## Ficar viral no X

*32 mil visualizações em dois dias* · 2024-11-10 · https://willem.com/pt/2024-11-10_ficar-viral-no-x/

No início desta semana, uma das minhas publicações na rede social X tornou-se viral e atraiu 32 mil visualizações em dois dias. Sem grande presença na plataforma de Elon Musk e sem publicidade paga, conseguir esta atenção é algo especial. Deixa-me explicar como aconteceu.

## A publicação

Se tens acompanhado o meu blogue, talvez saibas que eu gosto_do_meu_Apple_Vision_Pro (https://willem.com/blog/vision-pro/). O aparelho atrai muita atenção, e muita gente pergunta-se o que ele poderia fazer se tivesse mais capacidades de software.

![O meu Apple Vision Pro](https://willem.com/global/images/797ea4d63c94.webp)

Esta semana, o novo Mac Mini da Apple chegou às lojas. É um computador super potente e incrivelmente pequeno. O departamento de marketing da Apple tirou partido do 'fator fofura' na publicidade. Não te enganes, este pequeno computador é uma potência, que se pode configurar com até 128GB de RAM, 40 núcleos de CPU e nada menos que 8TB de armazenamento flash super rápido.

![Mac Mini](https://willem.com/global/images/ac3b9e0e5744.webp)

A minha publicação consistia em juntar estas duas coisas numa só. Com uma imagem bem escolhida, podia falar por si. Pensei em combinar duas imagens promocionais da Apple numa só, juntá-la a uma frase simples e publicá-la_no_X (https://x.com/wlmiddelkoop/status/1854369135628623974):

![A minha publicação no X: Mac Mini x Vision Pro](https://willem.com/global/images/6c092b2a72e6.webp)

Uma coisa que me foi muito útil é que me habituei a produzir conteúdo diretamente no telemóvel. Não preciso de um computador para o Photoshop nem para o Microsoft Word. Isso permite-me agir logo que me surge uma ideia. No meu iPhone usei o Pixelmator para juntar as duas imagens:

![Edição de imagem em movimento: Pixelmator no iPhone](https://willem.com/global/images/7f2b58c6db52.webp)

## Atrair atenção

Publicar algo no X é uma coisa, ser descoberto e visto pelos outros é outra bem diferente. A plataforma usa algoritmos para decidir que publicações aparecem a quem. Se uma publicação recebe gostos de pessoas reais e verificadas, o algoritmo interpreta isso como um sinal de que o conteúdo é *bom*. Depois continua a ampliá-la, recolhe mais reações em gostos e partilhas e reforça o estatuto de publicação viral.

O mais difícil é conseguir que sejam precisamente essas pessoas a gostar da tua publicação, para o algoritmo começar a ampliá-la. A tua publicação precisa de um empurrão, como se costuma dizer, para ganhar o primeiro impulso; depois de ganhar velocidade, pode continuar a acelerar sozinha. É como uma bola de neve a rolar montanha abaixo, que pode causar uma avalanche.

Nesta publicação, sabia que há algumas pessoas influentes no X que publicam ativamente sobre o Apple Vision Pro. Pensei que, se vissem a minha publicação, havia boas hipóteses de uma ou duas delas gostarem ou partilharem. Com a função de pesquisa do X, encontrei as publicações mais populares sobre o Vision Pro e anotei à mão os nomes de utilizador (por exemplo, @wlmiddelkoop) dos autores.

Depois criei uma_segunda_publicação (https://x.com/wlmiddelkoop/status/1854370880794529798), que citava a original, com uma frase ainda mais simples seguida de todos os autores. Assim, os autores recebem um aviso de que alguém os mencionou. Nem todos reagem, mas, sendo uma publicação relevante sobre um tema do seu interesse, é provável que interajam. E foi o que aconteceu! Em poucos minutos recebi as primeiras reações de um dos autores que mencionei.

![Publicação que cita a minha publicação original no X, com uma frase mais simples, a mencionar autores que selecionei à mão por terem publicado sobre o tema da minha publicação](https://willem.com/global/images/26c7ff2ef12d.webp)

Quando a publicação teve mais duas interações de contas verificadas, o algoritmo começou a mostrá-la nas cronologias de cada vez mais pessoas. Resultado: milhares de visualizações em apenas umas horas.

![32 mil visualizações em dois dias](https://willem.com/global/images/5bc6859aeae9.webp)

Podemos perguntar-nos até que ponto esta viralidade é reproduzível. Foi coincidência? Enganei o sistema, ou funcionou porque é mesmo *suposto funcionar assim*? Pensando bem, faz sentido que o conteúdo de que as pessoas reais realmente gostam seja mais mostrado. A plataforma X, como todas as outras redes sociais, otimiza para o envolvimento: o *bom conteúdo* é o seu combustível.

## Lições

Se estás a pensar publicar tu próprio nas redes sociais, acho boa ideia ter isto em mente:

- **Age depressa**: Tens uma ideia? Publica-a! Se pensas em algo que te desperta a imaginação, é provável que mais gente sinta o mesmo. Faz isso em movimento. Partilha e descobre.

- **Imagem**: Pensa na 'leitura de relance': uma imagem diz mais do que muitas palavras. Cria e combina coisas. 

- **Ajuda a ser encontrado**: Escolhe palavras que correspondam ao teu tema, sê específico para ajudar o algoritmo a perceber de que trata a tua publicação. Se procurasses a tua própria publicação, que palavras-chave ou expressões de pesquisa usarias?

- **Liga-te ao público**: Escolhe 5 a 10 autores que possam ter interesse genuíno na tua publicação. Não chateies ninguém, mas procura dar valor ao contactá-los. Gostarias que outra pessoa te contactasse com *essa* publicação? Então faz isso!

- **Aproveita o impulso**: Os temas populares são populares por uma razão; publica conteúdo relacionado ou responde a publicações existentes para beneficiares das tendências em curso.  

## Conclusão

As redes sociais não são ciência de foguetões*, pensa nelas como uma troca de ideias informatizada. Faz a tua ideia chegar a quem pensa em coisas parecidas e a tua publicação pode ganhar muita atenção. Imagina apenas que *tu* és a pessoa que queres alcançar: se interagisses com o teu próprio conteúdo, é provável que os outros também o façam!

* apesar de pertencer ao mesmo homem que é dono da SpaceX, ha!

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## Maratona

*A minha primeira maratona completa* · 2024-10-20 · https://willem.com/pt/2024-10-20_maratona/

No domingo passado completei a minha primeira maratona, uma distância de 42KM dentro e à volta de Amesterdão. Uma ideia que nasceu num bar, com umas cervejas, e terminou com uma meta no Estádio Olímpico. Que viagem, que experiência, bem digna de um artigo no blogue.

Há cerca de um ano, estava a beber umas cervejas com o meu amigo Niels, que tinha acabado de correr a Maratona de Nova Iorque. Depois de me contar com paixão a *sua* experiência, largou a bomba: "Porque é que não corres uma maratona comigo para o ano?!"

![Como nascem as grandes ideias: uns rapazes com umas cervejas](https://willem.com/global/images/27054fc736ba.webp)

Talvez fosse a cerveja deliciosa, talvez fosse sabedoria, mas a ideia pareceu-me ótima desde o início! O único problema (pequeno) era que eu nunca tinha corrido a sério. Será que podia transformar a minha experiência no ciclismo (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/) em algo útil para a corrida?

Seguindo os conselhos de várias pessoas com mais experiência em corrida, fui a uma loja_de_corrida (https://www.hetloopcentrum.nl/) local pedir orientação sobre sapatilhas. A simpática equipa da loja fez-me correr numa pista de teste especial, equipada com sensores que registam a pressão dos pés ao pisarem o chão durante a corrida. O objetivo é ter uma transição suave de passo para passo. Deste teste ficou claro que o meu pé esquerdo se comporta de maneira um pouco diferente do direito. Que engraçado, é algo que também já tinha notado nos dados dos pedais_com_medidor_de_potência (https://willem.com/en/2019-08-28_riding-with-a-power-meter-on-your-bike/) da minha bicicleta. Calçar as sapatilhas certas é muito importante para evitar lesões e tirar o máximo prazer da corrida.

![As minhas Asics GT-4000 em azul mako/preto, extra largas (2e)](https://willem.com/global/images/eae52fbf92c7.webp)

O meu primeiro treino foi uns 5K à volta do meu edifício de escritórios em Amesterdão. Muitos treinadores profissionais aconselham um corredor novato a começar com uma distância mais curta e a ir aumentando aos poucos... Eu queria perceber em que ponto estava, ignorei qualquer conselho e fui a fundo para ver como seriam 5K, dada a minha experiência como ciclista. *Que desastre.*

![Dados do primeiro treino de 5K: repara no ritmo lento e na frequência cardíaca alta](https://willem.com/global/images/f98f8db5f27c.webp)

Uma coisa que se vê claramente nos dados do primeiro treino é que o meu ritmo foi relativamente lento e, mesmo assim, tive uma frequência cardíaca muito alta logo desde o início. Isto porque o meu corpo não estava *nada* habituado a correr; funcionava numa espécie de choque. É por isso que deves ir com calma: dá ao teu corpo a hipótese de se adaptar a este novo tipo de esforço.

Depois dessa primeira volta continuei a treinar, vários dias por semana, com diferentes intensidades. Como gostava de o ter como referência, usei sempre os 5K como mínimo, a brincar com ritmos diferentes até encontrar um ritmo que aguentasse com um pouco mais de facilidade. Não demorou muito até começar a gostar do meu novo passatempo, o que tornou ainda mais fácil manter os treinos.

Após apenas algumas semanas, comecei a ver progressos reais no ritmo e na resistência; o meu corpo estava claramente a adaptar-se. Para manter as coisas interessantes, defini objetivos mais pequenos: inscrevi-me em provas locais de corrida em Horst aan de Maas: os 10K_Rundje_um_ut_Hundje (https://www.rundjeumuthundje.nl) e a 21K_Venloop (https://venloop.nl/) em Venlo. Escrevi um artigo no blogue sobre correr_a_meia_maratona_em_Venlo (https://willem.com/en/2024-03-24_half-marathon/).

Durante o resto do ano continuei os treinos, levei até as sapatilhas de corrida nas férias de verão em Itália. É uma das coisas de que gosto na corrida: podes levar facilmente o equipamento contigo e ir correr onde estiveres.

![A correr à chuva no Lago de Lugano, em Itália](https://willem.com/global/images/565447fe6a26.webp)

![Treinar para uma maratona: nenhuma montanha é demasiado alta, é só passar pelo túnel... :-)](https://willem.com/global/images/2e204edbb901.webp)

![Acordar cedo na Toscana para correr antes do nascer do sol (a fugir ao calor intenso)](https://willem.com/global/images/5cd6fc7e052a.webp)

## TCS Marathon Amsterdam

Avançando até 20 de outubro de 2024... chegou a hora da TCS_Marathon_Amsterdam (https://www.tcsamsterdammarathon.nl). Achei boa ideia correr a minha primeira maratona completa em terreno_conhecido (https://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/). A Maratona de Amesterdão, criada em 1975, reúne cerca de 45 mil participantes por ano. O percurso passa por zonas emblemáticas de Amesterdão (https://willem.com/en/amsterdam-stories-life-cycling-and-moving-on/), incluindo o Rijksmuseum, o rio Amstel e o histórico Estádio Olímpico.

![Percurso da TCS Amsterdam Marathon](https://willem.com/global/images/54b69bedc38a.webp)

Nas semanas anteriores à prova dei especial atenção ao sono, à comida e à bebida. Baixei a intensidade dos treinos, mexendo-me o suficiente para manter o corpo em boa forma e reduzindo o risco de sobretreino. Os meus últimos treinos chegaram a uma distância de ± 30K. Esperava que a maratona completa fosse difícil, mas possível.

![Momentos antes da minha partida oficial na Stadionweg](https://willem.com/global/images/b2e4a0e9158d.webp)

![Imensa gente na rua, muitos deles com uma tensão saudável na expressão](https://willem.com/global/images/b068936c23ee.webp)

![A correr no túnel do Rijksmuseum, que é mesmo giro](https://willem.com/global/images/82004aea3739.webp)

![Vamos jogar ao "Onde está o Willem?" :-)](https://willem.com/global/images/e4959abc625d.webp)

![A parte do percurso ao longo do rio Amstel é exigente: vês corredores do outro lado do rio a regressar à cidade/meta, e isso é um desafio mental extra](https://willem.com/global/images/399dd61f501d.webp)

![Por volta dos 25K há menos caras alegres à tua volta: as pessoas estão totalmente concentradas no esforço, a coisa fica séria](https://willem.com/global/images/2f0bc1cc4b23.webp)

![Entre os 30K e os 40K, corpo e mente lutam juntos para chegar à meta](https://willem.com/global/images/066fa9a20bae.webp)

![Chega-se à meta no Estádio Olímpico, uma sensação especial que se soma à euforia de contar os últimos metros](https://willem.com/global/images/979455d06554.webp)

![Esta imagem resume tudo, é a minha cara de "fim de jogo": finalista da Maratona de 42K!](https://willem.com/global/images/dec6f177883b.webp)

## Conclusão

Sem dúvida, foi a coisa mais difícil que alguma vez fiz. Terminei a minha primeira maratona num respeitável tempo de 4 horas e 15 minutos. Exigiu 100% das minhas capacidades físicas *e* um desempenho psicológico de 200%. Encontras dor, cansaço, emoções e energia de desconhecidos que te animam. É uma mistura tão estranha de coisas, muito crua, muito exigente. A tua experiência pode ser diferente, mas eu descrevi-a como quase espiritual na sua profundidade: depois de terminares, sentes-te diferente de várias formas.

### Obrigado

Um agradecimento caloroso a todos os voluntários que tornaram a prova possível. Obrigado à minha mulher e aos meus filhos por me apoiarem de casa, durante a prova e durante os muitos treinos. Obrigado a todos os que apoiaram ao longo do percurso, incluindo o meu irmão, os filhos dele e os muitos 'desconhecidos' que gritaram o meu nome. Por último, mas não menos importante, um agradecimento especial ao meu amigo Niels por ter despertado o meu interesse pela corrida: acabei por adorar!

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## Vejo gente morta

*Fotos antigas melhoradas em realidade virtual* · 2024-09-10 · https://willem.com/pt/2024-09-10_vejo-gente-morta/

Imagina veres os teus familiares falecidos, não apenas numa fotografia, mas com vida e em três dimensões! Quase os podes tocar. Marca-te de uma forma diferente, garanto-te. Ainda estou de boca aberta: acabei de ver o meu avô falecido, com vida e, pela primeira vez, em três dimensões! Esta pode ser a funcionalidade matadora do Apple Vision Pro, se me permites o trocadilho. Ouve-me até ao fim, por favor.

![Esta fotografia foi tirada a 6 de outubro de 1983: só a minha mãe (de branco) ainda está viva](https://willem.com/global/images/c726b4c3566a.webp)

Graças a um esforço incrível do meu irmão (https://kevinmiddelkoop.nl), tenho muitas fotografias antigas (analógicas) perfeitamente digitalizadas e etiquetadas. A foto que vês acima tem mais de 40 anos. Pode não significar nada para ti, mas são as memórias da nossa família. Talvez tenhas fotografias antigas parecidas. É um instantâneo de um momento da história que nunca mais volta, pois a maior parte das pessoas da fotografia já não está viva. Provavelmente percebes por que razão alguém guarda fotografias antigas: permitem-nos espreitar memórias do passado.

E se a tecnologia moderna pudesse criar representações com vida destas memórias? Em vez de olhares para uma fotografia num ecrã pequeno ou numa tela, verias os teus familiares em tamanho real, mesmo à tua frente. Notarias muito mais pormenores, como um vestido ou um casaco envolve o corpo de alguém, como o vento mexe no cabelo, para onde alguém está a olhar. Dá-lhe uns momentos e sentirás que estás com eles.

![O autor, o vosso criado, e o seu falecido pai, há cerca de 38 anos (10 de setembro de 1986)](https://willem.com/global/images/60b74a0eb54b.webp)

A foto acima é outra fotografia antiga, estás a ver-me no meu primeiro aniversário: um rapazinho feliz e orgulhoso dono de um camião vermelho. É uma bonita fotografia a duas dimensões.

Agora vem a magia: o Apple Photos consegue analisar (qualquer) fotografia para deduzir informação de profundidade e, com reconhecimento de imagem, acrescenta uma terceira dimensão. Com um simples toque, cria uma representação espacial que tem em conta pessoas, objetos e o que os rodeia. Já é uma funcionalidade engenhosa por si só, mas torna-se pura magia quando projetas estas 'fotos espaciais' num ecrã tridimensional, como o Apple Vision Pro.

![O Apple Vision Pro não é apenas um ecrã que se veste, é um projetor tridimensional](https://willem.com/global/images/797ea4d63c94.webp)

![Olhar o rapaz nos olhos, aqui mesmo no meu pequeno apartamento, quase 40 anos depois](https://willem.com/global/images/ada875b740bd.webp)

O que se passa é que provavelmente estás a ler isto num ecrã bidimensional. As duas fotografias acima podem parecer-te igualmente planas. Possivelmente até pequenas, sobretudo se estiveres a ver isto no telemóvel. Para mim, com o Vision Pro, **NÃO SÃO**. São grandes, com vida e tangíveis. Marca-te de forma diferente, substancial e *muito* mais profunda. Não percebo bem como, mas o meu cérebro deixa de pensar no que vê como uma imagem, passa a ser muito mais do que isso.

Fotografias aleatórias do passado funcionam agora como portais para outros mundos e outras épocas. Funciona com qualquer foto, o material de origem não tem requisitos especiais. Sem dúvida que espero que a tecnologia das câmaras modernas (com lentes estereoscópicas e lidar) enriqueça ainda mais as imagens espaciais. Mas o essencial é que **funciona já hoje**, com tudo o que já tens. Isso é uma grande coisa quando falamos de pessoas que já não estão connosco.

Mais para a frente, com mais material digital de origem (como texto e gravações de voz), pode esperar-se que os modelos informáticos consigam gerar representações interativas. Não vejo nenhuma razão técnica para um computador não conseguir aprender a escrever, falar, soar, mexer-se e parecer-se com qualquer pessoa (com material de treino suficiente). Com os nossos legados digitais cada vez maiores (e-mail, fotos, vídeos, redes sociais), isto não é tão forçado assim para as gerações futuras. Quem sabe se um dia um Willem holográfico não lerá histórias de adormecer aos seus trinetos?

## Conclusão

É muito difícil transmitir em duas dimensões o que vivi em três, a única coisa que posso pedir-te é: experimenta tu mesmo! Usa uma fotografia pessoal e vais perceber por que razão quis contar-te isto.

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## Desenvolver uma app iOS nativa

*Criar um registador de ciclismo e corrida* · 2024-05-11 · https://willem.com/pt/2024-05-11_desenvolver-uma-app-ios-nativa/

Como pequeno projeto paralelo, espremido entre o meu trabalho normal, tenho estado a trabalhar em algo do meu interesse pessoal: uma app nativa de registo de treinos para iOS. Queria tornar o meu smartwatch obsoleto e usar o telemóvel para registar os treinos. Será assim tão difícil recolher dados de sensores em pormenor com as APIs nativas do Swift?

## Contexto

Se tens acompanhado o meu blogue, isto talvez não seja surpresa, mas adoro andar de bicicleta (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/) e comecei há pouco a correr um bocado (https://willem.com/en/2024-03-24_half-marathon/). Tenho bastante experiência a registar os meus treinos, com Garmin, Strava (https://willem.com/en/2016-12-31_one-year-of-cycling/), Omata (https://willem.com/en/2020-09-29_riding-with-omata-one/), Wahoo, Biostrap (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/), Whoop (https://willem.com/en/2022-01-14_wearing-whoop-4-0/) e várias apps (https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/) e sensores (https://willem.com/en/wearable-sensors-measuring-the-body-questioning-the-data/). Acho que os dados de saúde e de fitness são úteis para conheceres o teu desempenho_físico (https://willem.com/en/2023-05-31_impact-of-training/) e para teres algum tipo de responsabilização perante ti próprio (por exemplo, para te motivar a continuar os treinos).

![Nada nos faz sentir tão vivos como sair para uma atividade física, adoro treinar!](https://willem.com/global/images/4c88f32b5e47.webp)

O nerd que há em mim adora o grande conjunto de dados, os muitos tipos de sensores disponíveis são um banquete para a minha curiosidade, mas isso choca com o meu desejo de minimalismo (https://willem.com/en/digital-minimalism-doing-more-with-less-technology/) e simplicidade. Precisas_mesmo_de_todos_os_dados_de_treino (https://willem.com/en/2024-01-16_health-and-fitness-data/)? Não basta simplesmente ouvir_o_teu_corpo (https://willem.com/en/2018-05-17_listen-to-your-body/)? Não sei, mas aprecio a capacidade de um smartwatch registar treinos com grande pormenor e (quase) sem esforço. Gosto de como o Apple_Watch_pode_ser_usado_para_registar_sessões_de_treino (https://willem.com/en/2018-09-27_swimming-and-cycling-with-apple-watch/), além das suas capacidades como relógio_de_ferramenta_moderno (https://willem.com/en/2018-11-02_is-the-apple-watch-the-modern-tool-watch/) e substituto_do_telemóvel (https://willem.com/en/2023-11-10_apple-watch-as-phone/). Embora perceba que a maioria das pessoas usa o smartwatch e pronto, eu gosto de relógios_mecânicos_à_moda_antiga (https://willem.com/en/watches-and-time-a-decade-of-horology-technology-and-craft/) como um Rolex (https://willem.com/en/2022-12-22_rolex-datejust-36/), um Tudor (https://willem.com/en/2020-06-17_tudor-black-bay-36-long-term-review/), um Grand_Seiko (https://willem.com/en/2021-06-05_wearing-grand-seiko/) ou até algo_feito_por_medida (https://willem.com/en/2020-11-30_designing-my-own-watch/). Embora aprecie_ambos (https://willem.com/en/2021-02-28_wearing-two-watches/), puxa-me mais para os relógios_mecânicos_quando_tenho_de_escolher_entre_smartwatches_e_relógios_mecânicos (https://willem.com/en/2017-04-30_smartwatches-vs-mechanical-watches/).

## A ideia para a app: Gran Fondo

E se houvesse uma app para telemóvel que recolhesse todos os dados de treino que queres, sem complicações nem confusão? Imaginei-a assim:

- **Simples**: tem de 'sair do teu caminho', pensada para 'simplesmente funcionar', sem teres de mexer em infinitas definições ou opções. Basta carregar em 'iniciar' e começar o treino.

- **Flexível**: usa a app de várias formas: monta ou leva o telemóvel à vista para dados em tempo real, ou mete-o no bolso e deixa-o trabalhar em segundo plano.

- **Poderosa**: liga sensores de frequência cardíaca, cadência, potência e velocidade por Bluetooth; suporta vários sensores, o ideal se usas bicicletas diferentes.

- **Amiga do Apple Health**: guarda todos os dados no Apple Health com o máximo de pormenor, incluindo os percursos dos treinos e as medições individuais de potência, cadência e velocidade. Assim podes analisar as gravações em qualquer app que suporte o Apple Health, como o Strava, o WHOOP, o HealthFit e muitas outras.

- **Honesta**: sem anúncios nem venda de dados. Sem contas nem registo. Os teus dados devem ficar privados, seguros e no teu dispositivo. 

Nenhuma das apps de desporto e fitness existentes para telemóvel cumpre tudo isto. A maioria é desnecessariamente complexa ou foi, de alguma forma, desenhada para levar os teus dados e servir quem fez a app ou a sua plataforma. Será que eu conseguia fazer melhor?

## Construir a app

Sabendo porquê e o quê, comecei por escolher o método preferido para construir a app.

### Nativa vs. híbrida/web

Na maior parte do trabalho que faço, prefiro usar tecnologias web abertas e livres (de liberdade), como HTML, JavaScript e CSS, ou software de servidor publicado com uma licença_de_software_livre (https://willem.com/blog/free-software/), como a GPL. Neste caso concreto, precisava de ser extremamente eficiente em termos de energia e de me integrar a fundo com o sistema operativo do telemóvel. A melhor forma de o fazer num iPhone é abraçar por completo o kit de desenvolvimento de software da Apple: fazer a app de forma nativa em Swift com SwiftUI e seguir o mais de perto possível a documentação_técnica (https://developer.apple.com/documentation) e as diretrizes_de_design (https://developer.apple.com/design/human-interface-guidelines/).

### Programação assistida por IA

Embora tenha_as_minhas_reservas (https://willem.com/en/2022-09-11_computer-says-no/), usar IA para programar é o que mais atenção tem recebido ultimamente. Há quem afirme que tecnologias como o Copilot ou o ChatGPT tornariam os programadores obsoletos. Conheço bem a IA, já a usei para gerar_código (https://willem.com/en/2023-05-03_using-ai-to-generate-code/), e ensino_as_pessoas_a_usá-la (https://willem.com/en/2023-10-14_giving-ai-training/), mas nunca a tinha usado para construir uma app iOS *completa*. Achei que seria a oportunidade perfeita para ver quão capaz é a IA em algo mais complexo do que um simples excerto de um script. Vamos descobrir quão obsoleto eu sou como programador nesta era moderna da IA...

### GPS e sensores Bluetooth Low Energy

Depois de configurar o meu ambiente Xcode, pedi ao ChatGPT da OpenAI que me desse código para ler dados de localização GPS e para gerar as classes Swift necessárias para detetar e ligar a sensores Bluetooth. Caramba, caí mesmo naquela toca do coelho!

![A minha bicicleta com sensores Bluetooth ligados ao meu MacBook com o Xcode](https://willem.com/global/images/6fb02bfdb938.webp)

A questão da programação assistida por IA é que **SIM**, funciona; mas só **PARCIALMENTE**. Dá-te peças que funcionam, mas que não encaixam na perfeição e não funcionam necessariamente em conjunto. Ver o código que gera é como ouvir os ecos de uma grande canção: reconheces que se parece com alguma coisa, mas não é a mesma coisa que ouvir a banda tocar ao vivo, quanto mais cantá-la tu!

Peguei nas peças da IA e fui ler a documentação relevante por mim, o que se mostrou muito mais eficaz, porque me permitiu perceber realmente o que o mecanismo devia fazer. A IA ajudou-me a encontrar as coisas que precisava de aprender. Registar a localização GPS foi surpreendentemente fácil com o Core_Location da Apple (https://developer.apple.com/documentation/corelocation). Fazer o sensor Bluetooth ligar-se à app revelou-se muito mais difícil, pois envolve muitos passos distintos:

- **Detetar dispositivos Bluetooth**: procurar na área próxima quaisquer dispositivos disponíveis que estejam a emitir

- **Ligar a um dispositivo Bluetooth**: estabelecer *e manter* uma ligação entre a app e o dispositivo

- **Descobrir as características do dispositivo Bluetooth**: não existe um dispositivo Bluetooth simples, tens de fazer a tua própria 'descoberta' das capacidades e funcionalidades do dispositivo; muitos dispositivos emitem vários sinais diferentes, tanto de dados de sensores como de mecanismos de controlo e de parâmetros operacionais, como o nível da bateria.

- **Subscrever as características**: no fim, subscreves um fluxo de dados sintonizando os rádios Bluetooth numa determinada característica Bluetooth.

- **Descodificar os dados**: dada a sua natureza eficiente em energia, recebes dados mínimos em bits em bruto; tens de descodificar tu os pacotes de dados; o difícil é que cada sensor, de qualquer fabricante, codifica os dados à sua maneira.

Toma como exemplo um sensor relativamente 'simples', como um sensor de cadência que se coloca no pedal da bicicleta e serve para determinar as rotações por minuto numa sessão de ciclismo. Quão difícil pode ser? Pensei que a especificação_oficial_do_Bluetooth (https://www.bluetooth.com/specifications/specs/running-speed-and-cadence-profile-1-0/) me daria todos os pormenores necessários... NADA DISSO! Um simples sensor de cadência é surpreendentemente complexo:

- **Perfil Bluetooth combinado para velocidade e cadência no ciclismo**: qualquer sensor de cadência identifica-se **sempre** como sensor de velocidade *e* de cadência, e tens de descobrir as suas capacidades 'em tempo real'.

- **Pacotes de dados não uniformes**: o conteúdo dos dados depende das capacidades atuais do sensor (por exemplo, se detetou alguma coisa); tens de interpretar o pacote de dados bit a bit, verificando as possíveis flags que indicam o que o bit seguinte representa. 

- **Dados não triviais**: não esperes um valor claro para a "cadência"; o sensor dá-te uma contagem acumulada de rotações **e** uma marca temporal rudimentar da última alteração detetada; tens de usar estes valores para calcular a métrica que queres medir.

A IA deu-me algum código de exemplo, mas não funcionou com o meu sensor em particular. Com uma app de depuração de Bluetooth, a Bluefy (https://apps.apple.com/us/app/bluefy-web-ble-browser/id1492822055), consegui perceber melhor os dados que o sensor estava a transmitir. Encontrei um excerto de código Java no blogue_oficial_do_Bluetooth (https://www.bluetooth.com/blog/part-2-the-wheels-on-the-bike-are-bluetooth-smart-bluetooth-smart-bluetooth-smart/) que me deu algumas pistas para interpretar os dados dos sensores. Adaptei esse código a vários perfis de sensores diferentes e traduzi-o para Swift. Isto deu-me um primeiro protótipo funcional.

![Primeiro protótipo da app a funcionar com um sensor Bluetooth de frequência cardíaca e o respetivo conjunto de dados inicial, mostrado noutra app que faz uns gráficos bonitos (HealthFit)](https://willem.com/global/images/b60ff287e1ab.webp)

## Design de UI/UX

Uma das principais razões por que gosto da app de treino do Apple Watch é a forma como a interface de utilizador (UI) foi pensada para proporcionar uma experiência de utilizador (UX) agradável. A app no relógio tem botões bastante grandes que carregas para iniciar uma gravação, *e é praticamente só isso*. A app tem poucas opções, o seu design tem opinião própria, mas está bem pensado. É um contraste enorme com dispositivos como os Garmin, que oferecem uma infinidade de opções de personalização. O truque é encontrar um bom equilíbrio entre flexibilidade nos casos de uso *e* uma configuração por defeito que funcione bem.

![A app de treino do Apple Watch mostra botões grandes para iniciar um treino, sem necessidade de configuração adicional](https://willem.com/global/images/f00f6c542cf6.webp)

Com um sistema de fixação como o QuadLock, podes prender firmemente o telemóvel ao guiador da bicicleta. Isto significa que o iPhone pode substituir o teu Garmin como ciclocomputador. Os iPhones modernos têm um ecrã sempre ligado que mostra informação de forma eficiente em energia, desde que uses o kit de desenvolvimento de software da Apple, que traz várias otimizações integradas. Depois de muitos, muitos (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/), quilómetros com o meu ciclocomputador Garmin, fiquei com uma vista com campos de dados em tempo real para velocidade, potência e frequência cardíaca. O que gosto nos dispositivos Garmin Edge mais avançados é que conseguem desenhar um gráfico. Isto permite-te manter os olhos na estrada quando é importante e dar uma vista de olhos aos dados históricos um pouco mais tarde.

![Usei a disposição de dados do meu Garmin Edge como inspiração para desenhar o layout da minha app quando usada como ciclocomputador montado](https://willem.com/global/images/84177e0cd3dc.webp)

![Esboço de design a descrever a disposição pretendida](https://willem.com/global/images/890dceb85ae1.webp)

![A testar a app na minha bicicleta com uma capa e um suporte QuadLock](https://willem.com/global/images/557c388149d2.webp)

Para maximizar a eficiência energética, decidi usar as bibliotecas de gráficos da própria Apple: Swift_Charts (https://developer.apple.com/documentation/charts). Um problema que encontrei ao desenvolver isto é que as medições dos sensores chegam em intervalos e momentos diferentes. É preciso criar algum tipo de mecanismo de sincronização para que os pontos de dados tenham marcas temporais comuns, para os poderes comparar e relacionar. Desenhei este mecanismo para sincronizar também as atualizações da UI: assim, todos os gráficos e pontos de dados são atualizados numa única passagem, otimizando o desempenho do CPU e dos gráficos (e, por isso, a bateria). Como bónus, incluí suporte para diferentes intervalos de tempo, o que permite aos gráficos mostrar os dados do último minuto, dos últimos 5 minutos, 15 minutos, da última hora ou do treino inteiro.

![Diferentes configurações de dados em tempo real](https://willem.com/global/images/b8e692c2cdd3.webp)

A app mostra automaticamente os gráficos disponíveis consoante os sensores ligados, o que evita configurações diferentes quando tens mais do que uma bicicleta. Se tocares num gráfico, ele maximiza ou minimiza. Se tocares no intervalo de dados (por exemplo, "últimos 5 minutos"), podes alternar entre intervalos. A app memoriza a tua configuração e prepara-te automaticamente para o treino seguinte. Como todas as áreas de toque e botões são bastante grandes, funcionam bem quando as mãos estão suadas ou quando usas luvas.

## Cabe no bolso: otimizar para uso em segundo plano e consumo de energia

Outra forma que imaginei para usar a app era levá-la no bolso, como app em segundo plano. Isso permitiria uma recolha de dados discreta: abres a app e guardas o telemóvel. Adoro a ideia de ter um 'conjunto de dados completo' de *todas* as minhas voltas de bicicleta e corridas, sem precisar de ter a app em destaque *o tempo todo*. Muitos treinos de corrida e de bicicleta não são *assim* tão interessantes.

![Tenho magia no bolso: a app regista os treinos em segundo plano, e durante as gravações mostra apenas um widget no ecrã inicial](https://willem.com/global/images/615f26f51f55.webp)

Por defeito, o sistema operativo iOS da Apple limita estritamente as opções das apps para correrem em segundo plano. Isto maximiza a duração da bateria e a privacidade do utilizador. Se seguires as diretrizes da Apple e pedires corretamente ao utilizador as permissões necessárias, podes de facto desenhar a tua app para funcionar na perfeição em segundo plano. Passei a apreciar mesmo o esforço da Apple em otimizar toda a pilha, para as apps serem mais eficientes em energia. Resumindo, o sistema operativo diz *"não nos ligues, nós ligamos-te"*: controla *quando* a tua app faz as suas coisas, o que lhe permite sincronizar, combinar e processar em lote tarefas diferentes nos núcleos eficientes em energia dos chips Apple Silicon.

Numa ronda de testes com uma versão protótipo da app, consegui recolher mais de 127 mil (!!) pontos de dados durante um percurso de bicicleta de 8 horas, com uma única carga da bateria do iPhone e com o ecrã ligado *o tempo todo*. Se jogares segundo as regras da Apple, tens mesmo *o poder* (por assim dizer). Desenvolver esta app levou-me mesmo longe, ha!

!["Goin' the extra mile": 8 horas na bicicleta para testar o consumo de bateria (nota: ainda sobram 23% de carga!)](https://willem.com/global/images/11bded661d7a.webp)

## Os verdadeiros artistas publicam

Dizem que o caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções... Por isso, gosto mesmo de terminar os meus projetos. Para uma app, isso significa publicá-la na AppStore. Prepará-la para o escrutínio da Apple e vê-la aprovada pelos revisores da AppStore é mais um marco. É importante, porque te obriga a pensar na integração (dos novos utilizadores) e no modelo de rendimento.

### Integração

Uma tarefa particularmente difícil ao construir uma app é guiar quem é novo na app sobre como a usar. Uma ótima interface ajuda, mas, dada a integração profunda da app com o Apple Health, os dados de localização e os sensores Bluetooth, há ainda a necessidade de pedir permissões com delicadeza.

![Capturas de ecrã do processo de integração da app: pedir permissões e guiar os novos utilizadores](https://willem.com/global/images/57929e8b6042.webp)

Tens de desenhar o processo para que não falhe quando as pessoas recusam certas permissões. A Apple é muito rígida nisto: as pessoas têm o direito de recusar. É trabalho teu fazer a app funcionar sem permissões ou só com algumas. É um desafio extra.

### Modelo de rendimento para financiar o desenvolvimento

Embora não consiga exagerar a importância do software_livre (https://willem.com/blog/free-software/), de liberdade, não posso ignorar que tenho uma família para sustentar. Mas, acima de tudo, encontrar pessoas dispostas a pagar pelo teu produto pode servir como validação extra da tua ideia. Sê aberto e honesto sobre o teu modelo de rendimento e isso ajuda-te a financiar o teu próprio projeto; não dependas de investidores nem de capital de risco, financia tu o teu desenvolvimento!

![Desenhar um paywall para a minha app: não é o meu pedido favorito aos utilizadores, mas não deixa de ser muito importante.](https://willem.com/global/images/a6b82a213937.webp)

Não precisas de pagar para experimentar a app. O ecrã de pagamento só aparece quando as pessoas usam mesmo a app (e pode sempre ser dispensado). Porque não experimentas tu mesmo? Podes_encontrar_a_app_aqui (https://apps.apple.com/gb/app/gran-fondo-ride-run/id6502285146).

## Futuro

Dizem que é preciso comer a própria comida de cão: vou continuar a desenvolver a app usando-a eu próprio. Não espero que este projeto seja uma vitória (monetária) rápida, mas se for de utilidade prática para mim, é provável que outra pessoa também o ache útil.

![Não é uma sessão de depuração qualquer: Fietselfstedentocht 2024](https://willem.com/global/images/fa7d320e32a3.webp)

Uma coisa de que gosto neste projeto é que dá pouco trabalho mantê-lo a andar, porque gosto de treinar. Depurar novas versões desta app envolve muitas vezes sair para uma sessão de corrida ou de ciclismo. **Quem disse que desenvolver software era um trabalho sedentário?!**

## Conclusão

Muita gente tem 'grandes ideias', poucas pessoas as vão realmente concretizar. É isso que distingue quem faz do resto. Gosto de fazer coisas, porque o processo obriga-te a entrar a fundo na matéria. Aprendes imenso e ganhas experiência que os outros não têm. Raios, constrói-a tu mesmo, faz dela a tua!

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## Meia-maratona

*Sobre treino, dados e sensações* · 2024-03-24 · https://willem.com/pt/2024-03-24_meia-maratona/

No domingo passado participei na Venloop, uma meia-maratona em Venlo. Completei os 21KM em 2h05, um resultado com que estou satisfeito, já que foi a minha primeira prova 'oficial' desde que comecei a correr, há apenas três meses. Neste artigo partilho as minhas experiências com o treino, o equilíbrio entre os dados de fitness e a sensação de estar em forma.

No_início_deste_ano (https://willem.com/en/2024-01-16_health-and-fitness-data/) comecei a treinar para correr. Em última análise, espero terminar uma maratona completa ainda este ano. Para isso, fui aumentando aos poucos a distância que corria nos treinos, começando com 5KM a várias intensidades para encontrar um ritmo sustentável. Mais tarde alarguei a distância de treino para 10KM e, por fim, para a distância de uma meia-maratona (21KM).

Durante estes três meses, registei meticulosamente todos os aspetos mensuráveis com um Apple Watch Ultra 2 e um WHOOP, complementados com sensores Wahoo adicionais, como uma banda de frequência cardíaca e pedais com medidor de potência na bicicleta. Combinei ciclismo e corrida para melhorar a minha forma geral, tendo o cuidado de não treinar demais. Como corredor novato, os meus músculos e articulações ainda não estão habituados ao esforço físico da corrida. Para evitar lesões, fui aumentando a distância aos poucos.

![O Apple Watch Ultra 2 é um ótimo companheiro de treino, que permite registar muitos tipos de treinos diferentes, como ciclismo e corrida](https://willem.com/global/images/f00f6c542cf6.webp)

![Se o usares com mais frequência, permite-te competir contigo próprio com sessões anteriores: tenta bater esse recorde pessoal!](https://willem.com/global/images/ed0ecb1b669c.webp)

O Apple Watch Ultra 2 registou todos os meus treinos com a app de treino por defeito da Apple, que melhorou muito desde que_a_usei_pela_primeira_vez (https://willem.com/en/2018-09-27_swimming-and-cycling-with-apple-watch/). Para corrida e ciclismo, dá dados de GPS fiáveis e suporta sensores Bluetooth, com feedback em tempo real, visual e sonoro. Ajudou-me a perceber como o meu corpo reage às diferenças de ritmo, distância e terreno e até permite competir contra desempenhos passados, uma função divertida e motivadora.

Além dos dados em tempo real, usei o WHOOP para acompanhar os efeitos mais amplos no meu corpo, como alterações na frequência cardíaca em repouso e na VFC. A métrica de esforço do WHOOP mostrou o impacto do treino e destacou a importância de gerir a carga para evitar o excesso de treino. A recuperação de sessões intensas demorava por vezes alguns dias, e os dados do WHOOP refletiam isso.

![A tendência é tua amiga: com o WHOOP acompanhei as minhas tendências, e aqui vês que aumentei a carga de treino (esforço) nos últimos 3 meses antes da maratona](https://willem.com/global/images/6c004cd36a3f.webp)

No iOS, os dados podem ser agregados no Apple HealthKit, uma base de dados local, encriptada e offline, a que as apps de terceiros só acedem com a tua permissão. Diferentes apps podem escrever dados no HealthKit, que se torna assim uma "fonte única de verdade". A app_HealthFit (https://apps.apple.com/nl/app/healthfit/id1202650514), de Stéphane_Lizeray (https://twitter.com/HealthToFit), faz um trabalho fenomenal a tornar os teus treinos navegáveis e a tirar conclusões valiosas da riqueza de dados. É tão boa e tão bem desenhada que não me surpreenderia se a Apple a comprasse.

![O HealthFit é uma app fantástica que te dá informação detalhada dos treinos que gravas com o Apple Watch, o WHOOP, o Garmin, o Wahoo ou qualquer outra app compatível com o HealthKit da Apple](https://willem.com/global/images/387ba63fb062.webp)

Analisa os treinos de várias apps, incluindo Apple Watch, Garmin, WHOOP e Wahoo, e junta-os num único registo de treinos. Com fórmulas_abertas_e_bem_documentadas (https://fellrnr.com/wiki/Modeling_Human_Performance), a app calcula a carga de treino (aguda, crónica e forma). Vês os ponteiros a mexer à medida que aumentas a carga de treino. Recomendo vivamente esta app se quiseres aproveitar os dados de cada treino para uma análise mais ampla: 'as tendências são tuas amigas'!

![O HealthFit usa fórmulas abertas e bem documentadas para calcular a carga de treino, orientando-te para um 'ponto ideal' que maximiza os ganhos e limita o risco de excesso de treino](https://willem.com/global/images/2daef97d7456.webp)

![Dá-te até uns widgets brilhantes para o ecrã inicial, a incentivar-te a ir correr ou pedalar!](https://willem.com/global/images/047ea6570872.webp)

### Correr uma meia-maratona

A preparação é crucial, mas completar uma prova oficial é outro desafio. As provas têm data marcada e tens de estar no auge nesse dia. Os atletas profissionais chamam a isto 'tapering': garantir que estás em plena forma para a prova. Nos dias anteriores, o treino deve ser mais leve, com atenção extra ao sono, à alimentação e à hidratação.

Participei na Venloop (http://venloop.nl), uma prova local em Venlo (https://duckduckgo.com/?q=venlo) que atrai multidões. É emocionante quando os espectadores te animam pelo nome, e isso levanta mesmo o moral. Adorei a experiência; é como uma "droga da felicidade" que te enche de energia.

![Pronto, preparado, JÁ! A participar na Venloop: não sou o único!](https://willem.com/global/images/e028bc105d89.webp)

Depois aconteceu algo invulgar: no início geri o ritmo com os dados do relógio, mas por volta do meio do percurso senti-me confiante o suficiente para confiar no meu instinto. Senti que podia aumentar o ritmo com segurança, encontrando um melhor equilíbrio entre velocidade e resistência. Comecei a 'sentir' a corrida em vez de apenas a medir.

Essa sensação foi fenomenal! A sinergia entre corpo e mente foi esclarecedora, e agora quero mais disso.

![Meia-maratona concluída: olha para aquele sorriso, é pura energia positiva depois de uma corrida muito agradável!](https://willem.com/global/images/0fd3638d7e58.webp)

Para o próximo período, decidi reduzir a abordagem baseada em dados. Vou continuar a treinar, dando mais atenção às sensações. O meu objetivo é aumentar o ritmo mantendo a alegria que a corrida me traz. Corro por prazer pessoal e não creio que precise de um conjunto de dados extenso para isso. Tu corres por *ti* ou pelos *teus dados*?

## Conclusão

Os primeiros meses da minha "carreira de corredor" levaram-me longe. Agora é a altura certa de tirar as rodinhas, como se costuma dizer. Vamos ver onde isto me leva!

![Ooooohhhh... Ganhei uma medalha giríssima!](https://willem.com/global/images/299249fa5ea3.webp)

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## Não, isso não vou construir!

*Pensar melhor, trabalhar melhor* · 2024-03-05 · https://willem.com/pt/2024-03-05_nao-isso-nao-vou-construir/

Se és um programador experiente (ou seja, se já criaste coisas a sério), talvez reconheças este cenário: pessoas que te contactam e te pedem para construir algo específico. "Podes construir X para mim?" Um colega técnico incentivou-me uma vez a recusar mais vezes: sê orgulhoso das coisas que não fazes! Explico neste artigo.

## Desejos e sonhos

“Se tivesse perguntado às pessoas o que queriam, teriam dito cavalos mais rápidos” é uma frase de efeito muitas vezes atribuída a Henry Ford, o célebre fabricante de automóveis. No entanto, ilustra uma ideia essencial que acredito que um grande construtor deve ter presente: o que me propõem ou pedem é mesmo o que devo fazer?

“As pessoas não sabem o que querem até lho mostrarmos”, observou Steve Jobs, a partir da ideia dos cavalos mais rápidos de Ford, acrescentando: “A nossa tarefa é ler o que ainda não está na página”. É um princípio que, creio, distingue quem apenas satisfaz desejos de quem cria sonhos.

Por isso, sempre que alguém me apresenta uma 'solução' como parte de um pedido, fico de pé atrás. Fico a pensar. Penso em qual é o problema. Há outras formas de resolver este problema? Porque é que a solução proposta é a melhor maneira de o fazer? Mantém-te faminto (explora mais o contexto), mantém-te tolo (não deixes que o que já sabes defina as tuas conclusões).

## Cultivar pensamentos

Tens de descobrir o que funciona melhor para ti, mas eu apoio-me muito em escrever e esboçar, tanto o contexto como as possíveis soluções. Crio o que chamo 'briefings ricos em contexto', que se parecem mais com um diário do que com um projeto definitivo: é um documento vivo, que vejo como o terreno onde cultivo as minhas ideias. Tenho cadernos digitais específicos, um por projeto/contexto, que funcionam também como uma espécie de 'ficheiro_de_troca' (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Memory_paging) para pôr um projeto de lado ou retomá-lo. Uso_um_reMarkable (https://willem.com/en/2021-05-31_using-the-remarkable-paper-tablet/) para isto, mas imagino que qualquer_tablet (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/) ou caderno_de_papel (https://duckduckgo.com/?q=moleskine&iax=images&ia=images) funcione. Ajuda ter um sítio onde guardar pensamentos, porque alguns precisam de tempo para ganhar riqueza, como o vinho ou o uísque.

![Pensamentos em tela (2022): exemplo de ideias registadas, em neerlandês, com esboços de UI, excertos de código, perguntas, ações e decisões de não fazer certas funcionalidades](https://willem.com/global/images/6116a7c75483.webp)

![Eu escrevo as coisas](https://willem.com/global/images/deacf0b3ce73.webp)

## Espaço e tempo

Ter espaço e tempo para pensar é talvez ainda mais importante do que guardar e cultivar pensamentos. As grandes ideias são frágeis; o ruído e as opiniões ou a pressão de fora podem matá-las. Esta ideia ecoa em vários artistas, como Pablo Picasso: "Sem uma grande solidão, nenhum trabalho sério é possível", ou Bob Dylan: "Para seres criativo, tens de ser antissocial e inflexível." Henrik_Karlsson_descreve_estes_aforismos (https://www.henrikkarlsson.xyz/p/good-ideas) como um estado de espírito em que a opinião dos outros não incomoda os criadores e em que atingem uma sensibilidade apurada para as ideias em estado larvar e as perguntas vagas que surgem dentro deles.

Resolvo isto tanto a nível físico como mental. Adoro acordar cedo, às 4:55, antes de alguém me poder interromper. Gosto de me fechar no nosso sótão, no meu escritório privado, ou, mais recentemente, na_realidade_virtual_com_o_Vision_Pro (https://willem.com/en/2024-02-16_vision-pro/). Procuro participar pouco ou nada nas redes sociais, evito chamadas de telefone e de vídeo inesperadas e só participo passivamente nas apps de conversa. Considero o telemóvel um mal necessário, com uma_política_estritamente_seletiva_de_notificações (https://willem.com/en/2021-02-22_the-value-of-notifications/). Em vez de seguir as notícias ou de fazer scroll sem fim em feeds de conteúdo povoados por algoritmos, prefiro meios lentos, como livros ou um artigo ou publicação de blogue recomendados por outros humanos. Tenho uma lista de leitura com coisas que vou ver mais tarde. Mas, acima de tudo, eu cultivo_o_aborrecimento (https://willem.com/en/2016-10-01_harvesting-boredom-to-let-creativity-flourish/): às vezes, não fazer nada é o caminho mais rápido para ótimos resultados. As alternativas ao meu escritório e ao sótão são a minha bicicleta e as sapatilhas de corrida.

![A resposta está lá fora: pedalar, correr e caminhar!](https://willem.com/global/images/e4d877f5df3e.webp)

## Conclusão

Embora fazer **o contrário** do que pedem possa parecer pouco simpático, no fundo estás a fazer um favor aos outros ao importares-te realmente com os resultados, em vez de estares 'ocupado' com especificações arbitrárias, opiniões superficiais ou prazos inventados. Tu e o teu cliente merecem: vai mais além e entrega algo melhor.

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## Vision Pro

*Explorar a computação espacial* · 2024-02-16 · https://willem.com/pt/2024-02-16_vision-pro/

Neste momento, enquanto escrevo isto, estou a olhar para um lago em Mount Hood. Ouço pássaros ao longe e vejo o lago calmo, com pequenas ondas e alguma neblina lá ao fundo. Mas é tudo falso: estou sentado no nosso último andar, um quarto quase sem mobília, cheio de coisas de uma casa de família com dois filhos pequenos. Estou a usar o Vision Pro da Apple para descobrir o que a computação espacial pode ser. Estou rendido; deixa-me explicar neste artigo.

![A escrever este artigo em Mount Hood...](https://willem.com/global/images/3c133f5765e0.webp)

![... mentira! É só o nosso sótão cheio de “coisas de família”](https://willem.com/global/images/794e066e15d5.webp)

## Apple Vision Pro

Imagina uns ótimos auscultadores para ouvir música, que te dão acesso privado a áudio de alta qualidade. O Apple Vision Pro é assim, mas para os olhos em vez dos ouvidos. Pões-no na cabeça como uns óculos de proteção e, lá dentro, vês um mundo digital a misturar-se com a tua realidade. Podes deixar entrar o mundo real lá fora ou filtrá-lo, tal como o cancelamento ativo de ruído faz com o áudio.

![Apple Vision Pro, como uns bons auscultadores para os olhos](https://willem.com/global/images/e315e5abab7f.webp)

Graças a chips, sensores e câmaras muito avançados, o Apple Vision Pro consegue projetar objetos virtuais no teu mundo real e fixá-los num sítio, onde ficam durante o tempo que quiseres. Podes ver um filme num ecrã de cinema gigantesco ou mergulhar nas fotografias da tua família. Ou podes usar o Vision Pro para trabalhar, como eu faço, com uma janela onde escrevo o meu texto, mesmo à beira do lago de Mount Hood.

Há outros sites e blogues com análises muito detalhadas do Apple Vision Pro, sobre o hardware, as vantagens e as desvantagens. Recomendo que os vejas, porque não quero repetir o que os outros já escreveram ou disseram. Algumas análises que valem o teu tempo:

- Casey_Neistat_-_The_thing_no_one_will_say_about_Apple_Vision_Pro (https://www.youtube.com/watch?v=UvkgmyfMPks)

- Nilay_Patel_-_Apple_Vision_Pro_review:_magic,_until_it's_not (https://www.theverge.com/24054862/apple-vision-pro-review-vr-ar-headset-features-price)

- Om_Malik_-_My_4_magic_moments_with_Vision_Pro (https://om.co/2024/01/31/my-4-magic-moments-with-vision-pro/#more-922524)

![Olá, mundo - uma espécie de selfie](https://willem.com/global/images/6e022db9f2ea.webp)

## Computação espacial

Mais do que esta primeira geração de hardware, interessa-me o que a Apple mostra ao mundo com o software VisionOS. Não é só um projetor de luxo que se veste; é interativo! As câmaras no interior seguem a posição da tua íris, ou seja, o sítio exato para onde estás a olhar. Esta informação serve para interagires com o mundo digital só por olhares para as coisas. Um toque subtil com os dedos é registado por outro conjunto de câmaras, e tudo se junta numa experiência em que “olhas e tocas”, como antes fazias “apontar e clicar” ou “tocar e deslizar”.

Este modelo de interação fundamental está muito bem feito; ao fim de alguns minutos parece totalmente natural, e desde então pergunto-me porque é que o meu iPhone ou iPad não respondem da mesma maneira. É a magia clássica da Apple: o trabalho pesado é todo feito sem me dar quase nenhum atrito. Simplesmente funciona.

![Teclado Bluetooth e trackpad ligados ao Vision Pro](https://willem.com/global/images/20cf7bbed74f.webp)

Para conseguir trabalhar, liguei um teclado Bluetooth e um trackpad normais ao Vision Pro, aproveitando o facto de saber escrever sem olhar para o teclado; parece tudo muito natural. O Vision Pro não precisa de um computador; ele é o computador! Tem chips Apple_Silicon (https://willem.com/en/2020-12-15_why-apple-silicon-is-a-big-deal/) bastante capazes e muito armazenamento interno (o meu tem 1 TB).

![Isto é um sistema informático completo - e uma chávena de café](https://willem.com/global/images/de973dd40cb5.webp)

Se tens lido o meu blogue, sabes que eu_tenho_um_fraco_por_tablets (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/), porque são portáteis e, ainda assim, muito capazes. O Vision Pro pode ser mais um passo em frente: é muito portátil e, mesmo assim, oferece um mundo virtual inteiro aos teus olhos! É como poder levar comigo uma enorme configuração de vários monitores; é de loucos!

![Nada de loucura: ecrã, teclado, trackpad (repara no elemento de interface a flutuar por cima do teclado físico)](https://willem.com/global/images/1b0236562f2e.webp)

![É fácil montar uma configuração de trabalho com vários monitores assim](https://willem.com/global/images/8d3e17f984d8.webp)

![É difícil captar numa fotografia a 2D, mas para os teus olhos há profundidade a sério, como se aqueles dois ecrãs estivessem mesmo ali](https://willem.com/global/images/31bad7182ebf.webp)

![Podes olhar à volta deles, aproximar-te ou reorganizá-los arrastando-os pela sala](https://willem.com/global/images/731070e35388.webp)

![As projeções parecem tão naturais que a minha mente está convencida de que consegue tocar nas coisas.](https://willem.com/global/images/9060b900da67.webp)

Misturar o mundo digital com o real é muito acessível e permite-te continuar atento ao que te rodeia. Gosto disso, porque te faz sentir um pouco menos “fechado dentro do computador”. Funciona bem em certas tarefas, como enviar uns e-mails, pesquisar qualquer coisa ou fazer uma chamada. A experiência muda um pouco se decidires mergulhar num dos ambientes virtuais do Vision Pro.

Há quem lhe chame “deep_work” (https://calnewport.com), o tipo de trabalho que exige concentração a sério. Acho o Vision Pro especialmente poderoso para me pôr no estado de fluxo de que preciso para o trabalho pesado. Posso mergulhar no contexto (imagens, registos, código, maquetes) e filtrar toda a confusão visual do mundo real.

![Estas janelas são vistas diferentes de um mesmo trabalho - são grandes, a janela alta ao centro tem cerca de 3 metros de altura!](https://willem.com/global/images/46bae72a88f8.webp)

![A janela “mais pequena” lá de cima é, na verdade, enorme; para comparares a escala, tirei a superfície lunar virtual para veres a janela ao lado dos sapatos da minha filhota.](https://willem.com/global/images/81b870070acb.webp)

Imagina umas janelas tão grandes que podes literalmente andar no meio delas. É assim que gosto das minhas configurações mais poderosas no Vision Pro. Quase te tornas um com o teu contexto, a sério. Podes criar um ambiente que te liga mesmo ao que estás a fazer. Adoro andar à volta das janelas, olhar para código ou para o output de um servidor e ter a sensação de estar perante uma “máquina grande e a trabalhar”. De certa forma, parece que estou numa grande sala de máquinas. Não tem nada que ver com uma experiência de secretária convencional.

![Mais uma vez, é muito difícil captar numa fotografia a 2D, mas poder andar à volta do teu contexto digital é simplesmente incrível!](https://willem.com/global/images/5a4f6973e68e.webp)

![Estas janelas são mesmo grandes e transmitem uma sensação de grandiosidade, como uma estátua](https://willem.com/global/images/2c2238114716.webp)

![Se estiveres num ambiente virtual, o Vision Pro avisa-te se corres o risco de bater em alguma coisa - o que pode ser um perigo real se partilhares a casa com crianças, ha!](https://willem.com/global/images/59e46e3dc962.webp)

## Conclusão

Vou continuar a explorar, a aprender e a experimentar com o Vision Pro, mas já estou de queixo caído com a grandeza espacial de ver a terceira dimensão em digital. Parece muito natural, no mesmo sentido em que o ecrã tátil do primeiro iPhone me fazia rir sempre que eu deslizava o “deslizar para desbloquear”. Há aqui muito para desbloquear; vem juntar-te a mim nesta nova fronteira!

![Falando em perigos... beber café com o Vision Pro é um verdadeiro desafio - ha!](https://willem.com/global/images/978ddd83c8cf.webp)

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## Dados de saúde e fitness

*Mais é melhor?* · 2024-01-16 · https://willem.com/pt/2024-01-16_dados-de-saude-e-fitness/

Desde o início deste ano novo que estou a treinar com mais força do que nos meses anteriores. Defini alguns objetivos e adotei um plano de treino com corrida, ciclismo e natação. À medida que vou vasculhando a montanha crescente de dados de treino, dou por mim a perguntar: ter mais dados traduz-se mesmo em melhores resultados de condição física??

## Sentir o teu desempenho

O que se passa com o treino é que, quando o transformas num hábito, vais reconhecendo e compreendendo cada vez melhor aquilo que sentes. Ando_de_bicicleta (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/) há alguns anos e consigo estimar_com_bastante_precisão_a_minha_frequência_cardíaca_atual (https://willem.com/en/2023-05-31_impact-of-training/) com uma margem de poucos batimentos por minuto; o mesmo vale para a velocidade e a intensidade medidas pelo meu_medidor_de_potência (https://willem.com/en/2019-08-28_riding-with-a-power-meter-on-your-bike/). Diria que, no ciclismo, os dados têm muito poucos segredos para mim.

## Aprender a correr

Na corrida, porém, sou novo, e recolher algumas métricas, como a distância, o tempo e a frequência cardíaca, permite-me avaliar a minha resistência, o meu ritmo e a minha evolução. Mas, talvez como eco da minha experiência no ciclismo, reparei que reconheço o meu próprio desempenho quando entro “no fluxo”, passado algum tempo. Mais importante ainda: a dor a sério que sinto não é medida por nenhum aparelho digital, vem dos meus joelhos por treinar e dos músculos à volta: isto só o consigo **sentir** (e é melhor ouvi-lo, para evitar uma lesão!). Por isso, na corrida, os dados de saúde e fitness só me levam “até certo ponto”.

![Eu a aprender a correr, captado pelas câmaras de vigilância](https://willem.com/global/images/bf1b92151db9.webp)

## Dados macro versus micro

Para ser sincero, tenho de admitir que não sei onde está o ponto ideal quando falamos de dados de saúde e fitness. A minha pulseira WHOOP (https://willem.com/en/2022-01-14_wearing-whoop-4-0/) vigia passivamente as tendências mais amplas e detetou uma melhoria na frequência cardíaca em repouso e na HRV desde que comecei a treinar mais. Gosto da abordagem mais holística: foca-se no macro em vez do micro, e vês a tua evolução num horizonte mais largo. Mas também ela só parece captar parte do retrato de eu me sentir melhor.

## O que significa “sentir-se melhor”?

Quando pensas em saúde e felicidade, lembra-te de que, embora ferramentas como escalas psicológicas e medições biométricas possam dar pistas, muitas vezes ficam aquém de captar todo o espetro da tua experiência pessoal. O barómetro mais autêntico do teu bem-estar e da tua felicidade é a tua própria consciência de ti.

Sintoniza-te com os sinais do teu corpo e com as reflexões da tua mente. Sentes-te cheio de energia ou esgotado? Satisfeito ou inquieto? Estes sinais internos são valiosíssimos. Adota o hábito de fazer balanços regulares contigo mesmo, talvez através de mindfulness ou de um diário, para compreenderes e apreciares a fundo o teu estado de bem-estar. Esta abordagem de sintonia contigo não só respeita a singularidade das tuas experiências, como também te permite fazer ajustes que respondem de verdade às tuas necessidades e aspirações.

![Uns dados detalhados e elegantes - mas o que significam?](https://willem.com/global/images/3b50c735fbfc.webp)

## Conclusão

Penso que, provavelmente, tudo depende da preferência pessoal e dos teus objetivos. Se és um atleta profissional que quer ganhar uma corrida ou bater um recorde (pessoal), faz sentido recolher dados detalhados para libertar mais uns bocadinhos de desempenho humano. No fim de contas, para mim o que importa é sentir-me ligado ao meu corpo, e não preso a uma base de dados.

### Diz-me o que pensas!

Gostava muito de saber a tua “filosofia de fitness”. Como equilibras dados e intuição? Registas alguma coisa? Se sim, porquê? Manda-me um e-mail para mail@willem.com e/ou envia-me os teus links,_ideias,_reflexões_e_gráficos (https://willem.com/upload/). Pretendo escrever um artigo de seguimento com o teu contributo!

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## Esquema de rotação de cópias de segurança

*Roda as tuas cópias de segurança com o 'rsync-backup-rotator'* · 2023-12-15 · https://willem.com/pt/2023-12-15_esquema-de-rotacao-de-copias-de-seguranca/

Na era digital em que vivemos, proteger os teus dados é essencial. Fazer simplesmente uma cópia dos ficheiros pode não chegar, porque podem ficar corrompidos, ser substituídos ou ser bloqueados por ransomware. Ter várias cópias de segurança rotativas no tempo (e, idealmente, noutro local) é uma defesa bem mais forte. Criei uma nova ferramenta, o rsync-backup-rotator, para te ajudar com isto.

## Esquema de rotação de cópias de segurança

A rotação de cópias de segurança é uma estratégia da gestão de dados em que se criam e guardam várias cópias de segurança em intervalos diferentes, em vez de se depender de uma única cópia. Este método é particularmente útil porque reduz vários riscos associados à perda de dados. Por exemplo, se uma única cópia de segurança ficar corrompida, for substituída ou for comprometida (por exemplo, por ransomware), podem perder-se todos os dados desde a última cópia de segurança. Ao rodar as cópias de segurança, crias vários pontos de recuperação e podes restaurar dados de momentos diferentes. Esta abordagem dá uma rede de segurança mais completa, porque protege tanto contra perdas recentes como contra problemas mais antigos.

![Cópias de segurança rotativas para recuperar dados de vários momentos no tempo: viagens no tempo para os teus dados!](https://willem.com/global/images/6d3f20d882d7.webp)

A ferramenta **`rsync-backup-rotator`** adota este conceito de rotação. Automatiza o processo de criar e gerir estas cópias de segurança rotativas. Em concreto, a ferramenta usa uma pasta central “current” com os dados da cópia de segurança mais recente. Com base nas definições do utilizador, roda depois esses dados para pastas diferentes. Nas cópias de segurança diárias, cria e guarda cópias em subpastas com o nome de cada dia da semana, dentro de uma pasta “week”. Ou seja, há uma cópia de segurança separada para cada dia, como “Monday”, “Tuesday”, e assim por diante. Nas cópias de segurança mensais, no primeiro dia de cada mês cria um instantâneo numa subpasta mensal correspondente, dentro de uma pasta “month”, como “January”, “February”, etc. Este sistema garante que os utilizadores têm uma série de cópias de segurança com data, o que dá flexibilidade e segurança na hora de restaurar os dados.

## Porquê o rsync?

O rsync é uma ferramenta que torna as cópias de segurança eficientes e eficazes. Funciona a atualizar apenas as partes dos ficheiros que mudaram desde a última cópia de segurança, em vez de copiar tudo outra vez. Esta abordagem reduz muito a quantidade de dados transferidos, poupa o desgaste dos discos rígidos e dos SSDs e reduz os custos do armazenamento na nuvem, porque menos alterações de dados significam menos operações de I/O. Basicamente, o rsync garante cópias de segurança rápidas e leves em recursos, o que o torna uma escolha inteligente para cópias de segurança e rotação regulares.

O rsync (https://rsync.samba.org) é uma ferramenta padrão, não comercial, incluída em muitos sistemas operativos como GNU/Linux, variantes de BSD e macOS, pelo que é fácil de obter sem instalações nem compras adicionais. Com a confiança de milhões de pessoas em todo o mundo, as suas capacidades robustas e eficientes de cópia de segurança fizeram dele um padrão do setor fiável e muito usado.

## Criar cópias de segurança com o rsync

Para criar uma única cópia com o rsync, podes usar o comando **`rsync -arvz SOURCE TARGET`**. Num artigo anterior expliquei como usar o rsync para fazer cópias de segurança, e podes encontrá-lo aqui: Como_usar_o_rsync_para_fazer_cópias_de_segurança (https://willem.com/en/2020-10-30_how-to-use-rsync-to-make-backups/). É importante decidires com cuidado o que queres guardar, seja uma simples pasta de documentos ou uma instalação inteira. A ferramenta **`rsync-backup-rotator`**, de que falo neste artigo, parte do princípio de que já tens um mecanismo de cópia a funcionar. Esse mecanismo deve manter uma cópia atualizada dos teus ficheiros numa pasta chamada “current”, num caminho acessível à ferramenta, o que permite uma rotação eficiente.

## A ferramenta: rsync-backup-rotator

Tal como nos meus relógios, aqui (https://willem.com/en/2020-11-30_designing-my-own-watch/) e aqui (https://willem.com/en/2022-12-22_rolex-datejust-36/), prefiro ferramentas intemporais, claras, simples e dedicadas à sua tarefa. O **rsync-backup-rotator** nasceu com esta mesma filosofia de design.

A ferramenta é um script de bash que corre sem dependências esquisitas nem peso a mais em praticamente todos os sistemas GNU/Linux, BSD e macOS. Caramba, provavelmente consegues pô-la a funcionar também no Windows, com o WSL. Foi pensada para fazer o seu trabalho hoje e no futuro, sem manutenção nem atualizações obrigatórias.

Podes transferir a ferramenta aqui: https://source.willem.com/rsync-backup-rotator/ Lá encontras também as instruções (https://source.willem.com/rsync-backup-rotator/README.txt) e um registo de alterações (https://source.willem.com/rsync-backup-rotator/CHANGELOG.txt). A ferramenta é distribuída como software livre sob a licença GPLv3 (https://www.gnu.org/licenses/gpl-3.0.en.html), pensada para garantir a tua liberdade de usar, partilhar e alterar todas as versões desta ferramenta.

### Instalação

- Transfere o script de https://source.willem.com/rsync-backup-rotator/

- Torna o script executável: **`chmod +x rsync-backup-rotator.sh`**

### Utilização

Para usar o rsync-backup-rotator, corre o script com os argumentos necessários: **./rsync-backup-rotator.sh <parent_directory> [options]**

#### Opções:

- -w: ativa as cópias de segurança para cada dia da semana.

- -m: ativa as cópias de segurança para o primeiro dia de cada mês.

- --delete: inclui a opção --delete no rsync para remover no destino os ficheiros que já não existem na origem.

- --help: mostra a informação de ajuda.

#### Exemplos:

- Fazer uma cópia de segurança por dia da semana: **`./rsync-backup-rotator.sh /path/to/parent -w`**

- Fazer cópias de segurança por dia da semana e mensais, com remoção dos ficheiros apagados: **`./rsync-backup-rotator.sh /path/to/parent -w -m --delete`**

## Conclusão

No futuro pretendo lançar mais ferramentas e aplicações como software livre sob a licença GPLv3. Embora seja um começo pequeno, é a minha humilde tentativa de retribuir algo ao mundo. Mantém-te seguro, mantém as tuas cópias de segurança em dia!

![A ferramenta 'rsync-backup-rotator' v1.0, disponível como software livre sob a licença GPLv3](https://willem.com/global/images/4404a897ea44.webp)

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## Apple Watch como telefone

*Substitui o teu smartphone por um smartwatch* · 2023-11-10 · https://willem.com/pt/2023-11-10_apple-watch-como-telefone/

Imagina uma semana sem o teu smartphone, substituído apenas pela simplicidade elegante de um smartwatch. Foi o que fiz esta semana: deixei o smartphone para trás e entreguei o leme a um Apple Watch. Muita gente apresenta isto como uma fuga libertadora aos nossos companheiros digitais que pedem atenção a toda a hora, mas será que está à altura da fama? Acompanha-me nesta viagem curiosa, onde a tecnologia encontra o minimalismo, e descobre se menos pode mesmo ser mais.

## Apple Watch Ultra com rede móvel

Para esta experiência escolhi o Apple Watch Ultra 2 com ligação à rede móvel. Isso permite-lhe funcionar de forma independente do iPhone, a comunicar sozinho com as suas próprias antenas.

Comparado com muitos outros relógios, incluindo peças clássicas como o Rolex_DateJust_36MM (https://willem.com/en/2022-12-22_rolex-datejust-36/), o Apple Watch Ultra é grande. Mas, para o fim a que se destina, assenta-lhe bem, porque o tamanho maior permite uma bateria maior e mais espaço de ecrã. Mais do que qualquer outro smartwatch, acho que este Apple_Watch_é_um_relógio_de_ferramentas_moderno (https://willem.com/en/2018-11-02_is-the-apple-watch-the-modern-tool-watch/), feito de propósito e cheio de tecnologia.

![Comparação do Apple Watch Ultra 2 com um Rolex DateJust 36MM](https://willem.com/global/images/452c8776d438.webp)

![O Apple Watch Ultra é uma peça de tecnologia moderna feita com precisão - o que quer que pensemos dos smartwatches, é preciso aplaudir o esforço de miniaturização deste computador de pulso](https://willem.com/global/images/c2115bae1ebb.webp)

## Um plano móvel especial: agir como um só com o teu telefone

Deves consultar o teu operador de rede móvel para saberes os detalhes exatos, mas, em geral, as variantes com rede móvel do Apple Watch exigem uma subscrição adicional. Na rede neerlandesa da Vodafone existe o “OneNumber (https://www.vodafone.nl/abonnement/onenumber)”, um nome que descreve bem o que este serviço faz: pôr dois dispositivos (o teu smartphone e o teu smartwatch) a funcionar em simultâneo com o mesmo número de telefone. É tão simples como poder atender qualquer chamada a partir de qualquer um dos dois (de forma independente).

![A sentir-me ligado... Apple Watch Ultra 2 com Vodafone NL](https://willem.com/global/images/11ee0e74b75e.webp)

## Ficar sem telefone

Ao longo dos anos, tenho experimentado_a_fundo_com_smartwatches (https://willem.com/en/inside-and-outside-apple-using-questioning-and-escaping-the-ecosystem/), mas a maioria exigia que eu estivesse ao alcance de Bluetooth do meu smartphone; ou seja, tinha de levar dois dispositivos para aquilo funcionar. Desta vez interessava-me sobretudo o fenómeno que outros descrevem como uma sensação libertadora quando deixas o smartphone em casa.

Devias ler esta análise_clássica_do_primeiro_Apple_Watch_com_suporte_LTE (https://www.hodinkee.com/articles/apple-watch-series-3-edition-review) de Benjamin Clymer, da Hodinkee, um blogue de relógios muito respeitado. Na sua “semana no pulso”, o Ben conclui que se vai longe só com um relógio e um único (!) AirPod como equipamento de uso diário (EDC).

![EDC sem telefone com um Apple Watch e um AirPod (por Benjamin Clymer, Hodinkee)](https://willem.com/global/images/f08ba5fabdd0.webp)

## Preciso de estar online

Para mim, o smartphone é um equipamento essencial, porque é a minha principal porta de entrada para o mundo online onde ganho_a_maior_parte_do_meu_dinheiro (https://willem.com/blog/work/). No trabalho alterno entre momentos de trabalho leve e de trabalho profundo, e este último exige um nível de concentração (https://willem.com/en/2018-12-06_do-amazing-things-with-a-focused-mind/) que um dispositivo ligado, como um smartphone moderno, interrompe com facilidade.

Apesar de fazer maravilhas pela minha concentração, não quero desligar por completo o smartphone. Além das minhas responsabilidades com a infraestrutura_na_nuvem (https://willem.com/en/self-hosting-running-your-own-infrastructure-on-linux/), sou pai_de_duas_crianças_pequenas (https://willem.com/en/fatherhood-the-personal-thread-behind-the-technology/) e nunca se sabe bem quando “o mundo precisa de mim”. Mesmo sabendo que é só “uma sensação”, desligar-me *por completo* dá-me ansiedade quase de imediato. Antes, tentei usar_um_telemóvel_básico (https://willem.com/en/2016-10-01_harvesting-boredom-to-let-creativity-flourish/) que só fazia chamadas e enviava mensagens de texto simples.

![Pensado para te dar um melhor equilíbrio entre estar ligado e ser incomodado, o telemóvel Punkt MP01 entrou na minha experiência com um “telemóvel básico” para fomentar a criatividade](https://willem.com/global/images/28d360d04130.webp)

Um telemóvel básico funciona mais ou menos, mas ficas aquém quando precisas mesmo de ligação moderna, por exemplo para resolver_problemas_na_nuvem (https://willem.com/en/self-hosting-running-your-own-infrastructure-on-linux/) ou para tirar e enviar uma fotografia. Por isso, em vez de matar o meu smartphone, dei-me ao trabalho de o configurar para entregar_só_algumas_notificações,_com_muito_critério (https://willem.com/en/2021-02-22_the-value-of-notifications/), algo que continuo a afinar. Sinto que ainda há margem para melhorar, e é por isso que adoro experimentar dispositivos diferentes, como o reMarkable (https://willem.com/en/2021-05-31_using-the-remarkable-paper-tablet/), para melhorar o meu desempenho no trabalho profundo; o objetivo é encontrar um equilíbrio poderoso entre ligação e solidão.

## A experiência e o que vivi

Assim, depois de ter preparado tudo, guardei o smartphone numa mala e fui tratar da vida só com o meu Apple Watch. No dia a dia, limitei o tempo de ecrã do smartphone ao mínimo absoluto. Durante a experiência tive dias de pai e alguns dias de trabalho com viagens. Uma mistura normal da “Vida_do_Willem (https://willem.com/blog/lifestyle/)”.

Em casa e à volta dela, achei o Apple Watch particularmente forte, porque acaba mesmo com qualquer hábito que tenhas criado de pegar (automaticamente) no telefone para ver se há “alguma novidade”. Sabes, o hábito de espreitar só por espreitar. Quando já não o tens ao alcance do braço, reparas como este “reflexo” estava entranhado. Sem eu saltar para o mundo digital, senti-me muito mais no “aqui e agora”. Faz diferença!

De vez em quando chegava uma notificação que exigia ação imediata. Por exemplo, um serviço web falhou e disparou um alarme_de_disponibilidade (https://willem.com/en/2021-02-02_realtime-service-uptime-monitoring/). Estas falhas são raras, mas achei ótimo ser avisado do problema sem demora. Depois de receber a notificação, fui até ao meu iPad e tratei do assunto, de forma muito deliberada. É outro efeito do Apple Watch como dispositivo principal: usas os teus outros dispositivos com mais determinação, pegas neles para fazer uma coisa concreta em vez de andares só a espreitar. Também adoro isso.

No trabalho, o Apple Watch não me dá assim tanto a mais; é só mais um ecrã quando já estou rodeado de outros ecrãs. Acho bom quando me avisa de um evento de calendário que se aproxima ou de uma tarefa da minha lista, mas para mim não muda muito a forma como trabalho. Quando trabalho, já estou bem ligado por causa da natureza_do_meu_trabalho (https://willem.com/blog/work/). Mas, claro, o impacto do Apple Watch no teu trabalho pode ser diferente. Talvez gostes desta experiência maluca que fiz antes: programar_no_Apple_Watch (https://willem.com/en/2017-02-16_programming-on-apple-watch/).

Com dois miúdos curiosos, sou muitas vezes bombardeado com “as perguntas da vida”; a muitas sei responder, mas algumas exigem consultar curiosidades. Percebi que é aqui que a Siri no Apple Watch brilha mesmo. Em vez de pegares no telefone para pesquisar, basta fazer uma pergunta à Siri. O truque é saber como perguntar (ou dar instruções) à Siri para obteres os resultados certos. Quando o meu filho me perguntou qual era o maior vulcão do sistema solar, eu sabia que ficava em Marte, mas faltavam-me os detalhes suculentos. *“Hey Siri, procura na Wikipédia o vulcão em Marte”* dá-te resultados em segundos e poupa-te uma viagem pelo país das maravilhas da publicidade dos motores de busca. Poderoso, quando já decoraste algumas destas instruções.

A criatividade desperta quando estou num estado de concentração, muitas vezes quando fico sozinho com os meus pensamentos. Nunca sei bem quando e onde me surgem as ideias novas. Às vezes sento-me e uso o meu tablet_de_papel_reMarkable (https://willem.com/en/2021-05-31_using-the-remarkable-paper-tablet/) para cultivar e registar os meus pensamentos. Mas há alturas em que não o tenho comigo, como quando vou dar um passeio_pelo_campo (https://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/). Descobri que o gravador de voz é uma forma fantástica, natural e sem atrito de registar os meus pensamentos. O Apple Watch faz um trabalho espantoso a filtrar qualquer ruído (ambiente) das gravações. Vi que voltar a ouvir essas gravações é uma forma riquíssima de refletir e de escrever um diário, porque o tom de voz tem imenso detalhe, para além das palavras em si.

![O Memorando de Voz no Apple Watch é surpreendentemente eficaz a captar ideias criativas - sincroniza sem falhas com os teus outros dispositivos para reveres mais tarde - onde quer que estejas](https://willem.com/global/images/fed5373512d7.webp)

## Perfeição quebrada

Quando funciona, vivi magia, mas a experiência desmoronava-se de vez em quando. O relógio exige gestão própria, para além do teu smartphone. Consegue espelhar grande parte da configuração do iPhone, mas não toda.

Fiquei surpreendido e irritantemente interrompido quando começou a vibrar no pulso a avisar-me de exposição a ruído ambiente elevado, enquanto andava com a minha bicicleta_de_estrada (https://willem.com/en/2020-04-30_minimalistic-road-bike-with-gates-carbon-drive/) contra um vento forte de frente. Ou quando te lembra de te levantares... enquanto vais de carro. Ou quando te oferece “dicas” sobre como usar o relógio, quando só precisas que saia do teu caminho. Ou os numerosos pedidos, app a app, para autorizar o uso dos serviços de localização. Super irritante e redundante, sobretudo quando já deste certas permissões às apps no telefone (quem é que **não** quer permitir o uso do GPS na app Mapas?)

Mas um problema mais fundamental que senti é que o Apple Watch não é uma experiência contínua. Tens de o tirar do pulso quando a bateria acaba. Ao contrário de um smartphone, que podes continuar a usar enquanto carrega, o Apple Watch desliga-se e deixa de funcionar no carregador. Não te avisa de chamadas recebidas nem de notificações (importantes). Como o Apple Watch precisa de carregamento regular, isto significa que *continuas* a precisar do smartphone quase todos os dias.

Isto contraria o propósito de uma experiência sem telefone, porque andar a gerir diferentes dispositivos também exige algum esforço mental. Tens de planear com antecedência (por exemplo, “terei bateria suficiente para a noite ou não?”). Não consegui encontrar uma rotina natural para manter tudo a funcionar.

Sei que há quem carregue o Apple Watch de noite, quando o telefone está na mesa de cabeceira. Mas isso significa que não podes usar o despertador silencioso nem o sistema de notificações do relógio, funcionalidades poderosas quando partilhas a cama com alguém. (Nem qualquer uma das capacidades do relógio para acompanhar os teus hábitos de sono, já agora.)

Outras pessoas carregam o Apple Watch enquanto tomam duche de manhã. Com 30 a 60 minutos de carregamento rápido, a bateria chega aos 80%. Talvez eu seja demasiado rápido ou eficiente para o relógio, mas a minha rotina da manhã demora menos de 15 minutos, só com um duche_frio (https://willem.com/en/2018-12-06_do-amazing-things-with-a-focused-mind/) e uma chávena de café.

Tentei usar dois Apple Watch, alternando-os entre o pulso e o carregador. Isso maximiza o “tempo de relógio no pulso”, mas é ridiculamente redundante, exige ainda mais dispositivos, dinheiro, subscrições e gestão. Vai contra o meu apreço por menos_é_mais (https://willem.com/en/digital-minimalism-doing-more-with-less-technology/). Isto levou-me à conclusão de que, talvez, o melhor smartwatch seja nenhum smartwatch.

![Adivinha o que é melhor do que dois smartwatches? ... nenhum!](https://willem.com/global/images/d3d623908ed5.webp)

## Conclusão

A forma como interagimos com a tecnologia continua a ser, no fundo, uma decisão humana: tu determinas o que fazes, e isso exige determinação e disciplina. A minha experiência de ficar sem telefone foi uma confrontação com o facto de que o que eu precisava era de *menos* tecnologia, não de *mais*, para chegar onde realmente quero estar: no aqui e agora!

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## E... fez-se luz!

*Montar luzes com dínamo na minha bicicleta de estrada* · 2023-11-01 · https://willem.com/pt/2023-11-01_e-fez-se-luz/

Os dias mais escuros chegaram ao hemisfério norte, e com eles a necessidade de boas luzes na bicicleta. As luzes a pilhas ou bateria até fazem o trabalho, mas é preciso mantê-las carregadas. Eu queria um sistema de iluminação na minha bicicleta de estrada que simplesmente funcionasse. Lê até ao fim e descobre um pouco de luz na escuridão!!

Desde que me mudei para o campo_no_Limburg (https://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/), dou por mim mais vezes em escuridão total, porque muitas das estradas rurais não têm iluminação pública. Com dois filhos pequenos, tenho de ser um pouco criativo quanto a *quando* saio para treinar; por exemplo, quando já estão deitados. Isto significa que boas luzes de bicicleta não são um luxo, são essenciais para a forma como uso a bicicleta.

![Bem-vindo ao lado negro (do campo)... onde a iluminação pública é rara](https://willem.com/global/images/d6659618e0c5.webp)

Juntamente com o meu ciclocomputador Garmin Edge, tenho as luzes Garmin Varia, tanto o farol (UT800) como a luz traseira com radar (RTL515). São as chamadas luzes inteligentes, que ajustam o feixe e a intensidade consoante a luz ambiente e a tua velocidade. O ciclocomputador Garmin gere isto através de uma ligação sem fios. Na maior parte das vezes funciona bem, mas nem *sempre*... e depois dá um trabalhão repor o sistema inteiro (por exemplo, ter de reiniciar as duas luzes e o ciclocomputador) e/ou verificar as ligações sem fios uma a uma. Às vezes o *inteligente* falha simplesmente e ficas com umas luzes a piscar teimosamente quando o que queres mesmo é um feixe forte e fixo. Outra limitação (séria) é que o feixe mais forte, de que precisas na escuridão total, gasta tanta bateria que só dura 1,5 horas (em boas condições!). *Só quero que as minhas luzes funcionem, sem chatices nem gestão de baterias, por favor!*

![Luzes Garmin Varia a bateria - lindas quando funcionam - mas já não são a minha praia](https://willem.com/global/images/f1f2957a71e3.webp)

Os amigos do blogue sabem que tenho uma bicicleta_de_estrada_minimalista_da_Schindelhauer (https://willem.com/en/2020-04-30_minimalistic-road-bike-with-gates-carbon-drive/), uma construtora de bicicletas dedicada de Berlim. A Siegfried Road modificada que uso não tem dínamo, daí a minha escolha original por luzes a bateria. Para mudar isso, preciso de uma roda com dínamo, fios elétricos e boas luzes alimentadas por dínamo.

Os dínamos mais eficientes e que não pedem manutenção são os dínamos de cubo, que ficam no eixo da roda ou dentro dele. A roda tem um pouco mais de resistência ao rolamento, mas em troca recebes um fornecimento de energia elétrica constante e infinito. A alemã SON faz dínamos de bicicleta fantásticos (https://nabendynamo.de/en/products/hub-dynamos/for-standard-forks/), que estão realmente entre os melhores em termos de energia produzida, durabilidade e design geral. Tudo feito na Alemanha (https://nabendynamo.de/en/about/production/).

![Fotografias da fábrica da SON em Tübingen, na Alemanha - levam a sério fazer as coisas como deve ser](https://willem.com/global/images/c58528d13a2d.webp)

Pedi à fábrica de bicicletas da Schindelhauer se me podiam fornecer uma roda com dínamo para a minha Schindelhauer Siegfried Road. Algumas das outras bicicletas deles têm luzes com dínamo, por isso estava esperançado. Infelizmente não me puderam fornecer uma roda adequada, mas estiveram totalmente disponíveis para ajudar. Ofereceram-me um aro original que tinham em armazém por não cumprir os seus padrões de qualidade, já que tinha uns pequenos riscos. Além do aro, deram-me as especificações do modelo exato de dínamo que melhor funcionaria na minha bicicleta de estrada: precisava de um dínamo SON28 com 32 furos para raios.

Agora só faltava encontrar um construtor de rodas habilidoso, capaz de montar a roda de estrada à medida com o dínamo de cubo SON. Embora eu consiga fazer quase tudo sozinho, montar uma roda perfeitamente equilibrada e tensionada exige um nível de artesanato acima das minhas capacidades. Por isso voltei à minha antiga terra, Uithoorn, onde conhecia a loja de bicicletas local, a do Ruud_van_der_Schaft (https://www.facebook.com/people/Van-der-schaft-tweewielers/100057147262528/). Expliquei-lhe o meu plano maluco e, por sorte, ele aceitou ajudar-me se eu lhe fornecesse todas as peças necessárias.

![Van der Schaft tweewielers em Uithoorn](https://willem.com/global/images/dfb7947e2ca2.webp)

![A recolher a minha roda de estrada feita à medida em Uithoorn](https://willem.com/global/images/6df6b4f7b0ca.webp)

Com a roda nova com dínamo, tinha de decidir que luzes usar e como as ligar ao dínamo de cubo. Tenho muito boa experiência com as luzes de bicicleta da Supernova (https://supernova-lights.com/en) na minha bicicleta_de_deslocações_diárias (https://willem.com/en/2019-11-26_supernova-e3-pro-2-dynamo-powered-headlight/). São um exemplo típico do que acontece quando deixas os alemães desenhar e projetar tecnologia: vão *até ao fim*! O modelo mais recente, o M99 DY PRO, tem uma matriz de 11 LEDs e uma nova eletrónica de controlo que permite uma função de máximos. Produz valores de luz até 1000 lúmens e 200 lux. Isto é que é luz! HA! Adoro isto.

![A Supernova M99 DY PRO é uma luz dianteira de LEDs alimentada por dínamo, com função de máximos e homologação segundo o código da estrada alemão](https://willem.com/global/images/7fe1438b5515.webp)

![A função de máximos fica disponível a partir dos 20 KM/h e permite iluminar a estrada muito mais à frente (se o trânsito o permitir)](https://willem.com/global/images/73b5970e1445.webp)

Para a traseira escolhi a Supernova_E3_Tail_Light_2 (https://supernova-lights.com/en/products/e3-tail-light-2-6v)), que funciona bem em conjunto com o farol da Supernova. Ambas as luzes da Supernova têm condensadores que mantêm as luzes acesas mesmo quando paras a bicicleta com dínamo, o que reforça a visibilidade quando tens de parar mais à frente (por exemplo, nos semáforos).

![Supernova E3 Tail Light 2](https://willem.com/global/images/de7766815889.webp)

## Instalação

Instalar luzes com dínamo numa bicicleta de estrada pode exigir reflexão, trabalho manual e criatividade. A minha bicicleta é de alumínio e algumas peças já tinham furos que eu podia aproveitar para passar os fios elétricos. Mas, antes de fazer qualquer alteração permanente, liguei as luzes de forma “rápida e suja” para ver se todas as peças funcionavam bem em conjunto.

![Teste das luzes com dínamo, com uns fios soltos ligados à pressa - funciona! ](https://willem.com/global/images/5664c3d08a10.webp)

Por várias razões, incluindo durabilidade e aspeto, queria esconder os cabos elétricos o mais possível. Felizmente, o meu garfo dianteiro tinha furos que me permitiram passar os cabos principais até ao dínamo de cubo.

![Com uma pinça, acabei por conseguir guiar o fio pelos pequenos furos do meu garfo dianteiro](https://willem.com/global/images/a949cea168b3.webp)

![Usa uma camada fina de fita para juntar temporariamente os condutores - assim é mais fácil guiar o cabo](https://willem.com/global/images/9b7048146285.webp)

O maior desafio na minha bicicleta foi passar o cabo pelo quadro. Exigiu fazer um pequeno furo num dos tubos. Tenho muita relutância em furar a minha bicicleta, mas calculei (a ver por outras bicicletas com furos ali) que não prejudicaria a integridade estrutural do quadro.

![O fio para a luz traseira entra num furo aberto de novo no quadro - deixando apenas cabo suficiente para o guiador rodar](https://willem.com/global/images/c332265ab587.webp)

A minha bicicleta tem tubos de forma aerodinâmica, que não são perfeitamente redondos, e deixam algum espaço vertical junto à caixa de pedaleiro que achei suficiente para passar um fio elétrico. No fim tive de retirar a caixa de pedaleiro, o pedaleiro e os pedais para chegar aos furos no interior do quadro.

![Depois de retirada a caixa de pedaleiro, consegui ver os furos no interior do quadro.](https://willem.com/global/images/7055cbfd8a66.webp)

Antes de passar os fios a sério (mais finos), usei um cabo de cobre mais grosso e robusto como guia. É muito mais simples “conduzir” um cabo robusto.

![Se olhares com atenção, vês um pedaço de cabo de cobre dentro do furo](https://willem.com/global/images/2595fd299535.webp)

![Está feito! Consegui puxá-lo! ](https://willem.com/global/images/681a778de11a.webp)

Depois usei esse cabo robusto para puxar o cabo verdadeiro. Exige paciência e algum esforço, mas acaba por se conseguir. Soldei temporariamente o fio verdadeiro ao fio-guia para facilitar um pouco o puxão. Usei uma pinça para fazer uma ligação firme entre os dois cabos.

![A soldar temporariamente os cabos verdadeiros a um cabo-guia de cobre para os puxar pelo quadro](https://willem.com/global/images/bfe2ac93489b.webp)

A luz traseira tem um cabo que passei pelo espigão do selim; entra num buraquinho mesmo por baixo do selim. Esse cabo desce até à caixa de pedaleiro, onde encontra o outro cabo vindo da frente da bicicleta.

![A luz traseira montada no espigão do selim, com o cabo a entrar no tubo](https://willem.com/global/images/b15664144a4d.webp)

Por fim consegui ligar todos os fios, soldando os condutores uns aos outros **e** isolando-os com termorretrátil. Deixei algum cabo extra no tubo do selim, com dois conectores de pinça, para o poder retirar se for preciso.

![A soldar os condutores uns aos outros e a isolá-los com termorretrátil](https://willem.com/global/images/03c162fe268b.webp)

![A ligação resultante, com termorretrátil, é funcional e duradoura](https://willem.com/global/images/7656b2eecaca.webp)

Depois de montar tudo outra vez, o resultado é espantoso. As duas luzes funcionam bem e estou muito satisfeito com o resultado. Recebi comentários de que parece quase instalado de fábrica - aceito isso como um elogio!

![As duas luzes a funcionar - o resultado](https://willem.com/global/images/7bcd4eefe2c3.webp)

![O farol está montado na pinça do travão dianteiro - para deixar o guiador livre para futuras aventuras de bikepacking](https://willem.com/global/images/7178959ab906.webp)

![O feixe é fantástico - simplesmente funciona, e muito bem!](https://willem.com/global/images/92d4e9b4b638.webp)

## Conclusão

E fez-se luz! UAU! Deu algum tempo e esforço (..) mas valeu totalmente a pena. As luzes com dínamo acabam com as trapalhadas das luzes sem fios a bateria e substituem-nas por uma solução duradoura que, a longo prazo, pede muito menos atenção. Simplesmente funciona!

![A experimentar a bicicleta melhorada na antiga base da Força Aérea neerlandesa em Soesterberg](https://willem.com/global/images/417d2fa23471.webp)

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## Dar formação sobre IA

*Ensinar as pessoas sobre os superpoderes do GPT* · 2023-10-14 · https://willem.com/pt/2023-10-14_dar-formacao-sobre-ia/

Ontem tive o prazer de dar uma formação sobre a aplicação de técnicas de IA de ponta, como os grandes modelos de linguagem da OpenAI (GPT), a uma equipa de pessoas com percursos, níveis de formação e áreas muito diferentes. Os resultados surpreenderam-me!

Cheguei uma hora mais cedo, não de comboio (por causa de uma perturbação), mas de carro, uma reviravolta do destino que acabou por ser uma sorte. Deu-me a oportunidade de absorver o ambiente com calma antes de começar e de ter conversas inesperadas e deliciosas sobre carros de corrida e dados de saúde, entre outras coisas.

Mergulhámos no mundo dos dados de saúde e no papel importante que os grandes modelos de dados têm nos cuidados de saúde e no coaching pessoal. Apresentei-lhes o WHOOP (https://willem.com/en/2022-01-14_wearing-whoop-4-0/), um sensor de saúde e fitness 24 horas por dia, 7 dias por semana, e mostrei como a riqueza dos seus dados é agora acessível através da OpenAI (https://openai.com), o que permite conselhos de coaching à medida da condição física e dos objetivos pessoais de cada um.

![A nova integração do WHOOP com a OpenAI transforma-o num treinador pessoal, que te dá conselhos à medida sobre treino, saúde e forma física](https://willem.com/global/images/d2b9090d8a35.webp)

A formação em si foi uma mistura entusiasmante de demonstrações, em que mostrei como criar narrativas tanto sérias como divertidas a partir de texto. Explorámos como adaptar conteúdos a públicos específicos, sejam crianças, adolescentes ou até seniores apaixonados por velocidade. Falámos de como usar a OpenAI para delinear estratégias, como uma campanha nas redes sociais ou um discurso de vendas, com dados e detalhes personalizados que interessam a um potencial cliente.

Fiz questão de sublinhar a ideia essencial de que o toque único de cada pessoa deve ser sempre visível nos resultados. Isto não é um “gerador de texto” de sentido único; é mais uma troca com uma espécie de assistente digital a quem apresentas ideias e de quem recebes respostas especializadas. Mostrei também outras ferramentas, como a app iA_Writer (https://ia.net/writer), que, com a sua interface minimalista, reduz muito as distrações, o que a torna uma ferramenta perfeita para a criatividade.

Terminámos com um plano de ação em cinco pontos, que deu aos participantes ferramentas práticas e instruções acessíveis para aplicarem a sério depois da formação.

## Algo para ti?

Descobre o poder transformador da IA numa formação única e prática, que está longe de ser uma palestra convencional. Trago uma abordagem dinâmica e interativa, feita de histórias, que mantém os participantes envolvidos e investidos. Eis por que razão a minha formação sobre IA é um investimento valiosíssimo para a tua organização:

- **Impacto direto**: sente benefícios imediatos e tangíveis, porque a tua equipa ganha conhecimentos práticos de IA aplicáveis desde o primeiro dia.

- **Conteúdo à medida**: cada sessão é preparada com todo o cuidado para ir ao encontro das necessidades e aspirações específicas da tua organização.

- **Abordagem prática**: para além das teorias, dou aos participantes estratégias e ferramentas concretas, prontas para os desafios do mundo real.

As minhas sessões não são apenas informativas; são cativantes e pensadas para prender a atenção do princípio ao fim. Pronto para lançar a tua equipa no futuro movido a IA? Contacta-me em mail@willem.com para uma proposta à medida, adaptável ao número de participantes e ao local do evento. Vamos libertar juntos o potencial da tua organização!

![Descobre o poder da IA em conjunto, convidando-me para uma formação prática - adoro fazer estas!](https://willem.com/global/images/00ff3e9402ee.webp)

## Conclusão

Dar estas formações é incrivelmente gratificante. Ver em primeira mão o impacto desta nova tecnologia, tão poderosa, em pessoas e numa organização, literalmente à mesa, foi nada menos do que estimulante. O feedback que recebo sobre tudo o que expliquei dá-me uma energia enorme e alimenta a minha vontade de espalhar ainda mais a palavra sobre a IA. Será que a tua organização podia beneficiar disto? Se sim, entra em contacto!

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## Olá, desconhecido

*Falar com pessoas ao acaso* · 2023-10-13 · https://willem.com/pt/2023-10-13_ola-desconhecido/

Enquanto almoçava um wok fresquinho em Amesterdão, reparei numa coisa estranha: as outras pessoas que entravam para comer ignoravam quem estava ao balcão e preferiam fazer o pedido num quiosque digital. O mais louco? Estão a poucos centímetros uns dos outros!

Na verdade, estão tão perto que o funcionário espreita o ecrã para ir logo escolhendo os legumes certos, tudo sem uma única palavra. Percebo: a tecnologia moderna permite-nos ser mais eficientes, mas acho que estou a assistir a algo mais profundo: já preferimos não falar uns com os outros.

Talvez repare nestas coisas porque estou a ler o livro “The_Power_of_Strangers:_The_Benefits_of_Connecting_in_a_Suspicious_World” (https://duckduckgo.com/?q=The+Power+of+Strangers%3A+The+Benefits+of+Connecting+in+a+Suspicious+World), de Joe Keohane. No livro, o autor conta as suas próprias experiências a falar com desconhecidos ao acaso e junta-lhes investigação e literatura histórica sobre as origens da humanidade, a hospitalidade e a pura necessidade de nos ligarmos aos outros para sobreviver.

Pensa nisto por um momento. Quando foi a última vez que cumprimentaste alguém que não conhecias? Quando é que começaste uma conversa espontaneamente? É provável que nem te lembres! Muito provavelmente, ou tu ou a outra pessoa estavam “ocupados” com outras coisas (como a mexer num smartphone).

Como espécie humana, chegámos onde estamos hoje porque os nossos antepassados colaboraram. Não precisas de ir caçar para comer, pois não? Passámos de tribos a comunidades maiores, onde conhecer desconhecidos podia dar-nos acesso a comida e a outros recursos. Por isso, as pessoas desconhecidas eram tratadas como convidadas e recebiam uma hospitalidade generosa.

Agora, com o aparecimento das tecnologias digitais, é impossível não sentir que algo pode estar em risco, um custo intangível da eficiência moderna: a nossa capacidade de falar com desconhecidos.

Compramos online, passamos as compras na caixa de self-service, pedimos um táxi por uma app e sentamo-nos atrás dos nossos ecrãs no café ou no bar. O contacto com desconhecidos ao acaso é cada vez mais raro. E, no entanto, uma conversa simples com alguém que não conheces tem benefícios surpreendentes.

Até uma conversa curta e simples pode fazer-te sentir bem. Podes aprender algo inesperado e, sem dúvida, tem o poder de enriquecer a tua compreensão dos outros. Como o autor do livro sobre encontrar desconhecidos, quis ver por mim se era mesmo verdade.

Nas últimas semanas tenho puxado conversa com pessoas ao acaso: na estação de comboios, no supermercado, na rua e na cidade. Começo sempre com cautela, só a cumprimentar ou a fazer um “comentário fácil” sobre o tempo ou algo igualmente inofensivo. Quando recebes uma reação, é fácil “sentir” se a pessoa está aberta a continuar a conversa. Uma pergunta aberta, como “para onde vais?” (numa estação de comboios), costuma dar ótimos resultados. Tive várias conversas em que as pessoas partilharam mais do que o destino, explicando muitas vezes em pormenor as razões da viagem. Ser bom ouvinte faz a conversa fluir com naturalidade.

É genuinamente agradável. Aprendi uma infinidade de coisas inesperadas, como a vida no Suriname, a forma como o papel dos revisores de comboio mudou ao longo dos anos, como são os vulcões na Islândia e o que pensa um decisor político sobre o impacto da IA na compreensão que as pessoas têm do mundo.

## Conclusão

Acredito mesmo que mais pessoas deviam ligar-se às outras simplesmente falando de forma analógica e natural. Isso poderia promover uma melhor compreensão mútua e servir de antídoto poderoso contra a polarização crescente do nosso mundo moderno.

![Uma zona sem portáteis num bar em Amesterdão - pergunto-me quando vou encontrar a primeira zona sem smartphones...](https://willem.com/global/images/435657f06239.webp)

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## O mesmo, de outra maneira

*O sítio onde estás conta* · 2023-08-23 · https://willem.com/pt/2023-08-23_o-mesmo-de-outra-maneira/

Passou mais de meio ano desde que me mudei da cidade para o campo. Viajo com regularidade entre os dois sítios, por trabalho e por lazer. Como sou um entusiasta do ciclismo, tenho uma bicicleta nos dois lugares, e isso levou-me a descobrir uma coisa curiosa.

Em novembro passado, mudei-me_para_o_campo_do_Limburg (https://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/), depois de muitos anos a viver perto de Amesterdão. Ainda estou a conhecer o meu novo ambiente, a aventurar-me_de_bicicleta (https://willem.com/en/2023-04-20_tips-for-long-distance-cycling/) como um explorador, a experimentar percursos diferentes. Cada curva guarda o potencial de surpreender, uma experiência completamente diferente da monotonia de um trajeto_diário_igual (https://willem.com/en/2018-02-24_creating-the-ultimate-commuter-bike/)!

![A usar o Garmin Edge 1030 para navegar e explorar - quem diria que ia encontrar um “Amstel” perto do Limburg?](https://willem.com/global/images/6fa4cc572ca6.webp)

Ainda tenho uma bicicleta no escritório em Amesterdão e, de vez em quando, vou dar uma volta. Às vezes, tudo o que é preciso para resolver um problema de trabalho difícil é um sopro de ar fresco. Adoro. Nos dois sítios, gosto de pedalar pela natureza, porque me ajuda a pensar. A água parece estimular ainda melhor a minha mente. Por isso, muitos dos meus percursos de ciclismo preferidos seguem rios, ribeiros ou margens de lagos.

Muitas vezes descrito como uma fuga bem-vinda à cidade agitada, o percurso “Ronde_Hoep (https://www.nederlandfietsland.nl/fietsroute/rondehoep-fietsroute/)” perto de Amesterdão oferece aos ciclistas uma experiência de imersão na natureza. Aproveitas vistas panorâmicas enquanto serpenteias pelas curvas dos rios Amstel e Waver.

![Natureza em Amesterdão: Ronde Hoep](https://willem.com/global/images/c49b37977398.webp)

Vasta e pouco habitada, a “Peel (https://en.wikipedia.org/wiki/Peel,_Netherlands)” no Limburg parece-me um país inexplorado por direito próprio. Embora a extração histórica de turfa para combustível tenha deixado marcas, a natureza reconquistou a terra. Grandes extensões estão intocadas, e algumas zonas chegaram mesmo a ter estatuto_de_parque_nacional (https://en.wikipedia.org/wiki/De_Groote_Peel_National_Park).

![Natureza no Limburg: De Peel](https://willem.com/global/images/efe974414a8b.webp)

Olha só para as diferenças! Da estrada (ou da falta dela) à iluminação pública, à sinalização e aos edifícios. Ambos os sítios são considerados “natureza”, e no entanto o contraste dificilmente podia ser maior.

![Os habitantes da cidade são mimados com as suas ciclovias elegantes; lá fora, no mundo selvagem, vais ter um passeio de lama!](https://willem.com/global/images/efd19da09579.webp)

## Conclusão

Viver a mesma atividade em cenários diferentes faz-te perceber como o significado pode variar consoante o sítio onde estás. O lugar onde estás conta muito. Há muita gente que nunca sai do seu habitat. Fica a pergunta: quantos dos problemas do mundo vêm de não vermos as diferenças de significado de conceitos que damos por adquiridos?

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## O impacto do treino

*Análise dos dados de tendência do WHOOP* · 2023-05-31 · https://willem.com/pt/2023-05-31_o-impacto-do-treino/

Esta segunda-feira completei 235KM na minha bicicleta de pinhão fixo durante a Fietselfstedentocht 2023. Foi um bom passeio, com tempo agradável e vento favorável. Ainda assim, levei o desafio a sério e preparei-me com treino a sério. Neste artigo vou olhar para os dados de tendência do meu WHOOP na preparação para a Elfstedentocht.

## Fietselfstedentocht

Neste evento de um só dia, cerca de 16.000 pessoas pedalam pela província neerlandesa da Frísia. O objetivo é recolher carimbos em várias vilas e cidades. À chegada, o teu cartão de carimbos é verificado e, se estiver tudo em ordem, recebes um “Elfstedenkruisje” muito colecionável. Esta medalha fica registada no teu nome. Há uma atenção especial para quem já fez “De Tocht” várias vezes, alguns mais de 60 vezes!

É um evento divertido, mas o campo aberto (e muitas vezes ventoso) da Frísia pode ser um grande desafio como prova de resistência. O evento do ano passado foi brutal: só 9.661 pessoas terminaram o percurso (das 16.000 que podiam participar). Fui um deles, e as memórias do ano passado obrigaram-me a levar o treino a sério.

## Um mundo de diferença

A Elfstedentocht deste ano seria a minha sexta vez, mas tudo o que a antecedeu foi diferente para mim. Como os amigos deste blogue talvez saibam, mudei-me_da_cidade_para_o_campo_do_Limburg (https://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/). Isso quebrou, na prática, a minha rotina de ir_trabalhar_de_bicicleta (https://willem.com/en/2018-02-24_creating-the-ultimate-commuter-bike/). As minhas viagens diárias de ida e volta ao escritório eram (olhando para trás) muito importantes para a minha condição geral. Uso_o_WHOOP (https://willem.com/en/2022-01-14_wearing-whoop-4-0/), um monitor biométrico, e ele registou claramente a regressão da condição do meu corpo:

![As minhas medições de HRV a descer... como resultado da falta de treino durante a mudança da família da cidade para o campo](https://willem.com/global/images/1181d0bcaf43.webp)

O WHOOP mede muitas coisas, uma delas é a variabilidade da frequência cardíaca (HRV). Entre outras coisas, é um bom indicador de quão em forma e relaxado estás. Quanto mais alta, melhor. Mas atenção: esta métrica é muito pessoal. A minha HRV tende a ser baixa, enquanto outras pessoas têm medições na casa das centenas de milissegundos. **Se estás a olhar para a HRV, tens de olhar para a tendência relativa para perceberes alguma coisa.** Nos meus dados do WHOOP vê-se claramente que a coisa desce: a minha condição física sofreu com o stress e com as mudanças ligadas à ida da família para um sítio novo.

![Engordei à medida que perdia condição física: confirma que o WHOOP está no caminho certo: parece haver uma correlação inversa entre o meu peso e as tendências da HRV](https://willem.com/global/images/adf1087d21df.webp)

## Dar a volta

Apesar de ainda me estar a instalar no Limburg, fiz questão de voltar a pedalar para travar a regressão da condição física (e o aumento de peso). Como a minha bicicleta tem boas luzes, aproveitei para sair tarde à noite (quando os miúdos dormem) ou à hora de almoço sempre que trabalho a partir de casa. Ainda estou a descobrir como fazer, mas o objetivo principal era aumentar as minhas horas em cima de uma bicicleta, qualquer_bicicleta (https://willem.com/en/2022-09-15_the-ultimate-freedom-bike/) que_sirva (https://willem.com/en/2019-06-25_assembling-a-cargo-bike/).

![Treinar de forma oportunista: a treinar numa bicicleta dobrável em alguns dias de trabalho em casa - atrais com certeza alguma atenção, de licra completa numa Brompton!](https://willem.com/global/images/e430be10aa2d.webp)

![Treino numa bicicleta de carga não elétrica! Os miúdos adoram! Não é preciso nenhuma unidade GARMIN chique: o WHOOP regista os teus treinos em qualquer veículo. ](https://willem.com/global/images/ff497fc80057.webp)

## COVID-19

As primeiras semanas de treino foram mesmo más, foi duríssimo. Para piorar... apanhei em fevereiro uma COVID irritantemente eficaz, que teve um grande impacto no meu corpo. Sentia-me miserável, até caminhar parecia um esforço enorme. Num dos primeiros passeios depois da infeção, o meu desempenho foi tão mau que duvidei a sério de conseguir fazer a Elfstedentocht deste ano.

![Testar positivo à COVID, não é o que queres quando retomas o plano de treino...  ](https://willem.com/global/images/d8d3937d17cd.webp)

![... para um ciclista treinado, estes dados do passeio são maus: frequência cardíaca de 180BPM a uma velocidade média de 22KM/h - este é o “efeito COVID” no meu corpo - MISERÁVEL DE LUXO](https://willem.com/global/images/784e1c4fd557.webp)

## Dar a volta

Convenci-me de que, com alguma determinação, ainda podia virar o jogo, acelerar o ritmo e expulsar a COVID do corpo à força. Ainda faltavam meses para a Elfstedentocht, muito tempo para fazer_bastantes_quilómetros (https://willem.com/en/2023-04-20_tips-for-long-distance-cycling/). Não foi fácil, mas resultou! Senti-me cada vez melhor e ganhei a confiança necessária para fazer o Gran Fondo na minha bicicleta_de_pinhão_fixo (https://willem.com/en/2020-04-30_minimalistic-road-bike-with-gates-carbon-drive/).

![Sorri e continua a pedalar! No fim as coisas MELHORAM mesmo.](https://willem.com/global/images/29adc3847b24.webp)

![Nos últimos meses acelerei o ritmo e assumi mais “strain” (na gíria do WHOOP, o ‘esforço de treino’)](https://willem.com/global/images/40c9de1cefc4.webp)

![O treino tem efeitos: a minha HRV média volta a subir! ](https://willem.com/global/images/141e7b4d99fa.webp)

![A minha frequência cardíaca em repouso (de manhã cedo) também está a descer! Tem correlação inversa com a subida da minha HRV. Algumas noites chegam aos 50 baixos, 40 altos - estou a voltar à forma!](https://willem.com/global/images/db5b815fabcc.webp)

![Até a minha frequência cardíaca média durante o dia, com todas as minhas tarefas de pai moderno, está a descer, porque o meu coração (e o sistema cardiovascular) está a recuperar eficiência](https://willem.com/global/images/9e4e025d111c.webp)

## A Elfstedentocht

Assim, na segunda-feira passada (29 de maio de 2023) chegou a hora da Elfstedentocht deste ano. Foi um passeio muito bom! O tempo estava agradável e o vento era favorável em grandes troços dos 235KM do percurso. Juntamente com o meu irmão Kevin e o meu cunhado Rob, terminámos o percurso e ganhámos o nosso Elfstedenkruisje!

![Pelo campo da Frísia durante a Fietselfstedentocht 2023](https://willem.com/global/images/48dc1e3958e6.webp)

![A recolher todos os carimbos para ganhar a medalha “Elfstedenkruisje”](https://willem.com/global/images/39f0f951599e.webp)

![Kevin (irmão), eu e Rob (cunhado) na meta!](https://willem.com/global/images/cb9a48109003.webp)

Durante o dia usei o WHOOP e o Garmin para recolher dados. Vê-se claramente que o esforço varia ao longo do dia, com a frequência cardíaca a subir e a descer durante períodos de tempo.

![Os dados detalhadíssimos do Garmin Edge 1030 Plus incluem: frequência cardíaca, potência, localização, frequência respiratória, equilíbrio dos pedais, cadência, temperatura e distância](https://willem.com/global/images/c95d8d040476.webp)

Se gostas de pormenores, podes ver os dados reais da unidade principal Garmin Edge 1030 Plus da minha bicicleta, incluindo todos os dados em bruto dos sensores. Encontra-os_no_Garmin_Connect (https://connect.garmin.com/modern/activity/11225284239).

![Os dados do WHOOP durante todo o dia da Fietselfstedentocht](https://willem.com/global/images/4f89389630c1.webp)

Em comparação com o Garmin, o WHOOP fornece um conjunto de dados mais vasto, incluindo dados anteriores e posteriores ao evento. Aqui vês que a minha frequência cardíaca é substancialmente mais alta depois do grande evento do que na noite anterior: o corpo precisa de tempo para recuperar.

![Na manhã seguinte, o WHOOP calcula a prontidão do meu corpo para um novo esforço de treino - vê-se claramente que o meu corpo não recuperou durante a noite: apenas 7% de recuperação!](https://willem.com/global/images/5243b2fa7175.webp)

Depois de uma boa noite de sono, o meu corpo ainda estava a recuperar do grande evento. O WHOOP calculou uma pontuação de recuperação de 7%, uma métrica derivada da modelação dos meus valores biométricos normais num dia qualquer. Os atletas profissionais destacam-se por recuperar mais depressa de dias extenuantes. Aqui há margem para melhorar!

## Conclusão

Num ano em que tudo mudou para mim, pareceu-me uma grande conquista fazer exatamente o mesmo que um ano antes: terminar a Elfstedentocht! Como a Alice no País das Maravilhas: *“Aqui, vês, é preciso correr o mais que se pode para ficar no mesmo sítio.”* Estou ansioso pelo próximo ano de “Willem no País das Maravilhas”!

### Recolhe dados tu próprio: pede já um WHOOP grátis!

A melhor altura para começar a recolher dados biométricos foi há 10 anos... e a segunda melhor? Hoje! Constrói já um conjunto de dados de referência, que te permita acompanhar os efeitos a longo prazo no teu bem-estar. Mesmo que hoje não estejas a treinar, pode ser útil mais tarde. Podes receber uma pulseira WHOOP grátis e o teu primeiro mês grátis através deste link: https://join.whoop.com/willem

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## Tablet como ferramenta

*Valorizar o iPad Pro: uma perspetiva diferente* · 2023-05-08 · https://willem.com/pt/2023-05-08_tablet-como-ferramenta/

A utilidade do iPad Pro tem gerado muito debate recentemente. Alguns utilizadores dizem que é uma desilusão, por não corresponder às expectativas criadas pelos portáteis tradicionais. No entanto, o iPad tem vantagens menos óbvias que vale a pena considerar. Este artigo explora essas vantagens e partilha a experiência pessoal de usar um iPad Pro.

Uma dessas críticas ao iPad Pro vem de um artigo que dá que pensar de @vincelwt (https://vincelwt.com/ipad). Embora muitos dos pontos levantados no artigo sejam válidos, é importante explorar os pontos fortes únicos que o iPad Pro tem para oferecer. Ao analisar estes aspetos, este artigo espera mostrar como o iPad Pro pode ser uma ferramenta versátil e poderosa quando bem utilizada.

Para quem quiser mais contexto sobre trabalhar com tablets, escrevi_bastantes_artigos (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/) que mostram em detalhe a minha experiência a usar vários tablets como ferramentas, incluindo os que correm sistemas operativos Windows e Linux. Alguns destaques:

- iPad_como_computador_principal (https://willem.com/en/2018-03-07_tablet-as-main-computer/): comparação entre o Surface Pro e o iPad

- Aperfeiçoar_a_minha_experiência_com_tablets (https://willem.com/en/2020-09-28_refining-my-tablet-os-experience/): Debian GNU/Linux no Surface Go

- O_que_faz_um_ótimo_tablet? (https://willem.com/en/2020-04-14_talking-tablets-what-makes-a-great-tablet/) Trabalhar com o Surface Pro X (ARM)

- Usar_um_tablet_de_papel: (https://willem.com/en/2021-05-31_using-the-remarkable-paper-tablet/) ler, escrever, pensar e repetir com o reMarkable

Esta riqueza de conhecimento pode dar pistas valiosas aos leitores que querem saber mais sobre as aplicações práticas dos tablets em diferentes contextos.

## Escolhe os modelos de iPad mais pequenos

Ao considerares os vários modelos de iPad disponíveis, é crucial lembrar que maior nem sempre é melhor. O iPad Pro de 12,9 polegadas, quando combinado com um Magic Keyboard, pesa mais do que um MacBook Air, o que pode não ser o ideal para quem dá prioridade à portabilidade. Em contraste, o iPad Pro de 11 polegadas e os modelos mais pequenos, como o iPad Mini, são uma alternativa mais leve, sem sacrificar muito em potência e funcionalidade. Ao optarem por estas opções mais compactas, os utilizadores desfrutam das vantagens de um tablet poderoso sem perder a facilidade de transporte, o que os torna ideais para produtividade, entretenimento e criatividade em movimento.

## Abraça o modo vertical

Usar o iPad na vertical oferece uma experiência mais natural e intuitiva para ler e anotar documentos, muito parecida com a do papel ou dos livros tradicionais. Esta orientação presta-se bem a tarefas que exigem concentração e atenção ao pormenor, como rever textos longos ou estudar. Ao ativares o “modo escuro” e o “Night Shift” juntamente com o brilho do ecrã reduzido, o iPad melhora ainda mais a experiência ao reduzir a quantidade de luz azul emitida, o que ajuda a evitar o cansaço visual e a dormir melhor. Além disso, o modo de leitura do Safari tira partido desta orientação e torna mais fácil navegar e consumir conteúdos online de uma forma mais confortável e visualmente agradável.

![Ler na vertical com o “modo de leitura” do Safari elimina todas as distrações de (quase) qualquer site](https://willem.com/global/images/115f20806576.webp)

## Opta por ligação 5G / LTE

Investir num iPad com ligação 5G ou LTE garante que tens sempre acesso à internet, onde quer que estejas. A capacidade do iPad para alternar sem falhas entre Wi-Fi e redes de dados móveis significa que podes ficar ligado sem depender de pontos de acesso móveis nem andar à procura de Wi-Fi público. Esta comodidade vem do “ADN iPhone” do iPad, que incorpora a mesma tecnologia de ligação móvel dos smartphones da Apple. Assim, podes navegar, ver conteúdos em streaming e comunicar online sem interrupções, o que melhora a produtividade e as opções de entretenimento em movimento.

## Dispensa o Magic Keyboard com trackpad

Em vez de optares pelo Magic Keyboard com trackpad, pode ser mais vantajoso considerares o Smart Keyboard Folio, que não inclui rato. A verdadeira força do iPad está no ecrã multitoque de 10 dedos, que permite interações mais intuitivas e naturais com o dispositivo. Depender de um rato empurra, sem darmos por isso, os utilizadores de volta para o comportamento tradicional de um portátil e limita todo o potencial da interface tátil do iPad. Ao abraçar as capacidades do ecrã tátil, os utilizadores manipulam melhor os conteúdos e desfrutam de uma experiência mais imersiva. Para uma comparação detalhada destas opções de teclado, lê a minha_comparação_completa_entre_o_Magic_Keyboard_e_o_Smart_Keyboard_Folio (https://willem.com/en/2020-08-11_the-best-keyboard-for-ipad/) e descobre como cada acessório pode influenciar a experiência global com o iPad.

## Sincroniza enquanto dormes

Os iPads têm uma capacidade notável de se manterem atualizados e sincronizados mesmo quando não estão a ser usados, sobretudo com ligação 5G. Esta funcionalidade garante que o teu dispositivo está em dia com e-mails, notificações e atualizações de software, o que dá uma experiência eficiente e fluida. Por isso, quando pegas no iPad, ele está pronto a usar, sem gastares tempo precioso a pôr as comunicações em dia nem a esperar que as atualizações se instalem. Esta ligação permanente não só poupa tempo, como te permite concentrar nas tarefas e atividades que mais importam, melhorando a tua produtividade e o prazer de usar o iPad.

## Aproveita o poder do Apple Pencil

Mesmo que não te consideres artista, o Apple Pencil revela-se uma ferramenta excelente para anotar documentos e capturas de ecrã. Oferece uma forma precisa e intuitiva de marcar textos ou imagens, o que te permite comunicar ideias e comentários de forma mais eficaz. Depois de fazeres as anotações, as capacidades de partilha do iPad permitem distribuir rapidamente o teu trabalho por e-mail, iMessage, Signal ou redes sociais. Este processo simplificado elimina o incómodo de gerir ficheiros e deixa-te concentrar apenas no conteúdo. No fundo, o Apple Pencil eleva a experiência do iPad e transforma-o numa ferramenta versátil e eficiente, tanto para uso profissional como pessoal.

![Anotar quase tudo no contexto (sem sair da app) é muito poderoso quando tens de comunicar uma ideia ou sugestão](https://willem.com/global/images/208efacb8a68.webp)

## Sinergia com o teu iPhone

Organizar as apps do iPad de forma semelhante às do iPhone permite-te aproveitar a mesma memória muscular dos gestos de deslizar e tocar. Esta familiaridade cria uma experiência mais coesa, com transições fluidas entre dispositivos, e melhora a tua produtividade geral. Além disso, ter as mesmas apps instaladas no iPad e no iPhone pode ser uma grande vantagem, porque garante coerência de funcionalidades, definições e dados nos teus dispositivos. Esta sincronização promove um fluxo de trabalho mais eficiente e permite-te retomar facilmente do ponto onde ficaste, seja qual for o dispositivo que estiveres a usar.

![Multiplica a memória muscular de tocar e deslizar se o teu tablet se comportar como o teu telefone](https://willem.com/global/images/848e6b3bdb32.webp)

## Programar no iPad

Programar no iPad torna-se uma opção viável com a ajuda da app Blink (https://blink.sh) e de um servidor privado virtual (VPS) com Mosh. Embora haja um custo associado, poder executar tarefas de compilação e implementação mesmo com o iPad desligado pode ser inestimável para programadores que procuram flexibilidade e eficiência. É importante reconhecer que editores de texto como o VIM ou o Emacs podem não agradar a toda a gente, mas para alguns utilizadores, eu incluído, oferecem um ambiente de programação agradável e eficaz. Adotar esta abordagem pode libertar o potencial do iPad como ferramenta versátil para desenvolvimento de software e outras tarefas técnicas.

![Programar no iPad Pro com Blink, tmux e VIM sobre Mosh (num VPS remoto)](https://willem.com/global/images/9f1c47d0c305.webp)

## Depurar aplicações (web) no iPad

Depurar e inspecionar aplicações web no iPad Pro torna-se uma opção viável graças ao Inspect Browser. Embora possa não oferecer uma experiência idêntica à das populares DevTools do Firefox ou do Chrome, o Inspect Browser tem um desempenho louvável nas funcionalidades essenciais de depuração e inspeção. A compatibilidade com o iPad Pro permite aos programadores web trabalhar de forma eficiente nos seus projetos sem depender de uma configuração tradicional de secretária ou portátil. Esta comodidade permite maior flexibilidade e mostra a adaptabilidade do iPad Pro como ferramenta poderosa para várias tarefas profissionais, incluindo desenvolvimento web, design e manutenção.

![O Inspect Browser no iPad oferece funcionalidades essenciais de depuração e inspeção para apps web](https://willem.com/global/images/c062923679f2.webp)

## Conclusão

Depois de usar um iPad durante vários anos, concluí que ele não consegue substituir um portátil no sentido tradicional. No entanto, ao reimaginares a forma como trabalhas e ao tirares partido das vantagens de um tablet, o iPad pode ser uma ferramenta poderosa e versátil. No fim de contas, as preferências individuais variam, e é por isso que a Apple continua a produzir ótimos portáteis a par da sua gama de iPad.

![Não é um martelo nem uma régua - mas podes definitivamente usar o iPad como ferramenta!](https://willem.com/global/images/e8488334073c.webp)

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## Usar IA para gerar código

*Programar com superpoderes* · 2023-05-03 · https://willem.com/pt/2023-05-03_usar-ia-para-gerar-codigo/

No âmbito dos meus esforços de otimização de software para reduzir os custos da nuvem, precisava de substituir um software de servidor ineficiente por algo que use ferramentas mais robustas (embora fragmentadas) disponíveis no Debian GNU/Linux. Será que o modelo de linguagem GPT4 me ia dar um pouco de magia de IA? Acompanha-me!

Parte dos serviços na nuvem da minha empresa é o chamado “Lemmid Manager”, um sistema integrado de gestão de conteúdos que pega em material em bruto (texto, vídeos, imagens) e gera sites estáticos bonitos e de alto desempenho. Perante o aumento_dos_custos_da_nuvem (https://willem.com/en/2023-04-05_cutting-cloud-costs/), estou a reescrever partes do software para o tornar mais eficiente: usar menos poder de computação para obter os mesmos resultados.

## Rotação de imagens

Podes não ter noção disso, mas sempre que usas o telemóvel para tirar uma fotografia, ela é guardada sempre na horizontal (ou em formato panorâmico). Quando tiras uma fotografia na vertical, o telemóvel limita-se a acrescentar um bocadinho de informação extra que regista a forma como seguraste a câmara, para que, quando voltas a ver a fotografia, ela apareça com a orientação certa. É mais rápido escrever um único bit de informação (extra) do que rodar os bits e bytes que compõem a imagem.

Isto não tem problema enquanto a fotografia não sai do telemóvel, mas quando a carregas para um site, tem de ser otimizada para a web. Os bits e bytes da imagem têm então de refletir o conteúdo real da fotografia. Depois, a imagem pode ser otimizada_ainda_mais_para_a_velocidade_de_carregamento (https://willem.com/en/2018-09-26_optimising-images-for-the-web-and-performance/) e para diferentes ecrãs.

## Rotação automática de imagens com base no EXIF

As câmaras modernas (dos smartphones) guardam a orientação no chamado EXIF, que acompanha os dados da imagem. Para que a imagem (os bits e bytes) reflita corretamente a orientação da câmara, é preciso ler os dados EXIF e, com base na orientação, aplicar um algoritmo de rotação aos bits e bytes da imagem.

### Implementação atual

A implementação original (escrita à mão) usa NodeJS e um módulo chamado “lwip” (LightWeight ImageProcessor) para fazer isto. Funciona bem na maioria das situações, mas, à medida que as imagens cresceram (com mais megapíxeis), as necessidades de memória aumentaram bastante. O senão de fazer tudo num único processo NodeJS é que o conjunto se torna um verdadeiro devorador de memória, e todo o backend NodeJS sofre quando o levas ao limite a processar milhares de fotografias.

Uma estratégia comum para otimizar os pontos de estrangulamento de um software é tirá-los do programa principal. Em vez de processar as imagens diretamente a partir do NodeJS, quero usar ferramentas comuns do Debian GNU/Linux (com provas dadas) para fazer a rotação automática. A partir do NodeJS posso depois chamar o 'auto_rotator' externo e esperar que acabe a tarefa. Ao fazer um processo NodeJS esperar por um resultado/callback assíncrono, ele fica novamente disponível para outros pedidos.

## GPT4 como gerador de código

O melhor do software livre (de liberdade, não de preço) é que há imensos blocos de construção à tua disposição para criares os teus próprios programas. Eu sabia que o Debian GNU/Linux tem ferramentas capazes de rodar imagens com base nos dados EXIF. O desafio é criar um único script que use estas várias ferramentas para fazer o trabalho, com alguma robustez no tratamento de exceções.

Em vez de me enfiar eu próprio em todos os comandos e opções de comando disponíveis, decidi pedir ao GPT4 que gerasse um script que fizesse exatamente o que eu queria, usando ferramentas padrão do Debian GNU/Linux:

![Gerar código é tão fácil como escrever uma instrução descritiva](https://willem.com/global/images/6054ff996aac.webp)

Em poucos segundos, o GPT4 da OpenAI gerou um script bash que usa o ImageMagick (https://imagemagick.org/) (uma ferramenta gráfica comum) para fazer alterações com base nos dados EXIF de um determinado ficheiro de imagem. A IA escolheu o “exiftool” para ler os dados de orientação e, com base no resultado dessa ferramenta, executar o comando “convert” do ImageMagick para aplicar a rotação certa.

![O código gerado pelo GPT4, “auto_rotate.sh”, que roda imagens com o ImageMagick com base na orientação EXIF](https://willem.com/global/images/03aeba6c5949.webp)

O código completo (gerado em segundos) está lindamente comentado e dá uma ótima ideia do que se passa. Está estruturado e otimizado para ser lido por humanos.

## Documentação

Além do código funcional, a IA entregou documentação a explicar como usar o software acabado de gerar, incluindo instruções de instalação. É algo que a maioria dos programadores descura, eu sei (a documentação técnica costuma ficar para o fim).

![As instruções da IA sobre como usar o código gerado: a maioria dos programadores a sério pode aprender com a sua clareza de comunicação](https://willem.com/global/images/fba52b536d22.webp)

## Conclusão

Em poucos minutos tinha um pedaço de código funcional e documentado que me ajuda a resolver um ponto de estrangulamento num software na nuvem. É simplesmente fantástico: poupou-me tempo (que depois usei para escrever este artigo).

Só nos resta imaginar que efeitos terão os grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT/GPT4, na forma como trabalhamos. Abraço totalmente as ferramentas de IA: saber usá-las vai ser essencial num futuro próximo (acho eu)!

![Um programador do futuro, imaginado pelo DALL-E da OpenAI](https://willem.com/global/images/887c6d5c5349.webp)

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## Trabalhar offline primeiro

*O que aprendi com um ThinkPad X200 de 15 anos* · 2023-05-01 · https://willem.com/pt/2023-05-01_trabalhar-offline-primeiro/

Como parte de um plano maior para otimizar todo o meu fluxo de trabalho, estou a fazer uma pequena experiência este mês: usar um portátil ThinkPad X200 com 15 anos como computador principal. É de uma época anterior à “nuvem” e popular entre os entusiastas do software livre. O que podemos aprender com esta antítese da modernidade?

## ThinkPad X200

Lançado originalmente em 2008, o ThinkPad X200 foi descrito como um portátil leve e robusto, com muitas opções de hardware: diferentes tipos de armazenamento, configurações de memória e uma vasta gama de processadores à escolha.

![O ThinkPad X200 de 2008](https://willem.com/global/images/2f7652ee0613.webp)

Há muitas “histórias_de_amor” (https://duckduckgo.com/?t=ftsa&q=thinkpad+iconic+design) na web sobre o legado e o design icónico do ThinkPad. Se não o conheces, vale a pena espreitar a página_da_wikipedia (https://en.wikipedia.org/wiki/ThinkPad) dedicada ao assunto. Em resumo, é um computador totalmente focado na função, desenhado para ser fiável, reparável e capaz.

![O IBM ThinkPad 700C de 1992 foi logo reconhecido como um marco para a indústria](https://willem.com/global/images/d0a484d3189c.webp)

![Anúncio clássico do ThinkPad: “A mãe dele era um mainframe, o pai um Maserati”](https://willem.com/global/images/8689bbd6620e.webp)

Ao contrário de muitos computadores modernos baratos, os ThinkPad de antigamente foram feitos para durar. São reparáveis e usam muitas peças comuns. Os painéis (de baixo) até têm indicações de que parafusos seguram que peças, o que facilita imenso a manutenção. Podes atualizar o computador com componentes de terceiros, como memória e armazenamento (SSD). A bateria é amovível (com um clique simples e sólido) e pode ser substituída com o computador ligado (à corrente).

## A experiência

Por que razão haverias de querer usar um computador tão antigo? Acho que há muito a aprender sobre a “forma moderna de trabalhar” fazendo exatamente o contrário. Em vez de usar uma panóplia de serviços na nuvem para despachar o trabalho, vou usar esta máquina para desenvolver um fluxo de trabalho totalmente independente da nuvem e com prioridade ao offline, para fazer as minhas coisas.

Como os equivalentes modernos do X200, como o Microsoft Surface ou o Apple MacBook, estão perfeitamente integrados em serviços na nuvem (por exemplo, precisas de um ID Microsoft para iniciar sessão no Windows 11), é quase impossível fazer isto com uma máquina moderna. Vai-te empurrando sempre de volta para a nuvem.

![A dobradiça da tampa deste portátil, feita de metal, foi desenhada para durar. Repara que o teclado tem teclas com que um MacBook moderno só pode sonhar (PageUP/PageDown, Home, End, Delete).](https://willem.com/global/images/852658db3add.webp)

Para isto funcionar, instalei no X200 um sistema operativo moderno: a versão estável mais recente do Debian GNU/Linux. Já escrevi antes sobre a importância_do_software_livre (https://willem.com/en/2018-07-20_helping-people-with-free-software/); em resumo: **tu estás no controlo**. O melhor disto é que todas as minhas ferramentas de software preferidas estão disponíveis nesta máquina, de forma nativa. Não é preciso andar às voltas com gestores de pacotes de terceiros como o Homebrew (https://brew.sh/), o Chocolatey (https://chocolatey.org/) ou o Scoop (https://scoop.sh/). A grandeza está a um simples “apt-get install” de distância!

![O teclado do ThinkPad é um sonho para escrever e tem um TrackPoint de “ou se ama ou se odeia” (eu estou do lado do “amo”!)](https://willem.com/global/images/8da6c5fd81ac.webp)

Este X200 em particular tem o Intel_Management_Engine (https://en.wikipedia.org/wiki/Intel_Management_Engine) desativado e o firmware BIOS proprietário substituído pelo Libreboot (https://libreboot.org/). Embora me sinta à vontade a usar dispositivos modernos e fechados, como um iPhone ou um iPad, dou ouvidos às críticas da Electronic_Frontier_Foundation (https://www.eff.org/), que apresenta um argumento_convincente_sobre_os_riscos_de_segurança (https://www.eff.org/deeplinks/2017/05/intels-management-engine-security-hazard-and-users-need-way-disable-it) inerentes ao poder destes subsistemas profundamente integrados. Mais vale prevenir do que remediar.

![Muitas portas de hardware, incluindo uma ranhura para cartões PC, ethernet gigabit integrada, USB-A e um interruptor físico para desligar o WiFi](https://willem.com/global/images/703ca50ccbf7.webp)

Se pensas em usar uma máquina antiga, considera trocar os discos rígidos antigos por armazenamento SSD moderno. Eu substituí o disco original, lento, por um SSD Samsung de 8TB. É rápido e oferece uma quantidade gigantesca de armazenamento, só igualada por um MacBook Pro moderno de $6499.

![O MacBook Pro moderno de $6499 é um dos poucos portáteis que hoje podem ser configurados com 8TB de armazenamento flash...](https://willem.com/global/images/3d55939e002f.webp)

![... mas o meu ThinkPad X200 de 15 anos também tem 8TB de armazenamento SSD (um SSD Samsung 870 QVO)](https://willem.com/global/images/04ba0f71d231.webp)

Nem tudo é perfeito, no entanto. O ecrã do X200 mostra claramente a idade: os pretos são cinzentos e veem-se os píxeis um a um. Não espero ganhar nenhum prémio de design (web/app) com este ecrã, mas ele oferece uma perspetiva (bastante) confrontante sobre a tipografia moderna (muitas vezes muito leve/fina). Acho que, se conseguires que o teu software fique nítido e bonito num ecrã medíocre, todos os utilizadores beneficiam (incluindo os de ecrãs HiDPI/Retina).

![Veem-se píxeis num fundo preto acinzentado: o ecrã do X200 não tem hipótese contra os monitores HiDPI, micro LED ou OLED modernos](https://willem.com/global/images/97c45c534ab1.webp)

Inspirado no livro de design da Apple, esforcei-me por fazer a instalação do software combinar com o hardware. Em vez de uma experiência de software inchada, escolhi com cuidado um punhado de apps e ferramentas para correr no computador antigo. Em vez de um ambiente de trabalho completo como o GNOME ou o KDE, optei por um gestor de janelas de mosaico, que tenta aproveitar ao máximo o espaço disponível no ecrã. Uso o SwayWM (https://swaywm.org/), um substituto direto do i3 (https://i3wm.org/), mas baseado no moderno Wayland_display_protocol (https://en.wikipedia.org/wiki/Wayland_%28protocol%29). Usei muitos dos mesmos refinamentos que apliquei na minha experiência_de_tablet_“WillemOS” (https://willem.com/en/2020-09-28_refining-my-tablet-os-experience/).

## O objetivo

O objetivo é usar o X200 como computador principal durante as próximas semanas. O meu MacBook_moderno (https://willem.com/en/2020-12-15_why-apple-silicon-is-a-big-deal/) e o iPad (https://willem.com/en/inside-and-outside-apple-using-questioning-and-escaping-the-ecosystem/) estão desligados. Quero otimizar o meu fluxo de trabalho, percebendo as minhas dependências da nuvem e encontrando formas de ser mais autossuficiente, resiliente e independente.

Como o portátil antigo me dá menos recursos de computação, obriga-me a ter muito cuidado com a otimização do software. É o outro grande objetivo, porque os_custos_da_nuvem_têm_disparado_devido_ao_aumento_dos_custos_de_energia (https://willem.com/en/2023-04-05_cutting-cloud-costs/). Estou a provar do meu próprio remédio, como se costuma dizer.

![Trabalho em curso: a minha experiência com o X200](https://willem.com/global/images/a80c9a69bcc1.webp)

## Conclusão

Só o tempo dirá até onde o X200 me leva, mas uma coisa é clara: estas experiências empurram-te para fora da zona de conforto, para um sítio onde tens muitas oportunidades de aprender. A minha hipótese é que as lições que vou aprender me vão beneficiar (a mim e aos meus clientes) no futuro.

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## Dicas para ciclismo de longa distância

*204KM numa bicicleta de pinhão fixo* · 2023-04-20 · https://willem.com/pt/2023-04-20_dicas-para-ciclismo-de-longa-distancia/

Em preparação para a Fietselfstedentocht deste ano (236KM), peguei na minha bicicleta e lancei-me numa aventura por metade dos Países Baixos. Foi o meu primeiro passeio longo depois de ter apanhado COVID. Se estás a pensar fazer um passeio de longa distância, continua a ler para descobrires dicas e truques valiosos da minha experiência.

Todos os anos adoro participar na Fietselfstedentocht, um passeio de longa distância num só dia pela província neerlandesa da Frísia. É um evento_incrível (https://willem.com/en/2017-06-30_fietselfstedentocht-2017/) em que milhares de pessoas te incentivam a recolher carimbos em várias cidades. Pode ser um desafio a sério, dependendo do tempo, por isso é melhor treinares bem!

![A Fietselfstedentocht do ano passado foi um passeio épico com o meu irmão: uma edição terrível, com muita tempestade e chuva!](https://willem.com/global/images/9e3840ce38f3.webp)

![O meu cartão de carimbos completo da Fietselfstedentocht 2022: repara como as margens passaram por mau tempo...](https://willem.com/global/images/f4c5ddae058d.webp)

## Hegelsom - Amesterdão

Provavelmente não há melhor maneira de te preparares para um passeio de longa distância do que (aos poucos) começares a pedalar muito. Depois de intensificar os meus passeios “pela cidade” perto de minha_casa (https://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/), estava pronto para um ciclismo de longa distância a sério. Decidi ir de bicicleta de Limburg até Amesterdão, fazendo um pequeno desvio por Venlo, Nimega, Arnhem e Flevoland. Escolhi este percurso de propósito, para ter muita variedade de paisagens e algumas grandes retas em diques ventosos (algo que também vais encontrar na Frísia).

![Parque Nacional Maasduinen, em Limburg](https://willem.com/global/images/d7de40ad82f3.webp)

Planeia o percurso com antecedência: durante o passeio já vais ter desafio de sobra a tentar completá-lo. Podes usar um sistema de navegação ou seguir as placas. Seja como for, convém decorares os pontos de passagem e as localidades principais ao longo do trajeto. Isso dá-te uma noção de orientação durante o passeio, que é útil quando tentas encontrar a dose certa de esforço.

![Segue as placas ou usa um sistema de navegação GPS: faças o que fizeres, garante que tens alguma ideia de para onde vais](https://willem.com/global/images/c0f6cc5d1683.webp)

## Bicicleta e equipamento

O ciclismo de longa distância exige um pouco mais de preparação do que um passeio rápido pela cidade. Tens de garantir que a bicicleta está em boas condições técnicas, levar pneus e ferramentas sobresselentes e pensar em como te vais “reabastecer” ao longo do percurso. Se nunca o fizeste, pode ser uma boa ideia praticar a reparação_de_um_furo (https://willem.com/en/2021-11-19_escaping-the-flat-tires/).

![Preparei a minha bicicleta para uma nova época de ciclismo com borracha nova e rolamentos de direção novos](https://willem.com/global/images/1ba63cc196da.webp)

![No dia antes da partida, verifiquei bem a bicicleta e até fiz um pequeno passeio de teste pela cidade](https://willem.com/global/images/8d7c932a893f.webp)

Outra coisa difícil de acertar é a roupa. Um passeio de longa distância demora muitas vezes várias horas em cima da bicicleta. As previsões do tempo são locais e só “mais ou menos” fiáveis. Arranja um conjunto de roupa que não seja nem demasiado frio nem demasiado quente. Queres concentrar toda a tua energia no passeio em si, e não em ter frio ou calor a mais durante o percurso.

## Apoio mental

Como vivemos em tempos modernos, podes pensar em contar com amigos e família para te darem apoio ao longo do percurso. Para isso, liguei o meu Garmin Edge ao iPhone, para ele reencaminhar as mensagens recebidas para o ecrã do ciclocomputador. Com a funcionalidade de seguimento em direto da Garmin podes partilhar o teu percurso e progresso (incluindo posição atual, velocidade e frequência cardíaca) com a família e os amigos. Preparei uma mensagem antes de partir e partilhei-a com cerca de uma dúzia de pessoas: torna o desafio a solo um pouco menos solitário. Acredita, isto pode fazer uma grande diferença quando passares pela fase do “porque é que me meti nisto?”, que acaba sempre por aparecer durante o passeio.

![Liga o teu ciclocomputador ao telemóvel para poderes receber mensagens de apoio da família e dos amigos](https://willem.com/global/images/e5e33079ac6a.webp)

## Começa devagar

Sempre que parto para uma longa distância, começo devagar: se consegues pedalar confortavelmente a 30KM/h, considera começar a 25KM/h. A energia gasta-se facilmente nas primeiras horas, em que te sentes fresco e em forma. O verdadeiro desafio é teres energia suficiente no proverbial depósito para completar as últimas horas. Prepara-te treinando com um monitor de frequência cardíaca e descobre onde estão os teus limites; depois tenta encontrar a velocidade ideal que consegues manter confortavelmente durante horas. Isto exige alguma prática e muda conforme as condições (como o tempo ou o quão bem dormiste). Aprende a ouvir o teu corpo e só aumenta o esforço aos poucos!

![A minha frequência cardíaca durante as 10 horas de passeio de Amesterdão a Hegelsom: repara como a mantive relativamente baixa nas primeiras horas!](https://willem.com/global/images/b42e688740ab.webp)

## O meu passeio

Depois de uma manhã descontraída em casa, em Hegelsom, parti para Amesterdão. O tempo estava bom, com algum vento de frente moderado na primeira parte do percurso. Planeei o trajeto por vários parques nacionais neerlandeses (Maasduinen, Hoge Veluwe) e por diferentes cidades e aldeias. Assim teria grande variedade de paisagens e muitas oportunidades de reabastecer. Como medida de contingência, caso o meu desempenho não chegasse (depois de ter apanhado COVID), garanti que levava o meu cartão de transportes públicos, para poder desistir e ir de comboio até Amesterdão.

![A sair da minha nova terra, Hegelsom, em Limburg](https://willem.com/global/images/918e7e99a1ce.webp)

Na partida, partilhei o meu_link_de_seguimento_em_direto (https://twitter.com/wlmiddelkoop/status/1648945912511643652?s=20) com amigos e família no Twitter (https://twitter.com/wlmiddelkoop/status/1648945912511643652?s=20). Além dos dados em tempo real, publiquei fotografias ao longo do dia para dar uma ideia do que estava a ver. É uma maneira divertida de criar (e partilhar) memórias.

## Impressões

Outra coisa incrível nos passeios de bicicleta de longa distância é a quantidade enorme de impressões que recebes ao longo do dia. Já disse uma vez, a brincar, que um passeio destes parece uma grande viagem de férias. À medida que atravessas o país, vês muitas coisas diferentes, vês muitas pessoas diferentes (no seu “habitat natural”) e vives emoções e pensamentos diferentes enquanto pedalas.

![Enquanto muitos ciclistas comem a pedalar, eu prefiro parar e saborear o momento enquanto como qualquer coisa](https://willem.com/global/images/35c389e5e2ef.webp)

![Ficas maravilhado com o que encontras, como a beleza do Parque Nacional Hoge Veluwe...](https://willem.com/global/images/939e679db681.webp)

![... ou com um corte de estrada inesperado, que te desvia para o “desconhecido” (do percurso)](https://willem.com/global/images/f8f6b79ec8d0.webp)

Dá-te tempo para apreciar a paisagem: és tu, a tua bicicleta e o teu percurso. Acho que é uma das formas mais “puras” de desfrutar do teu país, adoro.

![Reabastecer numa estação de serviço](https://willem.com/global/images/f34098469657.webp)

![Pareceu-me um local adequado para uma pequena paragem para beber... Willemsplein, em Arnhem!](https://willem.com/global/images/e775bf274648.webp)

![Paisagem lindíssima: longas retas em diques perto de Flevoland](https://willem.com/global/images/290e39b9d95e.webp)

![Flores de Amesterdão... cultivadas em Flevoland!](https://willem.com/global/images/d235eca5f95e.webp)

## O homem do martelo

Se a distância for suficientemente longa, é provável que encontres o proverbial “homem do martelo”. O momento em que te sentes destruído, vazio, sem energia nem motivação. Acontece, e não deves ter medo disso. Uma solução fácil é garantir que levas contigo uns (pequenos) snacks para saborear durante uma pequena pausa. Só uns minutos num banco podem fazer um mundo de diferença. Com mais experiência, passas a senti-lo a chegar e consegues planear. Não tenhas vergonha de descer da bicicleta: é a única maneira de continuar!

![A cerca de 80% do percurso senti mesmo as pernas e as costas a queixarem-se... este banco foi uma mudança bem-vinda para o meu rabo no selim](https://willem.com/global/images/41e797762568.webp)

## Vitória

Quando completas o passeio, sentes-te vitorioso, de uma forma “crua” e “primitiva”. Esta sensação de euforia dura dias, possivelmente semanas. É uma grande recompensa pelo teu esforço: desfruta dela com orgulho!

![Atravessar a última ponte para Amesterdão soube a vitória.](https://willem.com/global/images/90842261f5cb.webp)

![Olá Amesterdão! Consegui, o caminho todo!](https://willem.com/global/images/30e572072ef8.webp)

![Vê só quem é o n.º 1 dos Países Baixos no WHOOP em termos de esforço! Euforia!](https://willem.com/global/images/90587eae69a3.webp)

## Conclusão

O ciclismo de longa distância é algo especial, o seu impacto vai muito além dos meros quilómetros que pedalas. É físico e mental. Vais aprender sobre ti de uma forma que poucas outras experiências permitem. Se estás a pensar fazê-lo, segue o meu conselho: FAZ ISSO, vais adorar.

Consulta os dados do meu passeio no Garmin_Connect (https://connect.garmin.com/modern/activity/10946133420)

![A manhã seguinte: sê simpático contigo próprio, depois de um esforço tão intenso o teu corpo precisa de tempo para recuperar. O meu WHOOP notou-o claramente, mesmo depois de uma boa noite de descanso.](https://willem.com/global/images/796fe5d75342.webp)

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## Reduzir os custos da nuvem

*A importância da otimização do software* · 2023-04-05 · https://willem.com/pt/2023-04-05_reduzir-os-custos-da-nuvem/

Como muitos, também eu me deparei com custos de serviços na nuvem a disparar para os meus clientes, e foi um toque de alerta. Para me manter à tona, é essencial incluir a otimização do software como estratégia para gerir as despesas da nuvem. Acompanha-me enquanto conto como consegui poupar até 90% nos custos da nuvem através da otimização!

## Perceber os custos da nuvem

Para muita gente, “a nuvem” parece algo intangível, o que dificulta perceber o que contribui exatamente para os custos. Dito de forma simples, a nuvem é feita de computadores sem ecrã, alojados em grandes armários que ocupam salas ou edifícios inteiros. Estes computadores não são muito diferentes dos teus dispositivos pessoais, como um portátil.

![A nuvem é feita de computadores sem ecrã](https://willem.com/global/images/666d74824f8d.webp)

![Alojados em grandes armários que ocupam salas ou edifícios inteiros](https://willem.com/global/images/00337c3ca6cf.webp)

Quantas mais tarefas executas num computador na nuvem, maior é o poder de processamento e a memória necessários para não ficar lento nem bloquear. Os fornecedores de nuvem cobram-te a quantidade de poder de computação e de memória que usas.

![Na nuvem, o aumento das necessidades de armazenamento num centro de dados leva ao uso de mais discos rígidos e, por isso, a mais consumo de energia](https://willem.com/global/images/cc991dc9663a.webp)

Tal como a bateria do teu portátil ou do teu telefone se gasta mais depressa quando o forças, os computadores na nuvem consomem mais eletricidade quando trabalham a plena capacidade.

O aumento recente dos custos da nuvem deve-se sobretudo à subida das despesas de energia. Os fornecedores de nuvem passam essa despesa aos utilizadores finais dos seus serviços: TU!

Embora também eu tenha tido de subir os preços, não me pareceu correto limitar-me a reencaminhar a fatura e despachar o assunto com um “não é problema meu”. Acredito que, para os meus negócios prosperarem de forma sustentável, é essencial assumir toda a responsabilidade pelo aumento dos custos. Foi por isso que me propus reduzir os meus custos da nuvem.

![Grande parte do trabalho na nuvem é remoto, mas, de vez em quando, é preciso um ecrã de consola para tarefas de manutenção especializadas.](https://willem.com/global/images/40ac00e2ec67.webp)

![Olá da nuvem!](https://willem.com/global/images/5979fe5a829f.webp)

## Como reduzir os custos da nuvem

Vejamos três estratégias simples para reduzir as despesas da nuvem: fazer as tarefas com menos frequência, apagar dados desnecessários e delegar tarefas a outros.

### Fazer menos (vezes)

Em primeiro lugar, uma forma de cortar custos é reduzir a frequência de certas tarefas. Analisa os teus processos e identifica as operações que consomem muitos recursos. Determina se essas tarefas podem ser executadas com menos frequência sem comprometer os teus objetivos. Ao executar os processos que consomem muitos recursos com menos frequência, podes poupar recursos e baixar a despesa total na nuvem. Por exemplo:

- Pensa se as tuas aplicações na nuvem precisam de estar sempre a funcionar, ou se podes reduzir a escala em períodos mais calmos, como à noite. Ao analisares a tua carga de trabalho, podes identificar padrões que oferecem oportunidades de otimização.

- Faz as tarefas uma só vez e serve os resultados a partir de uma cache. Por exemplo, em vez de calcular os preços de uma loja online para cada visitante, faz o cálculo uma vez e serve os resultados a todos os visitantes.

- Em vez de ativar funcionalidades por defeito, torna-as opcionais com base no princípio do “só se for preciso”. Pensa assim: quando estás sozinho em casa, acendes todas as luzes da casa ou só as da divisão onde estás?

### Apagar dados

Outra estratégia é apagar regularmente os dados desnecessários. Como os custos de armazenamento podem representar uma parte considerável das tuas despesas na nuvem, é fundamental fazer uma auditoria aos dados guardados e remover ficheiros desatualizados ou irrelevantes. Assim, libertas espaço de armazenamento valioso e evitas custos desnecessários com dados de que já não precisas. Por exemplo:

- Apaga ficheiros de registo antigos, porque nem sempre é necessário guardá-los indefinidamente na nuvem, o que pode aumentar os custos de armazenamento. Considera transferi-los para outro computador ou para uma caixa de correio eletrónico.

- Otimiza fotografias, imagens, música e vídeos com técnicas de compressão de ponta. Com compressão sem perdas, podes poupar até 80% de armazenamento sem comprometer a qualidade. Lê_o_meu_artigo_sobre_otimização_de_imagens (https://willem.com/en/2018-09-26_optimising-images-for-the-web-and-performance/)

- Sê seletivo quanto ao que guardas logo à partida: precisas mesmo de registar, guardar ou armazenar tudo? É um pouco como não “comer o restaurante inteiro” quando só lá vais jantar.

### Deixar que outros o façam

Por fim, considera delegar certas tarefas a outros ou usar os recursos de computação do lado do cliente. Existem muitos serviços especializados em tratar de operações específicas na nuvem, muitas vezes de forma mais eficiente do que se as tentares gerir internamente. Ao subcontratar algumas destas tarefas a especialistas, ou ao aproveitar os processadores e a memória rápidos dos dispositivos dos utilizadores, podes tirar partido da sua especialização e dos seus recursos, ao mesmo tempo que reduzes a carga sobre a tua própria infraestrutura na nuvem. Lê_o_meu_artigo_sobre_como_aproveitar_o_poder_de_computação_do_lado_do_cliente (https://willem.com/en/2020-05-11_scalable-application-design-without-magic/). Esta abordagem pode trazer poupanças e melhor desempenho. Por exemplo:

- Pondera comprimir e redimensionar recursos como imagens e vídeos do lado do cliente antes de os carregares para o teu serviço na nuvem, ou entregar as tarefas de otimização a serviços online especializados.

- Se a tua aplicação tem uma função de pesquisa, pensa em implementá-la inteiramente do lado do cliente, com JavaScript e uma estrutura de dados JSON. Vais ficar espantado com a rapidez com que isto trata milhares de registos.

- Ao usar animações ou gráficos interativos, considera aproveitar os poderosos chips gráficos dos dispositivos modernos dos clientes, em especial em jogos ou gráficos (na web)

## Fazê-lo eu próprio

Depois de meses de trabalho diligente, consegui reduzir a minha pegada na nuvem em 66%, mantendo cerca de 80% de todas as funcionalidades e serviços. Até ao final do ano, prevejo novas reduções, à medida que alguns contratos chegam ao fim.

![Retirar hardware do centro de dados: o expoente máximo da magia da poupança de energia!](https://willem.com/global/images/99ff67fb68de.webp)

No início, a tarefa parecia intransponível: não era claro por onde começar. No entanto, à medida que ganhei confiança e avancei com a minha estratégia de otimização, ganhei jeito e fui descobrindo mais oportunidades pelo caminho.

![Um “carrinho da nuvem”, com um computador desativado em cima, à saída do centro de dados](https://willem.com/global/images/e79eab6420dd.webp)

## Conclusão

Reduzir os custos da nuvem não tem de ser um processo complexo. Ao adotares estas estratégias simples (executar tarefas com menos frequência, apagar dados desnecessários e delegar tarefas noutros), podes ter um impacto significativo nas tuas despesas com a nuvem e otimizar todas as tuas operações. No fim, talvez dês por ti a perguntar porque não começaste isto mais cedo. Como diz o ditado, mais vale tarde do que nunca!

![Nuvens sobre o centro de dados KPN DC2 em Amesterdão](https://willem.com/global/images/95da32d82f1e.webp)

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## De volta à universidade

*Mergulhar na programação científica* · 2023-02-08 · https://willem.com/pt/2023-02-08_de-volta-a-universidade/

Este mês voltei à universidade para um curso especial de programação científica. Com tantos avanços recentes na aprendizagem automática (a que no PowerPoint se chama “IA”), incluindo o ChatGPT, pareceu-me o momento ideal para mergulhar na programação em Python. Vem comigo nesta viagem.

## Porquê Python para a programação científica?

O Python (https://www.python.org) ganhou imensa popularidade na comunidade científica, e com razão. A sua simplicidade e legibilidade tornam-no acessível a quem está a começar, sem perder o poder para enfrentar tarefas complexas. A versatilidade da linguagem permite a investigadores e cientistas implementar algoritmos e modelos com relativa facilidade.

Uma vasta gama de bibliotecas feitas para a computação científica, como NumPy (https://numpy.org), SciPy (https://scipy.org), Pandas (https://pandas.pydata.org) e Matplotlib (https://matplotlib.org), reforça a posição do Python neste domínio. Estas bibliotecas oferecem funções e ferramentas completas para análise de dados, modelação estatística e visualização, o que simplifica o processo de programação científica.

Em comparação com outras linguagens de programação, como o JavaScript ou o Ruby, muitas vezes usadas em contextos não científicos como o desenvolvimento web, o Python tem uma sintaxe mais direta. Isso permite que te concentres no problema em mãos, em vez de lutares com os pormenores da linguagem. Além disso, o vasto ecossistema científico do Python torna-o uma escolha mais adequada para aplicações de investigação.

Dá uma vista de olhos nos dois exemplos de código seguintes, um em C++ e o outro em Python 3. Cada programa faz exatamente o mesmo: pede o nome e a data de nascimento do utilizador, faz uma validação básica dos dados introduzidos e, no fim, revela a idade atual do utilizador.

![Código de exemplo em C++: determinar a idade do utilizador](https://willem.com/global/images/d7d44f31e43e.webp)

![Código de exemplo em Python 3: determinar a idade do utilizador](https://willem.com/global/images/779bab33d53c.webp)

É fácil ver o contraste de sintaxe entre as duas linguagens, com o Python a aproximar-se mais do inglês do dia a dia. Este aspeto do Python melhora muitas vezes a legibilidade e a compreensão para muita gente.

Outro fator que contribui para o sucesso do Python na programação científica é a sua comunidade ativa. Investigadores e programadores de várias áreas partilham conhecimento, dão apoio e contribuem para projetos de código aberto, criando um ambiente de colaboração e aprendizagem contínua.

## O curso

Ao longo do curso, exploraram-se os fundamentos absolutos da programação, resolvendo problemas de vários domínios científicos. No final, ficou uma base sólida dos princípios da programação, com a capacidade de os aplicar em diferentes áreas e projetos.

![A Universidade de Amesterdão no campus Science Park: os amigos do blogue vão reconhecer a minha bicicleta](https://willem.com/global/images/8534073ce0ee.webp)

Rever os fundamentos da programação, mesmo para programadores experientes (como eu), pode ser imensamente benéfico. Com o tempo, não é raro os programadores criarem hábitos ou atalhos que não respeitam as boas práticas. Ao voltar ao essencial, podes desaprender maus hábitos e restabelecer uma base sólida nos princípios da programação. Além disso, o ritmo acelerado da indústria tecnológica faz com que surjam constantemente inovações e atualizações. Ao rever o básico, os programadores veteranos podem manter-se a par dos avanços e metodologias mais recentes. Este processo de reavaliação dá também a oportunidade de encarar a programação com a folha em branco.

![Eu a assistir a uma aula de programação na universidade (colegas desfocados por razões de privacidade)](https://willem.com/global/images/9b78d21c6e59.webp)

O curso tinha vários módulos, começando pelo Nível 1, em que se escolhia entre ALGORITMOS, focado em decompor problemas intuitivos em passos que um computador consiga entender, e NÚMEROS, um módulo de orientação matemática que explorava as propriedades dos números sem exigir conhecimentos prévios de matemática. No Nível 2, a escolha era entre TEXTO, centrado no processamento de linguagem natural e na análise de sentimento de tweets, e INTEGRAÇÃO NUMÉRICA, onde se ensinavam técnicas importantes para determinar áreas sob funções quando a integração tradicional não chegava. O Nível 3 consistia em trabalhar com BIG DATA, analisando grandes conjuntos de dados e padrões meteorológicos nos Países Baixos. Um nível de bónus opcional, MOVIMENTO, oferecia uma simulação de escavar um túnel através do planeta e explorava problemas de física que se resolvem com ajuda do computador.

![As sessões semanais de laboratório são uma ótima oportunidade para manteres o ritmo nas tuas aventuras de programação, com a certeza de teres uma ajuda sempre que bates numa parede](https://willem.com/global/images/4cabf419ba55.webp)

![Bem na moda, com uma casa de banho neutra em termos de género, de vanguarda](https://willem.com/global/images/ccb637c740eb.webp)

## Conclusão

Seja qual for a nossa idade ou sabedoria, há sempre espaço para aprender algo de novo, sobretudo com avanços na aprendizagem automática como o GPT4. Além disso, voltar à universidade é uma mudança refrescante, com um contexto completamente diferente do meio comercial ou profissional em que costumo trabalhar. Abraça o lema: stay hungry, stay foolish!

![Sabedoria de casa de banho](https://willem.com/global/images/a8111c91accb.webp)

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## Rolex DateJust 36

*Uma coroa para cada conquista* · 2022-12-22 · https://willem.com/pt/2022-12-22_rolex-datejust-36/

2022 foi um ano muito especial para mim, depois de ter trabalhado imenso para o tornar possível: eu e a minha família fizemos finalmente a grande mudança para Limburg. Para assinalar este marco, ofereci-me uma peça intemporal: o Rolex DateJust 36. Continua a ler para saberes como é!

## 2022

Já antes descrevi a_grande_mudança_da_minha_família_e_minha (https://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/) da movimentada Amesterdão para o sossegado campo de Noord-Limburg. Para o tornar possível, tanto em termos financeiros como profissionais, tive de mover algumas montanhas. No fim, tudo se encaixou e vivemos agora felizes, no meio de quase nenhures (ha!)

![Este ano, a minha caneca de café tornou-se a minha tábua de salvação, enquanto aguentei inúmeras noites em branco e trabalho intenso, transformando-me num super-herói cafeinado](https://willem.com/global/images/d61ef1c573be.webp)

## À procura de um relógio especial

Quando partilhei a minha paixão por relógios a um nível quase nerd e mecânico, recebi um convite para experimentar magníficas obras-primas da Patek Philippe. Estas peças de arte intrincadas rivalizam com o preço de uma casa_de_família_em_Limburg (http://willem.comhttps://willem.com/en/2022-11-01_moving-to-the-countryside/). Acho a comparação divertida, mas acredito que o momento não era o indicado para eu exibir um relógio tão luxuoso. Como pai dedicado, ando constantemente mergulhado no mundo animado das crianças: construir com LEGO, fazer jogos de faz-de-conta, ajudar no banho e proezas heroicas nos escorregas do parque infantil. Este ambiente barulhento dificilmente parece o santuário ideal para um sofisticado Patek Philippe Grand Complications.

![A sentir-me bem-vindo na boutique da Patek Philippe, que parece uma extraordinária loja de doces de grandiosidade sem igual](https://willem.com/global/images/780bc09bf309.webp)

![Com um Patek Philippe Nautilus de calendário anual: o Nautilus foi originalmente criado pelo ilustre designer de relógios Gerald Genta, um ícone](https://willem.com/global/images/fd49e1bd0371.webp)

## Rolex DateJust

Desde a sua criação em 1945, o Rolex DateJust conquistou o seu lugar como relógio icónico. Este relógio de pulso clássico tem um design inconfundível que transcende modas passageiras, com a sua forma elegante e um encanto intemporal. Sendo o primeiro relógio de pulso de corda automática com data a mudar automaticamente no mostrador, o DateJust mostrou o compromisso da Rolex com a inovação e a precisão. Ao longo dos anos, esta obra-prima passou por vários refinamentos, mas mantém o charme original e o fascínio duradouro.

![Anúncio original do Rolex DateJust dos anos 1960](https://willem.com/global/images/d5a45ae4ab64.webp)

A história do Rolex DateJust cruza-se com figuras notáveis, incluindo o presidente dos EUA Dwight D. Eisenhower, que usou o relógio durante o seu mandato. Além da associação a personalidades distintas, o DateJust esteve nos pulsos de aventureiros e exploradores, mostrando a sua versatilidade e fiabilidade. Este clássico da relojoaria, disponível em vários materiais, tamanhos e mostradores, cativa entusiastas em todo o mundo.

![O DateJust 36 de hoje (referência 126234) com luneta estriada e mostrador azul vivo numa bracelete jubilee](https://willem.com/global/images/563b4fb54a07.webp)

## Encontrá-lo

Por causa da especulação, dos receios de inflação e das restrições ao dinheiro vivo, os relógios Rolex têm tido recentemente uma procura em alta, o que provoca falta de stock. Se conseguires encontrar um num revendedor autorizado local, considera-te com sorte. Assim, podes comprar ao preço de tabela, evitando os prémios elevados do mercado de segunda mão ou paralelo, onde alguns modelos chegam a custar mais 200%.

![Comprar um Rolex não é tão fácil como pôr o relógio velho em cima da mesa e pedir simplesmente um novo, mas eu fi-lo :-)](https://willem.com/global/images/47138c3c4044.webp)

Talvez tenha sido sorte, talvez destino, mas dei com um Rolex DateJust 36 em stock na Gassan_Amsterdam (https://www.gassan.com/en/shop-in-shop-rolex-boutique). Não sou particularmente supersticioso, mas achei que o dia 22 de dezembro seria a data ideal para comprar um relógio que assinalasse o ano '22. Por isso, quando a simpática equipa pronunciou as palavras mágicas “este está disponível”, respondi com entusiasmo um sonoro “SIM, por favor!”

![A celebrar o ano '22 com um Rolex DateJust 36 comprado a 22 de dezembro (tenho um fraquinho por números, pelos vistos)](https://willem.com/global/images/4070152dce0c.webp)

Este modelo em particular do Rolex DateJust tem o tamanho clássico de 36 milímetros de diâmetro. Embora esta dimensão possa parecer pequena para um relógio de homem pelos padrões atuais, aprecio as proporções contidas de todas as minhas coisas, seja o meu telemóvel (https://willem.com/en/2021-12-09_for-the-love-of-mini/), o tablet (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/) ou relógios como o Tudor_Black_Bay_36 (https://willem.com/en/2020-06-17_tudor-black-bay-36-long-term-review/) ou o meu_relógio_de_calendário_anual_Ochs_und_Junior_feito_por_medida (https://willem.com/en/2020-11-30_designing-my-own-watch/).

![O DateJust tem um mostrador azul vivo, realçado por um efeito sunburst que lhe dá uma sensação de dinamismo](https://willem.com/global/images/ba3b2f29699f.webp)

![A sua interação com a luz é simplesmente encantadora, irradiando uma energia viva](https://willem.com/global/images/ecd1dd9d41f1.webp)

![A espessura do relógio e as suas proporções gerais são perfeitas; basta pegar-lhe para perceber porque é um clássico intemporal.](https://willem.com/global/images/412ae466b229.webp)

O relógio tem um mostrador azul vibrante que passa de um majestoso quase preto a um tom brilhante e luminoso sob luz direta. Com uma luneta estriada em ouro branco (Rolesor, na linguagem da Rolex), esta variante do DateJust, combinada com a bracelete jubilee, merece a admiração tanto de entusiastas como de principiantes.

![Assenta confortavelmente no pulso e combina com praticamente qualquer roupa, como umas calças de ganga azuis](https://willem.com/global/images/6bdf9d58bf13.webp)

Tenho a esperança de poder usar esta peça, com saúde, durante muitos anos. De certa forma, as suas dimensões e cores lembram-me o relógio do meu falecido pai, que, por sua vez, tinha um tamanho semelhante ao do relógio do meu avô (que também já faleceu). Com o passar dos anos, talvez os meus filhos olhem com carinho para mim e para este relógio, criando um legado duradouro que transcende gerações: o futuro tem possibilidades infinitas.

![Relíquias de família: à esquerda está o relógio do meu falecido pai, com um mostrador azul vivo (um pouco difícil de ver), e à direita o relógio do meu avô, de tamanho semelhante. Juro que não acertei as datas dos relógios para a fotografia, simplesmente pararam no 22 e no 12... uma piscadela de olho do relógio lá de cima?](https://willem.com/global/images/20137a331918.webp)

## Usá-lo

O DateJust 36 é o companheiro por excelência, sempre pronto a dar uma mão aconteça o que acontecer. Precisas de construir uma torre de LEGO? Está lá para ti. Abrir uma cerveja fresca com os colegas no trabalho? Vai estar lá contigo. Ir ao casino passar uma noite de jogo? Sem problema, o DateJust 36 está pronto para a ação.

![Há quem diga que o DateJust 36 é o relógio GADA por excelência](https://willem.com/global/images/2f5dbfa96ff4.webp)

![A construir LEGO numa superfície duríssima? Não receies, este relógio não se faz em pedaços!](https://willem.com/global/images/b6d7b6c6fd54.webp)

![Umas cervejas com os colegas no escritório? Sem problema, este relógio está sempre pronto para um bom momento!](https://willem.com/global/images/57f1a3233710.webp)

![Usar este relógio no casino é aposta segura, só não esperes que te faça ganhar uma fortuna!](https://willem.com/global/images/7af2c82d4e1e.webp)

E se te sentires aventureiro, leva-o a dar uma volta de bicicleta ou usa-o a esfregar o chão da casa de banho: é suficientemente robusto para aguentar tudo o que lhe fizeres. Por isso, vai em frente e vive a vida ao máximo com o DateJust 36 ao teu lado, só não o culpes se acordares de ressaca ou com uma torre de LEGO partida.

![O DateJust não é de atirar a toalha ao chão quando chega a hora de esfregar a casa de banho!](https://willem.com/global/images/18c1bcc65802.webp)

![Robusto que baste, é o relógio perfeito para te acompanhar numa aventura a pedais, e isso deixa-me um tipo feliz!](https://willem.com/global/images/58359bd4c2b9.webp)

## Conclusão

O DateJust é um companheiro fiável no pulso, que vai durar muitos anos. Que forma tão adequada de assinalar um ano notável! A sua adaptabilidade e conforto são mesmo cativantes. Como o tempo é tão valioso, este relógio ajuda-nos de forma muito apropriada a acompanhar a sua passagem!

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## Mudar-me para o campo

*Deixar a cidade grande por uma aldeia pequena* · 2022-11-01 · https://willem.com/pt/2022-11-01_mudar-me-para-o-campo/

Este mês foi o mês da “grande mudança”: levei a minha família de Amesterdão para o campo de Noord-Limburg. Motivados pela saudade que a minha mulher tinha das suas raízes e pelo nosso desejo de espaço, o momento pareceu certo. Com o nosso filho mais velho a aproximar-se dos quatro anos e da escola primária, pensámos em abraçar a vida no campo. Valerá a pena trocar a agitação de Amesterdão por um novo ritmo? Continua a ler!

## Amesterdão e o Willem

Nasci em meados dos anos 80 e cresci perto de Amesterdão, antes de tirar a licenciatura em Tecnologias de Informação e, mais tarde, o mestrado em Estudos de Informação na Universidade de Amesterdão. Depois de comprar um apartamento, lancei três empresas, que serviram centenas de clientes. A minha ligação a Amesterdão é profunda, porque adoro a sua diversidade, a sua energia e a proximidade de tudo. Para entusiastas do ciclismo como eu, Amesterdão oferece o ambiente ideal para explorar sobre duas rodas.

![Vive a emoção da animada vida noturna de Amesterdão, tudo ao alcance da tua bicicleta!](https://willem.com/global/images/45b0b7a6cb73.webp)

Apesar do seu encanto, Amesterdão tem desvantagens que aprendi a conhecer demasiado bem. A tranquilidade é difícil de encontrar, com aviões e carros a criar um zumbido incessante dia e noite. Experimentei na pele o lado mais sombrio da vida urbana: o roubo das rodas do meu carro e o encontro arrepiante com um assaltante dentro do quarto do meu apartamento, ao acordar de madrugada.

![Os aviões por perto são bons motivos para fotografias de grande plano, mas a sua presença barulhenta e contínua também pode ser irritante](https://willem.com/global/images/e28e6b8ef31b.webp)

![Pá, onde estão as minhas rodas?!](https://willem.com/global/images/05e645ef02e9.webp)

As ruas da cidade, a fervilhar de vida, podem transformar-se em becos imundos, onde os ratos correm pelas sombras, e há uma sensação esmagadora de aglomeração. De facto, as mesmas características que tornam Amesterdão tão vibrante também a podem tornar um lugar difícil para viver, onde a luta por paz e segurança por vezes ofusca o fascínio da metrópole animada.

![O lado sujo: lixo nas ruas de Amesterdão no Dia do Rei](https://willem.com/global/images/019d2906fec3.webp)

Embora goste da emoção da vida urbana e da sua vibração natural, o meu papel de pai de dois filhos obriga-me a repensar as minhas prioridades. Ao dar aos meus filhos um ambiente seguro para viverem a infância, quero encontrar um equilíbrio entre protegê-los dos aspetos mais duros da vida na cidade e oferecer-lhes uma introdução mais gradual ao mundo emocionante e acelerado que os espera. Ao nutrir o seu crescimento num ambiente seguro, procuro incutir-lhes confiança e resiliência, para que consigam enfrentar os desafios e a emoção da vida na cidade quando chegar a altura.

![A grande mudança: de viver para mim próprio a viver para os meus dois filhos](https://willem.com/global/images/65043b74d322.webp)

## Noord-Limburg

Escondida no sudeste dos Países Baixos, Noord-Limburg cativa com as suas florestas, colinas, riachos, quintas e aldeias. Em vez de uma única metrópole a ditar o ritmo da vida, Limburg tem muitas aldeias pequenas, cada uma cheia de clubes e associações. Os moradores, que se conhecem bem uns aos outros, têm orgulho em cuidar do que os rodeia.

![O riacho “De Groote Molenbeek” serpenteia por florestas e campos, uma vista pitoresca, uma cena típica desta região](https://willem.com/global/images/014814f41fd3.webp)

Alguns amigos e contactos de negócios avisaram, a brincar, que a vida rural pode estar alguns decénios atrás da vanguarda da cidade. No entanto, ao pensar nas virtudes e desvantagens deste ritmo mais lento, perguntei-me se trocar alguns desenvolvimentos urbanos recentes, como o aumento da criminalidade e da sobrelotação, por uma existência mais pacífica não poderia valer a pena. Só há uma maneira de descobrir!

![Mudar-me para Limburg: mete a tua vida numa caixa e espera que não parta!](https://willem.com/global/images/4b39899c875c.webp)

![Fazer novos amigos... à moda rural!](https://willem.com/global/images/76d4f8a09479.webp)

Encontrámos uma casa espaçosa na aldeia de Hegelsom (±1965 habitantes em 2021), a uma curta distância a pé da escola primária. As ruas têm muito pouco trânsito e os aviões só raramente passam a grande altitude. Quando nos mudámos, os simpáticos aldeões cumprimentaram-nos com amabilidade e convidaram-nos para vários eventos do bairro.

![A nossa casa em Hegelsom, uma pequena aldeia na província de Limburg, no sudeste dos Países Baixos](https://willem.com/global/images/7d914e86eb26.webp)

![Um refúgio seguro (... mais ou menos) para os miúdos](https://willem.com/global/images/e809b9a3fb2f.webp)

Ver lixo na rua é raro, e os moradores mantêm as casas bem arrumadas. Os habitantes locais falam no seu dialeto próprio, que pode soar estranho a quem vive na cidade. No entanto, depois de uma década a conhecer a minha mulher e a sua família, consegui perceber a sua língua única.

![O esplendor de tirar o fôlego da Mãe Natureza, a um passo da nossa nova porta de entrada](https://willem.com/global/images/9d4a3f76b6a0.webp)

![A vaguear pela natureza selvagem numa manhã gelada, ao romper do dia](https://willem.com/global/images/9bbc7f2982ae.webp)

## Ligar a metrópole ao campo

A proximidade da nossa nova casa (a pé) de uma estação de comboios com ligação direta a Amesterdão não é mera coincidência. Embora já não viva na zona da cidade, mantenho o meu apartamento em Amesterdão como pied-à-terre e escritório, o que me permite desfrutar da agitação urbana quando me apetece, e dá à minha família um refúgio seguro e momentos de descanso.

![A estação de comboios é como um teletransportador que me envia diretamente para a cidade: sou basicamente uma personagem moderna de Star Trek](https://willem.com/global/images/56f0d0adc86f.webp)

![A viagem de comboio rápido de 1h45m é a minha oportunidade de me transformar num homem de negócios de alta velocidade, a cruzar o país a uns razoavelmente rápidos 140KM/h no meu escritório móvel](https://willem.com/global/images/65a5b1254412.webp)

## Conclusão

Mudar-me para Limburg às vezes parece um salto para o desconhecido, mas oferece-me um mundo novo para explorar, aprender e viver. Estou ansioso por ver como esta mudança vai moldar e influenciar, com o tempo, as minhas rotinas diárias e as minhas escolhas de estilo de vida. Tenho a certeza de que o seu impacto na minha vida vai muito além de mudar de morada!

![“De Limburgers heten u welkom”: agora sou um deles... ou será que sou? :-) “Het is een kwestie van geduld”: a resistência é inútil! Ha!](https://willem.com/global/images/3b1a98856df9.webp)

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## MUSE no Carré

*O rock encontra a elegância* · 2022-10-23 · https://willem.com/pt/2022-10-23_muse-no-carre/

No domingo passado vivi uma fusão de tirar o fôlego entre a lendária banda de rock MUSE e o icónico Teatro Real Carré de Amesterdão. O som eletrizante da banda no ambiente sofisticado do teatro revelou-se a receita para uma noite inesquecível.

## MUSE

Originários de Teignmouth, em Devon, os MUSE surgiram na cena musical no final dos anos 1990 e depressa chamaram a atenção pela mistura única de elementos de rock alternativo, eletrónicos e progressivos. Formado pelo vocalista e guitarrista Matthew Bellamy, pelo baixista Chris Wolstenholme e pelo baterista Dominic Howard, o trio criou um som poderoso, caracterizado por vozes arrebatadoras, trabalho intrincado de guitarra e uma bateria dinâmica. Ao longo dos anos, os MUSE cativaram públicos em todo o mundo com os seus concertos eletrizantes e letras que dão que pensar, recebendo vários prémios e garantindo o seu lugar como uma das bandas mais inovadoras e influentes da sua geração.

![MUSE](https://willem.com/global/images/5a6f69ea3b41.webp)

## Teatro Real Carré

Sem dúvida um marco cultural icónico no centro de Amesterdão, o Teatro Real Carré tem uma história que remonta a 1887. Concebido como teatro de circo por Oscar Carré, evoluiu para uma instituição reverenciada, conhecida pelo seu apelo clássico e por espetáculos diversificados de classe mundial. O Carré cativa o público com uma arquitetura magnífica, interiores elegantes e uma atmosfera encantadora, que exala uma sofisticação sem igual. Em 1991, o teatro recebeu o título de “Real”, o que aumentou o seu prestígio. Hoje, o Teatro Real Carré continua a ser um orgulhoso símbolo da cena cultural de Amesterdão, a encantar os visitantes com um charme intemporal e experiências artísticas cativantes.

![O Teatro Real Carré em Amesterdão, à noite](https://willem.com/global/images/083a60ae0805.webp)

## Reverberações íntimas

Imagina a atuação eletrizante dos MUSE a ressoar no espaço íntimo do cenário clássico do Carré. Cada nota arrebatadora e cada riff de guitarra intrincado amplificados pela acústica requintada do teatro, enquanto luzes deslumbrantes dançam e cintilam, refletindo-se nos interiores elegantes. Nesta fusão de energia crua e charme intemporal, o público torna-se um com a música, mergulhado num encontro hipnotizante e inesquecível, em que as fronteiras entre passado e presente, tradição e inovação, simplesmente se dissolvem no ambiente.

![O público a reunir-se dentro do teatro clássico](https://willem.com/global/images/507bee98a59d.webp)

![Casa cheia: o teatro tem uma capacidade de apenas alguns milhares](https://willem.com/global/images/d6bd2c44ced1.webp)

![Luzes azuis do palco a combinar na perfeição com o som eletrizante dos MUSE](https://willem.com/global/images/43a2d929eb13.webp)

![Flashes brilhantes iluminam o público e realçam o interior clássico do Carré](https://willem.com/global/images/f33dff882d73.webp)

![O Bellamy a arrasar na guitarra!](https://willem.com/global/images/97fd1dcedc3d.webp)

![O público a cantar em coro!](https://willem.com/global/images/04d941e65bf2.webp)

![Matthew Bellamy a tocar guitarra: sabes que estás num teatro pequeno quando consegues ler o texto na camisola / nas calças dele](https://willem.com/global/images/979457723e20.webp)

![A dançar no Teatro Carré!](https://willem.com/global/images/a35ddfdcf770.webp)

![O baixista Chris Wolstenholme](https://willem.com/global/images/6eb532d7720e.webp)

![Uma roda de pogo no Teatro Carré!!](https://willem.com/global/images/c3b19869f06a.webp)

![Banda de rock moderna num palco clássico](https://willem.com/global/images/6300c66954f0.webp)

Os MUSE ofereceram um alinhamento cativante, misturando velhos clássicos com material novo, enquanto uma iluminação fria e equilibrada realçava cada canção. O ambiente íntimo do teatro revelou as caras expressivas da banda, e o público fascinado, uma imagem invulgar no Carré, cantou e dançou em coro. Esta experiência única culminou no final com “Knights of Cydonia”, recheado de gaita de boca, deixando todos de boca aberta.

![Consegues ver a expressão nas caras deles!](https://willem.com/global/images/0016277996c6.webp)

![O vocalista Matthew Bellamy a cantar](https://willem.com/global/images/210cf8205414.webp)

![Chris Wolstenholme a tocar gaita de boca no final com “Knights of Cydonia”](https://willem.com/global/images/b3f0370231db.webp)

## Conclusão

Uau! Sinto-me simplesmente muito sortudo por ter testemunhado a magia dos MUSE dentro das paredes do Carré. Uma noite que ultrapassou a soma das suas partes!

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## A bicicleta da liberdade total

*Andar de bicicleta dobrável Brompton* · 2022-09-15 · https://willem.com/pt/2022-09-15_a-bicicleta-da-liberdade-total/

Poucas vezes fiquei tão maravilhado com uma bicicleta: os últimos 5 meses, desde que fui buscar a minha bicicleta dobrável Brompton a Amesterdão, têm sido uma grande diversão! Com cerca de 500KM feitos, partilho com gosto algumas das minhas experiências com esta engenhosa obra de engenharia. Continua a ler!

## Sobre a Brompton

Em 1975, Andrew Ritchie inventou uma bicicleta com uma dobragem em 3 partes: um veículo que se transformava num pequeno pacote e podia ir a qualquer lado com ele. Nos anos seguintes, o Andrew aperfeiçoou obsessivamente a sua invenção numa oficina alugada numa empresa local de engenharia.

![Andrew Ritchie, inventor da bicicleta dobrável de 3 partes Brompton](https://willem.com/global/images/27a6a91e0280.webp)

Apesar da procura, o Andrew enfrentou infinitas cartas de recusa de bancos e de empresas de bicicletas que não quiseram investir. As coisas mudaram em 1987, quando um proprietário de uma Brompton, impressionado, e fundador da Naim Audio, Julian Vereker, interveio: a bicicleta dobrável Brompton ganhou o cobiçado prémio de Melhor Produto na feira Cyclex Bike Show, em Londres. O resto é história, como se costuma dizer!

![Um dos primeiros modelos da Brompton](https://willem.com/global/images/78a1e7268536.webp)

## Design icónico

Hoje há mais de 1500 revendedores oficiais e 15 Brompton Junctions em todo o mundo, incluindo uma em Amesterdão. O design original influenciou muitos outros fabricantes de bicicletas, pelo que pode facilmente ser considerada uma bicicleta icónica, com provas dadas e fãs em todo o mundo.

![A Brompton Junction nos “Negen Straatjes”, em Amesterdão, está sem uma bicicleta... adivinha para onde foi? HA!](https://willem.com/global/images/2a19e2d7b5b8.webp)

![A minha bicicleta dobrável Brompton moderna: repara como é parecida com o modelo antigo](https://willem.com/global/images/f2bd67b2fef9.webp)

## A Brompton moderna

A minha Brompton M6L Superlight cor de laranja leva tudo o que define uma Brompton para outro nível, com peças leves em titânio. A minha bicicleta veio com 6 mudanças (2 com desviador, 3 dentro de um cubo) e luzes de dínamo. Instalei um selim Brooks Cambium e optei por um conjunto de ferramentas integrado. Equipada com os meus pneus_antifuro (https://willem.com/en/2021-11-19_escaping-the-flat-tires/) preferidos da Schwalbe, achei que esta bicicleta seria perfeita para ação a sério.

![As luzes funcionam com um dínamo: nunca tens de pensar em pilhas!](https://willem.com/global/images/34f552cf78e8.webp)

![O bloco do porta-bagagens dianteiro permite encaixar e retirar facilmente bolsas e estruturas, e é compatível com todos os modelos Brompton](https://willem.com/global/images/d98037afab64.webp)

![Espero não precisar dele tão cedo, mas a minha bicicleta tem um kit de ferramentas perfeitamente encaixado no quadro dobrável: que inteligente!](https://willem.com/global/images/7cce2f2032a9.webp)

![A minha bicicleta tem um desviador traseiro de 2 velocidades e um cubo de 3 velocidades interno, perfazendo 6 mudanças com uma gama muito alargada](https://willem.com/global/images/120b10499c01.webp)

![Nota-se que o design da Brompton é refinado e maduro: coisas como os guarda-lamas reforçados super-resistentes dão-te muita confiança para simplesmente usar a bicicleta; repara também no quadro traseiro em titânio](https://willem.com/global/images/8c980000a1b4.webp)

## Como se anda nela?

Desdobras a bicicleta em uns 20 segundos e estás pronto para andar! Nos primeiros quilómetros precisei de me habituar um pouco à agilidade da direção. Em comparação com a minha bicicleta de velocidade única Schindelhauer_Siegfried_Road (https://willem.com/en/2020-04-30_minimalistic-road-bike-with-gates-carbon-drive/), a Brompton acelera depressa e tem uma condução muito direta. As rodas mais pequenas não são problema, porque as mudanças e o quadro estão bem equilibrados para elas. Graças a uma simples ciência geométrica, a circunferência menor maximiza a eficácia dos travões.

![A minha bicicleta dobrável Brompton ao lado da minha Schindelhauer Siegfried Road: duas máquinas muito diferentes](https://willem.com/global/images/0c6afd72eb83.webp)

Como eu gosto_de_andar_de_bicicleta (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/), as minhas pernas treinadas permitiram-me ir facilmente muito mais depressa do que pensava ser confortavelmente possível numa bicicleta dobrável. A Brompton dá-te depressa a confiança para a conduzir como uma bicicleta *normal*. Embora uma boa condução possa ser considerada o mínimo exigível em qualquer bicicleta, lamento ver que muitas “bicicletas de design” modernas parecem ter perdido *essa* mensagem. Qualquer bicicleta devia ser um prazer de conduzir, antes de mais nada!

![Andar na bicicleta dobrável Brompton surpreendentemente não é muito diferente de uma bicicleta normal: dá-te depressa a confiança para ires mais depressa (se quiseres)](https://willem.com/global/images/db752d4c2039.webp)

![Vê o vídeo da GCN no YouTube em que o ciclista profissional Andrew Feather compara a Brompton com uma super bicicleta de estrada numa subida](https://willem.com/global/images/ea9d196da4a2.webp)

Não acredites só na minha palavra, vê mesmo o vídeo_da_GCN_em_que_descobrem_o_que_acontece_quando_pões_um_profissional_numa_Brompton (https://www.youtube.com/watch?v=CCAwg9OMa84), a tirá-la da sua zona de conforto. Será que uma bicicleta dobrável sobe? Como se compara a uma bicicleta de estrada de topo de gama? Levaram o múltiplo campeão britânico de subida Andrew Feather para descobrir!

## Onde brilha: versatilidade

Andar na Brompton é um prazer, mas ela brilha mesmo quando desces. Podes levá-la contigo praticamente para todo o lado! Combina o ciclismo com os transportes públicos: metro, autocarro, elétrico e comboio. Até podes fazer o check-in da tua Brompton no aeroporto!

![Combina o ciclismo com os transportes públicos: chega a qualquer estação ou morada próxima com facilidade](https://willem.com/global/images/b66c0a439693.webp)

![É compacta e leve, o que permite movê-la facilmente pela plataforma e pelos comboios (<10KG)](https://willem.com/global/images/48e2ac12cdb5.webp)

![Não precisas de pagar extra pela bicicleta dobrável no comboio: é considerada “bagagem normal”](https://willem.com/global/images/a21c97827361.webp)

Se tens família ou amigos com carro, ficarias surpreendido com o número de possibilidades extra para usar a bicicleta dobrável *e* aproveitar uma boleia. Podes juntar-te e/ou separar-te quando te apetecer. Ao contrário de uma bicicleta normal, a bicicleta dobrável não precisa de um volumoso porta-bicicletas montado no carro.

![A Brompton no nosso carro de família: ocupa menos espaço do que um carrinho de bebé!](https://willem.com/global/images/d7eb752895f1.webp)

Se vives numa zona urbana, vais gostar de saber que é muito fácil levar a bicicleta para dentro de casa. Não precisas de cadeados volumosos nem de a expor desnecessariamente às intempéries ou aos ladrões. É provável que consigas sempre encontrar um lugar para a tua bicicleta, até dentro do teu café_preferido (https://www.facebook.com/people/Louffee-Coffee/100063489670875/).

![A bicicleta é pequena que chegue para a levares contigo: com certeza não vai parecer deslocada enquanto bebes o teu latte!](https://willem.com/global/images/14df7d035531.webp)

![No meu pequeno apartamento em Amesterdão, ponho a Brompton em cima do frigorífico: pode até ser considerada mais uma peça de arte, ha!](https://willem.com/global/images/f59eff081687.webp)

## Conclusão

A Brompton é uma ótima bicicleta que se dobra num pacote pequeno, o que a torna muito versátil. Continuo a descobrir maneiras de usar esta bicicleta que nunca imaginei com nenhuma das minhas outras! Ela vai onde outras bicicletas não podem: maximiza a liberdade de que desfrutas como ciclista!

![Onde e quando fores: a bicicleta dobrável Brompton é como uma companheira amigável, sempre disposta a acompanhar-te!](https://willem.com/global/images/8eca65e85081.webp)

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## O computador diz que não

*Como o mundo de hoje é governado pela inteligência artificial* · 2022-09-11 · https://willem.com/pt/2022-09-11_o-computador-diz-que-nao/

Esta manhã gozei o meu passeio de bicicleta numa ciclovia quase vazia, com raios de sol de postal a iluminar o orvalho sobre os campos à minha volta. Onde estavam todos os outros ciclistas? Suspeito que tenha algo a ver com as populares apps de meteorologia. Impressiona-me o controlo que os computadores já têm sobre a vida das pessoas.

Pelos vistos havia possibilidade de chuva esta manhã, segundo a app de meteorologia do iPhone. Embora não tenha apanhado uma única gota, aquele pequeno ícone de nuvem de chuva no telemóvel fez com que menos gente saísse para pedalar.

Claro que percebo: poucas pessoas gostam de se molhar nas suas bicicletas giras. Mas o que aconteceu a simplesmente olhar pela janela para ver como está o tempo? Uma vista de olhos rápida teria mostrado a qualquer um as condições perfeitas para um passeio. Tomas decisões com base na app_de_meteorologia (https://en.wikipedia.org/wiki/Weather_rock)?

![A Pedra do Tempo, mais precisa do que a tua app preferida (crédito da imagem: Wikipédia)](https://willem.com/global/images/3bb701f68379.webp)

## O que é a inteligência artificial (IA)?

Apesar do seu renascimento recente nas fileiras do “buzzword_bingo (https://en.wikipedia.org/wiki/Buzzword_bingo)”, os conceitos de inteligência artificial e aprendizagem automática não são assim tão novos. A ideia de usar a aprendizagem como forma de levar um sistema mais simples até à inteligência humana remonta pelo menos à noção de “máquina-criança” de Alan Turing, em 1950. Em vez de tentar produzir um programa que simule a mente adulta, porque não tentar produzir um que simule a da criança? Se fosse depois sujeito a um curso de educação adequado, obter-se-ia o cérebro adulto.

![Uma fotografia de crianças robôs humanoides a ir para a escola](https://willem.com/global/images/f062a73c56f8.webp)

No seu livro “Superinteligência”(https://duckduckgo.com/?t=ffab&q=superintelligence+book&ia=web), Nick Bostrom explora a fundo os possíveis caminhos para a criação de uma inteligência artificial. O que acontece quando as máquinas ultrapassam os humanos em inteligência geral? Os agentes artificiais vão salvar-nos ou destruir-nos? Até o Elon_Musk_concorda_comigo_que_toda_a_gente_devia_ler_este_livro (https://duckduckgo.com/?q=elon+musk+book+superintelligence&t=ffab&ia=web).

Embora o consenso geral seja que ainda não existe uma verdadeira inteligência artificial geral, eu diria que a sociedade, em geral, está a alinhar-se na perfeição para uma IA assumir o controlo. A metáfora_do_sapo_na_água_a_ferver (https://en.wikipedia.org/wiki/Boiling_frog) é uma forma poderosa de pensar nisto: o sapo não percebe o perigo da água que é levada a ferver devagar. Não devemos deixar que ninguém nos cozinhe, quanto mais uma IA!

![Uma fotografia de robôs humanoides a ferver água num tacho grande sobre fundo branco](https://willem.com/global/images/03f3d7062e06.webp)

## Exemplos do controlo dos computadores hoje

Enquanto desfrutava da ciclovia vazia esta manhã, ocorreu-me que a app de meteorologia não é a única a controlar o comportamento das pessoas. Considera os seguintes exemplos:

- **onde as pessoas vivem**: é fácil perceber por que razão as instituições financeiras querem avaliar o risco de emprestar dinheiro a alguém, mas os computadores de hoje, ao calcularem a tua pontuação de crédito, controlam indiretamente coisas como a casa que podes comprar, onde vais viver, a escola a que os teus filhos vão. A aprendizagem automática é um tema_quente (https://duckduckgo.com/?t=ffab&q=credit+rating+machine+learning&ia=web) no mundo do dinheiro e, sem muita gente saber, esses algoritmos não olham só para os teus dados financeiros. Um dos líderes mundiais em avaliações de crédito, a GDS Link, é_franca_sobre_isso (https://www.gdslink.com/credit-risk-scorecard-model-development-monitoring/): o historial de pagamentos de um devedor é essencial, mas ainda assim representa pouco mais de um terço da pontuação de crédito.

- **alertas meteorológicos:** a tua app de meteorologia tem inveja do poder que os alertas meteorológicos têm sobre a sociedade: países inteiros podem ser paralisados porque o computador do tempo indica “código vermelho”. Toda a gente compreende as razões óbvias de segurança. Mas podemos perguntar-nos quanto sofrimento humano é de facto causado por cancelar férias, encerrar estradas, parar comboios, fechar escolas e limitar os serviços hospitalares.

- **o que as pessoas veem: ** a reprodução automática no site de vídeos preferido de toda a gente usa algoritmos para decidir o teu próximo vídeo. Mesmo que decidas deliberadamente ver um_vídeo_em_particular (https://www.youtube.com/watch?v=0n_Ty_72Qds), é-te apresentado automaticamente outra coisa a seguir. O mesmo vale para apps populares como o TikTok (https://newsroom.tiktok.com/en-us/how-tiktok-recommends-videos-for-you) e o Instagram (https://duckduckgo.com/?t=ffab&q=instagram+algorithm&iar=news&ia=news).

- **o que as pessoas ouvem: ** não penses que a função aleatória do teu iPod (https://www.wsj.com/articles/SB115876952162469003) ou da app do Spotify é verdadeiramente aleatória. Esta_explicação (https://www.quora.com/Is-Spotifys-shuffle-feature-truly-random-I-keep-hearing-the-same-songs-in-my-library-too-often-for-it-to-be-a-mere-coincidence-Does-Spotify-use-some-kind-of-special-algorithm-to-determine-what-song-plays-If-so-why/answer/Mattias-Petter-Johansson) do antigo engenheiro do Spotify Mattias Petter Johansson é uma leitura interessante.

- **o que as pessoas leem: ** O Elon_Musk_percebe_por_que_é_importante_tornar_públicos_os_algoritmos_dos_feeds_de_notícias,_como_o_feed_do_Twitter (https://edition.cnn.com/2022/04/19/tech/twitter-algorithm-open-source-elon-musk/), porque determina o que as pessoas leem! Mas, como nem toda a gente percebe de código, acho que seria apenas parte da solução.

![Um editor de notícias maluco, com uma máquina de escrever, a ler um jornal a arder](https://willem.com/global/images/a591dfa4b729.webp)

## Conclusão

A nova tecnologia assusta sempre as pessoas. Quando apareceram as primeiras bicicletas, as_pessoas_culparam-nas_de_quase_tudo (https://twitter.com/paulisci/status/1561848479470694403)! No entanto, hoje estão integradas nas nossas vidas de forma razoavelmente boa. As pessoas conhecem os riscos e muitas agem em conformidade. Os capacetes (https://willem.com/en/2020-07-09_repairing-a-giro-aeon-bicycle-helmet/) e as luzes_de_bicicleta (https://willem.com/en/2019-11-26_supernova-e3-pro-2-dynamo-powered-headlight/) são muito comuns. No fim, espero o mesmo da tomada de decisões computorizada: vamos aprender a lidar com ela de forma adequada.

Entretanto, devemos manter-nos ativamente curiosos e desfrutar das maravilhas modernas da tecnologia, como o fantástico sistema_de_IA_DALL-E (https://labs.openai.com/about), que consegue criar imagens e arte originais e realistas. Trabalhei com ele para criar as ilustrações que acompanham este artigo. A discussão_recente_sobre_quem_é_o_dono_das_obras_geradas (https://duckduckgo.com/?t=ffab&q=dall-e+copyright) não me surpreende nada. Os decisores políticos fariam bem em não ignorar as questões mais amplas em torno da inteligência artificial!

![As ilustrações deste artigo foram criadas com o DALL-E, o fantástico sistema de IA que gera imagens originais](https://willem.com/global/images/9e681973fa62.webp)

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## Alternativa ao CAPTCHA

*Protege os teus formulários de uma forma amiga do utilizador* · 2022-07-30 · https://willem.com/pt/2022-07-30_alternativa-ao-captcha/

É provável que já tenhas encontrado um CAPTCHA por aí: protegem os formulários web pedindo-te que escrevas caracteres desenhados de forma estranha ou que seleciones fotografias que contêm determinada coisa. Porque é que são usados e existe uma alternativa amiga do utilizador?

## O que é um CAPTCHA?

Pensados para distinguir computadores de humanos, os CAPTCHA exigem muitas vezes que faças algo que um computador não consegue fazer facilmente. Daí a sigla: Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart. Quem constrói sites usa CAPTCHA para proteger os formulários web contra spam e abusos automatizados.

![CAPTCHA típicos que podes encontrar na web (créditos das imagens: Wikipedia e Google)](https://willem.com/global/images/a95bd60124e8.webp)

## Porque é que precisas de proteger um formulário?

Um formulário web típico funciona em dois passos:

- **introduzir informação:** Preenches alguns dados e clicas em "ENVIAR" (ou algo semelhante) para continuar.

- **processar informação:** A informação que introduziste é processada por um servidor, que possivelmente reencaminha a tua mensagem ou pedido para o e-mail de alguém.

![Um formulário web típico: o servidor processa a informação de uma pessoa e reencaminha-a para outras pessoas, como tu. Pessoas mal-intencionadas podem facilmente falsificar o remetente, permitindo o abuso automatizado do teu servidor de processamento](https://willem.com/global/images/062f9ea6ddbf.webp)

O problema desta abordagem típica é que o primeiro passo pode ser facilmente automatizado por pessoas mal-intencionadas. Usam outro computador para enviar informação ao servidor vezes sem conta, obrigando-o a processar montes de dados, muitas vezes mensagens de spam. Os hackers andam sobretudo à procura de formulários web onde possam manipular o endereço "PARA", porque assim podem usar o teu servidor para enviar spam a qualquer pessoa no mundo.

Um CAPTCHA protege o teu formulário impedindo que um computador envie informação ao teu servidor de forma automática.

## Problemas do CAPTCHA

Sinceramente, acho-os feios e incómodos, e não_estou_sozinho_nisto (https://duckduckgo.com/?q=do+not+use+captcha). Criam um obstáculo para as pessoas: baixam as taxas de conversão, as taxas de cliques, etc. Além disso, são muitas vezes muito pouco amigáveis para pessoas com problemas de visão.

Os críticos queixam-se também de a Google ser um dos fornecedores mais populares de testes CAPTCHA gratuitos. Podes perguntar-te porque é que oferecem este serviço de graça? É uma excelente forma de entrarem no circuito de muitos percursos de clientes (comerciais), alimentando os seus algoritmos com mais dados para traçar perfis de pessoas. É algo a ter em conta se valorizas a privacidade e as leis do RGPD/cookies.

## Alternativa

Por isso decidi criar uma alternativa eficaz ao CAPTCHA para usar nos formulários web que construo para os meus clientes. A minha abordagem tem duas partes:

- **esconder:** a maioria das pessoas mal-intencionadas procura alvos à procura de qualquer etiqueta FORM, muito usada para construir formulários web. Os meus formulários não têm a etiqueta FORM, mas usam outros elementos comuns, como DIV: um camuflado perfeito. Se não o conseguem encontrar, não o conseguem quebrar.

- **reforçar:** os meus formulários web usam um passo adicional para tornar o seu abuso mais difícil de automatizar. Chamo-lhe "comprar um selo" antes de enviar.

## Assinatura criptográfica antes do envio: o selo

Tens de perceber que as pessoas mal-intencionadas pensam de forma económica: só fazem um esforço se o ganho potencial compensar. Se lhes tornares o abuso do teu formulário suficientemente difícil, é provável que sigam para outra e deem o assunto por encerrado. Antes de explicar o que fiz, tenho de avisar:

**Aviso:** *Tens de ponderar o objetivo da proteção do teu formulário. No meu caso, é reduzir (muito) o número de mensagens de spam, preservando a facilidade de utilização. Isto permite-me pensar num sistema que não oferece necessariamente proteção "à prova de bomba", mas se estás a tentar proteger segredos nucleares, esta abordagem pode não servir. Pensa sempre no teu modelo de ameaças!*

Para proteger formulários web, introduzo um passo extra a que chamei "comprar um selo". Os passos do formulário protegido ficam então assim:

- **introduzir informação:** Preenches alguns dados e clicas em "ENVIAR" (ou algo semelhante) para continuar.

- **obter o selo:** Mesmo antes de a informação ser realmente enviada, o teu dispositivo contacta o servidor para pedir um token criptográfico que corresponde às características da informação *e* do remetente. Isto acontece em meros milissegundos, ninguém dá por isso. Pensa no token como um selo postal, específico para o pacote que estás a enviar, a usar uma única vez.

- **processar informação:** A informação que introduziste é combinada com o token criptográfico e enviada ao servidor. Se o token for válido, a informação é processada como habitual. Os tokens inválidos são simplesmente ignorados, o que é importante para tornar a engenharia inversa muito difícil, ao não dar qualquer resposta (o servidor diz sempre "OK" :-) )!

![Ao introduzir um token único, de uso único, para cada mensagem, torna-se muito mais difícil para pessoas mal-intencionadas automatizar o envio de mensagens, protegendo o teu formulário contra spammers](https://willem.com/global/images/53152b30a5b4.webp)

Desde 2016 que uso esta abordagem e os servidores de processamento já trataram literalmente milhões de mensagens, com muito poucas (<100) de spam. Olhando com atenção, a maior parte do spam que passa é "trabalho manual": possivelmente pessoas mal-intencionadas a investigar o mecanismo. Como parece ser demasiado esforço quebrar o sistema, é muito eficaz para o meu objetivo de proteger os formulários web.

## Conclusão

Embora os CAPTCHA sejam compreensivelmente muito populares, nem sempre é necessário tê-los nos teus formulários web se considerares alternativas. O meu conselho: torna a vida mais difícil a quem tem más intenções e mais fácil ao teu público!

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## Música offline

*Alternativa à música em streaming* · 2022-07-17 · https://willem.com/pt/2022-07-17_musica-offline/

A música tem o poder universal de comover as pessoas. Ritmos, emoções e vozes diferentes permitem-nos desfrutar da música de forma muito pessoal. A música está muito perto do meu coração e não gosto que nada se ponha pelo meio. Por isso não dependo de serviços de música em streaming, mas giro a minha própria biblioteca de música offline.

Antes do aparecimento de serviços de música em streaming como o Spotify ou o Apple Music, as pessoas tinham outras formas de ouvir música. Compravam discos, álbuns em CD e alguns até pirateavam música com serviços como o Napster ou o Kazaa. A música digital disparou quando a Apple lançou o iPod, que tornou muito fácil levar a música no bolso.

![Anúncio original do iPod: Say hello to iPod. 1000 songs in your pocket](https://willem.com/global/images/b143eee6b578.webp)

![Anúncio original do iPod de 2005: a vender pura emoção, sem qualquer especificação técnica](https://willem.com/global/images/6099f6099ad9.webp)

O iPod teve um impacto monumental na forma como as pessoas ouvem música. Enquanto os primeiros smartphones imitavam o comportamento do iPod, os dispositivos modernos usam a sua conectividade omnipresente para criar novas formas de descobrir e ouvir música.

Os serviços de música em streaming são muito populares porque oferecem uma forma cómoda de ouvir música: não tens de gerir *nada*. Basta carregar em play. Saltas as músicas de que não gostas e os algoritmos ajustam-se automaticamente às tuas preferências. Quem não ia querer este tipo de magia, dirias tu?

## Porque gerir a tua própria música?

Embora os serviços de streaming sejam muito cómodos, há boas razões para considerares gerir a tua própria biblioteca de música:

- **liberdade:** se compras um disco ou um CD, é teu. Ninguém te vai exigir pagamentos periódicos. Podes desfrutar dele durante o tempo que quiseres, praticamente em qualquer dispositivo que tenhas.

- **intenção:** os artistas definem a ordem das músicas de propósito, e muitas vezes um álbum conta uma história com profundidade e significado. Nenhum algoritmo vai mexer na ordem das músicas que estás a ouvir.

- **qualidade de áudio:** embora os serviços de streaming estejam a melhorar, os velhos CD continuam a ser muito bons. E alguns preferem até o calor de um disco de vinil. Os serviços de streaming que usam compressão com perdas deitam literalmente fora pedaços da música. Não gostas de ler um livro a que faltem algumas letras, pois não?

- **caça:** se gostas de música, talvez até gostes de a caçar. Visita uma loja de música, lê sobre ela e fala com as pessoas. A música liga as pessoas, e podes fazer novos amigos pelo caminho.

## Eu e a minha música

As pessoas sabem que adoro música e por vezes perguntam-me como a encontro, coleciono, digitalizo e ouço. Deixa-me explicar:

- **encontrar música:** de vez em quando visito lojas de discos em Amesterdão e falo com as pessoas sobre música. É aí que descobres novos lançamentos e artistas. Os festivais_de_música (https://willem.com/en/2018-07-10_enjoy-a-festival-without-alcohol/) podem ser um ótimo terreno de caça para descobrir coisas novas, sobretudo se espreitares os palcos mais pequenos. Claro que também podes procurar música_nova_online (https://artsexcellence.com/blog/category/music-reviews/)!

- **colecionar:** compro toda a minha música em CD, e tenho muitos. Milhares de músicas em centenas de álbuns. Compro novos e em segunda mão, ficarias admirado com o que se encontra na loja de reciclagem aqui do bairro.

- **digitalizar:** para replicar parte da comodidade moderna, digitalizo todos os meus CD para ficheiros de áudio sem perdas. Uso para isso um velho_MacBook_Air (https://willem.com/en/2017-09-14_saving-a-macbook-air-with-exploded-battery/) com o iTunes. Faço isto com calma, à mão. Verifico e corrijo os metadados e a capa do álbum. Guardo todos os meus CD em arrecadação.

- **ouvir**: pensa nele como um iPod moderno com esteroides, o meu Astell&Kern_Ultima_SP2000 (https://www.astellnkern.com/product/product_detail.jsp?productNo=18). Alimenta os meus auriculares_Shure_SE846_com_isolamento_sonoro (https://www.shure.com/en-US/products/earphones/se846_wired) através de um cabo_DreamDuet_balanceado (https://www.crystalcable.com/products/crystal-cable-portable/duet/dream-duet/). Adoro.

![Digitalizar CD com o iTunes num velho MacBook Air](https://willem.com/global/images/dbbea05b99d0.webp)

![Astell&Kern Ultima SP2000: liga-se a auscultadores, sistemas de som e até faz streaming sem fios por Bluetooth APT(X)](https://willem.com/global/images/0265a4c5db8f.webp)

![A minha sala de concertos privada: auriculares Shure SE846 no cabo de cristal DreamDuet, sem necessidade de cancelamento ativo de ruído, pois estes auriculares isolam na perfeição](https://willem.com/global/images/ee0b9c2aa347.webp)

## Conclusão

Como gosto mesmo muito de música, não me importo nada com o pequeno esforço extra de gerir a minha própria biblioteca de música offline. Dá-me liberdade e controlo, mas acima de tudo: pura alegria!

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## Pontuações máximas do Snake '97

*Arte inspirada no jogo, por Zena Van den Block* · 2022-04-18 · https://willem.com/pt/2022-04-18_pontuacoes-maximas-do-snake-97/

Na semana passada recebi um convite muito simpático de uma artista belga para visitar a sua exposição em Antuérpia. A obra em exibição envolvia o jogo Snake '97 que criei. Sem saber que palavras usar e a vibrar de emoção, aceitei o convite com todo o gosto!

## Snake 97: o jogo retro de telemóvel

É provável que já tenhas ouvido falar ou visto o jogo que criei: Snake_97 (https://snake97.com). Os gráficos de matriz de pontos e os sons monótonos dão a milhões de fãs uma dose de nostalgia dos jogos retro de telemóvel. Embora tenha criado_o_jogo_por_acidente (https://willem.com/en/2018-02-21_updating-snake-97/), o seu impacto não para de me surpreender.

![Snake '97: a tua dose de nostalgia dos jogos retro](https://willem.com/global/images/ead2fd53cae7.webp)

## Zena Van den Block

Entre os fãs do jogo está Zena Van den Block (1995), uma artista belga que inspira ao criar arte visual de formas inesperadas. Muitas vezes através do jogo e do acaso, procura traduções de padrões que descobre em hábitos recorrentes, usando imagens da cultura popular. Ao criar contexto ou ao invertê-lo de propósito, o seu trabalho faz-te repensar as imagens que (pensas que) conheces.

![Obra de Zena Van den Block (fonte: zenavandenblock.com)](https://willem.com/global/images/3fd210797619.webp)

Para o trabalho com o jogo da cobra, recolheu meticulosamente os seus ecrãs de fim de jogo. Usa a disposição final da cobra, muitas vezes em contorções quase impossíveis, como blocos de construção na sua tela.

![Obras de arte sobre o Snake na SECONDroom Antuérpia: "High Scores" de Zena Van den Block](https://willem.com/global/images/0eb1e4ab051c.webp)

Além das linhas de matriz de pontos na tela, o verde alegre à moda antiga brilha no escuro. Demorou meses a encontrar a mistura certa e a aperfeiçoar a técnica de aplicação. As peças "High Score" são acabadas com uma superfície de aspeto plástico, que completa na perfeição o ambiente retro dos ecrãs dos telemóveis de outrora.

![As obras brilham no escuro](https://willem.com/global/images/b71d3e7bd7fb.webp)

## SECONDroom Antuérpia

O nome vem da sala de exposições original, no apartamento do fundador. A SECONDroom (https://secondroom.org/) organiza exposições com um vernissage de curta duração, o que lhes dá um carácter intimista. Este ambiente permite-te ligar-te à artista e aos outros visitantes.

![Conhecer a Zena Van den Block: o carácter intimista da SECONDroom dá espaço de sobra para criar ligações](https://willem.com/global/images/107dfd912670.webp)

Como criador do Snake_97 (https://snake97.com), já vi os gráficos do jogo um *zilião* de vezes. Mas ver esses gráficos como arte genuína é uma experiência totalmente diferente. Humilde e sem saber que palavras usar, examinei estas obras de arte.

![Gráficos de jogo elevados a verdadeiras obras de arte](https://willem.com/global/images/cd7e20bbdb90.webp)

![Um detalhe incrível: tela de matriz de pontos verde, pinceladas manuais e uma superfície brilhante de aspeto plástico](https://willem.com/global/images/75d5e0fdfce5.webp)

## Conclusão

Só me ocorre uma palavra para descrever ver o Snake exposto como arte: UAU! As pessoas perguntam-me muitas vezes o que o jogo da cobra me deu... Bem, custa-me pensar em algo mais valioso do que o privilégio de conhecer pessoas fantásticas como a Zena. O famoso slogan da Nokia *"Connecting People"* parece cada vez mais adequado ao Snake. Estou incrivelmente grato!

- Site da Zena Van den Block (https://zenavandenblock.com) e Instagram (https://www.instagram.com/zenavandenblock/)

- SECONDroom_Antuérpia (https://secondroom.org)

- Jogar_Snake_97 (https://snake97.com)

![Olha, mãe: eu ao lado de arte do Snake! UAU!](https://willem.com/global/images/d6a3bdaa5b45.webp)

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## A usar o WHOOP 4.0

*Porque deves usar um sensor biométrico* · 2022-01-14 · https://willem.com/pt/2022-01-14_a-usar-o-whoop-4-0/

Quantas vezes olhas para o espelho? Provavelmente mais do que algumas vezes por semana! Tenho pensado nisto desde que recebi o meu novo sensor biométrico WHOOP 4.0. É ótimo. Mas porque o uso? Que valor me traz? Porque o deverias usar tu?

## O que é o WHOOP?

Primeiro as coisas essenciais: deixa-me explicar o WHOOP em poucas palavras. Fundado por um grupo de gente apaixonada, o WHOOP faz sensores biométricos e software desde 2012. Os sensores recolhem dados de saúde e de condição física, que são processados com algoritmos avançados para dar a cada utilizador informações personalizadas.

![Concebida para ser usada 24 horas por dia, a pulseira WHOOP recolhe dados biométricos ao longo do tempo e dá-te informações personalizadas sobre a tua saúde e condição física](https://willem.com/global/images/06db9f1b2e02.webp)

Comparando as medições atuais com o teu histórico pessoal, o WHOOP consegue dizer se estás pronto para o máximo desempenho ou se alguma coisa não está bem. Entre outras coisas, regista os efeitos de comer, beber, doença, medicação, exercício, ciclos menstruais e sono.

## WHOOP 4.0

O sensor da geração mais recente chama-se "WHOOP 4.0" e traz muitas melhorias face ao seu antecessor, que_analisei_num_artigo_anterior (https://willem.com/en/2019-12-31_whoop-strap-review-24-7-wearable-sensor/). Agora mede:

- frequência cardíaca

- variabilidade da frequência cardíaca (HRV)

- frequência respiratória (respirações por minuto)

- temperatura da pele

- saturação de oxigénio no sangue

- sono (duração, ciclos)

![O WHOOP 4.0 é mais pequeno que o antecessor, tem mais tecnologia de sensores e permite carregar com facilidade enquanto o usas](https://willem.com/global/images/50e3638c0e83.webp)

![O sensor WHOOP é pequeno, mais pequeno do que muitos relógios normais](https://willem.com/global/images/c8d9e089c57b.webp)

Comparado com o antecessor, há algumas diferenças notáveis:

- é 33% mais pequeno, o que é muito importante para algo que se usa no corpo

- tem uma função de vibração para te acordar discretamente a uma hora definida ou quando o teu corpo estiver suficientemente descansado

- tem 5 LED com 3 comprimentos de onda de luz diferentes para fazer leituras com 4 fotodíodos

- pode ser carregado no duche com a nova bateria à prova de água

- pode ser usado no pulso ou noutros sítios do corpo com roupa "ANY-WEAR", incluindo boxers, calções, leggings, sutiãs e tops

Com literalmente anos_de_experiência_com_sensores_biométricos_vestíveis (https://willem.com/en/wearable-sensors-measuring-the-body-questioning-the-data/), posso ser muito breve sobre o WHOOP 4.0: **é ótimo**. A sério, muitas vezes comparo-o a um bom_smartphone (https://willem.com/en/2021-12-09_for-the-love-of-mini/) ou a uns ténis confortáveis: deixas de pensar nele, porque desaparece para segundo plano, e podes continuar com a tua vida:

- sem mexidas

- sem zumbidos ou apitos inesperados

- sem notificações a interromper

- sem tirar e voltar a pôr

- sem qualquer interação necessária

![O WHOOP oferece várias formas de o usar: gosto de usar o meu no bíceps com uma pulseira maior, alternando entre os dois braços de poucos em poucos dias](https://willem.com/global/images/53dd72074c24.webp)

![Usado no bíceps, o WHOOP esconde-se facilmente por baixo da roupa (indicado com setas azuis), deixando os pulsos livres para relógios mecânicos](https://willem.com/global/images/ef8a5e8d4ee0.webp)

Podes aceder aos teus dados quando quiseres, a partir do smartphone ou de um computador com ecrã grande. Recolhe *todos os dados, o tempo todo*, não há necessidade de iniciar e parar medições manualmente como_no_Apple_Watch (https://willem.com/en/2018-09-27_swimming-and-cycling-with-apple-watch/). A abordagem holística do WHOOP à recolha de dados permite-lhe registar todas as atividades. Adoro ver como as minhas_aventuras_como_pai (https://willem.com/en/2021-09-30_inspiration-from-a-child/) se comparam com andar_de_bicicleta (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/). Quando_a_minha_filha_nasceu,_o_WHOOP_registou_muito_claramente_o_impacto_no_pai (https://willem.com/en/2021-07-13_the-birth-of-a-child/).

![A minha filha nasceu na terça-feira, 13 de julho: os dados mostram claramente o impacto no meu corpo e a sua adaptação gradual a esta nova paternidade](https://willem.com/global/images/17eb98bbd260.webp)

Não há disparates como contar passos, anéis de atividade ou gamificação desnecessária com autocolantes infantis ou conquistas. O WHOOP não é o dispositivo que te lembra de respirar, de te levantares ou que te premeia com um autocolante por caminhares até à máquina de café.

![Ao contrário de outros wearables "inteligentes", o WHOOP não te lembra de respirar nem te premeia por te levantares e caminhares até à máquina de café: é um dispositivo sério para pessoas que sabem pensar por si](https://willem.com/global/images/ad82c6501d16.webp)

## Porque usá-lo?

Isto traz-me de volta à pergunta principal: porque usar o WHOOP? Como adoro o minimalismo (/en/digital-minimalism-doing-more-with-less-technology/ism), muitas vezes desafio-me com esta pergunta. Usar um sensor 24 horas por dia no corpo parece contrariar o meu desejo de viver uma vida sem tralha.

Acho que é porque, para viver uma vida sem tralha, tens antes de mais de viver! Não preciso que me lembrem de que a minha saúde é preciosa e frágil. Vi amigos e familiares sofrer ou até morrer. Estar em forma e saudável maximiza a tua oportunidade de passar tempo com significado com amigos e família. Como um espelho especial, o WHOOP mostra-me a mim próprio, e lembra-me de cuidar desse homem.

Trabalho, stress, filhos e doença podem desgastar-te, de forma gradual, silenciosa e invisível a olho nu. Ao olhar para os meus dados do WHOOP, vi surgir maus padrões, muitas vezes quando andava demasiado ocupado com algum projeto importante. Ver o preço que o corpo paga facilita fazer melhores escolhas (com "melhores" a fazer também um trocadilho com "better", referindo-se à saúde!).

![Melhores escolhas, melhor saúde, mais diversão! (mesmo quando está um frio de rachar!)](https://willem.com/global/images/2a8588bb5cdc.webp)

## Conclusão

Só há um de ti, e o teu tempo neste planeta é limitado. Estás a desgastar o teu corpo? Quantas vezes te perguntas o que aconteceria se fizesses escolhas diferentes? Deixa o WHOOP ser o espelho através do qual te vês. Faz as escolhas certas, sejam elas quais forem, e vê os seus efeitos em ti. Com dados a apoiar-te, tens tudo para te tornares o melhor TU!

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## Por amor ao mini

*A grandeza inesperada do iPhone Mini* · 2021-12-09 · https://willem.com/pt/2021-12-09_por-amor-ao-mini/

As pessoas perguntam-me com frequência porque tenho um smartphone pequeno, um moderno iPhone 13 Mini. Muitas vezes respondo simplesmente que gosto dele. O tamanho mais pequeno oferece mais do que caber melhor no bolso. Aprendi a apreciar a sua grandeza intangível. Continua a ler, por amor ao mini!

![iPhone Mini: cabe numa só mão](https://willem.com/global/images/662a5182d4cf.webp)

No meu trabalho vejo muitos telefones grandes e, como informático, as pessoas esperam que eu também tenha um. Mesmo assim, trago um iPhone Mini e não o trocava por nada! O iPhone Mini está muito ao nível dos primos maiores quando olhas para coisas como a câmara, a velocidade do processador, o software e as funcionalidades.

![Os telemóveis já existiram em muitas formas e tamanhos, de cima à esquerda para baixo à direita: o iPhone original, o Motorola DYNA T-A-C, o Sony CMD-Z5](https://willem.com/global/images/ca15100fdd9f.webp)

Na última década os smartphones foram crescendo, oferecendo mais espaço de ecrã do que os antecessores mais pequenos. Percebo porque é que as pessoas se deixam tentar por esta tendência de "quanto maior, melhor": mais conteúdo, mais píxeis, "mais de tudo"!

![Mais largos, maiores, mais brilhantes, mais potentes... Os telefones cresceram, e agora até se chamam "Pro"!](https://willem.com/global/images/d5c3ad97159e.webp)

Esse "mais de tudo" inclui custos: nunca, *mas nunca*, os smartphones foram tão caros como os topos de gama de hoje. O aumento de preço traz um aumento de importância, e até os consumidores mais ricos pensam em seguros e planos de financiamento.

![... o "Pro Max" custa-te até € 1839, sem o seguro AppleCare recomendado de € 229](https://willem.com/global/images/3c2bd305675f.webp)

Se tens seguido o meu blogue, sabes que tenho uma queda pelo minimalismo (/en/digital-minimalism-doing-more-with-less-technology/ism). Errarias se pensasses que o minimalismo é só ter menos coisas ou coisas mais pequenas. Acho mais útil pensar no minimalismo como reduzir a influência que todas as tuas coisas têm em ti, em termos de custos, espaço e tralha.

O iPhone Mini custa cerca de metade e pesa quase 40% menos, mas é tão rápido como os irmãos "Pro Max". Partilha o mesmo chip potente. Não te enganes, as entranhas do Mini são mesmo topo de gama! Ajuda o facto de o iOS aproveitar ao máximo os ecrãs mais pequenos, por estar extremamente otimizado: o resultado de muitas gerações de ecrãs pequenos.

![Gerações de iPhone de ecrã pequeno: iPhone 4S, iPhone SE, iPhone 12 Mini, iPhone 13 Mini](https://willem.com/global/images/e219888d5bbc.webp)

![O iOS aproveita ao máximo os ecrãs pequenos: compara o Volla Phone, de tamanho comum (à esquerda), com o iPhone Mini (ao centro) e um cartão de tamanho comum (à direita) como referência](https://willem.com/global/images/84f54ac01d74.webp)

O tamanho mais pequeno torna mais fácil ignorar o iPhone Mini, libertando-te de distrações. Trago-o numa capa de pele compacta que protege o ecrã *e* funciona como uma barreira para eu usar o telefone. O conjunto continua a caber confortavelmente no bolso. A capa lembra-me de só usar o telefone se for mesmo essa a minha intenção.

Os telefones grandes não cabem na maioria dos bolsos, por isso as pessoas costumam pousá-los na mesa ou segurá-los na mão. Isto diminui qualquer barreira ao uso do dispositivo. Maximiza a exposição aos ciclos de dopamina que estão embutidos na maioria das apps de redes sociais, feeds de notícias e serviços de mensagens. Quanto maior o telefone, mais imersiva a experiência. As pessoas usam o telefone por hábito, já não o controlam.

![O meu equipamento de todos os dias: iPhone Mini, um relógio analógico e chaves](https://willem.com/global/images/2946b6ee942a.webp)

## Conclusão

Embora haja muitas razões para escolher um smartphone em particular, acho que há boas razões para escolher um mais pequeno em vez de uma monstruosidade móvel omnipresente. No fim, depende da preferência pessoal. Fica só a saber da grandeza inesperada de um smartphone pequeno!

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## A fugir aos furos

*Os pneus à prova de furos são mesmo à prova de furos?* · 2021-11-19 · https://willem.com/pt/2021-11-19_a-fugir-aos-furos/

Talvez te perguntes até que ponto um pneu de bicicleta "à prova de furos" é mesmo à prova de furos. Decidi descobrir a resposta quando montei pneus Schwalbe Durano Plus na minha bicicleta. Era inevitável responder à pergunta: quantos quilómetros se consegue andar sem furos com pneus à prova de furos?

![À procura de respostas: quantos quilómetros se consegue andar sem furos?](https://willem.com/global/images/d3eb859d6351.webp)

## A resposta é 4200KM

![Após 4200KM, o pneu à prova de furos Schwalbe Durano Plus falhou](https://willem.com/global/images/1d94e88f064d.webp)

Demoraram tanto a falhar que já nem levava um pneu sobresselente! Os pneus Schwalbe Durano Plus são mesmo *resistentes* a furos, mas só até certo número de quilómetros. Num dos meus trajetos diários, o pneu de trás perdeu pressão de repente, uma sensação que nenhum ciclista quer. Pois, aí está a resposta!

![Um Schwalbe Durano Plus novo com "Smartguard dual compound": são pneus muito resistentes!](https://willem.com/global/images/7205bb32ddec.webp)

## Conclusão

Antes de passar para pneus resistentes a furos, tinha furos com frequência nos meus passeios. Em média um por cada 1500KM, conforme as condições. Estatisticamente preciso de mais testes para fazer afirmações ousadas, mas gosto do rumo que isto leva: menos furos, mais ciclismo!!

![Menos furos, mais ciclismo!](https://willem.com/global/images/43717fbbd0ea.webp)

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## A usar Android sem Google

*O Volla Phone como alternativa ao Android e ao iOS convencionais* · 2021-10-25 · https://willem.com/pt/2021-10-25_a-usar-android-sem-google/

Quase todas as pessoas que conheço usam iOS ou Android de uma marca de smartphones convencional, mas ainda existem alternativas! O Volla Phone, alemão, orgulha-se de ser uma opção à altura para quem valoriza a privacidade e a liberdade. Comprei um para o experimentar em primeira mão. Continua a ler para saberes o que penso!

![Volla Phone: Viel vergnügen (traduzido à letra: "diverte-te!")](https://willem.com/global/images/fdb743ce7d60.webp)

O Volla Phone pode ser descrito como um smartphone Android de gama média. As especificações não te vão deslumbrar, mas tem o suficiente para fazer o trabalho. O Volla vem em duas versões: o "Volla Phone" original e o "Volla Phone X", robusto e à prova de água. São relativamente grandes e oferecem muito espaço de ecrã para as tuas apps.

![Volla Phone e Volla Phone X](https://willem.com/global/images/c579f7830dd5.webp)

![Quem tem hoje em dia um smartphone onde se lê "Made in Germany"?](https://willem.com/global/images/784b2b7d223a.webp)

Usar o telefone é muito parecido com qualquer outro smartphone moderno, o que considero bom. O telefone parece muito sólido e vale bem mais do que o preço de € 359. Este preço inclui carregador, cabo USB-C e uma capa transparente.

![O Volla Phone vem com carregador, cabo USB-C e uma capa transparente](https://willem.com/global/images/19d9429b59d2.webp)

![A câmara principal tira boas fotografias, sobretudo com condições de luz razoáveis](https://willem.com/global/images/1d2711a2aebe.webp)

![A câmara de selfies cumpre, mas falta-lhe algum detalhe, o que pode ou não ser um problema para ti](https://willem.com/global/images/b5f1eda338b6.webp)

![Também sem queixas na bateria: o tempo restante mede-se em... dias!](https://willem.com/global/images/723ef9a7585f.webp)

Ao contrário do hardware comum, é o software que distingue o Volla da maioria dos outros smartphones. A sua versão de Android chama-se "VollaOS" e dá grande ênfase à privacidade e à liberdade. O sistema operativo vem sem apps da Google pré-instaladas, deixando-te a ti o controlo sobre o que instalas no telefone. Valorizo muito isto e aplaudo a Volla por nos dar esta alternativa ao Android convencional.

![As funcionalidades da Volla orientadas para a privacidade e a liberdade](https://willem.com/global/images/f133f8ce544b.webp)

Com o ecrã inicial "Springboard" e "Type anything" da Volla, o telefone tenta oferecer-te uma experiência diferente. Aprecio o conceito, mas falta-lhe o refinamento (localizado) e o polimento dos concorrentes convencionais. Podes perguntar-te se uma empresa pequena como a Volla deve ter ambições tão grandes como redesenhar a experiência do ecrã inicial. Mas, pensando bem, porque não?

![O Volla OS tem um Springboard e uma forma centralizada de aceder aos teus contactos: uma ideia interessante, mas sem refinamento (os erros de digitação nesta captura de ecrã do site oficial da Volla são ilustrativos)](https://willem.com/global/images/5649367904ce.webp)

Em vez de te queixares, a liberdade que a Volla oferece permite-te tomar as rédeas e refinar a experiência. Podes mudar praticamente tudo no telefone. A maioria dos smartphones convencionais não o permite.

![O meu Volla corre um launcher alternativo e minimalista, apropriadamente chamado "unlauncher"](https://willem.com/global/images/b4ab0945c94c.webp)

Há muitas boas alternativas disponíveis para o ecrã inicial do Android. Adoro o minimalismo (https://willem.com/en/digital-minimalism-doing-more-with-less-technology/) e por isso achei o unlauncher (https://github.com/jkuester/unlauncher) uma alternativa fantástica à experiência original da Volla. A liberdade que a Volla oferece torna difícil voltar a um smartphone convencional.

![O "unlauncher" em ação no meu Volla: uma alternativa minimalista à experiência original da Volla](https://willem.com/global/images/b9ab4cee6430.webp)

Tens liberdade para escolher como instalar apps no Volla. Podes usar "lojas de apps" alternativas como o_catálogo_de_apps_F-Droid(https://f-droid.org/en/) ou a Aurora_Store (https://auroraoss.com). Também podes instalar apps por sideload. Com toda esta liberdade vem a responsabilidade de garantir que o que instalas é seguro e genuíno. Não subestimes os perigos que uma app mal-intencionada representa para algo tão pessoal como o teu smartphone.

![A navegar na web com o Fennec, um navegador baseado no Firefox disponível na loja de apps F-Droid: funciona bem!](https://willem.com/global/images/bd16ca027bfc.webp)

![A sincronizar as minhas fotografias com o meu NAS através do Syncopoly, um cliente rsync para Android](https://willem.com/global/images/ed53da2901c6.webp)

Muitas apps Android modernas dependem dos Google Play Services, proprietários, que alguns descrevem como um maléfico spyware integrado. Coisas como notificações push e compras na app exigem muitas vezes os Google Play Services. A maioria das apps recusa-se a funcionar sem eles instalados, o que limita seriamente o potencial do teu smartphone "sem Google".

![microG no meu Volla](https://willem.com/global/images/5e9fd40f0258.webp)

O projeto_"microG" (https://microg.org) pretende preencher as lacunas com a sua reimplementação das apps e bibliotecas proprietárias da Google. Com o microG instalado no teu Volla, a maioria das apps volta simplesmente a funcionar. Embora muito prático, o microG continua a depender de vários serviços na nuvem da Google para funcionar. Ou seja, no fim continuas a usar Google no teu smartphone "sem Google"...

## Conclusão

Só se pode respeitar e aplaudir o esforço por trás da tentativa da Volla de oferecer uma alternativa ao Android e ao iOS convencionais. Onde falha em refinamento, compensa em liberdade e privacidade. Adoro-o por isso e espero que muitos de vocês também, permitindo à Volla continuar o seu desenvolvimento!

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## Inspiração de uma criança

*Vive o mundo como um miúdo* · 2021-09-30 · https://willem.com/pt/2021-09-30_inspiracao-de-uma-crianca/

Com os meus filhos adoro explorar o mundo que, enquanto adultos, achamos conhecer. A perspetiva de uma criança inspira e surpreende! Não é preciso viajar meio mundo para ter uma aventura: pilotar aviões, apanhar vilões, resolver problemas, construir e destruir coisas. (Re)descobre a aventura mesmo à porta de casa!

![Este avião voa para todo o lado, mas nunca sai do chão (no Aeroporto de Schiphol, Amesterdão)](https://willem.com/global/images/801a19469386.webp)

![Jovens pilotos aos comandos levam-te a lugares com que só se sonha!](https://willem.com/global/images/64f26550b16d.webp)

Um dos professores mais influentes da universidade durante o meu mestrado desafiava sempre os alunos na sala: "MAS-, É DIVERTIDO?!" Com toda a sua sabedoria, via a necessidade de lembrar as mentes jovens e brilhantes da importância da diversão. Quando foi a última vez que te divertiste *a sério*? Não, não apenas "agradável" ou "giro", mas diversão genuína e sem travões? Impressiona-me que as rotinas diárias do trabalho e das responsabilidades tendam a causar monotonia, tirando a diversão. Felizmente, a parentalidade oferece uma verdadeira fuga: agarra a oportunidade de te divertires e de viveres aventuras!

![Anda fora de estrada em vez de seguires o caminho batido: a lama no parque local acrescenta aventura!](https://willem.com/global/images/57a7c68d93a3.webp)

![Ficar preso na lama é uma oportunidade para um esforço de equipa para libertar o jipe/nave espacial/foguetão: só os adultos veem uma bicicleta de carga, ah!](https://willem.com/global/images/fc5be1ba1165.webp)

![Olha um pouco mais: vês o fundo deste poderoso rio? Vês as bolhas... fazendo-te pensar no que se esconde debaixo de água?](https://willem.com/global/images/820fb2bd6eff.webp)

![Surpreende-te com a resposta de uma criança a perguntas como: "Como resolvemos este desafio, amigo?" em vez de apresentares uma solução "sábia" de adulto.](https://willem.com/global/images/0e7d0a5363f8.webp)

![Pontos extra por parecer um durão no parque de estacionamento do infantário local!](https://willem.com/global/images/407a6ded9a21.webp)

Visita uma cidade, um jardim zoológico ou um parque aqui perto e considera a viagem parte integrante da experiência. O teu trajeto nunca mais será o mesmo depois de veres o efeito desarmante que uma criança pequena tem nas pessoas. Fala com desconhecidos, faz perguntas sinceras, olha para todas as maravilhas da loucura metropolitana. Aprende a ignorar a tendência para ficar calado: uma só pergunta pode desencadear interações loucamente interessantes com pessoas do dia a dia!

![Pai, gorila e criança: quem está a ver quem? Aprende sobre a natureza vendo, ouvindo e cheirando os animais: um jardim zoológico oferece muito mais do que mero entretenimento, com a narrativa certa.](https://willem.com/global/images/96cee535f612.webp)

![Compara o jardim zoológico com a "vida selvagem" que encontras no metro da cidade. Encontra respostas para perguntas como "Porque usas óculos de sol (no escuro)?", "Para onde vais?", "O que levas na mala?"](https://willem.com/global/images/5d0c3bf637a0.webp)

Limpa qualquer ênfase na conquista e na acumulação destruindo uma estrutura de blocos acabada de construir: vais ver como isso pode ser libertador e divertido. Brinca com Lego e confronta-te com os pressupostos implícitos da nossa sociedade: quem consideramos um vilão pode ser apenas um tipo simpático a comer um gelado.

![Embora os pais costumem dar ênfase a construir coisas, destruir estruturas pode ser uma grande diversão! As criações e conquistas passadas não te devem prender: destrói-as e continua a brincar!](https://willem.com/global/images/ab2bd8cecdee.webp)

![Descobre o mundo Lego em conjunto e aprende sobre os nossos pressupostos implícitos: sobre o bem, o mal, o errado e o certo.](https://willem.com/global/images/07a4ebcc5d93.webp)

![Vês um vilão com um diamante ou um tipo simpático de camisola às riscas a comer um gelado azul?](https://willem.com/global/images/e64f4b243674.webp)

Quando foi a última vez que resolveste um puzzle? Apresentas aos outros uma solução pronta ou consegues ensinar alguém a resolver as coisas por si? Muitas vezes escolhemos o caminho mais rápido e apresentamos o puzzle já feito, mas resolver as coisas em conjunto cria um sentimento partilhado de vitória!

![Partilha o sentimento de vitória quando resolvem um puzzle juntos!](https://willem.com/global/images/2840bb7c0d23.webp)

As interfaces de utilizador modernas do software são muito parecidas com puzzles, sobretudo quando ainda não aprendeste a ler. Parece difícil exagerar a utilidade de pôr uma criança a olhar para a tua app ou o teu jogo. As boas apps dão pistas com animação, cor e som para guiar o jogador. Interagir com software só com os dedos parece tão natural quando vês uma criança pequena a fazê-lo. Quem precisa de rato ou teclado, afinal?

![Ver crianças a descobrir a tua app ou o teu jogo ensina-te muito sobre o quão intuitivo é. Exige que se leia? Exige um rato?](https://willem.com/global/images/eb6adf9aaa6e.webp)

Vamos ao físico! Explora o mundo real em conjunto, a trepar, a correr e a deslizar! Serás perdoado se saltares a ida habitual ao ginásio depois de brincares lá fora com os teus filhos durante algum tempo. Até o teu bairro normal oferece muito para descobrir!

![Porque não pegar no John Deere para explorar o mundo?](https://willem.com/global/images/a376552fba67.webp)

![Desce o declive depois de trepares uma "montanha"!](https://willem.com/global/images/bb30be2de5f2.webp)

![Só os homens corajosos fazem o percurso pelas copas das árvores... "O pai vai atrás?" SIM, podes apostar!](https://willem.com/global/images/565cf65f75d3.webp)

![Marcas misteriosas no declive: o que significam?](https://willem.com/global/images/a0538d4c9903.webp)

![Combinar água e areia é uma forma fascinante de aprender sobre o poder do mar](https://willem.com/global/images/d415022db9dc.webp)

![A reação do meu filho quando lhe expliquei que, se cavares fundo o suficiente, chegas ao outro lado do mundo, onde as pessoas, em relação a nós, andam de pernas para o ar](https://willem.com/global/images/5b38500388c5.webp)

Não ignores a piscina local nem o parque de diversões coberto! Túneis, plataformas, rampas e declives vão desafiar-te de muitas maneiras! Vais sentir simpatia pelo Mario depois de passares tu próprio por túneis apertados. Aprende a construir a confiança necessária para subir os declives mais altos e deslizar juntos.

![O teu filho confia o suficiente em ti para saber que o vais apanhar?](https://willem.com/global/images/e09323f13a60.webp)

![Passar por túneis apertados faz-te sentir como o Mario!](https://willem.com/global/images/0c0166224f87.webp)

![Quando foi a última vez que ficaste preso numa caixa de plástico vermelha?](https://willem.com/global/images/dafc7c7e1261.webp)

![A descer juntos!](https://willem.com/global/images/a1ac1d981a75.webp)

![No fim do dia vais sentir-te exausto para lá de qualquer medida, mas de uma forma muito gratificante!](https://willem.com/global/images/b47fd5e7e4e4.webp)

## Conclusão

Dado o pouco tempo que temos, é preciso pensar bem em como o gastar. Não precisas de te pôr filosófico para colher as recompensas de passar tempo com os teus filhos. São uma grande fonte de inspiração. Aprende sobre ti quando aprendes sobre o mundo com eles. Acima de tudo, são uma forma maravilhosa de viver DIVERSÃO! À espera de quê?

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## Proteger o VMware ESXi

*Melhora a segurança com uma firewall e um servidor proxy* · 2021-08-31 · https://willem.com/pt/2021-08-31_proteger-o-vmware-esxi/

Em resposta a um incidente num servidor, detetei uma possível falha de segurança. A máquina afetada corria VMware ESXi, um hipervisor bare metal usado para executar servidores privados virtuais. No modo autónomo, uma consola de gestão baseada na web dá controlo total sobre a infraestrutura, o que representa um risco.

O hardware de servidor grande e potente oferece uma enorme capacidade de computação, muitas vezes muito mais do que uma única aplicação precisa. Através da virtualização, os operadores de nuvem podem otimizar o uso do hardware carregando dinamicamente várias máquinas virtuais numa só máquina física.

![O VMware ESXi é um hipervisor bare metal que divide um servidor físico em vários servidores virtuais](https://willem.com/global/images/15606d128603.webp)

As máquinas físicas com VMware ESXi são geridas como uma rede vSphere centralizada ou como máquina autónoma. Os administradores criam, gerem e configuram máquinas virtuais através de uma poderosa interface web. Sem uma rede vSphere centralizada, os administradores precisam desta interface web, mas expô-la na internet pública atrai atenção indesejada de hackers.

![Interface web do VMware ESXi: convida-te a ti e a outros a gerir esta máquina física](https://willem.com/global/images/dae8ec43ceca.webp)

Pessoas mal-intencionadas procuram ativamente consolas de gestão expostas, na esperança de encontrar uma com palavra-passe fraca ou com falhas_de_segurança (https://www.cvedetails.com/vulnerability-list.php?vendor_id=252&product_id=22134) conhecidas. Liberta o explorador curioso que há em ti e usa simplesmente a Google para encontrar_um_monte_de_máquinas_expostas_com_uma_pesquisa_especial (https://www.google.com/search?q=%22To+streamline+your+IT+operations+with+vSphere%22&filter=0). Vê o meu artigo do blogue sobre pesquisas_especiais_na_Google (https://willem.com/en/2019-04-25_search-like-a-pro-google-search-operators/) se precisares de afinar as tuas capacidades de pesquisa.

![Encontrar interfaces web do VMware ESXi expostas não exige mais do que algumas competências de pesquisa na Google](https://willem.com/global/images/936addf5c1b8.webp)

Se deixares a consola de gestão exposta, qualquer pessoa pode tentar iniciar sessão. Os hackers e os seus bots automáticos vão certamente fazê-lo! O acesso remoto das contas de utilizador locais do ESXi fica temporariamente bloqueado após várias tentativas falhadas de início de sessão, para toda a gente! Isto pode ser frustrante sempre que tu, como administrador legítimo, precisas de aceder à consola.

Seguindo as minhas dicas_fáceis_de_cibersegurança (https://willem.com/en/2018-03-10_cyber-security-5-easy-tips-to-protect-your-server-against-hackers/), a segurança do VMware ESXi pode ser melhorada escondendo por completo a consola de gestão. Podes ficar tentado a usar uma firewall simples que "cobre tudo", mas pensa na necessidade da consola administrativa: dá acesso vital às máquinas virtuais em execução. Queres mesmo que os teus administradores consigam aceder à interface 24 horas por dia, a partir de qualquer lado, em caso de emergência.

Por isso, em vez de desligar ou esconder completamente a interface de gestão, procurei uma forma de permitir o acesso seletivamente, mantendo um perfil discreto online. Como quero que os administradores legítimos acedam à interface de qualquer parte do mundo, não pude usar um simples filtro de endereços IP. Com uma máquina Debian GNU/Linux com nginx como servidor proxy, consigo pré-autenticar o tráfego para a consola de gestão.

![Pré-autenticar o tráfego para a consola administrativa através de um pequeno e simples servidor Debian GNU/Linux com proxy nginx](https://willem.com/global/images/48c92af16a45.webp)

Nesta configuração, a máquina Debian corre numa rede separada, em hardware diferente, com um endereço IP fixo. O servidor VMware só aceita tráfego deste servidor proxy, através da sua firewall. O servidor proxy filtra o tráfego com autenticação HTTP sobre SSL/TLS. Qualquer pessoa pode ligar-se ao servidor proxy, mas só quem tem credenciais válidas chega à consola administrativa do VMware. Para quem o analisa, o servidor proxy parece um servidor web padrão, minúsculo: uma assinatura online discreta.

Acrescenta à mistura outro servidor proxy de outra rede, em hardware diferente, para evitar um ponto único de falha. O nginx pode reencaminhar o tráfego autenticado para diferentes consolas administrativas com base em nomes de anfitrião diferentes, permitindo-te reaproveitar um único proxy para proteger várias máquinas VMware. Os servidores proxy podem ser configurados para usar a autenticação HTTP Basic com ferramentas padrão e simples. Consulta a documentação_do_nginx_para_dicas_sobre_isto (https://docs.nginx.com/nginx/admin-guide/security-controls/configuring-http-basic-authentication/).

![Dois servidores proxy a dar acesso seguro a vários anfitriões VMware](https://willem.com/global/images/bb1ad8e30b8e.webp)

![Configuração do nginx para autenticar e reencaminhar o tráfego para uma consola administrativa VMware](https://willem.com/global/images/b43f9ed92c73.webp)

## Conclusão

Usando o nginx como proxy para a consola administrativa, podes acrescentar uma camada de autenticação *e* criar uma assinatura discreta para quem analise a tua rede. Isto melhora a segurança das tuas máquinas VMware, tornando-as mais difíceis de encontrar e de aceder. Os administradores legítimos continuam a poder aceder à consola administrativa a partir de qualquer computador, sem necessidade de VPN nem de um endereço IP pré-autenticado. Maus atores, hackers e bots vão ter dificuldade em encontrar-te. Estás escondido à vista de todos!

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## O nascimento de uma criança

*O impacto no pai e na sua biometria* · 2021-07-13 · https://willem.com/pt/2021-07-13_o-nascimento-de-uma-crianca/

Hoje assisti ao nascimento da minha filha! Sentes-te humilde como homem, ao testemunhar o trabalho de parto e a magia. Não sei se consigo imaginar algo com mais impacto num homem do que isto. Por ciência e por curiosidade, usei um sensor biométrico, e isto foi o que registou.

![Uma das vantagens de uma cesariana programada é que sabes quando a ação vai começar, o que te dá tempo de sobra para conduzir até ao hospital](https://willem.com/global/images/8facdb7ed07c.webp)

![Eu próprio, vestido a rigor e pronto: é um privilégio incrível poder assistir à cirurgia como homem. Um enorme obrigado ao pessoal do hospital!!](https://willem.com/global/images/8b1904d8ca12.webp)

![Menos de uma hora depois és pai: UAU, olá!](https://willem.com/global/images/2b24699a9b03.webp)

![Felizmente a experiência do nosso primeiro filho foi útil! Como andar de bicicleta, nunca te esqueces de mudar fraldas!](https://willem.com/global/images/400cf13561c9.webp)

![Horas mais tarde, quando a adrenalina baixa, começas a sentir o impacto (e tens muitas manchas na camisa para o provar, ah!)](https://willem.com/global/images/cb860628a6f7.webp)

## Dados

Por curiosidade pessoal, para aprender sobre o meu corpo, uso um sensor_WHOOP (https://willem.com/en/2019-12-31_whoop-strap-review-24-7-wearable-sensor/). Regista continuamente:

- a minha frequência cardíaca (batimentos por minuto)

- a minha variabilidade da frequência cardíaca (HRV, ms)

- a frequência respiratória (respirações por minuto)

- uma pontuação de recuperação, relativa e personalizada (quão descansado está o *meu* corpo hoje?)

O que o WHOOP tem de bonito é que te permite comparar os dados de um dia com os teus valores normais, recolhidos e analisados durante um período mais longo. Isto permite ao WHOOP identificar muito claramente os desvios do normal. E, caramba, tornar-me pai é sem dúvida um desvio: o impacto vê-se claramente nos dados!

![Dados da frequência cardíaca durante o dia: a minha média sobe ao longo do dia à medida que fico cada vez mais exausto, e vê-se claramente um pico na altura em que vi a minha filha pela primeira vez: incrível](https://willem.com/global/images/f3bf1ddb2bd6.webp)

Não te recuperas de um nascimento de um dia para o outro (isso leva pelo menos 18 anos, já me disseram...) e a biometria mostra-o. Os dados dos dias seguintes ao nascimento mostram claramente que o meu corpo precisa de tempo para se adaptar à nova realidade.

![A minha filha nasceu na terça-feira, 13 de julho: os dados mostram claramente o impacto no meu corpo e a sua adaptação gradual a esta nova paternidade](https://willem.com/global/images/12aa501a4a23.webp)

Uma semana depois de a minha filha nascer, as coisas correram mal para mim: simplesmente fiquei sem energia e adoeci. Na terça-feira, 20 de julho, vê-se isso nos dados da frequência respiratória. Sempre que o corpo combate uma doença ou infeção, a frequência respiratória tende a subir.

![Dados da frequência respiratória a mostrar-me a adoecer, cerca de uma semana após o nascimento da minha filha, a 20 de julho.](https://willem.com/global/images/fb653aa5a91d.webp)

Sabe-se que as frequências respiratórias registadas pelo WHOOP são muito estáveis ao longo do tempo. Isso torna-as um indicador claro sempre que algo foge ao normal. Vê-se claramente o pico no gráfico. Nessa altura tinha febre e tive de tomar precauções por causa de uma possível infeção por COVID (que acabou por não se confirmar).

![Hora da febre: 38 graus Celsius está muito acima do meu normal](https://willem.com/global/images/a4ec776cfcde.webp)

Felizmente recuperei depressa e pude regressar à família de boa saúde. Garanto-te que ser pai de dois filhos exige toda a energia que consigas encontrar!

![De regresso a casa, recuperado e bem, hora de festejar: "Hoera een meisje"](https://willem.com/global/images/508b470d9471.webp)

![Um pai feliz, dois filhos incríveis: multijogador!](https://willem.com/global/images/12a53180edb3.webp)

## Conclusão

Não é todos os dias que te tornas pai, e, caramba, o impacto é tremendo. Embora o trabalho da mulher seja, com razão, respeitado e aclamado como incrível, o nascimento de uma criança tem também impacto físico num homem. Cuida de ti para poderes dar o teu melhor, porque a parentalidade é toda ela jogo de equipa!

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## Migrar para a nuvem

*Esvaziar uma sala de servidores local* · 2021-06-30 · https://willem.com/pt/2021-06-30_migrar-para-a-nuvem/

Para uma organização neerlandesa que serve clientes em toda a Europa, pediram-me ajuda para desmantelar uma sala de servidores em funcionamento. Em vez de simplesmente puxar as fichas, alguns dos serviços tinham de ser migrados para a nuvem. Por diversão e inspiração, partilho três estratégias diferentes para o fazer.

## Sala de servidores local

Como muitas empresas, esta firma neerlandesa tinha uma sala de servidores dedicada no edifício dos escritórios. Ao longo dos anos, o hardware foi-se acumulando lá dentro. Sempre que me pedem ajuda em trabalhos como este, surpreende-me como estas coisas parecem crescer (quase) de forma orgânica. Muitos fios, entrelaçados como as raízes das árvores numa floresta.

![Situação típica de uma sala de servidores local: muitos fios entrelaçados](https://willem.com/global/images/d18a67696a49.webp)

Como para encontrar o caminho numa selva, primeiro tens de perceber o que estás a ver. Determina que máquinas estão realmente em uso, quais são as tarefas dessas máquinas e quem as usa. Só uma compreensão profunda pode dar a base necessária para qualquer migração ponderada.

![Determinar "o que é o quê?" implica abrir portas, seguir cabos, verificar luzes e listar nomes de máquinas](https://willem.com/global/images/5da90ab917b9.webp)

## Estratégias

Depois de teres uma compreensão clara da configuração atual, podes definir os passos seguintes. Para esta organização em particular, o desejo era esvaziar completamente a sala de servidores local. Para cada máquina havia basicamente três opções:

- **desligar: ** tão simples como puxar as fichas, mas não te esqueças de apagar de forma segura qualquer suporte de dados, como discos e memória

- **mudar para um centro de dados: ** algumas máquinas podem ser difíceis de migrar para a nuvem por exigências de capacidade de hardware ou restrições de software; mudar simplesmente a caixa existente para um centro de dados profissional pode então ser uma boa ideia

- **migrar o software para a nuvem: ** pode ser um pouco mais complicado, porque implica separar hardware e software, mas no fim liberta-te de todos os problemas associados à posse de hardware

## Implementação

Para este cliente conseguimos simplesmente desligar a maioria das máquinas. As restantes foram analisadas com cuidado e, sempre que possível, fez-se uma migração para a nuvem. Pensa em coisas como mudar o e-mail do servidor Exchange para o Microsoft 365. Resolve cada serviço, um a um, e vais ficar surpreendido com a quantidade de ofertas na nuvem. Para quase tudo encontras uma solução adequada na nuvem.

Depois de migrares a fruta mais ao alcance, ficas com as máquinas e serviços mais desafiantes. Uma máquina envolvia uma grande base de dados com milhões de registos, a correr uma versão específica de Red Hat Enterprise Linux e Oracle. Virtualizar este servidor "monstro" seria muito caro, com exigências muito sérias de memória, armazenamento e processamento. Por isso decidimos mudá-lo para um centro de dados profissional, onde pode continuar a funcionar tal como está.

![Nunca subestimes a largura de banda de um Dacia Duster: a levar milhões de registos de uma base de dados para o centro de dados](https://willem.com/global/images/ecba482dcfde.webp)

Podes pensar nisto como "fazer batota até à nuvem", mas não te enganes: um centro de dados profissional é *muito* melhor do que a maioria das salas de servidores locais, porque oferece segurança, conetividade redundante e controlo de clima estável. Só tens de ter a certeza absoluta de que fizeste uma cópia de segurança antes de carregares a máquina para qualquer carro: um acidente de carro podia ter efeitos devastadores na carga!!

Outras duas máquinas específicas iam ser virtualizadas para a nuvem. Corriam em Microsoft Hyper-V, alojado num dos servidores locais que também corria outros serviços de domínio Windows. O truque foi separar as máquinas do domínio Windows (legado) para as poder executar de forma independente. Uma única máquina virtual é muito mais fácil de alojar num fornecedor de infraestrutura comercial.

![Migrar um VPS Microsoft Hyper-V para VMware ESXi com o VMware vCenter Converter](https://willem.com/global/images/de0136a34d63.webp)

Precisas de alguma largura de banda, tempo e preparação, mas é uma operação relativamente segura de executar. Durante a conversão os dados são apenas copiados, ficando-se depois com duas máquinas virtuais. Depois de o VPS ser migrado, deves testar bem a nova cópia antes de apagar as antigas.

![A supervisionar a migração do VPS durante a noite, bem depois do horário normal de trabalho, para reduzir o tempo de inatividade](https://willem.com/global/images/475e0d38c841.webp)

Quando tudo se junta, podes almoçar à vontade ao sol, ligando-te às máquinas migradas pela magia da nuvem.

![A ligar-me aos servidores migrados pela nuvem, e a ter um bom almoço também!](https://willem.com/global/images/97c2bf574aee.webp)

## Conclusão

À primeira vista, a selva de uma sala de dados pode assustar-te e a tarefa de a migrar para a nuvem parecer inultrapassável. Dá pequenos passos para criar blocos mais pequenos a migrar, e depois determina o que fazer com cada serviço em separado. Assim, toda a gente pode encontrar o seu caminho para a nuvem!

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## A usar um Grand Seiko

*Sobre artesanato, inovação e sentido prático* · 2021-06-05 · https://willem.com/pt/2021-06-05_a-usar-um-grand-seiko/

Via-se a tristeza nos meus olhos quando o meu relógio feito por medida ficou danificado no início deste mês. Enquanto aguardava a reparação, tive a sorte de usar um Grand Seiko. A sua mistura única de artesanato, inovação e sentido prático merece ser partilhada contigo.

Como amigo do meu blogue, talvez saibas que tenho uma paixão por relógios (https://willem.com/en/watches-and-time-a-decade-of-horology-technology-and-craft/). Estas máquinas em miniatura continuam a fascinar-me. Quando o meu relógio_feito_por_medida (https://willem.com/en/2020-11-30_designing-my-own-watch/) precisou de uma revisão não planeada..., aproveitei a oportunidade para encontrar outra coisa digna de usar no pulso.

![Grand Seiko SBGA285 Spring Drive](https://willem.com/global/images/fc4aee4696a2.webp)

A boutique Seiko local, em Amesterdão, dá-te acesso ao fino artesanato japonês da Grand Seiko. No meio de lojas convencionais medíocres, serás perdoado se passares sem reparar nela. As prateleiras da boutique dão-te um vislumbre do que quase parece uma realidade alternativa, com uma atenção meticulosa ao detalhe. As fotografias fazem pouca justiça a esta obra de arte fina: os relógios têm de ser vistos em metal para se apreciar a sua qualidade.

![A profundidade do mostrador e dos seus índices é difícil de captar numa fotografia](https://willem.com/global/images/3ffea520a99a.webp)

![O polimento Zaratsu reflete a luz como fogo de artifício, rodeando o mostrador preto mate que mantém um estado de calma elegante](https://willem.com/global/images/fb78dbbf54f1.webp)

![Ponteiros afiados e biselados indicam as horas com o gume de uma espada de samurai](https://willem.com/global/images/47c31b212a47.webp)

![Mas mistura-se como um verdadeiro camaleão, baixando o fogo de artifício e os samurais: ideal quando tentas ler um livro](https://willem.com/global/images/8ec31c33a981.webp)

Dentro do relógio esconde-se uma inovação da Seiko chamada "Spring Drive". Ao contrário dos relógios mecânicos convencionais, um eletroíman regula sem atrito a velocidade do tempo. Em vez de "tiquetaquear", faz os ponteiros deslizar suavemente. Funciona em silêncio, com uma precisão incrível. Ao contrário dos relógios baratos alimentados por pilhas descartáveis, o Spring Drive gera a sua própria energia. Um rotor oscilante capta a energia cinética do teu pulso e dá corda a uma mola, como num relógio mecânico tradicional.

Embora possas não ligar aos detalhes nerds do movimento do teu relógio, o Spring Drive transmite por excelência o tempo na sua verdadeira natureza. Ver o passar do tempo como um fluxo contínuo é um lembrete de quão pouca influência temos no seu ritmo.

O relógio não tem problemas em enfrentar os desafios diários da minha vida de pai, de programador e de homem da casa a fazer a jardinagem obrigatória... A água não assusta a caixa de aço inoxidável do relógio, nem o pó, nem as criaturas amarelas do canto das crianças. Este companheiro de pulso acompanha-te feliz nas tuas aventuras.

![Praias de areia e regadores de plástico não são problema para a caixa de aço inoxidável](https://willem.com/global/images/1f3de4c71300.webp)

![As criaturas amarelas do canto das crianças também não assustam o relógio](https://willem.com/global/images/b9b37a6d7143.webp)

![Funciona bem sempre que estás a fazer jardinagem](https://willem.com/global/images/c005e6a71137.webp)

![Funciona quando trabalhas, também.](https://willem.com/global/images/7c4b743c0fbe.webp)

![E acompanha-te feliz, para onde quer que os teus deveres de pai / pessoa / homem / herói te levem...](https://willem.com/global/images/e84700609bfc.webp)

## Conclusão

Se procuras um relógio para todos os dias que tenha um desempenho excelente e uma atenção rara ao detalhe, não procures mais! Usar o meu Grand Seiko lembrou-me da alegria que um relógio de pulso pessoal pode dar quando abdicas do simbolismo de estatuto associado às marcas suíças populares. Este é um relógio que usas para *ti*, muito digno do nome "Grand"!

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## A usar o tablet de papel reMarkable

*Ler, escrever, pensar e repetir* · 2021-05-31 · https://willem.com/pt/2021-05-31_a-usar-o-tablet-de-papel-remarkable/

Este mês recebi o meu tablet de papel reMarkable e desde então tenho-o usado muito: a ler, a escrever e a pensar. O ecrã que parece papel faz-te esquecer as entranhas digitais. Continua a ler para saberes o que penso.

![O truque de salão do reMarkable: papel melhor, pensamento melhor](https://willem.com/global/images/ebb3c5ee0176.webp)

Quando abres a caixa do reMarkable, és recebido com o slogan "Better paper, Better thinking". Como é que se pode melhorar o papel?

![O ecrã do reMarkable: muito parecido com uma folha de papel na cor e na textura](https://willem.com/global/images/2ae339e0eda0.webp)

Difícil de captar numa fotografia, mas a recriação fiel do papel no ecrã do reMarkable parece muito real aos olhos e aos dedos. O corpo fino e leve combina na perfeição com o ecrã único para o seu objetivo: criar "papel melhor".

![Fino e leve](https://willem.com/global/images/f568feb3a4d1.webp)

![Como ler um livro impresso a sério](https://willem.com/global/images/68b542e7ebdb.webp)

![Sem tralha, só conteúdo.](https://willem.com/global/images/bce720541916.webp)

No início pensei no reMarkable como um tablet sofisticado de leitura (e escrita). Mas passado pouco tempo aconteceu algo estranho. Deixei de pensar na "coisa" como um tablet eletrónico. A tecnologia desapareceu para segundo plano. A "coisa" tornou-se *apenas* o meu livro ou *apenas* a minha escrita.

![A trabalhar com o reMarkable, em conjunto com o iPad](https://willem.com/global/images/68a4b1ba6907.webp)

Em muitas ocasiões, esta característica de "não ser um dispositivo" eliminou qualquer estranheza que se possa imaginar ao combiná-lo com outros dispositivos. O minimalista em mim não teve qualquer problema em combinar o reMarkable com o meu outro tablet favorito: o iPad.

![A trabalhar numa ideia: esboçar no reMarkable](https://willem.com/global/images/dab6444cbf81.webp)

Esboçar ideias ajuda-me a iterar os meus pensamentos. Delinear uma ideia, pensar nela e preencher os detalhes em falta. O reMarkable cumpre a promessa de "papel melhor" ao permitir copiar, arquivar e partilhar digitalmente o teu trabalho.

![Cópia digital (PDF) da ideia que esbocei](https://willem.com/global/images/2b1033f33a6c.webp)

![Anotar documentos digitais diretamente, sem precisar de imprimir e digitalizar](https://willem.com/global/images/b06ba88acfc9.webp)

## Conclusão

Se procuras "papel melhor", o reMarkable é uma opção forte. O tablet faz (quase) tudo bem para sair do teu caminho. O foco numa *única tarefa* distingue-o de praticamente todos os outros tablets que tentam fazer *tudo*. Esta ênfase singular pode não agradar a toda a gente, mas para quem valoriza este foco pode ser bastante "remarkable" (trocadilho intencional!).

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## Hospitalizado com MCADD

*Evitar uma crise metabólica com uma perfusão* · 2021-05-04 · https://willem.com/pt/2021-05-04_hospitalizado-com-mcadd/

Esta semana vivemos a primeira vez que o nosso filho foi hospitalizado desde que foi diagnosticado com MCADD, uma doença metabólica que limita a capacidade do corpo de usar gorduras como energia. Tu ou o teu filho têm MCADD? Então continua a ler e não te preocupes, porque vai correr tudo bem!

## Explicar o MCADD

Como uma máquina maravilhosa, o teu corpo consegue usar muitos recursos diferentes para se alimentar de energia. Podes praticamente comer qualquer coisa e, pela magia do sistema metabólico, a comida é convertida em energia.

Quando ficas sem comida, o sistema metabólico acaba por passar a queimar gorduras do corpo. A chamada enzima MCAD prepara os ácidos gordos para a conversão em energia. Os doentes diagnosticados com deficiência de MCAD, ou MCADD, têm dificuldade em produzir (suficientes) enzimas MCAD para isto funcionar.

Sem enzimas MCAD suficientes, o corpo entra em crise metabólica depois de esgotar as reservas de glicose (https://en.wikipedia.org/wiki/Glucose) e glicogénio (https://en.wikipedia.org/wiki/Glycogen). Os ácidos gordos não processados podem tornar-se tóxicos se o corpo não os conseguir eliminar. Ficar sem energia e níveis tóxicos no sangue acabam por te matar.

### O perigo do MCADD

Em circunstâncias normais o MCADD é relativamente fácil de gerir: basta garantires que comes ou bebes (alguma coisa) com regularidade. Não tem de ser muito, desde que impeça o corpo de ficar sem energia. O MCADD torna-se um problema quando a ingestão de alimentos é interrompida, como numa doença banal que te faça vomitar. Um estômago vazio combinado com febre é especialmente perigoso, porque o corpo vai então precisar de ainda mais energia.

## Vómito

Do nada, o nosso filho começou a vomitar! Aparentemente não se sentia bem e deitou tudo cá para fora. Isto causou-nos preocupação imediata, porque o nosso filho tem o diagnóstico de MCADD. Conhecemos bem os procedimentos e tentámos dar-lhe alguma comida e bebidas açucaradas depois de limparmos a confusão.

![Os pacotes de fruta Ella's Kitchen são uma forma perfeita de oferecer algo açucarado: temos sempre alguns em stock para emergências de MCADD](https://willem.com/global/images/ac475e788401.webp)

Infelizmente os pacotes de fruta não funcionaram, porque saíram quase logo outra vez! Seguindo os procedimentos habituais, contactei o nosso médico no hospital. Por causa do diagnóstico de MCADD, o hospital conhece o nosso filho e a sua condição. Isto poupa-me a explicação em caso de emergência. Quando liguei ao nosso médico, combinámos tentar dar-lhe um líquido especial, pensado para fornecer açúcar e reduzir a probabilidade de vómito.

![Poção mágica do hospital universitário local (UMC Amsterdam)](https://willem.com/global/images/e0ad427f25ed.webp)

Viver perto do hospital (±15 minutos de carro) é uma grande comodidade: permitiu-me ir buscar o líquido especialmente preparado e voltar a tempo. Fica descansado, porque os doentes com MCADD não entram logo em crise metabólica: dependendo da idade e da massa corporal, podem passar horas até a situação ficar mesmo grave. Mas, considerando os riscos, também não queres abusar da sorte esticando os limites de tempo.

Pouco depois de lhe darmos o líquido, o nosso filho vomitou-o outra vez! A poção mágica não funcionou e a situação de risco manteve-se. A esta altura o nosso filho começou a parecer um pouco sonolento, motivo para preocupação extra. Contactei novamente o hospital e combinámos fazer as malas e seguir para as urgências!

## Hospitalizado

O hospital já nos esperava e pouco depois da nossa chegada fomos encaminhados para um quarto nas urgências do UMC Amsterdam. Seguindo os procedimentos de emergência do MCADD, o nosso filho foi ligado a um sistema de perfusão. Um simples líquido de glicose é então introduzido diretamente na corrente sanguínea, contornando o estômago e o sistema digestivo, e evitando mais vómitos.

![Leva o teu coelhinho quando fores fazer uma perfusão!](https://willem.com/global/images/37ccecf8cff4.webp)

![Olá das urgências, ligado ao sistema de perfusão](https://willem.com/global/images/c84b4024108f.webp)

Quase instantaneamente o nosso filho reagiu à glicose: como se tivesse pilhas novas, começou a falar e a fazer as suas piadas habituais outra vez! Funcionou e senti-me aliviado, sabendo que a crise metabólica tinha sido evitada!

### Emma kinderziekenhuis Amsterdam

Com o sistema de perfusão a funcionar, o nosso filho estava perfeitamente seguro, mas suspeitava-se que ainda demoraria algum tempo até voltar a comer e beber normalmente. Uma constipação normal ou uma gripe simples podem demorar alguns dias a passar. Durante este tempo o nosso filho ficou no Emma Kinderziekenhuis. É um departamento especial do UMC Amsterdam com quartos espaçosos para acomodar uma criança e um dos pais. As enfermeiras e o restante pessoal são extra simpáticos e atentos com os seus jovens doentes.

![As enfermeiras explicam o que medem, para que as crianças (e os pais) se sintam à vontade no hospital](https://willem.com/global/images/fe21530af2da.webp)

![Os corredores do Kinderziekenhuis estão cheios de coisas interessantes para dar às crianças uma pausa de serem doentes. Eu brinco com todo o gosto!](https://willem.com/global/images/e9d369ff9544.webp)

Após alguns dias a voltar gradualmente à comida e bebidas normais, o sistema de perfusão foi desligado. O nosso filho sentia-se bem outra vez e aprendeu muito sobre como as coisas se fazem num hospital universitário. Antes de sairmos, agradecemos a toda a gente por aquilo que *quase* pareceu umas pequenas férias em família! :-)

## Conclusão

Dizem que há uma primeira vez para tudo. Esta foi a nossa primeira hospitalização de emergência do nosso filho por MCADD. Não houve ansiedade, pânico nem stress: graças ao profissionalismo incrível do pessoal do hospital, tudo pareceu muito natural e tranquilo.

Quase o recomendava a toda a gente, ah! Não, a sério: os cuidados fantásticos que recebemos merecem uma avaliação de 5 estrelas. Nunca vou conseguir sublinhar o suficiente o quanto estou grato. OBRIGADO, Emma Kinderziekenhuis!

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## Escrever sem teclas

*Tap: o teclado e o rato de vestir* · 2021-04-15 · https://willem.com/pt/2021-04-15_escrever-sem-teclas/

Este mês chegou-me às mãos um gadget wearable muito especial para experimentar: o Tap Strap. Usado nos dedos, o Tap Strap reconhece toques e movimentos. Permite-te controlar e escrever no computador sem rato nem teclado!

![O Tap Strap](https://willem.com/global/images/fe578b372a87.webp)

![Como funciona o Tap Strap](https://willem.com/global/images/bbaaa56e40c8.webp)

![Guarda e carrega o Tap Strap na respetiva caixa](https://willem.com/global/images/97eb781104da.webp)

O Tap Strap liga-se a qualquer computador, tablet ou telefone por Bluetooth, como qualquer teclado ou rato. Não são precisos controladores nem software especiais, a não ser aprender a usar o Tap Strap. Usa-se a tira passando os dedos por anéis com sensores. Estes sensores trabalham em conjunto para reconhecer toques e movimentos. Pesa muito pouco e a pele respira bem através do tecido elástico.

![A usar o Tap Strap](https://willem.com/global/images/94df2353866e.webp)

![Material leve e respirável](https://willem.com/global/images/7f34e276fa4b.webp)

Não tive qualquer problema em fazer o Tap Strap funcionar com o meu iPad Pro. Com as apps_especiais_do_Tap_Strap (https://www.tapwithus.com/apps/) podes aprender a usá-lo ou jogar com ele. O dispositivo em si não dá qualquer feedback nem instruções sobre como o usar, por isso a minha curva de aprendizagem foi bastante íngreme: tive de decorar diferentes «ritmos» e «acordes».

![Aprender a fazer Tap exige tempo e prática](https://willem.com/global/images/1468b34b0281.webp)

Tal como aprender a tocar piano ou guitarra, podes tornar-te proficiente. Li histórias de pessoas que ganharam grande velocidade a escrever com o Tap, conseguindo 20 a 30 palavras por minuto. O Tap Strap coloca o potencial nos teus dedos, literalmente.

![No fim, o Tap Strap pode substituir o teu teclado e o teu rato](https://willem.com/global/images/cbeff13a20a6.webp)

Como dactilógrafo, não trocaria o meu teclado por nada: anos de experiência e treino ficariam inúteis. Penso antes no potencial do Tap Strap como algo diferente de um teclado ou de um rato. Usá-lo em realidade aumentada e virtual parece-me o encaixe natural, porque consegue digitalizar os movimentos dos teus dedos, mesmo os mais subtis, como um toque suave.

![Usar o Tap Strap para lá do teclado](https://willem.com/global/images/582b3a20cc74.webp)

## Conclusão

Os teclados convencionais existem há décadas, e a miniaturização moderna da tecnologia permite aumentá-los ou até substituí-los por tecnologia wearable.

O Tap Strap ilustra esta mudança de forma elegante e bonita. Usar este tipo de tecnologia permite-te escrever e controlar muito para além do habitat natural dos teclados e dos ratos. Essa é a *tecla* que fica deste artigo, e o trocadilho é intencional.

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## Fixed Gear Gran Fondo

*176KM de bicicleta com chuva e vento* · 2021-04-10 · https://willem.com/pt/2021-04-10_fixed-gear-gran-fondo/

Hoje levei a minha bicicleta de pinhão fixo a passear: 176KM de Amesterdão até à América (Limburgo, nos Países Baixos). A chuva e o vento aumentaram o desafio, um teste supremo para o homem e para a máquina. Que um pouco da minha diversão te sirva de inspiração!

## Gran Fondo

Os italianos chamam «gran fondo» a um grande passeio de bicicleta (>120KM). É melhor preparares-te, porque estes percursos de longa distância podem ser muito exigentes. Consegues pedalar horas e horas, sozinho? Por terreno desconhecido, a aguentar um tempo sempre a mudar?

Se acompanhas o meu blogue, sabes que gosto de uma boa pedalada de longa distância de vez em quando:

- Sozinho_à_volta_do_Markermeer_211KM (https://willem.com/en/2019-05-29_solo-around-the-markermeer-211km/)

- Fietselfstedentocht_Frísia_235KM (https://willem.com/en/2017-06-30_fietselfstedentocht-2017/)

Desta vez, porém, decidi fazê-lo em modo ainda mais radical... numa bicicleta_de_estrada_de_pinhão_fixo (https://willem.com/en/2020-04-30_minimalistic-road-bike-with-gates-carbon-drive/)! Isso quer dizer que, faça o tempo que fizer, haja o vento ou a dor que houver, só existe uma mudança. Vento forte? Pedala com mais força! A descer? Pedala mais depressa! Dor? Resmunga!! GRRRRRR!

![Schindelhauer Siegfried Road: uma bicicleta de pinhão fixo com transmissão por correia Gates Carbon](https://willem.com/global/images/b1a122c6b1a3.webp)

Para me preparar para o passeio de Amesterdão até à América, fui aumentando gradualmente a distância dos treinos. Sente-se a resistência a melhorar a cada saída, o que dá confiança no sucesso desta empreitada tresloucada. Acredita que consegues e vais conseguir!

![Treino debaixo de granizo gelado... (Haarlemmermeerpolder)](https://willem.com/global/images/a5a1de597c2b.webp)

![... e debaixo de um sol radioso! (Zuiderheide, perto de Laren)](https://willem.com/global/images/32aafd2683bd.webp)

## O percurso

A minha mulher e o meu filho foram de carro da família para a América visitar a nossa família, e eu fui atrás deles de bicicleta! Ao contrário do meu_passeio_à_volta_do_Markermeer (https://willem.com/en/2019-05-29_solo-around-the-markermeer-211km/), em que levei comida de sobra, desta vez decidi confiar na minha capacidade de arranjar mantimentos pelo caminho.

![A preparar a partida: um café e 176 quilómetros pela frente!](https://willem.com/global/images/ff069e5096e3.webp)

![As poderosas «Prinses Irenesluizen» ligam o Amsterdam-Rijnkanaal aos rios do sul dos Países Baixos: Lek, Waal e Maas](https://willem.com/global/images/b6f279556990.webp)

![Croissants deliciosos na padaria local de Kesteren, a Bakkerij de Greef!](https://willem.com/global/images/e3ef8b0fb9bc.webp)

![Ponte sobre o rio Waal perto de Nimega](https://willem.com/global/images/a1946b824f3a.webp)

![O horizonte de Nimega](https://willem.com/global/images/f31f995492c0.webp)

![A atravessar o último rio de ferry](https://willem.com/global/images/65e6ee9d09a7.webp)

![Não há mau tempo... só mau equipamento!](https://willem.com/global/images/26a05896a4b4.webp)

![Percurso de bicicleta gravado pelo Apple Watch](https://willem.com/global/images/a55652c391d0.webp)

![A minha frequência cardíaca durante o dia inteiro, pelo WHOOP](https://willem.com/global/images/fa4dac00013e.webp)

## Conclusão

Desafia-te e empurra os teus limites! Conhece-te *a ti*, física e mentalmente. Adoro os gran fondos por esta visão sem censura do nosso interior.

Chegar ao fim e sentir-se vitorioso é uma sensação duradoura que alimenta a ambição futura! Pronto para o próximo desafio, seja ele qual for!

![O pai a chegar de bicicleta inspirou a próxima geração!](https://willem.com/global/images/7afc4fb3addb.webp)

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## A arte da visualização

*Fotos de comida de fazer crescer água na boca* · 2021-03-26 · https://willem.com/pt/2021-03-26_a-arte-da-visualizacao/

Aprende-se a trabalhar com especialistas e este mês tive o privilégio de trabalhar com um fotógrafo de comida profissional: o meu irmão. Juntos fotografámos a ementa inteira do Café Carbòn, em Amesterdão, e depois deliciámo-nos com a comida fabulosa. Lê até ao fim para ficares com algumas dicas de fotografia de comida!

## Café Carbòn Amesterdão

O Café_Carbòn (https://www.cafecarbon.nl/) deve o nome ao enorme grelhador a carvão e é conhecido em Amesterdão pelos seus bifes e costelas. Os três restaurantes são favoritos locais, uma fuga bem-vinda aos muitos restaurantes turísticos medíocres.

![Café Carbòn: um favorito local em Amesterdão](https://willem.com/global/images/9ebdcd625f58.webp)

## Fotos de comida

As lojas online de take-away e de entregas ganham muito com boas fotos de comida. Na app_de_pedidos_de_comida (https://lemmid-store.com) que eu_criei (https://willem.com/blog/lemmid-store/), vejo um aumento médio de vendas de 300% nos produtos com fotos! Fazer boas fotos de comida é uma arte em si.

Conhece o especialista: o Kevin_Middelkoop (https://kevinmiddelkoop.nl) não é novidade neste blogue. Deu_uma_mãozinha (https://willem.com/en/2018-02-21_updating-snake-97/) (e o trocadilho é intencional) ao sucesso do Snake_'97 (https://snake97.com) ao criar imagens fiéis de telefones retro. É difícil exagerar a importância do visual nos negócios digitais!

![As suas ferramentas especiais, a sua mestria e a atenção ao detalhe permitem ao meu irmão entregar a sua arte](https://willem.com/global/images/1e6d8835b25e.webp)

## Luz

A luz é para a fotografia o que a tinta é para o pintor: fundamental. O que acontece à volta da foto é tão importante como o próprio motivo. Reflexos e sombras podem fazer ou desfazer uma boa foto (de comida). Usas a luz como ferramenta central da tua criatividade.

![Trabalhar com a luz é um processo criativo: reflexos e sombras dão ênfase a elementos naturais](https://willem.com/global/images/443dfd71dfc5.webp)

![Os brilhos no bife chamam a atenção: um efeito intencional criado pelo fotógrafo de comida](https://willem.com/global/images/f28569609bed.webp)

![Olha para o resultado e repara como a atenção vai para os brilhos suculentos deste bife saboroso, que iluminam a textura: quase sentes o sabor só de olhar!](https://willem.com/global/images/be47002e1b49.webp)

## Composição

Organiza a comida e a loiça de forma intencional: numa grande composição, nada é aleatório. Podes optar por mostrar muitos pratos diferentes ou concentrar-te num produto estrela. Usas a composição para somar e subtrair, mudando aquilo que comunicas através das imagens.

![Organizar os pratos de forma intencional para criar uma composição agradável](https://willem.com/global/images/d845dc5c77a6.webp)

![Ao mostrar muitos pratos diferentes, esta imagem comunica as muitas opções da ementa](https://willem.com/global/images/b50848df7eab.webp)

![Em contraste, esta imagem estrela das Costelas do Café Carbòn põe todo o destaque num só produto](https://willem.com/global/images/7871036d9101.webp)

## Conclusão

A fotografia de comida tem mais do que aquilo que se vê. Com a luz e a composição, o fotógrafo age como um artista. Espreita o site_dele (https://kevinmiddelkoop.nl/2021-03-24_een-kijkje-achter-de-schermen-in-de-keuken-van-de-fotograaf/) para ver a explicação da composição e da luz escolhidas. Ou vê tu mesmo o resultado, porque a loja_do_Café_Carbòn (https://zuid.cafecarbon.nl) já está aberta!

![Eu a ajudar o especialista, a comer as fotos de comida no fim. Que delícia!](https://willem.com/global/images/c8a3fa99ddb6.webp)

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## Três dicas para fazer uma estratégia de conteúdos funcionar

*Maximiza o efeito do que escreves* · 2021-03-25 · https://willem.com/pt/2021-03-25_tres-dicas-para-fazer-uma-estrategia-de-conteudos-funcionar/

Quando escreves para o teu blogue ou para o site da tua empresa, há coisas a ter em conta para maximizar a visibilidade, a longevidade e o impacto do que escreves. Aproveita a energia que pões nas tuas palavras. Hoje partilho contigo três lições que aprendi a escrever para este site.

## O que é uma estratégia de conteúdos?

Em poucas palavras, uma estratégia de conteúdos é a forma como crias, publicas e geres conteúdos, escritos ou noutros formatos. Escreve para o teu site, blogue, clube de futebol preferido ou empresa. Fazes isto para espalhar a tua mensagem, chegar ao máximo de pessoas possível e ligar-te a novas pessoas, fãs ou potenciais clientes.

## Escreve com especificidade

Pensa nas pessoas que procuram o *teu conteúdo*: como te vão encontrar? As pessoas pesquisam no Google (https://google.com) ou no DuckDuckGo (https://duckduckgo.com). Escrevem o que procuram, por exemplo «como cozer batatas». Deves tentar corresponder especificamente a essa pesquisa, escrevendo uma resposta concreta e útil. Quanto mais específico o tema, menos concorrência tens. Por exemplo, em vez de simplesmente «batatas», que abrange a agricultura, a distribuição e o cultivo, concentras-te em «como cozer batatas». Mais vale escreveres três artigos mais curtos (e específicos) do que um grande texto genérico que abarque tudo.

## Escreve para durar

Usa a imaginação para viajar no tempo! Como podes tornar o que escreves interessante para o teu eu do futuro? A internet nunca esquece, e deves lembrar-te disso quando escreves para a web. Faz com que as tuas palavras trabalhem mais tempo, tornando-as intemporais. Esquece a moda do dia e concentra-te no princípio subjacente. *Dá um peixe a um homem e ele come por um dia; ensina-o a pescar e ele come a vida inteira.* Escreve para ajudar as pessoas para toda a vida!

## Escreve com impacto

Tu és a voz dentro da cabeça das pessoas quando elas leem o teu conteúdo! Fala com *elas* em vez de fazeres barulho sobre ti ou sobre a tua empresa. Dirige-te diretamente ao leitor para maximizar o impacto da tua mensagem. Dá uma mensagem concreta, orientada para a ação, dirigida ao leitor. Em vez de *«podemos ajudar a fazer X, Y ou Z»*, usa: *«podes fazer X, Y ou Z se nos contactares»*. Aumentas a probabilidade de ação com uma mensagem clara e direta.

## Ferramentas

Dirige a tua energia para as palavras certas sem te distraíres. Estas ferramentas podem ajudar:

-  **Encontrar as palavras certas**: Pesquisa o teu tema e vê que sugestões o motor de busca te dá quando escreves as palavras-chave. Experimenta palavras e expressões diferentes. Tem presente que as sugestões do motor de busca vêm das pesquisas de outras pessoas: isto pode ajudar-te a encontrar as palavras certas para o teu conteúdo! 

-  **Concentrar-te em escrever**: Antes de poderes ser a voz na mente dos outros (quando leem o teu texto), tens de criar silêncio para te ouvires a ti. Só tu, os teus pensamentos e as tuas palavras. Considera uma app como o iA_Writer (https://ia.net/writer) para te ajudar nisso.

## Exemplos

Podes encontrar alguma inspiração nos exemplos que se seguem. Embora ainda esteja a afinar a minha escrita, faço uma tentativa humilde de praticar o que prego:

- **Visibilidade**: Neste_artigo (https://willem.com/en/2020-11-30_designing-my-own-watch/) escrevo sobre um tema de nicho muito específico: desenhar o teu próprio relógio. Tem pouca concorrência e por isso é eficaz a atrair a atenção de um público específico.

- **Intemporal**: Em vez de me concentrar no lançamento do meu último produto, escrevo sobre o princípio subjacente no artigo sobre criar_produtos_numa_plataforma (https://willem.com/en/2021-01-31_building-a-product-platform/). Usei peças de Duplo para ilustrar os conceitos abstratos.

- **Impacto**: Neste artigo sobre recuperar_fotos_de_um_computador_avariado (https://willem.com/en/2020-10-15_rescuing-photos-from-a-crashed-imac/) descrevi o que fiz, mas dirigi o texto ao leitor. Em vez de «Fiz isto e aquilo», escrevo «Podes fazer isto ou aquilo»

## Conclusão

As palavras escritas são poderosas, sobretudo se as organizares bem para passar a tua mensagem. Presta atenção à visibilidade, à intemporalidade e ao impacto.

Mas, acima de tudo, escreve! Agora! Não esperes por um momento mágico nem por uma faísca de inspiração há muito desejada. Tens tudo o que precisas para começar a escrever: tu, as tuas palavras e os teus pensamentos!

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## Usar dois relógios

*Um mecânico e um smartwatch ao mesmo tempo* · 2021-02-28 · https://willem.com/pt/2021-02-28_usar-dois-relogios/

Nas últimas semanas tenho andado com dois relógios, e que coisa! Adoro o meu relógio mecânico, mas precisava da conectividade moderna de um smartwatch. Não consegui escolher, por isso decidi usar os dois. Não é tão mau como pensas, deixa-me partilhar contigo algumas ideias sobre a experiência.

## Relógios mecânicos

Se acompanhas o blogue, sabes que gosto de relógios (https://willem.com/en/watches-and-time-a-decade-of-horology-technology-and-craft/). Sempre me fascinaram, e isso vai além de qualquer razão racional. Esta admiração é emocional, intangível e pessoal (https://willem.com/en/2020-11-30_designing-my-own-watch/). Não estou (https://www.ablogtowatch.com) sozinho (https://www.hodinkee.com): os relógios mecânicos continuam populares, apesar do aparecimento dos wearables modernos, como os smartwatches.

![A usar o meu relógio mecânico porque gosto dele](https://willem.com/global/images/921434406009.webp)

## Smartwatches

Em parte por causa do meu percurso profissional na tecnologia, gosto de gadgets. Adoro ver como a tecnologia evoluiu ao longo dos anos e como os computadores foram ficando cada vez mais pequenos. É incrível o que se consegue fazer com dispositivos móveis como tablets (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/), smartphones (https://willem.com/en/inside-and-outside-apple-using-questioning-and-escaping-the-ecosystem/) e smartwatches (https://willem.com/en/inside-and-outside-apple-using-questioning-and-escaping-the-ecosystem/). Perguntei-me se o_smartwatch_é_o_relógio_de_ferramenta_moderno (https://willem.com/en/2018-11-02_is-the-apple-watch-the-modern-tool-watch/).

![A usar um Apple Watch Series 6 porque é útil](https://willem.com/global/images/ced0cc310480.webp)

## Dois pulsos, dois relógios

Depois de alternar entre um relógio mecânico e um smartwatch, cheguei à conclusão de que escolher entre eles é muito difícil para mim. Percebo que quem tem este tipo de problema pode ser acusado de ter «problemas do primeiro mundo». Mas acredito sinceramente que há algo mais fundamental, mais humano, a alimentar a minha indecisão.

![Dois relógios no pulso: a usar os dois ao mesmo tempo](https://willem.com/global/images/474b0f66ec77.webp)

![Relógio mecânico e Apple Watch](https://willem.com/global/images/19c652569268.webp)

![Usam-se ambos no pulso, mas são coisas muito diferentes!](https://willem.com/global/images/1cdce86c5e47.webp)

## Um quadro versus uma TV

Nas últimas semanas, em que alternei entre diferentes «configurações de pulso», percebi muito bem que estava a tentar escolher entre um quadro e uma televisão. Ambos podem ocupar o mesmo espaço físico (numa parede ou num pulso), mas são coisas completamente diferentes. Tem tudo a ver com a forma como os percebemos, como lhes atribuímos significado, o que consideramos valioso.

![O coração e a alma dos relógios são muito diferentes: são criados e alimentados de formas distintas](https://willem.com/global/images/24ecc12d975c.webp)

O smartwatch moderno oferece uma conectividade que te pode salvar (https://willem.com/en/2021-02-02_realtime-service-uptime-monitoring/), até literalmente (https://duckduckgo.com/?q=apple+watch+saved+life)! Permite controlar e acompanhar (https://willem.com/en/2018-09-27_swimming-and-cycling-with-apple-watch/) tudo o que fazes, o que, combinado com um bom_planeamento_e_ajuste (https://willem.com/en/2021-02-22_the-value-of-notifications/), te pode poupar muito tempo. Um relógio mecânico, por outro lado, pode ser algo que passa_de_geração_em_geração (https://willem.com/en/2020-08-23_cleaning-a-vintage-watch/), ganhando_pátina_e_carácter (https://willem.com/en/2018-01-21_something-the-smartwatch-will-never-have-patina/) com o tempo. Grande parte do seu valor não vem das suas capacidades técnicas. É provavelmente por isso que as pessoas colecionam relógios como colecionam arte (https://www.sothebys.com/en/departments/watches). Podes imaginar um relógio mecânico como uma peça de arte para vestir.

## Minimalismo e expressão humana

As pessoas são diferentes, mas eu não sou de usar muitos adornos, joias e enfeites. Prefiro o minimalismo (/en/digital-minimalism-doing-more-with-less-technology/ism/) no dia a dia, mas aprecio as maravilhas da forma como os humanos se exprimem. Adoro música_ao_vivo (https://willem.com/en/2018-07-10_enjoy-a-festival-without-alcohol/), às vezes crio_algo_inútil (https://willem.com/en/2017-10-23_from-tree-to-table/), adoro_perder-me_num_jogo (https://willem.com/en/2017-03-26_repairing-a-nintendo-gameboy-advance-sp/) ou sentir_a_adrenalina_a_queimar_borracha_sem_necessidade_num_circuito (https://willem.com/en/2017-05-31_beast-of-the-green-hell/).

## Conclusão

Se não consegues escolher entre um relógio mecânico e um smartwatch, então não escolhas: experimenta os dois! Não é assim tão estranho se parares um minuto (e o trocadilho é intencional) para pensar por que razão tens este «problema».

Somos criaturas que atribuem valor emocional a coisas que, de outro modo, não valem nada. Ou pensavas que venerar uma tela_de_379x453cm_com_um_pouco_de_óleo_velho_por_cima_fazia_sentido (https://www.rijksmuseum.nl/en/collection/SK-C-5)? Claro que não! Mas não faz mal, porque ser irracional faz parte de ser humano. Agora põe os teus dois relógios e goza a loucura!

![A Ronda da Noite (De Nachtwacht), Rembrandt van Rijn, 1642: óleo sobre tela, 379,5cm de altura × 453,5cm de largura, rijksmuseum.nl](https://willem.com/global/images/08693ca263c3.webp)

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## O valor das notificações

*Como configurar o smartphone para poupar tempo* · 2021-02-22 · https://willem.com/pt/2021-02-22_o-valor-das-notificacoes/

É fácil descartar as notificações do telemóvel como algo que incomoda, algo chato. Mas se te dedicares a configurá-las bem, as notificações podem poupar-te tempo a longo prazo. Ganha mais foco ao assumires o controlo da tua ligação online ao mundo. Lê até ao fim para ficares com algumas dicas!

## Tempo de ecrã

Começa por olhar bem ao espelho: como usas o telefone? Sabias que muita_gente_subestima_o_tempo (https://www.zdnet.com/article/americans-spend-far-more-time-on-their-smartphones-than-they-think/) que passa no smartphone?

Ao analisares o teu tempo de ecrã, presta atenção a três coisas diferentes:

- **tempo de utilização**: o tempo real que passas em apps ou em sites

- **levantamentos**: o número de vezes que pegaste no dispositivo

- **notificações**: o número de notificações que recebeste

![Utilização do meu iPhone e do meu iPad, da esquerda para a direita: tempo de utilização, levantamentos e notificações](https://willem.com/global/images/7b93bee0f933.webp)

Olha para o meu padrão de utilização: passo a maior parte do tempo numa app chamada «Blink» (https://blink.sh), onde programo e desenvolvo novos produtos. Se olhares para os levantamentos, vês que sou um grande utilizador do «Mail». Isto porque o e-mail é o meu principal canal de comunicação com os clientes, seguido do Messages, do WhatsApp e do Signal.

O verdadeiro valor das notificações é que as podes usar para reduzir o número de vezes que pegas no dispositivo. A longo prazo, isto pode poupar-te muito tempo!

## Quebra o ciclo

Já se escreveu muito sobre pessoas viciadas no telefone. Tem que ver com aquilo a que se chama «ciclo_da_dopamina» (https://www.psychologytoday.com/us/blog/brain-wise/201802/the-dopamine-seeking-reward-loop). Se desativares todas as notificações, tens de ir ver manualmente (e «vasculhar» o telefone) se há alguma novidade. Sabe-se que este é um padrão viciante, porque o nosso cérebro anda à procura de uma recompensa: quem sabe se *desta vez* encontras no telefone algo novo e fantástico! *(et voilà, estás outra vez agarrado)*

Isto traz-me de volta às notificações: podes usá-las para quebrar este ciclo da dopamina. Se as configurares bem, as notificações só te avisam quando há *mesmo* algo que precisas de ver. Então podes ignorar o telefone sem problema quando não há notificação, e a necessidade de o «verificar» à mão desaparece.

Em vez de veres o e-mail manualmente 10 vezes por dia, configura as notificações para te avisarem quando chegar algo importante. Pode acontecer só uma ou duas vezes por dia, e poupas o tempo de 8 ou 9 verificações manuais!

## Tu decides «quem e o quê»

O segredo para isto funcionar é ter uma política de notificações muito apurada e rigorosa. Vai demorar até encontrares o equilíbrio certo, não tenhas medo de ir «corrigindo o rumo». Demorou-me semanas a chegar à minha configuração equilibrada, e continuo a fazer alterações de vez em quando. Por exemplo, quando muda o foco entre projetos ou clientes.

Começa por desligar a maioria das notificações não críticas, otimizando a relação «ruído/sinal». Eliminei todas as notificações de apps como as «dicas do iOS», temas em destaque nas redes sociais, qualquer publicidade, jogos, etc. Como regra geral, só pessoas *reais* me *podem* interromper: não quero ser incomodado por nenhum algoritmo!

A única exceção a esta regra é o meu sistema_de_monitorização_de_servidores_em_tempo_real (https://willem.com/en/2021-02-02_realtime-service-uptime-monitoring/), que me avisa se os meus servidores falharem. Esta notificação push algorítmica vai poupar-me muitas «notificações de pessoas», como chamadas e mensagens. Saber dos problemas *antes* dos meus clientes também me poupa tempo.

![O UptimeRobot é o único algoritmo que deixo acordar-me de noite](https://willem.com/global/images/09d9d892b551.webp)

Depois podes afinar ainda mais a tua política, diferenciando as definições de notificação por remetente ou por quem liga. Podes definir grupos ou adicionar pessoas à lista VIP. Eu uso isto para filtrar 90% das notificações do meu e-mail. Quem está na lista VIP és tu que decides. A minha lista VIP muda à medida que começo e termino projetos.

![Adiciona qualquer remetente de e-mail à lista VIP e configura as notificações de forma diferente para ele](https://willem.com/global/images/ab7850507ad1.webp)

Mais algumas dicas que podes considerar:

- **silenciar conversas de grupo**: apesar de serem feitas por pessoas, as mensagens muitas vezes não são dirigidas a *ti*

- **silenciar as redes sociais**: podes pensar que estas notificações vêm de pessoas, mas as plataformas sociais fazem-se passar por pessoas para aumentar o envolvimento: «alguém gostou de ti» não é propriamente uma pessoa

- **ignorar as notícias**: é seguro ignorar as notícias se não te afetam diretamente, e se afetarem, é provável que pessoas *reais* falem contigo sobre isso!

- **enviar menos mensagens**: trata os outros como gostarias de ser tratado; se enviares menos mensagens e e-mails, é provável que recebas menos respostas! Faz com que as que envias contem, dedica algum tempo a pensar no que envias.

## Não incomodar

Se lidas com clientes do estrangeiro, de fusos horários diferentes, tens de prestar especial atenção ao descanso noturno. Não faz mal estar offline! Configurei um horário automático para ativar a função «Não incomodar» no meu telefone.

![A função «Não incomodar» do iOS permite ativar automaticamente uma política de notificações diferente, por exemplo durante a noite](https://willem.com/global/images/4f472d5e997b.webp)

Isto permite-me filtrar 99% das notificações durante a noite, deixando passar chamadas e notificações de emergência. Prefiro isto a desligar o telefone por completo, porque gosto de continuar disponível para a família próxima, os amigos e o UptimeRobot.

![O UptimeRobot, o sistema de monitorização, pode enviar-me notificações à noite, graças às «Notificações críticas»](https://willem.com/global/images/6a2ceb0c5a85.webp)

## Conclusão

É fácil sentirmo-nos esmagados pelas notificações no nosso mundo moderno e ligado, mas é um erro «matá-las todas» sem critério. Cuidado com o ciclo da dopamina que te leva a pegar no telefone para o «verificar», é uma perda de tempo!

Em vez disso, dedica algum tempo a ver como usas o dispositivo. Define uma política apurada para te manteres ligado, mas de forma seletiva e *controlada por ti*: vai poupar-te tempo a longo prazo!

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## Monitorização em tempo real da disponibilidade de serviços

*Descobre os problemas antes dos teus clientes* · 2021-02-02 · https://willem.com/pt/2021-02-02_monitorizacao-em-tempo-real-da-disponibilidade-de-servicos/

O tempo de inatividade acontece e não há que ter vergonha disso, só tens de te organizar para descobrir os problemas o mais depressa possível! Podes usar a monitorização da disponibilidade em tempo real para vigiar automaticamente os teus servidores e serviços. Lê até ao fim para saberes como.

## Disponibilidade, inatividade e o que fica pelo meio

Quando tudo funciona, talvez não penses na inatividade nem em falhas de serviço. Mas esse pode ser mesmo o momento certo para o fazer! A melhor forma de lidar com a inatividade e as falhas é estar preparado para os problemas. Gastar um pouco de tempo a implementar um bom sistema de monitorização pode poupar-te momentos críticos quando a situação aperta! Uma forma de te preparares para a inatividade é garantir que és dos primeiros a saber se surgirem problemas.

Podes usar a monitorização da disponibilidade em tempo real para encurtar o teu tempo de resposta a falhas. Isto pode poupar-te tempo precioso durante a inatividade. Quanto mais depressa souberes que tens um problema, mais depressa o podes resolver.

A monitorização da disponibilidade pode ser feita de diferentes maneiras. A forma mais simples é verificar se um servidor responde a um pedido («está aí?»). Se não houver resposta, sabes que há um problema.

Uma forma mais apurada de monitorizar os teus serviços é ter várias verificações a abranger diferentes partes da tua infraestrutura. Por exemplo, podes configurar a monitorização para executar uma função comum. Isto apanha «problemas mais profundos» que podiam passar despercebidos se apenas verificasses se um servidor está online. Assim não verificas só «está aí?», mas também «está a funcionar bem?»

## UptimeRobot

Normalmente prefiro ver se consigo fazer as coisas eu mesmo antes de procurar serviços externos. Mas, quando se fala de monitorização da disponibilidade, faz todo o sentido usar um serviço externo. Porque se o *teu* produto ou plataforma falha, é provável que o teu serviço de monitorização interno falhe também. Escolhi o https://uptimerobot.com para monitorizar a minha plataforma (https://willem.com/en/2021-01-31_building-a-product-platform/) porque tem uma ótima app e oferece os tipos de monitorização de que preciso.

### Monitorização por palavra-chave

Além de simplesmente verificar se um servidor está online, quero saber se os algoritmos e as funções principais estão a funcionar bem. Por isso implementei URLs especiais nos meus serviços web que executam funções comuns (mas inofensivas) e dão uma indicação clara de se os sistemas de backend principais estão a funcionar bem. Pensa em executar uma consulta simples à base de dados: se o teste tiver sucesso, ficas a saber que o servidor está online *e* que a base de dados está a responder corretamente.

![Um URL especial devolve uma resposta de texto simples se algumas chamadas a funções comuns (internas) tiverem sucesso](https://willem.com/global/images/25a9e9483f49.webp)

Uma coisa a ter em conta é desenhares os teus endpoints de monitorização para serem o mais eficientes possível. Não faz mal fazer uma consulta, mas não sobrecarregues o servidor, porque o URL de monitorização vai ser pedido muitas vezes!

![Configura o UptimeRobot para detetar o texto que esperas quando o serviço está online](https://willem.com/global/images/a65df145e260.webp)

## Painel

O melhor do UptimeRobot é que só pede a tua atenção se algo estiver mal. Em circunstâncias normais podes «configurar e esquecer», ele faz o seu trabalho em segundo plano. Mas, se quiseres, podes abrir a app e ver o estado de todos os teus monitores, incluindo o histórico.

![Calma, não há stress: a app dá uma vista rápida de todos os teus monitores de disponibilidade](https://willem.com/global/images/1712f5b55395.webp)

## Notificações de inatividade no Apple Watch

Uma das grandes funcionalidades do UptimeRobot é poder ser configurado para te enviar uma notificação push quando ocorre uma falha inesperada. As definições permitem afinar com precisão quando e onde queres ser informado sobre falhas. Podes silenciar monitores individuais ou adicionar outras pessoas e/ou canais de notificação. Uma coisa muito útil é poderes configurar a app para funcionar com o Apple Watch.

![Notificações de inatividade no Apple Watch com o UptimeRobot](https://willem.com/global/images/d0036ceb4556.webp)

Além das notificações normais do iOS, a app suporta os chamados «alertas críticos», que conseguem ultrapassar a função «Não incomodar» do telefone. Isto dá-te um controlo fino sobre o alcance que certas falhas podem ter. Configurei-o para me acordar a meio da noite se acontecer algo mesmo grave.

![O UptimeRobot suporta as «notificações críticas» do iOS, que te acordam de noite quando acontecem coisas mesmo más...](https://willem.com/global/images/6a2ceb0c5a85.webp)

## Conclusão

Com o UptimeRobot detetei alguns bugs e falhas raros que, de outro modo, teriam passado despercebidos. A monitorização contínua dá-me alguma tranquilidade, sabendo que me permite apanhar mais do que apanharia sem ela.

Embora talvez não consigas evitar uma falha, quase não há desculpa para não seres informado dela! Fica a saber dos problemas antes dos teus clientes e ganhas algum tempo extra para salvar o dia!

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## Construir uma plataforma de produtos

*Desenhar para reutilização, flexibilidade e extensibilidade* · 2021-01-31 · https://willem.com/pt/2021-01-31_construir-uma-plataforma-de-produtos/

Este mês estou a tirar partido das capacidades de uma plataforma para lançar um novo produto. Ao longo dos anos desenvolvi a plataforma «Lemmid», um conjunto de blocos de construção que me permitem desenvolver novos produtos rapidamente. Desenhar uma plataforma exige algumas considerações extra, mas se seguires algumas regras simples podes fazê-lo tu mesmo!

## O que é uma plataforma?

Em poucas palavras, uma plataforma é algo sobre o qual se pode construir. O que distingue uma plataforma de um simples produto é que a plataforma pode fazer (ou tornar-se) outras coisas que não estavam originalmente previstas quando foi desenhada.

![Uma peça de Duplo pode ser muito mais do que uma simples peça](https://willem.com/global/images/adf7e59ff725.webp)

Os smartphones modernos, com as suas capacidades de hardware e respetivas lojas de apps, podem ser considerados plataformas. A plataforma permite todo o tipo de funcionalidades inicialmente imprevistas, ao deixar os programadores usar as capacidades da plataforma de formas novas e em novas combinações.

![Novas combinações podem criar produtos inovadores](https://willem.com/global/images/e201ce03c6f5.webp)

## Reutilização, flexibilidade e extensibilidade

Se estás a desenhar uma plataforma, tens de dar especial atenção à reutilização, à flexibilidade e à extensibilidade. Em certo sentido, estás a desenhar para um futuro desconhecido. Para perceber como se desenha uma plataforma, é boa ideia olhar para as peças de Duplo.

![O design das peças de Duplo é brilhante](https://willem.com/global/images/940bb223debf.webp)

A simplicidade de uma peça de Duplo engana, mas o design é incrivelmente brilhante, porque permite:

- **Reutilização**: Pega numa peça, usa-a nalgum sítio e, quando acabares, podes tirá-la e usá-la noutro lado.

- **Flexibilidade**: Mesmo uma única peça de Duplo pode ser usada de inúmeras formas, podes ligá-la a outras peças e criar muitas combinações diferentes.

- **Extensibilidade**: Os pinos padronizados das peças de Duplo permitem uma extensibilidade fácil: peças novas e futuras podem ligar-se às existentes se incorporarem o mesmo «padrão de pinos». 

Estes três princípios de design fazem das peças de Duplo uma plataforma, que permite criar coisas novas. Se estás a desenhar uma plataforma, pensa nestas peças de Duplo. Os componentes que crias têm de apoiar o «princípio da plataforma».

![Construir sobre uma plataforma: as peças coloridas podem ser imaginadas como produtos sobre os alicerces de uma plataforma](https://willem.com/global/images/dacc99c30d87.webp)

A melhor maneira de desenhar uma plataforma é concentrar-te numa única peça. Será a peça elementar da tua plataforma: imagina como se pode ligar às outras e como vais padronizar essa (inter)ligação. Se acertares nisto, vais ficar espantado com a facilidade com que passas a incorporar ideias novas e originais.

![Uma ideia nova, gira e entusiasmante](https://willem.com/global/images/feb76726f55d.webp)

![Se o design da tua plataforma for bom, acrescentar-lhe peças novas e entusiasmantes deve ser canja (e por isso, muito divertido!!)](https://willem.com/global/images/5ed17f5114f9.webp)

## Lemmid

Ao longo dos anos desenvolvi a plataforma «Lemmid», um conjunto de blocos de construção digitais que servem de base a praticamente qualquer produto que desenvolvo. Inclui apps, sites, lojas online e até jogos!

![A plataforma Lemmid é a base dos produtos que construo sobre ela](https://willem.com/global/images/5e5ce4edc998.webp)

A plataforma está desenhada como um conjunto de micro_serviços (https://willem.com/en/2020-03-03_monolithic-vs-microservices-software-architecture/) que partilham uma interface e um princípio de design comuns. Cada peça «desconhece» as suas irmãs em termos de design: têm um âmbito local e são o mais simples possível. Só se podem ligar entre si através de um protocolo padronizado que também desenhei para ser o mais simples possível.

Por exemplo, existe um bloco «Lemmid Bill» capaz de enviar faturas. Este bloco não sabe «a quem e o quê»; as outras peças podem usar o bloco «Bill» para enviar faturas digitais. Pode ser reutilizado e funciona com faturas com coisas que ainda nem imaginei.

Outro exemplo é o bloco «Lemmid Manager», capaz de gerir conteúdos. É usado de várias formas por diferentes produtos que criei. Às vezes é usado como sistema de gestão de conteúdos de um site e outras vezes para gerir um catálogo de produtos (que alimenta lojas online). É capaz de gerir conteúdos para sites e apps que ainda nem criei!

### Tirar partido das capacidades da plataforma

A app_de_pedidos_de_comida (https://willem.com/blog/lemmid-store/), conhecida como «Lemmid_Store» (https://lemmid-store.com), que criei em cima da plataforma Lemmid, tira partido das suas capacidades usando os blocos individuais para:

- permitir que as lojas estejam online: servidor web, registo de nomes de domínio, ligações DNS, etc.

- permitir que as lojas sejam preenchidas com produtos: gerir textos, preços, fotos de produtos, categorias de produtos, etc.

- permitir que as lojas aceitem encomendas: verificar a capacidade, receber os dados do cliente, processar pagamentos.

- permitir a autenticação dos donos das lojas: para proteger a gestão da loja.

- permitir a comercialização do produto através do envio de faturas

- permitir que novos clientes se inscrevam

![Da inscrição ao produto: a integração automática do Lemmid Store é possível graças às capacidades da plataforma Lemmid](https://willem.com/global/images/e879a65253ea.webp)

## Conclusão

Para um momento para pensar se estás a construir apenas um produto ou se este pode tornar-se uma plataforma por si só. Se for o caso, podes fazer bem em desenhar para o futuro e abraçar a reutilização, a flexibilidade e a extensibilidade.

«Adoro quando um plano resulta» é exatamente o que penso quando consigo tirar partido das capacidades da minha plataforma. Lançar novos produtos e poder usar a força de blocos de construção já existentes é «porreiro», para parafrasear o próprio Hannibal Smith, do Esquadrão A.

![Quando o design se junta, aparecem grandes produtos: Harry van de Laar a mostrar o Lemmid Store diretamente da cozinha!](https://willem.com/global/images/d3d2dd047fb3.webp)

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## Abandonar o meu próprio sistema operativo para tablet

*Porque voltei ao iPad e ao Mac* · 2021-01-14 · https://willem.com/pt/2021-01-14_abandonar-o-meu-proprio-sistema-operativo-para-tablet/

No último ano andei a experimentar criar o meu próprio sistema operativo para tablet, com Debian GNU/Linux e o gestor de janelas i3, num Microsoft Surface Go 2 com LTE. Depois de meses de uso intenso, decidi abandonar a experiência e voltar ao iPad Pro e ao Mac. Lê até ao fim para saberes porquê.

## Construir o «WillemOS» com Debian GNU/Linux num Microsoft Surface

Depois de ficar farto do enésimo bug no Apple Photos, decidi a sério sair do ecossistema Apple. Achei que conseguia fazer melhor. Quão difícil pode ser fazer o teu próprio sistema operativo, *certo*?

![O WillemOS em ótima forma: Debian GNU/Linux num Surface GO 2](https://willem.com/global/images/a311f5097a11.webp)

Afinal consegue-se fazer muita coisa, se tiveres algum tempo livre e muita dedicação. É incrível o que se aprende só por tentar. Isso levou a alguns artigos e descobertas interessantes nos últimos meses:

- Criar_o_meu_próprio_sistema_operativo_para_tablet (https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/)

- Livre_do_iCloud_fugir_do_Apple_Photos (https://willem.com/en/2020-08-31_free-from-the-icloud-escaping-apple-photos/)

- Sincronizar_ficheiros_sem_esforço_entre_tablets_e_smartphones (https://willem.com/en/2020-09-16_syncing-files-seamlessly-between-smartphone-and-tablet/)

- E por fim: Aperfeiçoar_o_meu_sistema_operativo_para_tablet (https://willem.com/en/2020-09-28_refining-my-tablet-os-experience/)

![A escrever e a ler artigos do blogue com o meu próprio sistema operativo para tablet](https://willem.com/global/images/a89149613f88.webp)

Mas depois aconteceu uma coisa: tive oportunidade de usar um portátil Windows durante algum tempo, o Surface Laptop Go. É_um_portátil_muito_simples_e_divertido (https://willem.com/en/2020-11-03_the-joy-of-a-simple-laptop/) e gostei dele precisamente por isso: sem chatices. O portátil funcionava de forma previsível e fiável, algo que, pelos vistos, me faltava no «WillemOS».

![Uma planta, um portátil e um café: a alegria de um sistema simples que funciona!](https://willem.com/global/images/fbf1ade29b85.webp)

## O problema do meu próprio sistema operativo

Construir o teu próprio sistema operativo é ótimo por muitas razões, mas sobretudo porque *tu* decides como as coisas funcionam. És o arquiteto, o mestre, quem decide. És deus. O reverso desse grande poder é que também és *responsável* por fazer as coisas funcionar!

Muitas vezes as coisas funcionavam fantasticamente, sobretudo quando dedicava algum tempo a afinar a experiência. Mas mesmo com todo o meu conhecimento e experiência, houve alturas em que as coisas deixaram de funcionar, por vezes a sério. Isto aconteceu principalmente porque:

- uso software em hardware sem suporte: o tablet Surface Go foi desenhado para funcionar com Windows

- a maior parte do software GNU/Linux foi pensada para teclado e rato: usá-lo num tablet só com ecrã tátil é quase impossível (experimenta introduzir a chave de cifragem do disco sem teclado)

- prefiro as versões de software mais recentes dos repositórios instáveis do Debian, que por vezes têm alterações que «partem» coisas...

- criei a minha própria mistura estranha de software livre no WillemOS: combinando pacotes e apps que não foram necessariamente pensados para funcionar juntos

Nos últimos 6 meses (em que usei o meu sistema operativo no dia a dia) houve pelo menos 3 ocasiões em que o sistema avariou em momentos críticos. Normalmente, depois de acordar o tablet da hibernação, as coisas corriam mal...

Por exemplo, uma vez tive de responder a uma falha de serviço: um cliente ligou e precisava de apoio *imediato*. Precisamente nesse momento tive problemas para pôr a rede a funcionar depois de acordar o tablet. Perdi tempo precioso, mas sobretudo senti-me um amador por não conseguir responder logo por causa de um bug de rede parvo. As pessoas pagam-me bem para as ajudar a resolver problemas, é melhor estar preparado!

![Nesta «era da nuvem» é bom teres uma ligação à internet a funcionar, sempre: não há tempo para amadorismos!](https://willem.com/global/images/b45e0aec3a05.webp)

Outro exemplo irritante foi quando tive uma ideia fantástica para o próximo grande unicórnio das TI... Estava pronto para usar a caneta do tablet para captar esta faísca de criatividade quando, de repente, o digitalizador do tablet deixou de responder. A caneta não funcionava e o ecrã tátil andava às aranhas. Consegui resolver reiniciando alguns serviços do sistema e fechando e abrindo algumas apps. Mas, quando estava pronto, a ideia mágica já tinha desaparecido!

![A escrita com caneta é ótima quando funciona, mas as boas ideias podem perder-se quando falha!](https://willem.com/global/images/d72bcced9787.webp)

![Sabes que não confias na tua caneta digital quando recorres ao velho lápis e papel...](https://willem.com/global/images/1c010a7e0303.webp)

## Lições aprendidas

Além de ficar à vontade com o Debian GNU/Linux de uma forma profunda e radical, aprendi uma ou três coisas sobre a realidade de construir um sistema que queres usar todos os dias.

Primeiro, a fiabilidade é incrivelmente importante. Anda de mãos dadas com a previsibilidade (mas não são necessariamente a mesma coisa). Não faz mal que as coisas avariem, desde que o esperes. É extremamente difícil acertar nisto, e ganhei um enorme respeito por todo o bom trabalho dos fabricantes comerciais de software e hardware. O desempenho de uma ferramenta crítica que planeias usar todos os dias tem de ser extremamente previsível.

Segundo, para conseguires isso, é melhor usares hardware com suporte e conceitos de software comuns. Usa um PC convencional com componentes standard, com rato e teclado normais, se planeias usar software livre (como o Debian GNU/Linux). A experiência de tablet sem atritos com software livre ainda não está pronta.

Terceiro, e provavelmente o mais importante: quando funciona, é magia! Todos os problemas que encontrei eram geríveis e não tiram nada ao facto de que, quando o meu sistema funcionava, havia_por_vezes_magia_verdadeira (https://willem.com/en/2020-12-31_working-with-special-hardware-from-china/).

![Quando tudo se junta há magia: o WillemOS a fazer coisas que nenhum iPad faz](https://willem.com/global/images/c29221027bf4.webp)

## Conclusão

É preciso ser um bocadinho maluco para tentar construir o teu próprio sistema operativo. E és um tipo especial de maluco se fizeres do teu sistema experimental o teu dia a dia!

Foi o que fiz... e ainda bem que sobrevivi para contar a história. Um dia volto a tentar, porque o sabor da liberdade é difícil de esquecer depois de o provares!

![De volta ao iPad Pro (à direita) depois de uma época incrível com o WillemOS no Surface Go (à esquerda)](https://willem.com/global/images/6125494a73dc.webp)

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## Revisão da bicicleta de deslocações diárias

*Como está a minha bicicleta depois de 21.000KM?* · 2021-01-10 · https://willem.com/pt/2021-01-10_revisao-da-bicicleta-de-deslocacoes-diarias/

Esta semana a minha fiel bicicleta de deslocações diárias começou a fazer ruídos estranhos ao travar. Já passaram pouco mais de três anos desde que comecei a andar nela. As pessoas perguntam-me muitas vezes como se porta a bicicleta e como está a transmissão por correia Gates Carbon CDX. Hora de ver como está a bicicleta depois de 21.000KM!

## Bicicleta de deslocações diárias

A minha bicicleta é uma Sensa Cintura modificada que se tornou a melhor bicicleta que já tive. É muito fiável e uso-a vários dias por semana, praticamente o ano inteiro. A bicicleta ganhou seguidores, e recebi comentários, perguntas e reações de todo o mundo! Se ainda não os viste, vale a pena espreitar os artigos anteriores:

- Criar_a_bicicleta_de_deslocações_diárias_definitiva (https://willem.com/en/2018-02-24_creating-the-ultimate-commuter-bike/)

- Tirar_a_tinta_de_um_quadro_de_bicicleta (https://willem.com/en/2018-06-09_removing-paint-from-a-bike-frame/)

- Um_ano_com_a_bicicleta_de_deslocações_diárias (https://willem.com/en/2019-02-27_one-year-on-the-ultimate-commuter-bike/)

- Trocar_o_farol_da_bicicleta (https://willem.com/en/2019-11-26_supernova-e3-pro-2-dynamo-powered-headlight/)

- Relacionada é a minha bicicleta de estrada minimalista, que_também_usa_uma_correia_Gates_Carbon (https://willem.com/en/2020-04-30_minimalistic-road-bike-with-gates-carbon-drive/)

- Ambas as minhas bicicletas conseguem registar_os_meus_passeios_com_um_ciclocomputador_analógico (https://willem.com/en/2020-09-29_riding-with-omata-one/)

![A minha bicicleta de deslocações diárias em janeiro de 2021: os mais atentos vão reparar no suporte do assento de criança, porque algumas coisas mudam, ha!](https://willem.com/global/images/8784dfa2f0f4.webp)

## 21.000KM

Já passou algum tempo desde que escrevi sobre a minha bicicleta de deslocações diárias. É porque há muito pouco para contar, ha! Já andei nela meses e meses, anos e anos, e provou ser a bicicleta mais fiável que alguma vez tive.

![Uso a bicicleta o ano inteiro, com praticamente todo o tipo de tempo](https://willem.com/global/images/a7fd921cf858.webp)

## Ruídos estranhos

De repente, esta semana a bicicleta começou a fazer ruídos estranhos ao travar! Soava a «metal a raspar em metal»... mau sinal! Tem estado a gelar nestes dias e, por alguma razão, as estradas têm estado extra sujas, por causa da neve misturada com sal e areia.

![A investigar o travão traseiro](https://willem.com/global/images/95f70d134b08.webp)

O som vinha do travão traseiro, um travão de disco hidráulico Shimano. Nunca tinha tido qualquer problema com ele e suspeitei que estivesse preso ou que tivesse algo preso lá dentro. Tirei a roda traseira do quadro para libertar o travão e poder investigar melhor o sistema.

![A tirar a roda para investigar o travão traseiro: repara em toda a sujidade!](https://willem.com/global/images/ea8924745def.webp)

Ao olhar de perto, reparei que uma das pastilhas de travão estava solta! A «forquilha» que devia mantê-la alinhada já não estava no lugar. Tirei as pastilhas e, de repente, percebi de onde vinha o ruído de metal a raspar...

![As pastilhas do meu travão hidráulico estavam gastas! Repara na forquilha danificada no canto superior direito (que devia manter as pastilhas no lugar)](https://willem.com/global/images/df97aa2d3bbb.webp)

![Depois de alguma limpeza vê-se bem como ficam 21.000KM num conjunto de pastilhas de travão!](https://willem.com/global/images/1581f83a1dd5.webp)

Substituir as pastilhas foi fácil: basta encomendar umas pastilhas novas na tua loja de bicicletas local (regra #58 dos velominati). Fica a saber que existem diferentes compostos para o teu travão de disco hidráulico. A principal diferença é a durabilidade face à rapidez com que «mordem». Optei por um composto duro e duradouro.

![Pastilhas de travão novas instaladas](https://willem.com/global/images/34bd1f9a6114.webp)

![Vê-se a luz a passar mesmo ao lado do disco: nada o obstrui e o ruído desapareceu!](https://willem.com/global/images/43f91e33a844.webp)

## Transmissão por correia Gates CDX Carbon

Com apenas 1800KM tive problemas com a transmissão CDN original. Desde que escrevi_sobre_isso (https://willem.com/en/2018-02-24_creating-the-ultimate-commuter-bike/), tanto a Sensa como a Gates tomaram nota e já não vendem o sistema CDN! Em vez disso, o sistema CDX é agora o standard, e ainda bem!

A transmissão por correia Gates CDX Carbon provou ser muito fiável na minha bicicleta de deslocações diárias. Por volta dos 10.000KM substituí as restantes peças CDN (a correia e a roda dentada da frente) e desde então nunca tive o mais pequeno problema com a transmissão. Verifico a tensão da correia de dois em dois ou de três em três meses com a app prática: Android (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.gates.carbondrivecalculator&hl=en&gl=US) e iOS (https://apps.apple.com/us/app/bicycle-belt-tension-meter/id438346486)

![Esta roda dentada CDX da frente e esta correia CDX moveram a minha bicicleta durante ± 11.000KM, substituindo as peças CDN anteriores, que duraram cerca de 10.000KM](https://willem.com/global/images/1c2f265966d5.webp)

![A roda dentada CDX de trás continua ótima (embora um pouco poeirenta) depois de 19.000KM!](https://willem.com/global/images/177197a151f8.webp)

## Pneus Schwalbe Marathon Plus Tour

Depois de experimentar pneus de estrada de corrida na minha bicicleta de deslocações diárias, depressa me fartei de furos! Gosto que o meu trajeto diário seja sem chatices e optei pelos pneus Schwalbe Marathon Plus Tour. São verdadeiras feras e a afirmação da Schwalbe de que são «unplattable» (diz com sotaque alemão) é verdadeira! Nos últimos ±11.000KM que estes pneus estão montados na minha bicicleta, não tive um único furo!

![Os pneus Schwalbe Marathon Plus Tour são muito fiáveis](https://willem.com/global/images/e8811df8e108.webp)

![Apenas alguns sinais de desgaste depois de 11.000KM, e nem um único furo!](https://willem.com/global/images/e8607d6aa841.webp)

## Conclusão

A minha bicicleta de deslocações diárias está à altura do estatuto de «definitiva» que eu esperava. Tornou-se a bicicleta mais fiável que já tive.

A bicicleta mostra sinais de desgaste, mas isso não é problema para algo que se usa muito e com intensidade. Espero poder usá-la em segurança por muitos mais quilómetros!

![Esqueces-te logo de que estás numa bicicleta de 21.000KM quando vês o sol nascer num dia novinho em folha!](https://willem.com/global/images/21cf084ad8bd.webp)

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## Trabalhar com hardware especial da China

*Sobre desenvolver software sem manual* · 2020-12-31 · https://willem.com/pt/2020-12-31_trabalhar-com-hardware-especial-da-china/

Este mês recebi uma encomenda da China com hardware especial: dispositivos Android com impressoras integradas! Para facilitar a vida aos donos de restaurantes e negócios que usam a minha app de pedidos de comida, quero que estes dispositivos imprimam automaticamente os pedidos novos. Se eu conseguir pôr estas máquinas a funcionar com o meu software... desafio aceite!

## App de pedidos de comida

Através de uma loja_online_altamente_otimizada (https://lemmid-store.com) as pessoas podem pedir comida para levar e para entrega. Os meus clientes são donos de restaurantes e de lojas que vendem os seus produtos através da app. Os pedidos são encaminhados para a cozinha e para o pessoal de entregas, garantindo que tudo é preparado e entregue.

![As pessoas usam a app para pedir comida: os pedidos são encaminhados para a cozinha e para o pessoal de entregas](https://willem.com/global/images/d9984fd291cb.webp)

### A necessidade de uma impressora

Nos últimos meses tenho vindo a acrescentar_funcionalidades (https://willem.com/blog/lemmid-store/) para ajudar os meus clientes a gerir melhor as suas lojas online. Um pedido muito frequente é acabar com o computador ou tablet que têm agora na cozinha para aceder aos pedidos online. Em vez de um computador grande e volumoso, procurei uma alternativa compacta.

## Android com impressora integrada

Depois de vasculhar vários mercados internacionais, consegui contactar um fornecedor chinês de hardware que criou um dispositivo Android com impressora integrada! Poucas semanas depois chegou da China: que mundo maravilhoso em que vivemos!

![Terminal Android de mão: hardware OEM diretamente da China](https://willem.com/global/images/be106b0b6553.webp)

É um hardware interessante porque:

- é compacto (em comparação com um PC, tablet ou portátil convencional)

- funciona a bateria *e* ligado à corrente

- funciona por WiFi *e* tem a opção de internet móvel 4G

- tem um ecrã tátil grande

- corre apps Android nativas

- consegue aceder à web

- tem uma impressora integrada!

![Corre Android, com um toque chinês (em sentido figurado...)](https://willem.com/global/images/4ca3fdca17db.webp)

A impressora integrada é superprática, porque faz do dispositivo uma solução completa para tratar pedidos online. Com o ecrã tátil acedem-se aos pedidos e o dispositivo pode ser configurado para os imprimir automaticamente. Isto permite encaminhá-los facilmente para a cozinha e para o pessoal de entregas.

![O seu truque de festa é a impressora integrada, superútil para tratar pedidos (online)](https://willem.com/global/images/c22d0497647e.webp)

## Correr alguma coisa / software

Para que tudo isto aconteça, preciso de conseguir correr software próprio nele. Embora corra Android, os dispositivos vieram sem manuais, sem instruções e sem kit de desenvolvimento de software. Ou seja, tive de fazer engenharia inversa para entrar neste dispositivo.

O melhor que podes fazer então é experimentar algo que conheças bem e ver se consegues pôr outra das tuas apps a correr no dispositivo. Liguei o dispositivo ao meu_tablet_Linux (https://willem.com/en/2020-09-28_refining-my-tablet-os-experience/) e comecei a mexer! Por acaso já tinha criado uma pequena_app_Android (https://snake97.com) antes... e parecia o candidato perfeito para testar a minha ligação de desenvolvimento ao dispositivo.

![Snake '97 na impressora Lemmid, ha!](https://willem.com/global/images/490062964133.webp)

A vantagem de correr algo bem conhecido em hardware desconhecido é que consegues estabelecer uma espécie de referência para as capacidades do hardware. Afinal, a impressora Android é bastante capaz!

## Sem documentação nem SDK

Para aproveitar totalmente as capacidades do hardware, precisava de descobrir como programar a impressora integrada. O fornecedor chinês integrou a impressora de uma forma Android não standard (se é que existe uma *forma standard* no Android..). Os dispositivos que recebi vieram sem software nem código-fonte, uma grande chatice!

Investiguei os números de série e de modelo do dispositivo OEM. Procurei qualquer pista que encontrasse e pesquisei na internet por dispositivos semelhantes. Talvez encontrasse algum código-fonte (relacionado) que me desse um ponto de partida para trabalhar neste dispositivo.

## Engenharia inversa de código Java

Depois de horas de pesquisa, encontrei, num canto remoto da internet, um pacote com código-fonte de um dispositivo semelhante! O problema era que estava tudo em chinês!

![Código chinês para fazer a impressora funcionar... como é que se pode perceber isto?](https://willem.com/global/images/e8928f950eb8.webp)

![Google Translate em socorro!](https://willem.com/global/images/f0cc5bc39dcb.webp)

Analisei o código-fonte e depressa percebi como funcionava o básico. Com o Google Translate descobri que algumas partes do código-fonte eram limitadas ou não totalmente suportadas. Mas pelo menos dava-me um ponto de partida! No fim consegui não só ler o código-fonte chinês, como escrever software para ele!

![Código Java para controlar a impressora](https://willem.com/global/images/31571969ba3a.webp)

O passo seguinte foi criar um programa de teste para ver se o código chinês adaptado funcionava mesmo. Se conseguisse, poderia começar a escrever software a sério para a impressora Android, software que acabaria por ser usado pelos meus clientes. Pois bem... olha só, funcionou! A impressora começou a fazer barulho e voilà: apareceu um logótipo Lemmid!

![SIM! A impressora imprime o logótipo «Lemmid» num talão!](https://willem.com/global/images/25e13cb105b2.webp)

## Conclusão

Isto é brilhante! Estou muito contente por ter encontrado uma forma de escrever software para este hardware especial. Permite-me integrar o hardware na plataforma que estou a construir para os meus clientes.

Se há uma coisa a reter deste artigo, é que às vezes basta tentar e ver se consegues descobrir uma forma de fazer as coisas funcionar. Porque só se não tentares é que podes ter a certeza de que não vai funcionar!

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## Porque é que o Apple Silicon é um grande passo

*Deslumbrado por um MacBook Air* · 2020-12-15 · https://willem.com/pt/2020-12-15_porque-e-que-o-apple-silicon-e-um-grande-passo/

A Apple desenha agora os seus próprios processadores e tive a oportunidade de trabalhar com o que há de mais recente em Cupertino: um MacBook Air novinho em folha com processador M1. Nunca um MacBook Air me deixou tão deslumbrado, e o trocadilho é intencional. Deixa-me partilhar algumas ideias sobre porque acho que o Apple Silicon é um grande passo.

## Desempenho versus autonomia

Quem se interessa por computação móvel sabe que o desempenho costuma custar autonomia da bateria. Um processador potente gasta energia, aquece e precisa de ventoinhas para arrefecer. Pois bem, já não é assim: conhece o Apple Silicon!

![O processador M1 é o primeiro Apple Silicon disponível num Mac](https://willem.com/global/images/1d10bae09d93.webp)

Continuo completamente de boca aberta: o novo MacBook Air que tenho aqui é, sem dúvida, o computador mais rápido que já tive. E no entanto é totalmente silencioso e o indicador da bateria parece preso em «cheia». É uma experiência estranha, quase de outro mundo: esperas algum truque, mas não há nenhum. Este computador muda as regras do jogo.

![O novo Apple Silicon M1 do MacBook Air deixa-me de boca aberta](https://willem.com/global/images/68db3d5bf737.webp)

Uma coisa que sempre apreciei no iPad (https://willem.com/en/inside-and-outside-apple-using-questioning-and-escaping-the-ecosystem/) e no meu tablet_Surface (https://willem.com/en/2020-09-28_refining-my-tablet-os-experience/) é que são silenciosos. Isso permite-me concentrar no trabalho, sem o silvo distrativo de uma ventoinha. Nem o calor incómodo debaixo do teclado. Agora o Mac também tem isto: um silêncio zen combinado com desempenho em bruto.

## Como é que a Apple consegue?

A resposta curta: lições do mundo móvel. O iPhone e o iPad foram um enorme sucesso porque a Apple integra profundamente o hardware e o software. Em comparação com um processador de PC convencional, os chips móveis que a Apple produz são feitos à medida da carga de trabalho que esperam correr.

Isto permite-lhe otimizar o processador para a velocidade *e* para a eficiência energética. O sistema operativo usa o processador com inteligência, correndo as tarefas nos núcleos mais adequados a cada trabalho. Por exemplo, ir buscar e-mails novos pode ser feito por um núcleo de CPU mais lento mas muito eficiente, enquanto um jogo usa os núcleos potentes.

Além de software inteligente, integraram dentro do chip do processador muitos chips que, de outro modo, seriam chips externos na placa principal. O feito mais incrível é integrar a memória do sistema no chip. Isto elimina a necessidade de uma «autoestrada» de largura de banda ultra elevada entre o CPU e os bancos de memória externos. Como a memória está mesmo ali, dentro do chip principal, não é preciso transferir todos aqueles bits e bytes para lá e para cá. É muito mais eficiente, por conceção.

![Integrar chips dentro do processador reduz a necessidade de transferir dados para lá e para cá entre outros chips (externos)](https://willem.com/global/images/e008bfc50bc4.webp)

## Conclusão

O que devia assustar a concorrência é que *isto é só o princípio*. Esta é a primeira tentativa da Apple de fazer um processador para Mac e superou a maioria das expectativas.

É difícil fugir à sensação de que todos os computadores que tenho são agora antiquados, a diferença é mesmo assim tão grande. Desde os meus servidores gulosos de energia no centro de dados (que consomem quilowatts por dia) até ao tablet que levo comigo. É tecnologia ineficiente de ontem, o futuro chegou: caramba!

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## Desenhar uma fila de capacidade multidimensional

*Gerir a capacidade de cozinha, entregas e recolhas* · 2020-12-02 · https://willem.com/pt/2020-12-02_desenhar-uma-fila-de-capacidade-multidimensional/

Este mês precisei de acrescentar dimensões a um mecanismo de fila de capacidade. A app de pedidos de comida que criei tinha de conseguir limitar a capacidade com base no número de pedidos, no conteúdo de cada pedido e no tipo de expedição (take-away/entrega). Lê até ao fim para saberes como usei uma Arquitetura Lambda para o fazer.

## Limitar a capacidade

Embora talvez não te tenhas apercebido, uma das funcionalidades mais poderosas da app_de_pedidos_de_comida_que_criei (https://willem.com/blog/lemmid-store/) é, na verdade, poder limitar o número de pedidos. Parece contraintuitivo, mas ao limitar o número de pedidos que podem ser feitos, os meus clientes (os donos de restaurantes e de lojas que usam a app) garantem que os pedidos são preparados e entregues como deve ser.

## A complexidade das três pizzas

Imagina que queres encomendar três pizzas. A app de comida precisa então de saber:

- Queres **ir buscá-las** ou que sejam **entregues**?

- A **que horas?** Quando é que têm de ir ao forno?

- Há **espaço suficiente** para *três* pizzas **no forno** *a essa hora*?

- Se escolheste recolha: **conseguimos receber-te em segurança** a essa hora?

- Se escolheste entrega: **há um estafeta disponível** para te levar as pizzas? 

- **Sim a tudo isto?** Então **paga, por favor**, enquanto **mantemos as tuas pizzas reservadas** no forno e na entrega ou recolha. Não pagaste? Mudaste de ideias? Então «desfazemos» toda a reserva e esperamos que outra pessoa encomende pizzas! 

![Comer pizza durante o desenvolvimento é a forma de «viver o algoritmo»](https://willem.com/global/images/e9229d524bd1.webp)

## Três dimensões de capacidade

Especialmente à «hora do jantar» há o risco de demasiadas pessoas pedirem comida ao mesmo tempo. Embora a app consiga lidar com o tráfego extra graças à sua arquitetura_altamente_escalável (https://willem.com/en/2020-05-11_scalable-application-design-without-magic/), as restrições físicas mantêm-se, como:

- **capacidade da cozinha**: o número de pratos que consegues preparar de uma vez

- **capacidade de recolha**: o número de pessoas que consegues receber em segurança de uma vez, face às restrições da COVID-19

- **capacidade de entrega**: o número de pedidos que consegues entregar, tendo em conta o trânsito, a distância e o percurso

![Três restrições de capacidade: cozinha / entrega / recolha](https://willem.com/global/images/db564dd30d9f.webp)

### Distintas mas interdependentes

Estes três tipos de restrições são interdependentes. Por exemplo, é possível que um grande pedido para recolha ocupe toda a capacidade da cozinha, o que também deixa a entrega indisponível. Ainda se poderiam aceitar pedidos mais pequenos para preencher a capacidade da cozinha, quando já pode não haver capacidade para pedidos grandes. Isto significa que precisas de um mecanismo que olhe para *todas* as métricas em conjunto para determinar a disponibilidade para novos pedidos, incluindo o conteúdo de um pedido ainda não feito (por exemplo, o que está no teu carrinho de compras).

### Diferenças na granularidade dos intervalos de tempo

É comum definir uma restrição física com um intervalo de tempo, por exemplo *«a cozinha consegue produzir 10 pratos em cada 15 minutos»*. Torna-se difícil quando defines outras restrições físicas com intervalos de duração diferente. Enquanto a cozinha pode ser limitada a cada 15 minutos, a capacidade de entrega pode usar um intervalo maior (por exemplo, 3 entregas em cada 30 minutos). De algum modo, o mecanismo tem de saber lidar com estas diferenças de granularidade.

### Encomendar com antecedência

O desafio aumenta com a opção de as pessoas fazerem os pedidos com antecedência. As pessoas podem escolher um horário no futuro e ter a capacidade necessária reservada. Às vezes vejo pessoas fazerem o pedido com dias de antecedência para terem a certeza de que a comida é entregue num dia e hora específicos. Isto significa que há (pelo menos) dois momentos associados a cada pedido: a hora do pedido e a hora da entrega.

### Reservar e libertar capacidade

A maioria dos donos de negócios exige pagamentos online para os pedidos online, para garantir que todos os pedidos são genuínos e que não se desperdiça capacidade (nem comida) com faltas ou pedidos fantasma. O problema_dos_pagamentos_online (https://willem.com/en/2020-03-25_designing-and-implementing-a-micro-payment-system/) é que nem todas as transações têm sucesso. Às vezes um pagamento com cartão de crédito ou débito é rejeitado (por exemplo, por falta de saldo). Outras vezes as pessoas fecham simplesmente a app antes de concluir o pedido. O sistema deve reservar a capacidade necessária para um dado pedido enquanto permite que a pessoa faça o pagamento online, e deve libertar a capacidade reservada se o pedido for abandonado ou se o pagamento falhar.

### Muito volume, muita velocidade

Por último, mas não menos importante, o mecanismo tem de ser fiável e rápido. A disponibilidade de pedidos deve ser determinada em meros milissegundos, com muita concorrência, porque há muitos clientes diferentes ligados à app de pedidos de comida nas horas de ponta. Quando alguém faz um pedido, isso afeta a disponibilidade de todos os outros pedidos (potenciais). Nem todos estão ligados de forma fiável, porque algumas pessoas usam a app em telefones com má receção ou em wifi fraco. O sistema tem de funcionar bem em condições variáveis, com muitas pessoas ligadas.

## Arquitetura Lambda

A Arquitetura_Lambda (https://en.wikipedia.org/wiki/Lambda_architecture) é uma forma de lidar com grandes quantidades de dados, usando em simultâneo métodos de processamento em fluxo e em lote. Uma arquitetura lambda depende de um modelo de dados com uma fonte de dados só de acrescento e imutável, muitas vezes composta por eventos com marca temporal.

### Dados imutáveis

Esta é uma base muito importante do mecanismo: todos os dados têm marca temporal e *nunca* mudam. Em vez de alterar registos existentes, simplesmente acrescentam-se novos registos que sobrepõem os existentes. Isto permite muita concorrência e algoritmos distribuídos, porque a sincronização fica mais simples: basta procurar dados novos (em vez de novos e atualizados!).

### Camada em tempo real / de velocidade

O processamento em fluxo, ou camada em tempo real / de velocidade, numa arquitetura lambda foi pensado para dar respostas super rápidas às necessidades de dados em tempo real. Mantém vistas e métricas baseadas no processamento de eventos em tempo real.

### Camada de pré-computação

O processamento em lote, ou camada de pré-computação, fornece uma base completa e exata de todos os dados do sistema. Como processar grandes quantidades de dados pode demorar, o processamento em lote não é suficientemente rápido para fazer tudo instantaneamente. É por isso que as duas camadas trabalham em conjunto numa arquitetura lambda.

## Implementação

Os servidores de backend que tratam os pedidos de comida da app trabalham com um fluxo de dados de eventos com marca temporal. No essencial: cada pedido é um evento no sistema. Cada pedido é guardado com a sua data/hora de pedido, data/hora de expedição (hora agendada de entrega ou recolha), dados do cliente e conteúdo do pedido (número de pratos, etc).

### Reservar e libertar capacidade

Se o pagamento falha ou se um pedido é abandonado, é acrescentado ao fluxo de dados um pedido «negativo». Neutraliza qualquer efeito nas restrições de capacidade com as suas métricas negativas. Por exemplo: para cancelar um pedido de três pizzas, cria-se no fluxo de dados um pedido negativo de «menos três pizzas» com a mesma marca temporal de expedição. É uma forma elegante de garantir que a capacidade é reservada e libertada.

### Métricas multidimensionais em tempo real

Em vez de abstrair a capacidade em contadores, o servidor de backend usa os dados *reais* do fluxo para responder a consultas de métricas em tempo real. Isto permite ao sistema lidar com as diferenças de granularidade dos intervalos de tempo.

![Um fluxo de eventos de pedidos é o coração do mecanismo e as consultas são respondidas olhando para esse fluxo: quantas pizzas estarão prontas às 18:00?](https://willem.com/global/images/1e59e0b31de7.webp)

Quando recebe pela primeira vez uma consulta para uma dada métrica, o sistema carrega dados históricos através de um mecanismo em lote para inicializar o modelo, que depois consegue manter atualizado em tempo real. Esta métrica é mantida atualizada olhando para todos os novos pedidos que entram no sistema enquanto chegarem consultas para essa métrica. Quando os dados deixam de ser pedidos, o modelo é descartado. Se for preciso outra vez, o processo repete-se.

O melhor desta abordagem é que a maioria das consultas é respondida em meros milissegundos, porque são lidas diretamente da memória RAM, sem interação com base de dados nem disco. Isto dá um desempenho ultra elevado «conforme a necessidade». Funciona bem com a app de pedidos de comida porque nem *todos* os intervalos de tempo são igualmente populares.

A app de pedidos de comida consulta repetidamente um servidor central de capacidade que mantém as métricas da fila. Depois filtra os horários disponíveis olhando para o que a pessoa está realmente a escolher para o seu pedido. Escolher um horário (provavelmente) disponível acontece, assim, do lado do cliente, o que reduz a carga no backend. Quando um pedido é feito, o backend reserva a capacidade atualizando as métricas centrais da fila e impedindo que outras pessoas reclamem o mesmo lugar na fila.

## Conclusão

Os mecanismos de fila podem ser difíceis quando lidas com várias métricas que controlam a velocidade. Vale mesmo a pena dedicar tempo a modelar bem, pensando no tipo de dados de que *realmente* precisas para fazer verificações relacionadas com a fila.

Agora sabes que encomendar três pizzas não é assim tão simples! Garantir que podem ser servidas quentes e a horas é um grande desafio técnico, além de ser bom cozinheiro. Ainda bem que *eu* não me concentro nisso, ha!

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## Desenhar o meu próprio relógio

*Um relógio intemporal, funcional e confortável* · 2020-11-30 · https://willem.com/pt/2020-11-30_desenhar-o-meu-proprio-relogio/

No mês passado chegou da Suíça uma encomenda muito especial, com o meu relógio de pulso feito por medida. Decidi vender todos os meus relógios de grandes marcas e substituí-los por algo único, feito à medida das minhas preferências. Esta é a história do meu relógio.

## Relógios

Há algo de mágico nestas máquinas em miniatura que as pessoas usam no pulso: os relógios. São maravilhas técnicas que muitas vezes são muito mais do que simples ferramentas para ver as horas.

Uns são símbolos de estatuto, outros são peças de arte, outros são ferramentas de fitness e outros ainda são companheiros digitais. Mas, acima de tudo, um relógio é algo verdadeiramente pessoal: usas-o no *teu* corpo. Com smartphones e computadores por todo o lado, ninguém precisa realmente de um relógio para saber as horas. Usar um relógio é uma escolha deliberada, e gosto de a ponderar com cuidado.

![Alguns dos meus relógios ao longo dos anos](https://willem.com/global/images/5cbf46c5e43e.webp)

Ao longo dos anos usei muitos relógios diferentes, e cada um tem a sua história e a sua razão. Mesmo assim, nenhum deles me assentou na perfeição *a mim*.

Vais ficar surpreendido com a dificuldade de definir *com precisão* o que queres *mesmo*. Levei o meu tempo (trocadilho intencional) a destilar uma lista de características que definiria *o meu relógio perfeito*:

- **mostrador analógico:** tal como a passagem natural do tempo, gosto que os ponteiros de um relógio deslizem à medida que o tempo avança

- **simples:** sem distrações desnecessárias, gosto que o meu relógio se concentre (visualmente) na sua função

- **autónomo:** de acordo com o valor que dou à minha própria independência, gosto que o meu relógio consiga funcionar sozinho, sem ser preciso carregá-lo ou dar-lhe corda manualmente

- **à prova de água:** como não tenho medo da chuva quando ando na minha_bicicleta (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/) e como gosto de nadar, o meu relógio também deve aguentar a água!

- **dia e noite:** com um filho pequeno, a distinção entre a noite e o dia fica turva de vez em quando... qualquer referência que o relógio consiga dar na escuridão total é bem-vinda!

- **intemporal:** num mundo onde as_coisas_ficam_obsoletas_rapidamente (https://willem.com/en/2018-01-08_lessons-from-a-takeaway-plastic-bag/), gosto de pensar no meu relógio como algo mais intemporal, como uma obra de arte

- **discreto:** uso o meu relógio para mim, não quero que atraia atenção desnecessária

- **honesto:** deve ser fiel à natureza do material, não gosto de esconder coisas atrás de camadas de maquilhagem superficial

## ochs und junior

Foi então que dei com a ochs_und_junior (https://www.ochsundjunior.swiss), uma pequena marca de relojoaria da Suíça. Fundada em 2006 por Ludwig Oechslin, Beat_Weinmann (https://www.instagram.com/beatweinmann/) e Kurt König, passaram por um intenso processo de construção e design para criar os seus relógios. Embora a empresa esteja neste momento num estado_de_transformação (https://www.ochsundjunior.swiss/news/), continua a produzir os relógios que lhe deram a sua reputação.

![Ludwig Oechslin tem a obsessão de reduzir o número de peças, e é descrito como uma lenda viva](https://willem.com/global/images/2dbe726ea482.webp)

Os seus relógios de pulso usam menos peças para oferecer complicações mecânicas, mostrando outras coisas além das horas. Os relógios são desenhados por Ludwig_Oechslin (https://en.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Oechslin), um relojoeiro, inventor e designer de renome, reconhecido e premiado. Ficou amplamente conhecido pelo restauro do relógio astronómico da Biblioteca do Vaticano, conhecido como o Relógio Farnese, e pelo tempo que passou como diretor do Museu Internacional de Relojoaria em La Chaux-de-Fonds, na Suíça. Tem a obsessão de reduzir o número de peças, porque uma mecânica mais simples é mais fiável e mais fácil de fabricar e de reparar.

Este foco em eliminar a complexidade desnecessária é algo que valorizo totalmente. É algo que tento alcançar em tudo o que faço, desenho e com que trabalho. Como o meu botão_do_café (https://willem.com/en/2020-03-25_designing-and-implementing-a-micro-payment-system/) ou a minha bicicleta_de_estrada (https://willem.com/en/2020-04-30_minimalistic-road-bike-with-gates-carbon-drive/). Soube logo que esta era a empresa capaz de construir o meu relógio.

Depois de contactar a empresa, tivemos várias chamadas telefónicas e trocas de e-mails para discutir as minhas ideias. Ao longo dos anos fizeram exemplares muito espetaculares, mas eu queria manter-me fiel à minha lista de desejos. Quando o céu é o limite, é difícil manter os pés no chão, e foi isso que tentei fazer ao criar esta obra de arte discreta.

![Um relógio intemporal: um relógio com calendário anual, feito por medida segundo as minhas especificações](https://willem.com/global/images/ca9e9c0d6a12.webp)

O meu relógio é feito de titânio (que é leve e duradouro), é pequeno (36MM de diâmetro), é à prova de água (com coroa de rosca), os ponteiros são luminosos (visíveis no escuro), tem movimento automático (não precisa de pilhas nem de corda manual) e as suas cores são fiéis ao material (sem superfícies pintadas).

O relógio é um chamado "calendário anual", o que significa que mostra a data correta com apenas um ajuste manual por ano (em fevereiro). Um calendário anual "sabe" a diferença entre meses curtos e longos. Na alta relojoaria, é uma complicação de gama superior, que por vezes exige mais de cem peças adicionais. Graças ao design brilhante de Oechslin, este relógio usa apenas 3 peças adicionais!

![A complicação do calendário anual com apenas 3 peças adicionais](https://willem.com/global/images/c0fbb2277584.webp)

![Como ler as horas, o mês, a data e o dia da semana](https://willem.com/global/images/dc745e2a8599.webp)

Como luxo escondido (só quem o usa dá por ele), o relógio é aligeirado por fresagem de todo o material em excesso. Enquanto algumas pessoas preferem um certo peso para comunicar valor (material), eu aprecio a leveza porque melhora o conforto (sobretudo quando estás ativo).

![Fresagem de material para tornar o relógio mais leve](https://willem.com/global/images/5b2d2c137ac6.webp)

![Antes (à esquerda) e depois (à direita) de fresar o material](https://willem.com/global/images/d198d78af6bb.webp)

Durante o processo de design mantive-me em contacto com a empresa. De vez em quando recebia imagens da oficina, que me mantinham a par do progresso.

![O modelo 3D da caixa do meu relógio](https://willem.com/global/images/bd97c01919d4.webp)

![O super luminova torna o relógio perfeitamente legível no escuro](https://willem.com/global/images/483fbca4a00a.webp)

![Já o contraste subtil permite que o meu relógio passe despercebido durante o dia ](https://willem.com/global/images/14e7b7f637fc.webp)

![O próprio "maestro" a trabalhar no meu relógio: parece que tenho uma fotografia de Rembrandt a pintar a minha própria Ronda da Noite! ](https://willem.com/global/images/cfe479fe9996.webp)

![Antes de sair da Suíça, o relógio é testado e calibrado para garantir que funciona bem](https://willem.com/global/images/b4ea32ba8b5e.webp)

## Dia da entrega!

Depois de esperar pacientemente alguns meses, recebi o meu relógio pelo correio no mês passado. Normalmente és bem-vindo para o ir buscar em pessoa, mas devido a todas as restrições da COVID-19 optei pela entrega por encomenda postal. Se odeias pagar impostos (de importação), talvez queiras repensar isto... a alfândega neerlandesa quis a sua parte do meu mealheiro antes de libertar a minha encomenda para importação.

![O meu filho deu uma ajuda na importação da sua futura peça de herança](https://willem.com/global/images/e59d50ccf678.webp)

![O que importa é o produto, não se gasta dinheiro nem energia em caixas ou livrinhos supérfluos, adoro isto](https://willem.com/global/images/08e6115a13bf.webp)

![Como uma criança numa loja de doces: eu, feliz!](https://willem.com/global/images/7e57559d1dbf.webp)

![As cores naturais combinam bem com a luz](https://willem.com/global/images/9e152553584c.webp)

![A bracelete de pele de esturjão é à prova de água por natureza](https://willem.com/global/images/518142ba9fb0.webp)

![A caixa é fresada com extrema precisão, por isso não é preciso esconder erros com polimento (porque não os há!)](https://willem.com/global/images/b8be900406cb.webp)

![O desenho curvo da caixa é muito confortável no pulso, pois não há arestas vivas a espetar-se no braço](https://willem.com/global/images/af326b0723b7.webp)

![O mostrador é espetacular "à sua maneira discreta": tem uma profundidade incrível, difícil de captar numa fotografia (tentei na mesma!)](https://willem.com/global/images/f3175a9e5dd7.webp)

![O tamanho de 36MM é perfeito no meu pulso](https://willem.com/global/images/0995265aa49e.webp)

![Mudar a bracelete é fácil e transforma o relógio, porque o próprio relógio é bastante neutro](https://willem.com/global/images/ef4d1a42bd62.webp)

![A bracelete preta de tecido tem um núcleo de Kevlar, o que a torna extremamente durável e resistente, perfeita para andar de bicicleta!](https://willem.com/global/images/fac8ba7e8757.webp)

![O fecho de carbono quase não acrescenta peso](https://willem.com/global/images/8592aa859652.webp)

![Cores diferentes têm efeitos diferentes no relógio: aqui vês com uma bracelete de tecido cor 'tan'](https://willem.com/global/images/9384fb6ebcd6.webp)

![Em linha com a caixa "LIGHT" do meu relógio, o fecho desta bracelete é fresado para eliminar qualquer peso desnecessário](https://willem.com/global/images/d2c35a3b5470.webp)

## Conclusão

Embora haja muitas razões para escolher um relógio, eu queria que o meu relógio fosse perfeito *para mim*. Num mundo acelerado, onde as coisas são substituídas depressa por novas modas, gastar tempo e dinheiro num relógio intemporal soube-me bem.

Não tenhas medo de tomar decisões por ti. Usa o relógio que queres usar. Se não existe, não entres em pânico. Graças às maravilhas do nosso mundo ligado, podes encontrar pessoas que te ajudem!

![Usa o relógio que queres: se não existe, podes criá-lo!](https://willem.com/global/images/a8807f4b67b5.webp)

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## Substituir um cabo de mudanças Shimano

*Arranjar a bicicleta de carga depois de uma caça aos ursos* · 2020-11-22 · https://willem.com/pt/2020-11-22_substituir-um-cabo-de-mudancas-shimano/

Na semana passada, eu e o meu filho andámos à procura de ursos no parque aqui perto... a fantasia de uma criança não tem preço! Infelizmente, durante um passeio todo-o-terreno com a nossa bicicleta de carga, um dos cabos ficou preso num ramo robusto! A nossa bicicleta de carga ferida precisava de reparação!

## À procura de ursos

Uma coisa que adoro no ciclismo (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/) é que experimentas o mundo à tua volta de forma muito intensa. Sentes o cheiro da natureza, ouves os pássaros e vês muito mais coisas à tua volta. Não é por acaso que gosto de ir à aventura com o meu filho na nossa bicicleta_de_carga (https://willem.com/en/2019-06-25_assembling-a-cargo-bike/).

![À procura de ursos... no parque aqui perto: uma aventura sem preço!](https://willem.com/global/images/14701bce2442.webp)

![A nossa máquina de aventuras: a bicicleta de carga Babboe Big](https://willem.com/global/images/6cec290ce7de.webp)

Uma das coisas giras que eu e o meu filho fazemos de vez em quando é andar com a bicicleta de carga fora de estrada... Passar por lama e arbustos aumenta a aventura! Desta vez os arbustos contra-atacaram! Um ramo robusto ficou preso mesmo no cabo das mudanças, por baixo do quadro da bicicleta de carga! Arrancou o cabo todo do quadro e fê-lo rebentar!

![O meu pequeno colega a inspecionar os danos na bicicleta de carga](https://willem.com/global/images/709aad539c10.webp)

![O cabo das mudanças por baixo da bicicleta de carga foi arrancado por um ramo...](https://willem.com/global/images/2e0235d40364.webp)

![Ups... isto não está certo!](https://willem.com/global/images/179b3a671c8b.webp)

## Substituir o cabo das mudanças

Felizmente, reuni todas as ferramentas necessárias para reparar bicicletas eu mesmo. É ótimo investir em boas ferramentas *e* aprender a usá-las. A bicicleta de carga está equipada com um cubo de 7 velocidades Shimano Nexus, que é relativamente fácil de reparar.

![O cubo Shimano Nexus de 7 velocidades: o cabo está preso por um parafuso, dentro do círculo vermelho](https://willem.com/global/images/c48d5ebf3aea.webp)

Para retirar o cabo das mudanças (danificado), deves colocar o manípulo na primeira mudança, aliviando a tensão no cabo. Depois podes usar o dedo (ou uma chave de fendas) para empurrar o suporte do cabo no cubo de volta. Isto permite-te tirar o parafuso que prende o cabo.

![O parafuso que prende o cabo das mudanças saiu do suporte no cubo](https://willem.com/global/images/2993f11ce454.webp)

![Soltar o parafuso faz-se facilmente com dois alicates](https://willem.com/global/images/c8b1618b281b.webp)

Retira o parafuso da ponta do cabo e guarda-o num sítio seguro (porque vais precisar dele mais tarde!). Para retirar o cabo, tens de abrir o punho do manípulo. O manípulo integrado no guiador da Shimano fecha com dois parafusos minúsculos. Se os retirares, deves conseguir tirar a placa de cobertura. Isto permite-te ver (e soltar) a outra ponta do cabo.

![A ponta tem uma peça de metal fixa, por isso só se consegue puxar numa direção](https://willem.com/global/images/37a9182a24b4.webp)

![Puxa o cabo danificado para fora, até ao fim](https://willem.com/global/images/e2fb5fee2592.webp)

Arranjar um cabo novo não é difícil, a maioria das lojas de bicicletas (locais) tem-nos em stock. Mas atenção: se estás a trabalhar numa bicicleta de carga ou num tandem, vais precisar de um cabo mais comprido do que o normal! É boa ideia medir o comprimento exato do cabo usando o cabo antigo.

![Cabo interior e revestimento exterior novos para as mudanças](https://willem.com/global/images/c102442c70d7.webp)

![As bicicletas de carga e os tandems precisam de cabos mais compridos! Se a tua loja de bicicletas local não os vender, encontras na Amazon](https://willem.com/global/images/03baf5e21f6a.webp)

O primeiro passo é medir e instalar o novo revestimento exterior. Garante que deixas folga suficiente à volta do guiador. Se o cabo ficar demasiado tenso, vai interferir com a direção! Depois de instalares o revestimento exterior, podes instalar o cabo interior. Começa no guiador e vai passando por todos os pequenos orifícios e tampas do cabo.

![Instala o novo cabo das mudanças a partir do guiador](https://willem.com/global/images/09989dc79f7d.webp)

![Certifica-te de que incluis e instalas todas as tampas finais, porque impedem a entrada de humidade e sujidade no revestimento exterior](https://willem.com/global/images/95082c8e5318.webp)

![Se correr tudo bem, o cabo interior sai do revestimento exterior no cubo traseiro](https://willem.com/global/images/b13a07126ced.webp)

Não cortes o cabo logo. Primeiro tenta instalá-lo e vê se tudo funciona. Depois de instalares o parafuso e de o fixares ao suporte do cubo traseiro, procura uma marca amarela. A marca amarela é uma forma fácil de ver se o cabo das mudanças está bem tensionado. As duas partes amarelas da marca devem ficar alinhadas quando selecionas a quarta mudança no manípulo.

![Tensiona corretamente o cubo Nexus de 7 velocidades alinhando as duas linhas amarelas quando selecionas a quarta mudança](https://willem.com/global/images/8953b0eb5b15.webp)

A minha estratégia é acertar 'mais ou menos' com o parafuso e afinar o alinhamento com o parafuso de alinhamento especial junto ao manípulo, no guiador. Quando tiveres a certeza de que está bem alinhado, dá uma pequena volta de teste. Se tudo correr bem, já podes cortar o cabo e colocar a tampa final, que impede o cabo de se desfiar em fios individuais.

![Não te esqueças de pôr uma tampa final no cabo para evitar que se desfie ](https://willem.com/global/images/f94472545d61.webp)

![Novo cabo de mudanças instalado e pronto para novas aventuras!](https://willem.com/global/images/153ebf8d45eb.webp)

## Conclusão

Às vezes a aventura cobra o seu preço ao equipamento... a nossa bicicleta de carga sofreu alguns danos no cabo das mudanças Shimano. Felizmente, reparar a bicicleta não foi difícil com as ferramentas e as peças certas.

Investir em ferramentas adequadas (e aprender a usá-las) é uma boa ideia. Consegui reparar a bicicleta de carga por apenas € 12. Saber fazer pequenas reparações sozinho é mesmo uma grande mais-valia para todas as aventuras!

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## A alegria de um portátil simples

*Surface Laptop Go com Windows 10* · 2020-11-03 · https://willem.com/pt/2020-11-03_a-alegria-de-um-portatil-simples/

De vez em quando troco de equipamento para me manter a par do que se passa fora dos meus hábitos tecnológicos habituais. Vais ficar espantado com o que se pode aprender a experimentar coisas diferentes. Esta semana tive oportunidade de testar o Surface Laptop Go com Windows 10. Para ser sincero, deixou-me espantado!

## Surface Laptop Go

Como parte da popular gama Surface, a Microsoft apresentou o Surface Laptop Go. É um portátil pequeno e simples, sem nenhuma característica que se destaque em particular. No papel, a ficha técnica provavelmente não te vai deslumbrar. Mas, como se vê, *isso* é na verdade uma coisa boa.

![Surface Laptop Go](https://willem.com/global/images/91bb997949a5.webp)

O problema do hardware moderno é que, demasiadas vezes, as pessoas procuram funcionalidades vistosas. Coisas para se gabar, coisas para mostrar. “Sou melhor do que tu” e “vê o que eu sei fazer?!” Os dispositivos de topo, smartphones incluídos, são apresentados como estrelas de rock em palcos principais. Mas é provável que não sejas um fã incondicional nem um admirador obcecado.

Tal como viver com uma estrela de rock provavelmente não é isento de dificuldades práticas, os dispositivos de gama ultra alta têm muitas vezes defeitos escondidos. Podem sobreaquecer, comportar-se de forma imprevisível ou exigir um preço elevado pela sua presença. Se procuras um companheiro para o dia a dia, talvez prefiras um pouco menos de “espírito de estrela de rock”. O Surface Laptop Go pode ser exatamente o que procuras!

![O Surface Laptop Go é um portátil compacto e simpático, sem luxos](https://willem.com/global/images/7da4fd2c9d4f.webp)

![Abrir e fechar o portátil dá-te uma sensação sólida da sua robustez e qualidade de construção](https://willem.com/global/images/ae013303e31f.webp)

![O portátil é feito de alumínio e plástico, moldados numa só peça](https://willem.com/global/images/f348850ea45f.webp)

Basta pegar no portátil para perceber logo como é bem construído. É robusto e sólido, mas sem peso excessivo. Tem um equilíbrio muito agradável que te dá confiança para o usares onde fores.

![A usar o Surface Laptop Go, em andamento (go): daí o nome!](https://willem.com/global/images/67586ee7b5e8.webp)

Ao contrário dos computadores topo de gama de vários milhares de euros, o preço relativamente acessível do Surface Laptop Go (a partir de € 629) não te obriga logo a pedir um segundo crédito à habitação. Isso torna tudo mais fácil, porque te sentes mais à vontade para o usar: é uma ferramenta, não uma joia preciosa!

## Usá-lo

Tenho usado o Surface Laptop Go com Windows 10 como alternativa ao meu querido_tablet (https://willem.com/en/2020-09-28_refining-my-tablet-os-experience/) que corre software livre. Experimento regularmente dispositivos e sistemas operativos diferentes para manter uma compreensão atualizada do “outro lado da barricada”. Isto vale para os meus computadores, mas também se_aplica_ao_meu_smartphone (https://willem.com/en/2018-10-09_using-a-budget-android-as-main-smartphone/). Nunca te deves limitar a uma plataforma em particular, é muito útil manter a mente aberta para as diferentes opções que existem. O meu pai costumava dizer: “Vê a ementa em todo o lado, mas desfruta do jantar feito em casa!”

A minha rotina diária envolve de tudo um pouco: gerir e-mail, ler artigos, escrever artigos para o blogue, programar, gerir servidores e, de vez em quando, fazer algum hacking (https://digidef.nl/). Trabalho a partir de casa *e* do meu escritório em Amesterdão, para onde vou de bicicleta (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/) e de onde volto. Por razões práticas, adoro que os meus computadores sejam portáteis, de preferência que caibam na minha mochila_à_prova_de_intempéries (https://willem.com/en/2018-12-22_business-in-a-bag/).

Os mais atentos terão reparado nas capturas de ecrã do Windows 10 nos últimos artigos do blogue, com alguma magia_com_rsync (https://willem.com/en/2020-10-30_how-to-use-rsync-to-make-backups/) e alguma programação (https://willem.com/en/2020-10-31_increase-traffic-to-your-blog-with-a-rss-feed/). Dar-me bem com o Windows 10 exigiu algum trabalho de afinação. O Surface Laptop Go vem com o Windows 10 em modo S. Ai, ai, ai.

![Windows 10 Home em modo S](https://willem.com/global/images/c988abd0e4a3.webp)

Correr o Windows 10 no chamado “modo S” significa que está bloqueado. Nem as aplicações da própria Microsoft funcionam bem, como experimentei quando tentei usar o Windows Terminal:

![Erro 0x800711c7 ao iniciar o ‘powershell.exe’: um lembrete simpático de que estás em modo S, estúpido...](https://willem.com/global/images/15bf4ce1e09b.webp)

A principal vantagem do modo S do Windows 10 é que estás mais protegido contra ameaças e malware. Percebo, é como não poderes bater com o carro se ele não andar. Sair do modo S é possível, mas não podes voltar... nunca mais! Como ser expulso do ninho, o ninho S.

![Sair do modo S é possível e “gratuito”](https://willem.com/global/images/14c48f0b2f0c.webp)

De alguma forma isto parece um pouco esquisito, só posso esperar que a Microsoft encontre uma maneira melhor de oferecer uma experiência Windows segura em vez deste ultimato do “ou vai ou racha”. Mas justiça seja feita: depois de saíres do modo S, hoje em dia quase tudo é possível com o Windows!

![Ativar o Subsistema do Windows para Linux (WSL) ](https://willem.com/global/images/65d81c39a04f.webp)

![Instalar o Debian Linux a partir da Microsoft Store é tão fácil como um clique: gosto disso](https://willem.com/global/images/d28fcec71d4f.webp)

Se dedicares tempo a configurar o Windows 10, é um sistema operativo bastante capaz. Rapidamente me orientei quando comecei a trabalhar. O Windows 10 é bom de uma forma previsível e profissional.

Usar o Surface Laptop Go lembrou-me da alegria simples de usar um portátil como ferramenta. Simplesmente funciona. Abres, fazes algum trabalho, fechas e repetes. A Microsoft acertou em cheio na experiência do Windows 10 no Surface, o software e o hardware estão bem integrados (de uma forma que me lembra a Apple no seu melhor).

![Desbloquear o Windows com a ponta do dedo](https://willem.com/global/images/dc6c8ebf462a.webp)

Um bom exemplo da natureza refinada da experiência é o leitor de impressões digitais. O computador arranca a uma velocidade inacreditável, à espera do teu toque para o desbloquear. É dada uma pista subtil mas bem visível: o botão de ligar acende-se. Tocas e “et voilà”, estás pronto a trabalhar.

![Uma planta, um portátil, um café](https://willem.com/global/images/fbf1ade29b85.webp)

Trabalhar com o portátil é um encanto. Funciona fresco e em silêncio, permitindo-te concentrar totalmente no trabalho. As margens finas à volta do ecrã dão-lhe muito espaço para trabalhar, maximizando o espaço para a tua criatividade e mantendo a dimensão portátil.

![O teclado é como um doce: suave e macio, com a firmeza certa, nem mole, nem plano, nem esponjoso](https://willem.com/global/images/5a3bf8fb70cf.webp)

O teclado deste portátil é fantástico, as teclas são extremamente confortáveis. Não te deixes enganar pelo aspeto de plástico, não há nada de frágil neste teclado. As teclas estão rodeadas de alumínio, o que dá uma sensação agradável quando apoias as palmas das mãos junto ao trackpad.

![O trackpad multitoque funciona bem com o Windows 10](https://willem.com/global/images/09e712d9c859.webp)

O trackpad espaçoso é outro exemplo de integração entre hardware e software. A Microsoft acrescentou suporte para gestos multitoque no Windows 10. É uma boa notícia para quem, como eu, já aprecia isto no Apple macOS há tantos anos.

## Conclusão

O Surface Laptop Go destaca-se pela razão certa: é um companheiro perfeito para o dia a dia. Embora existam alternativas mais baratas de outros fabricantes, não posso deixar de sentir que nenhuma oferece o mesmo nível de integração entre hardware e software. Este requinte faz toda a diferença e vale cada cêntimo.

Usar o Windows 10 para trabalhar não é nada mau, e isto é um grande elogio vindo de alguém como eu, que gosta de construir o_seu_próprio_sistema_operativo (https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/). Trabalhar com sistemas diferentes lembra-me de manter a mente aberta, há coisas boas fora dos meus hábitos habituais!

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## Aumenta o tráfego do teu blogue com um feed RSS

*Como configurar RSS/Atom com NodeJS* · 2020-10-31 · https://willem.com/pt/2020-10-31_aumenta-o-trafego-do-teu-blogue-com-um-feed-rss/

Escrever para o meu blogue tem sido muito divertido, recebo mensagens de todo o mundo sobre as coisas de que gosto. O tráfego está a crescer, todos os meses mais leitores encontram o caminho até ao meu blogue. Esta semana recebi um pedido para suportar feeds RSS no meu blogue. Fiquei a pensar: os feeds RSS ainda são relevantes hoje em dia?

## Feeds RSS

Com o RSS (ou "really simple syndication"), os utilizadores e as aplicações podem aceder às atualizações de sites num formato padronizado e legível por computador. Isto permite-lhes combinar atualizações de muitos sites diferentes num único agregador de notícias, basicamente como um "jornal" personalizado.

Antes de as redes sociais se tornarem tão populares, os feeds RSS eram muito usados para partilhar ligações e conteúdos entre diferentes fontes de notícias e de blogues. Subscrever o feed de um site é parecido com "seguir alguma coisa" nas redes sociais, recebes as atualizações automaticamente.

O melhor do RSS é ser distribuído: não há nenhuma autoridade única (nem grande empresa) a controlar o conteúdo ou a plataforma.

## O declínio do uso do RSS

À medida que as redes sociais ultrapassaram os feeds RSS em popularidade, o suporte para RSS tem vindo a diminuir. Plataformas como o Twitter e o Facebook permitem que qualquer pessoa, sozinha e de forma simples, partilhe conteúdo. Isto é muito mais fácil do que montar um blogue com o respetivo feed RSS. A maior parte do conteúdo das redes sociais é depois moderada e filtrada por algoritmos, juntamente com publicidade, para se transformar numa plataforma de comunicação de massas que gera dinheiro.

## O ressurgimento da newsletter por e-mail

Quando o Google Reader fechou portas, alguns_autores_de_blogues_perderam_6.500_subscritores_RSS (https://www.dannybrown.me/2015/03/12/does-your-blog-really-need-to-provide-an-rss-feed-anymore/) de um dia para o outro! Se pensares em manter o contacto com o teu público, o e-mail faz sentido. Para a maioria de nós, o e-mail faz parte das rotinas diárias. Consultamo-lo regularmente e temos acesso ao correio nos nossos dispositivos móveis. Se for bem feito, enviar newsletters por e-mail é uma forma viável de manter o contacto com o público. Caramba, não admira que as pessoas_lhe_chamem_uma_renascença_dos_media_noticiosos (https://medium.com/the-mission/how-on-earth-did-email-newsletters-become-popular-again-3fcee1addc7e).

## Porquê continuar a usar feeds RSS?

Na era das redes sociais e do ressurgimento das newsletters, podes perguntar-te porque é que ainda deverias suportar feeds RSS. Acho que a principal razão é que dá muito pouco trabalho fazê-lo bem, e (ainda) traz valor.

As pessoas, mas talvez ainda mais importante, os computadores, podem usar feeds RSS para obter automaticamente as atualizações do teu blogue. O software_de_newsletters_popular_pode_usar_RSS (https://mailchimp.com/features/rss-to-email/) para automatizar o processo de criação de newsletters. Ao suportares RSS no teu blogue, facilitas a vida a quem quer enviar newsletters *por ti*.

Sabias que há quem use feeds RSS para publicar tweets automaticamente sobre o *teu* conteúdo, através de serviços modernos como o IFTTT (if this then that)? Vale a pena ver este_artigo (https://www.wpbeginner.com/wp-tutorials/how-to-automate-wordpress-and-social-media-with-ifttt/). Em resumo, o RSS é uma ótima forma de apoiar a automatização de conteúdos. Mesmo que *tu* não tenhas intenção de fazer isto, devias pensar em apoiar os esforços dos outros, suportando RSS.

O mesmo vale para software de narrowcasting (ou sinalização digital), onde os títulos podem ser obtidos automaticamente a partir do teu site. Os_feeds_RSS_são_amplamente_suportados_pelo_software_de_sinalização_digital (https://duckduckgo.com/?q=digital+signage+rss) para gerar faixas de notícias.

Com aplicações modernas de leitura de RSS, como o Feedly (https://feedly.com), os utilizadores normais conseguem ultrapassar muitos dos problemas das primeiras aplicações de leitura de RSS: a sobrecarga de informação. Neste momento servem um nicho, por serem menos populares do que as redes sociais, mas esse nicho pode ser importante (quantidade vs. qualidade). Quem sabe um dia haja uma renascença dos feeds RSS, tal como aconteceu com as newsletters por e-mail.

![As aplicações modernas de leitura de RSS oferecem funcionalidades avançadas para filtrar e organizar feeds diferentes, fazendo de ti um mestre ZEN da sobrecarga de informação... mais ou menos](https://willem.com/global/images/f423a61315b1.webp)

## Adicionar suporte RSS ao teu blogue

Se escreves num software de blogues popular, como o WordPress, é provável que já tenhas o suporte_RSS_incluído (https://wordpress.com/support/feeds/). Experimenta acrescentar "/feed" ao endereço do teu blogue, pode aparecer automaticamente. Boa para ti! Se usas software de blogues personalizado, como eu, talvez tenhas de implementar tu mesmo os feeds RSS.

## Implementar tu mesmo o suporte RSS

Tecnicamente, o RSS não é mais do que um dialeto de XML. É um ficheiro que contém o teu conteúdo de forma padronizada e estruturada. A especificação_RSS_é_aberta (https://cyber.harvard.edu/rss/rss.html) e tem muito poucos segredos, pois está bem documentada.

Este blogue é gerido com software à medida que desenvolvi para os meus clientes. O meu software gera as chamadas "páginas HTML estáticas" a partir de um back-end gerido dinamicamente que corre em NodeJS. Isto significa que precisei de encontrar uma forma de gerar os feeds RSS a partir do meu gerador de sites estáticos, juntamente com os ficheiros HTML. Agora chegou a altura de ficar técnico! :-)

![O popular módulo NodeJS "feed" torna a sindicação de conteúdos simples e intuitiva](https://willem.com/global/images/efdaa472a270.webp)

É sempre boa ideia ver as implementações existentes de padrões abertos antes de te lançares a "reinventar a roda". É provável que alguém já tenha feito todo o trabalho difícil. Mais ainda, escolher um pacote bem testado em vez de uma implementação própria (com erros e falhas por descobrir) pode ser uma decisão inteligente. Para NodeJS existe o módulo_"Feed" (https://www.npmjs.com/package/feed), que facilita a geração de feeds RSS, Atom e JSON.

![Implementar feeds RSS, Atom e JSON no meu blogue com NodeJS e o módulo Feed](https://willem.com/global/images/b72d1c6597a5.webp)

Usando o módulo_Feed (https://github.com/jpmonette/feed), acrescentei ao meu gerador de sites estáticos uma função chamada "generateFeeds()" que implementa o código necessário para gerar feeds RSS, Atom e JSON. A sua tarefa principal é mapear os diferentes campos especificados na estrutura do feed RSS para os do modelo de objetos do meu site. Não é difícil acertar se já tens um modelo de objetos decente, com referências a campos como o URL de uma imagem, o título de um artigo e a data de publicação.

![Configurar o NGINX para redirecionar os URLs de feeds mais comuns para os ficheiros RSS gerados](https://willem.com/global/images/d21d6e79f505.webp)

Pensei que seria boa ideia configurar o meu servidor web, o NGINX, para redirecionar automaticamente os URLs de feeds mais comuns para os ficheiros RSS gerados. Assim, a minha implementação RSS personalizada é mais fácil de descobrir por outras pessoas e computadores, pois imita o comportamento do software de blogues popular.

Podes ver o resultado por ti mesmo, usando qualquer um dos seguintes URLs:

- https://willem.com/feed/

- https://willem.com/blog/feed/

- https://willem.com/blog/feed.rss (RSS)

- https://willem.com/blog/feed.atom (Atom)

- https://willem.com/blog/feed.json (JSON)

## Conclusão

Às vezes faz sentido dar uma segunda vista de olhos à tecnologia de outros tempos. Embora os feeds RSS possam já não ser tão populares como antes, ainda podem trazer valor ao teu blogue.

Como implementar um feed RSS é fácil e a sua manutenção pode ser totalmente automatizada, não há realmente razão para não pensares em acrescentá-lo ao teu blogue. Como bónus, ficas pronto para a próxima renascença!

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## Como usar o rsync para fazer cópias de segurança

*Uma explicação de uma poderosa ferramenta de transferência de ficheiros* · 2020-10-30 · https://willem.com/pt/2020-10-30_como-usar-o-rsync-para-fazer-copias-de-seguranca/

É muito importante fazer cópias de segurança dos teus dados, porque nunca sabes quando o desastre acontece! Uma ferramenta poderosa e multiplataforma que te ajuda a fazê-lo é o 'rsync'.  Neste artigo explico porque é que o rsync é útil e como o podes usar para configurar as tuas próprias cópias de segurança.

## Rsync

Desde que foi criado, em 1996 (por Andrew Tridgell e Paul Mackerras), o rsync tornou-se um utilitário padrão, disponível nas distribuições GNU/Linux mais populares, no Apple macOS, no FreeBSD, no NetBSD, no OpenBSD e (através do Cygwin ou do WSL) no Windows.

### Principais características

O rsync costuma ser usado para sincronizar ficheiros e pastas entre dois computadores diferentes. Pode usar SSH para se ligar a outro computador e transferir ficheiros. Além de computadores remotos, podes usar o rsync para sincronizar com discos rígidos externos e com unidades de armazenamento em rede (NAS). O rsync é popular porque:

- Está licenciado sob a GNU_General_Public_License (https://en.wikipedia.org/wiki/GNU_General_Public_License), o que o torna **software livre**; livre tanto no sentido de "liberdade de expressão" como de "cerveja grátis"

- O algoritmo do rsync é um tipo de codificação_delta (https://en.wikipedia.org/wiki/Delta_encoding), o que significa que minimiza o tráfego de dados / rede, pois **só copia as partes dos ficheiros que mudaram**. Além disso, os dados podem ser comprimidos para otimizar ainda mais o tráfego da transferência.

- Consegue **retomar transferências interrompidas através da verificação de somas de controlo**. Isto permite ao rsync detetar erros ao copiar um ficheiro de um lado para o outro. Se dois ficheiros diferirem em apenas um bit, as suas somas de controlo serão diferentes. A verificação de somas de controlo é uma forma eficiente de confirmar que todos os bytes chegaram bem ao destino.

## Instalar o rsync

Se usas GNU/Linux, *BSD ou Apple macOS, provavelmente já tens o rsync instalado. Se usas Windows, podes ver o Subsistema_do_Windows_para_Linux_ou_WSL (https://docs.microsoft.com/en-us/windows/wsl/install-win10) para teres acesso a todas as ferramentas padrão do GNU/Linux. Em alternativa ao WSL, podes usar o Cygwin (https://www.cygwin.com/) para instalar no Windows a grande coleção de ferramentas GNU e de código aberto.

## Utilização típica do rsync

O rsync usa-se a partir da linha de comandos, ou terminal. Executas o comando 'rsync' seguido de opções (facultativas), um caminho de origem e um caminho de destino.

![Um comando rsync típico, com as opções -arvz, uma My-Source-Directory e uma My-Remote-Directory num servidor](https://willem.com/global/images/7a7bafa71781.webp)

Com as opções **-arvz** configuras o rsync para:

- **a**: modo "archive" (arquivo), que preserva as permissões e as datas de criação e de última atualização

- **r**: modo "recursive" (recursivo), que permite ao rsync sincronizar recursivamente as subpastas dentro das pastas de origem/destino

- **v**: "verbose" (detalhado) ativa uma saída mais detalhada na consola, permitindo-te acompanhar o progresso linha a linha

- **z**: "compress" (comprimir) ativa a compressão dos dados enquanto são enviados para a máquina de destino, o que reduz a quantidade de dados transmitidos, útil em ligações lentas ou com consumo limitado

- **--delete**: faz com que os ficheiros sejam removidos do lado remoto se forem removidos da pasta de origem. Deves ter cuidado com esta opção!

Existem muitas outras opções que te permitem adaptar o comportamento do rsync às tuas necessidades. Consulta a página_man_do_rsync (https://www.man7.org/linux/man-pages/man1/rsync.1.html) para veres a lista completa de todas as opções.

## Como usar o rsync para guardar ficheiros

No exemplo seguinte vou usar o rsync para copiar uma pasta ("Sample-Files") do ambiente de trabalho do meu Windows 10 para um servidor remoto. Uso o WSL_no_Windows (https://docs.microsoft.com/en-us/windows/wsl/install-win10) para ter um ambiente Debian_GNU/Linux a funcionar no meu Windows Terminal.

![Usar o rsync no Windows 10 com o WSL](https://willem.com/global/images/0c7ba3c82117.webp)

Deixa-me explicar o comando que uso:

- **rsync** é o nome do programa que uso

- **-arvz** são as opções que configuram o rsync para fazer uma cópia arquivada, incluindo subpastas, e transferir os dados com compressão

- **/mnt/c/Users/mail/Desktop/Sample-files/** é o caminho da pasta de origem, visto através da estrutura de pastas do WSL. Aponta para o meu ambiente de trabalho do Windows (que está na unidade C:)

- **willem @ store.willem.com:./Backup** é o destino, que deves ler como "utilizador willem no servidor 'store.willem.com'" e, "nesse servidor", usar a pasta "Backup" dentro da pasta pessoal "./" do "utilizador willem". 

Se executares este comando pela primeira vez, é mostrada a impressão digital criptográfica do servidor remoto. Serve para garantir que estás a falar com o *teu* servidor. Isto impede que hackers se façam passar pelo *teu* servidor sem que dês por isso (a impressão digital é única para o teu servidor). Se o rsync detetar uma alteração nesta impressão digital, recusa-se a transferir ficheiros. Isto é crítico, porque copiar as tuas cópias de segurança para um destino remoto qualquer seria um risco potencial de fuga de dados!

É-te pedida a palavra-passe se te ligares por SSH sem autenticação por chave. Não há problema se pretendes executar a transferência manualmente, mas se pretendes automatizar as transferências, talvez queiras configurar a autenticação_por_chave (https://www.redhat.com/sysadmin/configure-ssh-keygen) (com o prático comando "ssh-copy-id"). O teu computador poderá então iniciar sessão na máquina remota em segurança, sem precisar de introduzir a palavra-passe manualmente.

![Usar o rsync para copiar ficheiros do ambiente de trabalho do meu Windows 10 para um servidor Debian GNU/Linux por SSH (com o WSL)](https://willem.com/global/images/c497fa4abfcc.webp)

Se o rsync conseguir ligar-se com sucesso, vai então determinar que ficheiros precisam de ser transferidos. Se tiveres definido a opção "-v", vês o progresso linha a linha. Quando a transferência terminar, o rsync sai com um resumo.

## Transferências incrementais

O truque de magia do rsync é suportar totalmente transferências incrementais de origem, sem nada extra. Se tiveres alguns ficheiros novos e voltares a executar o mesmo comando rsync, só transfere os ficheiros que precisam de ser transferidos.

![Depois de acrescentar a foto da Via Láctea aos meus ficheiros de exemplo, volto a executar o rsync para transferir os ficheiros de forma incremental, copiando apenas o ficheiro novo](https://willem.com/global/images/d76217c9a685.webp)

Podes ver na captura de ecrã que o rsync detetou automaticamente o novo ficheiro. Só transferiu esse ficheiro para o servidor remoto. Poupa largura de banda, tempo e capacidade de processamento. Funciona com ficheiros novos e com ficheiros atualizados.

Opcionalmente, podes usar a opção "--delete" para propagar as eliminações locais para a pasta de destino, criando uma imagem espelhada perfeita da estrutura de ficheiros local. Para fins de cópia de segurança, podes pensar em dispensá-la (podes apagar ficheiros sem querer).

## Automatizar transferências e cópias de segurança

Como o rsync é "apenas um comando de terminal", podes usá-lo facilmente nos teus próprios scripts. Pensa num script como um conjunto de comandos rsync que formam uma série de ligações de "origem" e "destino" entre os teus ficheiros e os respetivos locais de cópia de segurança.

Podes agendar o teu script para ser executado automaticamente num determinado dia da semana e a uma determinada hora do dia. Em GNU/Linux, *BSD e macOS podes usar o **cron** para isso. No Windows podes usar a aplicação "Agendador de Tarefas".

## Conclusão

Com o rsync podes transferir ficheiros do teu computador para outro sistema de forma eficiente, segura e incremental. Pode ser uma ferramenta crucial no teu plano de cópias de segurança.

É gratuito e está amplamente disponível. O seu desempenho e a sua fiabilidade estão bem comprovados. Não há mesmo desculpa para não configurares corretamente as tuas cópias de segurança!

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## Resgatar fotografias de um iMac avariado

*Usar ferramentas avançadas para ler ficheiros de um disco com defeito* · 2020-10-15 · https://willem.com/pt/2020-10-15_resgatar-fotografias-de-um-imac-avariado/

Esta semana recebi uma mensagem de alguém com um iMac que deixou de funcionar. Continha mais de 50.000 fotografias, que cobriam duas décadas de história pessoal. Como não havia cópia de segurança, cabia-me a mim tentar resgatar o máximo possível. Será que conseguia recuperar as fotografias pessoais?

## iMac

O Apple iMac é um computador tudo-em-um impressionante. O computador está integrado no ecrã. Todos os componentes estão muito juntinhos, presos com parafusos minúsculos, fita adesiva e ímanes. É um computador desafiante quando se trata de reparação (e de recuperação de dados).

![O iMac avariado na minha secretária, pronto a ser aberto](https://willem.com/global/images/510971f83c8d.webp)

O iMac já não arrancava, provavelmente por causa de uma falha de hardware, pois o sistema de recuperação (software) padrão da Apple também não funcionava. Isto muitas vezes é sinal de problemas, como aprendi_à_minha_custa (https://willem.com/en/2020-07-30_upgrading-a-27-inch-imac-5k-to-14-terabytes/) depois de uns trabalhos manuais no meu próprio iMac...

![Alguns iMacs exigem uma lâmina de corte especial para cortar a fita adesiva que prende o vidro à estrutura de alumínio](https://willem.com/global/images/5a6b87888fc6.webp)

Consoante o modelo exato do iMac, pode ser preciso uma lâmina especial para retirar o ecrã da caixa. É a única forma de aceder aos componentes no interior do computador. Para recuperar ficheiros perdidos (e fotografias) vais precisar de encontrar o disco rígido (ou SSD).

![Retirar o painel de vidro com ventosas](https://willem.com/global/images/c5655a533b15.webp)

Este iMac em particular tem um painel de vidro preso à estrutura de alumínio por ímanes (fortes). Podes retirar o painel com ventosas. Tem cuidado com o painel de vidro para não o partir. Não queres magoar-te!

![O ecrã está preso com parafusos Torx: pode ser um pouco complicado retirá-los, porque os ímanes apanham-nos facilmente!](https://willem.com/global/images/ae8c5ffaf3e9.webp)

Depois de retirares o painel de vidro, deves conseguir retirar o ecrã assim que tiveres removido todos os parafusos Torx. Não tenhas pressa, porque pode ser um pouco complicado, com os ímanes fortes junto aos furos dos parafusos.

![Tem cuidado ao levantar o ecrã, porque tem vários cabos ligados à placa lógica principal](https://willem.com/global/images/67230f56fa7d.webp)

Depois de removidos os parafusos, deves conseguir levantar o ecrã com os dedos. Cuidado, porque o ecrã está ligado à placa lógica principal por vários cabos. Quando o ecrã estiver removido, deves ter uma boa vista do interior do iMac.

![O interior do iMac fica visível depois de retirar o ecrã](https://willem.com/global/images/720262fa53d4.webp)

Para a minha tentativa de recuperar as fotografias pessoais deste iMac, só me interessava o disco rígido. É uma peça fácil de reconhecer, normalmente grande e volumosa. Reconheces-a pela forma retangular e pelo chip verde. Depois de a retirar, voltei a fechar o iMac para o devolver no estado em que estava.

![O disco rígido dentro do iMac, com as fotografias pessoais](https://willem.com/global/images/b68f125ad627.webp)

## Recuperar fotografias do disco rígido

Se já não consegues fazer o teu computador arrancar, isso não significa necessariamente que tudo o que lá está esteja perdido! Muitas vezes, a memória do computador (ou parte dela) ainda funciona. Podes compará-lo a uma lesão pessoal: embora não consigas andar (facilmente) com uma perna partida, ainda podes conseguir mover-te com a ajuda de alguém. Se o computador contém dados valiosos, pode ser boa ideia tentar recuperar os ficheiros.

![Ligar o disco a um conversor de SATA para USB](https://willem.com/global/images/06d2b9e325bc.webp)

![Este chip fazia originalmente parte de um disco USB externo: talvez tenhas um por aí que possas usar para isto ](https://willem.com/global/images/480714b82b47.webp)

Com um chip conversor SATA para USB padrão (que um dia retirei da caixa de um disco rígido externo) podes ligar o disco a outro computador. Isto permite-te ler o disco, mesmo que o sistema operativo do disco esteja avariado. Já usei_esta_estratégia_antes (https://willem.com/en/2018-10-16_rescuing-files-from-a-broken-harddisk/) para resgatar fotografias de um portátil avariado.

![Ligar o disco recuperado a outro Mac](https://willem.com/global/images/73384ebdb549.webp)

O melhor que podes fazer é ligar o disco a um computador com o mesmo sistema operativo. Os discos são formatados em estruturas de dados que formam um “sistema de ficheiros”. Estes sistemas de ficheiros variam consoante o sistema operativo. Alguns podem ser lidos por sistemas operativos diferentes, outros não. Ao usar outro Mac que pedi emprestado ao meu irmão, sabia que o sistema operativo seria capaz de compreender o sistema de ficheiros do disco recuperado.

### Primeiro, vai ao que mais interessa!

Se o disco não estiver (totalmente) defeituoso, podes conseguir ler o seu conteúdo no outro computador. Podes ficar tentado a ‘clicar ao acaso’ e a explorar o conteúdo. Mas tens de te concentrar primeiro em recuperar os ficheiros mais importantes! Não sabes durante quanto tempo o disco danificado vai continuar a funcionar, pode morrer a qualquer segundo!

Como estou familiarizado_com_o_Apple_Photos (https://willem.com/en/2020-08-31_free-from-the-icloud-escaping-apple-photos/), sei onde são guardados os ficheiros (originais) das fotografias. Isto permitiu-me otimizar a estratégia, tentando copiar diretamente as fotografias pessoais. Em vez de usar o Finder do macOS (ou o Explorador do Windows), prefiro usar comandos de terminal para copiar ficheiros de fontes pouco fiáveis.

Com uma ferramenta como o ‘rsync’, podes copiar estruturas de pastas como farias normalmente. Mas a vantagem é que consegue saltar ficheiros ilegíveis e pode ‘retomar’ a cópia se esta for interrompida. Lancei o comando e limitei-me a esperar pelo melhor.

![Ler ficheiros do disco recuperado: se percebes neerlandês, percebes a natureza pessoal destas fotografias (‘bevalling’ significa parto)](https://willem.com/global/images/e1139f08b04c.webp)

Nos primeiros anos de fotografias tudo parecia ótimo, uma a uma as fotografias eram copiadas para o “computador de resgate”. Consoante o estado do disco, a cópia pode demorar muito tempo, muito mais do que normalmente. Deves prestar atenção ao som do disco rígido, se começar a fazer ruídos estranhos podes estar a entrar em apuros...

![Ohhhh não! Problemas! Erros de leitura ao copiar fotografias!](https://willem.com/global/images/a7ca5763c004.webp)

De repente o disco começou a fazer estranhos ruídos de chocalho, a cópia parou e apareceram erros na janela do terminal. Tinha chegado a uma zona má do disco. Durante alguns momentos deixei o disco tentar ler os ficheiros danificados, mas, para evitar que se danificasse mais, interrompi o processo de cópia.

![Executar os “Primeiros Socorros” do macOS no Utilitário de Disco](https://willem.com/global/images/55594ba1a852.webp)

Com a aplicação Utilitário de Disco do Mac, tentei fazer uma reparação do sistema de ficheiros com os “Primeiros Socorros”. Talvez o mapeamento de ficheiros do disco pudesse ser restaurado. Como uso o “rsync” para copiar os ficheiros, a minha tentativa seguinte continuaria de onde tinha sido interrompida. Infelizmente os Primeiros Socorros não repararam o disco, as fotografias de setembro de 2017 continuavam ilegíveis.

O passo seguinte que tentei foi dizer ao meu comando de cópia (rsync) para saltar as fotografias de setembro de 2017. Podes usar a opção “--exclude” do rsync (https://linux.die.net/man/1/rsync) para isso. Talvez os setores maus do disco afetassem apenas essas fotografias, e as fotografias mais recentes ainda pudessem ser recuperadas.

![Não custa nada ser simpático com o disco danificado... “por favoooor, discozinho... dá-me as fotografias!” Mas não toques nos chips!](https://willem.com/global/images/3dcfc02fcda8.webp)

Adivinha? Resultou! A cópia continuou sem problemas assim que excluí as fotografias danificadas de setembro de 2017. No fim, consegui resgatar todas as outras fotografias! Nada mau: só um mês de fotografias ficou irrecuperável, numa coleção de cerca de 20 anos!

![No fim, consegui resgatar todas as outras fotografias!](https://willem.com/global/images/931ba8f932ef.webp)

## Conclusão

Protege-te contra a perda de dados fazendo cópias de segurança decentes! É incrivelmente importante, não esperes que os problemas (de hardware) te apanhem desprevenido.

Só não entres em pânico se tiveres mesmo azar. Com as ferramentas certas ainda podes conseguir recuperar ficheiros de uma unidade avariada. Se não te sentires à vontade para o fazer sozinho, procura alguém que te possa ajudar.

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## Pedalar com o Omata One

*Ciclocomputador analógico com GPS* · 2020-09-29 · https://willem.com/pt/2020-09-29_pedalar-com-o-omata-one/

Durante a última semana andei de bicicleta com o Omata One, um ciclocomputador especial. Os seus ponteiros mecânicos indicam a velocidade, a distância, a subida e o tempo pedalado, medidos com dados GPS precisos. É divertido, continua a ler para saberes porquê.

## Purismo no ciclismo

Há quem ande de bicicleta para ser o mais rápido, mas eu acredito que o ciclismo é mais do que chegar primeiro a algum lado. Estar ao ar livre, respirar ar fresco e ficar livre das distrações do nosso mundo ligado é o que torna o ciclismo especialmente valioso para mim.

![Limpa a mente pedalando de manhã cedo (fotografia tirada durante o meu trajeto matinal para o trabalho)](https://willem.com/global/images/bde6686f1a2e.webp)

![Deixa os teus pensamentos vaguear livremente enquanto o sol nasce para um novo dia](https://willem.com/global/images/019ece7431b4.webp)

Andar de bicicleta faz bem ao corpo e à alma. Podes usá-la para ir trabalhar, para fazer exercício ou para ambos. Se te interessa o teu desempenho físico, podes pensar em registar os teus passeios com um ciclocomputador.

![Pedalar como treino (fotografia do Niels)](https://willem.com/global/images/8a257f35c88c.webp)

Os ciclocomputadores modernos são maravilhas tecnológicas. Os seus ecrãs digitais mostram uma quantidade incrível de dados. Muitos ligam-se ao teu smartphone e avisam-te de mensagens e chamadas recebidas.

A conectividade moderna é ótima quando precisas dela, mas as luzes a piscar e os apitos omnipresentes podem distrair. Nem toda a gente vai percorrer os menus de definições com vários níveis para travar este fluxo de informação. Foi por isso que o Omata One foi criado.

## Omata One

O Omata One é um ciclocomputador radicalmente diferente da maioria dos outros. Usa ponteiros analógicos para indicar a velocidade, a subida, a distância e o tempo pedalado. Não pisca nem apita, mas recolhe dados GPS muito precisos que podes analisar *depois* do passeio.

![O Omata One usa quatro ponteiros mecânicos para indicar a velocidade (laranja), a distância (anel exterior), a subida (esquerda) e o tempo decorrido (direita)](https://willem.com/global/images/1bc31f6fa806.webp)

![O mostrador tem muita profundidade e detalhe, com simetria equilibrada, tipografia legível e cores funcionais](https://willem.com/global/images/9be1c9ed2867.webp)

Usar o Omata não exige nenhuma interação com ecrã tátil nem mexer em botões minúsculos. O anel exterior rotativo funciona como um simples seletor:

- **seta:** começa a pedalar, a recolha de dados é pausada automaticamente

- **zero:** termina o teu passeio e repõe os ponteiros, o passeio fica guardado

- **mais:** transfere os dados do passeio para o teu smartphone ou computador

![O Omata One é operado através do anel exterior, que funciona como seletor](https://willem.com/global/images/619df8eca85c.webp)

![O anel exterior é fácil de operar com luvas, é concebido com precisão em alumínio 6063 e tem um toque tátil agradável](https://willem.com/global/images/dcf2417c1184.webp)

![O mostrador mecânico é na verdade muito eficiente em termos de energia, com mais de 17 horas de autonomia. O carregamento faz-se por um conector USB-C padrão na parte de trás.  ](https://willem.com/global/images/95d793fa83dd.webp)

## Pedalar com o Omata

Basta começar a pedalar e os ponteiros acompanham! Os indicadores analógicos têm algo de estranhamente natural que os distingue dos digitais. Em vez de “ler” números, simplesmente “vês” o ângulo dos ponteiros, e isto torna-se muito intuitivo depois de pedalares algum tempo com o Omata.

![A legibilidade continua ótima, mesmo que apanhes alguma sujidade ](https://willem.com/global/images/5df01991d38b.webp)

O mostrador tem uma grande profundidade e dá gosto olhar para ele com condições de luz variáveis. É bonito, mas não grita por atenção. Depressa se tornou uma parte integrante da minha bicicleta, de forma muito natural. Gosto disso.

![Quando terminas o passeio, podes analisar os dados ligando o Omata ao teu smartphone ou computador](https://willem.com/global/images/f4fc4c543978.webp)

Com a app do Omata podes transferir facilmente os dados do teu passeio. O passeio é guardado como um ficheiro FIT, o padrão da indústria, compatível com a maioria das apps de fitness e saúde. Podes carregar o teu passeio para o Strava (https://www.strava.com), importá-lo no Cyclemeter (https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/) ou enviá-lo para o teu computador para uma análise mais aprofundada com o GoldenCheetah (http://www.goldencheetah.org/). Podes usar a app para ligar o Omata a sensores externos ANT+/Bluetooth, como um medidor de potência ou um monitor de frequência cardíaca.

![Importar os dados do passeio é fácil, com apps como o Cyclemeter](https://willem.com/global/images/5ae3408670fb.webp)

![Analisar ficheiros FIT com o GoldenCheetah no meu tablet](https://willem.com/global/images/b32a26e839d8.webp)

## Conclusão

Se procuras uma alternativa aos ciclocomputadores modernos hiperligados, podes considerar o Omata One uma opção de valor.

A ausência de distrações e o belo mostrador analógico com ponteiros em movimento fazem a diferença. Se apreciares a sua filosofia de design, o Omata vale cada cêntimo do seu preço premium!

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## Refinar a minha experiência de SO para tablet

*A usar o Surface Go 2 com 4G/LTE, Debian GNU/Linux e i3wm* · 2020-09-28 · https://willem.com/pt/2020-09-28_refinar-a-minha-experiencia-de-so-para-tablet/

No início deste ano tentei criar o meu próprio sistema operativo para tablet, instalando o Debian GNU/Linux num tablet Microsoft Surface Go. Aprendi muito sobre o que gosto nos tablets. Mas continuei a preferir o meu iPad Pro, sobretudo pela sua experiência de utilização polida. Desta vez decidi refinar o software do meu tablet para substituir o iPad.

## Linux em tablets (Surface)

Se estás a pensar instalar Linux num tablet: não estás sozinho. O meu artigo anterior sobre instalar_o_Debian_GNU/Linux_no_Surface_GO (https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/) recebeu uma enorme atenção. Pelos vistos, muitos de vós procuram uma alternativa aos sistemas operativos fechados que costumam vir instalados nos tablets (como o iPadOS, o Android ou o Windows 10S).

### Hardware Microsoft Surface e Linux

Como a história está cheia de ironias doces, é a Microsoft que faz algum hardware bem bonito que funciona bem com Linux. A gama Surface inclui portáteis e tablets diferentes. A página de reddit “SurfaceLinux” (https://www.reddit.com/r/SurfaceLinux/) está cheia de histórias de utilizadores interessantes que vale a pena ver. Há quem o faça, e tu também o podes fazer.

![O hardware Microsoft Surface é popular porque é genuinamente bonito](https://willem.com/global/images/e8c8c006c48d.webp)

## Primeira tentativa: Surface Go (versus iPad Pro)

Depois de instalar_e_modificar_o_Debian_GNU/Linux_no_Surface_Go (https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/), a que chamei “Willem OS”, tentei torná-lo o meu computador principal. Se visitas o meu blogue com frequência, sabes que uso_iPads_e_tablets_há_anos_como_computador_principal (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/). No fim achei que a minha primeira versão do “WillemOS” não era suficientemente boa: o iPad Pro estava anos-luz à frente em termos de experiência de utilização polida.

Desta primeira tentativa aprendi (https://willem.com/en/2020-04-14_talking-tablets-what-makes-a-great-tablet/) muito, e passei a perceber melhor o que procuro numa experiência de tablet. **Procuro software simples, mas versátil, para correr no meu tablet.**

Mas “simples” é na verdade muito difícil de conseguir. Para tornar as coisas *mesmo* simples, é preciso integrar hardware e software sem costuras. A Apple faz isto bem, e o iPad Pro oferece uma ótima experiência de utilização porque:

- **continua onde ficaste:** guarda tudo quando o pões numa mochila (https://willem.com/en/2018-12-22_business-in-a-bag/), ficando (instantaneamente) pronto para continuar quando o tiras de lá. Sem guardar manualmente nem (re)iniciar.

- **internet em todo o lado:** alterna automaticamente entre redes_WiFi_e_4G/LTE (https://willem.com/en/2017-07-31_the-day-i-killed-my-lan/), não precisas de fazer nada, simplesmente ‘funciona’

- **qualquer orientação e posição:** o iPad funciona muito bem sem teclado externo (https://willem.com/en/2020-08-11_the-best-keyboard-for-ipad/) nem rato, permitindo-te usá-lo em muitos cenários diferentes (o ecrã também ajusta automaticamente o brilho e o equilíbrio de brancos ao ambiente à tua volta!)

Acontece que pôr estas coisas a funcionar sem costuras com o Debian GNU/Linux no Surface é difícil. O meu primeiro SO para tablet exigia muita interação manual e era, por isso, trabalhoso em comparação com o iPad Pro.

## Segunda tentativa: Surface Go 2

A Microsoft lançou este ano um novo tablet Surface Go, o Surface Go 2. Tem um processador mais rápido (até 64%!), margens mais finas e um ecrã melhorado. É uma atualização muito decente, que coloca o Surface Go 2 muito mais ao nível do iPad Pro de 11 polegadas em termos de hardware. Para a minha segunda tentativa de criar a experiência de tablet definitiva, decidi usar o modelo de topo, o Surface Go 2:

- ecrã tátil de 10,5” (1920x1250, 220PPI), formato 3:2, Corning® Gorilla® Glass 3

- processador Intel Core m3 (8.ª geração)

- 8GB de RAM

- Wifi 802.11a/b/g/n/ac/ax

- LTE Advanced (modem Qualcomm® Snapdragon™ X16 LTE)

- Bluetooth 5.0

- Intel UHD Graphics 615

- Dimensões: 245 mm x 175 mm x 8,3 mm

- SSD de 256GB

- cartão MicroSDXC de 512GB

- 1x USB-C e 1x porta Surface Connect

![Microsoft Surface Go 2 com teclado preto e Surface Pen: uma bela peça de hardware!](https://willem.com/global/images/9bdbd1ab55e3.webp)

### Instalar o Debian GNU/Linux no Surface Go 2 

O Surface Go 2 é muito parecido com o antecessor quando se trata de fazer uma instalação base da tua distribuição GNU/Linux favorita. Segui aqui (https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/) os meus próprios passos da instalação original do Surface Go.

![Instalar o Debian GNU/Linux no Surface Go 2 é muito parecido com o Surface Go original](https://willem.com/global/images/facf756bc1c8.webp)

Em resumo, tens de seguir estes passos para instalar Linux no teu Surface:

- 1) Atualiza o Windows 10 e instala todos os patches/atualizações de firmware

- 2) Cria um suporte de instalação com arranque que contenha a tua distribuição GNU/Linux favorita

- 3) (Opcional) liga um cabo de rede ethernet

- 4) Arranca o Surface a partir da unidade USB

- 5) Instala o sistema operativo com o instalador

- 6) Afina e otimiza a experiência de software

![Debian GNU/Linux com i3wm (“também conhecido por WillemOS”) a correr no Surface Go 2](https://willem.com/global/images/831bf15741b3.webp)

## Refinar a experiência

O último passo da instalação é onde podes fazer a diferença entre uma experiência de utilização fantástica e uma péssima. Para me *“encorajar”* a aguentar esta experiência, decidi vender o meu iPad Pro: queimar os navios (porque já não haveria volta atrás)!

![Vender o teu iPad Pro é fácil se guardares as caixas originais: vendi o meu em poucos dias, obrigando-me a fazer o novo tablet funcionar!](https://willem.com/global/images/0e5191befac8.webp)

Num ecrã pequeno, correr as apps em ecrã inteiro faz todo o sentido. Sei que o conceito convencional de PC de gerir janelas de aplicações distintas não oferece a melhor experiência de utilização num tablet pequeno. Por isso decidi experimentar um gestor de janelas em mosaico: o i3wm (https://i3wm.org/).

### Gestor de janelas em mosaico

O princípio de um gestor de janelas em mosaico é simples: as apps ocupam todo o espaço disponível. Isto significa que, se correres apenas uma app, fica em ecrã inteiro. Duas apps repartem o ecrã, e por aí fora. Podes definir regras que automatizam a disposição das apps. Com atalhos de teclado podes alternar rapidamente entre apps. Podes precisar de algum tempo para descobrir o que funciona melhor para *ti* com um gestor de janelas em mosaico, mas no fim pode poupar-te muito tempo!

![Firefox (à esquerda) e uma janela de terminal MOSH/tmux (à direita) em ecrã dividido com o gestor de janelas em mosaico i3wm](https://willem.com/global/images/82029e2aa184.webp)

### Áreas de trabalho

Outra funcionalidade poderosa do i3wm é poderes ter diferentes ‘áreas de trabalho’ (https://i3wm.org/docs/userguide.html#_using_workspaces). São uma forma fácil de organizar grupos de apps que correm em conjunto. Uso áreas de trabalho diferentes para as diferentes coisas que faço. Uma abordagem comum é pôr o navegador numa área de trabalho, as aplicações de correio noutra e aquelas com que trabalhas na terceira.

![Várias áreas de trabalho são muito poderosas: é como mudar de canal de TV](https://willem.com/global/images/e72f2eb2e0ee.webp)

O melhor de ter várias áreas de trabalho é que uma app (por exemplo, o teu navegador) pode ter várias instâncias em áreas de trabalho diferentes. Isto permite muitas combinações diferentes de apps. É mesmo aqui que o gestor de janelas i3wm é *muito* melhor do que a abordagem do iPadOS à multitarefa.

O gestor de janelas i3wm suporta muito bem monitores externos, com o mesmo conceito de área de trabalho. Basta designares uma ou várias áreas de trabalho para serem mostradas no ecrã extra/externo. Funciona bem com a Surface Dock e com os acessórios USB-C para HDMI do Surface. O suporte para vários monitores é mesmo ótimo.

![Deslizar três dedos para alternar entre áreas de trabalho, um truque do macOS: com o fusuma podes usar gestos multitoque no i3wm](https://willem.com/global/images/0865c8fa1a0d.webp)

Uma coisa que deves experimentar é usar o fusuma (https://github.com/iberianpig/fusuma) para ativar gestos de três dedos no trackpad. Se alguma vez trabalhaste num MacBook, sabes que os trackpads multitoque permitem gestos úteis para alternar entre ambientes de trabalho (ou áreas de trabalho no i3wm). Funciona muito bem!

### Armazenamento

Para gerir_as_minhas_fotografias_com_o_Shotwell (https://willem.com/en/2020-08-31_free-from-the-icloud-escaping-apple-photos/) queria um armazenamento a sério no meu tablet. Embora tenha o modelo de topo do Surface Go 2 com o SSD de 256GB, usei a ranhura do cartão MicroSD para aumentar a minha capacidade de armazenamento em mais 512GB. O cartão MicroSD é mais lento do que o SSD integrado, mas para ficheiros que não lês todos os dias/horas/minutos é suficientemente rápido.

![É possível aumentar o armazenamento de um Surface Go 2 com um cartão MicroSD](https://willem.com/global/images/4c4616d1c2e0.webp)

A minha instalação do Debian GNU/Linux não teve problemas em reconhecer o cartão MicroSD. Encriptei o cartão MicroSD inteiro para evitar que as minhas fotografias fossem expostas se alguma vez perdesse o cartão. Deves (sempre) pensar nisto, toma as medidas adequadas para proteger e fazer cópias de segurança dos teus dados!

### Conectividade WiFi/4G/LTE

Depois de instalar o firmware sem fios ‘não livre’ no Debian, o WiFi funciona bem no Surface Go 2. Pôr o LTE/4G a funcionar foi muito mais difícil! Por alguma razão a ligação WWAN não arrancava, apesar de eu ter inserido um cartão SIM a funcionar no Surface Go. Por algum motivo misterioso o modem não arrancava corretamente, o 4G/LTE não funcionava!

![Instalar o SIM no tablet Surface Go 2](https://willem.com/global/images/2ead4f4bf1d6.webp)

Uma das grandes coisas do iPad é partilhar a lógica de conectividade do iPhone. Gere automaticamente as diferentes redes sem fios e as ligações de banda larga móvel. Eu queria que isto também funcionasse no meu tablet Linux!

Quando procurava uma pista para pôr o 4G/LTE a funcionar, li relatos sobre o Surface Pro. O Surface Go 2 é tecnicamente muito semelhante ao Pro maior. Pensei que podia aprender com os esforços de outras pessoas com a banda larga móvel no Surface Pro. Depois de muitas horas a pesquisar e a experimentar coisas diferentes, encontrei esta_solução_para_pôr_o_4G_a_funcionar_no_Surface (https://github.com/jakeday/linux-surface/issues/306#issuecomment-518898603):

![Repor os buffers do modem de banda larga do Surface permitiu que funcionasse com o Debian GNU/Linux!](https://willem.com/global/images/6d41b18777f8.webp)

Podes usar o Network Manager (e o Modem Manager) para automatizar a gestão da conectividade no Linux. Por defeito prefere ligações WiFi a banda larga móvel. Podes configurá-lo para ligar automaticamente por 4G/LTE se não houver WiFi disponível. Agora funciona muito bem em combinação com o hardware do Surface Go 2!

![O Network Manager (nm-applet) alterna automaticamente entre ligações WiFi e de banda larga móvel](https://willem.com/global/images/81a36fb447f0.webp)

### Suspender/Hibernar/Retomar

Outra coisa em que nenhum utilizador de iPad pensa é como a Apple acertou em cheio na suspensão e na retoma. Com um iPad, podes tê-lo em modo de espera durante muitos dias e, mesmo assim, é sempre muito rápido continuar onde ficaste quando voltas a pegar nele.

Para fazer o meu Surface com GNU/Linux fazer o mesmo, precisava de uma forma de suspender e retomar rapidamente. No mundo Linux / PC há basicamente quatro modos de energia:

- **ligado:** as apps estão a correr. O sistema está totalmente ligado e consome muita energia 

- **suspender (para a RAM):** os estados das apps ficam preservados na memória RAM. O sistema continua ligado, mas todos os componentes são reduzidos ao máximo e ainda consome energia (+/- 10% de bateria por hora no meu caso, com o Surface Go 2)  

- **suspender (para o disco) / hibernar:** os estados das apps ficam preservados no disco. O sistema fica desligado e não consome energia

- **desligado:** as apps estão fechadas. O sistema está desligado e não consome energia

Para “retomar instantaneamente onde ficaste” é preciso preservar os estados das apps. As retomas mais rápidas (quase instantâneas) são possíveis quando o estado da app é guardado na memória RAM. O problema da memória RAM é que precisa de corrente (energia!) para manter o seu valor. Quando se perde a energia, perdem-se os estados das apps.

A alternativa é suspender para o disco (ou hibernar), em que o estado é guardado no dispositivo de armazenamento permanente do computador. Isto permite que o computador se desligue completamente. O problema de suspender para o disco é que a retoma é mais lenta e exige voltar a introduzir as frases-passe de encriptação com a encriptação total do disco.

A boa notícia é que o GNU/Linux moderno vem com o systemd, que te permite configurar a forma como o computador lida com a suspensão e a retoma. Podes configurar o teu tablet para primeiro suspender para a RAM (permitindo retoma instantânea) e depois, passado algum tempo, suspender para o disco.

![A definição “AllowSuspendThenHibernate” do systemd, no sleep.conf, permite definir um tempo limite entre suspender para a RAM e suspender para o disco (hibernação)](https://willem.com/global/images/81abf9b1270b.webp)

Num dia de trabalho normal, acordo (muito) cedo para trabalhar a partir de casa nos meus projetos mais exigentes. Depois vou_de_bicicleta_para_o_trabalho (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/) e continuo a trabalhar de lá. Cronometrei o meu trajeto e percebi que, se o meu tablet ficasse ligado pelo menos duas horas, me permitiria retomar o trabalho instantaneamente. Se não voltar a trabalhar no tablet dentro de duas horas, poupa bateria suspendendo para o disco. Assim tenho a melhor experiência para a minha situação em particular.

![Configura o LidSwitch (no login.conf do systemd) para suspender e retomar automaticamente quando fechas o teclado do Surface; configurei-o para suspender e depois hibernar, com um tempo limite](https://willem.com/global/images/e2cc2410d5a6.webp)

### Aspeto uniforme

Ao contrário do iPad, rigidamente controlado, o software em GNU/Linux é criado com muitas abordagens diferentes ao design da interface de utilizador. Não existe nada como as Diretrizes_de_Interface_de_Utilizador (https://developer.apple.com/design/human-interface-guidelines/) que a Apple dita para o iOS e o iPadOS. Isto é um problema, porque faz com que o software tenha um aspeto e uma sensação inconsistentes.

Um aspeto e uma sensação consistentes são importantes para permitir um ambiente e uma experiência de utilização sem atritos. Por isso fiz muitos pequenos ajustes nas cores, tipos de letra, ícones e barras de ferramentas para que as minhas apps tenham todas um aspeto e uma sensação semelhantes. Embora não seja perfeitamente harmonioso, já não parece que estou a trabalhar com um “SO Frankenstein”.

Prefiro um tema escuro, porque é mais fácil para os meus olhos, mas deves decidir por ti. Usa ferramentas como o **lxappearance** para fazer ajustes em várias apps. Mas provavelmente também vais precisar de fazer ajustes app a app. Uso o tema **adwaita-dark** e ícones (monocromáticos) **HighContrast**, com o tipo de letra **Open Sans Light**.

![O explorador de ficheiros Thunar (à esquerda) e o GIMP (à direita) em harmonia visual: cria um aspeto uniforme combinando cores, ícones e tipos de letra](https://willem.com/global/images/47e363822994.webp)

![O Shotwell (à esquerda) e o Xournal (à direita): duas apps muito diferentes lado a lado, com um aspeto visual coerente](https://willem.com/global/images/dfc9b4ac76c9.webp)

## Usá-lo no dia a dia

Construir um sistema bonito é uma coisa, mas usá-lo mesmo no dia a dia é outra! O Surface Go é o meu computador do dia a dia e, nas últimas semanas, tenho andado a experimentar coisas e definições diferentes. Aqui ficam alguns destaques.

![A Surface Pen é ótima e, quando configuras o Xournal para usar o Xinput, a sensibilidade à pressão funciona na perfeição: vês a espessura do traço variar, tal como numa caneta a sério](https://willem.com/global/images/6039e558b1d5.webp)

![O suporte traseiro é brilhante em combinação com o Xournal e a Surface Pen: nenhum iPad consegue isto](https://willem.com/global/images/a248d70075f2.webp)

![O suporte traseiro é muito robusto, pois usa duas dobradiças de metal fortes](https://willem.com/global/images/11ab54c312b3.webp)

![É um encanto escrever no teclado, com teclas a sério (retroiluminadas), incluindo ESC e uma fila de teclas de função](https://willem.com/global/images/251c859582d7.webp)

![Também podes usar um teclado Bluetooth, o que te permite uma distância confortável entre os olhos e o ecrã](https://willem.com/global/images/807ff12f0120.webp)

![Embora o USB-C seja o futuro, a porta Surface Connect é bastante prática, pois funciona com a Surface Dock 2 (que oferece imensa conectividade)](https://willem.com/global/images/cf9e3a3ad1b7.webp)

![A parte de trás do Surface não tem lente de câmara saliente, o que permite ao tablet ficar perfeitamente plano em cima de uma mesa, como deve ser!](https://willem.com/global/images/dff454cf49ab.webp)

![É um computador minúsculo, mas incrivelmente poderoso e versátil!](https://willem.com/global/images/4fae13e5079f.webp)

![Ler e-mails no Evolution funciona bem!](https://willem.com/global/images/b2cfb6eddb63.webp)

![É leve o suficiente para usar com uma só mão: podes ler o sensor giroscópio para rodar automaticamente o ecrã, útil quando lês um artigo (interessante)](https://willem.com/global/images/2429d7f15a38.webp)

![O Surface Go 2 é uma ferramenta séria, capaz de coisas poderosas quando te ligas à cloud (com um terminal, MOSH e tmux)](https://willem.com/global/images/eee21875c9c9.webp)

## Conclusão

Construir o meu próprio SO para tablet é um verdadeiro desafio. A minha primeira tentativa não foi suficientemente boa para substituir o meu iPad. Esta segunda tentativa, porém, é diferente. O tempo e o esforço que dediquei a refinar a experiência de utilização resultam num sistema muito melhor. Agora uso-o diariamente como computador principal.

Embora sempre tenha apreciado o trabalho que a Apple fez no iPad, continua limitado pelo seu software fechado. Sobretudo agora, que a Apple decidiu reforçar_o_controlo_da_sua_AppStore (https://duckduckgo.com/?q=appstore+fortnite&t=ffab&iar=news&ia=news). A única forma de controlar o futuro é criá-lo tu mesmo: acredito que chegou a altura de ser capitão do meu próprio navio!

### Atualização de janeiro de 2021

Depois_de_meses_de_uso_intenso_decidi_abandonar_o_meu_próprio_SO_para_tablet (https://willem.com/en/2021-01-14_abandoning-my-own-tablet-os/)

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## Sincronizar ficheiros sem esforço entre smartphone e tablet

*Usar o Unison para sincronizar automaticamente entre GNU/Linux e o iPhone* · 2020-09-16 · https://willem.com/pt/2020-09-16_sincronizar-ficheiros-sem-esforco-entre-smartphone-e-tablet/

Para otimizar o meu fluxo de trabalho, procurava uma forma de aceder sem esforço aos mesmos ficheiros no computador e no smartphone. Isto é útil quando queres enviar rapidamente ficheiros do computador através do smartphone, por várias apps de mensagens, e vice-versa. Lê o resto para ficares a saber como o fiz.

## O objetivo: ficheiros partilhados sem esforço

Quando trabalho, costumo usar um tablet e um smartphone. Uso um tablet (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/) como computador principal. O meu iPhone é muito útil como segundo ecrã. Também o uso para enviar ficheiros, capturas de ecrã e fotografias a pessoas através das muitas apps de mensagens que existem no iOS.

Para o bem ou para o mal, está a acontecer uma mudança do e-mail para apps como o Slack, o WhatsApp, o iMessage e o Signal. O meu iPhone é a porta de entrada para estes canais de comunicação. Como não quero usar o iCloud Drive nem o Dropbox, precisava de outra forma de ter os meus ficheiros, sem esforço, tanto no tablet como no smartphone.

## Apresento-te o Unison: o sincronizador de ficheiros multiplataforma

Depois de uma pesquisa rápida, encontrei o Unison (https://www.cis.upenn.edu/~bcpierce/unison/) no repositório_de_software_do_Debian (https://wiki.debian.org/Unison). Como o meu tablet corre Debian GNU/Linux, procurei uma forma de sincronizar ficheiros em segurança com padrões abertos. O Unison faz isso com rsync sobre SSH/SFTP. Isto significa que funciona com o meu servidor_NAS_já_existente (https://willem.com/en/2019-11-22_building-a-professional-72tb-nas/), que vive num centro de dados.

Apesar de poderes configurar a partilha de ficheiros diretamente entre o tablet e o smartphone, eu uso o servidor NAS central para a comunicação entre os meus dispositivos, mesmo que não estejam na mesma rede. Isso acontece quando um deles (ou ambos) estão em redes móveis. Para aceder aos ficheiros a partir do iPhone, uso a app Secure ShellFish, que se integra na perfeição com a app Ficheiros nativa do iOS.

![Sincronizar ficheiros entre o meu tablet e o iPhone: o servidor NAS faz de estação intermédia, superando as diferenças de protocolo e de ligação](https://willem.com/global/images/0c3af5ec4a88.webp)

Configurar o Unison é fácil. Deves consultar a documentação_em_inglês no site_do_Unison (https://www.cis.upenn.edu/~bcpierce/unison/docs.html) ou seguir este ótimo_guia_do_Unison_em_alemão (https://wiki.ubuntuusers.de/Unison/). Podes executar o Unison a partir da linha de comandos, mas eu prefiro que corra automaticamente, com um perfil pré-configurado e uma tarefa cron que corre com frequência.

![O meu perfil do Unison com os parâmetros para a ‘WillemCloud’](https://willem.com/global/images/69ec55902e0c.webp)

O perfil de configuração do Unison é simples: defines duas pastas de raiz e podes usar alguns interruptores para ajustar o comportamento por omissão. Configurei o meu perfil para trabalhar por lotes e decidir automaticamente que ficheiros manter. Tenho uma pasta “Cloud” dedicada, que escolhi partilhar entre os meus dispositivos, e que funciona como uma espécie de pasta “Secretária”. Consulta a página de manual do Unison para ver todos os parâmetros possíveis (experimenta escrever 'man unison' no terminal).

A autenticação é feita com a configuração SSH do teu sistema. Podes (e deves) configurar a autenticação_com_chaves_de_cliente_partilhadas (https://wiki.debian.org/SSH#Using_shared_keys). Isto permite uma comunicação SSH sem palavra-passe entre o teu cliente e o servidor. Depois de testares e configurares o teu perfil do Unison, podes criar uma tarefa cron para sincronizar os ficheiros automaticamente. Como as transferências de ficheiros podem demorar mais tempo, a tarefa cron só deve correr se a execução anterior já tiver terminado. Podes fazê-lo com um ficheiro PID, que serve de verificação.

![O meu comando cron está envolvido numa verificação para não iniciar a sincronização quando ela já está a correr](https://willem.com/global/images/172e19ff4677.webp)

## Configurar o Secure ShellFish no iOS

Depois de o teu computador estar a sincronizar ficheiros com o NAS, deves configurar o smartphone. Eu uso um iPhone e por isso procurei a melhor app que se integrasse bem com a app Ficheiros nativa do iOS. Depois de testar várias apps, descobri que a melhor é o Secure_ShellFish (https://shellfishapp.com/):

![Transferir e configurar o Secure ShellFish para me ligar à minha “WillemCloud”](https://willem.com/global/images/d74a7d2d31ab.webp)

O que é bonito na app Secure ShellFish é que se integra na app Ficheiros nativa do iOS (e nas APIs de fornecedor de armazenamento do iOS que estão por baixo). Isto significa que todas as apps que acedem ao armazenamento local se podem ligar ao teu NAS! Assim, tens acesso aos teus ficheiros a partir de praticamente qualquer app.

![Aceder aos ficheiros com a app Ficheiros nativa do iOS permite-te usar muitas apps e atalhos diferentes](https://willem.com/global/images/56496fdc5e80.webp)

## Conclusão

Otimizar os teus fluxos de trabalho diários pode trazer-te enormes benefícios a longo prazo. Ao tornar possível partilhar ficheiros sem esforço entre o meu tablet e o smartphone, foi exatamente isso que fiz!

Ao automatizar a sincronização, ela passa para segundo plano. Já não tenho de pensar nisto como um processo avançado que envolve diferentes protocolos, servidores e apps. Simplesmente funciona, e é exatamente assim que eu gosto!

![Os mesmos ficheiros no smartphone e no tablet: simplesmente funciona!](https://willem.com/global/images/e9f915e8f52d.webp)

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## Livre do iCloud: fugir do Apple Photos

*Usar software de gestão de fototecas offline* · 2020-08-31 · https://willem.com/pt/2020-08-31_livre-do-icloud-fugir-do-apple-photos/

Depois de me deparar com o enésimo bug ‘mágico’ ao gerir as fotografias do meu iPhone, fartei-me. A Apple evoluiu muito desde que lançou o iPhoto (o antecessor do iCloud Photos). Mas, para algo tão valioso como as minhas memórias pessoais, quero ter o controlo total. Lê o resto para ficares a saber como migrei a minha fototeca para fora do iCloud, com software livre e de código aberto.

## A tirar fotografias digitais desde 2001

Por um golpe de sorte (um familiar ganhou-a numa lotaria), tive a minha primeira câmara digital em 2001. Era uma câmara da Samsung de 0,8 megapíxeis: uma Digimax 800K. Em tudo era extremamente limitada: era muito lenta, tinha uma autonomia de bateria péssima, não tinha ecrã e o cartão de memória só dava para cerca de 12 fotografias.

![A minha primeira câmara digital: uma Samsung Digimax 800K que tirava fotografias de 1024x768px](https://willem.com/global/images/c8e223932080.webp)

Apesar das limitações, usei esta belezinha para tirar fotografias. Captou algumas das minhas memórias de adolescente mais interessantes. Quando olho para essas fotografias, é como visitar um museu... o “museu do Willem”, ha!

![O meu computador em 2001, captado com a Digimax 800K](https://willem.com/global/images/eb8ade2ffd85.webp)

![Sem filtros vintage: esta é uma fotografia digital original de 2001, sem qualquer edição. (Lago de Garda, Itália, 2001)](https://willem.com/global/images/d7cee4d45ab0.webp)

![Os cartões de memória de antigamente: repara que o tamanho é em MB, de mega, não de gigabyte!](https://willem.com/global/images/59341fab5bb5.webp)

## Olá, Apple Macintosh

Avançando uns anos, a minha fototeca digital cresceu de forma significativa. O software da época não foi pensado para acomodar memórias digitais em crescimento constante. O meu computador com Windows era sobretudo uma ferramenta de escritório.

![O meu computador em 2005: Windows XP, Nokia Communicator e MSN Messenger](https://willem.com/global/images/a0a3d7661cb5.webp)

Quando Steve Jobs apresentou as apps iLife para o Apple Macintosh em 2002, descreveu-as assim: *“É como o Microsoft Office para o resto da tua vida.”* Foram pensadas especificamente para serem o centro da tua vida digital: o iTunes para a música, o iMovie para o vídeo, o iPhoto para as fotografias. Foram pensadas para serem fáceis e divertidas!

![A apresentação do iLife em 2002, num iMac G4, pensado para ser divertido, fácil e poderoso](https://willem.com/global/images/a3c5668f7a82.webp)

Devias ver o vídeo_de_apresentação_do_iLife (https://www.youtube.com/watch?v=RyvEgHo5sTU), com Jony Ive e Phil Schiller. Em 2002, isto era visionário (o Windows Vista ainda nem sequer tinha sido inventado!).

![O meu primeiro Mac em 2006: um Mac Mini G4 com 1GB de RAM e OS X Tiger](https://willem.com/global/images/87e7ba93a65e.webp)

Em 2006, o Mac e o seu sistema operativo eram espantosos: pareciam vindos do futuro. Janelas translúcidas, botões coloridos, software poderoso e uma base de software UNIX.

![O meu Mac Mini de 2006 a ligar-se a um servidor da Sun Microsystems com a bonita, mas poderosa, app de terminal.](https://willem.com/global/images/3685afb1a6d6.webp)

## iPhone

Tudo mudou em 2007, quando Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone. O aparelho foi concebido para ser um iPod, um telefone e um dispositivo de internet, tudo num só. Tal como o Mac e a sua suite de software iLife, o iPhone foi concebido para se tornar o centro da tua vida digital.

![Steve Jobs a apresentar o primeiro iPhone em 2007 como ‘o dispositivo digital definitivo’](https://willem.com/global/images/0b21feab6ea5.webp)

Com uns amigos, fui a Miami buscar um iPhone (entre outras coisas)! Eu sabia que este aparelho era o futuro e queria um *a sério*. Não se vendiam na Europa e o stock nos EUA era extremamente limitado. Visitámos várias Apple Stores logo de manhã cedo, na esperança de encontrar um iPhone em stock. Havia pessoas à espera connosco, todas as manhãs. Era uma loucura.

![Visita à Apple Store de Miami Beach em 2008](https://willem.com/global/images/cf388125cfb2.webp)

No fim, encontrámos alguns iPhones numa loja um bocado duvidosa, num centro comercial ali perto. Os revendedores do mercado cinzento ganhavam uns bons trocos a revender iPhones desbloqueados. Mas isso não interessava: eu tinha um iPhone!

![A beber cervejas felizes: arranjei um iPhone! (2008)](https://willem.com/global/images/191b4a3f89f1.webp)

![O que hoje parece normal era futurista em 2008: navegar na web num dispositivo com ecrã totalmente tátil (a beber cerveja)](https://willem.com/global/images/774e42ab7748.webp)

A câmara do primeiro iPhone não era grande coisa, mas as coisas mudaram quando saiu o iPhone 4. O quarto iPhone substituiu a minha máquina fotográfica normal. O ecrã “retina” de alta resolução fazia as fotografias saltar à vista no iPhone. A câmara de 5 megapíxeis com focagem automática não era nada má.

![O iPhone 4 substituiu a minha câmara em 2010: selfie do Sr. Câmara Desfocada](https://willem.com/global/images/657de386c1a7.webp)

![A câmara do iPhone 4 não era nada má: fotografias ricas em detalhe, inverno em Amesterdão (dezembro de 2010)](https://willem.com/global/images/c82cd2219547.webp)

## iCloud Photos

Em 2015, a Apple apresentou o iCloud_Photos (https://www.theverge.com/2015/4/8/8367469/apple-photos-app-launch-iphoto-replacement) e deixou_de_desenvolver_o_iPhoto (https://www.theverge.com/2014/6/27/5849756/apple-stopping-development-of-aperture-and-iphoto-for-osx). Não foi o melhor momento da Apple, porque o novo iCloud Photos tinha vários_problemas (https://www.google.com/search?q=apple+photos+problems+year%3A2016). Decidi esperar e continuar com a app iPhoto, agora abandonada.

Com o tempo, a Apple melhorou muito a app Fotografias, mas o seu foco já não era ser um centro digital que *tu* controlas (como o Mac com o iPhoto). Em vez disso, o Apple Photos foi pensado para ser um serviço que controla totalmente as tuas fotografias. Imagino que seja cómodo para quem não quer ter o trabalho de gerir as suas coisas. Apesar de o Apple Photos ainda te deixar manter uma fototeca local e offline, vais ter uma experiência limitada (cheia de bugs). Por isso, a melhor maneira de usar o Apple Photos é ativar a chamada_‘Fototeca_do_iCloud’ (https://support.apple.com/en-us/HT204264).

Com o iCloud Photos, todas as tuas fotografias são enviadas para os servidores da Apple. Apesar de a Apple ter, sem dúvida, a melhor reputação e política (https://www.apple.com/privacy/) em matéria de privacidade dos utilizadores, continua a ser uma empresa americana a fazer coisas de grandes empresas que tu, como simples utilizador, não controlas. É algo que deves decidir por ti, mas, quando se trata das minhas fotografias, prefiro ser eu o responsável e ter o controlo. A minha desconfiança não é infundada: ainda há pouco tempo, a gigante Adobe (de muitos milhares de milhões de dólares) causou pânico entre fotógrafos de todo o mundo, quando uma atualização da sua popular app Lightroom fez_as_fotografias_desaparecerem_para_sempre (https://www.theverge.com/2020/8/20/21377411/adobe-lightroom-ios-ipados-app-update-pictures-photos-presets-deleted)! Seja qual for a nuvem que uses: **faz sempre uma cópia de segurança tu mesmo!**

## Gerir fotografias com software livre

Em várias (https://willem.com/en/2018-07-20_helping-people-with-free-software/) ocasiões (https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/) defendi o software livre. É melhor porque te oferece “livre” no sentido de liberdade de expressão (que não é o mesmo que “livre” no sentido de cerveja grátis). O software livre permite-te assumir o controlo dos teus dados, como as tuas fotografias.

Quando procuras uma alternativa às apps proprietárias de gestão de fotografias, tens várias opções livres:

- **Shotwell (https://wiki.gnome.org/Apps/Shotwell)** é uma app muito parecida com o iPhoto original da Apple, no sentido em que te permite organizar as fotografias em eventos e agrupá-las por mês e ano. É melhor do que o Apple Photos porque te dá muito mais controlo sobre os ficheiros de fotografia. Funciona com todos os formatos de fotografia populares, incluindo RAW. 

- **Darktable (http://www.darktable.org/)**: é uma app que te permite revelar ficheiros de fotografia RAW, geri-los e vê-los numa mesa de luz com zoom. 

- **GIMP (https://www.gimp.org/)**: é um programa de manipulação de imagem que te permite retocar e editar fotografias individuais. É muito poderoso e oferece muitas funcionalidades avançadas. 

- **GNOME_Photos (https://wiki.gnome.org/Apps/Photos)**: é uma aplicação que te permite gerir as fotografias de forma simples. É a aplicação de fotografias por omissão no popular ambiente de trabalho GNOME, que encontras em muitas distribuições GNU/Linux. 

- **digiKam (https://kde.org/applications/en/digikam)**: é uma aplicação avançada de gestão de fotografias, com muitas opções para importar, gerir, editar e exportar as tuas fotografias. Tem sido a app de fotografias por omissão no popular ambiente de trabalho KDE. 

## Pré-requisito: limpa a tua fototeca!

Antes de migrares a tua fototeca, tens de garantir que está bem organizada e que a limpaste. Costuma dizer-se *“se meteres merda, sai merda”*. É por isso que dediquei tempo a percorrer todas as minhas fotografias e a remover as que considerei duplicadas, más ou desnecessárias. Ao selecionar e filtrar a tua fototeca, vais facilitar *qualquer* migração.

![A percorrer as minhas fototecas antigas com o iPhoto e o Apple Photos](https://willem.com/global/images/4a02046444e5.webp)

Para mim, isto significou pôr a funcionar um MacBook antigo com uma cópia antiga do iPhoto. Assim pude filtrar as minhas fotografias (de forma bastante agressiva). Removi muitas (quase) duplicadas, desfocadas e fotografias obviamente sem significado. Dediquei-lhe tempo, a percorrer as fotografias algumas horas por dia durante duas semanas! No fim, reduzi o número de fotografias em cerca de 50%!

## Exportar fotografias do Apple Photos

Depois de limpar a fototeca, atualizei-a para o Apple Photos. Este corre melhor nos computadores Apple modernos, como o meu poderoso iMac (https://willem.com/en/2020-07-30_upgrading-a-27-inch-imac-5k-to-14-terabytes/). No Apple Photos podes exportar todos os originais de uma só vez. Seleciona (todas) as tuas fotografias e escolhe “Ficheiro” > “Exportar originais não modificados”. Usei nomes de ficheiro sequenciais com um prefixo definido manualmente. Isto permitiu-me fazer a mudança de nomes em lote, com as datas de criação EXIF, num passo posterior. Exportar os originais demora algum tempo, consoante o tamanho da tua fototeca.

![No Apple Photos podes exportar os originais não modificados](https://willem.com/global/images/507cc05a4802.webp)

![Usei nomes de ficheiro sequenciais com um prefixo definido manualmente](https://willem.com/global/images/9cc8d0270776.webp)

### Mudar o nome das fotografias em lote com base na data de criação EXIF

Com os meus ficheiros libertos do Apple Photos, o passo seguinte foi atualizar todos os nomes de ficheiro para algo mais significativo. Achei que um ficheiro de fotografia com a data + hora seria o melhor. Optei por um modelo AAAAMMDD-HH-MM. Copiei os meus ficheiros para um computador com GNU/Linux, que me oferece todo o tipo de programas de terminal para isto. Se usas Windows ou macOS, deves conseguir encontrar as mesmas ferramentas (ou semelhantes) para fazer estas coisas sem Linux.

![A usar a informação EXIF para mudar o nome das fotografias e incluir a data e a hora a que foram tiradas](https://willem.com/global/images/b4967c1674df.webp)

Usei a ferramenta **exiftool**, disponível em GNU/Linux, e o comando exato foi: **exiftool -d '%Y%m%d-%H%M%%-03.c.%%e' '-filenameCreateDate'**. Executei este comando num servidor poderoso, que consegue percorrer os milhares de fotografias mais depressa do que o meu tablet (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/).

### Converter HEIC em JPG em lote

Apesar de o formato de imagem moderno HEIC (usado pelos iPhones) ser superior (https://heic.imobie.com/heic-and-jpg.htm) ao JPG em termos de compressão e qualidade de imagem, falta-lhe suporte em muitas soluções populares de software livre. O suporte para HEIC está a crescer, mas eu queria que as coisas funcionassem bem *agora*. O mais fácil foi converter todas as minhas fotografias HEIC para JPG. Para isso usei o comando ‘mogrify’, que faz parte da popular suite de ferramentas ‘imagemagick (https://imagemagick.org)’, disponível em praticamente qualquer plataforma. Como as minhas fotografias tinham sido copiadas para um servidor (poderoso), aproveitei o poder de cálculo do servidor e fiz lá a conversão. O comando exato que usei foi **mogrify -format jpg *.HEIC”**, e não te esqueças de apagar os ficheiros HEIC depois de os converteres em JPG.

![Converter ficheiros de imagem HEIC em JPG em lote, num VPS com muito poder de CPU](https://willem.com/global/images/70940e6862ad.webp)

## Criar uma nova fototeca

Depois de experimentar as várias apps de software livre, escolhi o Shotwell para ser a nova casa da minha fototeca. Corre bem no meu tablet (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/) e funciona bem em combinação com apps avançadas como o Darktable e o GIMP. Consegue importar automaticamente fotografias novas, organizá-las por ano e mês, e dar-me formas rápidas de as exportar. Isto funciona melhor para *mim*, mas tu podes escolher outra aplicação ou outro método para organizar as tuas fotografias. O que é bonito no software livre é que podes decidir por ti o que funciona melhor para *ti*.

![Importar todas as fotografias para o Shotwell fez o meu tablet aquecer um pouco (ao gerar miniaturas novas), problema resolvido com uma solução bastante analógica: uma ventoinha](https://willem.com/global/images/ae6d16dd8c1b.webp)

A minha fototeca inteira cabe agora num único cartão Micro SD (512GB) que pus no meu tablet Surface. Se olhares para os cartões de memória antigos (mostrados mais acima), percebes até onde a tecnologia chegou. Encriptei o cartão Micro SD inteiro, para que as minhas fotografias se mantenham privadas mesmo que o cartão SD se perca ou seja roubado.

![A minha fototeca inteira num único cartão SD: inacreditável!](https://willem.com/global/images/bb889c594a1e.webp)

## Cópias de segurança da fototeca

Como a minha nova fototeca vive no sistema de ficheiros, sem “magia secreta da Apple” a ocultar os ficheiros de fotografia, agora posso fazer facilmente cópias de segurança das fotografias, copiando as pastas onde estão. Faço-o com o ‘rsync’, outra ferramenta de linha de comandos que te permite criar cópias incrementais de pastas e ficheiros. Só copia os ficheiros novos e modificados, o que te poupa muito tempo quando trabalhas com fototecas grandes. Podes usar um agendador de tarefas como o ‘cron’ para automatizar as cópias de segurança. Eu faço cópias de segurança automáticas das minhas fotografias para um_servidor (https://willem.com/en/2019-11-22_building-a-professional-72tb-nas/) que giro eu mesmo, e que está num centro de dados seguro (e protegido contra incêndios).

## Acesso às minhas fotografias na nuvem

Parte do apelo do novo iCloud Photos da Apple é poderes aceder às tuas fotografias a partir de qualquer dispositivo, em qualquer lugar. Eu também gosto disso. Felizmente, o servidor que uso para as cópias de segurança também serve como forma ‘sempre ligada’ de aceder às fotografias a partir de praticamente qualquer dispositivo. Posso iniciar sessão no servidor através do protocolo_seguro_de_transferência_de_ficheiros (https://wiki.debian.org/SSH), e navegar pelos meus ficheiros de fotografia. Em alternativa, podes configurar protocolos como o WebDAV (https://duckduckgo.com/?q=setup+webdav+debian) ou o SMB (https://wiki.debian.org/SambaServerSimple) para acederes aos teus ficheiros de ainda mais maneiras.

## Importar fotografias novas

É muito fácil importar fotografias novas para o Shotwell. Consoante a câmara que usas, podes importar sem fios (por WiFi) ou com um simples cabo. Tenho um pequeno cabo USB-C na mala que liga a minha câmara ao tablet, e que me permite importar as fotografias novas sem complicações. As fotografias novas são copiadas automaticamente para o meu servidor e daí ficam disponíveis em todos os dispositivos que uso.

![Importar fotografias novas da minha câmara é fácil, muito parecido com o anúncio do Apple iPhoto de 2002! ](https://willem.com/global/images/f816dceb5dc8.webp)

![Ahhh, o doce sabor da liberdade: gerir as minhas fotografias com o Shotwell no meu tablet](https://willem.com/global/images/843a5fd8f358.webp)

## Fotografias no iPhone

Uma última coisa que eu queria conseguir era ter acesso a *todas* as minhas fotografias no iPhone, com a app Fotografias nativa do iOS. Apesar de poder aceder a todas as fotografias através do meu servidor, a app Fotografias do iOS é inigualável em velocidade e facilidade de utilização.

Além disso, acho que a Apple fez um trabalho realmente notável com a aprendizagem automática no dispositivo, que te permite pesquisar fotografias com base no que está nelas. Pede à Siri as fotografias que tiraste de relógios, carros, bicicletas ou o que quiseres, e ela encontra-as na tua fototeca. Funciona surpreendentemente bem e dá novas formas de redescobrir fotografias antigas.

Mas isto exige uma doce ironia...: a única maneira de o fazer funcionar é voltar para a “prisão das fotografias”. Para o motor neuronal do iPhone fazer o seu trabalho, todas as tuas fotografias têm de estar carregadas no dispositivo. Poucas pessoas sabem, porém, que podes ter as tuas fotografias dentro da app Fotografias do iOS sem precisares de uma fototeca do Apple Photos no computador!

![No Finder do macOS podes configurar a sincronização de fotografias com uma pasta normal do sistema de ficheiros como origem, sem precisares de uma fototeca completa do iCloud Photos!](https://willem.com/global/images/1837475054b1.webp)

O macOS permite-te sincronizar *qualquer* pasta com fotografias com o iPhone. Como o Mac continua a ser muito baseado em UNIX, configurar uma sincronização automática com o meu repositório de fotografias no servidor foi tão fácil como configurar uma tarefa cron que usa o rsync para obter as fotografias novas. Depois podes configurar o iPhone para sincronizar automaticamente por WiFi assim que estiver ao alcance do teu Mac. A única desvantagem desta abordagem é que ainda precisas de um Mac para isto, embora suspeite que, em teoria, se poderia conseguir o mesmo a correr o macOS dentro de uma máquina virtual. Fica para outra altura.

![Felizes juntos: a usar a app Fotografias nativa do iOS para navegar por toda a minha coleção, gerida com o Shotwell](https://willem.com/global/images/3156a91b1d91.webp)

## Conclusão

Há coisas que exigem tempo, esforço e energia para ficarem bem. Durante muito tempo aceitei que a minha fototeca pessoal estivesse em mau estado, presa nas limitações do moderno Apple Photos, que não para de te empurrar para enviares tudo para o iCloud. Isso mudou!

Agora consigo gerir as minhas fotografias com software livre, e fazê-lo exatamente como entendo. Recuperei o controlo sobre as minhas memórias pessoais, e sabe lindamente! As alternativas ao Apple iCloud Photos são mais do que capazes de o fazer: só tens de dedicar o tempo necessário para o fazeres bem!

*Curiosidade: muitas das fotografias mais antigas que usei neste artigo foram redescobertas porque dediquei tempo a percorrer as minhas fotografias. Vais ficar surpreendido com as pérolas escondidas na tua própria fototeca, se dedicares tempo a revisitá-las!*

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## Limpar um relógio vintage

*Redescobrir a beleza antiga debaixo de camadas de sujidade* · 2020-08-23 · https://willem.com/pt/2020-08-23_limpar-um-relogio-vintage/

Esta semana estava a arrumar o meu armário quando encontrei um relógio velho. Veio da casa do meu avô. Parecia ter tido uma vida aventureira, cheia de desgaste. Reconheci que tinha um movimento mecânico automático. Mal lhe peguei, voltou a trabalhar quase de imediato. Fiquei a pensar como seria fixe se o limpasse com cuidado.

## Citizen Automatic, 21 jewels 6000

Depois de o meu avô falecer, esvaziámos a casa dele. Entre os muitos objetos (antigos) estava este relógio Citizen Automatic. Eu não sabia a sua história, mas era claro que tinha passado por *coisas* durante o tempo que esteve no pulso.

![Citizen Automatic, 21 jewels, 6000, 4-601084-Y](https://willem.com/global/images/e7bc9b8135b6.webp)

É um relógio mecânico automático dos anos 70 (a julgar pelo design e pelos números de referência na parte de trás). Naquele tempo, um relógio mecânico era uma coisa de que simplesmente precisavas: não havia smartphones nem computadores com relógios digitais por todo o lado. Foi mesmo antes da chamada ‘Crise_do_Quartzo’ (https://en.wikipedia.org/wiki/Quartz_crisis), que trouxe uma enxurrada de relógios baratos a pilhas. O relógio que encontrei era uma relíquia de outros tempos, com um coração mecânico que ainda batia! Que fixe!

![A parte de trás do relógio, com vários números e marcações](https://willem.com/global/images/cb1eaa101432.webp)

Ao contrário da maioria dos smartwatches (que duram só alguns anos), a maioria dos relógios mecânicos era usada durante muitos anos. No pulso, foram ganhando os sinais do uso diário. Este relógio passou claramente por uma boa dose de pancadas.

![O desgaste é uma coisa ótima num relógio: conta a história de um tempo aventureiro no pulso](https://willem.com/global/images/f07c3913db68.webp)

Pelo que consegui perceber, o relógio estava em estado original, sem ter sido polido nem revisto. Isto é uma coisa *boa* quando se trata de relógios. Um relógio vintage pode perder todo o seu encanto quando é polido ou quando peças características, como o mostrador ou os ponteiros, são substituídas por peças de reparação. Por isso, não admira que uma peça vintage original atinja preços elevados no mercado de relógios.

## Limpar um relógio vintage

Se pensas limpar um relógio vintage, tens de ter muito cuidado. Os relógios antigos podem ser muito frágeis. Mesmo que a caixa tenha inscrições como “waterproof” ou “water resistant”, é provável que já não esteja protegido contra a humidade. Se tiveres dúvidas, pensa em levar o teu relógio a um relojoeiro profissional para ser limpo e tratado profissionalmente.

![Pulseira suja](https://willem.com/global/images/7f4d18a47030.webp)

Se pensas fazê-lo tu mesmo, deves arranjar algumas ferramentas de relojoaria. Encontram-se na internet e permitem-te abrir e fechar o relógio sem o danificar. Com as ferramentas certas é fácil retirar a pulseira da caixa do relógio. Isto facilita a limpeza (porque a pulseira resiste melhor à água).

![Retirar a pulseira de um relógio é mais fácil com as ferramentas certas](https://willem.com/global/images/2b2938aeda50.webp)

![Sujidade dentro do fecho](https://willem.com/global/images/59cfa439ed7e.webp)

Este relógio tinha imensa sujidade dentro da pulseira. É frequente a sujidade acumular-se entre os vários elos e peças. Com o tempo, as pulseiras podem tornar-se um próspero_ecossistema_microbiano (https://www.hodinkee.com/articles/in-other-news-your-wristwatch-may-harbor-a-flourishing-microbial-ecosystem), com germes, bactérias e outra vida microscópica.

![Sobretudo as partes que ficam junto à pele humana podem ir acumulando coleções interessantes de sujidade, dando origem a ecossistemas microbianos](https://willem.com/global/images/4b3db8430dfe.webp)

Podes usar várias coisas para limpar a pulseira e a caixa do relógio. Eu uso muitas vezes a minha escova de dentes elétrica (com uma cabeça sobressalente!) para remover facilmente a sujidade entre os elos. A pulseira também se pode limpar num banho de ultrassons. Tem cuidado com a caixa do relógio, porque é lá que está o movimento: usa água com moderação (se é que a deves usar).

![O relógio abre-se com uma ferramenta especial](https://willem.com/global/images/1222910e2806.webp)

![Ajusta a ferramenta aos pontos de encaixe do fundo da caixa, para o poderes rodar e abrir](https://willem.com/global/images/c444b13b3213.webp)

![Podes rodar o fundo da caixa e retirá-lo da caixa do relógio para ver o movimento](https://willem.com/global/images/687a24dbe12d.webp)

![Este relógio tem um movimento automático Citizen 6000 com 21 rubis](https://willem.com/global/images/acadabbb37e1.webp)

![Há um rotor que dá corda ao relógio quando ele se move (no pulso), um sistema engenhoso que dispensa pilhas](https://willem.com/global/images/9239e4fceb5c.webp)

Verifiquei o movimento mecânico no interior do relógio para perceber se a caixa alguma vez esteve aberta à humidade ou ao pó. Se for o caso, deves mandar um profissional rever o movimento, para evitar que (a água / o pó) danifiquem ainda mais o movimento. Como há muitas peças de aço, a oxidação é um perigo real para um movimento mecânico. Este relógio parecia limpo por dentro, sem sinais de problemas, e o movimento automático parecia estar em bom estado!

![Movimento Citizen 6000](https://willem.com/global/images/7495ca6cd1df.webp)

Se fores mesmo aventureiro, provavelmente consegues encontrar esquemas técnicos dos movimentos de relógio mais comuns. São como a planta do movimento, e permitem-te identificar as peças individuais. Felizmente, o movimento deste relógio estava bem.

## Resultados

Depois de limpar o relógio com cuidado, voltei a montá-lo. Tal como com a bicicleta_vintage_que_limpei_antes (https://willem.com/en/2016-09-03_batavus-champion-bike-from-1978/), fiquei maravilhado com a beleza que estava escondida debaixo da sujidade. Limpá-lo foi uma boa decisão!

![A pulseira depois de limpa](https://willem.com/global/images/93961ec5b2ec.webp)

![A caixa do relógio depois de limpa, vista por baixo](https://willem.com/global/images/0dec1affae90.webp)

![A caixa do relógio depois de limpa, vista de cima](https://willem.com/global/images/6539dc8e72b0.webp)

É óbvio que o vidro de acrílico está danificado, tem muitos riscos e fissuras. A boa notícia é que se pode mandar substituir com facilidade. Mas eu gosto das coisas originais e não me importei de o deixar assim. Acho que acrescenta carácter ao relógio e refrata a luz (do sol) de uma forma interessante.

![O relógio de volta ao pulso: limpo e a trabalhar!](https://willem.com/global/images/8b9c1fc917f6.webp)

Graças às maravilhas modernas da internet, consegues encontrar muitas correias e pulseiras diferentes para o teu relógio vintage. Montá-las é fácil e muitas vezes permitem-te redescobrir o teu relógio antigo de novas maneiras!

![Substituir a pulseira de metal original por uma pulseira NATO de nylon](https://willem.com/global/images/9aee5b993b81.webp)

![Usar o relógio com outra pulseira pode fazê-lo parecer um relógio completamente diferente](https://willem.com/global/images/5536295c7413.webp)

## Conclusão

Os relógios vintage são populares pelas suas características únicas, que se foram formando durante o tempo no pulso. Cada relógio conta uma história diferente, e é isso que o torna interessante. Os colecionadores adoram o facto de um relógio precisar de tempo para ficar com o aspeto que tem hoje. Inúmeros pequenos riscos e cicatrizes ocasionais contam a história dos donos anteriores. Até podemos imaginar que herdamos um pouco do machismo de quem o usou antes.

Se alguma vez te cruzares com um bonito relógio vintage, trata-o com respeito e cuidado. Encara os sinais de desgaste como algo bonito, e não como algo que deve ser restaurado ao estado de fábrica. Se queres um relógio *novo*, compra um. Os relógios vintage são as histórias de uma vida inteira: trata-os bem e talvez acrescentes um capítulo teu à história deles!

![Com um relógio de 50 anos no pulso, adoro!](https://willem.com/global/images/8eecd9d7aad1.webp)

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## O melhor teclado para iPad

*Smart Keyboard Folio vs Magic Keyboard* · 2020-08-11 · https://willem.com/pt/2020-08-11_o-melhor-teclado-para-ipad/

O tablet está na linha da frente da computação móvel e o seu formato está a evoluir. Este ano, a Apple apresentou um novo Magic Keyboard para iPad que inclui um trackpad. Toda a gente anda entusiasmada, mas eu acho que há algo a dizer a favor do Smart Keyboard Folio, “sem rato”. Lê o resto para veres algumas diferenças essenciais.

## O iPad Pro como computador a sério

Se tens acompanhado o meu blogue, sabes que sou fã de usar um tablet_como_computador_principal (http://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/). Usei_diferentes_tablets_com_diferentes_sistemas_operativos (https://willem.com/en/2020-04-14_talking-tablets-what-makes-a-great-tablet/) para explorar o que funciona melhor (e porquê). Um tablet é melhor pelos seus próprios méritos, por ser um tablet. Acho um erro transformá-lo num portátil ou num computador de secretária. É por isso que acho que o novo Magic Keyboard não é, de forma universal, uma melhoria em relação ao antigo Smart Keyboard Folio.

![Smart Keyboard Folio (à esquerda) e o novo Magic Keyboard (à direita)](https://willem.com/global/images/1978a5e07319.webp)

## Smart Keyboard Folio

O Smart Keyboard Folio é o teclado original do iPad, uma capa leve que ‘abraça’ o iPad como uma capa de proteção. É feito de uma única peça de um polímero com aspeto de tecido. Podes dobrar o teclado para as costas, para usares o iPad como um tablet. As teclas estão integradas na aba de baixo, sem abertura por baixo, o que as torna resistentes à água e ao pó. A experiência de escrita é do género “ou se ama ou se odeia”, ao contrário da maioria dos teclados convencionais.

![O Smart Keyboard Folio (11 polegadas) com iPad Pro e Apple Pencil pesa 528 gramas](https://willem.com/global/images/b7c503117026.webp)

![Smart Keyboard Folio do iPad Pro visto de lado](https://willem.com/global/images/bab0cd3fe508.webp)

## Magic Keyboard

O novo Magic Keyboard é o mais recente e melhor produto complementar da Apple para o iPad Pro. É um suporte dobrável avançado, reforçado com metal, que inclui um teclado e um trackpad. É extremamente robusto e, por isso, mais pesado. Não podes usar o iPad como tablet quando está ligado ao Magic Keyboard, porque o mecanismo de dobragem não permite virá-lo para trás. As teclas retroiluminadas têm um mecanismo de tesoura convencional, com 1MM de curso. A experiência de escrita é soberba, muito parecida com a de um portátil topo de gama.

![O Smart Keyboard Folio (11 polegadas) com iPad Pro e Apple Pencil pesa 844 gramas (cerca de 59% mais pesado do que o Smart Keyboard Folio)](https://willem.com/global/images/f4f044203d42.webp)

![Magic Keyboard do iPad Pro visto de lado: é mais grosso e tem uma dobradiça de alumínio escuro a sobressair (do lado esquerdo)](https://willem.com/global/images/08595e15c99a.webp)

![O Magic Keyboard é feito como um teclado de portátil (com teclas distintas e os respetivos mecanismos), o Smart Keyboard Folio é feito com um tecido entrelaçado de uma só peça de material](https://willem.com/global/images/33c26818260d.webp)

## Rato

Para além do peso, do material e da experiência de escrita, a diferença mais visível é o trackpad do Magic Keyboard. A Apple introduziu o suporte de ponteiro no iPadOS 13 e cada vez mais apps o suportam. Se alguma vez tocaste num portátil da Apple, sabes que os trackpads de vidro são fantásticos. O trackpad do Magic Keyboard não é exceção: é ótimo.

![O trackpad do Magic Keyboard para iPad Pro é ótimo: o ‘cursor’ é um círculo cinzento (mesmo entre os ícones do FaceTime e do Zoom)](https://willem.com/global/images/28666bcf13f8.webp)

## Problema: o frigorífico-torradeira

Quando lhe perguntaram se os portáteis e os tablets iriam convergir um dia, Tim Cook (o CEO da Apple) respondeu_aos_analistas (https://www.smh.com.au/technology/apple-ceo-tim-cook-emerges-from-steve-jobs-shadow-with-toasterfridge-20120426-1xmig.html):

*“Acho que tudo pode ser forçado a convergir. O problema é que os produtos são feitos de compromissos, e começas a fazer tantos compromissos que, no fim, aquilo que te sobra não agrada a ninguém. Podes fazer convergir uma torradeira e um frigorífico, mas é provável que essas coisas não agradem ao utilizador.”*

Acho que, anos depois de Tim Cook ter dito isto, a Apple criou de facto o famoso “frigorífico-torradeira” quando acrescentou suporte de ponteiro ao iPad. Acrescentar um rato a um iPad é fazer convergir o tablet com um portátil. Perdes a flexibilidade de uma experiência de tablet completa, ganhas peso e volume, e ganhas pouco, porque o suporte de ponteiro continua a ser opcional (e parcial) no iPadOS.

![Smart Keyboard Folio vs Magic Keyboard para iPad](https://willem.com/global/images/5a9c803a7d55.webp)

Não me interpretes mal, o Magic Keyboard está brilhantemente executado. É um design intrigante que tenta preencher o fosso entre um tablet e um portátil. O produto resultante é altamente complexo (por exemplo, se contares o número de peças, o esforço de engenharia, etc.). Mesmo assim, não consigo deixar de pensar que isto tira algo à verdadeira vantagem do tablet: a necessidade de reimaginar o teu fluxo de trabalho em vez de recriar velhos padrões.

![Se queres a experiência de um portátil, porque não comprar simplesmente um MacBook?](https://willem.com/global/images/9b60377a5d01.webp)

Um portátil a sério dá-te o melhor de um sistema operativo de secretária. Com suporte de ponteiro muito preciso, trackpads decentemente espaçosos e suporte avançado de aplicações. O MacBook Air (a partir de € 1199) é um computador fantástico que te vai custar menos do que um iPad Pro de 12 polegadas com Smart Keyboard (€ 1119 + € 399 = € 1518).

## A defesa do Smart Keyboard Folio

Se queres mesmo um iPad *e* um teclado, ainda podes considerar o Smart Keyboard Folio. Como se a Apple soubesse do compromisso do seu produto mais recente, o Smart Keyboard Folio original continua disponível. Usei os dois teclados para escrever textos longos, para trabalhar e para navegar na web. Eis porque acho que o Folio não é assim tão mau:

### Em contacto com o teu conteúdo

Como o Smart Keyboard Folio não tem trackpad, tens mesmo de usar os dedos para te moveres no iPadOS. Se pensas com os paradigmas dos portáteis, isto pode parecer trabalhoso: um desastre ergonómico e desajeitado. Mas se explorares novas formas de trabalhar com o teu conteúdo, vais reparar que os ecrãs táteis podem ser muito úteis quando:

- rodas coisas (como uma fotografia, uma imagem, gráficos)

- manipulas controlos deslizantes para explorar diferentes ajustes (como efeitos de fotografia, volumes, mesas de mistura, etc.)

- redimensionas coisas

![Tocar é parte integrante da experiência do tablet: a mão pode descansar na mesa na maioria das tarefas](https://willem.com/global/images/f439591cffa8.webp)

![Cortar e rodar fotografias parece natural, com vários ajustes (tamanho, rotação, dimensões) num só gesto em vez de vários cliques de rato](https://willem.com/global/images/51311d90c673.webp)

![Ajustar controlos deslizantes com precisão e ver logo os efeitos, ampliar com um simples gesto de pinça enquanto experimentas diferentes definições. ](https://willem.com/global/images/2ca165ca0d14.webp)

![Compor imagens com várias camadas a arrastar, a largar, a rodar e a redimensionar em segundos. As apps de tablet otimizadas ajudam-te a alinhar com precisão através de guias e réguas. ](https://willem.com/global/images/deb8e8b57bad.webp)

Naturalmente, podes argumentar que tudo isto também é possível *com* o Magic Keyboard. É verdade, mas a presença de um trackpad convida-te a usá-lo. Se o fizeres, o ecrã tátil do tablet fica sempre um passo mais longe. Quando deres por isso, estás a usar o iPad como um portátil.

### Não te esqueças das palmas das mãos enquanto escreves

A maioria das pessoas fala de tecla-isto e tecla-aquilo quando fala de teclados. Mas a maioria dos críticos esquece-se dos apoios para as palmas das mãos. Quando estou mesmo entusiasmado com um pedaço de código ou a escrever um artigo, as minhas mãos aquecem, às vezes até ficam um pouco suadas. Por isso, gosto de pousar as mãos na superfície da mesa. A maioria das minhas secretárias é feita de madeira natural. Gosto mesmo da sensação. Com um trackpad por baixo do teclado, ficas obrigado aos apoios de plástico do Magic Keyboard. A aresta de plástico irrita-me as palmas quando escrevo durante longos períodos. O Smart Keyboard Folio deixa as minhas palmas descansarem na superfície confortável que eu escolher para trabalhar.

![As palmas das mãos a descansar confortavelmente na superfície da mesa](https://willem.com/global/images/f2e07c82d729.webp)

### Seleção de texto, deslocamento e cliques

Os argumentos típicos *a favor* de um rato envolvem texto e clicar em botões. Como é suposto selecionar texto? Mover o cursor? Clicar num botão de uma barra de ferramentas? Percorrer uma página web? A maioria das pessoas nunca dedica um minuto a aprender atalhos, mas, se o fizeres, podes poupar muito tempo a longo prazo!

Aconselho toda a gente a aprender combinações de teclas e a aprender a navegar no texto com o teclado. No iPadOS, a Apple tornou fácil aprender as combinações de teclas das ações mais comuns. Basta manter premido o botão CMD para ver uma folha de consulta de atalhos específica da app.

![Vê as combinações de teclas disponíveis ao manter premida a tecla CMD em qualquer app](https://willem.com/global/images/e559ebdd6b82.webp)

Não precisas de um rato para navegar no texto, fazer seleções e copiar/colar. Experimenta isto (em qualquer app) e, quando deres por isso, estás a mover o cursor à velocidade da luz:

- **Setas (teclas):** movem o cursor uma posição de cada vez

- **CMD+Setas:** movem o cursor até ao fim para cima/baixo/esquerda/direita

- **OPTION+Setas:** movem o cursor uma palavra de cada vez

- **SHIFT + (qualquer uma das anteriores):** para selecionar texto

- **CMD+A:** para selecionar todo o texto

- **CMD+C:** para copiar o texto selecionado

- **CMD+V:** para colar o texto selecionado

![Não subestimes o poder das teclas CMD / OPTION / Setas / Shift: aposto que sou mais rápido do que a maioria das pessoas com um rato](https://willem.com/global/images/849c5f0449a2.webp)

Se não te apetece tocar no ecrã quando precisas de percorrer uma página web ou um e-mail, podes usar o teclado:

- **teclas de seta:** deslocam para cima/baixo com precisão

- **barra de espaços:** desloca para baixo a altura de um ecrã inteiro de cada vez

- **SHIFT + barra de espaços:** desloca para cima a altura de um ecrã inteiro de cada vez

## Conclusão

Depois de usar os dois teclados no meu iPad Pro, estou convencido de que não quero transformar o meu tablet num portátil. Se quisesse um portátil, teria comprado um MacBook.

O ponto-chave (sem trocadilho) deste artigo é que deves perguntar-te *o que* queres mesmo de um teclado. Só tu - caro leitor - podes responder a isso!

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## Influenciar o comportamento de compra

*Aplicar princípios das ciências comportamentais ao processo de decisão de compra* · 2020-07-31 · https://willem.com/pt/2020-07-31_influenciar-o-comportamento-de-compra/

Esta semana deparei-me com um relatório brilhante sobre a forma como as pessoas tomam a decisão de compra. No meu trabalho na app de encomendas de comida online, estou continuamente a consultar fontes científicas para melhorar o desempenho, a conversão e as receitas online. Este relatório da Google discute seis enviesamentos que influenciam a tomada de decisão. Vale a pena leres o relatório completo, e vou explicar-te porquê.

## O processo de decisão do comprador

O processo de decisão de compra é o processo de tomada de decisão que os consumidores seguem nas transações de mercado, antes, durante e depois da compra de um bem ou serviço. Tem sido objeto de investigação académica durante muitas décadas. Se souberes como os clientes tomam as suas decisões, talvez consigas influenciá-las pela positiva.

![Uma breve história da evolução dos modelos de marketing (Rennie Et Al., 2020)](https://willem.com/global/images/8c5026a5cf32.webp)

O típico “marketês” envolve muitas vezes expressões como “funil de compra”, “percurso do cliente”, “caminho para a compra”. No fundo, é tudo o mesmo: bingo de palavras da moda! Ainda assim, este campo de investigação tornou-se cada vez mais importante. O surto do vírus COVID-19, em 2020, deu um peso incrível ao negócio online.

## Investigar o “meio confuso”

O relatório foca-se naquilo a que os investigadores chamam o “meio confuso” (“messy middle”), que fica entre os estados de “exploração” e de “avaliação”. Os consumidores exploram as opções e alargam o seu conhecimento e os seus conjuntos de consideração. Depois (em sequência ou em simultâneo) avaliam as opções e vão estreitando as escolhas. É modelado como um ciclo, para descrever a natureza não linear do “meio confuso”, que vai iterando entre estados até se tomar uma decisão de compra. **A pergunta principal dos investigadores é: o que podes fazer para garantir que o teu produto ou serviço ganha? Como convences alguém a deixar de procurar e a comprar mesmo aquilo que estás a vender?**

![O modelo do Meio Confuso (Rennie Et Al., 2020)](https://willem.com/global/images/0cf7f2b42b33.webp)

## Homo-nem-tanto-economicus

Parece que a maioria dos cientistas comportamentais concorda agora que o nosso aparelho de tomada de decisão envolve razão e emoção. Não é puramente racional! De uma extensa lista de mais de 300 princípios codificados nos últimos 50 anos de ciências comportamentais académicas, os investigadores destilaram uma lista priorizada de apenas 6 enviesamentos que consideraram intimamente associados aos estados de explorar e avaliar do seu modelo.

![Seis enviesamentos que influenciam o processo de decisão de compra (Think with Google)](https://willem.com/global/images/ce2c504ff301.webp)

- **Heurísticas de categoria:** Descrições curtas das principais especificações do produto podem simplificar as decisões de compra.

- **Poder do agora:** Quanto mais tempo tens de esperar por um produto, mais fraca se torna a proposta.

- **Prova social:** As recomendações e as avaliações de outras pessoas podem ser muito persuasivas.

- **Enviesamento de escassez:** Quanto mais diminui o stock ou a disponibilidade de um produto, mais desejável ele se torna.

- **Enviesamento de autoridade:** Deixar-se influenciar por um especialista ou por uma fonte de confiança.

- **Poder do grátis:** Uma oferta com a compra, mesmo sem relação com o produto, pode ser um motivador poderoso.

Os investigadores usaram estes enviesamentos como base de uma experiência de compras em grande escala (são a Google...) com compradores reais, simulando 310.000 cenários de compra em serviços financeiros, retalho, bens de consumo embalados, serviços públicos e viagens.

## Resultados espantosos

O que me espanta é que uma marca totalmente fictícia pode conquistar uma quota de mercado significativa se aplicares os seis enviesamentos em simultâneo (por exemplo, criando um ‘produto superalimentado’). Os resultados mostraram nada menos do que 28% de quota de mercado no pior cenário, até 87% em algumas categorias, como os seguros automóvel!

![Marcas fictícias, inventadas pelos investigadores, conquistaram uma quota de mercado significativa depois de aplicarem os seis enviesamentos (Rennie Et Al., 2020)](https://willem.com/global/images/7a829f7016cd.webp)

![Transferência de preferência da escolha original para a marca fictícia, por categoria de compra (Rennie Et Al., 2020)](https://willem.com/global/images/0cf9a23d0f36.webp)

## Conclusão

Lê o relatório_completo (https://willem.com/etcetera/2020-07_Decoding_Decisions_The_Messy_Middle_of_Purchase_Behavior.pdf) para perceberes por inteiro o meio confuso e os princípios de ciência comportamental que os investigadores examinaram.

Usa os princípios da ciência comportamental a teu favor, não para enganar o cliente e forçá-lo a decidir, mas para apoiar da melhor forma o processo de compra “normal” dele. Dá-lhe a informação e a segurança de que precisa para decidir comprar-te a ti (e está à altura disso)!

### Referência

Rennie, A, Protheroe, J., Charron, C., Breatnach, G. (2020). Decoding Decisions: Making sense of the messy middle, "Think with Google"

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## Atualizar um iMac 5K de 27 polegadas para 14 terabytes

*Substituir o Fusion Drive por um SSD e um disco rígido* · 2020-07-30 · https://willem.com/pt/2020-07-30_atualizar-um-imac-5k-de-27-polegadas-para-14-terabytes/

Este mês tentei atualizar o meu iMac 5K de 27 polegadas. Queria substituir o Fusion Drive por um SSD e um disco rígido grande. Além disso, achei que era boa altura para atualizar também a memória RAM, até ao máximo de 64GB. Estava numa missão para criar o iMac definitivo, mas as coisas não correram como planeado!

## iMac

O iMac original foi apresentado em 1998, e o seu anúncio não foi isento de polémica nem de expectativa. Nessa altura, a Apple tinha sofrido uma série de reveses e estava em mau estado. Steve Jobs regressou à Apple e Jonathan Ive desenhou o iMac. O iMac precisava de ser um grande sucesso para salvar a Apple. E foi!

![iMac G3 (1998)](https://willem.com/global/images/36dc6e9176cf.webp)

![Anúncio do iMac: repara no texto que sublinha que te põe online em 10 minutos](https://willem.com/global/images/52c5422faa00.webp)

Ao contrário da maioria dos outros fabricantes de computadores da época, o iMac foi concebido para ser divertido e simpático. Sem complexidade, sem chatices, sem ser preciso ser um geek. Pôs a Apple de volta no caminho para se tornar a empresa de eletrónica de consumo mais valiosa que é hoje.

![A evolução do iMac](https://willem.com/global/images/a0434f9e705d.webp)

## iMac de 27 polegadas com ecrã retina 5K

O iMac de hoje continua a basear-se no mesmo conceito: um computador divertido e simpático. Só há um cabo para ligar (o cabo de alimentação) e não precisas de um doutoramento em informática para o configurar. Todos os componentes do computador ficam logo atrás do ecrã, criando um design fino e unificado que se inclina para cima e para baixo sobre uma simples base de metal.

![O iMac de hoje (em dois tamanhos)](https://willem.com/global/images/7859c24f492b.webp)

O iMac de hoje é um computador impressionante, sobretudo pelo seu lindíssimo ecrã de alta resolução. O ecrã retina 5K é super nítido e produz cores precisas. Combinado com as muitas opções de armazenamento e de processadores, é um argumento muito sólido para o computador all-in-one definitivo. É por isso que o iMac *é* o “herói” da Apple na secretária.

## Atualizar

Mas os modelos de topo não são baratos: se especificares ao máximo o iMac Pro, precisas de € 16.308! Aí tens uma máquina incrível que dura facilmente *anos*. Para muitos profissionais, é uma escolha óbvia. Mas para mim é muito dinheiro. Então, pensei, e se eu fizesse isto com as minhas próprias mãos? Será que dava para pegar no meu iMac de gama base e atualizá-lo para estratosferas mais altas? Qual poderá ser a dificuldade...?

![O iMac Pro definitivo, 18 núcleos, 256GB de RAM, SSD de 4TB... € 16.308!](https://willem.com/global/images/e7dbc75c11ac.webp)

### Aviso amigo: NÃO FAÇAS ISTO!

Atualizar um iMac não é fácil. O meu conselho simples seria: não o faças tu mesmo. Procura um especialista, compra um modelo de gama superior pronto a usar. É mais fácil, mais seguro, e poupas muito tempo que podes usar para ganhar o dinheiro extra necessário para o pagar. Naturalmente, ignorei qualquer conselho amigo deste género... e mergulhei no meu plano maluco.

## Preparação

O primeiro passo é garantir que atualizaste todo o software do teu iMac. Certifica-te de que funciona bem. Depois, deves fazer uma cópia de segurança completa de tudo. Dá “tudo” por perdido quando fores fazer qualquer mexida aventureira. Depois, deves determinar o modelo exato que tens. Podes descobri-lo em “Acerca deste Mac” no macOS, procurando o número do modelo. O meu iMac de 27 polegadas (2017) tinha o número de modelo “18,3”.

## Encontrar peças

Com o número de modelo exato, podes começar a tua busca por peças de atualização. Há várias lojas físicas e online que oferecem atualizações. Muitas vêm com um conjunto de ferramentas, vídeos de instruções e uma saudável dose de condições do género *“boa sorte, estás por tua conta”*. Optei pelo SSD PCIe maior e mais rápido e por um conjunto de RAM no máximo, da simpática malta da other_world_computing (https://www.owcdigital.com/products/upgrades-and-tools).

![Poucos dias depois de encomendar as peças, apareceu uma caixa mágica na minha secretária](https://willem.com/global/images/f163664e6f14.webp)

![Continha a RAM de 64GB e o Aura Pro X2 PCIe de 2TB para iMac](https://willem.com/global/images/7617e7c1834f.webp)

## Atualizar a RAM

Atualizar a memória RAM é bastante fácil, porque o iMac tem uma tampa especial junto ao conector de alimentação que dá acesso aos módulos de RAM. Atualizei primeiro a RAM, para poder verificar se os módulos novos estavam bons. É importante saber isto, porque os passos seguintes são muito mais arriscados. Saber que a RAM funciona facilita a identificação de possíveis outros problemas.

![A tampa da RAM abre-se com o botão secreto dentro do conector de alimentação ](https://willem.com/global/images/b821772c6692.webp)

![Depois de instalar a nova RAM, liguei o iMac para ver se os módulos novos funcionavam: funcionavam!](https://willem.com/global/images/5f3680361976.webp)

## A magia do Fusion Drive

Se o teu iMac tem um Fusion Drive, deves saber que não é um único dispositivo. Na verdade, um Fusion Drive são duas peças distintas que atuam ‘como uma só’ através de um truque de software. Se pensas substituir qualquer uma delas, deves “desacoplar o fusion” antes de desmontar o iMac. Podes fazê-lo com alguns comandos de terminal.

![Desacoplar o Fusion Drive: separar o disco rígido convencional do SSD PCIe](https://willem.com/global/images/0840a2f57bba.webp)

Na minha atualização, pretendia substituir o SSD de 32GB do Fusion Drive por um SSD PCIe de 2TB muito rápido. Isto daria armazenamento de “trabalho” suficiente e muito rápido. Além da unidade de trabalho ultrarrápida, optei por um disco de “arquivo” muito grande, de 12TB. Aí ficariam os ficheiros a que não acedo de hora a hora. Ao atualizar as duas partes do Fusion Drive original, teria o melhor de dois mundos.

## Abrir o iMac

É aqui que começa a verdadeira aventura: o iMac só se pode abrir com uma lâmina de rolo especial, que corta as tiras adesivas que mantêm o ecrã ligado à caixa de alumínio. Deves mesmo ver uns vídeos_de_instruções_no_YouTube (https://www.youtube.com/user/OWCmacsales/search?query=imac) antes de tentares fazê-lo.

![Usar um rolo especial para cortar o iMac e abri-lo](https://willem.com/global/images/70231e0fae69.webp)

O lindíssimo ecrã retina 5K é muito frágil. Deves ter um cuidado especial quando tentas retirar o grande painel de vidro da caixa. Se encomendares um kit de atualização completo, é provável que recebas umas ventosas para ajudar a levantar o ecrã. Garante que não puxas o ecrã demasiado, porque há dois cabos a ligá-lo à placa lógica principal. Tens de os desligar com cuidado antes de poderes retirar o painel.

![Tem cuidado ao levantar o vidro, há cabos a ligar o painel à placa lógica](https://willem.com/global/images/5477badcf576.webp)

Depois de retirares o painel de vidro, deves dedicar tempo a remover as tiras adesivas que restarem. É um processo bastante simples, uma oportunidade bem-vinda para voltar a respirar depois do passo de dar cabo dos nervos que é retirar o vidro.

![Remover as tiras adesivas: uma tarefa bastante pouco tecnológica](https://willem.com/global/images/ffb68195aa61.webp)

Depois de retirares o painel, vês o interior do iMac em todo o seu esplendor. Se leste a biografia_de_Steve_Jobs (https://www.amazon.com/Steve-Jobs-Walter-Isaacson/dp/1451648537) (de Walter Isaacson), sabes porque é que o interior do iMac também é bonito. O pai dele era carpinteiro e dava igual atenção às partes que não se veem, como os painéis traseiros de um móvel. Só a ideia de que as partes escondidas fossem feias, baratas ou desarrumadas era inaceitável para ele. Se compras um computador Apple, deves saber que todas as peças (visíveis *e* invisíveis) tiveram o mesmo nível de atenção.

![O interior do iMac está lindamente organizado](https://willem.com/global/images/71710e6f8d72.webp)

A parte mais difícil de alcançar dentro do iMac é a ranhura PCIe onde o SSD deve ser instalado. Antes de lhe poderes aceder, tens de remover quase todos os componentes do iMac. É uma operação mesmo trabalhosa, com muitos parafusos diferentes (super minúsculos). Leva o teu tempo, segue um guia, não te apresses.

![Remover parafusos do iMac ](https://willem.com/global/images/511bdbe89c5e.webp)

![Uma mosca média é maior do que a maioria dos parafusos dentro do iMac](https://willem.com/global/images/380b3c662163.webp)

![Remover uma coluna do iMac](https://willem.com/global/images/d16255accbe7.webp)

![Desligar o cabo do botão de alimentação](https://willem.com/global/images/94e90ec49273.webp)

![Remover o disco rígido de 1TB do Fusion Drive](https://willem.com/global/images/147d54f8316c.webp)

![Remover o eixo da ventoinha principal](https://willem.com/global/images/d4958154c293.webp)

![Remover a outra coluna do iMac](https://willem.com/global/images/b6c5ebc897e6.webp)

![A fonte de alimentação deve ser manuseada com cuidado extra: não toques em nenhuma junta de solda, porque os condensadores podem reter alguma carga depois de desligares o cabo de alimentação!](https://willem.com/global/images/3536798be919.webp)

![Remover a placa da fonte de alimentação](https://willem.com/global/images/0ab106c1e2c8.webp)

![Trabalho em curso: a maioria das peças removidas, só falta a placa lógica](https://willem.com/global/images/85849bd18759.webp)

![Remover os cabos das antenas: lembra-te da ordem com um bocado de fita-cola](https://willem.com/global/images/e2178564b3d1.webp)

![Desligar o cabo USB da iSight (na linguagem da Apple, a webcam)](https://willem.com/global/images/bd68062a51db.webp)

![Desligar o cabo do microfone, mesmo debaixo do meu polegar, é minúsculo!](https://willem.com/global/images/c76fa90e60f7.webp)

![Desligar o cabo dos auscultadores](https://willem.com/global/images/276dc432468d.webp)

![Remover os parafusos do dissipador](https://willem.com/global/images/6cfde83486e4.webp)

![Uma caixa de iMac (quase) vazia](https://willem.com/global/images/100051ed9848.webp)

Depois de retiradas todas as peças da caixa, podes simplesmente virar a placa lógica ao contrário para teres acesso à ranhura PCIe. Aqui há um último parafuso que mantém o SSD de fábrica no lugar.

![O SSD de 32GB instalado de fábrica que vamos substituir](https://willem.com/global/images/8e6f6c1d3de1.webp)

![A nova unidade está pronta para ser instalada: o que poderia correr mal?](https://willem.com/global/images/35c8bf89fa6e.webp)

Depois de instalares a nova unidade, tens de fazer todo o processo ao contrário para ver se o teu trabalho manual valeu a pena. Tens de voltar a colocar todas as peças antes de ligares o iMac para ver se as peças novas são reconhecidas corretamente. Isto significa que tens mesmo de ter paciência, e levar o teu tempo a voltar a pôr todas as peças e conectores (minúsculos).

## Ups!

Depois de voltar a pôr todas as peças, cabos, parafusos e conectores, liguei o iMac. É o momento da verdade... será que funciona? Pois..., no meu caso: NÃO!!

![iMac em apuros: nenhuma unidade de sistema encontrada](https://willem.com/global/images/ab8f7a8173c7.webp)

Quando vês a pasta com um ponto de interrogação, deves conseguir iniciar o processo de recuperação com CMD+R ou CMD+OPTION+R. Mas o meu iMac não respondia ao teclado. Liguei um teclado USB com fio para excluir qualquer problema de ligação Bluetooth. Não funcionou... ó ooooh!

![Criar uma unidade USB de recuperação com outro MacBook](https://willem.com/global/images/344fe607d496.webp)

Depois tentei criar uma unidade USB de recuperação arrancável com outro MacBook. Talvez entrar no processo de instalação me permitisse voltar a pôr o teclado a funcionar. Mas a unidade de recuperação também não foi reconhecida!

Numa última tentativa, liguei uma unidade de instalação arrancável de Debian GNU/Linux que usei para criar_o_meu_próprio_sistema_operativo_de_tablet (https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/). Fiquei estupefacto quando o iMac *reconheceu* *essa* unidade. O QUÊ?

![O instalador do Debian GNU/Linux foi, de facto, reconhecido pelo iMac](https://willem.com/global/images/e8636f886162.webp)

Infelizmente, não consegui pôr o teclado a funcionar: apesar de o iMac arrancar o instalador do Debian GNU/Linux, eu não conseguia comunicar com ele. Foi tremendamente frustrante. Decidi abrir o iMac outra vez para ver se tinha cometido algum erro durante a atualização de hardware... repetindo todos os passos! Quando cheguei à ranhura PCIe, reparei que a unidade não estava totalmente encaixada: vê-se que o conector de cobre está parcialmente visível.

![Ups: o SSD acabado de instalar não está bem encaixado na ranhura PCIe! Um erro caro! ](https://willem.com/global/images/7ce0798e7272.webp)

Voltei a instalar a nova unidade PCIe e garanti que ficava bem instalada. Mais uma vez, tive de voltar a montar o iMac inteiro para testar se isto fazia diferença. Temia que o meu erro tivesse causado uma sobretensão elétrica, danificando o iMac de forma permanente.

![O SSD instalado corretamente: repara como o conector está muito mais fundo na ranhura](https://willem.com/global/images/cecc39b2cc83.webp)

Para grande desilusão minha, não fez diferença nenhuma. Acredita ou não, repeti este processo pelo menos 5 vezes com configurações diferentes:

- sem unidades (nenhuma)

- só um disco SATA

- só o novo SSD PCIe

- só o antigo SSD PCIe

- a combinação original do Fusion Drive

E sim, isso significou montar e desmontar o iMac mais 5 vezes... tens de adorar parafusos minúsculos!

## Uma visita ao doutor

Nesta fase, já assumia praticamente que tinha causado danos permanentes à placa lógica principal. O SSD PCIe mal encaixado terá provavelmente danificado algum chip interno responsável pela conectividade USB. Eu só sei “até certo ponto” e, antes de dar tudo por perdido, queria confirmar se não havia mais alguma coisa que eu devesse ter feito. Por isso, visitei o doutor, o Apple Premium Service Provider.

![Visita à Microfix em Amesterdão, o Apple Premium Service Provider local](https://willem.com/global/images/97bc9f87ec45.webp)

Naturalmente, isto parece uma caminhada da vergonha: levar o teu iMac ferido à oficina e confessar o horror que lhe fizeste. Felizmente, o especialista local pareceu concordar comigo quanto ao diagnóstico: uma placa lógica danificada. A má notícia: uma placa lógica nova (sem contar com a instalação) custa uns € 750... sem garantia de que isso resolvesse o problema. Depois de agradecer à Microfix pelo tempo e pela experiência, levei de volta o meu amigo de alumínio ferido, sem saber qual seria o meu passo seguinte.

![Na placa lógica encontrei um número: fotografei-o numa das minhas numerosas sessões de montagem](https://willem.com/global/images/cb3515c407de.webp)

Inspirado pelo meu recente_sucesso_no_eBay (https://willem.com/en/2020-07-09_repairing-a-giro-aeon-bicycle-helmet/), tentei encontrar uma placa lógica de substituição para o meu iMac. Há vendedores fora da rede oficial da Apple que oferecem peças para recuperar computadores. Talvez uma destas lojas tivesse em stock uma placa lógica exatamente igual.

![QUE SORTE! Encontrei uma placa lógica de substituição perfeitamente compatível, em estado “new old stock” (novo, de stock antigo)!](https://willem.com/global/images/20432f71b906.webp)

Um vendedor na Irlanda tinha, por acaso, exatamente a peça certa em stock. Contactei-o antes para confirmar se eu tinha razão em pensar que era a peça certa para mim. Confirmou e enviou a placa lógica. Poucos dias depois chegou e - hurra, hurra - pude começar a desmontar outra vez!

![Outra caixa com peças: desta vez da Irlanda](https://willem.com/global/images/1a4c986a048f.webp)

![Continha uma placa lógica nova, mas sem processador](https://willem.com/global/images/41ff42b59d2b.webp)

Apesar de a placa lógica ser totalmente nova, não tinha processador instalado. Isso significava que eu tinha de retirar o processador da minha placa lógica avariada. Num computador normal isto já é bastante difícil, mas num iMac com dissipadores integrados é um desafio um pouco maior. Felizmente, as minhas “habilidades de aparafusar” já estavam aperfeiçoadas.

![Remover o dissipador da placa lógica](https://willem.com/global/images/68e38d95030f.webp)

![O processador quad core na minha mão](https://willem.com/global/images/230aeb827529.webp)

Depois de transplantar o processador para a nova placa lógica, voltei a fixar o dissipador. Depois instalei o SSD PCIe, verificando duas, três, quatro vezes. Como tinha acesso livre, mudei também a memória RAM para a nova placa lógica. Por fim, tive de voltar a montar o iMac inteiro mais uma vez para ver se desta vez tinha mais sorte.

![Verificar duas, três, quatro vezes o SSD PCIe](https://willem.com/global/images/5f3245a66b84.webp)

![Migrar os módulos de RAM para a nova placa lógica](https://willem.com/global/images/dc8243a14800.webp)

![SIM, funciona! A nova placa lógica aceitou o teclado e deixou-me avançar com a instalação do macOS](https://willem.com/global/images/0b5cfdf6fc29.webp)

![Muitas horas depois, o iMac voltou a funcionar!](https://willem.com/global/images/eadd52f31e13.webp)

## Conclusão

Foi preciso bastante determinação para salvar o iMac do meu erro. Mas eu queria mesmo que o computador sobrevivesse, porque gosto muito do seu design e do seu ecrã. Ter-me-ia sentido culpado se o tivesse deixado ir para o lixo.

Se há uma coisa a reter deste artigo, é que nem tudo o que faço tem sucesso. Cometo erros e estrago tudo (sem trocadilho) de vez em quando. Desistir e dar o dia por terminado é, às vezes, a melhor coisa a fazer. Mas eu não desisti e foi isso que, no fim, fez este computador voltar a funcionar. Estou feliz.

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## Reparar um capacete de ciclismo Giro AEON

*Como substituir o sistema Roc Loc 5* · 2020-07-09 · https://willem.com/pt/2020-07-09_reparar-um-capacete-de-ciclismo-giro-aeon/

Este mês o meu fiel capacete de ciclismo Giro Aeon avariou! Normalmente não hesitaria em investir na segurança e comprar um novo. Mas gosto tanto do Aeon que me dei ao trabalho extra de o reparar. Lê até ao fim para ver como o fiz.

## Giro Aeon

O Giro Aeon foi em tempos o topo de gama da marca americana Giro. Comprei-o em 2016 e desde então tem sido o meu companheiro na bicicleta. É um dos capacetes mais leves que existem, com cerca de 190 gramas. Com 24 aberturas de ventilação, ligadas a canais internos, o Giro Aeon é dos melhores capacetes para manter a cabeça fresca nos dias de calor.

![Com o capacete Giro Aeon](https://willem.com/global/images/3022f2495dae.webp)

## Roc Loc 5

Por dentro do capacete está o chamado sistema de fixação "Roc Loc 5". É um conjunto de fitas de plástico leves e rodas de aperto que permitem ajustar o capacete com precisão à cabeça. Infelizmente, o sistema Roc Loc 5 do meu capacete ficou danificado: uma das ligações de plástico partiu-se.

![O Roc Loc 5 partido no meu capacete Giro Aeon](https://willem.com/global/images/f54562060071.webp)

## Tentativa 1: colar

Tentei reparar a ligação de plástico com cola. Em vez de uma simples junção, tentei tirar o máximo partido da cola, envolvendo a ligação de plástico noutro pedaço de plástico (fino). Não funcionou e é uma má ideia. Nunca deves tentar reparar o teu capacete colando-o ou prendendo-o com fita. Os capacetes são concebidos para aguentar certos impactos. Se mudares a forma como está fixo à tua cabeça, mudas efetivamente a dinâmica que lhe dá as características de proteção. Quando se trata de segurança, nunca faças isto. Tentei porque achei que era melhor do que andar sem capacete, só para alguns passeios... Não faças isso!

![Colar o Roc Loc 5: má ideia](https://willem.com/global/images/7d60416fd8ce.webp)

## Tentativa 2: substituir o Roc Loc 5

A única outra coisa em que consegui pensar foi substituir o sistema Roc Loc 5 defeituoso. Quando o capacete era novo, isso teria sido canja. Era só encomendar uma peça nova e pronto. Mas a Giro já não produz o Aeon e, convenientemente, os modelos mais recentes não usam o sistema Roc Loc 5... isto cheira-me a obsolescência_programada (https://willem.com/en/2018-01-08_lessons-from-a-takeaway-plastic-bag/), bah!

![Roc Loc 5: tenta encontrar esta peça na internet...](https://willem.com/global/images/71a943add0fc.webp)

Aí começou a minha caça a uma peça de substituição. Caramba, encontrei *imensas* páginas de produtos, mas, vistas de perto, quase todas indicavam o Roc Loc 5 como "esgotado". Mas... se tudo falhar, experimenta_o_eBay (https://www.ebay.com/itm/GIRO-ROC-LOC-5-REPLACEMENT-SYSTEM-ONE-SIZE-FITS-ALL-BRAND-NEW-AND-AUTHENTIC/170669935334)!

![Ficarias surpreendido com o que se encontra no eBay... viva! Roc Loc 5 novo, de stock antigo!](https://willem.com/global/images/2c57a701058b.webp)

Como restam muito poucos vendedores que oferecem o sistema Roc Loc 5, arrisquei e encomendei a este_vendedor_do_eBay (https://www.ebay.com/itm/GIRO-ROC-LOC-5-REPLACEMENT-SYSTEM-ONE-SIZE-FITS-ALL-BRAND-NEW-AND-AUTHENTIC/170669935334). Ah, e sim, comprei alguns, ha! O envio (por causa da COVID-19) demorou quase um mês inteiro! O meu Roc Loc 5 passou por 3 estados diferentes dos EUA antes de chegar aos Países Baixos... :-)

![Detalhes do envio: o meu novo Roc Loc 5 já viu partes do mundo que eu ainda tenho de visitar!](https://willem.com/global/images/a90c4f779970.webp)

## Substituir o Roc Loc 5

Depois de encontrares uma peça de substituição, instalá-la não é assim tão difícil. Só tens de tirar algumas fotografias antes de retirares o Roc Loc 5 original. Assim é mais fácil voltar a pôr a fita no sítio certo.

![Novo Roc Loc 5 instalado](https://willem.com/global/images/9921b6bd1a66.webp)

![Parte de trás do capacete, repara como a fita passa pelo Roc Loc 5 ](https://willem.com/global/images/d57e937fdd4d.webp)

![Imagem lateral do capacete](https://willem.com/global/images/584e2e65af1c.webp)

Enquanto o meu novo Roc Loc 5 estava a caminho, encontrei outra loja que vendia almofadas novas (stock antigo nunca usado) para o meu capacete Aeon. Um conjunto novo de almofadas faria o meu capacete parecer (e cheirar) a novo outra vez!

![Retirar as almofadas velhas é fácil, basta descolar a fita de velcro](https://willem.com/global/images/0fd953caaf8f.webp)

![Instalar almofadas novas também não é difícil, só tens de as alinhar bem](https://willem.com/global/images/c26e84b2acf2.webp)

## Conclusão

Depois de caçar peças do outro lado do mundo, o meu capacete está outra vez na minha cabeça! Viva! Pois, pode-se perguntar se valeu a pena todo o esforço, mas eu gosto mesmo muito do meu capacete.

Detesto ver um produto perfeitamente bom ir para o lixo. Este mundo já tem lixo que chegue; se queres fazer a diferença, pensa em reparar as coisas com mais frequência!

![Com o meu capacete outra vez!](https://willem.com/global/images/41b6864cad77.webp)

![Para quem estiver interessado, esta é uma fotografia dos códigos de barras e códigos das peças do sistema Roc Loc 5 e do conjunto de almofadas](https://willem.com/global/images/6229135b5e5f.webp)

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## Algumas ideias sobre o design de interfaces para ecrãs táteis

*Criar interfaces intuitivas e naturais* · 2020-06-24 · https://willem.com/pt/2020-06-24_algumas-ideias-sobre-o-design-de-interfaces-para-ecras-tateis/

Nas últimas semanas tenho andado a trabalhar numa nova app de saúde pessoal. O principal desafio é encontrar uma interface intuitiva e natural, que funcione bem em dispositivos pequenos com ecrã tátil. Mas o que torna boa uma interface de ecrã tátil? Lê até ao fim para ver algumas boas práticas.

## A herança do rato e do teclado

As interfaces tradicionais das aplicações de PC foram pensadas e desenvolvidas, acima de tudo, para dispositivos de entrada distintos, como o teclado e o rato. Muitas convenções, boas práticas e padrões de design têm raízes nesse passado. Não há problema quando estás a criar uma app para PC tradicionais, mas é provável que o teu público use hoje dispositivos modernos com ecrã tátil. Seria um erro recriar a velha UI nesses dispositivos!

![Recriar padrões de UI antigos num dispositivo tátil moderno não te vai render nenhum prémio de usabilidade... (embora, quem não tem saudades do Clippy?) ](https://willem.com/global/images/9710101b75bf.webp)

## Interações naturais

Os dispositivos modernos com ecrã tátil permitem interações mais naturais, porque dispensam dispositivos de entrada como o rato. O dispositivo *é* o botão: os elementos no ecrã manipulam-se facilmente, de forma direta e imediata, com toque e gestos.

![Manipular diretamente os elementos no ecrã é natural: aqui, um rato seria redundante](https://willem.com/global/images/37433282f380.webp)

## Menos confusão e elementos com o tamanho certo

Um dedo é muito maior do que um cursor de rato pontiagudo, e isso exige outra abordagem ao tamanho dos elementos da interface. Os elementos interativos devem ser grandes o suficiente para serem tocados, com margens generosas entre eles. Alvos demasiado próximos aumentam a probabilidade de erro.

![Os botões grandes de 'sim/não' reduzem a probabilidade de erro, pois não exigem a precisão de píxeis de um cursor de rato](https://willem.com/global/images/1c0b65647905.webp)

## Otimiza a introdução de texto

Dependendo do que estás a construir, é provável que, a certa altura, precises de algum tipo de entrada de texto ou de números. A forma fácil (e errada) de o fazer é mostrar simplesmente um teclado virtual completo. Em vez de recriares uma recriação virtual do passado (o teclado físico), deves aproveitar a oportunidade para repensar *o que* estás a perguntar ao utilizador. Consoante este *contexto de entrada*, deves então mostrar um teclado mínimo, só com as teclas relevantes.

![Os teclados contextuais são uma melhor forma de permitir a introdução de texto. Não faz sentido mostrar um teclado QWERTY completo se só pedes um valor numérico.](https://willem.com/global/images/9022cd4a6bb1.webp)

## Repensar as posições

Onde as aplicações de PC tradicionais costumam ter as barras de ferramentas no topo das janelas, replicar isso num dispositivo tátil faria com que as mãos tapassem o resto do ecrã. Além de manteres o conteúdo do ecrã visível, deves também pensar na ergonomia de pegar no dispositivo. Os botões usados com mais frequência devem ficar, de preferência, perto da posição natural dos dedos.

![Os botões Voltar / Ocultar / Guardar ficam junto ao polegar: estão ao alcance e não tapam o conteúdo do ecrã](https://willem.com/global/images/9e15010dbbdf.webp)

## Esquece o hover e os tooltips

Esquece os elementos de interface, como as estruturas de navegação, que dependem de passar o cursor por cima. A maioria dos ecrãs táteis não regista dedos a pairar sobre o vidro. Também não podes contar com tooltips para explicar as funcionalidades da tua interface. Uma UI tátil deve ser clara para o utilizador logo à primeira vista.

![As estruturas de navegação que dependem do hover NÃO vão funcionar em ecrãs táteis](https://willem.com/global/images/8b0744e3bebc.webp)

## Sê criativo

Criar para interação tátil é algo que deves encarar, acima de tudo, como um ato criativo. Em vez de recriares *o antigo*, deves pensar em todas as possibilidades que *o novo* oferece.

![Snake '97: é divertido, mas o seu design de UI é, sem dúvida, mau](https://willem.com/global/images/840381231d21.webp)

Quando criei o jogo_Snake_97 (https://snake97.com) para dispositivos com ecrã tátil, recriei o velho mecanismo de entrada com uma atenção_minuciosa_ao_detalhe (https://willem.com/en/2018-02-21_updating-snake-97/). Acho isso divertido, mas é, sem dúvida, mau design de UI, porque ignora por completo as possibilidades da nova tecnologia. Não admira, por isso, que jogos como o Angry Birds tenham tanto sucesso: aproveitam *por inteiro* a interação natural que o toque permite.

![Lançar pássaros com uma catapulta é divertido graças à interação natural que é a chave do jogo Angry Birds](https://willem.com/global/images/c673e319ed77.webp)

## Conclusão

Um professor muito influente perguntou-me uma vez: "Mas é *divertido*, Willem?". Quando crias para toque, deves mesmo pensar nesta pergunta. Se responderes *"SIM!"*, podes considerar-te no bom caminho.

Deves reinventar a interação em vez de recriares coisas antigas. Claro que nem tudo o que é velho é mau; mas seria um erro ignorar o potencial que a tecnologia moderna nos dá!

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## Tudor Black Bay 36: análise de longa duração

*Seis meses no pulso* · 2020-06-17 · https://willem.com/pt/2020-06-17_tudor-black-bay-36-analise-de-longa-duracao/

Nos últimos seis meses usei sempre o mesmo relógio, praticamente todos os dias e todas as noites. É um Tudor Black Bay 36 em aço, com mostrador preto. Gosto de design minimalista (mas funcional) e duradouro, e este relógio cumpre os requisitos todos. Lê até ao fim para descobrires como é usar um relógio mais pequeno no dia a dia.

## Tudor

A Tudor é a marca secundária da Rolex, e o seu fundador, Hans Wilsdorf, foi muito claro sobre o propósito da empresa: "fazer um relógio que os nossos agentes pudessem vender a um preço mais modesto do que os nossos relógios Rolex, e que ainda assim atingisse o padrão de fiabilidade pelo qual a Rolex é famosa".

![Anúncio do Tudor Oyster Prince (1952) ](https://willem.com/global/images/0ffebbd149c9.webp)

Avançando para os dias de hoje, a marca Tudor está bem viva, renovada e a funcionar a todo o gás. Os relógios Tudor modernos oferecem excelente relação qualidade-preço, com um acabamento de qualidade.

## Tudor Black Bay 36

Se visitas este site com regularidade, sabes que eu gosto_de_design_minimalista (https://willem.com/en/digital-minimalism-doing-more-with-less-technology/). As coisas desenhadas assim não gritam por atenção, desaparecem para segundo plano de forma fiável, previsível e funcional. O Tudor Black Bay 36 é mesmo assim: banal numa fotografia, mas muito fiável e prático no pulso.

![Tudor Black Bay 36 (foto da Tudor)](https://willem.com/global/images/743025cc12e3.webp)

O relógio tem um mostrador preto brilhante e uma luneta lisa não rotativa. Isso dá-lhe um aspeto suave, sem confusão visual nem decoração desnecessária. Há uma subtil impressão prateada no mostrador, e os índices são compostos por um triângulo às 12, barras às 3/6/9 e pontos nas restantes posições. O relógio tem os chamados ponteiros "snowflake", que têm um culto de seguidores graças a lendários relógios históricos usados por unidades especiais de vários exércitos. É uma referência subtil ao património da Tudor. O relógio encontra um ótimo equilíbrio entre elegância e pendor desportivo. Penso que é um relógio intemporal.

![O mostrador preto como breu, a luneta lisa e os índices de alto contraste ganham vida à luz do dia](https://willem.com/global/images/9fb490f96236.webp)

Tal como os primeiros relógios Tudor, este Black Bay 36 segue as linhas clássicas da caixa Oyster (da Rolex), aclamada como uma obra-prima do design relojoeiro. O nome vem da estanquicidade, como uma ostra que se fecha para proteger o seu interior do mar. Assenta lindamente no pulso.

![Tudor Black Bay 36 no pulso](https://willem.com/global/images/ce7d4ff62d55.webp)

Embora 36MM possa ser considerado um tamanho pequeno para um relógio de homem pelos padrões atuais, o equilíbrio incrível do relógio faz-te esquecer os milímetros assim que o começas a usar. Sim, é mais pequeno, mas isso torna-o discreto de uma forma que poucos relógios modernos conseguem.

![Tamanho do Black Bay de 36MM comparado com um sensor biométrico Whoop](https://willem.com/global/images/a21f7b7da71c.webp)

![Nas minhas mãos de tamanho médio, o relógio tem o tamanho certo](https://willem.com/global/images/11d535e5868b.webp)

O Black Bay 36 é movido pelo movimento automático ETA 2824. Para quem não está familiarizado com movimentos mecânicos, isto significa que o relógio funciona sem pilhas. É uma das vantagens_face_aos_smartwatches_modernos (https://willem.com/en/2017-04-30_smartwatches-vs-mechanical-watches/). O relógio "carrega-se" com o movimento do teu corpo. Foi calibrado pela Tudor para marcar a hora com precisão (o meu varia -1,5/2,0 s por dia). Hoje em dia, alguns entusiastas de relógios preferem movimentos de fabrico próprio. Mas ter um relógio com um movimento muito comum, como o ETA 2824, tem a vantagem prática de teres praticamente a garantia de que alguém lhe conseguirá fazer a revisão no futuro. Isto assegura longevidade e capacidade de reparação, e eu gosto muito disso, porque detesto_a_obsolescência_programada (https://willem.com/en/2018-01-08_lessons-from-a-takeaway-plastic-bag/).

![O Black Bay 36 é movido pelo movimento ETA 2824 (foto da Zeitauction GmbH): um calibre mecânico bem conhecido, com um historial de confiança](https://willem.com/global/images/91dd1ac8cffd.webp)

## Na prática

Nos últimos seis meses usei o relógio em praticamente tudo o que faço:

- escrever à máquina

- visitar clientes 

- dormir

- andar de bicicleta

- nadar

- ser pai

![O relógio sente-se em casa dentro e junto da piscina](https://willem.com/global/images/b4679d90938a.webp)

Graças à lendária caixa Oyster, podes estar muito à vontade com este relógio dentro ou junto de uma piscina. A pulseira de metal também é perfeitamente estanque. Os outros modelos da gama Black Bay da Tudor são relógios de mergulho; este tem o mesmo pedigree num formato compacto.

![O tamanho de 36MM é mesmo muito confortável](https://willem.com/global/images/088c48756082.webp)

Como o relógio é um pouco mais pequeno do que a maioria dos relógios de homem atuais, também pesa menos no pulso. Isto é especialmente agradável quando o usas a fazer desporto. Não te preocupes com o suor, é fácil de limpar, porque podes simplesmente mantê-lo no pulso quando tomas banho. Nos meus passeios de bicicleta nunca me incomodou usar o pequeno Tudor.

![É leve o suficiente para ser confortável a andar de bicicleta...](https://willem.com/global/images/ce798262a900.webp)

![... e a comer gelados depois :-) ](https://willem.com/global/images/d8eaf6ee0ce7.webp)

A caixa Oyster é acompanhada pela pulseira Oyster. Assenta perfeitamente no relógio. Ao contrário da maioria das pulseiras Rolex, que têm os elos centrais polidos e brilhantes, a desta Tudor é totalmente escovada. Quando a usas, sentes logo porque é que a Rolex é famosa pelas suas pulseiras: são confortáveis, mas muito fortes e com engenharia de precisão.

![A pulseira Oyster: com engenharia de precisão para ser confortável e forte](https://willem.com/global/images/60cb9537fcc7.webp)

![A pulseira de aço assenta perfeitamente no relógio](https://willem.com/global/images/754aee3b3f24.webp)

![Mas a caixa Oyster também fica bonita noutras braceletes, como esta NATO cinzenta](https://willem.com/global/images/eed23a6734d0.webp)

![O Black Bay também fica bem noutras braceletes](https://willem.com/global/images/65a5b3e03c37.webp)

## Conclusão

Estás à procura do relógio de todos os dias perfeito, um relógio fiável que encontra um bom equilíbrio entre formal e desportivo? Não procures mais, o Tudor Heritage Black Bay 36 é o ideal!

Depois de o usar durante seis meses, aprendi mesmo a apreciar o seu aspeto discreto. Não deixes que o tamanho (algo) pequeno de 36MM te trave: há grandeza neste fino relógio!

![Isto é o aspeto de 6 meses de uso contínuo numa pulseira Oyster!](https://willem.com/global/images/a997226a7353.webp)

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## Ligar o Lemmid Store às cozinhas

*Integrar sistemas externos que não controlas* · 2020-06-12 · https://willem.com/pt/2020-06-12_ligar-o-lemmid-store-as-cozinhas/

No âmbito da app de pedidos de comida que estou a construir, precisei de desenhar uma forma fiável de ligar a app a sistemas externos. Estes sistemas externos estão fora do meu controlo direto e incluem diferentes caixas registadoras, sistemas de gestão de cozinha e impressoras de talões. Lê até ao fim para saberes mais sobre como desenhar para o desconhecido e o pouco fiável.

## App de pedidos de comida

A app que estou a construir chama-se Lemmid_Store (https://lemmid-store.com), é uma app fácil de usar que permite às pessoas fazer (e pagar) pedidos de comida para levar. Podes encontrar todos_os_artigos_sobre_o_Lemmid_Store_aqui (https://willem.com/blog/lemmid-store/).

![Lemmid Store: uma app para pedir comida para levar](https://willem.com/global/images/e4dce3b523ff.webp)

## Sistemas externos

A necessidade de ligar a sistemas externos nasce do desejo de integrar a app de pedidos nos processos de negócio do serviço de entrega de comida. Pensa em coisas como:

- recolher os dados dos pedidos em registos administrativos (por exemplo, a contabilidade)

- encaminhar os pedidos para as cozinhas, onde as refeições são preparadas e embaladas 

- dar acesso fácil a informação de rotas, mostrando onde a comida deve ser entregue

- agendar pedidos de comida destinados a entregas posteriores

![Talão impresso, através de uma ligação externa, com dados detalhados do pedido, como os modificadores de produto (as escolhas do cliente por produto)](https://willem.com/global/images/2c395cf2f419.webp)

### Desafios de ligar a sistemas externos

Pode ser que não te apercebas, mas ligar a sistemas externos pode ser complicado. Se pensares na app de pedidos como uma espécie de "motor" (como no teu carro), no fundo queres integrar este motor com peças externas. Como podes imaginar, nem todas as peças servem igualmente bem debaixo do capot, por assim dizer. Para tornar as coisas ainda mais difíceis: não sabes ao certo quão fiáveis são as peças externas. Tens de desenhar a tua integração de forma a que diferentes peças externas se possam ligar com facilidade e a que o desempenho não dependa da fiabilidade dessas peças.

![Integrar sistemas externos na tua app é como montar peças de terceiros num motor: tens de pensar com cuidado no encaixe e na fiabilidade (imagem de um motor de combustão, domínio público)](https://willem.com/global/images/a1d4ad9cd8a3.webp)

Tal como num motor de combustão, tens de pensar no encaixe e na fiabilidade quando integras o teu software com sistemas externos. **Não podes assumir que o software externo:**

- encaixa na perfeição 

- é sempre consistente

- está sempre disponível / presente

- é de confiança

Para desenhar tendo em conta esta visão bastante sombria das ligações externas, achei boa ideia deixar o servidor principal (backend) da minha app de pedidos delegar a responsabilidade de ligar a sistemas externos num "servidor conector" feito de propósito. O servidor conector liga-se então, de forma independente, ao sistema externo. Assim, o servidor principal só comunica com peças e sistemas "de primeira mão", o que minimiza os riscos de encaixes falhados e de possíveis períodos de inatividade.

![Separar o servidor backend principal dos sistemas externos com um "servidor conector" feito de propósito](https://willem.com/global/images/2e9aca708f2b.webp)

Na prática, isto significa que o "servidor conector" é, na verdade, uma máquina diferente, com a sua própria pilha de software. Esta segmentação tem algumas vantagens importantes:

- **segurança:** o servidor conector não guarda um registo completo de todos os pedidos, apenas os pedidos que têm de ser encaminhados para um sistema externo ficam temporariamente em memória. Um possível problema de segurança num sistema externo só expõe uma quantidade mínima de dados. 

- **encaixa em tudo:** o servidor conector pode acomodar muitos protocolos e formas diferentes de ligar a sistemas externos. Adicionar ligações a sistemas externos é um pouco como o servidor "aprender uma nova língua". Como já é um "poliglota", acrescentar um novo dialeto ou língua costuma ser fácil. Ligar a diferentes APIs é mais simples quando tens todos os blocos de construção prontos para (re)estruturar dados. 

- **acomodar a falta de fiabilidade:** um mecanismo simples de filas no servidor conector permite-lhe lidar com elegância com possíveis períodos de inatividade e problemas nas ligações externas. Ao registar e pôr em fila por serviço externo, é possível minimizar o impacto nas outras peças e ligações quando um serviço falha. 

## Conclusão

Por mais tentador que seja acrescentar à tua app peças novas e vistosas, tens de pensar com cuidado na tua configuração para garantir que funciona de forma fiável.

Desenhar software de servidor backend para ligar a APIs externas é um desafio. Tens de esperar o melhor, mas desenhar para o pior!

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## Diferentes formas de visualizar a saúde

*Um olhar sobre jogos e apps de fitness* · 2020-05-25 · https://willem.com/pt/2020-05-25_diferentes-formas-de-visualizar-a-saude/

Este mês fiz alguma investigação sobre como a saúde é visualizada em apps de fitness e em jogos. Para uma nova app de saúde pessoal, ando à procura de uma forma intuitiva de visualizar quão saudável é uma pessoa. Há muitas abordagens coloridas por aí!

## Quão saudável estás

A app em que estou a trabalhar ainda está bastante em desenvolvimento, mas oferece uma forma de calcular o teu risco de um evento cardiovascular, como um ataque cardíaco ou uma doença. Para esta app procuro uma forma moderna e fresca de visualizar esta relação entre risco e saúde.

## Investigação

Olhei para várias apps de saúde e fitness para ver como visualizam a saúde. Além destas apps "sérias", achei que seria divertido olhar também para jogos. Os criadores de jogos às vezes têm de encontrar formas criativas de visualizar a saúde. Pode ser uma boa fonte de inspiração para a app em que estou a trabalhar.

## Apple Health, Atividade e Apple Watch

Como app companheira do Apple Watch, a app_Atividade (https://apps.apple.com/nl/app/activiteit/id1208224953) é o centro de tudo o que o Apple Watch mede em matéria de saúde pessoal e monitorização de fitness.

![A app Atividade da Apple mostra dados medidos pelo Apple Watch](https://willem.com/global/images/2e660ac913d9.webp)

O que fica:

- cores néon vivas

- os gráficos principais são círculos ("anéis")

- cores diferentes indicam métricas diferentes

- há medalhas coloridas para conquistar

- essas medalhas podem ser partilhadas com outros (vê como estou saudável)

## Biostrap

A app Biostrap (https://biostrap.com) é a forma de aceder aos dados recolhidos pelo sensor_Biostrap (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/).

![A app Biostrap mostra dados recolhidos pelo sensor Biostrap](https://willem.com/global/images/ecfe9d33c8da.webp)

O que fica:

- cores néon vivas

- gráficos coloridos e ícones em círculo

- verde indica "bom", vermelho indica "mau"

## Pillow

Com a app Pillow (https://apps.apple.com/nl/app/pillow-automatic-sleep-tracker/id878691772), os utilizadores podem analisar o seu sono. A app funciona com o Apple Watch para recolher dados do sono, como a frequência cardíaca e o movimento do corpo.

![App de sono Pillow](https://willem.com/global/images/2aa0def4304d.webp)

O que fica:

- roxo vivo como tema principal

- cores vivas nos gráficos

- os gráficos principais são círculos

- os círculos funcionam bem no pequeno ecrã (quase quadrado) do Apple Watch

## Whoop

A app Whoop (https://whoop.com) dá acesso aos dados recolhidos pelo sensor_Whoop (https://willem.com/en/2019-12-31_whoop-strap-review-24-7-wearable-sensor/). A app consolida grandes quantidades de dados em duas métricas principais: "esforço" e "recuperação".

![Whoop a mostrar esforço e recuperação](https://willem.com/global/images/4b67e45f4985.webp)

O que fica:

- cores vivas 

- cores diferentes têm significados diferentes

- verde indica "bom", vermelho indica "mau"

- os gráficos principais são círculos com percentagens lá dentro

- os gráficos são apoiados por caixas de texto com "a voz da Whoop"

## Mario

O Mario, da Nintendo, é possivelmente a personagem de jogos mais famosa do mundo. A empresa japonesa de jogos é conhecida pela criatividade e simpatia do seu design.

![Mario 64 e a barra de vida do Super Mario Galaxy](https://willem.com/global/images/1e59f261fd36.webp)

O que fica:

- cores vivas

- contador de vidas "4x Mario" (canto superior esquerdo)

- medidor de vida num círculo (em baixo)

- cores diferentes para valores de "vida" diferentes

- números dentro dos gráficos circulares

## Doom

Um dos jogos de tiros na primeira pessoa mais lendários é, possivelmente, o Doom (https://en.wikipedia.org/wiki/Doom_(1993_video_game)), de 1993. Este videojogo da ID Software influenciou imenso muitos outros jogos, é um clássico absoluto.

![Doom e o protagonista "Mud" a mostrar como se sente](https://willem.com/global/images/d55fb06b37b7.webp)

O que fica:

- a saúde é expressa em percentagem

- o Mud (o protagonista) está visível e mostra como se sente

- quanto mais baixa a sua pontuação de saúde, mais maltratado ele parece

## Conclusão

Ao olhares para diferentes apps e jogos, podes fazer uma ideia de como desenhar tu mesmo a visualização da saúde. Isto ajudou-me com certeza a perceber como visualizar a saúde.

A saúde é visualizada de várias formas, mas há temas comuns na maioria das apps e jogos. Gráficos circulares e cores vivas (néon) são muito usados. É engraçado perceber que o design de jogos se sobrepõe ao design das apps de saúde e fitness mais sérias. Por isso, acho que preciso de passar mais horas a jogar, puramente por razões de trabalho, claro. :-)

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## Design de aplicações escaláveis sem magia

*Aproveitar o poder de cálculo do cliente para alto desempenho com muitos utilizadores* · 2020-05-11 · https://willem.com/pt/2020-05-11_design-de-aplicacoes-escalaveis-sem-magia/

No âmbito da app de pedidos de comida online que estou a construir, precisei de desenhar uma infraestrutura backend escalável, capaz de lidar com muitos utilizadores em simultâneo. A escalabilidade é vista como um problema difícil de resolver. Muitas vezes é apresentada como algo mágico, feito por empresas de milhões de dólares com ferramentas secretas. Mas magia não existe, ou existe?

## O que é a escalabilidade?

Se estás a construir uma app, provavelmente começas bem pequeno. Só alguns utilizadores (ou só tu, o programador) a trabalhar com a app. Está tudo ótimo: a app funciona bem, é rápida e não há problemas. *(aprecia este sentimento!)*

![Um utilizador a interagir com um servidor](https://willem.com/global/images/02bda6e71f78.webp)

Neste cenário inicial e pequeno, o único servidor que corre a app consegue aguentar o utilizador que interage com ela. De cada vez que o utilizador toca ou clica num botão, o servidor único faz algum trabalho. Se programares bem, estas cargas de trabalho podem ser otimizadas em pequenos blocos eficientes. Fazê-lo assim é um exemplo típico de uma arquitetura_de_software_monolítica (https://willem.com/en/2020-03-03_monolithic-vs-microservices-software-architecture/).

Mesmo que o teu projeto ou app seja bastante pequeno, a certa altura pode chegar uma afluência de utilizadores. Se o teu sistema não aguenta cargas elevadas, tem grandes probabilidades de falhar.

![Servidor sob carga elevada a tratar de vários utilizadores em simultâneo](https://willem.com/global/images/0983daa5d3fa.webp)

Por causa do design_monolítico_da_app (https://willem.com/en/2020-03-03_monolithic-vs-microservices-software-architecture/), todos os utilizadores interagem com o mesmo servidor. Toda a sua interação (toques, cliques, entradas) é tratada por esse servidor. Com uma carga maior, ele tem de trabalhar muito mais. A certa altura, vais reparar que as coisas abrandam, porque o servidor não consegue acompanhar a quantidade de trabalho que tem de fazer. Isto significa que a tua app não escala bem, ou seja: estás em apuros.

### Falhar no "momento supremo"

Não escalar bem é um grande problema que ninguém deve subestimar. A maioria das apps (e dos seus modelos de negócio) depende de grandes volumes com pouca receita por utilizador. Se queres que a tua app seja um sucesso (financeiro), tens de garantir que funciona bem quando há um aumento súbito de tráfego. Se a tua app falha quando de repente recebe a atenção das massas, vais perder uma oportunidade "única na vida" de crescimento (orgânico).

De certa forma, desenhar para a escalabilidade é como manteres o cinto de segurança apertado quando estás sentado no teu foguetão construído por ti, com motores experimentais. Nunca sabes bem quando vai acender, mas quando acender é melhor que estejas bem preso (e aproveita a viagem!).

## Formas comuns de alcançar a escalabilidade

Já se escreveu muito sobre como construir apps escaláveis, e as formas comuns de melhorar a escalabilidade são:

- **Aumentar a capacidade do servidor**: mais memória, mais CPU, mais armazenamento. Funciona, mas só te leva "até certo ponto". 

- **Adicionar mais servidores**: em vez de um único servidor a fazer de gargalo, podes juntar mais servidores que partilhem a carga de trabalho. É mais fácil de dizer do que de fazer, porque exige balanceamento de carga e partilha de dados, o que pode ser complicado (por exemplo, se tens um contador de pedidos e dois servidores a contar, qual deles determina o número seguinte?)

- **Otimizar o código**: usa as ferramentas certas! Escolhe uma linguagem de programação orientada para o desempenho e software de servidor à altura. Estuda a programação funcional para o teu código poder correr em vários núcleos de forma assíncrona. Torna-o sem estado. Faz benchmarks. Otimiza. Cada milissegundo ganho num único pedido soma-se depressa quando lidas com grandes volumes. 

- **Usar a base de dados e separá-la do servidor da aplicação**: se usas uma base de dados, aproveita o seu poder! Tira partido da cache de consultas, dos índices e das capacidades de pesquisa. A maioria das soluções de bases de dados oferece opções de clustering à prova de bala; não tentes reinventar a roda que outros já aperfeiçoaram.

O melhor que podes fazer é ponderar todas estas opções. Mesmo que não vás juntar mais servidores já, deves escrever o teu código para o suportar mais tarde. Fazer benchmarks e otimizar o código deve ser parte integrante do teu trabalho, e não uma ideia de última hora.

## Aproveitar o poder de cálculo do cliente

Depois de ponderares todas as formas comuns de alcançar a escalabilidade, há "mais uma coisa".

![Os smartphones (e tablets, PC) tornaram-se mais poderosos ao longo dos anos (imagem: Apple)](https://willem.com/global/images/e4d580ef3ee0.webp)

Poucos programadores pensam nisto: o problema da escalabilidade contém a solução! Quando tens 1000 utilizadores, tens 1000 computadores com CPU potentes e muita memória. Os computadores e smartphones modernos tornaram-se cada vez mais capazes.

Só tens de encontrar uma forma de tirar partido do poder de cálculo do cliente. Pode parecer uma maldade (usar o poder de cálculo do utilizador), mas vai dar-lhe uma experiência muito melhor e mais rápida. O melhor é que o poder de cálculo *deles* é gasto na experiência fantástica *deles*, e resolve o teu problema de escalabilidade como feliz efeito secundário.

![Aproveitar o dispositivo do utilizador: o telefone do utilizador faz a maior parte do trabalho que originalmente era do servidor](https://willem.com/global/images/3b24ef5be7d6.webp)

Ao aproveitares o poder de cálculo do utilizador, reduzes a quantidade de trabalho que o servidor tem de fazer. Em vez de o servidor fazer um pouco de trabalho *de cada vez* que o utilizador toca ou clica num botão, este trabalho passa a ser feito sobretudo pelo dispositivo do utilizador. Isto é mais eficiente do que comunicar com um servidor por Wi-Fi/4G (poupa bateria e tempo).

Exige repensar um pouco, mas este princípio também se pode aplicar a aplicações web. Em vez de tratares de tudo no servidor, podes fazer muito trabalho no cliente. Coisas como pesquisar, navegar, filtrar, mover-se pela página e até adicionar artigos ao carrinho podem ser feitas com JavaScript do lado do cliente. Tu, caro programador, tens de procurar formas de o fazer funcionar, mas se conseguires terás escalabilidade quase infinita ao teu alcance.

## Na prática: a app de pedidos de comida

Para a_app_de_pedidos_de_comida (https://willem.com/en/2020-05-01_designing-an-interface-for-a-food-ordering-page/) procurei formas de aproveitar o poder de cálculo do cliente para alcançar alto desempenho. O principal desafio dos pedidos de entrega e para levar é que têm picos à hora do jantar. Muita gente usa a app mais ou menos à mesma hora, e isso é uma receita para problemas de escalabilidade.

![Pedir comida online](https://willem.com/global/images/d08b396a761f.webp)

Se pensares em pedir comida online, podes dividir todo o processo em blocos mais pequenos:

- **1) Abrir a página**: carregar a app/página

- **2) Explorar as diferentes opções**: ver a lista de produtos, as descrições, os preços, as fotografias, etc.

- **3) Procurar algo específico**: pesquisar por categoria, nome do produto, etc.

- **4) Escolher um produto**: juntá-lo ao teu pedido

- **5) Personalizar um produto**: escolher um molho, um acompanhamento, uma cobertura, etc. 

- **6) Introduzir os teus dados**: o teu nome, número de telefone, dados de entrega, etc. 

- **7) Pagar o pedido**: escolher um método de pagamento, ligar ao banco ou ao cartão de crédito

- **8) Fechar a app**

A maior parte destes passos pode ser programada de forma a que o servidor *não seja necessário*. Só o passo 1 (**carregar**) e o passo 7 (**pagar**) exigem contacto com a infraestrutura backend. É importante perceber que os passos 2 a 5 se repetem várias vezes, pois é normal os utilizadores juntarem vários produtos ao pedido.

![Separar a carga de trabalho restante do servidor: servir produtos e tratar de pedidos](https://willem.com/global/images/1d2831da7a52.webp)

Separando a carga de trabalho restante por tarefa, o software pode ser ainda mais otimizado. O **"servidor de produtos"** está otimizado para servir recursos estáticos (textos, preços, imagens) que permitem ao cliente criar a experiência de navegação pelos produtos. Este tipo de servidor pode ser muito otimizado, com cache, HTTP/2, compressão, etc.

Só os utilizadores que concluem o processo de pedido são encaminhados para o **"servidor de pedidos"**, que trata do pagamento. Este liga-se ao prestador de pagamentos. Quando um pagamento é concluído, o prestador de pagamentos contacta o servidor de pedidos para o informar do estado do pagamento. É algo sobre o qual queres ter controlo total (do lado do servidor), como fiz quando desenhei_um_sistema_de_pagamentos (https://willem.com/en/2020-03-25_designing-and-implementing-a-micro-payment-system/) há algum tempo. A carga de trabalho restante no "servidor de pedidos" é muito menor, pois nem toda a gente faz um pedido, e grande parte do seu processamento pode ser feita em segundo plano.

![Lidar com muito tráfego através de computação distribuída](https://willem.com/global/images/4c106f30570a.webp)

Para maximizar a escalabilidade, podes facilmente juntar vários servidores (ou usar uma rede de distribuição de conteúdos) para servir os recursos estáticos. Para a app de pedidos de comida uso um "servidor de produtos" separado *por restaurante*. Isto dá alto desempenho e reduz os tempos de carregamento. As pessoas notam que é rápido, algumas nem acreditam que é tecnologia web, é *quase* mágico.

## Conclusão

É possível desenhar uma aplicação escalável sem magia nem orçamentos de milhões. Só tens de pensar bem e procurar as oportunidades que surgem juntamente com os desafios.

O problema contém a solução. Lidar com muitos utilizadores em simultâneo não é só um problema: eles trazem o seu próprio poder de cálculo, é a solução! Só tens de o usar.

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## Desenhar uma interface para uma página de pedidos de comida

*Equilibrar opções poderosas com usabilidade em telemóvel* · 2020-05-01 · https://willem.com/pt/2020-05-01_desenhar-uma-interface-para-uma-pagina-de-pedidos-de-comida/

As páginas de pedidos online são mais importantes do que nunca. O vírus COVID-19, os confinamentos que se seguiram e as regras de distanciamento social deixaram clara a necessidade de uma interface de loja online bem desenhada. É surpreendentemente difícil acertar nisto!

## O desafio: pedidos de comida online

Pode ser que não te apercebas quando escolhes a tua pizza ou as tuas batatas fritas no teu restaurante de comida para levar favorito, mas pedir comida é, na verdade, bastante difícil do ponto de vista do design de interfaces. Tens de ter em conta:

- **personalização do produto**: por exemplo, oferecer diferentes molhos, acompanhamentos, coberturas e tamanhos

- **validação das personalizações**: algumas personalizações exigem uma resposta (como queres o teu bife, mal passado, médio ou bem passado?), enquanto outras permitem mais variação (como escolher "no máximo 5 coberturas de pizza")

- **várias variantes**: alguém deve poder pedir duas pizzas iguais, mas com coberturas diferentes

Acresce que cerca de 80% de toda esta interação se faz num ecrã muito pequeno. Isso limita o espaço disponível para botões, interruptores e comutadores. É difícil acertar e não me surpreendeu ver muitas apps e páginas de pedidos existentes falharem neste ponto, e de forma pouco elegante.

## Enfrenta desafios complexos com esboços!

Sempre que enfrento um desafio de design complexo, costumo começar por fazer esboços. Uso_um_tablet_como_computador_principal (https://willem.com/en/building-a-tablet-os-what-happens-when-you-reject-the-mainstream/), o que me permite explorar ideias desenhando-as. Claro que também podes usar o bom e velho papel. O importante é visualizares o teu pensamento, porque isso revela as possibilidades e as limitações do teu conceito.

![Esboço inicial da interface de pedidos de comida](https://willem.com/global/images/46615fdc8e0d.webp)

O esboço acima mostra a minha ideia inicial para a interface. Vês uma imagem, um título, uma descrição do produto, o preço, botões de mais e de menos e uma caixa com o número de produtos que compraste. Pode parecer um bom (e simples) começo, mas este design tem falhas porque:

- alguns produtos não terão imagem, e o texto fica alinhado de forma estranha se tiveres esta interface numa lista

- alguns produtos têm títulos e descrições longos, por isso o design tem de acomodar a quebra de linha 

- este design ignora por completo as personalizações do produto (como escolher uma cobertura ou um molho)

![Esboçar em contexto: tenta enquadrar o teu design numa janela de visualização mais pequena](https://willem.com/global/images/92caf81f6d3a.webp)

Faz o esboço no contexto de um smartphone e vais ver depressa onde o teu design falha. No segundo esboço (acima) vês apenas dois produtos na página de pedidos, e o número de botões visíveis (mais / menos) já é o dobro. Mostrar sempre vários botões por produto é claramente uma má ideia, sobretudo se tiveres muitos produtos.

## Pensar como no mundo real: interação em dois passos

Para chegar a algo mais elegante, tentei imaginar-me a pedir o jantar num restaurante a sério. Descobri que o empregado de mesa cumpre, na verdade, uma parte importante do puzzle: responde à tua escolha fazendo perguntas *específicas do produto*. Por exemplo, quando peço um bife, o empregado pergunta-me como o quero cozinhado.

O truque é que só se fazem as perguntas relevantes para a tua escolha. Isto ajuda quando duas pessoas (à mesma mesa) pedem o mesmo produto: a abordagem pessoal permite personalizações diferentes por pessoa.

![Esboço de uma interação em dois passos: distinguir entre os modos de lista e de detalhe](https://willem.com/global/images/4fcb33754a9f.webp)

Se tentares captar esta interação em dois passos numa interface, podes desenhar um modo de lista/detalhe. Responder às perguntas específicas do produto faz-se no "modo detalhe", enquanto o "modo lista" oferece uma visão geral compacta (mas informativa) dos diferentes produtos.

## Completar o design: pedir comida em 3 passos

Muitas vezes, o empregado de um restaurante conclui o pedido com um resumo do que foi pedido por todas as pessoas de uma mesa. Este resumo é um passo (final) muito importante antes de o pedido seguir para o cozinheiro.

Na página de pedidos online, este último passo também funcionaria. Serviria de última verificação antes de fazeres o pedido. Seguindo a analogia do mundo real, chegamos a uma interface simples de pedido de comida em 3 passos:

![Pedir comida em três passos: lista, detalhe, resumo](https://willem.com/global/images/2eb5b8a8f3a5.webp)

## Conclusão

Desenhar uma página de pedidos de comida é um desafio por causa das muitas variáveis que é preciso acomodar num ecrã muito pequeno. O grande design pega nesta complexidade e torna-a simples.

Se desenhas uma interface, pode ser muito útil aplicar algum pensamento do mundo real. Arranja uma analogia ou metáfora diferente. Ver a página de pedidos como um "empregado de mesa virtual" ajudou-me a chegar a um design simples em três passos. Acabei por implementar_este_design (https://lemmid-store.com) e funciona fantasticamente!

![Enganadoramente simples: a página de pedidos de comida final](https://willem.com/global/images/c80a12452033.webp)

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## Bicicleta de estrada minimalista com transmissão Gates Carbon Drive

*Conhece o teu novo terapeuta: a Schindelhauer Siegfried Road* · 2020-04-30 · https://willem.com/pt/2020-04-30_bicicleta-de-estrada-minimalista-com-transmissao-gates-carbon-drive/

Nos últimos meses tenho andado numa bicicleta especial, a minimalista Siegfried Road da Schindelhauer. É diferente da maioria das bicicletas de estrada, pois não tem corrente nem desviador convencionais. Tem a transmissão por correia Gates CDX Carbon Drive. É um exercício de design minimalista. Depois de quase 1000KM, chegou a altura de te contar tudo.

## Schindelhauer

Desde 2009, a Schindelhauer (https://www.schindelhauerbikes.com/), sediada em Berlim, desenha bicicletas tecnologicamente avançadas mas descomplicadas. Valorizam o bom design e a praticidade, e as suas bicicletas minimalistas são feitas para o uso diário.

![A Schindelhauer Bikes desenha bicicletas com transmissão por correia desde 2009 (fotografias: schindelhauerbikes.com)](https://willem.com/global/images/db2bfaef07e7.webp)

Usam peças de alta qualidade, feitas para durar. Desde o início, a Schindelhauer desenvolveu bicicletas com transmissão por correia Gates Carbon Belt.

## Siegfried Road

Embora a minha_bicicleta_de_deslocações_diárias (https://willem.com/en/2019-02-27_one-year-on-the-ultimate-commuter-bike/) continue em grande forma, fiquei a pensar como seria uma bicicleta de estrada com a transmissão Gates Carbon Belt Drive. A Schindelhauer desenhou uma assim, a Siegfried Road.

![Siegfried Road entregue pela Kaptein Tweewielers Amesterdão](https://willem.com/global/images/4267c7998698.webp)

Seguindo a boa regra_n.º_58_dos_Velominati (https://www.velominati.com), apoiei a loja de bicicletas local e encomendei a Siegfried Road para ser entregue em Amesterdão, pela Kaptein_Tweewielers (https://kapteintweewielers.nl). É uma loja fabulosa no centro de Amesterdão; se és de cá e precisas de conselhos sobre bicicletas de estrada, vale a pena visitá-los.

![A Siegfried Road tal como a recebi da loja de bicicletas, com um selim Brooks Swift castanho e pneus Continental a condizer ](https://willem.com/global/images/8c7a0443e939.webp)

A Siegfried Road vem com um selim Brooks Swift de couro castanho de alta qualidade, uma lenda_absoluta_com_muita_história (https://www.brooksengland.com/leathersaddles/). A bicicleta vem com fita de guiador em couro castanho a condizer.

![Se tiveres os sapatos a condizer, a fita de guiador castanha fica magnífica](https://willem.com/global/images/83bfcff4d3f4.webp)

Embora aprecie a qualidade, não gostei do ar retro da cor castanha. Não consegui deixar de sentir que a bicicleta ganharia com um pequeno toque modernista, sem deixar de respeitar o design minimalista no seu conjunto. Deixa comigo desmontar uma bicicleta novinha em folha...

![Substituir o couro castanho por fita de guiador em borracha preta (da Brooks)](https://willem.com/global/images/92c9d497da13.webp)

É incrível o que se aprende no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=4iekC7HnG4o): trocar a fita de guiador pede alguma prática, mas não é difícil. Retirei um dos braços da pedaleira para instalar um medidor_de_potência (https://willem.com/en/2019-08-28_riding-with-a-power-meter-on-your-bike/) e montei um sensor de velocidade Wahoo para funcionar_com_a_minha_app_de_ciclocomputador_favorita (https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/).

![Retirar a pedaleira Alfine, Hollowtech II](https://willem.com/global/images/0e05f8d0a468.webp)

![O medidor de potência Shimano FC-R9100 Dura Ace da 4iiii encaixa na perfeição](https://willem.com/global/images/31f69ac9ecb1.webp)

![Um dia talvez tire a tinta da pedaleira, mas para a garantia é melhor deixar tudo no estado original](https://willem.com/global/images/0391adc31c6d.webp)

![O sensor de velocidade Wahoo instalado no cubo traseiro flip-flop](https://willem.com/global/images/6d35a7477f96.webp)

Mudar os pneus numa bicicleta com transmissão por correia pode ser um pouco complicado, porque a correia não deve ser "dobrada" em nenhuma direção. Soltando o eixo traseiro, consegue-se criar *o espaço justo* para retirar a correia do pinhão com cuidado. Montei os fiabilíssimos, duradouros e pretos pneus Schwalbe Durano Plus.

![Os pneus Continental Grand Prix Classic são lindos, se gostas de um visual retro em castanho](https://willem.com/global/images/c1fb19ecf4bf.webp)

![Solta o eixo traseiro para criar o espaço justo e retirar a correia dos pinhões](https://willem.com/global/images/e073a53811cd.webp)

![O pinhão traseiro CDX foi concebido para durar](https://willem.com/global/images/270039390b88.webp)

Substituí o selim Swift por um selim de carbono Brooks Cambium C13, de alta qualidade, e montei pedais de encaixe Look em carbono. Depois de algumas horas a mexer na minha bicicleta nova, acabei com o que se pode chamar: *"Siegfried Road com um toque de Willem"*

![Siegfried Road com um toque de Willem](https://willem.com/global/images/d0697eed9933.webp)

## Pura genialidade

Se achas que fica ótima, não estás sozinho. Nos últimos 1000 quilómetros recebi inúmeros comentários de outros ciclistas, a perguntar que bicicleta é esta. As pessoas reparam na ausência de cores berrantes e autocolantes. O seu design minimalista destaca-se pela positiva.

![O aperto do espigão está integrado no quadro minimalista em alumínio AL6061-T6, com tubos aerodinâmicos triple butted](https://willem.com/global/images/79d4cbe5247e.webp)

![A roda traseira é fixada com um sistema de tensão de correia "crocodilo"](https://willem.com/global/images/c7a982fa75a5.webp)

![Pedais Kleo Carbon (da Look) na pedaleira da frente, no eixo de pedaleiro BSA](https://willem.com/global/images/9eb7108ff73e.webp)

![Sem os desviadores convencionais, a transmissão é bastante simples (relação de 60T/22T)](https://willem.com/global/images/a19f14b03972.webp)

![A Siegfried Road tem travões simples mas muito funcionais, Tektro R539 / TRP - RRL](https://willem.com/global/images/b5df038595c4.webp)

![As rodas prateadas muito polidas Alexrims CX30 têm cubos de alta qualidade que garantem uma pedalada suave](https://willem.com/global/images/4d6d29e248e4.webp)

![A roda lindamente raiada é pura harmonia, simples mas bela](https://willem.com/global/images/c299922bea97.webp)

![O pneu Schwalbe Durano Plus é o pneu de bicicleta de estrada mais resistente a furos que existe ](https://willem.com/global/images/7205bb32ddec.webp)

![A solo na natureza: Siegfried Road x Willem](https://willem.com/global/images/c9248d84bfe1.webp)

## Andar de bicicleta em modo minimalista

Se gostas de ciclismo, provavelmente sabes que pode limpar a mente de uma forma muito refrescante. Há quem diga que andar de bicicleta tem um efeito terapêutico, um exercício de atenção plena durante o treino.

![Um tipo feliz a andar de bicicleta numa estrada vazia](https://willem.com/global/images/9d08f34e8657.webp)

### Bicicleta de pinhão fixo

A Siegfried Road é uma bicicleta de velocidade única, e eu ando nela na chamada configuração "fixie": a transmissão está presa aos pedais, o que obriga os pedais a rodar enquanto a bicicleta se move. Ficarias surpreendido com a quantidade de esforço mental que gastas, sem dar por isso, no processo contínuo de escolher a mudança certa quando andas de bicicleta.

Andar numa bicicleta de pinhão fixo significa que "estás sempre na mudança certa", só tens de pedalar um pouco mais forte ou mais depressa. Leva algum tempo a habituarmo-nos. Alguns ciclistas descrevem andar de pinhão fixo como algo que os faz sentir "mais ligados" ao ciclismo. Percebo mais ou menos o que querem dizer. É agradável, de uma forma terapêutica e tranquila.

![Tu, a bicicleta, a estrada, mais nada: ciclismo em ótima forma](https://willem.com/global/images/814681120fae.webp)

### A vantagem da transmissão por correia

A transmissão Gates Carbon numa bicicleta de estrada como a Siegfried é um encaixe perfeito. Funciona em silêncio absoluto, sem chocalhar, sem o barulho da corrente a bater, nada. Só tu, a bicicleta, a estrada e mais nada.

Para aumentar o prazer de andar, a transmissão Gates Carbon da Siegfried Road torna a manutenção da bicicleta muito mais fácil. Se andas com a bicicleta numa estrada molhada, podes facilmente enxaguar a sujidade com um pouco de água.

![Sem desengordurante nem óleo: basta enxaguar a bicicleta depois de um passeio molhado](https://willem.com/global/images/264f052287c6.webp)

## Conclusão

A Siegfried Road não é para toda a gente, mas para quem aprecia design minimalista num pacote desportivo, é ótima. Escolhe-a em velocidade única ou pinhão fixo e limita-te a sair e a pedalar.

O seu design intemporal, combinado com componentes duradouros, faz da Siegfried Road uma companheira de confiança para aqueles momentos em que só queres andar de bicicleta. É por isso que a adoro!

### Atualização

**Setembro de 2020: **: Encontrei um_belo_ciclocomputador_para_esta_bicicleta:_o_Omata_One (https://willem.com/en/2020-09-29_riding-with-omata-one/)

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## Falemos de tablets: o que faz um grande tablet?

*Trabalhar com o Microsoft Surface Pro X* · 2020-04-14 · https://willem.com/pt/2020-04-14_falemos-de-tablets-o-que-faz-um-grande-tablet/

No início deste ano a Microsoft lançou o seu novíssimo tablet Surface Pro X, que em muitos aspetos é um dispositivo virado para o futuro. Como gosto de trabalhar com tablets, perguntei-me o que faz, afinal, um grande tablet. Será o Surface Pro X bom? Lê até ao fim para descobrires.

## Surface Pro X

Ao contrário dos PC tradicionais, que muitas vezes oferecem retrocompatibilidade no software e no hardware, a Microsoft desenhou o Surface Pro X sobretudo como um dispositivo de nova geração. É ultrafino, está sempre ligado (com 4G/LTE) e tem um processador ARM eficiente para alimentar na perfeição experiências centradas na web. Tal como outros_dispositivos_Microsoft_Surface (https://willem.com/en/2018-03-07_tablet-as-main-computer/), o Surface Pro X representa o melhor da Microsoft, pois integra hardware e software ao contrário de outros PC Windows.

![A desembalar o Surface Pro X ](https://willem.com/global/images/d7d698b4b179.webp)

### Teclado

Deves comprar o teclado Signature com a "slim pen" do Surface para desbloquear toda a versatilidade do tablet. São vendidos em separado (tal como o teclado e a caneta do iPad Pro), o que continuo a achar uma tolice.

![Signature Keyboard do Surface Pro X com a Slim Pen](https://willem.com/global/images/d7a9b5cf2240.webp)

![O teclado liga-se através de um conector magnético que também fornece energia e conectividade (sem bateria separada nem configuração de ligação)](https://willem.com/global/images/39529d91bc66.webp)

![As teclas são "a sério" e há um bom trackpad de vidro multitoque](https://willem.com/global/images/8ce089ff1868.webp)

O Signature Keyboard do Surface Pro X é o melhor teclado de tablet que alguma vez vi. Inclui todas as teclas normais que esperarias num teclado de PC (incluindo escape e teclas de função). Mesmo assim é fino, robusto e transmite uma sensação muito sólida. O feedback tátil é ótimo, adoro escrever nele!

Só gostava que o teclado funcionasse desligado. Permitiria ainda mais casos de utilização, sobretudo combinado com o fabuloso suporte integrado do Surface, com a base de ligação Surface e com o poderoso suporte do Windows para monitores externos.

![Os teclados desligados também têm as suas vantagens... :-)](https://willem.com/global/images/9cffa9cba02f.webp)

![Teclado revestido a Alcantara](https://willem.com/global/images/1b6f735c1ad2.webp)

Algo que ou se adora ou se odeia são os apoios de pulso revestidos a Alcantara. Eu não gosto, são demasiado "quentes e moles" para o meu gosto, sobretudo quando trabalho durante longos períodos. Mas é uma preferência pessoal, imagino, já que também não gosto de almofadas nem de mantas num sofá, prefiro o frio_e_desconfortável (https://willem.com/en/2018-12-06_do-amazing-things-with-a-focused-mind/).

![O Surface Pro X com o seu teclado é como um portátil](https://willem.com/global/images/e8ad49a47760.webp)

### Surface Slim Pen

O Surface Pro X suporta a Slim Pen, uma caneta de forma oval que serve para tocar em coisas, tomar notas ou desenhar e esboçar. O melhor da Slim Pen é que a Microsoft a integrou no design do Surface, com um bom sítio para a guardar quando não a usas. Vira-se magneticamente para se carregar por indução enquanto está guardada dentro do teclado, um truque de salão impressionante.

![A Slim Pen está sempre pronta, carregada e ao alcance, por cima da fila de teclas de função](https://willem.com/global/images/01723afa1da7.webp)

![A Surface Slim Pen tem mais ou menos o tamanho de uma caneta convencional, ligeiramente mais pequena do que a Apple Pencil](https://willem.com/global/images/882dc1ee024a.webp)

A Surface Slim Pen tem um tamanho semelhante ao de uma caneta convencional (para papel). É ligeiramente mais pequena do que a Pencil mais recente da Apple.

![A pegar na Surface Slim Pen](https://willem.com/global/images/7c1f48262c77.webp)

Quando pegas na Surface Slim Pen, notas logo que é muito mais leve do que outras canetas. Isto faz com que a Slim Pen pareça um pouco "frágil", falta-lhe o "peso equilibrado" da Apple Pencil.

![A resposta da caneta é ótima](https://willem.com/global/images/2b648bc8e209.webp)

Apesar de ser um pouco leve, funciona na perfeição, pois a resposta da caneta é simplesmente ótima. A Microsoft oferece diferentes apps para tomar notas e esboçar, como o Microsoft OneNote e o Whiteboard. Gosto deste último, mas tem falhas: erros irritantes, como uma régua imprecisa, travam os super poderes da Surface Pen.

![A régua imprecisa no Microsoft Whiteboard prejudica a experiência](https://willem.com/global/images/d02a7ae2c540.webp)

## Continuar a trabalhar com o Surface Pro X

Quando trabalhas com o Surface Pro X durante algumas semanas, reparas que o dispositivo é super capaz. A sua versatilidade torna-o adequado a muitas situações de trabalho diferentes, como:

- **videoconferências**: a câmara está no sítio certo, por cima do ecrã (algo que o iPad Pro não pode dizer), o que melhora o "contacto visual" numa reunião virtual do Microsoft Teams.

- **leitura**: o ecrã (quase) de ponta a ponta, combinado com o baixo peso do Surface Pro X, permite ler documentos e páginas web com conforto no modo vertical. 

- **desenhar/criar**: usa a caneta para apontar ideias, explora designs esboçando e desenhando, inclina o ecrã com o suporte integrado para uma melhor ergonomia.

- **programar**: a experiência de escrita soberba e o ecrã espaçoso fazem do Surface Pro X um ótimo computador de desenvolvimento. É ótimo para desenvolvimento web, pois corre as versões desktop completas do Firefox e do Chrome (com as suas ferramentas de programação integradas).

- **edição de imagem**: não tive qualquer problema em correr o GIMP (https://www.gimp.org) para editar imagens, trabalhando com gráficos web de alta resolução e várias camadas.

- **administração de servidores**: agora já é possível usar SSH de forma nativa no Windows, o que permite iniciar sessão no teu VPS na nuvem favorito.

![Manipular imagens de alta resolução com o GIMP, trabalhando com várias camadas: funciona muito bem no Surface Pro X](https://willem.com/global/images/b57789096e71.webp)

!["Olha, mãe, sem PuTTY": SSH para qualquer coisa, de forma nativa no Windows](https://willem.com/global/images/73ac97a4d461.webp)

![Programar no Surface Pro X é um sonho graças ao ecrã espaçoso e ao teclado magnífico: faço-o por SSH com o tmux num VPS de desenvolvimento dedicado e potente ](https://willem.com/global/images/2c1e49862532.webp)

![Usa a caneta para desenhar, escrever e criar](https://willem.com/global/images/7f8d436238e1.webp)

## O que faz um grande tablet?

Isto leva-me de volta à pergunta principal: o que faz um tablet *grande*? Ao longo dos anos trabalhei muito com diferentes tablets. Até construí o_meu_próprio_sistema_operativo_para_tablet (https://willem.com/en/2020-03-09_making-my-own-tablet-os/). Isso deu-me a oportunidade de aprender o que realmente distingue a "categoria tablet" dos computadores de secretária ou portáteis convencionais.

![Tablets diferentes, software diferente: iPadOS, Windows e "WillemOS"](https://willem.com/global/images/92e2a4f3dc6e.webp)

### Hardware versátil e móvel

O principal de um tablet é a natureza versátil e móvel do formato. Não há fios, cabe na maioria das malas, podes usá-lo em diferentes ângulos e orientações. É precisamente isto que faz o tablet passar para "segundo plano", deixando-te simplesmente fazer o que queres fazer.

Não exige uma determinada posição física, como estar sentado a uma secretária, para usar o dispositivo. A bateria e a ligação móvel permitem usá-lo onde quer que estejas. Embora aprecie o poder de um computador de secretária com um ecrã grande, não gosto da exigência de o usar num escritório (aborrecido) *o tempo todo*. Um tablet dá-te um certo grau de liberdade, graças à sua versatilidade e mobilidade.

### Software

Uma ótima experiência de tablet depende da integração perfeita entre hardware e software. Os tablets definem-se em grande medida pelo ecrã tátil grande, que serve de superfície de trabalho para tudo o que o tablet pode fazer. O bom software de tablet tira partido da manipulação direta possível com os dedos.

![Manipular a interface diretamente com os dedos é um exemplo perfeito de integração entre hardware e software](https://willem.com/global/images/1bae27da9f00.webp)

Se for bem desenhado, o software permite uma compreensão intuitiva do seu funcionamento. Literalmente, podes usar um tablet só de lhe tocares, não deves precisar de um manual nem de um curso de informática.

![As interfaces intuitivas não precisam de manual](https://willem.com/global/images/fdab8789c4ed.webp)

Por isso o meu filho de um ano consegue usar um tablet, mas não uma PlayStation, que exige um comando físico. A mera ausência da abstração de um comando distinto (com botões) retira atrito à interação com o software.

## Conclusão

Se nunca experimentaste trabalhar com um tablet, deves mesmo considerá-lo. O Surface Pro X é uma máquina perfeita para te apresentar novas formas de fazer as coisas, dando-te ao mesmo tempo acesso a apps e ficheiros familiares.

O seu hardware versátil e móvel, combinado com software pensado para tirar partido do ecrã tátil grande, permite-te fazer as coisas de muitas formas, praticamente em qualquer lugar!

![O Surface Pro X faz muitas coisas muito bem: é o argumento perfeito para ser o teu único computador](https://willem.com/global/images/e4480c704f71.webp)

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## Modelação de tráfego com iptables e tc

*Limitar a largura de banda de saída por endereço IP de cliente* · 2020-04-01 · https://willem.com/pt/2020-04-01_modelacao-de-trafego-com-iptables-e-tc/

No mês passado recebi um alerta automático de utilização excessiva de largura de banda, normalmente sinal de problemas. Quando isto acontece, deves seguir um procedimento de incidente padrão, tentando isolar a origem do tráfego antes de o cortar. A causa deste incidente, porém, não era o que eu esperava... e exigiu um tipo de mitigação diferente de um simples bloqueio.

## Alerta de largura de banda excessiva

Quando geres servidores, reparas que o tráfego de internet costuma seguir padrões previsíveis. Tal como o trânsito real nas estradas, há horas regulares de grande movimento e de sossego.

![O gráfico de largura de banda do AMS-IX mostra um padrão previsível: repara no padrão ondulado](https://willem.com/global/images/cbef76c36df8.webp)

O padrão previsível permite detetar anomalias automaticamente. Tal como um engarrafamento numa autoestrada a uma hora invulgar pode ser o resultado de um acidente, oscilações inesperadas no tráfego de internet podem indicar um incidente no ciberespaço.

![Gráfico de largura de banda com um pico invulgar a indicar que algo está errado: não precisas de ser o Sherlock Holmes para o encontrar](https://willem.com/global/images/f7c2d76b6a59.webp)

## Isolar a origem

A primeira coisa a fazer é encontrar a origem do problema. Faz isso analisando a anomalia:

- Determina se o tráfego extra é de entrada ou de saída (envio ou transferência?)

- Determina os endereços IP de origem e de destino associados (que servidor é afetado? Para onde vai o tráfego, ou de onde vem?)

- Determina o tipo de tráfego (e-mail, web ou outra coisa?)

Para isso deves inspecionar os gráficos de tráfego, que costumam indicar entrada/saída distintas. Depois tenta encontrar os endereços IP afetados. Pode ser preciso olhar para mais gráficos (de servidores individuais) e estatísticas dentro de switches, routers e servidores. A seguir, olha para a utilização do CPU e para os ficheiros de registo para determinar que aplicação é afetada, como o correio ou a web. Quanto maior a anomalia, mais fácil é encontrá-la.

Podes ser tentado a matar a anomalia assim que a encontras, parando de imediato o tráfego associado. Mas deves mesmo mantê-la viva (pelo menos um pouco mais) para aprenderes o máximo possível com ela.

![Usar a ferramenta iftop para ver a utilização de largura de banda por endereço IP ligado](https://willem.com/global/images/2143a4110498.webp)

Usa uma ferramenta como o iftop (https://linux.die.net/man/8/iftop) para ver uma visão geral em tempo real da utilização de largura de banda por endereço IP ligado. É muito útil para perceber o que se passa, sobretudo em combinação com os ficheiros de registo (que ligam o endereço IP a contas individuais).

## Uma causa invulgar

O servidor que produzia a utilização excessiva de largura de banda era um servidor de correio. Muitas vezes são alvo de hackers que os querem transformar em servidores de retransmissão de spam. Isto pode acontecer de várias formas, normalmente porque os spammers apanham credenciais de acesso válidas. Resulta em muito tráfego de saída, pois os spammers enviam imensos e-mails. Se uma campanha de spam acontece no teu servidor, provavelmente vês isso nos registos, porque as mensagens de spam costumam ser devolvidas, e as filas de correio enchem-se depressa. Fica uma confusão em pouco tempo, mas neste servidor não havia confusão nenhuma, apenas muita utilização invulgar de largura de banda.

O correio (e o spam) envia-se com o protocolo SMTP, mas o tráfego na porta SMTP deste servidor era normalíssimo. Isto era muito invulgar, pois significava que o tráfego excessivo vinha de outra coisa. Mas de quê? Depois de analisar vários ficheiros de registo no servidor de correio, determinei que o protocolo infrator era o IMAP. De alguma forma, um cliente ligado ao servidor de correio por IMAP estava a causar quantidades excessivas de tráfego de rede. O IMAP é um protocolo usado para *ler* e-mail, não para o enviar, o que torna as anomalias relacionadas com o IMAP muito raras.

Analisando o registo do servidor de correio, encontrei o utilizador específico que causava o tráfego. Contactei o cliente para perguntar se tinha reparado em algo estranho do lado dele. Como seria de esperar, tinha notado que o computador andava um pouco lento ultimamente.

### Ciclo de sincronização do Microsoft Outlook

Depois de alguma tentativa e erro por telefone, apurámos que algo fazia o Microsoft Outlook sincronizar as pastas IMAP em ciclo. Isto fazia o computador dele transferir todo o conteúdo da caixa de correio uma e outra vez! Como a caixa de correio tinha mais de 40 gigabytes, isto causava o tráfego substancial. Aparentemente é causado por um erro_no_Microsoft_Outlook (https://answers.microsoft.com/en-us/msoffice/forum/all/outlook-2016-hangs-forever-synchronizing/320ad809-4174-4989-9f4c-a0d4c7d616bc), para o qual, infelizmente, não há solução fácil.

![Erros no Microsoft Outlook fazem-no sincronizar as pastas IMAP sem parar, um problema sentido por muita gente (vê o número de visualizações!)](https://willem.com/global/images/aee8f43379f0.webp)

## Mitigar com modelação de tráfego

Enfrentei a decisão difícil de bloquear o cliente (normal, legítimo, pagante) ou deixar o tráfego excessivo continuar (com custos sérios para o fornecedor de rede). Bloquear utilizadores legítimos que gerem o seu negócio por e-mail é uma péssima ideia, mas deixar o tráfego excessivo continuar também é mau. Felizmente, encontrei uma forma alternativa de reduzir o tráfego excessivo sem deixar de dar ao cliente acesso ao seu correio (com a sua fiável, mas defeituosa, app Outlook).

### Modelação de tráfego

Como técnica de gestão de largura de banda, podes usar a modelação de tráfego (traffic shaping) para atrasar alguns (ou todos) os pacotes de dados e fazê-los cumprir um perfil de tráfego desejado. Quando a aplicas, estás, literalmente, a moldar os gráficos de tráfego, daí o nome.

Esta técnica não é isenta de polémica, pois é o oposto do tão aclamado princípio da "neutralidade_da_rede" (https://en.wikipedia.org/wiki/Net_neutrality). Com a modelação de tráfego, podes bloquear ou abrandar de propósito (ou cobrar mais dinheiro por) tipos específicos de tráfego. Por princípio sou contra tudo o que prejudique a neutralidade da rede, mas nesta situação em particular não tinha alternativa viável. Precisava de abrandar a sério o tráfego de e-mail deste cliente, reduzindo a largura de banda e continuando a dar acesso à conta dele.

### Implementar a modelação de tráfego

Para modelar o tráfego, tens de fazer duas coisas:

- **marcar o tráfego**: só queres afetar determinado tráfego de rede, neste caso o acesso IMAP de um dado cliente. O restante tráfego não deve ser afetado. Isto faz-se marcando os pacotes que correspondem a determinadas características, como o IP do cliente ou os números das portas

- **aplicar a política de modelação**: com ferramentas de controlo de tráfego como o "tc", aplicas então a política de modelação ao tráfego marcado. Há várias formas de o fazer, mas uma comum é trabalhar com os chamados "Hierarchy Token Buckets" ou HTB.

### Hierarchy Token Buckets (HTB)

Em princípio, um token bucket é semelhante a limitar o número de passageiros numa viagem de comboio distribuindo apenas um número fixo de fichas disponíveis. Quando os passageiros (ou pacotes de dados) entram no comboio (ou na rede), pegam numa ficha. Quando saem (ou chegam ao destino), a ficha é devolvida. Com o princípio do token bucket podes controlar a quantidade de tráfego simultâneo num sistema.

![Usar fichas para controlar o tráfego: só passageiros (ou pacotes de dados) com uma ficha válida são admitidos. As fichas são devolvidas quando o tráfego chega ao destino.](https://willem.com/global/images/62fa4ef3cf7a.webp)

![O tráfego tem de esperar que haja fichas disponíveis quando o número máximo de fichas já foi distribuído, impondo o máximo de tráfego simultâneo](https://willem.com/global/images/d64adfb34510.webp)

Podes implementar este princípio com as ferramentas de rede "tc" (de traffic control) em combinação com o "iptables". Podes usar um script para definir as regras de marcação e aplicação. Encontras vários exemplos online; eu usei este (https://serverfault.com/a/191605) do_Julien_Vehent (https://jve.linuxwall.info/).

![Exemplo de script de modelação de tráfego](https://willem.com/global/images/8cd95b55b130.webp)

## Conclusão

Às vezes as anomalias de rede não são o que esperas, por isso deves sempre dedicar tempo a investigá-las! Bloquear tráfego às cegas é grosseiro; por vezes é preciso refinar os métodos para mitigar problemas.

Aplicar técnicas de filtragem pouco ortodoxas não é algo de que goste, mas às vezes são o único meio para atingir o fim. Saber o que estás a fazer e porquê é muito importante!

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## Conceber e implementar um sistema de (micro)pagamentos

*Rentabilizar o meu blogue com café, Apple Pay e Mollie* · 2020-03-25 · https://willem.com/pt/2020-03-25_conceber-e-implementar-um-sistema-de-micro-pagamentos/

Os pagamentos online são hoje mais importantes do que nunca, com as empresas abaladas pelo vírus COVID-19. Isso leva os meus clientes a procurar novas formas de ganhar dinheiro online. Concebi e implementei um sistema de (micro)pagamentos. Este artigo fala de como alcançar a simplicidade resolvendo desafios complexos.

## Compreender a nova tecnologia

Quando desenvolvo tecnologia nova e apps, tento sempre imaginar como funcionaria melhor. A forma mais fácil de descobrir é conceber o produto para ti próprio. Tal como Steve Jobs mandou a Apple desenvolver a sua app de apresentações, o Keynote, para si mesmo. É uma das suas famosas piadas sobre ele ser_um_beta_tester_mal_pago (https://www.youtube.com/watch?v=ViWnJDomhsM)

![Steve Jobs a anunciar a app Keynote na MacWorld 2003, a brincar que a construiu para si próprio, sendo ele um beta tester mal pago](https://willem.com/global/images/0027da9ce9fa.webp)

Se conceberes o produto para ti, pensa no que quererias mesmo, *mesmo*. Para mim, isso significa o modelo de interação mais simples possível: quero que o meu software seja simples e fácil.

## Caso de uso: paga-me um café

Para desenvolver a tecnologia de pagamento, imaginei o caso de uso de acrescentar um botão “paga-me um café” ao meu site. Se funcionar bem, as pessoas podem usá-lo para mostrar que gostam deste blogue, pagando-me um café. Penso que este caso de uso é o desafio perfeito para conceber (e construir) um sistema de (micro)pagamentos.

## Esboçar ideias

Antes de programar uma única linha de código, costumo conceber o software esboçando ideias à mão. Acho o processo criativo do desenho útil para explorar ideias, esquemas e processos. É uma das razões por que gosto tanto de trabalhar num tablet: esboçar ideias digitalmente permite-me explorar rapidamente várias hipóteses, copiando e colando em várias iterações.

![Esboços de conceito da interface, a explorar várias formas de deixar uma mensagem e de pagar várias chávenas de café](https://willem.com/global/images/b5830cd60667.webp)

## Prototipagem

Depois de explorares ideias para a tua interface, é altura de desenvolver um protótipo. Com um protótipo podes testar a interface em diferentes dispositivos e ver o aspeto e a sensação que dá.

![A passar o esboço do design (à esquerda) para um protótipo (à direita) no iPad](https://willem.com/global/images/2d289b8f000c.webp)

Durante a prototipagem olho muitas vezes para o esboço do design enquanto programo a primeira versão. No iPad podes fazê-lo com o ecrã dividido: coloco o esboço mesmo ao lado do meu código, em VIM (https://www.vim.org) dentro de tmux (https://github.com/tmux/tmux/wiki) sobre Mosh (https://mosh.org), com a brilhante app Blink (https://blink.sh) app_para_iPadOS (https://apps.apple.com/en/app/blink-shell-mosh-ssh-client/id1156707581). Desenhei a chávena de café com a Picta_Graphic_for_iPad (https://apps.apple.com/en/app/graphic-for-ipad/id363317633), uma bela app de desenho que exporta para imagens vetoriais (SVG).

![A desenhar a chávena de café com a Picta Graphic for iPad](https://willem.com/global/images/e35470bb82d5.webp)

## Desenvolvimento do frontend

O passo seguinte é desenvolver uma interface totalmente funcional, pondo os botões a funcionar. Durante o desenvolvimento é frequente teres de perceber o que se passa, caçar erros e afinar mecanismos. Uso o Inspect_Browser (https://apps.pdyn.net/inspect/) para iPadOS, que me dá uma interface de ecrã tátil em miniatura mesmo ao lado do código. Permite-me testar e aperfeiçoar a interface rapidamente.

![A desenvolver a interface com o Blink e o Inspect Browser no iPad](https://willem.com/global/images/cddef4803d92.webp)

## Desenvolvimento do backend

Outro passo crucial é desenvolver a tecnologia de backend que prepara e acompanha os pagamentos online. É a tecnologia do lado do servidor, que trata da comunicação entre a interface do frontend (o site) e o prestador de pagamentos (bancos, cartões de crédito, Apple Pay, etc).

Conceber o servidor de backend é normalmente um pouco mais abstrato do que conceber uma interface de frontend (visível). Acho muito útil esboçar diagramas de sequência UML para perceber que chamadas de API devem acontecer e por que ordem. Os Diagramas_de_sequência (https://en.wikipedia.org/wiki/Sequence_diagram) visualizam as interações de um programa ao longo do tempo.

![Diagrama de sequência esboçado do processo de pagamento](https://willem.com/global/images/a24f596e619d.webp)

No diagrama de sequência do processo de pagamento vês três colunas: frontend, backend e prestador de pagamentos. Cada coluna representa um computador diferente que comunica com os outros. O frontend corre no dispositivo do utilizador, o servidor de backend corre num VPS gerido por mim e o prestador de pagamentos é um servidor externo. O utilizador interage com o site clicando no botão “paga-me um café”, o que desencadeia uma cadeia de chamadas de API que fluem da direita para a esquerda.

O “servidor de backend” é responsável por calcular o montante que o utilizador tem de pagar. O cálculo é feito no servidor e não no cliente, para impedir que utilizadores mal-intencionados manipulem o preço (a tecnologia de frontend pode ser manipulada através do navegador).

Uma sessão de pagamento é preparada informando o prestador de pagamentos de que o utilizador vai fazer um pagamento de determinado montante. Este processo usa uma chave de API secreta, que permite ao prestador saber para que conta bancária devem ir os pagamentos. O prestador devolve um URL de pagamento, usado para redirecionar o utilizador para a verdadeira página de pagamento.

![A Mollie é um prestador de pagamentos que suporta muitos métodos diferentes, incluindo cartões de crédito, PayPal, iDEAL, Sofort, Giropay, SEPA, várias apps bancárias e Apple Pay](https://willem.com/global/images/a04e328d248f.webp)

O prestador de pagamentos que uso é a Mollie (https://mollie.com), uma empresa sediada em Amesterdão (https://jobs.mollie.com) com uma plataforma de pagamentos fantástica. As suas APIs estão bem_documentadas (https://docs.mollie.com/) e oferecem pacotes (https://www.mollie.com/en/developers/packages) para implementares facilmente o sistema de pagamento no teu servidor de backend.

![Chamar a Mollie a partir de NodeJS com JavaScript baseado em promessas](https://willem.com/global/images/d214aa5c60ef.webp)

Em sintonia com os meus outros servidores de backend, escolhi implementá-lo em NodeJS (https://nodejs.org/en/). Corre praticamente em tudo (de um minúsculo Raspberry PI até grandes nuvens de computação). Em alternativa, podes usar PHP (https://github.com/mollie/mollie-api-php), Ruby (https://github.com/mollie/mollie-api-ruby), Python (https://github.com/mollie/mollie-api-python) ou qualquer um dos outros pacotes disponíveis (https://www.mollie.com/en/developers/packages). A referência_da_API_da_Mollie (https://docs.mollie.com/reference/v2/payments-api/create-payment) dá informação detalhada sobre os valores que podes esperar.

### Atualizações assíncronas do estado do pagamento

Poucas pessoas se apercebem de que obter o estado de um pagamento é um processo assíncrono, com vários estados possíveis. Num mundo perfeito sabes logo se um pagamento teve sucesso ou falhou. Mas, devido à natureza distribuída dos pagamentos online, em que os backends comunicam com servidores diferentes (bancos, cartões de crédito, etc.), nunca sabes ao certo quando um pagamento ficará concluído.

Pensa em situações em que o utilizador fecha a página de pagamento, deixa o dispositivo sem vigilância, ou em que um banco tem uma falha no seu sistema de banca online. Acontece, e cabe a ti conceber o servidor de backend para tratar as atualizações do estado do pagamento separadamente do processo principal de interação com o utilizador.

![Tratar as atualizações do estado do pagamento ](https://willem.com/global/images/79791152064c.webp)

O prestador de pagamentos chama um webhook no nosso servidor de backend. Entrega uma mensagem do tipo “Olha, mudou alguma coisa no pagamento XYZ”. Esta mensagem diz apenas que *algo* mudou, não diz *qual* é o novo estado. É por razões de segurança: caso contrário, utilizadores mal-intencionados poderiam imitar a chamada ao nosso webhook. Em vez disso, o nosso servidor de backend pede o estado real do pagamento através de um canal seguro, usando a nossa chave de API secreta. O prestador devolve o estado do pagamento, que o nosso backend então trata. Consoante o estado, tomam-se as medidas adequadas, como enviar notificações por e-mail ou iniciar a entrega dos produtos.

## Fullstack: combinar frontend e backend

O último passo é ligar o frontend à tecnologia de backend, pondo todo o processo a funcionar. É o que chamam “desenvolvimento fullstack”, porque trabalhas no sistema inteiro. O desenvolvimento fullstack é uma arte diferente que poucos programadores dominam a sério: exige trabalhar (depurar e desenvolver) em várias pontas em simultâneo, muitas vezes em linguagens de programação diferentes ao mesmo tempo!

Na prática, isto significa que vais acompanhar diferentes partes do programa para ver se funcionam bem em conjunto. Ver os registos do servidor enquanto tentas fazer um pagamento com a tecnologia de frontend acabada de criar. É difícil, mas também muito gratificante, porque o resultado é um produto que funciona!

![Ligar o frontend à tecnologia de backend, simples como 1-2-3](https://willem.com/global/images/acc0ecf42914.webp)

O botão “paga-me um café” resultante é, para o utilizador, um processo de 3 passos enganadoramente simples:

- **passo 1**: clicar num simples botão “paga-me um café”, sem formulários de encomenda complicados, sem códigos captcha irritantes: apenas um botão

- **passo 2**: a interface expande-se no próprio lugar, preservando o contexto e oferecendo a opção de deixar uma mensagem ou de me pagar várias chávenas de café. Além disso, outros elementos da interface, como os botões das redes sociais, ficam automaticamente escondidos para reforçar o foco na interface do café

- **passo 3**: o ecrã do prestador de pagamentos permite ao utilizador pagar com qualquer método disponível, como o Apple Pay. Quando o pagamento tem sucesso, é hora de beber café!

![Hora de beber café](https://willem.com/global/images/487f0979a7e9.webp)

## Conclusão

Conceber e implementar um sistema de pagamentos não é assim tão difícil quando sabes o que tens de fazer. No entanto, são precisos muitos passos para chegar a essa compreensão. Embora o meu botão “paga-me um café” pareça simples, exigiu resolver muitos desafios diferentes de design e de programação.

É difícil exagerar a importância da simplicidade, mas é muitas vezes muito difícil de alcançar, porque exige compreender todos os aspetos do desafio. Citando Einstein: *“A definição de génio é pegar no complexo e torná-lo simples.”* Agora, experimenta o botão à vontade: está mesmo aqui ⬇️

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## Criar o meu próprio sistema operativo para tablet

*Instalar e personalizar o Debian GNU/Linux no Surface Go* · 2020-03-09 · https://willem.com/pt/2020-03-09_criar-o-meu-proprio-sistema-operativo-para-tablet/

Há alguns anos que uso um tablet como computador principal, porque gosto da sua versatilidade. Mas a maioria dos tablets vem com um sistema operativo fechado, como o iPadOS, o Windows 10S ou o Android. Como gosto de fazer as coisas à minha (estranha) maneira, perguntei-me se conseguia fugir a estas “prisões de software” instalando um sistema operativo livre num tablet. É possível! Lê até ao fim para saberes como escapei!

## Hardware: Surface Go

Se estás a pensar instalar outro sistema operativo num tablet, deves mesmo pesquisar primeiro sobre o hardware. Nem todos os tablets podem ser reinstalados com um sistema operativo à medida: alguns têm bootloaders bloqueados, chips proprietários ou outros obstáculos.

![Microsoft Surface Go: um tablet de ecrã tátil de 10" ultraportátil (com capa-teclado, caneta e adaptador de USB-C para ethernet e USB 3.0)](https://willem.com/global/images/ab9c8e745c92.webp)

Apresento-te o Surface Go, um tablet relativamente pequeno (ecrã de 10"). Tem um processador Intel “normal” de 64 bits, tem um bootloader que se pode desbloquear e o seu hardware é bem conhecido, por ser semelhante ao do antigo “Surface Pro 6”. Hardware mais antigo é *uma coisa boa* quando se pensa em sistemas operativos livres. Quanto mais velho o hardware, maior a probabilidade de alguém já ter descoberto como o fazer funcionar com software livre, como o Debian GNU/Linux.

## Primeiro, atualiza!

Antes de apagares o sistema operativo proprietário do tablet, deves usá-lo para atualizar o firmware. Atualizar o firmware a partir de outra coisa que não o Windows é praticamente impossível. O novo firmware do Surface corrigiu muitos erros e melhorou o desempenho do tablet: não queres perder isto!

![Verifica manualmente as atualizações com o Windows Update](https://willem.com/global/images/382661906f53.webp)

![Repara nas muitas atualizações de firmware: só as consegues instalar a partir do Windows](https://willem.com/global/images/c9eda8928a1e.webp)

![Pode demorar algum tempo: tem paciência ou tira fotografias :-)](https://willem.com/global/images/af71b0cde6d9.webp)

## Escolher um sistema operativo

Depois de escolheres o hardware do tablet, tens de escolher um sistema operativo. Por várias razões, recomendo que consideres escolher_um_sistema_operativo_livre (https://willem.com/en/2018-07-20_helping-people-with-free-software/). Com software livre és - literalmente - livre de o fazer funcionar como quiseres. Eu gosto do Debian (https://debian.org), uma distribuição GNU/Linux.

![Debian GNU/Linux: o sistema operativo universal](https://willem.com/global/images/61767ebbcabc.webp)

A distribuição Debian GNU/Linux é das mais antigas que existem. É especial porque os seus responsáveis ratificaram um contrato social, um documento que garante que o Debian é aberto e livre. Pode ser instalado em quase todo o hardware, daí o seu slogan “o sistema operativo universal”.

## Criar uma pen USB de arranque

O Debian instala-se a partir de uma pen USB de arranque. Usei outro computador para transferir os ficheiros de instalação de https://debian.org. Tens de criar um suporte de instalação para levar esses ficheiros até ao tablet.

![Podes usar outro computador para criar uma pen USB de arranque; eu usei o meu ThinkPad X1](https://willem.com/global/images/96a301b9ec66.webp)

Noutro portátil usei alguns comandos de terminal para criar a pen USB de arranque. Se usas Windows ou Mac, podes usar outras ferramentas para este trabalho, como o Utilitário de Discos, o Rufus (https://rufus.ie) ou o unetbootin (http://unetbootin.github.io).

## Iniciar o instalador

Liga a pen USB de arranque ao tablet Surface; eu usei um adaptador de USB-C para ethernet e USB 3.0. A ligação de rede por cabo dá jeito durante a instalação, porque o Debian muitas vezes não consegue carregar o firmware/os controladores dos chips de WiFi proprietários.

![A ligar a pen USB de arranque ao tablet Surface com o adaptador de USB-C para USB 3.0 e ethernet](https://willem.com/global/images/8646d08e6a22.webp)

A forma mais fácil de arrancar o tablet Surface a partir da pen USB é através das “Opções de arranque avançadas” nas Definições do Windows, que reiniciam o computador e oferecem diferentes opções de arranque e recuperação.

![As “Opções de arranque avançadas” nas Definições do Windows permitem usar uma pen USB como suporte de arranque ](https://willem.com/global/images/1aba81e0731b.webp)

![Escolhe “Linpus Lite” para arrancar o instalador](https://willem.com/global/images/9021f73fd09d.webp)

Escolhe “Utilizar um dispositivo” e depois seleciona “Linpus lite”. Com um pouco de sorte, serás recebido pelo menu do instalador do Debian GNU/Linux.

![Menu do instalador do Debian GNU/Linux no Surface Go: eu todo contente](https://willem.com/global/images/da801a0461f7.webp)

Avança com a instalação respondendo a perguntas como a língua que queres usar e a disposição do teclado. O instalador tentará reconhecer o teu hardware de rede. Infelizmente, muitos fabricantes mantêm os seus controladores (firmware) fechados, o que impede o Debian de os incluir na sua coleção normal de software (que tem de ser software livre).

![A falta de firmware deixa o hardware inutilizável durante a instalação](https://willem.com/global/images/ab59c48e114c.webp)

Embora seja possível carregar esses controladores não livres a partir de (outra) pen USB, na minha experiência é difícil pré-carregar exatamente os controladores de que vais precisar. A minha estratégia é ligar o computador a uma rede por cabo durante a instalação e preocupar-me com os controladores em falta depois. É mais fácil acrescentá-los mais tarde se o sistema estiver online.

![Instalação em curso: repara no cabo de rede ligado](https://willem.com/global/images/d917bfda53e6.webp)

## Interface gráfica

Muitas apps (navegação na web, edição de fotografias, desenho) só funcionam bem através de uma interface gráfica. Com software livre tens muitas opções à escolha. A primeira decisão é se queres um “ambiente de trabalho” completo ou apenas um “gestor de janelas”.

### Ambiente de trabalho

Um ambiente de trabalho dá-te uma experiência de utilização completa, com painéis, menus de sistema e applets de estado. Vem com o seu próprio conjunto de aplicações (de sistema) e com o seu aspeto e comportamento. Embora a maioria dos ambientes de trabalho ofereça uma configuração padrão completa, muitos têm opções avançadas de personalização. Vê os seus sites, lê sobre os seus princípios de design e escolhe algo de que gostes. Ambientes de trabalho comuns no Debian são:

- **GNOME**: https://www.gnome.org e https://wiki.debian.org/Gnome

- **Plasma** da KDE: https://kde.org/plasma-desktop e https://wiki.debian.org/KDE

- **XFCE**: https://xfce.org e https://wiki.debian.org/Xfce

- **LXDE**: https://lxde.org e https://wiki.debian.org/LXDE

- **MATE**: https://mate-desktop.org e https://wiki.debian.org/MATE

### Gestor de janelas

Ao contrário de um ambiente de trabalho completo, um gestor de janelas limita-se a gerir as janelas das aplicações. Escolhem-se por serem extremamente minimalistas, exigindo que todos os extras sejam acrescentados manualmente pelo utilizador. Se gostas de tomar as tuas próprias decisões, um gestor de janelas pode ser um bom ponto de partida para a tua interface gráfica. Os mais comuns são:

- **awesome**: https://awesomewm.org

- **Openbox**: http://openbox.org/

- **i3wm**: https://i3wm.org

- **dwm**: https://dwm.suckless.org

- **xmonad**: https://xmonad.org

Deves mesmo dar-te tempo para decidir, porque a escolha da base da interface gráfica influencia muito toda a experiência. É uma escolha pessoal, guiada pelas preferências e pela tua vontade de a ajustar à mão. A minha escolha, porque tenho anos de experiência com ele, é usar o gestor de janelas Openbox em combinação com algumas ferramentas extra que otimizam a *minha* experiência.

## Otimizar a experiência

Este é um passo essencial quando instalas um sistema operativo livre num computador. Depois da instalação, as predefinições muitas vezes não estão adaptadas ao teu hardware, às tuas preferências e aos teus casos de uso.

Estas foram algumas das coisas que fiz por cima do gestor de janelas Openbox:

- Atualizei a versão “stable” padrão do Debian para o ramo mais recente, o ‘unstable (https://wiki.debian.org/DebianUnstable)’. Isto significa que recebes versões novas do software mais depressa, mas por vezes as coisas podem avariar. Eu gosto de software novo (sou programador); tu talvez prefiras repensar. 

- Instalei vários controladores (firmware) não livres para pôr todos os componentes de hardware a funcionar; o Debian tem uma página detalhada sobre isto: https://wiki.debian.org/Firmware. Pode exigir alguma pesquisa e análise de registos para descobrir que firmware o teu computador requer. 

- Usei o gnome-network-manager (https://wiki.gnome.org/Projects/NetworkManager/) e o seu applet para ver o estado da WiFi e ligar-me rapidamente a diferentes redes sem fios

- Instalei o Sound_on_Debian (https://wiki.debian.org/Sound) para pôr a funcionar o altifalante do tablet. Verifica as opções de volume/silêncio antes de achares que o teu sistema de áudio está avariado (por predefinição está silenciado!)

- Instalei o Blueman (https://packages.debian.org/sid/blueman) para me ligar a vários dispositivos Bluetooth

- Usei o tint2 (https://gitlab.com/o9000/tint2/) como barra de estado, barra de tarefas e barra de lançamento rápido (com atalhos para as apps mais usadas)

- Criei_um_script_que_roda_automaticamente_o_ecrã (https://linuxappfinder.com/blog/auto_screen_rotation_in_ubuntu) quando rodo o tablet

- Instalei o tlp (https://linrunner.de/en/tlp/tlp.html) para melhorar drasticamente a duração da bateria

- Instalei o Compton (https://github.com/chjj/compton) para reduzir muito os soluços (e deixar tudo mais fluido) ao deslocar o conteúdo com o ecrã do tablet na vertical

- Instalei as minhas apps preferidas no Debian GNU/Linux: os navegadores Firefox (https://www.mozilla.org/en/firefox) e Chromium (https://www.chromium.org/Home), a app de correio/calendário/contactos Evolution (https://wiki.gnome.org/Apps/Evolution/), o gestor de ficheiros Thunar (https://docs.xfce.org/xfce/thunar/start), o emulador de terminal XFCE-terminal (https://docs.xfce.org/apps/terminal/start), o GIMP (https://gimp.org) para manipulação de imagem, o Inkscape (https://inkscape.org) para edição de gráficos vetoriais, o Filezilla (https://filezilla-project.org) como cliente SFTP, o Libre_Office (https://www.libreoffice.org) e o Xournal (http://xournal.sourceforge.net) para caneta/notas

- Instalei o onboard (https://packages.debian.org/sid/gnome/onboard), um teclado virtual que permite escrever quando o teclado físico está desligado. 

- Apliquei manualmente_uma_correção_do_kernel_Linux (https://bugzilla.kernel.org/show_bug.cgi?id=206259) para a Surface Pen funcionar com o kernel Linux mais recente, o que me obrigou a compilar o meu próprio kernel com a correção.

- Desativei o Secure_Boot (https://surfacetip.com/configuring-surface-go-uefi-bios-settings/) para o meu kernel Linux personalizado poder arrancar

![A compilar o meu kernel Linux personalizado](https://willem.com/global/images/8631db9f2712.webp)

![Compilar o kernel Linux num Surface Go demora algumas horas](https://willem.com/global/images/416d53ff1e62.webp)

![O teclado virtual ‘onboard’](https://willem.com/global/images/5a77b988dded.webp)

![A caneta funciona com o meu kernel Linux personalizado e a app Xournal](https://willem.com/global/images/126e903aa197.webp)

![A usar o sistema operativo personalizado no tablet para criar conteúdo para este blogue](https://willem.com/global/images/adba635a29f9.webp)

![A ler um artigo no tablet na vertical](https://willem.com/global/images/947d3ad6683a.webp)

![O Surface Go personalizado (à direita) usado para programar, tal como trabalho com um iPad Pro (à esquerda)](https://willem.com/global/images/df660a485a36.webp)

## Conclusão

Depois de muitas horas de experiências e afinações, criei uma experiência de sistema operativo para tablet que funciona. Consigo usá-lo para ler, desenhar, programar e fazer design.

A sensação de compreensão que desenvolves durante todo este processo de “constrói o teu próprio SO” é incrível, tanto do ponto de vista técnico como da interação com o utilizador. É uma ótima oportunidade para aprender e afiar as tuas competências!

### Atualização:

Lê os meus artigos seguintes sobre:

- Como_migrar_e_gerir_a_tua_biblioteca_de_fotografias_com_software_livre (https://willem.com/en/2020-08-31_free-from-the-icloud-escaping-apple-photos/), que agora faço com o meu tablet “WillemOS”! 

- Configurar_uma_sincronização_de_ficheiros_perfeita_entre_o_tablet_e_o_smartphone_com_protocolos_abertos_e_software_livre (https://willem.com/en/2020-09-16_syncing-files-seamlessly-between-smartphone-and-tablet/). 

- Aperfeiçoar_o_meu_SO_de_tablet_com_o_Surface_Go_2,_i3wm_e_4G/LTE (https://willem.com/en/2020-09-28_refining-my-tablet-os-experience/)

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## Arquitetura de software monolítica vs microsserviços

*Escolher o design certo para o desenvolvimento da tua app* · 2020-03-03 · https://willem.com/pt/2020-03-03_arquitetura-de-software-monolitica-vs-microsservicos/

Esta semana voei para Gotemburgo para me encontrar com pessoas de uma grande empresa internacional de transporte marítimo, para falar sobre o desenvolvimento de software empresarial. Na reunião estavam vários especialistas e um deles perguntou-me como escolher a arquitetura de software certa (para apps grandes, complexas e de nível empresarial). Uma ótima pergunta, que merece um artigo no blogue.

![De visita a uma grande empresa internacional de transporte marítimo para falar de software empresarial](https://willem.com/global/images/189c28c69d02.webp)

## Arquitetura de software

Quando concebes apps, não deves pensar só no aspeto e na sensação de utilização: um bom design abrange também a forma como tudo funciona em conjunto. A arquitetura de software refere-se às estruturas fundamentais de um sistema de software; cada estrutura inclui elementos, as relações entre eles e as propriedades dos elementos e das suas relações.

É análoga à arquitetura de um edifício. Depois de uma arquitetura estar definida e implementada, mudá-la fica caro. Por isso é boa ideia escolher a arquitetura de software certa *antes* de começares a construir.

![Exemplo de arquitetura de software simples: diferentes estruturas a compor um sistema, com diferentes relações entre elas](https://willem.com/global/images/b73d8bf569bc.webp)

Para apps simples a arquitetura pode ser óbvia, mas à medida que a aplicação cresce em tamanho e funcionalidade, o número de estruturas num sistema pode aumentar depressa. Isto pode acontecer ao longo do tempo, à medida que crescem as necessidades dos teus clientes. Quanto mais estruturas, mais relações entre elas, mais complexo se torna.

![Complexidade crescente à medida que aumenta o número de estruturas (e das suas relações)](https://willem.com/global/images/df6c62e25d7d.webp)

## Lidar com um design de software complexo

Se esperas que o teu software trate de muitas coisas diferentes, é provável que tenhas de lidar com complexidade. Do ponto de vista arquitetónico, há várias abordagens para lidar com essa complexidade.

### Arquitetura monolítica

A melhor descrição da arquitetura monolítica é “um grande bloco”. Aqui, tudo o que a tua app faz faz parte da mesma base de código.

![Arquitetura de software monolítica](https://willem.com/global/images/875d62aa72f8.webp)

Numa “arquitetura monolítica” o software é muitas vezes organizado em camadas, cada uma com diferentes tipos de componentes:

- **camada de apresentação**: responsável pela interface de utilizador e/ou de programação de aplicações (UI / API). 

- **lógica de negócio**: é onde se definem as regras de negócio propriamente ditas. É o núcleo da aplicação, muito próximo dos processos reais da empresa.

- **camada de acesso a objetos de dados**: oferece uma interface comum entre a aplicação em execução e os armazenamentos persistentes de backend.

- **base de dados e sistema de ficheiros**: é onde ficam todos os dados e recursos estáticos (ficheiros, imagens, etc).

Quanto maior a aplicação, maior cada camada. Isto torna mais difícil escalar uma arquitetura monolítica; a certa altura as coisas ficam simplesmente demasiado grandes e complexas.

Cada vez que alteras a aplicação, toda a base de código é afetada. Para aplicações (muito) grandes isto dificulta a manutenção do software, porque exige uma compreensão total da aplicação inteira.

Como a aplicação inteira é interdependente, os problemas numa parte afetam muitas vezes o sistema todo. A comunicação entre as diferentes partes do sistema faz-se internamente, ao nível do código. Isto significa que as diferentes partes têm de ser programadas na mesma linguagem de programação (ou em linguagens compatíveis). É uma barreira à adoção de novas tecnologias (no futuro), porque não podes mudar facilmente a linguagem de programação de uma parte do sistema.

### Arquitetura de microsserviços

Em vez de construíres uma grande aplicação monolítica, podes dividir a aplicação em serviços mais pequenos e interligados. Cada microsserviço é uma pequena aplicação por si só, com a sua própria arquitetura (mas mais pequena e simples), lógica de negócio e camadas de dados.

Os diferentes serviços comunicam entre si através de APIs definidas independentemente da tecnologia usada, muitas vezes numa “estrutura de API” comum como REST, JSON, Redis e XML. Isto permite que a combinação de microsserviços funcione como “um só sistema”.

![Arquitetura de software de microsserviços](https://willem.com/global/images/2705ce2c332c.webp)

Ao decompor a aplicação “de um grande bloco” em serviços mais pequenos, fica mais fácil compreender as diferentes partes do sistema. Isso facilita a manutenção, porque cada microsserviço pode ser desenvolvido de forma independente. Reduz também a barreira à adoção de novas tecnologias, porque és livre de escolher a tecnologia mais adequada a cada serviço. Uma parte do sistema pode ser programada numa linguagem diferente das outras. Isto permite que equipas diferentes (com competências diferentes) trabalhem em conjunto.

A arte e a perícia de acertar na arquitetura de microsserviços vêm da capacidade de definir corretamente um microsserviço. Demasiado amplo ou demasiado granular pode destruir a arquitetura. Podes usar processos de negócio, uma separação hierárquica ou por domínio para definir cada microsserviço.

O desafio da arquitetura de microsserviços é que acrescenta complexidade ao sistema inteiro, por exigir um mecanismo de comunicação distribuída. As diferentes APIs que se ligam entre si podem ser difíceis de testar e depurar. Torna-se mais difícil implementar alterações que abrangem vários serviços.

Definir, conceber e implementar as diferentes APIs entre serviços exige um acordo sobre os dados trocados, o que pode ser difícil de alcançar quando pretendes partilhar estruturas de dados extensas e não universais.

Monitorizar e implantar uma arquitetura de microsserviços pode ser complexo quando os serviços aumentam em número. Há simplesmente mais para gerir, o que exige mais planeamento e coordenação para cada um dos serviços.

## Escolher a arquitetura certa

O meu falecido pai disse-me uma vez que “se ganha mais com as coisas que não se fazem”. Construir aplicações complexas é difícil por natureza; o melhor que podes fazer é tentar simplificar, simplesmente não fazendo tudo. Foca-te nas coisas que realmente importam e faz essas bem.

Se a tua aplicação é simples e leve, a arquitetura monolítica é o caminho. Desenvolvimento, implementação, manutenção, tudo é mais fácil quando as coisas são pequenas.

Se não consegues escapar à complexidade, então deves mesmo considerar a arquitetura de microsserviços. Pergunta a ti próprio:

- Consegues definir uma “linguagem comum” entre os teus microsserviços? 

- Existem processos de negócio claramente distintos? 

- Até que ponto são interdependentes esses processos de negócio? 

- Como esperas que a tua aplicação evolua com o tempo: esperas que cresça ou que encolha?

- Quantas tecnologias de programação diferentes pensas usar? Esperas que isso mude no futuro?

- Quem vai construir e manter o software? Essas pessoas têm experiência a gerir uma arquitetura destas?

## Conclusão

Não existe uma “bala de prata” para a pergunta sobre qual é a arquitetura de software certa. Ambas as abordagens têm vantagens e desvantagens.

O melhor que podes fazer é tomar uma decisão consciente, bem ponderada, e apostar tudo nela!

![“O céu é o limite” se dominares a arquitetura que escolheste (só não a mudes em pleno voo!)](https://willem.com/global/images/e50e134c3fb7.webp)

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## A tua própria nuvem de livro de endereços e calendário

*Partilha contactos, agendas e tarefas com CardDAV/CalDAV* · 2020-02-28 · https://willem.com/pt/2020-02-28_a-tua-propria-nuvem-de-livro-de-enderecos-e-calendario/

Se usas vários dispositivos e computadores para fazer as coisas, talvez queiras sincronizar contactos, agendas e tarefas. Podes usar qualquer um dos serviços das “grandes nuvens” para isso, como o iCloud da Apple, o Microsoft Office 365 e o Google Gmail. Mas, se preferes não partilhar o teu livro de endereços e o teu calendário com grandes empresas americanas, podes fazê-lo tu próprio.

## Porquê fazê-lo tu próprio?

Embora seja muito conveniente usar um serviço de uma grande nuvem para sincronizar o livro de endereços e o calendário, há boas razões para quereres fazê-lo tu próprio:

- **controlo**: se geres a nuvem de livro de endereços/calendário, controlas como funciona, quanto custa, quem tem acesso, etc.

- **privacidade**: embora as grandes empresas afirmem que ‘valorizam a tua privacidade’, não dão garantias de que ninguém vai olhar para os teus dados. Eu gosto que o meu livro de endereços (com compromissos, detalhes de projetos, etc) e os meus contactos (nomes, números, aniversários) sejam privados.

- **liberdade**: se usares protocolos abertos para gerir a tua nuvem de livro de endereços/calendário, podes usá-la em todos os teus dispositivos. 

## Como fazer: CardDAV/CalDAV

Para teres o máximo de liberdade e flexibilidade na escolha dos dispositivos que usas, precisas de escolher um denominador comum ao procurar soluções que permitam partilhar livros de endereços e calendários. Felizmente, essa solução existe nos padrões abertos CardDAV e CalDAV.

Tanto o CardDAV como o CalDAV são extensões do padrão WebDAV. O Web Distributed Authoring and Versioning (WebDAV) é, por sua vez, uma extensão do protocolo HTTP padrão. É um protocolo que permite que vários clientes (dispositivos/computadores/apps) partilhem um recurso (ficheiro/livro de endereços/calendário/etc).

### CardDAV

O protocolo CardDAV é um protocolo de partilha de livros de endereços. Foi proposto originalmente como padrão pela Apple em 2007, RFC_6352 (https://tools.ietf.org/html/rfc6352). O protocolo usa o WebDAV para partilhar dados de contactos no formato de ficheiro “vCard”. O melhor é pensares num vCard (https://en.wikipedia.org/wiki/VCard) como um cartão de visita virtual. O CardDAV permite-te partilhar a tua coleção de cartões de visita virtuais entre os teus dispositivos.

### CalDAV

O protocolo CalDAV é um protocolo de partilha de calendários. Tal como o CardDAV, foi proposto originalmente como padrão pela Apple, RFC_6638 (https://tools.ietf.org/html/rfc6638). Usa o WebDAV para partilhar dados de compromissos no formato iCalendar (https://en.wikipedia.org/wiki/ICalendar). A *“Internet Calendaring and Scheduling Core Object Specification”* é, ela própria, um padrão aberto, RFC_5545 (https://tools.ietf.org/html/rfc5545), amplamente suportado. O CalDAV permite que vários dispositivos e apps acedam ao teu calendário, possibilitando o planeamento cooperativo e a partilha de informação.

## O CardDAV/CalDAV precisa de um servidor

Para trabalhar com CardDAV/CalDAV precisas de um servidor que funcione como repositório central dos dados do teu livro de endereços/calendário. Ao contrário das ligações ‘ponto a ponto’ (em que ligarias o telemóvel ao computador), o protocolo CardDAV/CalDAV foi concebido para funcionar através da internet. O servidor central permite que dispositivos e apps se liguem e sincronizem dados de forma independente.

![Servidor CardDAV/CalDAV a ligar-se a dispositivos e apps](https://willem.com/global/images/a53513d7f1e8.webp)

Como o protocolo se baseia em tecnologia web (eficiente), os requisitos do servidor são mínimos. Não precisas de processadores potentes nem de grandes quantidades de memória. Há quem corra o CardDAV/CalDAV a_partir_de_um_Raspberry_Pi_barato (https://pimylifeup.com/raspberry-pi-owncloud/). Em alternativa, podes usar um pequeno VPS, um NAS ou um computador velho.

## Software de servidor CardDAV/CalDAV

O software de servidor CardDAV/CalDAV tem duas partes: o sistema operativo do servidor e o servidor CardDAV/CalDAV propriamente dito. Por ser um padrão aberto, és livre de escolher tu o sistema operativo. O GNU/Linux é uma escolha comum para sistema operativo de servidor. As diferentes distribuições trazem muitas vezes um repositório de software pronto a usar, ao estilo de uma ‘app store’, que permite instalar apps de servidor com facilidade.

### Sistema operativo

Em sintonia com os meus outros serviços na nuvem, escolho muitas vezes o Debian_GNU/Linux (https://willem.com/en/self-hosting-running-your-own-infrastructure-on-linux/). É um sistema operativo livre de pressão comercial, que dá prioridade à liberdade em vez dos interesses empresariais. Por isso, é uma base excelente e estável para qualquer aventura de servidor.

### Implementações de servidor CardDAV/CalDAV

No sistema operativo do servidor tens de instalar software que implemente os padrões CardDAV/CalDAV. Convém veres tu próprio os diferentes servidores: CardDAV_servers (https://en.wikipedia.org/wiki/CardDAV#Server-side) e CalDAV_servers (https://en.wikipedia.org/wiki/CalDAV#Server).

Depois de analisar as diferentes opções de servidor CardDAV/CalDAV, destilei as três seguintes:

- **Apple Calendar-Server**: Como a especificação original do CardDAV/CalDAV foi escrita pela Apple, desenvolveram um servidor_completo (https://www.calendarserver.org) e tornaram-no de código aberto. Parece ótimo, mas o desenvolvimento do Calendar Server parou (a favor do iCloud da Apple). Há um “Notice of Archival” na página_do_Calendar_Server_no_GitHub (https://github.com/apple/ccs-calendarserver). Ainda funciona, mas o futuro é incerto.

- **ownCloud**: Uma solução popular do tipo ‘faz tudo’ que implementa CardDAV/CalDAV é o ownCloud (https://owncloud.org). O nome é apropriado, porque te permite ‘ter a tua nuvem inteira’. A grande desvantagem é que tenta fazer *tudo*, incluindo e-mail e partilha de ficheiros, talvez demais, consoante as tuas necessidades. 

- **Servidor Radicale**: Concebido como um servidor CardDAV/CalDAV pequeno mas poderoso, livre e de código aberto, o Radicale (https://radicale.org) faz precisamente isso: partilha de calendários e livros de endereços. O seu desenvolvimento (https://github.com/Kozea/Radicale) está vivo, impulsionado pela empresa francesa Kozea (https://kozea.fr), que faz muito trabalho para a saúde pública. Na minha opinião, este servidor CardDAV/CalDAV é simples e saudável, o que o torna uma excelente escolha.

## Instalar o Radicale no Debian/GNU Linux

Instalar o Radicale no Debian é tão fácil como ‘apt-get install radicale’. Convém consultares as instruções de instalação detalhadas na Wiki do Debian: instalar_o_Radicale_no_Debian (https://wiki.debian.org/Radicale).

A instalação básica do Radicale funciona bem com nomes de utilizador e palavras-passe simples (a partir de um ficheiro no servidor). Mas, sendo software livre e de código aberto, há opções para integrar o Radicale com diferentes formas de autenticação e segurança:

- **autenticar nomes de utilizador e palavras-passe do Radicale num servidor IMAP**: Se já geres um servidor de correio, talvez queiras aproveitar a gestão de nomes de utilizador e palavras-passe que ele já tem. Podes ‘pegar à boleia’ a gestão de utilizadores do CardDAV/CalDAV na tua infraestrutura existente através de plugins_de_autenticação (https://radicale.org/plugins/). Há plugins (bons) e funcionais para usar o Radicale_com_IMAP (https://github.com/comzeradd/radicale-imap), disponíveis com código-fonte.

- **correr o Radicale atrás de um proxy NGINX**: Podes reforçar o Radicale, do ponto_de_vista_da_cibersegurança (https://willem.com/en/self-hosting-running-your-own-infrastructure-on-linux/), correndo-o atrás de um proxy inverso NGINX à prova de bala. Ficas com todas as vantagens que o NGINX oferece, incluindo certificados TLS/SSL automáticos através do Let's_Encrypt (https://duckduckgo.com/?q=nginx+lets+encrypt). Há instruções para começares na Documentação_do_Radicale (https://radicale.org/proxy/), tanto para Apache como para NGINX. 

## Ligar ao teu servidor CardDAV/CalDAV: clientes

Quando tiveres o servidor CardDAV/CalDAV a funcionar, tens de configurar os teus dispositivos para se ligarem a ele. Podes fazê-lo de várias maneiras, consoante o tipo de dispositivo.

- **Apple macOS**: Configurar o Mac para se ligar a um servidor CardDAV/CalDAV é fácil. Basta acrescentá-lo como conta no macOS; vê as instruções para CardDAV (https://support.apple.com/guide/contacts/add-contacts-from-icloud-google-and-more-adrb7e5aaa2a/mac) e CalDAV (https://support.apple.com/guide/calendar/add-or-delete-calendar-accounts-icl4308d6701/mac)

- **Apple iOS/iPadOS**: Tal como no Mac, configurar o iPhone ou o iPad para se ligar a um servidor CardDAV/CalDAV é fácil. Basta acrescentá-lo como conta, em “Definições”. Instruções para CardDAV (https://support.apple.com/guide/ipad/use-other-contact-accounts-ipad99df07d1/ipados) e CalDAV (https://support.apple.com/guide/ipad/use-multiple-calendars-ipad1b02bf5b/ipados). 

- **Android**: Para a melhor integração, deves usar uma app de sincronização que ligue as bases de dados de calendário e de contactos do Android ao servidor CardDAV/CalDAV. Tenho boas experiências com o CardDAV-Sync (https://play.google.com/store/apps/details?id=org.dmfs.carddav.Sync) e o CalDAV-Sync (https://play.google.com/store/apps/details?id=org.dmfs.caldav.lib)

- **Windows**: Embora a Microsoft tenha suporte integrado para CardDAV/CalDAV no Windows 10, não te deixa configurá-lo para outro serviço que não o iCloud, a menos que faças uns hacks_manhosos (https://www.ctrl.blog/entry/windows-pim-sync-partnersonly.html). Se usas o Outlook, podes usar o plugin de código aberto Caldavsynchronizer.org (https://caldavsynchronizer.org) para te ligares ao teu servidor. 

- **GNU/Linux**: Se usas software livre num PC, tens muitas opções para o configurar para se ligar ao servidor CardDAV/CalDAV. Se usas o GNOME como ambiente de trabalho, vê estas_instruções (https://www.ctrl.blog/entry/gnome-caldav.html). 

## Conclusão

A comodidade é uma coisa linda, até te picar pelas costas. Os “serviços de grandes nuvens” geridos pelos gigantes tecnológicos americanos oferecem formas fáceis (e gratuitas) de sincronizar a tua agenda pessoal e os teus livros de endereços. Se queres assumir o controlo dos teus dados pessoais (ou de trabalho), deves considerar montar o teu próprio servidor de livro de endereços e calendário.

Não é assim tão difícil fazê-lo tu próprio e, se precisares de ajuda, podes sempre pedir a alguém (https://willem.com) que te ajude. Quando tiveres tudo a funcionar, terás mais controlo sobre os teus dados, mais privacidade e liberdade na escolha dos teus dispositivos e apps. Nada mal, pois não?

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## O dia em que vendi o meu carro

*Um olhar sobre os meus anos com o Smart Roadster* · 2020-02-13 · https://willem.com/pt/2020-02-13_o-dia-em-que-vendi-o-meu-carro/

Esta semana vendi o meu carro e agora já não tenho nenhum. Para mim é uma grande mudança, porque ao longo dos anos tive vários carros desportivos que eram como um passatempo. A descoberta do ciclismo e o nascimento do meu filho mudaram isso. Mas, se procuras uma razão para comprar um desportivo, lê até ao fim!

## Smart Roadster

Tudo começou em 2010, quando comprei o meu primeiro Smart Roadster. O Smart Roadster (modelo W452) é um desportivo de duas portas e dois lugares, lançado em 2003 pela Smart. É um carrinho divertido, baseado numa plataforma alongada do Smart_Fortwo_city_coupe (https://willem.com/en/2018-11-16_around-town-in-an-electric-car/).

![Smart Roadster, vermelho spice](https://willem.com/global/images/5dbac19e5804.webp)

O Smart Roadster é movido pelo motor Suprex de 3 cilindros turbo da Mercedes-Benz (60kW, 80cv), instalado na traseira do carro. É um motor minúsculo, mas o carro também é, com cerca de 800KG. Combinado com a tração traseira, os pneus aderentes e uma caixa F1 de patilhas, é uma mistura ideal para a diversão ao volante!

![Motor Suprex de 3 cilindros da Mercedes-Benz](https://willem.com/global/images/2b45635c0546.webp)

![Pneus aderentes dão muito contacto com o asfalto](https://willem.com/global/images/7629e5cd07ba.webp)

![Volante do Smart Roadster: repara nas patilhas de caixa ao estilo F1](https://willem.com/global/images/31b4d84c4282.webp)

Embora seja um desportivo pequenino, o interior é bastante decente, mesmo para quem é um pouco mais comprido (como eu, com ± 1,93M). No tablier há manómetros extra que acrescentam ao ambiente desportivo.

![Manómetros extra desportivos no tablier: pressão do turbo e temperatura do motor](https://willem.com/global/images/7baaa9aa60d0.webp)

![O interior do carro é bastante espaçoso, mesmo para quem é alto](https://willem.com/global/images/84a817bc8d14.webp)

## Diversão ao volante

O melhor que podes fazer com um Smart Roadster é pôr-te a caminho, conduzir! O comportamento na estrada é parecido com o de um kart. Sentes-te muito perto do asfalto, o que realça a perceção de velocidade.

![A conduzir o meu Smart Roadster nos Pirenéus (França)](https://willem.com/global/images/39d6fa3e3682.webp)

Se encontrares uma estrada sinuosa algures no (sul da) Europa, vais gostar do Smart Roadster no seu melhor. Pensa numa montanha-russa homologada para circular na estrada, que te mantém a sorrir durante horas!

![Estradas de montanha sinuosas: pura diversão num Roadster! (perto da fronteira entre França e Espanha)](https://willem.com/global/images/57d63ec5270c.webp)

![A gozar uns 'sobe e desce' no campo ondulado](https://willem.com/global/images/bc96638df389.webp)

![Evita a autoestrada e escolhe as estradas secundárias (em Espanha, perto de Alicante) ](https://willem.com/global/images/c9dfbac70ee7.webp)

![Abre o tejadilho e aproveita o tempo: é como brincar lá fora para adultos (admite: há uma criança em todos nós!)](https://willem.com/global/images/96aa6df75e5d.webp)

## Os Smart Roadster são muito práticos

Ao contrário do que muita gente pensa, o Smart Roadster é, de facto, um carro muito prático. Ao longo dos anos transportei muita coisa: computadores, televisões, quadros, canoas... e até fui buscar uma mulher!

![A bagageira espaçosa é grande o suficiente para um ou dois portáteis](https://willem.com/global/images/71a549d87bf7.webp)

![Com três correias e um pouco de cartão, transportas facilmente quadros de todos os tamanhos](https://willem.com/global/images/33f39066bed9.webp)

![Deixa a namorada em casa quando precisas de transportar coisas maiores e mais importantes, como este servidor HP DL380 Gen8](https://willem.com/global/images/cbc07fb8d7d2.webp)

![Quem precisa de um reboque para barcos?](https://willem.com/global/images/65705d28053e.webp)

![Se usares as flores certas, podes até encontrar uma noiva simpática!](https://willem.com/global/images/90add49d7777.webp)

![O tejadilho aberto funciona também como porta de carga ergonómica](https://willem.com/global/images/b91aba99d229.webp)

![Parque de estacionamento cheio? Pensa outra vez!](https://willem.com/global/images/f53b98176786.webp)

![O Smart Roadster cabe numa caixa de sapatos: guarda-o debaixo da cama ou ao lado do corta-relva](https://willem.com/global/images/7aa1efc6f986.webp)

## Dizer adeus

Os tempos mudam e eu também. A minha descoberta do ciclismo dá-me uma sensação de liberdade que vai além da de um carro. Ao contrário das estradas abertas e sinuosas do campo no sul da Europa, as ruas movimentadas dos Países Baixos são hoje muito menos divertidas de conduzir. Trânsito, lombas, limites de velocidade e condutores distraídos exigem a tua atenção constante e tiram a diversão.

![A chegada do carro de família...](https://willem.com/global/images/11a4c1c14c9c.webp)

O carro de família da minha mulher, um Dacia Duster, é surpreendentemente prático.   Custa-me admiti-lo, mas talvez seja até mais prático do que o meu querido Smart Roadster. Tem mais portas, mais lugares e mais espaço para coisas de que eu não sabia que se precisava (com crianças). Até consegue levar a minha bicicleta!

## Deixar de ter carro

Isto levou-me ao ponto de me perguntar: será que preciso mesmo de ter um carro? Na nossa cultura ocidental, o carro serve vários propósitos, pois é ao mesmo tempo um meio de transporte e um símbolo de estatuto.

Para ir de A para B posso usar a bicicleta, o autocarro, o metro, o comboio ou um carro partilhado (da minha mulher, de aluguer ou de amigos). Sobretudo numa zona urbana densa como a região de Amesterdão, não precisas mesmo de ter carro para chegar a algum lado.

## Símbolo de estatuto

Isto deixa o carro_como_símbolo_de_estatuto (https://www.google.com/search?q=car+as+status+symbol). Tendo tido carros diferentes ao longo dos anos, vi em primeira mão a diferença que faz teres um carro barato ou um caro.

Pensa nestes carros que tive; imagina uma pessoa a conduzi-los. O que pensarias dela?

![Opel Kadett Cabrio 1.6i Bertone](https://willem.com/global/images/80aa1a727aed.webp)

![Smart Roadster, todo preto](https://willem.com/global/images/3dd0dce7b886.webp)

![Mercedes-Benz SLK55 AMG V8 5.5L](https://willem.com/global/images/d3cad6b5303e.webp)

É provável que dês respostas diferentes para estes carros diferentes. É esse o ponto: o carro comunica. Mesmo que não ligues ao desempenho do teu carro como símbolo de estatuto, os outros ligam. Por isso vale a pena pensar nisso quando compras um.

Talvez seja eu a ficar mais velho, mas já não me importo tanto com carros e estatuto. Acho muito mais valioso estar saudável (http://willem.com/en/wearable-sensors-measuring-the-body-questioning-the-data/) e poder passar tempo em liberdade com os amigos e a família (https://willem.com/en/fatherhood-the-personal-thread-behind-the-technology/).

## Conclusão

Se procuras um prazer de condução genuíno, o Smart Roadster é um carro absolutamente divertido! Dá uma volta ao ar livre, aproveita o sol, sente o cheiro das árvores, ouve o motorzinho a trabalhar.

Embora seja surpreendentemente prático, só deves comprar um se gostares mesmo de conduzir. Hoje há mais formas de ir de A para B. Desafia-te a ir além da ideia comum de que tens de ter carro!

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## Medir os níveis de colesterol no sangue

*Conhece os teus valores de LDL, HDL e triglicéridos* · 2020-01-28 · https://willem.com/pt/2020-01-28_medir-os-niveis-de-colesterol-no-sangue/

Esta semana fui ao médico fazer análises ao sangue para determinar os meus níveis de colesterol. Nos últimos anos tenho dado cada vez mais atenção à minha saúde. Depois de melhorar bastante o meu estilo de vida, quis saber quais eram os meus valores.

## O que é o colesterol?

O colesterol é uma substância cerosa, semelhante a gordura, presente no teu sangue. O teu corpo produz colesterol no fígado. Se comes alimentos de origem animal, como carne ou laticínios, recebes mais colesterol do que o teu corpo precisa.

![Estrutura química do colesterol](https://willem.com/global/images/d8a2df2af954.webp)

Se tens colesterol a mais no corpo, ele pode acumular-se nas paredes das artérias. A isto chama-se ‘placa’ e, com o tempo, pode endurecer, num processo chamado aterosclerose. Isto estreita as artérias e dificulta a passagem do sangue pelos vasos.

O problema do colesterol a mais é que não notas nada até teres problemas (graves), como dores fortes no peito e ataques cardíacos. Claro que é melhor não esperar por isso e tomar nota já!

## Análise ao colesterol

O melhor é fazeres a análise ao colesterol através do teu médico. Vai fazer-te uma análise ao sangue normalizada (chamada “perfil lipídico”) que mede:

- **Lipoproteínas de baixa densidade (LDL)**: Consideradas o ‘colesterol mau’, porque causam a acumulação de placa. 

- **Lipoproteínas de alta densidade (HDL)**: Consideradas o ‘colesterol bom’, porque transportam o colesterol mau do sangue para o fígado, onde é filtrado.

- **Triglicéridos**: São o produto final da digestão e da decomposição das gorduras dos alimentos. Servem para dar energia ao teu corpo. São armazenados em vários sítios, para o caso de serem precisos mais tarde.

Antes de tirarem sangue, tens de estar em jejum durante 9 a 12 horas. Isto reduz a influência direta da comida no conteúdo da tua corrente sanguínea e dá uma medição mais limpa e mais fácil de comparar.

![Penso rápido depois de tirarem sangue para a análise ao colesterol](https://willem.com/global/images/b2354c1b45f3.webp)

## Resultados

Depois da análise, a amostra é enviada para o laboratório. O resultado é um perfil lipídico com os teus níveis de HDL, LDL, triglicéridos e colesterol total.

Além disso, o consultório do meu médico incluiu também o açúcar no sangue na análise. É outro indicador de risco cardiovascular, associado à diabetes.

### Valores de referência

Segundo a Fundação Neerlandesa do Coração (Hartstichting), os seguintes valores são considerados bons (https://www.hartstichting.nl/risicofactoren/gids-cholesterol/cholesterolwaarden?tab=1):

- **colesterol total**: de preferência abaixo de 5,0 mmol/l

- **colesterol LDL**: de preferência abaixo de 3,0 mmol/l

- **colesterol HDL**: deve ser superior a 1,0 mmol/l nos homens e 1,2 mmol/l nas mulheres

- **Triglicéridos**: de preferência abaixo de 1,7 mmol/l

Segundo o Fundo Neerlandês da Diabetes (Diabetesfonds), os seguintes níveis_de_glicose (https://www.diabetesfonds.nl/over-diabetes/heb-ik-diabetes/wat-zijn-normale-bloedsuikerwaarden), medidos em jejum, são considerados pontos de referência:

- Abaixo de 6,1 mmol/l: sem diabetes

- Entre 6,1 e 6,9 mmol/l: pré-diabetes

- Mais de 6,9 mmol/l: diabetes

### Os meus resultados

Cerca de duas semanas depois de tirarem o sangue, os meus resultados estavam disponíveis. Liguei ao consultório do médico e recebi os seguintes valores:

![Resultados da minha análise ao colesterol](https://willem.com/global/images/684c1dcd97b1.webp)

Como vês, o meu colesterol total e o meu colesterol LDL (o mau) são considerados demasiado altos. Os outros valores são (muito) bons. Sem sentir nada, o meu colesterol está alto demais.

## Conclusão

Faz análises ao sangue, conhece os teus valores. É a única forma de saber onde estás. Sejam quais forem os resultados, raramente devem ser motivo de pânico, sobretudo se fores mais novo. Embora o meu colesterol ainda esteja ligeiramente alto, sei que deve ter estado muito pior, tendo em conta os meus velhos hábitos.

![Antes e depois de mudar o meu estilo de vida: dois Willem diferentes](https://willem.com/global/images/2870d5b91cf1.webp)

Nos últimos anos mudei bastante o meu estilo de vida, cuidando muito mais do meu corpo. Sinto-me melhor do que antes. Perdi mais de 25KG e a minha condição física continua a melhorar. Trata bem do teu corpo, não esperes até ser tarde demais!

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## Melhora o teu sono bloqueando a luz

*Sobre as vantagens de usar uma máscara de dormir na cama* · 2020-01-24 · https://willem.com/pt/2020-01-24_melhora-o-teu-sono-bloqueando-a-luz/

Nas últimas semanas tenho andado a experimentar usar uma máscara de dormir na cama, bloqueando toda a luz. O nosso corpo produz a hormona do sono, a melatonina, no escuro. Viver num ambiente inundado de luz artificial é, por isso, exatamente o tipo de coisa que perturba o ritmo circadiano. Poderá uma simples máscara ajudar?

## Porque é que dormir bem é importante

Uma boa noite de sono é incrivelmente importante para a tua saúde, tão importante como comer de forma saudável e fazer exercício:

- Dormir mal afeta as hormonas que regulam o apetite. Quem dorme o suficiente tende a comer menos calorias do que quem não dorme. 

- Dormir bem maximiza a capacidade de resolver problemas e melhora a memória. 

- A recuperação do exercício acontece sobretudo durante o sono, por isso dormir bem melhora o desempenho atlético. 

- Dormir bem e com regularidade permite que o sistema imunitário funcione da melhor forma, reduzindo a probabilidade de adoeceres.

## A hormona do sono, a melatonina, e a escuridão

A melatonina, uma hormona produzida na glândula pineal do cérebro, é responsável por regular o relógio do teu corpo, ou ‘ritmo circadiano’. A libertação desta hormona é controlada em grande parte pela exposição à luz natural, ou pela falta dela (escuridão). A produção é desencadeada ao fim do dia e a melatonina continua a ser libertada durante as horas de escuridão que se seguem. Quando o dia nasce, os níveis de melatonina descem até à noite seguinte. A escuridão é, por isso, muito importante para o teu corpo dormir.

## A luz artificial perturba o teu ritmo

Vivemos em ambientes inundados de luz artificial e essa luz perturba o nosso ritmo. A distinção natural entre dia e noite já não se justifica. Pensa nas fontes de luz que podem interromper o teu ritmo circadiano: Um candeeiro de rua? O iPhone do teu parceiro ou da tua parceira? Uma luz no corredor?

Num estudo de 2010, investigadores na China descobriram que, num ambiente ruidoso e claro, os participantes_que_usaram_máscaras_de_olhos_e_tampões_nos_ouvidos_dormiram_melhor (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2887188/) do que os que não usaram.

## A Mindfold: escuridão total com os olhos abertos

Uma forma de garantir escuridão total na cama é usar uma máscara de dormir. Enquanto lia sobre as rotinas diárias de empresários de sucesso e atletas profissionais, deparei-me com um multimilionário que aconselhava a investir numa máscara de dormir de 20 dólares, a Mindfold (http://www.mindfold.com).

![A máscara de dormir Mindfold: escuridão total com os olhos abertos](https://willem.com/global/images/da1a9b27b20c.webp)

Sem me deixar desanimar pelo ar anos 80 da marca e do site da máscara, decidi arriscar e encomendei algumas. Algumas semanas (!) depois, recebi a encomenda do Colorado.

![Talvez seja o tipo de letra, talvez seja o cabelo dela, mas a embalagem da Mindfold dá-me um ar dos anos 80 :-)](https://willem.com/global/images/dc34cd04b108.webp)

Não te deixes enganar pela marca: a Mindfold é mesmo eficaz a impedir a passagem de toda a luz. Experimentas, literalmente, escuridão completa com os olhos abertos (em ambientes bem iluminados). É espantoso não conseguir ver diferença entre ter as pálpebras abertas ou fechadas.

![A máscara tem espaços abertos sobre os olhos, que deixam os olhos abrir-se livremente (mantendo a escuridão): é uma grande diferença em relação a muitas outras máscaras, que assentam mesmo nas pálpebras ](https://willem.com/global/images/ff2ac3ebd562.webp)

![A espuma macia adapta-se à tua cara para o máximo de conforto e escuridão](https://willem.com/global/images/cf1cdf4de4d5.webp)

A máscara tem uma almofada de espuma macia que garante um ajuste perfeito, em conjunto com as tiras de velcro, simples mas eficazes. A máscara é flexível e adapta-se à tua cara. Depois de a usar durante algumas semanas, já nem a sinto!

![A máscara é flexível e permite um ajuste confortável](https://willem.com/global/images/c410a9215f76.webp)

## Usar a máscara

Reconheço que levei algum tempo a habituar-me a usar uma máscara à noite. No início é esquisito, estranho e desconfortável.  Mas quase de imediato senti o efeito da escuridão total: é muito mais fácil adormecer.

![Com a máscara posta, vês que ela toma a forma da minha cabeça](https://willem.com/global/images/ddaa508b14ab.webp)

## Vantagens da máscara de dormir

Tens mesmo de dar uma oportunidade à máscara para ela chegar ao seu potencial máximo. Depois de algum tempo a habituar-me, comecei a apreciar mesmo os seus efeitos. Adormeço mais depressa, durmo mais tempo e sinto-me mais descansado.

Às vezes sinto-me um pouco desorientado quando o despertador me acorda com a máscara posta. Como a sensação de quando estás a dormir mesmo profundamente. Acho que é prova da eficácia da escuridão.

Outro efeito engraçado é que, quando usas a máscara com regularidade, ela provoca uma espécie de resposta pavloviana. O simples ato de pôr a máscara causa um estado de sonolência quase imediato.

![Resposta pavloviana: o meu corpo sabe que é hora de dormir quando ponho a máscara - zzzzz](https://willem.com/global/images/6997b8ca0a3e.webp)

## Medir a eficácia do sono

Perguntei-me se a eficácia da máscara se podia medir, por isso recolhi dados com diferentes sensores e dispositivos de monitorização. Olhei para a frequência cardíaca, o número de perturbações e a variabilidade da frequência cardíaca (HRV).

![O gráfico da frequência cardíaca mostra uma linha quase plana, muito perto do meu mínimo (recolhido com o Biostrap)](https://willem.com/global/images/c581a81470d9.webp)

Com o Biostrap (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/), medi a minha frequência cardíaca enquanto dormia com a máscara. Como vês no gráfico, a minha frequência é muito constante e perto do meu mínimo conhecido (±50BPM). Vê-se que tive uma noite “sensaborona”, no sentido de que estive “ocupado” a dormir e pouco mais. (Ótimo!)

![A variabilidade média da frequência cardíaca (HRV) durante a mesma noite mostra um aumento constante (e recuperação)](https://willem.com/global/images/8607e6e434b5.webp)

Durante a mesma noite a minha HRV subiu, o que indica uma recuperação decente. Quando tens uma HRV alta, significa que o teu corpo responde tanto ao sistema nervoso parassimpático como ao simpático. Quanto maior a variabilidade entre estes dois ramos, melhor o teu corpo consegue adaptar-se ao ambiente e dar o seu melhor.

Tem em conta que a HRV é pessoal e que deves olhar apenas para os teus dados pessoais, identificando tendências nos teus próprios dados. Se souberes os teus valores mínimo e máximo, podes dizer algo sobre o quão bem recuperaste. Como vês nos dados personalizados do Biostrap, houve uma taxa de recuperação constante durante esta noite: dormi bem!

## O poder das sestas

Embora os especialistas em sono concordem que o sono consolidado é o ideal, há alturas em que pode não ser possível dormir tudo o que precisas. É aí que uma sesta (energética) pode ajudar.

Considera-se que a melhor altura para uma sesta é a meio do dia, porque limita a interferência com o ritmo circadiano. Embora uma sesta curta possa ter efeitos positivos (na memória muscular), os benefícios reais só se medem quando dormes pelo menos 90 minutos. Isto porque, normalmente (https://www.whoop.com/the-locker/podcast-57-naps-improve-recovery/), só entras em sono REM se a sesta durar pelo menos 90 minutos. O sono REM é o momento em que o que aprendeste de novo fica gravado na memória. De muitas formas, é como um reinício para o teu cérebro, que fica pronto para novos desafios cognitivos depois.

A máscara torna fácil fazer uma sesta durante o dia: a escuridão total permite-te adormecer depressa, mesmo com dia lá fora. Já nem fecho as cortinas quando faço a sesta de dia, não é preciso com a máscara.

![Efeitos de uma sesta durante o dia: por volta das 14h nota-se um declínio constante da frequência cardíaca](https://willem.com/global/images/5ac339f455b7.webp)

Os dados de frequência cardíaca da minha WHOOP_strap (http://willem.comhttps://willem.com/en/2019-12-31_whoop-strap-review-24-7-wearable-sensor/) mostram claramente o efeito restaurador de uma sesta durante o dia. Estes dados são do mesmo dia dos gráficos mostrados antes. A sesta permitiu que a minha frequência cardíaca voltasse a valores normais depois de uma sessão de ciclismo mais cedo nesse dia. Como gosto de acordar cedo de manhã (por volta das 4h15), faço sestas com regularidade para me manter com energia e concentrado.

## Conclusão

Uma máscara de dormir não era algo de que eu achasse precisar, até começar a usar uma. Os seus efeitos são tangíveis e mensuráveis. Tendo em conta que o dia só tem 24 horas, talvez queiras otimizar o teu tempo na cama.

Investir numa boa noite de sono trará benefícios durante o dia inteiro. Usar uma máscara de dormir é algo simples e barato que podes fazer para dormir melhor. Para mim foi uma sugestão incrível, também deves experimentar!

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## Análise à pulseira Whoop: sensor wearable 24/7

*Muito mais do que monitorização de fitness e smartwatches* · 2019-12-31 · https://willem.com/pt/2019-12-31_analise-a-pulseira-whoop-sensor-wearable-24-7/

Nos últimos meses tenho usado a WHOOP Strap 3.0, um sensor wearable que recolhe dados de saúde e de fitness. É diferente da maioria das outras pulseiras de atividade, porque foi concebida a pensar em atletas profissionais. Concentra-se no esforço diário, na recuperação e no sono. Lê até ao fim para perceberes como funciona.

## Design puro e minimalista

A WHOOP strap foi concebida para ser um sensor, não um smartwatch nem um aparelho de notificações. Por isso, o dispositivo é discreto e não faz sons nem vibrações. Não tem botões e não tem ecrã.

![WHOOP Strap 3.0 no pulso, sem botões, sem ecrã  ](https://willem.com/global/images/e47f3970ca50.webp)

O dispositivo tem um conjunto de sensores avançados, que medem a frequência cardíaca, a variabilidade da frequência cardíaca, a frequência cardíaca em repouso, a frequência respiratória, o movimento, a temperatura e a condutividade da pele.

![Sensores da WHOOP Strap 3.0](https://willem.com/global/images/ad894c314f02.webp)

Num dia normal recolhe mais de 100MB de dados. A maior parte dos dados é processada no próprio dispositivo, o que permite uma sincronização eficiente com o serviço na nuvem da WHOOP, onde todos os dados são recolhidos, analisados e apresentados.

![A WHOOP tem mais ou menos o tamanho de um relógio normal (Tudor Black Bay 36MM)](https://willem.com/global/images/a21adad727ee.webp)

## A pulseira

A pulseira “ProKnit” é feita de um material elástico mas resistente, com um padrão antiderrapante por baixo. Deixa a pele respirar, o que é impossível com as típicas pulseiras desportivas de borracha. Há pulseiras de diferentes estilos e comprimentos.

![A pulseira ProKnit é de tecido, é confortável, elástica mas resistente e seca depressa](https://willem.com/global/images/d3d5c9e75eef.webp)

![Diferentes estilos e comprimentos de pulseira](https://willem.com/global/images/fd530d320a3c.webp)

É possível usar a WHOOP strap no pulso ou mais acima no braço, no bíceps. Assim o sensor pode ficar escondido debaixo da roupa.

![Usar o sensor mais acima no braço permite escondê-lo debaixo da roupa](https://willem.com/global/images/c85c98950ecd.webp)

Se usas um relógio mecânico, podes combinar a pulseira com o relógio, se quiseres. Assim, de certa forma, tornas o teu relógio ‘burro’ mais inteligente. Pode ser uma solução para a popular questão “smartwatch_ou_relógio_normal” (https://willem.com/en/2017-04-30_smartwatches-vs-mechanical-watches/).

![Relógio mecânico Seiko 5 com o sensor da WHOOP strap 3.0 acoplado](https://willem.com/global/images/df2be157c1de.webp)

![Podes prender a WHOOP strap ao relógio de forma semelhante às pulseiras NATO, passando-a pelas hastes](https://willem.com/global/images/1e8881c74988.webp)

## Usá-la 24/7 (e carregar)

A WHOOP Strap foi concebida para medir os teus dados biométricos 24 horas por dia, para nunca a tirares. A ideia desta recolha contínua de dados é que há progressos importantes a medir quando *não* estás a treinar. O dispositivo faz um trabalho fantástico a acompanhar-te durante a recuperação, o sono *e* as atividades. A recolha contínua de dados dá uma imagem muito mais rica da tua condição física.

Isto é útil quando queres (como um atleta profissional) libertar todo o potencial do teu corpo. Ao combinar a atividade (expressa como ‘esforço diário’) com a recuperação, manténs o corpo em equilíbrio. Este equilíbrio é importante para evitar o excesso de treino e melhorar a tua forma física de forma estrutural.

![O “truque” é equilibrar recuperação e esforço: se o fizeres bem, ganhas forma física](https://willem.com/global/images/604386727626.webp)

O dispositivo é altamente pessoal e os seus algoritmos ajustam-se aos valores do teu corpo. Isto permite-lhe acompanhar o progresso relativo. Com esta abordagem, a WHOOP Strap consegue detetar quando vais ficar doente, mesmo antes de o sentires tu próprio!

![A recuperação desceu quando adoeci; os dados da WHOOP detetaram a descida antes de eu me sentir doente!](https://willem.com/global/images/9fdc59bd9bd5.webp)

O principal desafio de um dispositivo 24/7 é a bateria. No passado usei vários outros sensores, como o Biostrap (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/) e o Apple_Watch (https://willem.com/en/2018-11-02_is-the-apple-watch-the-modern-tool-watch/). Embora estes outros dispositivos tenham os seus pontos fortes, ficam limitados pela necessidade de os tirar para carregar. Mesmo que sejam só algumas horas, exige uma ‘gestão manual’ chata: tirar e voltar a pôr a pulseira/o relógio.

![A WHOOP Strap carrega com uma bateria de encaixe, o que permite usá-la continuamente](https://willem.com/global/images/40413612662b.webp)

Em contraste, a WHOOP strap pode ser carregada enquanto a usas, com uma bateria externa relativamente pequena que encaixa na unidade do sensor WHOOP. O carregamento é rápido, ± 30-60 minutos para carregar por completo. Enquanto carrega, continua a funcionar.

![Bateria acoplada à WHOOP strap](https://willem.com/global/images/1438d56ef946.webp)

Depois de totalmente carregada, a WHOOP strap tem uma autonomia real de cerca de 4 dias (eles dizem 5 dias, na prática ronda os 4,5).

## Medir atividades, treinos e desporto

A WHOOP Strap mede os teus dados biométricos continuamente, o que significa que, se decidires treinar, não tens de iniciar nenhuma app nem o registo de atividade. Limitas-te a “fazer o teu treino” e o dispositivo mede a intensidade. Deteta automaticamente os tipos de treino mais comuns com aprendizagem automática e analisando o tipo de movimento que o giroscópio deteta. Podes (muito) facilmente ajustar este reconhecimento a posteriori, acrescentando tipos de treino que o dispositivo possa não ter detetado de início.

É importante perceber que não é preciso definir um treino para a WHOOP strap funcionar: ela mede *tudo*. Isso significa que tudo o que fazes conta para o teu esforço diário. Vais ficar surpreendido com a energia que gastas em coisas como tarefas domésticas e trabalho.

![Dados da WHOOP num dia em que saí para um passeio de bicicleta](https://willem.com/global/images/f4f3547b88ae.webp)

A recolha contínua de dados permite-te ver claramente os treinos que fazes em relação ao resto do dia. Se olhares para o gráfico acima, vês que a minha frequência cardíaca demora muitas mais horas a voltar ao normal depois de treinar. Uma pulseira de atividade simples/básica não veria estes dados “pós-treino”.

### Transmissão da frequência cardíaca

Outra funcionalidade fixe e útil é a transmissão da frequência cardíaca. A WHOOP Strap 3.0 permite-te transmitir a tua frequência cardíaca para dispositivos compatíveis com o “Bluetooth Low Energy Heart Rate Profile”. Isto permite que a WHOOP funcione com ciclocomputadores, máquinas de fitness e apps externas. Uso esta funcionalidade para me ligar à minha app_de_ciclocomputador_preferida (https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/), o que torna desnecessário usar uma banda peitoral de HR em separado quando ando de bicicleta (como a Wahoo TICKR).

![A WHOOP Strap 3.0 pode transmitir a tua frequência cardíaca para qualquer dispositivo Bluetooth](https://willem.com/global/images/5bd4a89b0e5c.webp)

## Equilibrar esforço e recuperação (através do sono)

No fim, a WHOOP strap destila todos os dados recolhidos em três pilares simples:

- **Recuperação:** é o quão pronto está o teu corpo para o esforço, determinada pela análise dos valores de HRV durante o sono. A pontuação de recuperação é altamente personalizada, com base nas métricas habituais do teu corpo. 

- **Esforço:** é um valor numérico (0-21) que indica o quão ‘duro’ foi o teu dia. O valor é determinado pela popular Escala de Borg de esforço percebido, uma escala científica desenvolvida por Gunnar A.V. Borg em 1970 para medir objetivamente o esforço. Os valores de esforço são pessoais, porque são determinados pela frequência cardíaca média durante um treino: uma pessoa bem treinada terá uma frequência cardíaca mais baixa no mesmo treino. 

- **Sono:** como o descanso é importante para a recuperação, o sono é analisado meticulosamente, acompanhando o movimento, a frequência cardíaca, a frequência respiratória e a variabilidade da frequência cardíaca. A WHOOP analisa o teu padrão de sono (tempo na cama vs tempo a dormir) e sugere a hora ideal para ires para a cama. 

![Para lá das métricas individuais: a WHOOP dá uma visão completa, incluindo recuperação, esforço e sono](https://willem.com/global/images/df10f73b4fad.webp)

## Comunidade e equipas Whoop

Além da WHOOP Strap e dos seus dados, existe uma comunidade WHOOP muito ativa no Facebook. Outros utilizadores partilham as suas experiências com a pulseira e os dados. É útil, porque te permite aprender com os outros, por exemplo como melhoram o sono e como promovem a recuperação.

![Ligação a outros utilizadores da WHOOP através do Facebook e das Equipas](https://willem.com/global/images/275ef2e4582d.webp)

Além do Facebook, há a “funcionalidade Equipas” dentro da app WHOOP. Permite-te comparar as tuas estatísticas com as de outras pessoas. Isso pode motivar-te a dar aquele passo extra no treino.

## Conclusão

A WHOOP strap foi concebida para fazer análises contínuas avançadas dos teus dados biométricos, para te dar perceções fáceis de compreender e úteis na prática.

A WHOOP strap é fácil de usar no dia a dia e fica confortável em várias posições do corpo. De muitas formas, é exatamente como eu desenharia um sensor biométrico minimalista (mas muito funcional). Recomendo-a vivamente a quem se interessa por libertar o potencial do corpo humano!

### Recebe uma WHOOP strap grátis + um mês grátis!

Estás a pensar comprar uma WHOOP? Recebe uma WHOOP strap grátis e o primeiro mês grátis ao aderires com esta ligação: https://join.whoop.com/willem

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## Reconhecimento de poses humanas em tempo real com visão computacional

*TensorFlow e PoseNet numa transmissão de vídeo* · 2019-12-01 · https://willem.com/pt/2019-12-01_reconhecimento-de-poses-humanas-em-tempo-real-com-visao-computacional/

Para um projeto novo e emocionante, tenho andado a experimentar visão computacional com o TensorFlow. Queria conseguir detetar poses humanas em tempo real, para comandar projeções de vídeo interativas e jogos. Chegou a altura de mergulhar no mundo da aprendizagem automática, dos tensores e da visão computacional!

## Visão computacional

O que me entusiasma a sério é o campo científico interdisciplinar da visão computacional, que estuda como é que os computadores podem chegar a uma compreensão de alto nível a partir de imagens digitais e transmissões de vídeo. Inclui desafios como adquirir, processar e analisar imagens digitais. No fim, o que queres é que o computador tome decisões com base na compreensão que tem do (complexo) mundo à sua volta.

## TensorFlow

O TensorFlow é uma plataforma de código aberto, de ponta a ponta, para aprendizagem automática, desenvolvida originalmente pela Google. Assenta no trabalho científico de vários investigadores e tornou-se entretanto um ecossistema estável e robusto de ferramentas, bibliotecas e recursos da comunidade.

O nome «TensorFlow» vem da ideia de um «fluxo de tensores». Um tensor descreve-se melhor como uma «coisa», algo que o computador reconheceu ou tenta analisar. Tecnicamente, um tensor é uma matriz multidimensional de valores numéricos. Isto permite ao computador comparar «coisas» diferentes e ver até que ponto as suas características se parecem (ou não).

O grande desafio do processamento de imagem em tempo real é reduzir a complexidade da imagem a pedaços processáveis, que se possam exprimir como tensores. Normalmente isto implica muitos passos no algoritmo de visão computacional. Passos como reconhecer uma forma, recortar essa forma, redimensioná-la, tirar-lhe a cor, comparar os contornos, etc. Os tensores fluem por estes passos, de «não analisado» a «reconhecido», daí o nome TensorFlow.

## Poder de processamento

O melhor da aprendizagem automática moderna com o TensorFlow é que, em geral, não precisas de hardware (muito) caro para obter resultados. Isto acontece porque o «trabalho pesado» é feito ao treinar os modelos de aprendizagem automática, que podes imaginar mais ou menos como «tabelas de referência». Estes modelos são criados a partir da análise de conjuntos de dados conhecidos, em que o computador recebe a «resposta» e determina as características do objeto. Treinar modelos exige tempo, poder de processamento e dados de treino.

## Dados de treino

A Google fez algo verdadeiramente inteligente: distribuiu o treino dos seus modelos de aprendizagem automática por todos nós. Sim, incluindo-te a ti!

### Recaptcha

É bem possível que já tenhas encontrado o «reCAPTCHA» ou «Recaptcha». Um desafio visual que tens de completar quando compras algo online ou tentas registar-te nalgum sítio. Este desafio protege os donos de lojas online e de sites contra (spam)bots. O objetivo é distinguir humanos de robôs. Fá-lo ao mostrar aos humanos imagens (complexas) e ao pedir-lhes que identifiquem objetos nelas. Como sinais de trânsito, passadeiras, carros, etc. A_Google_usa_este_feedback_humano (https://www.techradar.com/news/captcha-if-you-can-how-youve-been-training-ai-for-years-without-realising-it) para treinar os seus modelos.

![ReCaptcha: há anos que andas a treinar a IA da Google!](https://willem.com/global/images/50568e89a5e8.webp)

O melhor é que muitas das descobertas da Google são tornadas públicas, e há imensos projetos de código aberto interessantes que nos permitem, a nós, programadores simples, fazer coisas incríveis com aprendizagem automática.

## Reconhecimento de poses humanas com o PoseNet

Um dos modelos de aprendizagem automática disponíveis é o PoseNet (https://www.tensorflow.org/lite/models/pose_estimation/overview). É um modelo de visão que serve para estimar a pose de uma pessoa numa imagem ou num vídeo. Fá-lo ao determinar onde estão as articulações principais do corpo, como os cotovelos, as mãos, as ancas, os joelhos, os tornozelos, etc.

![Eu e o mini-eu a ser reconhecidos pelo modelo PoseNet](https://willem.com/global/images/7953a7232386.webp)

### Algoritmo Single Shot MultiBox Detector (SSD)

O Single Shot MultiBox Detector é um algoritmo popular para detetar objetos em imagens e transmissões de vídeo. É popular por causa da sua velocidade. O princípio é relativamente simples de perceber: o algoritmo tenta reduzir a complexidade da imagem o mais depressa possível e só faz análises profundas em mapas de características encolhidos e simplificados.

Esta abordagem funciona melhor quando queres detetar objetos grandes, porque se destacam depressa: geram características de alto nível suficientes para fazer previsões logo no início do algoritmo. Isto é ótimo para a deteção de corpos, que é um dos primeiros passos quando queres determinar poses humanas (primeiro vês *onde* está uma pessoa, depois *qual* é a pose dela).

![Algoritmo MobileNet-SSD (imagem: hey-yahei.cn)](https://willem.com/global/images/567b618c7f65.webp)

O reconhecimento de imagens e de pessoas é uma área em que o pessoal da China (https://hey-yahei.cn/2018/08/08/MobileNets-SSD/index.html) é muito bom, por várias razões. Os algoritmos deles funcionam bem em hardware relativamente fraco. Isto permite que a visão computacional funcione bem em todo o tipo de dispositivos, em tempo real!

## Casos de utilização fixes

Poder detetar poses em tempo real abre a porta a todo o tipo de coisas fixes. Tu podes, literalmente, tornar-te o comando do jogo ou o input de uma instalação de arte interativa!

### Espelho PomPom

Com 928 pompons esféricos de pelo sintético, esta instalação_de_arte_de_Daniel_Rozin (https://vimeo.com/128375543) é fantástica. A escultura é controlada por centenas de motores que formam silhuetas de quem a observa, através de visão computacional.

![Espelho de pompons sintéticos PomPom, de Daniel Rozin](https://willem.com/global/images/34fceca59e7a.webp)

### Transformar-te num pássaro: The Treachery of Sanctuary

Permitir que as pessoas se percam por um momento só foi possível juntando disciplinas diferentes. Esta incrível instalação_de_arte_interativa_dirigida_por_Chris_Milk (https://www.youtube.com/watch?v=I5__9hq-yas&feature=youtu.be) é um tríptico gigante que leva os visitantes por várias fases do voo, com recurso à visão computacional.

![Transformar pessoas em pássaros com visão computacional](https://willem.com/global/images/e4956ea74e75.webp)

## Conclusão

Trabalhar em projetos criativos e experimentais é um privilégio incrível, e é isso que torna o meu trabalho tão entusiasmante.

Com montanhas de dados cada vez maiores, dar sentido a tudo isto de forma digital e autónoma é um grande desafio para o futuro: e é um desafio no qual tenho muita vontade de trabalhar!

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## Farol com dínamo Supernova E3 Pro 2

*A substituir o farol da minha bicicleta* · 2019-11-26 · https://willem.com/pt/2019-11-26_farol-com-dinamo-supernova-e3-pro-2/

No início deste mês, o farol com dínamo da minha bicicleta de deslocações diárias precisou de ser substituído. Um dos conectores elétricos partiu-se, provavelmente por causa do uso diário intenso. Procurei a melhor luz possível, uma que fosse extremamente duradoura e potente. Encontrei a Supernova E3 PRO 2 e decidi montá-la na minha bicicleta.

## Supernova E3 PRO 2

A E3 PRO 2 é, sem dúvida, um modelo de topo da marca Supernova, uma empresa alemã com um foco especial na longevidade, no desempenho e no impacto ambiental. Têm orgulho na sua Engenharia_alemã (https://supernova-lights.com/supernova/). A qualidade não é barata: a Supernova E3 PRO 2 custa tanto como o que algumas pessoas gastam na bicicleta inteira... será que vale a pena?

![Supernova E3 Pro 2](https://willem.com/global/images/ae708621eb4d.webp)

### Qualidade

A luz é muito bem cotada por vários retalhistas e entidades que a testaram a fundo. Recebeu inúmeros prémios, entre eles o selo de qualidade alemão «VSF all-ride». O farol destaca-se pela funcionalidade, pela facilidade de utilização, pela durabilidade e pela qualidade do material. Não vai avariar, mas a empresa dá, mesmo assim, 5 anos de garantia.

### Especificações

A E3 PRO 2 é o modelo de topo dos faróis com dínamo produzidos pela Supernova e tem as seguintes especificações:

- **Luminosidade:** 205lm

- **Tensão de entrada:** dínamo de 6V AC

- **Luz de presença:** 5 minutos

- **Tipo de luz:** Power LED

- **Dimensões CxLxA:** 69 x 40 x 40 MM

- **Material: ** alumínio 6061 

- **Peso: ** 110g (sem suporte)

- **Cor(es): ** disponível em 8 cores diferentes

## Abrir a caixa

A luz vem numa caixa de cartão e metal, com quase nada de plástico. Está bem embalada e a caixa de metal pode ser reutilizada para guardar outras coisas (da bicicleta). Por causa do preço, encomendei também parafusos antirroubo.

![Caixa da Supernova E3 PRO 2, sem plástico: só cartão reciclável](https://willem.com/global/images/eccb5c40992a.webp)

![Supernova E3 Pro: potente e fiável, durante anos](https://willem.com/global/images/0bc147c49be4.webp)

![A luz vem numa caixa de metal que podes reutilizar depois para outra coisa. Os parafusos antirroubo vinham num saco à parte](https://willem.com/global/images/6fa6e275094a.webp)

## Instalar a luz

A Supernova permite encomendar vários tipos de configurações de cabos já montados no farol. Eu encomendei uma com dois cabos simples e compridos. Isto permitiu-me soldar a luz à bicicleta, o que elimina os frágeis microconectores.

![A Supernova E3 PRO traz os cabos já montados](https://willem.com/global/images/9cb33529c8c4.webp)

Dá um bocadinho mais de trabalho, mas a longo prazo significa que a luz terá sempre uma ligação elétrica sólida. Ligas o farol ao dínamo *e* à luz traseira. Assim, o botão mecânico liga e desliga as duas luzes.

![Conector usado pelo meu dínamo de cubo Shimano](https://willem.com/global/images/d385483d4706.webp)

A única exceção à minha soldadura direta é o conector junto ao meu dínamo de cubo Shimano. Haverá situações (infelizmente) em que vou ter de tirar a roda da frente, por exemplo num furo no pneu. Felizmente, este conector é robusto e fácil de (re)ligar ao cabo da luz.

![Soldar os cabos existentes na minha bicicleta exigiu um pouco de criatividade com grampos](https://willem.com/global/images/7a00ea5512ca.webp)

A minha bicicleta tem cabos internos que passam pelo quadro. Isto é ótimo para manter o cabo longe de perigos, mas quando precisas de o substituir tens de andar às voltas com buracos minúsculos. Para minimizar a trabalheira, decidi soldar o cabo novo ao antigo e usá-lo como «cabo de puxar» através do quadro.

![Cabo novo soldado ao antigo, para o puxar através do quadro da bicicleta](https://willem.com/global/images/3748b8611aac.webp)

![Voilà! Puxar o cabo funcionou às mil maravilhas](https://willem.com/global/images/48ae0d1c0bdf.webp)

Depois de puxar o cabo antigo para fora, desfiz a soldadura e preparei a ligação à luz traseira. É boa ideia pôr bainha termorretrátil nas junções dos cabos que ficam expostas aos elementos (e à sujidade). Na minha bicicleta, esta junção fica por baixo do movimento pedaleiro.

![Ligar a luz traseira ao farol, protegendo a junção com bainha termorretrátil](https://willem.com/global/images/907ebab6f91c.webp)

![Depois de aquecida, a bainha termorretrátil forma uma camada protetora contra os elementos](https://willem.com/global/images/4d1ad6ed7f1a.webp)

Como não gosto de ter cabos à vista (mais do que o necessário), decidi prendê-lo com abraçadeiras ao cabo mais robusto das mudanças. Assim fica mais protegido contra puxões acidentais (de outra bicicleta, na cidade, etc).

![Prender o fio elétrico com abraçadeiras ao cabo mais robusto das mudanças](https://willem.com/global/images/8f3106d1501d.webp)

## Conclusão

A luz encaixa bem na minha bicicleta, é muito robusta e bem construída. A luminosidade é incrível! É mesmo boa para o dia a dia nas deslocações para o trabalho.

![Supernova E3 PRO2 montada na minha bicicleta](https://willem.com/global/images/f69dab781b32.webp)

Vou precisar de mais tempo com a luz para avaliar a longevidade que promete, mas já tenho a sensação de que vai revelar-se excelente a longo prazo. Como uma boa luz é essencial para a tua segurança pessoal na bicicleta, acho que investir em qualidade como esta Supernova E3 PRO2 faz todo o sentido!

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## Construir um NAS profissional de 72TB

*Configuração e instalação de um servidor HPE ProLiant DL380* · 2019-11-22 · https://willem.com/pt/2019-11-22_construir-um-nas-profissional-de-72tb/

Nos últimos anos, tenho vindo a mudar os meus dados e o meu trabalho dos computadores locais (sobretudo portáteis) para a nuvem. A computação na nuvem é feita por servidores num centro de dados, computadores potentes que fazem o trabalho duro. À medida que a minha empresa crescia, precisei de mais capacidade. Chegou a altura de dar mais força à minha nuvem!

## Computação na nuvem

Nos últimos anos, «a nuvem» tem sido vendida como um fenómeno mágico que resolve muitos problemas das empresas. Do ponto de vista técnico, porém, não passa de concentrar o poder de computação em centros de dados, em vez de o ter em cima da tua secretária.

As principais vantagens são que podes aceder a recursos de computação (extremamente) potentes, que escalam à medida que a tua carga de trabalho cresce. Pensa na tua secretária: só há espaço para um computador. Já um centro de dados é fisicamente muito maior e permite que muitos servidores diferentes trabalhem em conjunto, oferecendo mais capacidade.

![Servidores num centro de dados: os bastidores pretos são como armários para os servidores cinzentos, e cada bastidor leva vários servidores (foto: HPE). ](https://willem.com/global/images/133e09c069cd.webp)

Além da escalabilidade, o centro de dados é um ambiente muito melhor para os computadores do que o teu escritório. Pensa em coisas simples como o pó, o café entornado, as falhas de energia e as diferenças de temperatura e humidade. E se, como eu, vais_de_bicicleta_para_o_trabalho (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/), é bom que os teus dados estejam em segurança num centro de dados e não num portátil dentro da mochila (exposto a choques, ao clima, etc).

## Servidor HPE DL380

A minha empresa usa servidores da HPE (https://www.hpe.com) porque têm provas dadas em fiabilidade e oferecem muitas soluções de design inteligentes que facilitam a manutenção. Em muitos aspetos, foram pensados para facilitar a vida a um engenheiro de sistemas.

![Por dentro de um servidor HPE ProLiant DL380p Gen8 (LFF)](https://willem.com/global/images/909896d1cd90.webp)

Na imagem acima vês o interior do servidor HPE DL380. Deixa-me explicar-te as entranhas **da esquerda para a direita**:

- **Compartimento das unidades**: a caixa de metal cinzenta é onde vivem os discos rígidos ou SSD. Ficam à frente do servidor quando está montado num bastidor, o que facilita acrescentar/substituir unidades; normalmente sem precisar de ferramentas. 

- **Conjunto de ventoinhas**: as 6 caixas pretas são ventoinhas, que sugam ar fresco da esquerda e o empurram para a direita. Cada ventoinha é monitorizada individualmente. Se uma falhar, as outras assumem a sua carga ao soprar mais depressa. Cada ventoinha é muito fácil de substituir, outra vez sem ferramentas.

- **Processadores e memória**: ao centro, atrás do plástico transparente (o túnel de arrefecimento), estão os dois processadores e 16 bancos de memória. Reconheces os processadores pelo dissipador de metal. Estão rodeados de (muitos) bancos de memória, e a posição física mesmo ao lado dos processadores permite larguras de banda muito elevadas. Ficam mesmo junto ao conjunto de ventoinhas, para tirar o máximo partido do arrefecimento.

- **Fontes de alimentação**: em cima à direita estão as duas fontes de alimentação. Trabalham em conjunto, repartindo a carga elétrica entre si. Se uma falhar, a outra consegue alimentar o servidor todo. Isto dá redundância, pois permite ligar o servidor a várias fontes de energia (diferentes) no centro de dados. 

- **Placa de sistema**: os chips verdes que vês ao centro, à direita, formam a placa de sistema ou placa lógica principal. Contém os vários componentes que constituem o servidor. Reparas em coisas como a pilha (do relógio), o leitor de cartões SD e o chip iLO. Este último é o sistema integrado «lights out» da HPE, um computador dentro de um computador, que permite aos engenheiros verificar as entranhas do servidor à distância. 

- **Controlador RAID**: em baixo à direita está o controlador RAID, sendo que RAID quer dizer «redundant array of independent disks» (conjunto redundante de discos independentes). Liga e organiza as unidades físicas do compartimento. Consegue repartir os dados por discos diferentes, dando alguma redundância em caso de falha de uma unidade.

## Instalar um sistema operativo no servidor

Tal como o teu computador de secretária ou portátil, o servidor também precisa de um sistema operativo. Nos servidores é comum usar um tipo especial de sistema operativo que permite instalar outros sistemas operativos à distância. O sistema operativo principal permite dividir a capacidade em vários servidores virtuais, a que se chama um sistema operativo hipervisor.

A vantagem de usar vários servidores virtuais é que podes transferir mais facilmente cargas de trabalho entre máquinas físicas, sem precisares de reinstalar software. Os servidores virtuais são genéricos e conseguem funcionar em diferentes tipos de hardware. Isto dá escalabilidade e redundância se usares vários servidores físicos em combinação com vários servidores virtuais.

![Servidor HPE ProLiant DL380p ligado, as luzes verdes indicam que as unidades estão a funcionar, o monitor está ligado e mostra o processo de arranque](https://willem.com/global/images/30d395d32ef6.webp)

![Servidor (em cima à esquerda) ligado aos computadores da minha secretária (em baixo à direita) durante a instalação, no meu escritório](https://willem.com/global/images/c51ff21e2823.webp)

Instalar o sistema operativo funciona um pouco diferente de num computador de escritório comum. O servidor não tem leitor de CD / DVD para instalar a partir de um suporte físico. Em vez disso, uso uma rede local para servir os ficheiros de instalação ao servidor. Isto é feito com o meu portátil ThinkPad X1 a correr um servidor web. Configurei o servidor HP para se ligar a este portátil como opção de arranque.

![Computadores da minha secretária que alimentam a instalação, da esquerda para a direita: ThinkPad X1, iPad Pro e MacBook](https://willem.com/global/images/c8a597878d8b.webp)

![MacBook a fazer de monitor e teclado do servidor](https://willem.com/global/images/8a15db91132f.webp)

O MacBook está ligado ao servidor através do iLO da HPE. Isto permite-lhe fazer de ecrã e de teclado. Assim, posso controlar a instalação a partir da minha secretária (em vez de estar ao lado do servidor barulhento).

![iLO: «mar de sensores» que dá uma visão remota abrangente do servidor](https://willem.com/global/images/a08146defef2.webp)

Pelo iLO é possível ver todos os componentes individuais do servidor. Permite aos engenheiros verificar o estado físico do servidor e ver como ele está.

## Levá-lo para o centro de dados

Depois de instalado o sistema operativo principal, o servidor tem de ser colocado no centro de dados. Em Amesterdão há muitos centros de dados diferentes. A minha empresa tem vários servidores em locais diferentes, o que limita o risco de perda de dados em caso de incêndio ou desastre local. Levar o servidor para o centro de dados é tão simples como marcar uma visita com o centro de operações de rede, assinar uns contratos e saltar para o carro.

![A caminho da internet: visita à XS4ALL / KPN em Amesterdão](https://willem.com/global/images/50f6353b57ec.webp)

![Nunca subestimes a largura de banda de um carro com 72TB na bagageira (72TB no meu Smart Roadster)](https://willem.com/global/images/7975165f7c9c.webp)

Para facilitar a instalação no centro de dados, pré-configurei as definições de rede para corresponderem às do centro. Se tudo correr bem, o servidor funciona em modo «plug and play». E funcionou, uhu!

![Servidor ligado e online dentro do centro de dados](https://willem.com/global/images/0ecba21deb2a.webp)

Quando o servidor está a funcionar, podes ligar-te a ele remotamente. Isto permite-te usá-lo como parte real da «nuvem», aproveitando o seu poder de computação à distância.

![MacBook ligado ao servidor no centro de dados através do VMware ESXi: a instalar o carregador de arranque GRUB num servidor virtual Debian GNU/Linux](https://willem.com/global/images/9ceff50b570c.webp)

## Conclusão

O que alimenta a nuvem são os muitos servidores dentro dos centros de dados. Consoante as tuas necessidades, podes alugar capacidade a outros ou instalar tu mesmo as máquinas físicas.

Por várias razões, escolhi gerir as minhas próprias máquinas físicas, para maximizar o desempenho e o controlo. Gerir servidores (físicos e virtuais) tornou-se quase uma arte perdida, embora crítica para a internet de hoje, alimentada pela nuvem.

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## Voar num avião clássico C47-A (DC-3)

*A bordo do dakota real PH-PBA, com 75 anos* · 2019-10-19 · https://willem.com/pt/2019-10-19_voar-num-aviao-classico-c47-a-dc-3/

Como prenda de anos maravilhosa, tive a honra de voar num avião clássico DC-3. Era o PH-PBA, com 75 anos, um C-47A Skytrain ou Dakota, que pertenceu ao príncipe Bernhard dos Países Baixos. É um avião muito especial, operado pelo pessoal entusiasta da Dutch Dakota Association (DDA Classic Airlines). Acompanha-me numa viagem pela história da aviação!

## C-47A Skytrain

O C-47 é uma versão militar do Douglas DC-3 civil. Construído pelas maravilhosas mulheres conhecidas como «Rosie the Riveters», este C-47A Skytrain foi montado na fábrica da Douglas em Long Beach, na Califórnia, em 1943. Muitas mulheres trabalharam nos aviões porque a maioria dos homens estava alistada na guerra.

![As Rosie the Riveters a trabalhar num C-47 na fábrica da Douglas em Oklahoma City (1944, Tinker Air Force Base History Office)](https://willem.com/global/images/a966e4f9eff1.webp)

Durante a Segunda Guerra Mundial, o C-47 foi usado por muitos países para transportar tropas, carga e feridos. Foram produzidos mais de 10.000 aparelhos. Na Europa, o C-47 foi usado no Dia D (https://en.wikipedia.org/wiki/Invasion_of_Normandy) para largar mais de 50.000 paraquedistas.

![Pathfinders do Exército dos EUA e tripulação de voo da USAAF antes do Dia D (junho de 1944, RAF North Witham, domínio público)](https://willem.com/global/images/aeb92149fe89.webp)

![C-47 de paraquedistas, 12th Air Force Troop Carrier Wing, durante a invasão do sul de França (agosto de 1944)](https://willem.com/global/images/ac2e76bfe452.webp)

## PH-PBA

O C-47 operado pela Dutch Dakota Association (DDA Classic Airlines) foi construído em 1943. Fez parte do 316th Troop Carrier Group no Dia D, onde voou em formação com mais 35 C-47 para largar mais de 600 paraquedistas na zona de largada «O», perto de St. Mère Église, na Normandia, em França. Durante esta missão o avião foi atingido por fogo inimigo e sofreu danos, mas conseguiu regressar a Inglaterra. Depois das reparações, o avião participou em muitas outras missões, incluindo a operação Market_Garden (https://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Market_Garden), a tentativa dos Aliados de libertar os Países Baixos.

Em 1946, o príncipe Bernhard comprou o avião ao general Eisenhower por 50.000 dólares americanos. Um bom negócio, pensou ele, porque o aparelho só tinha 300 horas de voo. O avião, com a matrícula militar «42-100971», está registado no registo neerlandês de aviação como PH-PBA, em que PH- é o código do país dos Países Baixos e PBA é a abreviatura de «Prince Bernhard Alpha». Tornou-se o primeiro avião do governo neerlandês.

![O PH-PBA a levar a rainha Juliana e o príncipe Bernhard à Bélgica, maio de 1960 (Ministerie van Infrastructuur en Waterstaat)](https://willem.com/global/images/3f8f6ca0ee9a.webp)

O avião manteve-se em serviço até 1975, quando foi doado ao museu Aviodrome, no aeroporto de Schiphol. Durante muito tempo, o príncipe Bernhard teve o grande desejo de restaurar o avião para voltar a voar. Depois de anos de restauro, o avião ficou pronto para voar de novo em 1998, quando a Dutch Dakota Association recebeu o direito de operar e manter o PH-PBA.

![O PH-PBA «Prinses Amalia» a ser preparado para a descolagem por voluntários da DDA no aeroporto de Lelystad (outubro de 2019)](https://willem.com/global/images/bf74d1766ce6.webp)

## Voar num avião clássico

Uma coisa é ler sobre um pedaço da história da aviação e passear à volta dele, outra é voar nele, e é sensacional! Tive sorte, porque o meu amigo piloto Tim arranjou-me um bilhete para voar sobre os lagos da Frísia (Friese Meren) neste pedaço especial da história da aviação.

![Cartão de embarque da DDA Classic Airlines](https://willem.com/global/images/d30c0dc0619d.webp)

![Edifício do terminal do aeroporto de Lelystad, perto do hangar onde está estacionado o PH-PBA](https://willem.com/global/images/f0b79035de53.webp)

![Voluntários a preparar os motores de avião Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp para o arranque](https://willem.com/global/images/5a128d169cbf.webp)

O PH-PBA está equipado com dois motores de avião Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp. São motores de duas filas, 14 cilindros, arrefecidos a ar, que produzem cerca de 1200 cv. Cada motor pesa cerca de 567KG e tem uma cilindrada de 30 litros. Exigem manutenção regular, que é feita pelos voluntários da DDA. São motores de êmbolos e isso hoje em dia é algo especial: distinguem-se logo pelo som!

![Motor radial de avião Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp em exposição no Imperial War Museum Duxford (foto: Nimbus227)](https://willem.com/global/images/bd999f70526f.webp)

Embora o C47-A consiga arrancar os próprios motores, o PH-PBA costuma ser arrancado com um gerador. Como a história está cheia de ironias, é um gerador elétrico de construção alemã, com motor a gasóleo da Deutz. É mesmo fixe ver esta tecnologia antiga a funcionar na perfeição; é um contraste bem-vindo com tanta da atual obsolescência_programada (https://willem.com/en/2018-01-08_lessons-from-a-takeaway-plastic-bag/).

![Gerador elétrico, acionado por um motor a gasóleo alemão da Deutz, usado para arrancar os motores R-1830](https://willem.com/global/images/8118f1056219.webp)

![Painel de controlo do gerador elétrico dentro do carro da plataforma](https://willem.com/global/images/db4fa33a15dc.webp)

![Rebitado pelas Rosies, o C-47-A PH-PBA «Prinses Amalia» continua uma beleza no seu 75.º aniversário](https://willem.com/global/images/65eee3571d8b.webp)

Ao contrário dos aviões comerciais de passageiros modernos, o DC-3 fica em pé na plataforma com a cauda perto do chão e o cockpit no ar. É uma bela vista quando estás junto ao avião. Entra-se por trás, onde se «trepa» mais ou menos para dentro da cabina.

![A roda da cauda do C-47-A PH-PBA fica bem perto do chão quando está estacionado na plataforma](https://willem.com/global/images/fd3f3816c165.webp)

![Dentro da cabina tens uma vista desimpedida para o cockpit, porque não há porta a separar os pilotos dos passageiros](https://willem.com/global/images/c30918bc8bac.webp)

Dentro da cabina percebes o quanto o design (e o conforto) dos aviões modernos evoluíram. É mesmo sensacional sentares-te dentro deste museu voador. A cabina dá uma vista desimpedida para o cockpit, onde vês os pilotos.

![O motor de êmbolos R-1830 Twin Wasp a trabalhar: parece vivo!](https://willem.com/global/images/12565a5d817b.webp)

Quando os motores arrancam, sentes o avião ganhar vida.  Fumos, vibrações, sons, é tudo magnífico! A aura de 75 anos de história torna-se de repente muito palpável, é mesmo algo especial!

![Comandante da KLM a pilotar o C47-A PH-PBA sobre o Markermeer](https://willem.com/global/images/af4733b8eba2.webp)

Durante o voo da DDA, tens liberdade para andar pela cabina e espreitar o cockpit. Os voos são normalmente pilotados por (antigos) pilotos da KLM, que falam com paixão da «Grande Velha Senhora».

![Asa do PH-PBA sobre a Frísia, com o Markermeer no horizonte](https://willem.com/global/images/73be6e490c5c.webp)

![A sobrevoar a aldeia de Heeg, com IJlst e Sneek visíveis no horizonte](https://willem.com/global/images/da1f914e4df2.webp)

![Lagos da Frísia vistos do cockpit do C47-A PH-PBA](https://willem.com/global/images/3aa8cd38feb7.webp)

![Terherne visível no «Snitser Mar», na Frísia](https://willem.com/global/images/90cf44ff69e7.webp)

![A sobrevoar o Zuidermeerdijk perto de Urk, com a Ketelbrug visível a atravessar a água](https://willem.com/global/images/9e8ba6197fe4.webp)

## Conclusão

Recomendo vivamente que reserves_um_voo (https://www.dutchdakota.nl) com o pessoal fantástico da Dutch Dakota Association, para viveres a história da aviação como nenhuma outra coisa.

Foi um privilégio voar com o PH-PBA sobre os lagos da Frísia, num lindo dia de outono. Obrigado ao meu amigo Tim por esta prenda de anos incrível!

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## Suporte de várias janelas na tua app para iPad

*Desenvolvimento nativo para iPadOS* · 2019-10-07 · https://willem.com/pt/2019-10-07_suporte-de-varias-janelas-na-tua-app-para-ipad/

No mês passado, a Apple lançou o iPadOS, o primeiro sistema operativo dedicado ao iPad. Distingue-se do iOS por suportar o ecrã maior do iPad, incluindo janelas múltiplas / em ecrã dividido. Eu desenvolvo apps e chegou a altura de aproveitar estas novas possibilidades que o iPadOS oferece.

Desde 2016 que uso_o_iPad_como_computador_principal (https://willem.com/en/inside-and-outside-apple-using-questioning-and-escaping-the-ecosystem/), é um ótimo computador móvel. Mas o sistema operativo é diferente do da maioria dos computadores. O iPadOS baseia-se no iOS, que corre no popular telemóvel da Apple, o iPhone. Isto torna o iPad um pouco diferente no dia a dia, por causa da forma como corre as apps.

![iPad Pro como computador principal, ligado a um terminal com o Blink](https://willem.com/global/images/590ada94c4e1.webp)

Por ter raízes no smartphone, o iPadOS trata as apps como um iPhone: as apps correm em ecrã inteiro, focadas numa única tarefa. As pessoas adoram o iPad por isso, porque é uma ótima forma de manter a cabeça concentrada numa só coisa.

## Suporte de várias janelas no iPad

Há situações em que correr várias janelas em simultâneo pode ser muito útil, e foi aqui que a Apple melhorou o iPadOS, ao introduzir o suporte para correr apps lado a lado.

![Suporte de várias janelas no iPad, com duas instâncias da mesma app a correr ao mesmo tempo](https://willem.com/global/images/d4097d9a5811.webp)

Mesmo que estejas a trabalhar numa única tarefa, ter suporte para várias janelas é muito útil, porque permite correr várias instâncias da mesma app ao mesmo tempo. Isto abre casos de utilização diferentes, em que podes ver e editar conteúdo de ângulos diferentes. Por exemplo, comparar dois meses diferentes na tua agenda, editar um documento longo ou ver o mapa a escalas diferentes em simultâneo.

![Comparar meses diferentes na app do calendário](https://willem.com/global/images/b0fd605efa8d.webp)

![Ver o mapa a escalas diferentes em simultâneo](https://willem.com/global/images/62fc3c1ace78.webp)

## Intenção do design

Quando a Apple_introduziu_o_suporte_de_várias_janelas_no_iPad (https://developer.apple.com/videos/play/wwdc2019/212), desenhou-o a pensar nas raízes móveis do iPadOS. Ao contrário das apps tradicionais de PC, onde o software complexo pode correr por várias janelas (e painéis) *diferentes* por defeito, o iPadOS mantém a exigência de que uma app tem de conseguir fazer tudo a partir de uma única janela.

É um requisito de design no iPad que todas as janelas da app sejam do mesmo tipo e que cada uma consiga fazer tudo na aplicação. O utilizador deve poder fazer tudo a partir de uma só janela, se quiser. Deve poder criar várias janelas só se achar útil, mas a app nunca o deve exigir. Isto mantém simples a forma como as apps correm no iPadOS: podes continuar a usá-las em ecrã inteiro, como num smartphone.

![Ken Ferry a explicar o design do suporte de várias janelas para iOS durante a WWDC 2019](https://willem.com/global/images/64d2bc5a822d.webp)

## Ciclo de vida da app (e alterações ao código)

Do ponto de vista técnico, a_Apple_introduziu (https://developer.apple.com/documentation/uikit/app_and_environment/scenes/supporting_multiple_windows_on_ipad) o UIWindowScene, com a abstração UISceneSession correspondente, na estrutura da interface. Fica entre o UIScreen e o UIWindow.

![Visão concetual da estrutura da interface do iPadOS, explicada por Steve Holt na WWDC 2019](https://willem.com/global/images/7b7e0e6a8f2a.webp)

![Visão concetual da UISceneSession, que dá o estado de interface persistente entre representações da app (WWDC 2019, Steve Holt, Apple)](https://willem.com/global/images/3d8992b418c8.webp)

Quando o iPadOS (e o iOS) correm várias apps, é possível que o sistema operativo feche uma app em segundo plano para poupar memória e energia. É assim por design: mantém o sistema operativo rápido e simpático para a bateria.

Do ponto de vista do ciclo de vida da app, isto significa que tens de verificar se a app já estava a correr antes, quando é iniciada. Quando existe uma UISceneSession, a app deve voltar a ligar-se a ela, para dar ao utilizador um estado de interface persistente. Quando é bem feito, o utilizador nem repara que a app foi interrompida enquanto estava em segundo plano.

![Papéis funcionais no ciclo de vida de uma app para iPadOS (WWDC 2019, Steve Holt, Apple)](https://willem.com/global/images/0cc957f952fe.webp)

Se adotares os novos conceitos UIWindowScene (e UISceneSession) na tua app, vais poder aproveitar as novas capacidades de várias janelas do iPad. Mas há mais uma coisa: a Apple planeia levar as apps de iOS e iPadOS para o Mac. Com os novos conceitos de interface, a tua app também vai funcionar lindamente no macOS!

![A mesma app em iOS/iPadOS e em macOS](https://willem.com/global/images/8a48b3cb9b2d.webp)

## Na prática

Como programador, tive pouca dificuldade em implementar os novos conceitos de interface nas minhas apps. Com relativamente pouco esforço, consegues ativar muitos casos de utilização diferentes em que a mesma app dá mais poder ao utilizador.

![A usar a minha app «Lemmid (content) Manager» para editar um artigo do blogue enquanto vejo o resultado lado a lado](https://willem.com/global/images/5d22d4b5df00.webp)

![A editar um registo DNS com a minha app «Lemmid Domain», mantendo o contexto de toda a zona DNS](https://willem.com/global/images/a825ee524dfd.webp)

![A usar a minha app «Lemmid Count» para analisar visualizações e tráfego de um artigo no willem.com](https://willem.com/global/images/7f6a0e735536.webp)

![Desenvolvimento web no iPad, com Inspect e Blink lado a lado](https://willem.com/global/images/be682d70074e.webp)

## Conclusão

A Apple não se apressou com o suporte de várias janelas no iPad, mas levou o seu tempo a desenhá-lo bem. Se adotares os novos conceitos, a tua app será mais poderosa para os utilizadores.

É sempre boa ideia dar tempo para perceber os conceitos de interface subjacentes antes de começares a programar. Faz as coisas bem (e com qualidade) em vez de depressa (e à toa)!

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## Visitar uma conferência internacional de hackers

*OWASP Global AppSec Amesterdão* · 2019-09-27 · https://willem.com/pt/2019-09-27_visitar-uma-conferencia-internacional-de-hackers/

Este mês tive a sorte de assistir à Global AppSec Amesterdão, uma conferência internacional para hackers e especialistas em segurança. Houve apresentações de antigos agentes dos serviços secretos, caçadores de recompensas, académicos e fornecedores de software. Aprendi algumas das técnicas de hacking mais recentes, conheci pessoas interessantes e joguei uns jogos retro fixes. Acompanha-me para saberes mais.

## A OWASP Foundation e a Global AppSec Amesterdão

A OWASP Foundation é uma organização sem fins lucrativos dedicada a criar ferramentas, documentação, fóruns e conferências em torno da segurança de software. A OWASP é especial porque está livre de pressões comerciais e não está ligada a nenhuma empresa de tecnologia. Defende que a segurança das aplicações se aborda como um problema de pessoas, de processos e de tecnologia, porque as abordagens mais eficazes incluem melhorias em todas estas áreas. Podes saber mais sobre a OWASP em https://www.owasp.org.

Os eventos Global AppSec são organizados por todo o mundo. Em setembro houve um na minha cidade natal, Amesterdão. Vê o_calendário_deles (https://www.owasp.org/index.php/OWASP_Events/upcoming_events) para descobrires se a OWASP vai à tua cidade.

![Global AppSec Amesterdão](https://willem.com/global/images/403811a3464b.webp)

## Quando a cibersegurança é a sério: esmagar terroristas

Uma das histórias mais impressionantes foi contada por Chris_Kubecka (https://en.wikipedia.org/wiki/Chris_Kubecka), uma mulher que trabalhou para a Força Aérea dos EUA e para o Comando Espacial dos Estados Unidos. É investigadora de segurança informática e especialista em guerra cibernética.

![Keynote da especialista em guerra cibernética Chris Kubecka](https://willem.com/global/images/8d317a6e37bb.webp)

Fala do seu trabalho na Embaixada Real da Arábia Saudita em Haia. É muito interessante saber como é que a polícia local, o Corpo Diplomático e agentes especiais estiveram envolvidos para, no fim, evitar um atentado à bomba no Kurhaus_em_Scheveningen (https://en.wikipedia.org/wiki/Kurhaus_(Scheveningen). É quando ouves estas histórias que percebes que nem tudo o que acontece aparece nas notícias!

![Lições aprendidas ao lidar com terroristas](https://willem.com/global/images/ad3f0bba8321.webp)

## Café e jogos

Depois da keynote sobre terroristas, guerra cibernética e atentados à bomba, chegou a hora de café e jogos. Jogar jogos retro é uma forma divertida de conhecer outros hackers na conferência, porque tens logo algo em comum para conversar. É útil, porque a maioria dos especialistas de TI precisa de uma ajudinha para quebrar o gelo quando se trata de socializar...

![Café e PONG na consola de desportos de vídeo com monitor CRT](https://willem.com/global/images/86cc76d31a28.webp)

![DuckHunt com uma pistola Nintendo original](https://willem.com/global/images/3ebd793dd0c1.webp)

![Lembras-te do tempo em que isto era um computador normal? Repara no teclado IBM modelo M... ai, ai, ai!](https://willem.com/global/images/5ac85970a721.webp)

## Técnicas de hacking

Depois do café havia várias sessões a que podias assistir. Escolhi algumas com base nos meus interesses pessoais e no meu trabalho.

### XSS persistente do lado do cliente

Uma das palestras a que assisti tratava de atacar sites através do Local Storage ou de cookies. Com o nome apropriado «Don't trust the locals», a apresentação de Marius_Steffens (https://cispa.saarland/people/marius.steffens/) e Ben_Stock (https://cispa.saarland/people/ben.stock/) foi muito interessante. A investigação académica deles revelou que muitos sites são vulneráveis a ameaças que ganham uma presença permanente!

![O XSS persistente do lado do cliente é uma ameaça real, por Marius Steffens e Ben Stock](https://willem.com/global/images/f7a3c90be9d0.webp)

### Hackear o PayPal com um ataque de dessincronização de HTTP

Na sua palestra brilhante, James_Kettle (https://portswigger.net/research/http-desync-attacks-request-smuggling-reborn) descreve a sua investigação sobre aquela que talvez seja uma das técnicas de hacking mais perigosas da web moderna: HTTP_Request_Smuggling_por_dessincronização_de_pedidos_HTTP (https://portswigger.net/research/http-desync-attacks-request-smuggling-reborn). Esta técnica explora vulnerabilidades quando um site usa uma rede de distribuição de conteúdos (CDN), uma cache web ou uma firewall de aplicações web (WAF). É fantástico aprender isto, perceber o princípio subjacente e saber como te defenderes deste tipo de ataque.

![James Kettle sobre hackear o PayPal, o que lhe rendeu 38.900 dólares em recompensas](https://willem.com/global/images/aa04e0114bcd.webp)

### Economia do hacking: quanto vale uma conta comprometida?

Noutra palestra interessante, Jarrod_Overson (https://jarrodoverson.com) explica o estado dos ataques_de_credential_stuffing (https://jarrodoverson.com/post/no-2fa-does-not-stop-credential-stuffing-attacks-79de7476a80a/). Este tipo de ataque consiste em usar nomes de conta e palavras-passe divulgados em sites diferentes, o que tem um sucesso surpreendente, porque muita gente usa a mesma palavra-passe em sites diferentes. Explica como_contornar_CAPTCHAS (https://jarrodoverson.com/post/bypassing-captchas-with-headless-chrome-93f294518337/) e como os hackers fazem o malware imitar o comportamento humano para cometer fraude. Conclui que a fraude é um problema humano, não técnico, movido por economia simples: compensa hackear!

![Hackear taxas de retorno do investimento entre 100% no mínimo e 150.000% no máximo! (Por Jarrod Overson)](https://willem.com/global/images/3c11c554de6f.webp)

### A mentalidade do hacker

Na sua palestra, Gergö_Turcsányi (https://twitter.com/gergoturcsanyi?lang=en) conta como se tornou caçador de recompensas. Explica que não precisas de ser um matemático incrivelmente talentoso para isto, basta um pouco de criatividade e algum tempo para ir espreitar aqui e ali. No fim, isso levou-o a hackear a Google com sucesso!

![Hackear a Google: como eu podia ter roubado as tuas fotos da Google (Gergö Turcsányi)](https://willem.com/global/images/d039827bdd65.webp)

## Conclusão

Visitar a Global AppSec foi fantástico! É um privilégio conhecer outros hackers, aprender com eles e ouvir falar de coisas que normalmente não vês nas notícias.

Seja o que for que levas de uma conferência, haverá sempre algo que não esperavas aprender. É esta aprendizagem inesperada que faz com que valha mesmo a pena visitar conferências!

![Global AppSec Amesterdão](https://willem.com/global/images/1053cb217048.webp)

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## Combater o spam de backscatter ao nível do servidor

*Configurar o Postfix para bloquear spam antes de entrar no servidor* · 2019-09-10 · https://willem.com/pt/2019-09-10_combater-o-spam-de-backscatter-ao-nivel-do-servidor/

Este mês tive de lidar com spam de backscatter, que afetava um dos servidores de correio que giro. Como engenheiro de servidores, garanto que os servidores não enviam spam e que o e-mail recebido é filtrado. Apesar de todos os esforços, este servidor continuava a ser posto em listas negras por enviar spam para o iCloud, o Office 365 e o Google Gmail for Business (G Suite). Acompanha-me para descobrires o que causou isto e como resolver.

## O problema

O servidor é um servidor de correio Postfix em Debian GNU/Linux, com todas as últimas atualizações e correções de segurança. É usado por clientes legítimos, que só o podem usar com autenticação adequada.

### Evitar ser um relay aberto

A autenticação individual dos utilizadores num servidor de correio é uma medida importante contra o abuso do servidor. Se for enviado spam, podes ver que utilizador está a causar o problema nos registos do servidor de correio. Em termos técnicos, isto significa que evitas que o servidor se torne «um relay aberto». O Postfix oferece muitas definições para limitar_o_relay_SMTP_com_controlo_de_acesso (http://www.postfix.org/SMTPD_ACCESS_README.html).

### Limitar o ritmo das contas de correio (comprometidas)

O abuso do servidor por utilizadores individuais acontece quando o computador deles apanha um vírus ou quando a palavra-passe é intercetada. Isso pode acontecer quando acedes ao correio por uma rede WiFi insegura, sem encriptação (TLS/SSL). Para situações destas, é boa ideia limitar o número de e-mails que cada utilizador pode enviar. Podes usar os Parâmetros_de_configuração_do_Postfix (http://www.postfix.org/postconf.5.html) (como *smtpd_client_message_rate_limit, smtpd_client_connection_rate_limit* e *smtpd_client_recipient_rate_limit*) ou uma firewall para Postfix como o Postwfd (https://postfwd.org).

### O servidor entra na lista negra «backscatterer.org»

Apesar de todas as medidas contra o abuso de spam, o servidor continuou a ser listado em http://backscatter.org por enviar spam. Quando um servidor entra numa lista negra, os outros servidores deixam de confiar nele e consideram todas as mensagens suspeitas. Isto pode fazer com que as tuas mensagens (legítimas) sejam vistas pelos outros servidores como spam (falsos positivos). Para perceberes porque é que isto aconteceu, primeiro tens de perceber o que é o spam de backscatter.

## O que é o spam de backscatter?

O spam de backscatter são mensagens de devolução automáticas e incorretas enviadas pelo servidor de correio, normalmente como efeito secundário de spam recebido.

O backscatter acontece quando os spammers falsificam o endereço do remetente. Enviam uma mensagem que esperam que seja devolvida, usando como remetente o endereço de outra pessoa. Quando a mensagem é devolvida, o servidor de correio devolve-a ao remetente falsificado... o que faz com que o servidor entregue, na prática, spam a esse endereço.

![Cenário simples de backscatter: o servidor de correio devolve a mensagem a um endereço de remetente falsificado](https://willem.com/global/images/ce079c524f46.webp)

O cenário simples de backscatter é aquele em que uma mensagem é devolvida ao remetente errado. É um cenário fácil de resolver: configuras o servidor para não enviar mensagens de devolução e para responder com um código de erro SMTP.

![Evitar mensagens de devolução de backscatter ao responder antes com códigos de erro SMTP](https://willem.com/global/images/ecab1d4c0125.webp)

Infelizmente, há outro cenário (mais difícil) que leva o teu servidor de correio a enviar spam de backscatter. Acontece quando alguém no teu servidor configura a sua conta de correio para reencaminhar o e-mail para outro endereço. O segundo servidor pode ter um filtro de spam mais rigoroso, que faz com que as mensagens sejam bloqueadas ao serem reencaminhadas. O teu servidor de correio informa então o remetente original de que o reencaminhamento falhou, e isso causa spam de backscatter.

![Causar spam de backscatter quando o primeiro servidor de correio reencaminha e-mail para outro servidor que bloqueia a mensagem](https://willem.com/global/images/b76507d467ad.webp)

O cenário do reencaminhamento é muito mais difícil de resolver, porque possivelmente não controlas o outro servidor de correio nem as definições do filtro de spam dele. E o pior é que muitas vezes há algum atraso entre aceitar a mensagem e reencaminhá-la, o que torna impossível esperar pela resposta do outro servidor de correio.

### Evitar o spam de backscatter

A única forma de evitar totalmente o spam de backscatter é ser muito rigoroso no primeiro servidor de correio, na fase inicial da ligação SMTP. Isto resolve o desafiante «cenário do reencaminhamento», ao ser muito seletivo sobre as mensagens que são reencaminhadas.

![Evitar o spam de backscatter ao verificar todas as mensagens antes de as reencaminhar para outro servidor](https://willem.com/global/images/75d348304794.webp)

### Como bloquear spam antes de entrar no servidor

A melhor maneira de evitar o spam de backscatter é bloqueá-lo antes de entrar na (cadeia de) servidor(es).

Tradicionalmente, os servidores usam filtros de spam avançados, como o SpamAssassin, para analisar as mensagens uma a uma. Isto cria uma carga adicional no servidor de correio.

É muito mais fácil olhar para o remetente (por exemplo, se usa um chapéu vermelho) para a filtragem inicial. O remetente está numa lista negra? Usa uma app de correio «normal», ou as mensagens estão a ser enviadas por um vírus ou malware? Podes perceber muita coisa pela «linguagem» que o remetente fala.

![Implementar restrições SMTP rigorosas no Postfix: captura de ecrã anotada do main.cf](https://willem.com/global/images/39ef96cae1a9.webp)

No Postfix podes especificar restrições SMTP no ficheiro de configuração *main.cf*. Existem verificações que servem para bloquear mensagens. É boa ideia seguir a lógica do filtro do «fácil para o difícil», começando pelo que se pode verificar sem consultar servidores externos. Isto reduz o tráfego de rede e a carga. Só se uma mensagem passar todas as verificações é que é autorizada para entrega (ou reencaminhamento).

Na entrega podes aplicar filtros de spam adicionais, complexos (e específicos do utilizador), com ferramentas como o SpamAssassin (https://spamassassin.apache.org) ou a Filtragem_bayesiana (https://en.wikipedia.org/wiki/Recursive_Bayesian_estimation). Ao reduzir o fluxo de mensagens de spam óbvias, estes filtros que consomem muitos recursos fazem o seu trabalho com muito mais eficiência.

## Conclusão

Combater o spam ao nível do servidor é um jogo desafiante, porque os spammers são cada vez mais criativos a abusar dos mecanismos dos servidores de correio. Se o teu servidor entrar numa lista negra por spam de backscatter, tens de ter cuidado com os cenários de reencaminhamento. Fica de olho nas listas negras para veres se o teu servidor está a causar problemas.

Bloqueia as mensagens com códigos de erro, em vez de as devolver ao remetente (bounce). Configura o servidor com uma política de entrega rigorosa. A melhor maneira de evitar o spam de backscatter é bloquear as mensagens antes de entrarem no servidor de correio, agora já sabes como.

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## Pedalar com um medidor de potência na bicicleta

*Instalar e usar o 4iiii Precision Powermeter* · 2019-08-28 · https://willem.com/pt/2019-08-28_pedalar-com-um-medidor-de-potencia-na-bicicleta/

Depois de criar uma bicicleta de estrada minimalista, decidi instalar um medidor de potência para descobrir como é medir a potência das minhas pernas. O que se pode aprender com um medidor de potência? É difícil de instalar? Vale a pena? Acompanha-me para descobrires.

## Medidores de potência

A maioria dos medidores de potência usa extensómetros que se deformam ligeiramente quando se aplica força. Ao medir este binário e combiná-lo com a velocidade angular, é possível calcular a potência (medida em Watts). Além dos sensores de velocidade, cadência e frequência cardíaca, os medidores de potência são a ferramenta perfeita para quantificar o teu desempenho (no treino).

Há vários tipos de medidores de potência, que diferem na precisão, na facilidade de instalação, nas necessidades de manutenção e na portabilidade entre bicicletas. Tipos de medidor de potência:

- **Cubo da roda traseira**: medir a potência aplicada à roda traseira é considerado o local mais preciso para medir potência. Mas fica «mais longe das tuas pernas», porque a corrente e os carretos ficam «entre» as tuas pernas e o medidor de potência, e isso faz com que as medições sejam ligeiramente mais baixas.

- **Pedais**: medir a potência aplicada ao pedal faz-se com pedais especiais, relativamente fáceis de trocar entre bicicletas. Cada pedal pode ter o seu próprio medidor de potência, o que permite medições independentes da perna direita e da esquerda. 

- **Prato**: medir a potência aplicada ao prato (da frente) é outra forma muito precisa de medir potência. Não são fáceis de trocar entre bicicletas diferentes e é difícil distinguir com exatidão entre a perna esquerda e a direita. 

- **Movimento pedaleiro**: medir a potência a partir do movimento pedaleiro pode ser preciso e exigir pouca manutenção. Instalar um medidor destes pode ser difícil e a tua bicicleta (ou grupo) pode não ser compatível.

- **Braço do pedaleiro**: medir a potência a partir do braço do pedaleiro é muito popular pela flexibilidade, pela precisão e pela facilidade de instalação. O medidor de potência que instalei na minha bicicleta, um 4iiii Precision Powermeter, é deste tipo. 

![4iiii Precision Powermeter, usado pela equipa profissional de ciclismo Quick-Step / Bora Hansgrohe](https://willem.com/global/images/716721c9ea80.webp)

## 4iiii Precision Powermeter

Um medidor de potência muito popular é o 4iiii Precision Powermeter. Tal como os populares medidores de potência Stages, o 4iiii substitui o teu pedaleiro existente. Escolher o modelo certo é tão fácil como olhar para o teu pedaleiro: o modelo e o comprimento do braço estão perto do parafuso do pedal

![O braço do pedaleiro tem o modelo e o comprimento escritos, na minha bicicleta: FC-5800, 172.5MM](https://willem.com/global/images/0dc3eb4a6b8c.webp)

## Instalar o medidor de potência

O 4iiii Precision Powermeter vem numa caixa pequena, com instruções claras em 5 passos impressas.

![Guia de início rápido para instalar e usar o medidor de potência](https://willem.com/global/images/24519cf71ad2.webp)

Usa uma ferramenta de pedaleiro para tirar o pedaleiro existente da bicicleta. Eu tenho um grupo Shimano e usei a ferramenta TL-FC16/FC-M960. É um bocado de plástico (barato) que permite tirar a tampa do rolamento do pedaleiro. Usa uma chave Allen para desapertar os dois parafusos; há uma pequena placa entre as pontas do pedaleiro que tens de fazer saltar para tirar o pedaleiro.

![Usa uma ferramenta de pedaleiro para tirar o pedaleiro (Shimano TL-FC16 / FC-M960)](https://willem.com/global/images/9ab899bb97f0.webp)

![Deves conseguir desapertar a tampa de plástico só com os dedos/a mão, não é preciso binário extremo](https://willem.com/global/images/ac636f5c8a5c.webp)

Quando instalares o pedaleiro com medidor de potência, presta atenção à instrução que indica o binário correto. Aperta os parafusos de forma uniforme e igual com uma chave dinamométrica.

![Apertar o braço do pedaleiro com uma chave dinamométrica](https://willem.com/global/images/e198a98a1225.webp)

![Certifica-te de que a bateria está instalada e a tampa está trancada](https://willem.com/global/images/8f487d0db8ee.webp)

![4iiii Precision Powermeter instalado na minha bicicleta](https://willem.com/global/images/abd4c691be41.webp)

Para usar o medidor de potência, tens de o emparelhar com um ciclocomputador compatível ou com o teu smartphone. Eu uso_uma_app_como_ciclocomputador (https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/) e por isso emparelho o medidor de potência com o telemóvel. Transfere a app da 4iiii e segue as instruções para iniciar uma pesquisa por Bluetooth.

![Pesquisa por Bluetooth na app da 4iiii](https://willem.com/global/images/9c43854daea6.webp)

Depois de emparelhares com o medidor de potência, deves verificar se há atualizações de firmware. Tive de instalar algumas que melhoram a duração da bateria, a fiabilidade e a precisão do medidor. Isto pode demorar alguns minutos.

![A calibração do desvio de zero é muito importante para medições exatas](https://willem.com/global/images/fb2acc59f195.webp)

Depois de ligares e atualizares o medidor de potência, deves calibrá-lo. Isto permite-lhe detetar o seu «valor zero» através de uma medição em posição vertical. A app guia-te neste processo, e a calibração demora uns momentos. Depois de calibrado, podes usar o medidor de potência em qualquer uma das tuas apps favoritas, incluindo o Strava (https://willem.com/en/2016-12-31_one-year-of-cycling/) e o Cyclemeter(https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/).

![Ligar o 4iiii Precision Powermeter à app Cyclemeter](https://willem.com/global/images/9478e36027b6.webp)

## Pedalar com um medidor de potência

Com um medidor de potência, vês quanta energia as tuas pernas aplicam no(s) pedal(ais). É uma quantificação direta do teu esforço na bicicleta. Vais precisar de algum tempo para ganhares sensibilidade aos Watts medidos pelo medidor de potência.

![Wahoo RFLKT+ a mostrar dados em tempo real da app de ciclocomputador: obviamente eu estava parado aqui... só zeros (menos a minha frequência cardíaca)](https://willem.com/global/images/f1a22322fa3b.webp)

Eu uso um Wahoo_RFLKT+_em_combinação_com_a_app_Cyclemeter (https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/). Mostra-me a potência em tempo real, medida a partir do braço do meu pedaleiro. Este feedback em tempo real é interessante enquanto pedalas, porque consegues ver as (enormes) diferenças nos Watts medidos.

Situações como fazer uma curva em que o ângulo do vento muda podem ter, claramente, efeitos significativos na potência medida (quando manténs uma certa velocidade / cadência). Ou quando mudas a posição na bicicleta, como agarrar o guiador por cima ou por baixo. Ou o quanto é realmente mais difícil quando vais mais depressa (dica: a relação não é linear!)

Compara o medidor de potência com o sensor de frequência cardíaca e vais notar que é muito mais direto. Sobe e desce instantaneamente quando mudas a intensidade da pedalada. A combinação dos dados do medidor de potência com os da frequência cardíaca é interessante. Permite descobrir qual é a tua potência máxima sustentável. Toda a gente consegue ir (muito) depressa, mas a velocidade depende de fatores externos como o vento. Ao olhares para os dados de potência, consegues comparar com mais exatidão passeios diferentes, acompanhar a tua evolução no treino e comparar o teu esforço com o de outros ciclistas.

![Dados do medidor de potência, comparados com dados de velocidade, cadência e frequência cardíaca](https://willem.com/global/images/7d8494e84304.webp)

Olha para os dados acima, são de um dos meus passeios com o medidor de potência. Aqui vês a minha frequência cardíaca, cadência, velocidade e dados do medidor de potência em gráficos combinados. Pedalei 23 KM que se dividem em quatro segmentos:

- **A** e **D**: o início e o fim do meu passeio foram em zonas urbanas, onde encontro outro trânsito. Vais notar muitos picos nos gráficos: é por causa das travagens e acelerações frequentes. Pedalar pela cidade consome, na verdade, muita energia (tal como o consumo de um carro costuma ser pior na cidade do que na autoestrada). Baixa velocidade, alta potência: pouco eficiente.

- **B**: este segmento do meu percurso segue o rio Amstel, com poucos cruzamentos e interrupções. Aqui é possível pedalar a um ritmo constante, o que se vê nos gráficos. Vais notar uma variação nos dados de potência, devida ao vento que afeta o passeio e que varia quando passo por casas, arbustos e curvas diversas. 

- entre **B** e **C**: por volta dos 13KM, mesmo entre os segmentos B e C, vê-se claramente uma queda em todos os gráficos. É a vila de Ouderkerk aan de Amstel, onde há obras na ponte sobre o Amstel. Afeta claramente o meu passeio, com picos de potência quando arranco para passar a ponte (uma ligeira subida que gosto de fazer em pé nos pedais). 

- **C**: ao pedalar do outro lado do rio Amstel apanhei mais vento, e vês a minha potência (e frequência cardíaca) a subir. Por volta dos 17-18KM notas um pico de velocidade. Foi aqui que encontrei outro ciclista... para uma pequena corrida implícita. Vês claramente que, ao forçar acima dos 250 Watts, a minha frequência cardíaca subiu bastante, enquanto por volta dos 200 watts se mantém perfeitamente estável nos 130BPM. 

## Conclusão

Montar um medidor de potência na bicicleta não é difícil com as ferramentas certas. Ligar e calibrar o sensor é fácil com o smartphone e a app certa. Depois de ligado e calibrado, podes usar o medidor de potência com várias apps.

Pedalar com um medidor de potência dá-te mais informação sobre o teu desempenho. Consegues quantificar a intensidade do passeio ao olhar para a energia realmente entregue. Treinar com dados de potência dá bem outro artigo do blogue, que talvez escreva no futuro.

Precisas de um medidor de potência? A não ser que sejas atleta profissional, acho que não precisas mesmo. Mas se te interessam dados de desempenho para além de métricas como a frequência cardíaca, a velocidade e a cadência, podes achar um medidor de potência útil. Só não te esqueças de gostar do passeio, com ou sem medidor de potência!

![Com ou sem medidor de potência: não te esqueças de gostar do passeio!](https://willem.com/global/images/0c8143e51c04.webp)

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## Criar uma bicicleta de estrada minimalista

*Recombinar e renovar peças velhas para fazer uma bicicleta nova* · 2019-08-18 · https://willem.com/pt/2019-08-18_criar-uma-bicicleta-de-estrada-minimalista/

Nos últimos meses trabalhei em várias bicicletas, e isso fez acumular peças sobresselentes na minha garagem. Fiquei a pensar se seria muito difícil fazer uma bicicleta nova com estas peças. Decidi aproveitar o momento para renovar algumas peças, ao retirar autocolantes em excesso, para criar uma bicicleta de estrada de aspeto minimalista.

## Faz um plano

Antes de começares a construir a tua bicicleta (nova), deves fazer um plano. Cria uma lista das peças que tens e das que faltam. No meu caso, tinha um grupo quase completo, mas faltavam-me cabos de travão/mudanças, um selim e pneus.

### Limpar é metade do trabalho

Se trabalhas com peças velhas, limpa-as bem. Quando as peças da bicicleta são usadas, acumulam sujidade que afeta o desempenho com o tempo. Vais ficar surpreendido_com_a_beleza_das_bicicletas_e_peças_velhas_quando_as_limpas (https://willem.com/en/2016-09-03_batavus-champion-bike-from-1978/).

![Desviador traseiro sujo](https://willem.com/global/images/92c3d430876b.webp)

A maioria das peças da bicicleta, como o desviador traseiro, pode ser desmontada com ferramentas normais, como uma chave torx ou Allen. Podes (e deves) substituir os rolamentos já que estás nisso. É fácil e a bicicleta fica como nova; a maioria dos rolamentos tem a especificação exata escrita neles.

![Substitui os rolamentos velhos por novos já que estás nisso](https://willem.com/global/images/7374910a16b5.webp)

## Renovar peças com tinta

Depois de limpares todas as peças que pensas usar, podes ponderar renová-las com uma camada de tinta fresca. Antes, eu tirei_toda_a_tinta_de_um_quadro_de_bicicleta (https://willem.com/en/2018-06-09_removing-paint-from-a-bike-frame/), mas desta vez queria que a bicicleta nova tivesse uma pintura fresca e minimalista.

Algumas peças tinham sinais de desgaste, outras tinham autocolantes (em excesso). Escolhi um esquema de cores preto/branco para criar um visual uniforme e limpo. O risco de juntar peças de todo o tipo é acabares com uma criação à Frankenstein.

![Pintar várias peças com spray para ficarem com um aspeto uniforme](https://willem.com/global/images/b06b79a398cd.webp)

Pintei as peças mais pequenas com spray depois de as fixar numa tábua de madeira. A tábua permitiu levá-las facilmente para fora para aplicar camadas (finas) de tinta. Depois de pintadas, voltei a pôr a tábua inteira na garagem para secar. Repeti este processo umas três vezes.

![Pintar o quadro da bicicleta com spray](https://willem.com/global/images/0673ddc45033.webp)

Para te poupares a uma dor de costas, vale a pena arranjar um suporte de trabalho para a bicicleta. Facilita muito a manutenção, porque podes ajustar o ângulo e a altura da bicicleta (e das peças). Usei o meu suporte para pintar o quadro e o garfo. Fixei o quadro ao suporte com um bocado de tubo de cobre, o que me deu acesso total a todas as partes que precisavam de uma camada nova de tinta.

![As peças parecem novas com uma camada de tinta fresca](https://willem.com/global/images/76c4bcebc1f7.webp)

Para os melhores resultados com tinta em spray, tens mesmo (mesmo!) de ter paciência. É melhor aplicar várias camadas finas do que uma só, grossa e cheia de escorridos. Apliquei umas quatro ou cinco camadas de tinta branca e acabei com duas camadas de verniz transparente.

## Montar tudo

Depois de teres reunido, limpado e renovado todas as peças necessárias, chega a altura de as montar. É um trabalho divertido montar a tua própria bicicleta (nova), porque ganhas uma compreensão das várias peças que é impossível igualar ao comprar uma bicicleta numa loja.

![Tudo pronto para juntar as peças e criar uma bicicleta!](https://willem.com/global/images/d1f85924ed40.webp)

É boa ideia instalar primeiro o espigão do selim, o que te permite fixar o quadro no suporte de trabalho. O tubo do selim é muitas vezes (de longe) o tubo mais forte da bicicleta, muito mais forte do que o tubo superior, que costuma ser o mais fraco!

![O tubo do selim é um bom sítio para fixar a bicicleta no suporte de trabalho](https://willem.com/global/images/6049ee3723e3.webp)

Aplica massa lubrificante nova, porque provavelmente tiraste a que existia quando limpaste a bicicleta. A função principal da massa é manter a água longe dos rolamentos, além de evitar ruídos de chiado e estalidos.

![Aplica massa lubrificante nos rolamentos, como os do garfo da frente + caixa de direção](https://willem.com/global/images/8ff61ea98e4e.webp)

Outra coisa muito importante a ter em mente é que podes aplicar demasiada força nos parafusos com muita facilidade. Deves mesmo investir numa (boa) chave dinamométrica, para evitar forças excessivas em parafusos, uniões, rolamentos e tubos.

![Usa sempre uma boa chave dinamométrica para evitar força excessiva nos parafusos](https://willem.com/global/images/21c695eb4413.webp)

Muitas peças de bicicleta têm o valor máximo do binário escrito em Newton-metro (Nm). Se não encontrares um valor na tua peça, procura-o online. Não adivinhes nem escolhas um valor qualquer: a tua vida depende de a bicicleta se manter inteira quando andas nela!

![A maioria das peças tem o binário escrito em Newton-metro (Nm)](https://willem.com/global/images/ce95f6d56c50.webp)

![Instalar o pedaleiro com uma chave dinamométrica e uma ferramenta de pedaleiro: repara nas instruções escritas no pedaleiro](https://willem.com/global/images/0964518f750c.webp)

![Pedaleiro e pedais instalados no quadro: verifica se se mexem livremente](https://willem.com/global/images/5dfa532828cc.webp)

Instalar a cassete é fácil com as ferramentas certas. Usa uma ferramenta de cassete e um chicote de corrente para instalar ou tirar uma cassete. Alinha bem os carretos individuais, porque têm dentes específicos que permitem mudanças suaves. É fácil, porque o eixo tem um padrão específico que só deixa instalar os carretos de uma maneira.

![Instalar a cassete é fácil se a alinhares com o padrão do eixo traseiro](https://willem.com/global/images/583bfecd743b.webp)

![Usa uma ferramenta de cassete e/ou um chicote de corrente para instalar ou tirar a cassete](https://willem.com/global/images/68f5f4624d06.webp)

Depois de instalada a cassete, podes meter as rodas no quadro. É o momento em que percebes que criaste uma bicicleta (e já não é só um monte de peças).

![Com as rodas instaladas, o monte de peças começa a parecer uma bicicleta!](https://willem.com/global/images/52d598aae359.webp)

Uma das últimas tarefas é instalar os cabos e ligá-los aos desviadores. Dependendo do quadro, pode ser difícil passar os cabos pelas guias e furos (internos). Não te apresses, porque o alinhamento e o comprimento dos cabos afetam muito a suavidade das mudanças e da travagem.

![Instalar os cabos no guiador e nas manetes](https://willem.com/global/images/aac25d03b82b.webp)

![Ligar os cabos aos desviadores](https://willem.com/global/images/fefa3e92a375.webp)

![Desviador dianteiro ligado ao cabo das mudanças](https://willem.com/global/images/ad7daca27354.webp)

Alinhar os desviadores não é muito difícil, mas é boa ideia ver uns vídeos de instruções no YouTube sobre como_afinar_as_mudanças (https://m.youtube.com/watch?v=Bbk5RcH0bbQ). Mais uma vez, é mais fácil se tiveres a bicicleta fixa no suporte de trabalho, porque podes pedalar e trocar de velocidade à vontade enquanto afinas.

![Afinar as mudanças é mais fácil quando consegues pedalar livremente, o que permite ajustar com precisão a tensão do cabo](https://willem.com/global/images/3fa39375c753.webp)

## Conclusão

Muitas horas depois, as peças sobresselentes tornaram-se uma bicicleta de estrada moderna e minimalista! Vais sentir orgulho na tua criação, porque é mais do que a soma das suas peças.

![Bicicleta de estrada minimalista, feita com peças sobresselentes e muitas horas!](https://willem.com/global/images/d5b80c1be59d.webp)

Construir a tua própria bicicleta dá-te uma compreensão incrível das suas peças. É muito gratificante andar nela!

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## Os limites da monitorização do sono com um wearable

*Comparação com uma cinta torácica de frequência cardíaca* · 2019-07-16 · https://willem.com/pt/2019-07-16_os-limites-da-monitorizacao-do-sono-com-um-wearable/

A monitorização do sono é uma função popular em muitos smartwatches e wearables. Dispositivos como Fitbit, Withings, Apple Watch e Biostrap analisam dados biométricos enquanto dormes. Estes wearables usam-se no pulso e captam a tua frequência cardíaca com sensores óticos. Fiquei curioso por saber como se comparam os sensores óticos com uma cinta torácica de alta resolução.

## A medição ótica da frequência cardíaca gasta energia

A maioria dos smartwatches e wearables usa sensores óticos para medir a frequência cardíaca. Precisam de um emissor de luz (normalmente LEDs verdes ou (infra)vermelhos) e de um fotossensor para analisar a luz refratada pelo sangue em circulação. Estes dados são analisados e transformados em métricas como a frequência cardíaca. Como este tipo de sensor exige processamento e vários componentes, gasta normalmente mais energia. Lê o meu artigo detalhado sobre os diferentes tipos de monitores de frequência cardíaca (https://willem.com/en/2019-07-15_optical-vs-chest-strap-heart-rate-monitors/)

![O Apple Watch usa um sensor ótico para medir automaticamente a frequência cardíaca](https://willem.com/global/images/adf4d1369cd7.webp)

## Limitados pela bateria

Como as baterias dos wearables são normalmente limitadas pelo seu tamanho físico, a frequência cardíaca não pode ser medida de forma contínua durante o sono. É habitual fazer medições com intervalos de apenas uma vez a cada 5 ou até 10 minutos!

![As frequências cardíacas medidas pelo Apple Watch revelam que só há uma medição a cada 5 minutos](https://willem.com/global/images/64efd1eff213.webp)

Isso dá apenas 6 ou 12 medições por hora. É muito pouco, se pensares que o teu coração bate 3600 vezes por hora a uns normais 60BPM.

## Monitor de alta resolução: a cinta torácica

Ao contrário do sensor ótico usado na maioria dos wearables, uma cinta torácica consegue captar a tua frequência cardíaca em tempo real: várias medições (precisas) por segundo! É por isso que este tipo de sensor é popular entre atletas profissionais durante os treinos. Como expliquei antes, isso_é_possível_graças_à_sua_ligação_condutora_ao_teu_corpo,_que_lhe_permite_captar_diretamente_a_atividade_elétrica_do_teu_coração (https://willem.com/en/2019-07-15_optical-vs-chest-strap-heart-rate-monitors/).

![O Wahoo TICKR usa elétrodos condutores na cinta para captar diretamente a atividade elétrica do teu coração](https://willem.com/global/images/3313b7c381f9.webp)

Embora a cinta torácica seja eficiente em termos de energia e fiável, não é nada confortável de usar para outra coisa que não seja treinar. Por isso, a monitorização do sono é normalmente feita com sensores óticos em wearables de pulso.

## Experiência: usar uma cinta torácica à noite

Que diferença faria se a análise do sono fosse feita com vários pontos de dados por segundo em vez de apenas algumas medições por hora? Decidi dormir com uma cinta torácica para descobrir.

![O Wahoo TIKR (à esquerda) capta mais dados por minuto do que o Apple Watch (à direita) por hora!](https://willem.com/global/images/e6c5bf4cdf4a.webp)

Para comparar os dados da cinta torácica, decidi usar no pulso outro monitor (ótico) de frequência cardíaca: o Biostrap (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/). Como a maioria dos smartwatches, usa um sensor ótico para captar as métricas. Configurei-o para registar dados a cada 5 minutos (um intervalo comum, tal como no Apple Watch).

## Resultados

A experiência correu bem, uma noite sem interrupções além dos meus habituais "tarefas_de_pai" (https://willem.com/en/2019-06-24_six-months-with-mcadd/) noturnos. Na manhã seguinte analisei os dados captados pelos dois sensores.

![Frequência cardíaca durante a minha noite de experiência, captada pelo sensor ótico (em cima) e pela cinta torácica (em baixo)](https://willem.com/global/images/d152323f0e6c.webp)

Vê-se claramente a diferença nos dados recolhidos pelos dois sensores. Mais ou menos coincidem na frequência cardíaca média e mínima. Mas os dados da cinta torácica mostram claramente mais picos, e mais altos. A cinta torácica detetou um máximo de 111 BPM, contra os 69 BPM de máximo medidos pelo sensor ótico.

Pergunto-me de onde vêm estes picos. Acho que podem ser o resultado de eu estar a sonhar, a virar-me ou a acordar (ligeiramente) por causa de um som exterior. Por serem tão curtos, estes picos escapam ao sensor ótico, que só faz uma medição a cada 5 minutos.

![Combinar medições da frequência cardíaca com dados de movimento de um giroscópio](https://willem.com/global/images/321af3169856.webp)

É por isso que a maioria dos wearables usa também um giroscópio, além do sensor de frequência cardíaca. Alguns smartwatches usam ainda o microfone para detetar sons exteriores.

## Conclusão

Dormir com uma cinta torácica mostrou que os dados captados pelo habitual sensor ótico de frequência cardíaca estão incompletos. Perturbações curtas (que provocam picos na frequência cardíaca) passam facilmente despercebidas.

De certa forma, o sensor ótico é como um velocímetro que só funciona algumas vezes por hora. Os dados adicionais do giroscópio e do microfone não conseguem compensar totalmente o que falta. Acharias que o teu velocímetro estava avariado!

Por isso, pensa bem se vale a pena todo o esforço de monitorizar o sono com um sensor de pulso. Talvez seja melhor gastares o teu tempo e a tua energia noutra coisa, como dormir! Bons sonhos!

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## Monitores de frequência cardíaca óticos vs. de cinta torácica

*Medir batimentos por minuto com sensores diferentes* · 2019-07-15 · https://willem.com/pt/2019-07-15_monitores-de-frequencia-cardiaca-oticos-vs-de-cinta-toracica/

Com os wearables, smartwatches e pulseiras de atividade modernos, medir a frequência cardíaca tornou-se fácil e comum. Mas há diferenças fundamentais entre os tipos de sensor. Alguns captam o sinal elétrico do coração, outros usam luz para analisar o sangue que corre nos teus vasos. Se te interessa medir a frequência cardíaca, convém perceber estas diferenças.

## Medir a tua frequência cardíaca

Se quiseres medir a tua frequência cardíaca (FC), tens basicamente três opções:

- **manualmente**: põe o dedo num dos vasos sanguíneos maiores do corpo. Quando sentires o pulso, conta durante 10 segundos e multiplica por seis para obteres um valor de 'batimentos por minuto' (BPM).

- **com um sensor de elétrodos**: com dois ou mais elétrodos no corpo, este tipo de sensor capta a atividade elétrica do coração. É assim que funcionam os monitores cardíacos dos hospitais para fazer um eletrocardiograma (ou ECG). A maioria das cintas torácicas também funciona assim.

- **com um sensor ótico**: estes sensores têm pequenos LEDs na parte de baixo que projetam luz verde ou vermelha no pulso. Os diferentes comprimentos de onda interagem de forma diferente com o sangue que flui no pulso. O sensor analisa a luz refratada pelo sangue para fazer medições ou para criar um fotopletismograma (ou PPG). A maioria dos wearables, como smartwatches e pulseiras de atividade, funciona assim.

## Sensores óticos vs. sensores de elétrodos

Os dois tipos de sensor usam sinais diferentes para medir a mesma coisa: a frequência cardíaca. Esta é uma diferença fundamental, porque afeta muito a comodidade, a precisão e a eficiência energética do sensor.

### Sensor de elétrodos

Para captar a atividade elétrica do coração, este sensor precisa de contacto direto com o corpo, normalmente através de dois ou mais elétrodos. Num hospital ligam até doze, enquanto uma cinta torácica típica usa dois, colocados no corpo por uma cinta. Quando tem sinal, funciona com precisão e gasta pouca energia.

![O monitor cardíaco de um hospital usa elétrodos para captar a atividade elétrica do coração](https://willem.com/global/images/daad3bd9fd73.webp)

![Os elétrodos condutores da cinta torácica funcionam de forma semelhante ao monitor cardíaco dos hospitais](https://willem.com/global/images/3313b7c381f9.webp)

### Sensor ótico

Um monitor ótico precisa de um emissor de luz (normalmente LEDs verdes ou vermelhos) e de um fotossensor para analisar a luz refratada pelo sangue em circulação. Estes dados são analisados e transformados em métricas como a frequência cardíaca. Como este tipo de sensor exige processamento e vários componentes, gasta normalmente mais energia do que um monitor de elétrodos. A luz exterior (como o sol forte) pode interferir na precisão se o sensor não estiver perfeitamente justo ao pulso.

![O Biostrap tem um sensor ótico, no centro, mesmo entre dois LEDs](https://willem.com/global/images/df2636cbc686.webp)

![O Apple Watch tem um sensor ótico de frequência cardíaca, bem visível no meio da parte de baixo](https://willem.com/global/images/adf4d1369cd7.webp)

## Conclusão

Pela sua precisão, o sensor de elétrodos é usado habitualmente em hospitais e por atletas profissionais. A ligação elétrica direta ao corpo permite a monitorização em tempo real com pouca energia.

O sensor ótico não precisa de elétrodos nem de cintas para captar a atividade do teu coração. Pode funcionar num wearable ou smartwatch, diretamente no pulso. Isso permite-lhe medir a frequência cardíaca periodicamente, com conforto, o que é útil para uma monitorização de longa duração.

![Dados da frequência cardíaca com sensores diferentes: o treino foi captado (em pormenor, gráfico de baixo) com uma cinta torácica e as horas seguintes com um sensor ótico](https://willem.com/global/images/50b47bedbb47.webp)

Se combinares os dois tipos de sensor, obténs informações interessantes e detalhadas sobre a atividade do teu coração. Usa uma cinta torácica, ligada diretamente, para captar um treino em pormenor, e um monitor ótico (num wearable ou smartwatch) para captar a recuperação nas horas a seguir ao treino. Fiz_isto_durante_uma_pedalada_intensa_à_volta_do_Markermeer_no_início_deste_ano (https://willem.com/en/2019-05-29_solo-around-the-markermeer-211km/).

Os sensores óticos e os elétricos medem ambos a atividade do teu coração. No entanto, são fundamentalmente diferentes, por causa do sinal que usam para contar os batimentos por minuto. Se os combinares, podes tirar partido dos dois!

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## Montar uma bicicleta de carga

*Montar a bicicleta de carga Babboe Big* · 2019-06-25 · https://willem.com/pt/2019-06-25_montar-uma-bicicleta-de-carga/

Este mês chegou a nossa bicicleta de carga Babboe Big, em caixas. O engenheiro que há em mim achou boa ideia montá-la à mão. Assim ficaria a conhecer exatamente todas as peças e componentes, um conhecimento útil para a manutenção. Lê a minha experiência e algumas dicas práticas.

## Babboe Big

A Babboe Big é a bicicleta de carga original, de quando a empresa Babboe nasceu em 2006. Esta empresa neerlandesa queria criar uma bicicleta de carga acessível e de alta qualidade, própria para transportar crianças. A Big é a sua versão da tradicional bicicleta de carga neerlandesa de três rodas, e provou a si mesma que conseguia fabricar qualidade em escala a preços acessíveis. Desde então tem sido incrivelmente popular nos Países Baixos.

![Babboe Big](https://willem.com/global/images/3f54446cfbd3.webp)

## Montar a bicicleta de carga

Os quadros são fabricados e embalados na Ásia, em caixas planas. Se encomendares a bicicleta online, tens a opção de a montar tu mesmo. Em comparação com a opção de entrega 'pronta a andar', montá-la tu mesmo fica 300 € mais barato. Pareceu-me uma vitória fácil... afinal, que dificuldade pode ter montar uma bicicleta, não é?

![A Babboe Big, em caixas](https://willem.com/global/images/f94b848a6233.webp)

A bicicleta vem em várias caixas, com as rodas, partes do quadro, partes da caixa de carga em madeira e a traseira da bicicleta semimontada. É mesmo boa ideia pensares *onde* vais fazer a tua festa de montagem. Montar a bicicleta pode demorar horas e não queres andar a mudar de sítio todas as peças, porcas e parafusos.

![Rodas dianteiras e guarda-lamas](https://willem.com/global/images/c008e5a6ac0a.webp)

![Quadro dianteiro e caixa de madeira (ainda embalados)](https://willem.com/global/images/48e799582b1c.webp)

![Traseira da bicicleta, semimontada](https://willem.com/global/images/c4f8ba278585.webp)

![Uma infinidade de parafusos, porcas, anilhas e pernos...](https://willem.com/global/images/a97e2e90da51.webp)

![Manual de montagem... 67 páginas!](https://willem.com/global/images/c57b3fe10e7d.webp)

Depois de abrires todas as caixas, ficas com uma boa ideia do trabalho que dá montar a bicicleta. Ao contrário de uma bicicleta de estrada moderna, esta bicicleta de carga tem uma quantidade incrível de porcas e parafusos. Além disso, cada ligação de porca e parafuso requer duas, três ou até quatro anilhas. Escolher a combinação certa, de cada vez, demora tempo (e vale a pena prestar atenção!).

![Instruções passo a passo](https://willem.com/global/images/01c1a2dabfa2.webp)

Não tires os parafusos dos saquinhos, porque cada um está marcado com uma letra, usada como referência no manual. Presta muita atenção aos desenhos do manual, porque nem todas as peças são simétricas (e as diferenças visuais são minúsculas, como um furo de porca). Até o grande e magnífico autor destas linhas cometeu alguns erros..., o que me obrigou a desmontar partes da bicicleta em passos posteriores. Nada prático.

![O kit de montagem traz algumas ferramentas](https://willem.com/global/images/e0e6dc096c9f.webp)

![Ajuda ter as tuas próprias ferramentas de bicicleta](https://willem.com/global/images/4f91f20ed80e.webp)

Vais precisar de algumas chaves de bocas, chaves allen e uma chave de fendas para montar a bicicleta. A chave de 15MM, relativamente pouco comum, está incluída. Mas se andas metido_em_bicicletas_como_eu (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/), provavelmente já tens uma, porque é comum para montar pedais.

![Fixar as rodas dianteiras ao quadro](https://willem.com/global/images/44d7e0090770.webp)

## Precisão chinesa

Numa certa fase, tens de juntar o quadro traseiro e o dianteiro. Isto faz-se com uma ligação central, mesmo por baixo do compartimento de carga da bicicleta. É aqui que a precisão chinesa se torna realmente evidente (e assustadora).

![Usar placas de enchimento para compensar a Precisão Chinesa](https://willem.com/global/images/ac379b781be2.webp)

O kit de montagem traz placas de enchimento feitas de propósito, que deves enfiar à força para compensar os erros de precisão. Para garantir um ajuste firme, deves tentar usar as duas placas. Vai ser preciso algum malabarismo (os quadros dianteiro e traseiro não são propriamente leves), mas é possível encaixar tudo no lugar.

![Encaixar à força as placas de enchimento ao juntar o quadro traseiro e o dianteiro](https://willem.com/global/images/a8da4d2de6af.webp)

Não uses um martelo (de metal) para posicionar com precisão a placa de enchimento à frente dos furos, porque estraga a pintura do quadro.  Em vez disso, usa um pedaço de madeira e uma chave allen para fazer os ajustes necessários antes de apertares os parafusos.

![Usar um pedaço de madeira como martelo que 'não estraga a pintura'](https://willem.com/global/images/987e0d1194fa.webp)

![Usar uma chave allen para empurrar a placa de enchimento para a posição certa, libertando o furo do parafuso](https://willem.com/global/images/7ebe67903d41.webp)

## Gestão de cabos (ou falta dela)

Depois de ligar a parte da frente à de trás, tens de ligar os cabos dos travões às rodas dianteiras. Não há gestão de cabos prevista, tens de descobrir isso sozinho: a indicação é usar umas abraçadeiras (não incluídas) para prender tudo...

![Gestão de cabos limpa: reaproveitei o parafuso do guarda-lamas para fixar o cabo do travão](https://willem.com/global/images/362ea9f637aa.webp)

Numa altura em que as bicicletas modernas têm cabos internos, acho isto irremediavelmente antiquado. Faças o que fizeres para arrumar os cabos, testa se algum deles impede o balanço da caixa de carga. Não queres que nenhum cabo fique preso e cause danos ou um acidente.

![Testa o balanço da caixa de carga depois de fixares os cabos](https://willem.com/global/images/b4e26309952f.webp)

## Montar a caixa

Com o quadro (e os cabos) prontos, montar a caixa (de madeira) é relativamente simples. A própria caixa dá alguma integridade estrutural ao quadro (dianteiro). Por isso, é boa ideia garantir que apertaste todos os parafusos, mas só depois da montagem (final), porque alguns parafusos precisam de um pouco de folga para 'se mexerem' noutras peças.

![Bicicleta de carga de plataforma plana, mais ou menos :-)](https://willem.com/global/images/92d053214232.webp)

![Montar a caixa de carga](https://willem.com/global/images/016a4d1cddb8.webp)

Quando a caixa de carga estiver pronta, tens de escolher o "mobiliário interior" da bicicleta. É aqui que a flexibilidade do design realmente brilha. Vêm dois bancos rebatíveis de série, mas podes optar por não os usar, substituí-los ou complementá-los com cadeirinhas opcionais para bebés.

![Dentro da caixa de carga há dois bancos rebatíveis](https://willem.com/global/images/0b35f6ee193a.webp)

![Podes instalar cadeirinhas opcionais para bebés e crianças pequenas](https://willem.com/global/images/56b504485e17.webp)

## Conclusão

Depois de horas a montar a bicicleta de carga, sinto que a conheço de uma ponta à outra. Do ponto de vista da engenharia, é ótimo. Mas se és pai ou mãe e não tens tempo infinito... talvez devas considerar a opção de entrega com a bicicleta totalmente montada.

![Babboe Big, totalmente montada](https://willem.com/global/images/a80195290ca9.webp)

Seja qual for a tua escolha, percebo perfeitamente porque é que a Babboe Big é uma bicicleta de carga tão popular. A caixa grande é muito versátil e espaçosa. Além dos teus filhos, leva facilmente muito mais coisas, uma quantidade incrível!

![Um passageiro feliz na Babboe Big](https://willem.com/global/images/b06db8f74637.webp)

![O 'big' de Babboe Big](https://willem.com/global/images/25b16e256a4a.webp)

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## Seis meses com MCADD

*Ideias e dicas sobre o dia a dia como pais* · 2019-06-24 · https://willem.com/pt/2019-06-24_seis-meses-com-mcadd/

Amanhã faz seis meses que o nosso filho nasceu, uma boa altura para refletir sobre a experiência de ser pai de uma criança com MCADD. Esta doença metabólica exige atenção especial ao horário das refeições e preparação para quando as coisas correm de forma diferente. É bom partilhar que isto rapidamente se tornou normal para nós. Aqui ficam algumas ideias e dicas.

## Nascido com MCADD

Há seis meses o nosso filho nasceu_com_uma_doença_metabólica_genética_rara_chamada_"deficiência_de_acil-CoA_desidrogenase_de_cadeia_média"_ou_MCADD (https://willem.com/en/2019-01-29_born-with-mcadd/). Nas primeiras semanas foi uma verdadeira montanha-russa emocional. Além do acontecimento que muda a vida de quem se torna pai, tivemos de aprender a lidar com a MCADD. Junta-lhe algumas noites sem dormir e tens um verdadeiro teste de caráter.

Tal como notei depois das minhas_primeiras_semanas_como_pai (https://willem.com/en/2019-01-24_my-first-weeks-as-dad/), tu e o teu corpo adaptam-se depressa à nova situação. Com alguma criatividade e flexibilidade, encontras formas novas (e divertidas) de fazer as coisas. Imagino que isto seja verdade para quem é pai em geral, mas quando o teu filho tem uma condição médica especial, encontrar uma boa rotina sabe mesmo a conquista.

## Regurgitação (refluxo) e cólicas

Nos primeiros dois meses tivemos alguns problemas práticos com regurgitação e cólicas. Isso dificultava o adormecer do nosso filho, o que é complicado em combinação com o horário rigoroso das refeições. Com a MCADD tens de respeitar o horário, o que significa acordar o bebé. É chato acordar um bebé que dorme na perfeição, quando sabes que vai ser difícil voltar a adormecê-lo.

![Combater as cólicas com Infacol e o refluxo com Nutriton ](https://willem.com/global/images/86709ad4cb5f.webp)

A regurgitação resolveu-se facilmente espessando um pouco o leite com Nutricia Nutriton, que contém *Johannesbroodpitmeel* (farinha de alfarroba). As cólicas incómodas foram aliviadas com Infacol. Consultámos o nosso médico antes de o fazer.

## Comer, dormir, brincar, repetir

Com os problemas práticos controlados, conseguimos estabelecer uma boa rotina. É um processo natural em que simplesmente abraças o ritmo e descobres o que funciona e o que não funciona. Fazemos todo o tipo de coisas: passear, ir às compras, nadar, ir a um restaurante, andar de transportes públicos, visitar a família, fazer viagens longas de carro, etc.

![Boing boing, olá papá! A brincar!](https://willem.com/global/images/16d9ef0fb567.webp)

![Bebidas quentes para pai e filho, em passeio](https://willem.com/global/images/5295f3b91622.webp)

Vais aprendendo pelo caminho, ficando mais à vontade para cuidar e alimentar fora de casa. Espero que seja muito parecido com a experiência de qualquer pai, mas com uma condição médica especial, ganhar esta confiança é mesmo muito importante.

## Lidar com a MCADD

Lidar com a MCADD passou a fazer parte da nossa rotina, já nem pensamos nisso como algo especial. Graças à atenção que damos ao horário das refeições, não tivemos problemas por falta de alimento.

Houve algumas ocasiões em que estivemos em 'alerta extra', nomeadamente quando o nosso filho teve a primeira constipação e quando foi vacinado. Com a MCADD, a febre pode levar a situações perigosas, porque o corpo queima mais energia. Estamos preparados para essas situações, com comida muito energética, medicação, informação e procedimentos de emergência.

![Lidar com a MCADD, o medicamento L-Carnitina e o pó energético Fantomalt (foto de Ellen Middelkoop)](https://willem.com/global/images/15b2737b36aa.webp)

## Refeições à noite

As refeições regulares à noite fazem parte do horário de um bebé com MCADD. As horas exatas mudam à medida que a criança cresce, mas por agora as refeições noturnas mantêm-se. Sou eu que faço praticamente todas, para me ir habituando.

![Refeição à noite (foto de Ellen Middelkoop)](https://willem.com/global/images/b4cf502a81a8.webp)

Se olhares para os dados do sono dos primeiros seis meses, vês as refeições, porque marcam o início, o fim ou uma interrupção do meu sono (as interrupções são roxas no gráfico).

![Dados do sono durante os primeiros seis meses](https://willem.com/global/images/d3934cf2ec82.webp)

Vê-se a hora da refeição a passar das 2.30 no primeiro mês até às 5.00 em maio e junho. Se tiveres olhos de lince, reparas que as interrupções também ficam mais curtas. É porque as refeições se tornam mais eficientes e mais rotineiras.

Acabei por experimentar ficar acordado depois da última refeição da noite, aproveitando as primeiras horas da manhã para ser produtivo no trabalho. Também se vê que muitas vezes me deito cedo ou faço uma sesta durante o dia, para garantir que, em média, durmo horas suficientes.

![Hora de acordar (foto de Ellen Middelkoop)](https://willem.com/global/images/bcd0455a1bf6.webp)

## Conclusão

Depois das primeiras semanas intensas, os primeiros seis meses têm sido muito bons para todos nós. Aprendemos muito e vivemos muita "normalidade". Isso permitiu-nos criar uma rotina para lidar com a MCADD, sem pensar nisso o tempo todo.

Há sempre a possibilidade de virmos a ter problemas com a MCADD mais tarde, mas isso não nos impede de fazer tudo o que os outros pais e crianças fazem! Essa é a mensagem principal a reter deste artigo!

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## Sozinho à volta do Markermeer (211KM)

*Dicas para preparar, aguentar e desfrutar de ciclismo de longa distância* · 2019-05-29 · https://willem.com/pt/2019-05-29_sozinho-a-volta-do-markermeer-211km/

Esta semana peguei na bicicleta e fiz uma volta de longa distância (211KM) ao Markermeer, nos Países Baixos, sozinho! Ao contrário de participar num evento organizado, com assistência, apoio e companhia pelo caminho, ir sozinho exige outra preparação, outra mentalidade e outro planeamento. Lê algumas dicas práticas para ciclismo de longa distância.

## Preparação

Quando planeias uma volta de bicicleta de longa distância, é melhor preparares-te. Começa por percursos mais curtos, habitua-te à bicicleta e a estar sentado no selim durante períodos cada vez maiores. Tu e a tua bicicleta têm de ser os melhores amigos antes de partirem para a grande viagem.

### Bicicleta

Conheço muito bem a minha bicicleta, porque é a minha_bicicleta_de_deslocações_diárias (https://willem.com/en/2019-02-27_one-year-on-the-ultimate-commuter-bike/). Para esta volta de longa distância preparei-a com alguns extras:

![A minha bicicleta preparada para ciclismo de longa distância](https://willem.com/global/images/79a24aa34b54.webp)

- **Ferramentas + pneu**: Na bolsa do selim levo um pneu sobresselente e todas as ferramentas necessárias para desmontar a bicicleta inteira e voltar a montá-la!

- **Pneu extra**: Por precaução, gosto de levar mais um pneu sobresselente. As lojas estão fechadas de manhã cedo e há sempre a possibilidade de furar quando passas por vilas e cidades. 

- **Bomba**: Uma bomba portátil mas potente, com dois modos: grande volume e alta pressão. Dica de profissional: experimenta encher os pneus com a bomba portátil pelo menos uma vez antes de partir!

- **Cadeado**: Quando andas sozinho, convém aproveitar as lojas pelo caminho para arranjar mais comida e bebida. Não queres que te roubem a bicicleta durante uma volta de longa distância...

- **Luzes**: Garante que és visível quando partes de manhã cedo, atravessas nevoeiro ou regressas à noite. Prepara-te para a possibilidade de a volta demorar mais do que o planeado (por avaria mecânica, condições difíceis ou outros motivos). 

- **Ecrã**: Ou te conheces muito bem ou usas um monitor de frequência cardíaca para dosear o esforço durante a volta. O pior que podes fazer é ir depressa demais no início. Lê sobre o meu_ciclocomputador_neste_artigo_do_blogue (https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/).

- **Campainha**: Quando andas sozinho, não podes contar com os outros para 'abrir caminho'. Uma campainha gera respostas mais simpáticas do que gritar...

- **Bebida energética**: Um dos meus bidões leva bebida desportiva isotónica. Tem muito açúcar *e* sal, para compensar o que perdes com o suor. 

- **Água**: O outro bidão leva simplesmente água. Hidratares-te pelo caminho é essencial. Bebe o suficiente e prepara-te para reabastecer (em lojas, restaurantes, casas de banho públicas, bebedouros públicos, aldeões simpáticos, etc).

- **Guarda-lamas**: Mesmo sem chuva, as estradas podem estar molhadas e sujas. Não podes apanhar frio pelo caminho por causa de um azar com a roupa molhada. 

- **Pneus de estrada eficientes**: Claro que queres pneus o mais eficientes possível em termos de resistência ao rolamento. Experimenta pneus e pressões diferentes. E pratica também a troca de um pneu furado!

### Comida e bebida

Quando fazes ciclismo de longa distância, tens de levar comida e bebida suficientes. Costumo levar "Snelle Jelle", um snack açucarado, tipo pão, muito energético. Também gosto de bolachas de fruta, porque são mais estaladiças.

![A minha comida e bebida para esta volta](https://willem.com/global/images/8c92328c7eed.webp)

É muito importante escolheres alimentos de que gostas. Outras opções comuns são fruta e géis energéticos. Seja o que for que escolhas, sabe que o teu corpo processa o açúcar de forma mais eficiente do que as gorduras durante exercício de resistência.

![Leva comida com muita energia vinda do açúcar, não da gordura!](https://willem.com/global/images/4de291d20f67.webp)

Não deves comer demasiado antes de partir. Costumo beber 1,5 litros de água e comer um pouco de fruta antes de sair. Mas o que funciona para mim pode ser diferente para ti. Experimenta coisas diferentes para descobrires o que te serve melhor.

### Planeamento do percurso

Saber para onde vais é tão importante como preparar a bicicleta e a comida e bebida! Planeia o percurso com base na distância, no tempo (de luz do dia) disponível, nas características do ambiente (montanhas, colinas, zonas abertas e ventosas) e nos pontos de interesse.

Memoriza o percurso, usa um sistema de navegação ou leva um mapa. Nos Países Baixos há muitos percursos (de bicicleta) sinalizados que ajudam a encontrar o caminho. Eu tenho uma preferência pessoal (esquisita) por encontrar o caminho sem qualquer meio de navegação, porque acrescenta aventura, mas não deves seguir a minha loucura até este ponto...

![À volta do Markermeer, pelo antigo "Zuider Zee" neerlandês](https://willem.com/global/images/bdf1326b067d.webp)

Desta vez planeei dar a volta ao Markermeer. Hoje é um grande lago, mas já foi muito maior e chamava-se "Zuider Zee". Depois de inundações, decidiu-se fechá-lo com diques e drená-lo. Literalmente, é um marco neerlandês em obras hidráulicas. Se não conheces, vê mesmo a história de Flevoland (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Flevoland) e das obras_do_Zuiderzee (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Zuiderzee_Works), é de uma beleza impressionante!

O que torna o percurso do Markermeer fascinante é que atravessas ambientes muito diferentes. A oeste fica a "velha Holanda", com várias vilas e cidades famosas (como Hoorn, Edam, Volendam e Monickendam). A norte pedalas pelo antigo mar no Houtribdijk (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Houtribdijk), um dique artificial de 30KM que fecha o lago. É impressionante ter água à esquerda *e* à direita, até onde a vista alcança! A parte leste do percurso é a nova terra (Flevoland), caracterizada por retas (muito) longas, muitos espaços abertos e pela reserva_natural_Oostvaarders_Plassen (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Oostvaardersplassen). A parte sul é terra antiga outra vez, com o castelo_Muiderslot (https://www.muiderslot.nl/) e Amesterdão.

## Resistência

Bem preparado, parti de manhã cedo para a minha volta ao Markermeer. É boa ideia consultar (à última hora) a previsão do tempo para o dia. O serviço meteorológico neerlandês previa ventos fortes no Markermeer. Planeei começar com calma, para estar pronto para os ventos (fortes) na segunda metade da volta.

![Velocidade (azul) e esforço (vermelho, frequência cardíaca) à volta do Markermeer com ventos fortes (6 beaufort, 39-49KM/h) ](https://willem.com/global/images/5c06929f6fa2.webp)

Decidi fazer o percurso no sentido horário, porque gostei do desafio de enfrentar os ventos fortes nos diques abertos de Flevoland (entre Lelystad e Almere). Vês que comecei com esforço mínimo, indicado pelas frequências cardíacas mais baixas. Os gráficos marcam claramente o ponto de viragem, mais ou menos a meio, a partir do qual há frequências mais altas e velocidades mais baixas.

![Frequência cardíaca durante o dia e a noite da minha volta de longa distância](https://willem.com/global/images/dc7ebf70404f.webp)

Se olhares para a minha frequência cardíaca ao longo do dia e da noite, a volta destaca-se claramente. Usei um Apple_Watch (https://willem.com/en/watches-and-time-a-decade-of-horology-technology-and-craft/) e um sensor_Biostrap (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/) para registar a minha frequência cardíaca antes *e* depois da volta. Combinado com os dados da minha app_de_ciclocomputador (https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/), dá uma perspetiva interessante do tempo que demoro a recuperar de uma volta de longa distância tão intensa!

## Desfrutar

O ciclismo de longa distância é muito divertido, porque vives a volta de forma muito intensa e pormenorizada.

### Aldeias pitorescas

De bicicleta és bem-vindo onde carros, comboios, autocarros e aviões não chegam. Atravessa aldeias e centros de cidades sem esforço.

![Porto em Marken ](https://willem.com/global/images/d6452a337ab9.webp)

![Eclusa em Schardam](https://willem.com/global/images/d1790dad25d5.webp)

### Vistas deslumbrantes

Com a bicicleta podes parar (quase) em qualquer lado para apreciar vistas lindas. Há muito para ver, se te deres ao trabalho de olhar à volta.

![Céu lindíssimo no Houtribdijk](https://willem.com/global/images/677bca9bbd36.webp)

### Ar fresco

Cheira as flores, as árvores e o mar. Redescobre o teu nariz, libertando-o dos muitos ambientes com ar condicionado em que normalmente estás.

![A olhar por cima do Markermeer para a (antiga) ilha de Marken](https://willem.com/global/images/80826f81eed0.webp)

### Calor do sol

Apesar de estar a cerca de 149 milhões de quilómetros, sentes o sol, mesmo com nuvens! Para o bem ou para o mal, é uma sensação intensa! Produz Vitamina_D (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Vitamin_D) e dispensa o solário.

![Oostvaardersplassen perto de Lelystad](https://willem.com/global/images/52290408de6e.webp)

### Força do vento

Esquece as aulas de spinning do ginásio, não há nada como o vento a céu aberto! É um aliado poderoso ou um inimigo feroz... conforme a direção e a velocidade.

![Vento forte sobre a água, com Amesterdão no horizonte, visto de Almere](https://willem.com/global/images/62a77483b7fb.webp)

### Som do silêncio

Se andas sozinho, tens muito tempo só para ti. A natureza pode ser muito calmante quando estás na estrada de manhã cedo, muito antes de as outras pessoas acordarem. Alivia o stress enquanto pedalas com muito tempo para pensar. É difícil exagerar os efeitos meditativos de uma volta de longa distância!

![Só tu e a estrada em frente (Zeedijk perto de Marken)](https://willem.com/global/images/f573ec0cc146.webp)

### Abraça a surpresa

Nunca se sabe bem o que vais encontrar pelo caminho. Nunca pensei passar de bicicleta por baixo de um grande veleiro! Nem sentar-me dentro de um pequeno autocarro com um motorista simpaticíssimo!

![A passar de bicicleta por baixo de um grande veleiro!](https://willem.com/global/images/4924f9228be8.webp)

![Um bloqueio inesperado na estrada, mais ou menos a meio do Houtribdijk](https://willem.com/global/images/7d37b4b6c948.webp)

![Eu e a minha bicicleta no Houtribdijk! Não como imaginei!](https://willem.com/global/images/72f685db8461.webp)

## Conclusão

Com a preparação certa, uma volta de bicicleta de longa distância é algo fantástico! É intensa, desafiante, compensadora e divertida!

![A sorrir no Markermeer](https://willem.com/global/images/a0d298de554d.webp)

Não duvides de ti, qualquer pessoa consegue! Não sou um atleta particularmente bom, só um tipo com uma ideia maluca e um pouco de preparação. Às vezes basta!

![Lar, doce lar! 211 quilómetros incríveis!](https://willem.com/global/images/ba2710e0fa2f.webp)

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## Dig para totós

*Explicação de uma ferramenta de rede utilíssima* · 2019-05-24 · https://willem.com/pt/2019-05-24_dig-para-totos/

Quando crias sites, apps ou serviços de e-mail, podes cruzar-te com nomes de domínio e as suas configurações. Quando tudo funciona como deve ser, quase tudo isto é invisível. Mas, ao resolver problemas na configuração de um nome de domínio, pode ser preciso escavar um pouco mais... lê e aprende como!

## Sistema de Nomes de Domínio (DNS)

A internet funciona com endereços numéricos de protocolo de internet (IP) para localizar e identificar computadores, serviços (na nuvem) e dispositivos online. Em vez de memorizar todos esses endereços IP, o sistema de nomes de domínio tornou-se o serviço de diretório essencial da internet, que liga nomes a números.

Estás a ler isto em **willem.com**, mas na realidade este nome de domínio é apenas um apontador para uma máquina física, ligada à internet (com fios, a sério!). Um desses fios está ligado ao endereço IP **87.253.135.162**. É responsabilidade do servidor DNS manter os números (endereços IP) certos associados aos nomes (de domínio).

![O Sistema de Nomes de Domínio (DNS) liga nomes de domínio a endereços IP, que por sua vez são encaminhados por cabos. Estás a ler isto - a sério! - através do cabo ligado ao servidor que se vê nesta fotografia!](https://willem.com/global/images/b02bcfa4dfab.webp)

## Distribuído e descentralizado

Quando os americanos conceberam a ARPANET, no início dos anos setenta, um dos requisitos militares era que a rede sobrevivesse a ataques (de inimigos). Conseguiram-no com a comutação de pacotes, uma forma de partilhar e reutilizar os cabos de rede entre várias pessoas e de várias maneiras. Se uma parte da rede for danificada, os pacotes de informação são reencaminhados por outras partes da rede.

![Um mapa da ARPANET em 1973... imagina mapear a internet de hoje!  (Domínio público)](https://willem.com/global/images/0ecb8ad41dca.webp)

Para conseguir a máxima capacidade de sobrevivência, não existe um único servidor DNS raiz. Em vez disso, o sistema de nomes de domínio delega a responsabilidade de atribuir nomes de domínio e os respetivos mapeamentos, designando um servidor de nomes autoritativo para cada nome de domínio.

É por isso que existem tantos servidores DNS e configurações diferentes. Com tantas formas e sítios onde as coisas podem correr mal, precisas de uma ferramenta para escavar.

## dig (domain information groper)

O comando 'dig' é uma ferramenta para interrogar servidores de nomes DNS sobre endereços IP, nomes de anfitrião, servidores de e-mail e outras configurações de rede. O comando dig está disponível em Unix, macOS, GNU/Linux e Windows.

### Usar o dig para interrogar servidores de nomes de domínio

Podes usar o dig para obter informações sobre um dado nome de domínio, escrevendo simplesmente: 'dig willem.com'. Vê a seguinte captura de ecrã com explicação:

![Usar o dig para obter informações sobre um nome de domínio, willem.com](https://willem.com/global/images/35dfaed28848.webp)

- 1) **dig willem.com** devolve toda a informação sobre a pergunta, a resposta, a autoridade (quem respondeu à pergunta) e estatísticas da consulta em si (como o tempo que demorou a obter resposta). 

- 2) **dig +short willem.com** omite toda a informação extra e devolve só a resposta. Aqui vês que **willem.com** aponta para o endereço IP **87.253.135.162**.

- 3) **dig +short willem.com MX** mostra os registos de troca de correio (MX). Os registos MX são cruciais para o e-mail chegar ao servidor certo. Basicamente, é a indicação da estação de correios responsável pelo e-mail associado ao nome de domínio. Para **willem.com** é um serviço de e-mail chamado **online.lemmid.com**. Outros serviços de e-mail populares são o Office365 e o Google Gmail. Com o dig podes descobrir que serviço de e-mail alguém usa.

- 4) **dig +short willem.com NS** mostra os servidores de nomes responsáveis por tratar as consultas deste nome de domínio. Normalmente são os servidores operados pelo registo de nomes de domínio, o teu fornecedor de domínios. Com o dig podes descobrir que tipo de fornecedor de domínios alguém usa (no caso de **willem.com**, é a **Lemmid**). 

- 5) **dig +short willem.com TXT** devolve o registo de texto associado ao nome de domínio, onde encontras o chamado registo SPF. O registo SPF é outra peça crucial do e-mail, vale a pena escavar um pouco mais sobre o SPF. 

## Sender Policy Framework (SPF)

Para detetar endereços de remetente falsificados em e-mails (o chamado e-mail spoofing), a norma SPF foi definida em 2004. Chamava-se originalmente "Sender Permitted From" e é uma forma de verificar se alguém tem autorização para enviar e-mail em nome de um dado nome de domínio. O SPF permite ao dono de um nome de domínio especificar quais os computadores autorizados a enviar e-mail com endereços FROM desse domínio.

Se o dono de um nome de domínio publica um registo SPF, é menos provável que spammers e phishers (ab)usem o domínio para enviar e-mails falsificados, a fingir que vêm desse domínio. Um domínio protegido por SPF tem, por isso, menos probabilidade de ser posto em listas negras por filtros de spam, o que torna mais provável que o e-mail legítimo do domínio chegue ao destino. Um registo SPF mal configurado pode, no entanto, perturbar a entrega de e-mail.

### Usar o dig para consultar registos SPF

Com o comando dig podes consultar um registo SPF e ver qual é exatamente a política de remetentes. Vê a seguinte captura de ecrã com explicação:

![Usar o dig para obter informações sobre os registos SPF de um nome de domínio, google.com](https://willem.com/global/images/a865a4e8afcd.webp)

- 1) **dig +short TXT google.com** mostra-nos o registo TXT configurado para google.com, o sítio onde encontras o registo SPF (entre outras coisas). O registo SPF de **google.com** é **"v=spf1 include:_spf.google.com ~all"**. A parte **include:** significa que, para este nome de domínio, também devem ser carregados valores SPF externos. 

- 2) **dig +short TXT _spf.google.com** mostra quais são realmente esses valores SPF externos de **google.com**. Neste caso revela mais três includes: "_netblocks.google.com", "_netblocks2.google.com" e (que original..) "_netblocks3.google.com". 

- 3) **dig +short TXT _netblocks.google.com** (e as variantes 2 + 3) especificam os endereços IP que realmente podem enviar e-mail em nome de **google.com**. Como a Google é uma grande empresa de internet, há muitos endereços IP nestas listas. Se olhares com atenção, vais notar que alguns têm um sufixo "/", como "/24". É a forma de notar um bloco inteiro (por exemplo, uma rua) de endereços IP. 

## Blocos de IP explicados

A forma mais fácil de perceber a notação de blocos de endereços IP é através dos seguintes exemplos:

- **/8 = 255.0.0.0**

- **/16 = 255.255.0.0**

- **/24 = 255.255.255.0**

- **/32 = 255.255.255.255**

Onde vês '0' nos endereços acima, outros valores estão incluídos. Assim, por exemplo, 173.194.0.0/16 significa na verdade "todos os endereços que começam por '173.194' ". Com 255 posições possíveis em cada octeto, são 255x255=65025 endereços diferentes!

## Conclusão

Para resolver problemas, tens de saber onde está o problema. Com o comando dig podes conhecer uma dada configuração de rede e de domínio.

As respostas de um comando para o outro permitem-te escavar fundo nas entranhas da fantástica interweb. Boa sorte!

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## A melhor app de ciclocomputador: Cyclemeter

*Obtém dados avançados das tuas voltas com uma configuração flexível* · 2019-04-30 · https://willem.com/pt/2019-04-30_a-melhor-app-de-ciclocomputador-cyclemeter/

Este mês intensifiquei o treino para ficar em forma para a Fietselfstedentocht deste ano, uma volta de bicicleta de 235KM pela Frísia. Ao longo dos anos testei vários tipos de ciclocomputadores: desde os dedicados (e caros) Garmin Edge até não recolher dados. Por fim, cheguei a uma configuração flexível para recolher dados avançados das voltas com o smartphone. Explico como funciona.

## Dados na tua bicicleta

Se recolheres dados na bicicleta, podes ter uma ideia do teu desempenho físico. Se registares os dados das tuas voltas ao longo do tempo, podes melhorar a tua condição. Isto pode ser útil se estás a preparar uma longa_gran_fondo (https://willem.com/en/2017-06-30_fietselfstedentocht-2017/), uma corrida, ou se simplesmente queres perder peso e sentir-te mais em forma. Com a tecnologia moderna, podes recolher dados de ciclismo como:

- Distância

- Metros de altitude (com barómetro e/ou GPS)

- Tempo de pedalada

- Velocidade (atual/média/máxima)

- Frequência cardíaca (atual/média/máxima)

- Cadência (rotações por minuto das tuas pernas)

- Temperatura

- Localização GPS (e percurso feito)

- Potência (força muscular, medida em WATT)

## Ciclocomputadores: hardware para recolher dados das voltas

Se pensas recolher dados das tuas voltas de bicicleta, tens muitas opções de hardware. Ao longo dos anos usei várias configurações para recolher dados. Desde ciclocomputadores_Garmin_EDGE_dedicados (https://willem.com/en/2016-12-31_one-year-of-cycling/), a só_um_Apple_Watch (https://willem.com/en/2018-09-27_swimming-and-cycling-with-apple-watch/), até não_recolher_dados (https://willem.com/en/2018-05-17_listen-to-your-body/).

![Garmin EDGE 1030 performance bundle (de evancycles.com)](https://willem.com/global/images/6165a6aeebd7.webp)

Se optares por um ciclocomputador dedicado, podes escolher sistemas muito avançados como o Garmin EDGE 1030. É o que usam os atletas profissionais. São muito avançados e, por isso, caros (mais de 500 €). Pode ser um exagero, sobretudo se só pensas recolher dados de voltas mais curtas (até à mercearia...).

Como alternativa, podes optar por uma abordagem mais minimalista. O ciclocomputador_analógico_Omata_One (https://willem.com/en/2020-09-29_riding-with-omata-one/) foi desenhado para "descomputorizar" a própria volta. Continua a recolher dados para analisar depois. Este design consciente também não é barato (550 $).

![Omata One (omata.com), ciclocomputador analógico minimalista](https://willem.com/global/images/c3071edff9d2.webp)

## Usar o smartphone como ciclocomputador

Prefiro sempre soluções simples para problemas avançados. Por isso, comprar um ciclocomputador dedicado e caro pareceu-me errado, sabendo que já ando com um computador móvel avançado (e caro (https://willem.com/en/2018-10-09_using-a-budget-android-as-main-smartphone/) ): o meu smartphone!

### A app de ciclocomputador Cyclemeter

Disponível para iOS (https://itunes.apple.com/us/app/cyclemeter-gps-cycling-running-mountain-biking/id330595774?mt=8) e Android (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.abvio.meter.cycle), o Cyclemeter é provavelmente a app de ciclocomputador mais avançada que podes encontrar.

![Usar o Cyclemeter como ciclocomputador para recolher dados avançados das voltas](https://willem.com/global/images/19acd3932dd0.webp)

A app tem uma quantidade incrível de funções e opções, que no início podem sobrecarregar-te facilmente. Deves mesmo dedicar tempo a configurá-la ao teu gosto (e às tuas necessidades). O melhor do Cyclemeter é que controlas muito bem os dados que recolhe e os que mostra.

## Sensores e ecrãs

Para tirar o máximo da app Cyclemeter, podes ligá-la a sensores externos. É compatível com muitos sensores Bluetooth de velocidade, cadência, potência e frequência cardíaca. Se gostas de dados em tempo real, podes até ligá-la a ecrãs externos como o Apple Watch ou um ecrã Wahoo RFLKT no guiador.

![A minha 'rede de área da bicicleta': sensores (vermelho) e ecrãs (verde) ligados ao smartphone](https://willem.com/global/images/c0d0468f99c7.webp)

O que é ótimo na configuração com o Cyclemeter é a flexibilidade. Podes ligar tudo ou deixar coisas de fora. Uso esta flexibilidade para aumentar ou reduzir a recolha de dados, conforme o tipo de volta. Por vezes uso o sensor de frequência cardíaca do Apple Watch e outras vezes um sensor dedicado (e eficiente em energia) que se usa à cintura.

![O sensor combinado de velocidade e cadência montado na minha bicicleta](https://willem.com/global/images/b72bfc77d4e4.webp)

O ecrã Wahoo RFLKT+ é um aparelho baratíssimo (±50 €) que se liga ao smartphone para mostrar dados. Não é um computador: só mostra dados. A autonomia da bateria é fantástica, medida em meses! Com o Cyclemeter podes configurá-lo para mostrar coisas diferentes.

![Ecrã Wahoo RFLKT+ a mostrar muitas coisas](https://willem.com/global/images/572f2f970266.webp)

Conforme a tua preferência, podes criar várias páginas com layouts e tamanhos de letra diferentes. Além do ecrã avançado (mostrado acima), gosto de usar um ecrã simples por defeito com a minha velocidade atual e a frequência cardíaca.

![Ecrã Wahoo RFLKT+ a mostrar a velocidade atual e a frequência cardíaca](https://willem.com/global/images/53f00e45b084.webp)

Normalmente ponho o meu smartphone_numa_bolsa (https://willem.com/en/2018-12-22_business-in-a-bag/) para o proteger do mau tempo. Fica bem guardado e controlo a app Cyclemeter com o Apple Watch. Podes usar o Apple Watch para iniciar/pausar/parar voltas, mostrar dados e recolher a frequência cardíaca. Funciona às mil maravilhas com o Cyclemeter.

![O Apple Watch funciona às mil maravilhas com o Cyclemeter](https://willem.com/global/images/504937b129d9.webp)

Se te sentes aventureiro, podes montar o teu caro iPhone no guiador da bicicleta com uma tira de borracha ou com um sistema de montagem mais profissional (e fiável) como o Quad Lock.

![A sentir-me aventureiro, a montar um iPhone de 1659 € no guiador com uma tira de borracha](https://willem.com/global/images/195fbce1b3a7.webp)

![Sistema de montagem para smartphone Quad Lock](https://willem.com/global/images/455f4d2401ab.webp)

## Conclusão

Dá-te tempo para perceber que tipo de dados das voltas é importante para ti. O teu smartphone é um computador móvel perfeito, que pode ser um ciclocomputador com o software certo.

Liga o teu smartphone a sensores e ecrãs para recolher todos os dados avançados que quiseres. Acho que os ciclocomputadores dedicados são como as câmaras ou os sistemas de navegação dedicados: ótimos para alguns profissionais, mas será que *tu* precisas mesmo de um? Eu não. Boas pedaladas!

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## Pesquisa como um profissional: operadores de pesquisa do Google

*Lista completa de operadores de pesquisa avançados* · 2019-04-25 · https://willem.com/pt/2019-04-25_pesquisa-como-um-profissional-operadores-de-pesquisa-do-google/

Provavelmente usas todos os dias o motor de pesquisa mais famoso do mundo para encontrar coisas, mas talvez não conheças alguns dos seus operadores de pesquisa avançados. Podes usar estas expressões especiais para encontrar coisas que, de outra forma, ficam enterradas nos resultados. Lê a lista completa de operadores de pesquisa avançados do Google.

## Porquê usar operadores de pesquisa avançados?

Talvez te perguntes porque precisarias dos operadores de pesquisa avançados. Podes usá-los para restringir a pesquisa a páginas muito específicas. Isto pode ser útil para coisas como:

- **pesquisa sobre um tema**: Se conheces um produto, empresa, clube, concorrente ou tema específico e queres encontrar páginas relacionadas, mas não necessariamente com a mesma palavra-chave. Como páginas_relacionadas_com_o_Ajax (https://www.google.com/search?q=related%3Aajax.nl), o clube de futebol de Amesterdão. 

- **reconhecimento em cibersegurança**: Se és especialista em cibersegurança (https://willem.com/en/self-hosting-running-your-own-infrastructure-on-linux/) e precisas de encontrar uma página específica num dado nome de domínio. Por exemplo, para encontrar especificamente a página_de_login_de_um_certo_site (https://www.google.com/search?q=allintitle%3Alogin+site%3Aajax.nl). 

- **análise de palavras-chave para otimização para motores de pesquisa**: Se tens o teu próprio site ou blogue, pode ser muito útil conhecer a popularidade de uma certa palavra-chave. Por vezes, escolher a palavra-chave certa faz toda a diferença no tráfego (e no sucesso comercial). 

- **encontrar imagens específicas**: Se procuras uma captura de ecrã, fotografia ou ilustração específica, podes restringir a pesquisa para chegares mais depressa ao que queres. Por exemplo, para encontrar o diploma_de_natação_de_uma_certa_pessoa (https://www.google.com/search?q=site:willem.com+zwemdiploma&tbm=isch&tbs=isz:l&prmd=inv&biw=592&bih=663). 

### "expressão de pesquisa"

Faz uma pesquisa de correspondência exata, colocando a expressão de pesquisa entre aspas. Podes usar isto para refinar os resultados ou para excluir correspondências parciais.

*exemplo: "Willem_Laurentz_Middelkoop"(https://www.google.com/search?q=%22Willem+Laurentz+Middelkoop%22)*

### AND

Pesquisa por X e Y: os resultados incluem páginas que correspondem às duas palavras-chave.

*exemplo: Ronaldo_AND_Juventus (https://www.google.com/search?q=Ronaldo+AND+Juventus)*

### OR

Pesquisa por X ou Y: os resultados incluem páginas que correspondem a uma ou às duas palavras-chave. Podes usar o operador barra vertical (|) em vez de "OR".

*exemplo: Apple_|_Samsung (https://www.google.com/search?q=Apple+%7C+Samsung)*

### Excluir/Menos: -

Exclui os resultados que correspondem a um termo ou expressão precedido do sinal de menos. É útil quando procuras especificamente algo que não seja X ou Y.

*exemplo: Jackson_-Michael (https://www.google.com/search?q=jackson+-michael)*

### define:

Usa o dicionário integrado do Google para mostrar o significado de uma palavra.

*exemplo: define:hacker (http://google.com/search?q=define%3Ahacker)*

### cache:

Mostra a versão mais recentemente rastreada de um dado site. Pode ser útil quando o site está offline ou mudou há pouco tempo. Só funciona se a página estiver indexada pelo Google (a maioria está).

*exemplo: cache:formula1.com (https://www.google.com/search?q=cache%3Aformula1.com)*

### site:

Pesquisa dentro de um dado site (ou parte do endereço de um site).

*exemplo: watch_band_site:www.apple.com (https://www.google.com/search?q=watch+band+site%3Awww.apple.com)*

### related:

Encontra sites que estão de algum modo relacionados com um dado site.

*exemplo: related:ajax.nl (https://www.google.com/search?q=related%3Aajax.nl)*

### filetype:

Mostra apenas resultados de um dado tipo de ficheiro, como PDF,   XLSX, TXT ou DOCX.

*exemplo: ascii_art_filetype:txt (https://www.google.com/search?q=ascii+art+filetype%3Atxt)*

### intitle:

Mostra apenas páginas com uma certa expressão de pesquisa no título.

*exemplo: intitle:privacy (https://www.google.com/search?q=intitle%3Aprivacy)*

### allintitle:

Como o 'intitle', mas só mostra páginas com *todas* as palavras indicadas na etiqueta do título.

*exemplo: allintitle:privacy_statement (https://www.google.com/search?q=allintitle%3Aprivacy%20statement)*

### intext:

Mostra páginas que contêm uma certa palavra algures no conteúdo.

*exemplo: intext:abacadabra (https://www.google.com/search?q=intext%3aabacadabra)*

### allintext

Tal como o filtro *intext*, este filtro só mostra páginas que contêm todas as palavras na página.

*exemplo: allintext:open_sesame (https://www.google.com/search?q=allintext%3aopen%20sesame)*

### inurl:

Encontra páginas que contêm uma dada palavra no URL. É útil quando procuras um tipo específico de página num site (como uma página de upload ou de login).

*exemplo: inurl:upload (https://www.google.com/search?q=inurl%3Aupload)*

### allinurl:

Tal como o 'inurl', o filtro 'allinurl' só mostra páginas que contêm todas as palavras indicadas no URL.

*exemplo: allinurl:running_shoes_overview (https://www.google.com/search?q=allinurl%3Arunning%20shoes%20overview)*

## Conclusão

Com estes filtros de pesquisa avançados podes afinar as tuas pesquisas para obteres resultados mais direcionados. Isto permite-te encontrar coisas mais depressa, ou encontrar coisas que, de outra forma, ficariam enterradas nos inúmeros resultados.

Quando combinas estes filtros avançados, podes tornar-te um verdadeiro 'ninja da pesquisa'. Experimenta estas pesquisas, para te divertires:

- allinurl:orwell_1984_filetype:pdf (https://www.google.com/search?q=allinurl%3Aorwell+1984+filetype%3Apdf) para encontrar versões em PDF do clássico 1984, de George Orwell

- intitle:webcam_7_inurl:8080_-intext:8080 (https://www.google.com/search?q=intitle%3Awebcam+7+inurl%3A8080+-intext%3A8080) para encontrar webcams online aleatórias de todo o mundo

- allintitle:snake_97 (https://www.google.com/search?q=allintitle%3Asnake+97) para encontrar tudo o que foi escrito sobre um certo_jogo_retro_de_telemóvel (https://snake97.com)

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## WordPress: 10 dicas para proteger o teu site

*Mantém os hackers fora do sistema de gestão de conteúdos mais popular do mundo* · 2019-03-31 · https://willem.com/pt/2019-03-31_wordpress-10-dicas-para-proteger-o-teu-site/

Muita gente usa WordPress para gerir o seu site, por isso não admira que me peçam para dar uma vista de olhos à segurança dos seus sites. Como hacker ético, encontro WordPress em diferentes formas, tamanhos e estados. Alguns estão muito mal protegidos contra ataques. Evita que o teu site seja hackeado com estas 10 dicas práticas.

## 1) Atualiza o WordPress (e os plugins + temas)

A maioria dos ataques ao WordPress resulta de uma política de atualizações negligente. Os hackers usam bots automáticos para encontrar versões de software desatualizadas com problemas de segurança conhecidos. Quando descobrem que o teu site é vulnerável, hackeá-lo é muitas vezes canja.

Hoje em dia, o WordPress pode ser atualizado automaticamente, por isso não tens de o fazer tu. Vê as instruções_para_atualizar_o_WordPress (https://codex.wordpress.org/Updating_WordPress).

![Atualizar o WordPress a partir do painel wp-admin](https://willem.com/global/images/79572e4a515e.webp)

## 2) Plugins e temas

A má reputação de segurança do WordPress deve-se sobretudo às partes extensíveis da plataforma, em concreto os plugins e os temas. São os principais vetores de ataque que os cibercriminosos exploram para hackear e abusar do teu site WordPress. As suas vulnerabilidades resultam normalmente de erros e descuidos durante o desenvolvimento.

Sê muito cauteloso e pensa duas vezes ao instalar plugins no teu site WordPress. Verifica quem é o programador do plugin ou tema e vê se tem boa reputação a escrever código seguro. Os plugins e temas com muitas transferências costumam ser mantidos ativamente, um bom indicador de segurança. Atualiza todos os plugins e temas e acompanha o historial de segurança num site como wpvulndb.com (https://www.wpvulndb.com/plugins/).

![Verifica a reputação de um plugin do WordPress a olhar para o número de transferências e para a classificação](https://willem.com/global/images/db2e086fcde8.webp)

## 3) Usa encriptação (TLS/SSL)

Os sites WordPress sem encriptação TLS/SSL são um risco de segurança, porque sempre que fazes login para administrar o site, a tua palavra-passe é enviada em texto simples. Isto significa que qualquer pessoa que esteja a escutar o tráfego da rede pode obter facilmente a tua palavra-passe. Com uma palavra-passe válida, os hackers entram sem esforço, e tu não queres tornar-lhes isso tão_fácil (https://blog.wpscans.com/sniff-wordpress-login-credentials-wireshark-http-connection/), pois não?

Usa TLS/SSL para encriptar toda a comunicação entre o servidor web e o teu navegador. Assim, ninguém consegue decifrar o que escreves no campo da palavra-passe a olhar para o tráfego da rede. Os certificados TLS/SSL de que precisas para ativar a encriptação HTTPS são baratíssimos hoje em dia, pede um ao teu fornecedor de alojamento para o teu site.

![Espiar a palavra-passe do WordPress com captura de pacotes no WireShark (via blog.wpscans.com)](https://willem.com/global/images/7ed5f0ee69b4.webp)

## 4) Usa palavras-passe fortes

Mesmo que sigas todas as outras dicas para proteger o teu site, as palavras-passe fracas são outra fonte comum de falhas de segurança no WordPress. Como a maioria das instalações WordPress tem um utilizador "admin", os hackers podem usar dicionários_de_palavras-passe (https://duckduckgo.com/?q=password+dictionairy) para adivinhar automaticamente a tua palavra-passe.

Pensa numa palavra-passe forte como algo que ninguém usou antes. Normalmente isto significa mais comprida, com mais caracteres diferentes e sem palavras ou expressões conhecidas. Podes usar um gerador de palavras-passe para obter algo mesmo difícil de adivinhar (e fácil de esquecer...). Evita usar a mesma palavra-passe em vários sites e considera ativar a autenticação_em_dois_passos_para_o_máximo_controlo_de_acesso (https://codex.wordpress.org/Two_Step_Authentication).

![Os ataques de dicionário usam listas de palavras-passe conhecidas (divulgadas), que se encontram em recantos duvidosos da internet](https://willem.com/global/images/7e3624540722.webp)

## 5) Usa um computador e uma rede de confiança

Tal como não deves exibir dinheiro e gadgets em ruas duvidosas, deves ter cuidado com onde (e quando) fazes login no teu site. Um computador com spyware, malware ou vírus pode registar as teclas que premes (e a tua palavra-passe) e enviá-las a criminosos. Ou até de forma não digital: um adversário pode literalmente espreitar por cima do teu ombro (no autocarro, no comboio ou num café) enquanto escreves a palavra-passe.

Tem cuidado com onde e quando trabalhas no teu site. Não trabalhes num computador partilhado ou público quando não for preciso. Se trabalhas numa rede WiFi pública, tens de usar encriptação para impedir que alguém espreite. Podes fazê-lo com TLS/SSL ou com uma VPN (como buffered.com). Garante que o teu computador, tablet ou smartphone está atualizado.

![Confias na rede wifi gratuita que estás a usar? (Imagem via buffered.com)](https://willem.com/global/images/94b8eedd02ca.webp)

## 6) Desativa a API REST do WordPress

A API_REST_do_WordPress (https://developer.wordpress.org/rest-api/) dá acesso a todos os dados disponíveis no teu site num formato JSON legível por máquinas. Artigos, páginas, categorias, etiquetas, comentários, multimédia, utilizadores, definições e mais podem ser acedidos facilmente. Por exemplo, tenta acrescentar isto ao endereço do teu site: **/wp-json/wp/v2/users** para obteres uma lista de todos os nomes de utilizador válidos do teu site. Será que *queres* partilhar isso com hackers?

Desativa a API REST para evitar a extração de conteúdo (plágio) e para impedir fugas de dados de utilizadores. Os dados de utilizadores são pessoais e não devem ser partilhados publicamente se valorizas a privacidade e a segurança, pensa no RGPD (https://en.m.wikipedia.org/wiki/General_Data_Protection_Regulation). Podes desativar a API REST com plugins como Disable_REST_API (https://wordpress.org/plugins/disable-wp-rest-api/) ou REST_API_Toolbox (https://wordpress.org/plugins/rest-api-toolbox/). Vê o artigo_detalhado_de_Jeff_Star_com_mais_informação_sobre_como_proteger_a_API_REST_do_WP (https://digwp.com/2018/08/secure-wp-rest-api/).

![Fuga de informação pessoal de utilizadores através da API REST do WordPress](https://willem.com/global/images/b4bed4a35679.webp)

## 7) Desativa o acesso XML-RPC

O XML-RPC é uma funcionalidade do WordPress que permite controlar remotamente o teu site com XML (RPC significa "remote procedure call"). Este mecanismo permite gerir o site sem entrares no WP-Admin, por exemplo com serviços ou apps externos. Infelizmente, o XML-RPC é uma fraqueza de segurança, porque é basicamente uma porta das traseiras que os hackers podem tentar forçar com força_bruta (https://blog.sucuri.net/2015/10/brute-force-amplification-attacks-against-wordpress-xmlrpc.html) ou comandos_especiais (https://medium.com/@the.bilal.rizwan/wordpress-xmlrpc-php-common-vulnerabilites-how-to-exploit-them-d8d3c8600b32).

Evita problemas com o xml-rpc.php ao desativar por completo esta funcionalidade do WordPress. Podes fazê-lo com o plugin Disable_XML-RPC (https://wordpress.org/plugins/disable-xml-rpc/) ou a configurar manualmente o servidor web com um_ficheiro_htaccess (https://graspingtech.com/disable-xml-rpc-wordpress/).

![Limitar o acesso ao XML-RPC por endereço IP com um ficheiro .htaccess](https://willem.com/global/images/e8fa9fcb7c0e.webp)

## 8) Esconde ou protege a página de login (wp-admin)

Toda a gente sabe que, para fazer login no WordPress, basta acrescentar '/wp-admin' ao endereço do site. Qualquer hacker pode começar facilmente a atacar o teu site por força bruta por causa disto. É muito mais difícil forçar uma fechadura se não a encontrares.

Considera esconder ou substituir a página wp-admin. Os especialistas chamam-lhe "segurança_por_obscuridade" (https://en.m.wikipedia.org/wiki/Security_through_obscurity), confiar no segredo para a segurança. Podes usar um plugin para isso, ou configurar o servidor web para limitar o acesso ao wp-admin com filtragem por endereço IP. Vê este artigo_do_blogue_com_formas_de_esconder_e_proteger_a_página_wp-admin (https://www.3nions.com/hide-wp-admin-page-wordpress-login/). Fica o aviso: confiar só no segredo não chega, deves implementar também as outras dicas.

![É bem difícil hackear a minha página WP-Admin, porque não a encontras (dica: não está em /wp-admin)](https://willem.com/global/images/a21ba24bbd4e.webp)

## 9) Alojamento fiável

Mesmo que implementes todas estas dicas para proteger o teu site WordPress, pode não chegar se o alojamento for inseguro. O alojamento é o serviço que permite que o teu site esteja disponível na internet. Faz-se com computadores especiais chamados servidores. Tal como o próprio site, o servidor web que o publica também tem de ser seguro. Pensa num alojamento como um navio: se afundar, leva consigo todos os passageiros (sites)...

Investe em alojamento fiável, ao escolher uma empresa com boa reputação. Escolhe uma que sirva bem a tua empresa, considera alojar num VPS dedicado (gerido). Tem presente que as opções de alojamento baratas são muitas vezes baratas porque o servidor é partilhado com (muitos) outros sites (possivelmente inseguros). Lê para perceber as_questões_de_segurança_do_alojamento_partilhado (https://willem.com/en/2019-02-28_understanding-the-security-concerns-in-shared-hosting/).

![Nalgum centro de dados há uma máquina como esta a alojar o teu site](https://willem.com/global/images/b8c695c798fe.webp)

## 10) Cópias de segurança e verificações

Embora o teu site possa estar a funcionar na perfeição agora, as coisas podem mudar para pior no futuro. A segurança nunca é absoluta, é sempre possível apanhares mau tempo. Prepara-te para problemas e não deixes passar despercebidos os problemas de segurança.

Verifica regularmente o teu site, ou contrata alguém (https://digidef.nl) para o fazer por ti. Com um plugin como o WP_Security_Audit_Log (https://wordpress.org/plugins/wp-security-audit-log/) podes detetar ataques e comportamentos suspeitos logo no início. Faz cópias de segurança do teu site, para estares pronto a recuperar de um desastre informático. Os acidentes acontecem aos melhores, faz uma cópia de segurança do teu site para não perderes o teu trabalho por completo. Vê este artigo_do_blogue_para_conhecer_formas_diferentes_de_fazer_cópias_de_segurança_do_teu_site_WordPress (https://websitesetup.org/wordpress-backup/).

![Usa o WP Security Audit Log para vigiar o que se passa no teu site WordPress (wpsecurityauditlog.com)](https://willem.com/global/images/ba045569ad2d.webp)

## Conclusão

A segurança do teu site é como a segurança do teu escritório ou da tua casa. Quando sais, fechas as janelas e trancas as portas, certo? Não descuides a segurança do teu site, é tão importante como o design e o conteúdo.

Se implementares estas dicas de segurança, o teu site será muito mais difícil de hackear por cibercriminosos. Faz tu mesmo (https://codex.wordpress.org/Hardening_WordPress) ou pede a alguém (https://willem.com) que te ajude.

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## Manutenção de um robô aspirador

*O meu iRobot Roomba já anda nisto há 8 anos e continua a aguentar-se!* · 2019-03-20 · https://willem.com/pt/2019-03-20_manutencao-de-um-robo-aspirador/

Em 2011 comprei um robô aspirador iRobot Roomba 555 para limpar o meu apartamento de forma automática. É um robozinho redondo que anda por aí a aspirar o pó. Ao longo dos anos enfrentou com coragem os perigos do meu apartamento... sapatos, cabos, alcatifas e correias. Sobreviveu e continua a funcionar na perfeição! Esta semana chegou a hora de lhe fazer uma manutenção.

## iRobot

Em 2002, a iRobot (www.irobot.com) lançou o robô aspirador Roomba. O Roomba consegue mudar de direção quando encontra um obstáculo, detetar manchas de sujidade no chão e evita cair pelas escadas. A empresa iRobot foi fundada em 1990 por três engenheiros de robótica: Colin Angle, Helen Greiner e Rodney Brooks. Originalmente, a empresa dedicava-se a fazer robôs para uso militar.

![iRobot 710 armado: não é bem um aspirador normal...](https://willem.com/global/images/ada267387179.webp)

Hoje em dia a iRobot dedica-se por inteiro aos robôs_de_consumo (https://arstechnica.com/gadgets/2016/02/irobot-sells-off-military-unit-will-stick-to-friendlier-consumer-robots/). Mas continuo a adorar a ideia de que há alguma precisão e resistência militar no meu aspirador.

![iRobot Roomba 555 (de 2011)](https://willem.com/global/images/4e17f21fda2c.webp)

Cansado de aspirar eu próprio, andava à procura de uma ajuda robotizada contra o pó em 2011. Tive a sorte de encontrar uma loja em Amesterdão que vendia um dos primeiros robôs aspiradores disponíveis nos Países Baixos: o iRobot Roomba 555.

## A aspirar (pó) desde 2011

Ao contrário de outros_produtos_de_consumo (https://willem.com/en/2018-01-08_lessons-from-a-takeaway-plastic-bag/), o iRobot Roomba é uma peça de tecnologia resistente, desde que cuides dele. Faço-lhe manutenção regularmente desde que começou a trabalhar, em 2011.

![O meu iRobot Roomba 555 a precisar de manutenção](https://willem.com/global/images/e63513fc59a6.webp)

![Em serviço desde 2011, o iRobot Roomba ganhou as suas cicatrizes de guerra: fico a pensar no que faz quando não estou no apartamento...](https://willem.com/global/images/6873ccc3deb8.webp)

## Manutenção do iRobot Roomba

Para manteres o robô operacional, tens de garantir que não fica preso. Recomenda-se uma manutenção e limpeza periódicas. Vou mostrar-te como fazer, passo a passo. Vais precisar de:

- uma chave de fendas de cruz (+)

- uma chave de fendas normal (-) (ou uma faca pequena)

- outro aspirador

- algum tempo e paciência

*Aviso: não sou responsável por danos causados ao teu amigo robô, se a tentativa de manutenção correr mal. Ao fazê-lo podes perder a garantia...*

![Vira o robô aspirador ao contrário: repara no pó por todo o lado](https://willem.com/global/images/c421985b10af.webp)

![Retira o depósito do pó e as escovas](https://willem.com/global/images/aed3b4f20563.webp)

![Tira o pó com o outro aspirador](https://willem.com/global/images/1a27071b8d6a.webp)

Esta deve ser a tua manutenção normal: tirar o pó da parte de baixo do robô com o outro aspirador. Do depósito do pó/filtro e das escovas falamos mais à frente.

![Limpa "os olhos" do robô, as janelas dos sensores perto do rebordo](https://willem.com/global/images/84d0b28c4f8a.webp)

O robô orienta-se com sensores de infravermelhos. Estão atrás de "janelas" transparentes perto do rebordo do robô. Deves limpá-los muito bem para funcionarem com a máxima eficiência.

![Roda da frente com padrão a preto e branco](https://willem.com/global/images/358e41089410.webp)

A roda da frente do robô tem um padrão a preto e branco. O que talvez não saibas é que por baixo da roda há um sensor que lê este padrão de "claro/escuro" para detetar o movimento.

![Tira o pó do sensor que fica por baixo da base da roda](https://willem.com/global/images/c769e88eb9f3.webp)

Depois de muitas horas de aspiração costuma haver algum pó nela. Limpa-a puxando a base da roda para fora. Se quiseres, podes tirar a roda e limpar-lhe os rolamentos.

![Roda da frente: limpeza dos rolamentos](https://willem.com/global/images/8b545501494f.webp)

Depois dos primeiros anos de serviço, o meu Roomba começou a perder a roda da frente original nos desníveis... O eixo tinha ficado gasto e folgado. Substituí-a por uma que encontrei no Ebay (https://www.ebay.com/sch/i.html?_nkw=roomba+front+wheel) e que se fixa com um parafuso.

![Roda da frente de substituição, fixada com parafuso](https://willem.com/global/images/3841691d62fb.webp)

O passo seguinte é tirar cabelos e sujidade das escovas. Olha bem para as duas pontas de cada escova. Tira as tampas e vê o que está por baixo. Usa uma chave de fendas (ou uma faca pequena) para soltar os cabelos cortando-os.

![Escovas cabeludas... mas não como as queres.](https://willem.com/global/images/62df7ea9e06c.webp)

![Vê o que há por baixo das tampas das escovas](https://willem.com/global/images/af1935b9bb41.webp)

![Usa uma chave de fendas para soltar os cabelos cortando-os](https://willem.com/global/images/dee70a182091.webp)

![Pronto, limpo!](https://willem.com/global/images/0678008a1089.webp)

A outra escova rotativa só sai se desapertares um parafuso. Usa a chave de fendas pequena para a soltar do eixo central, mexendo-a devagar. Vais ficar surpreendido com a sujidade que pode estar escondida lá por baixo...

![Desaperta a escova rotativa](https://willem.com/global/images/4e0eedf7a8e8.webp)

![Mexe a escova devagar para a soltar do eixo central](https://willem.com/global/images/0f543acd918f.webp)

![Tira a sujidade do eixo](https://willem.com/global/images/a60482120fa4.webp)

Durante a aspiração o robô vai acumulando pó fino no interior. De vez em quando tiro a tampa de baixo para limpar bem o interior. O Roomba é um robô fácil de manter: os parafusos necessários para tirar a tampa de baixo estão claramente marcados com um triângulo.

![Retira a tampa de baixo para chegares ao interior do Roomba](https://willem.com/global/images/88d41de8c9e0.webp)

![Os parafusos estão claramente marcados com um triângulo](https://willem.com/global/images/1391104689c7.webp)

![Tira-os todos e não os percas (nem os aspires durante a limpeza...)](https://willem.com/global/images/7794d167fd03.webp)

![iRobot Roomba com a tampa de baixo retirada](https://willem.com/global/images/47f24c076302.webp)

Depois de tirares a tampa de baixo vais encontrar mais pó e sujidade. Consoante há quanto tempo o teu Roomba anda ao serviço, a quantidade pode ser enorme! Vê os cantos e a zona das bases das rodas.

![Parece uma alcatifa, mas é pó acumulado no interior do Roomba](https://willem.com/global/images/501b8c5e72dc.webp)

![Tira o pó dos cantos e das arestas](https://willem.com/global/images/42364c9e126a.webp)

![Não te esqueças de ver se há montes de pó nas bases das rodas](https://willem.com/global/images/81f71257b21a.webp)

Após muitos anos de serviço fiel, é de esperar que a bateria perca capacidade. Com o tempo, isso faz com que o robô fique sem energia muito depressa. Vale mesmo a pena comprar uma bateria nova. Eu comprei uma bateria_original_iRobot_XLife_de_longa_duração (https://store.irobot.com/default/parts-and-accessories/roomba-accessories/700-series/irobot-xlife-extended-life-battery/4636434.html).

![Bateria iRobot XLife de capacidade alargada](https://willem.com/global/images/468d98dc8664.webp)

Outra peça que precisa de manutenção ocasional é a cabeça de limpeza. Chegas lá retirando toda a caixa onde estão as escovas. O pó pode acumular-se junto ao motor e causar problemas de aquecimento. Depois de a tirares, vira-a ao contrário e combate os montes de pó que encontrares!

![A retirar a cabeça de limpeza](https://willem.com/global/images/40fbda3ca91e.webp)

![Vira-a ao contrário para chegares ao motor](https://willem.com/global/images/1906eae66895.webp)

![Repara na quantidade de pó à volta do motor: parece um casaco de inverno quentinho...](https://willem.com/global/images/1e3ccf6616ab.webp)

Por último, mas não menos importante, o depósito do pó e o filtro. Sendo holandês (e um bocadinho forreta, ou como se diz lá, 'ons bent zuunig') não substituo o filtro, limpo-o. Não vais acreditar, mas este é o filtro original, em serviço desde 2011. Em alternativa, a iRobot vende-te_com_todo_o_gosto_filtros_de_substituição (https://store.irobot.com/default/parts-and-accessories/roomba-accessories/professional-and-500-series/500-and-professional-series-replenishment-kit-for-red-and-green-cleaning-heads/82401.html) por 40 dólares.

![Tira o pó do depósito deslizando o filtro para fora](https://willem.com/global/images/8fa89d85b370.webp)

![Podes limpar o filtro com outro aspirador](https://willem.com/global/images/4815d84e2e5e.webp)

![Como novo, mas com 8 anos...](https://willem.com/global/images/2cb89b65fd9e.webp)

Volta a montar tudo e confirma que as rodas e as escovas não estão bloqueadas. Vira-o ao contrário e o teu Roomba está pronto para a ação outra vez!

![Todas as peças limpas e montadas outra vez.](https://willem.com/global/images/34fbbb7d06eb.webp)

![Roomba pronto para o serviço!](https://willem.com/global/images/6df1954b55f0.webp)

## Conclusão

Pode dar algum tempo e esforço, mas não é assim tão difícil fazer a manutenção do teu robô aspirador. Depois de o fazeres a primeira vez, é muito fácil repetir. O teu amigo robô vai agradecer-te!

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## Perceber os riscos de segurança do alojamento partilhado

*Portas abertas e serviços de rede sem uso: o que ter em conta* · 2019-02-28 · https://willem.com/pt/2019-02-28_perceber-os-riscos-de-seguranca-do-alojamento-partilhado/

Há quem me pague para os hackear, desde que eu explique como foi feito, para que se evitem ataques futuros. Como consultor de segurança, procuro pontos fracos nas apps, lojas online e sites dos meus clientes. Muitas vezes um ataque começa por explorar uma falha de segurança visível a partir do exterior. Lê até ao fim para saberes como os hackers encontram falhas de segurança e o que podes fazer para as proteger.

Para hackear uma app, uma loja online ou um site, os hackers visam muitas vezes os servidores que os alojam. Para explicar porque o fazem, primeiro tens de perceber o que é o alojamento e que tipos existem.

## O que é o alojamento?

O alojamento (hosting) é um serviço que permite que a tua app, loja online ou site fique disponível na internet. É feito com computadores especiais chamados servidores. Quando alguém escreve o endereço do teu site no navegador, o dispositivo liga-se ao teu servidor.

Se os hackers conseguirem tomar o controlo de um servidor, podem aceder a toda a informação que lá está e manipulá-la. Além disso, podem abusar da rede e da capacidade de cálculo do servidor para fazer coisas más. Isto é mesmo algo que não queres...

![Um servidor típico no centro de dados, uma máquina física que pode alojar apps, lojas online e sites](https://willem.com/global/images/cafc9709255f.webp)

## Diferentes tipos de alojamento

A tua app, loja online ou site pode ser alojado de várias maneiras.  Cada tipo de alojamento traz preocupações de segurança diferentes, mas é relativamente fácil de perceber, porque tudo depende da forma como o servidor físico (no centro de dados) é partilhado entre os sites.

As empresas de alojamento costumam ter vários servidores e dividem a capacidade pelos sites que precisam de ser alojados. Um servidor grande pode alojar sem problemas vários sites, tudo depende do tráfego da app, loja online ou site.

![Diferentes tipos de alojamento: alojamento partilhado, alojamento VPS e alojamento dedicado representados visualmente (um círculo representa um servidor físico)](https://willem.com/global/images/0158845e7a25.webp)

Existem três tipos de alojamento:

- **alojamento partilhado**: O servidor corre vários sites partilhando o sistema operativo, a memória, os núcleos do processador e o armazenamento em disco. Não há divisões rígidas entre os sites.

- **alojamento VPS**: O servidor físico corre vários servidores privados virtuais (VPS), cada um com o seu próprio sistema operativo e a sua parte da memória, da capacidade de processamento e do armazenamento. Um VPS pode ser configurado para correr um ou alguns sites (relacionados). Como a divisão entre as instâncias VPS é rígida, é muito difícil para os hackers passarem de um VPS para outro.

- **alojamento dedicado**: O servidor físico corre apenas um site. Não se partilha nada, todos os recursos são dedicados a uma só app, loja online ou site. Graças a esta divisão física, não és afetado por ataques a nenhum outro site.

### Atenção: o "Cloud Hosting" é muitas vezes alojamento partilhado com outro nome

É importante perceber que a maior parte do "Cloud Hosting" moderno é, na verdade, *alojamento partilhado* com um nome pomposo. Os gabinetes de web design configuram muitas vezes o seu servidor dedicado ou privado virtual para venderem alojamento partilhado aos clientes. Por isso, a não ser que giras o teu próprio VPS ou servidor dedicado, é bem provável que estejas em alojamento partilhado.

## Riscos de segurança do alojamento partilhado

Os riscos de segurança do alojamento partilhado vêm precisamente de ser partilhado. Quando um dos sites no mesmo servidor que o teu é hackeado, há uma grande probabilidade de o teu também ser afetado. Nessa situação, as medidas de segurança aplicadas ao teu site podem não chegar para o proteger dos hackers.

![Efeito de contágio de um site hackeado (o vermelho indica problemas)](https://willem.com/global/images/bfbc8fc6e058.webp)

### Endereço IP partilhado

Além disso, o alojamento partilhado costuma significar que todos os sites partilham o mesmo endereço IP. Vais ter problemas se qualquer outro site estiver envolvido em más práticas, como enviar e-mails de spam ou alojar conteúdo ilegal. Isso pode levar a que o teu site seja posto em lista negra, bloqueado ou despromovido nos resultados dos motores de pesquisa.

### Desempenho

Se pensares que as empresas de alojamento costumam pôr centenas, às vezes até milhares (!), de sites no mesmo servidor partilhado, percebes porque é que isto aumenta a probabilidade de ser hackeado. Para além dos problemas de segurança, o alojamento partilhado também afeta o desempenho do teu site, que tem de competir com outros sites pelos mesmos recursos limitados do servidor. Se um dos outros sites tiver um pico enorme de tráfego, a tua app, loja online ou site também pode ficar mais lento!

### Serviços de rede partilhados

Outro problema do alojamento partilhado é que o servidor costuma ter muitos serviços de rede ativos, como web, e-mail, FTP e base de dados. Estes serviços estão disponíveis através de portas abertas. É má prática ter todas as portas abertas para toda a gente, porque expõe os serviços que escutam nessas portas a ataques. As firewalls podem limitar quem se pode ligar a determinada porta, mas num ambiente de alojamento partilhado estas restrições muitas vezes não são muito apertadas (por causa das muitas coisas diferentes alojadas no mesmo servidor).

## Hackear uma app, loja online ou site

Para hackear a tua app, loja online ou site, um hacker pode analisar o teu servidor à procura de portas abertas, identificando os diferentes serviços que correm nele. O programa unix *nmap* é muito usado para isto. O hacker liga-se ao serviço que escuta nas portas abertas para descobrir que programa é.

![Usar o nmap para analisar um servidor, identificando serviços de rede e portas abertas](https://willem.com/global/images/950d6bfeda3c.webp)

Esta informação pode ser usada para verificar se os serviços de rede em execução têm falhas de segurança conhecidas. Existem bibliotecas online (https://www.cvedetails.com) onde estas falhas se consultam pelo nome e versão do software. Encontrar uma falha conhecida é tão fácil como uma pesquisa_no_Google (https://www.google.com/search?q=php+5.5.9+exploit). Se encontrar uma falha existente, o hacker pode usá-la para obter acesso ao servidor.

Verificando o endereço IP do servidor, o hacker consegue perceber se o servidor é partilhado com outras apps, lojas online ou sites. É possível (com consultas DNS inversas) listar todos os sites alojados no mesmo servidor. Mesmo que o teu esteja atualizado e seguro, os outros no mesmo servidor podem usar software desatualizado (com falhas de segurança). O software mais comum para sites está bem documentado, e é sabido que as versões antigas do PHP (https://www.cvedetails.com/vulnerability-list/vendor_id-74/product_id-128/PHP-PHP.html) e do WordPress (https://www.cvedetails.com/vulnerability-list.php?vendor_id=2337&product_id=4096&order=3) têm problemas graves de segurança.

![Quando um hacker sabe que software o teu site usa, é fácil procurar falhas de segurança conhecidas em bases de dados como cvedetails.com](https://willem.com/global/images/c3d8458c889e.webp)

## Conclusão

A melhor maneira de proteger a tua app, loja online ou site é limitar ao máximo a sua exposição a ataques. Manter o software do site atualizado é essencial, mas pode não bastar se o alojamento for partilhado.

Para evitares que ataques a outros afetem a tua app, loja online ou site, deves considerar alojá-lo num servidor físico ou virtual dedicado, com o seu próprio endereço IP. Depois podes reforçar a segurança filtrando as portas abertas e desligando os serviços de rede que não usas.

Desta forma reduzes aquilo a que os especialistas em cibersegurança chamam a "superfície de ataque". Quanto mais pequena, mais fácil é defendê-la. Boa sorte, e lembra-te de que há ajuda_disponível (https://digidef.nl)!

![Lembra-te de que há ajuda disponível: eu percebo de servidores e de cibersegurança](https://willem.com/global/images/e37a7be2befb.webp)

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## Um ano na bicicleta de deslocações diárias definitiva

*6000KM em 12 meses com Gates CDN/CDX e Shimano Alfine* · 2019-02-27 · https://willem.com/pt/2019-02-27_um-ano-na-bicicleta-de-deslocacoes-diarias-definitiva/

Há um ano tentei criar a bicicleta de deslocações diárias definitiva: uma Sensa Cintura modificada, com transmissão por correia de carbono Gates CDN/CDX. Recebi montes de mensagens de ciclistas e de pessoas que vão de bicicleta para o trabalho, de todo o mundo. Dos Alpes suíços, de França, Itália, Alemanha, Estados Unidos e até do outro lado do mundo, a Austrália! Todos queriam saber: como se porta a bicicleta melhorada?

![A minha bicicleta de deslocações diárias, uma Sensa Cintura modificada com Gates Carbon Drive CDN/CDX, Shimano Alfine e um guiador Schindelhauer](https://willem.com/global/images/60a5bd3deed3.webp)

## A minha bicicleta de deslocações diárias

No inverno passado comprei uma bicicleta Sensa Cintura com a transmissão de carbono Gates CDN para enfrentar o clima holandês. Depois de apenas 1800KM em oito semanas, chegou a altura de fazer algumas melhorias. Tive_de_melhorar_a_transmissão_de_carbono_Gates_CDN,_lê_tudo_no_meu_artigo_do_ano_passado. (https://willem.com/en/2018-02-24_creating-the-ultimate-commuter-bike/) Mais tarde decidi tirar_a_tinta_da_minha_bicicleta_para_lhe_dar_um_aspeto_minimalista_de_alumínio_cru (https://willem.com/en/2018-06-09_removing-paint-from-a-bike-frame/).

## Um ano na minha bicicleta (±6000KM)

Nos últimos doze meses usei muito esta bicicleta. Originalmente, planeei usá-la só no inverno, mas gostei tanto que continuei a usá-la o ano inteiro. Da neve do inverno até ao calor do verão.

![A minha bicicleta no verão](https://willem.com/global/images/b51d94d95c44.webp)

![A minha bicicleta no inverno](https://willem.com/global/images/94f75ad777d2.webp)

## Pneus

Durante o ano gostei dos pneus Schwalbe Durano, mas tive imensos furos (sobretudo por causa dos muitos quilómetros). Acabas por ganhar jeito a mudar pneus, mas continua a ser um aborrecimento.

![Reparação à beira da estrada: a trocar um pneu furado](https://willem.com/global/images/fdfdb63f1e3d.webp)

![Aquele prego não devia estar ali... furo!](https://willem.com/global/images/00911867b186.webp)

Por causa do piso extra escorregadio, mudei os pneus no início deste inverno. Troquei os pneus rápidos e desportivos Schwalbe Durano por borracha Schwalbe Marathon Plus Tour, com muita aderência e à prova de furos.

![Diferenças no perfil dos pneus entre o Schwalbe Marathon Plus Tour (à esquerda) e o Schwalbe Durano (à direita)](https://willem.com/global/images/6237f8869e5a.webp)

![Schwalbe Marathon Plus Tour: feito para ser impossível de furar (até agora, aguenta-se!)](https://willem.com/global/images/96679cb6a6b2.webp)

Os pneus Schwalbe Marathon Plus Tour são autênticos monstros. Não tive um único furo nos últimos 3000KM e adoro isso, mesmo. Aliás, gosto tanto que estou a pensar deixá-los na bicicleta (e livrar-me do saco com a câmara de ar sobresselente e da bomba). Vê este_vídeo (https://m.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=Sl4XZT_mYVc) se duvidas da robustez deles. São mais pesados do que os Durano, mas não são assim tão maus em termos de condução e aceleração.

![Pneus brutais e resistentes: Schwalbe Marathon Plus Tour](https://willem.com/global/images/ca7b2702ee2e.webp)

## Transmissão Gates Carbon CDN/CDX

Pois bem, no_ano_passado,_com_apenas_1800KM,_a_roda_dentada_traseira_Gates_Carbon_CDN_original_já_mostrava_sinais_de_desgaste_sério (https://willem.com/en/2018-02-24_creating-the-ultimate-commuter-bike/). Fiquei muito desiludido com esta qualidade fraca e com a má escolha da Sensa para a linha CDN da Gates Carbon Drive.

![À esquerda, a roda dentada traseira Gates Carbon Drive CDN defeituosa; à direita, a roda dentada CDX, brilhante e mais forte.](https://willem.com/global/images/7af502966145.webp)

Substituí a roda dentada traseira por um modelo CDX, de melhor qualidade, e estava ansioso por saber se aguentaria melhor a longo prazo. Aguenta: a roda dentada traseira CDX está ótima depois de 6000KM. Viva!

![Roda dentada traseira Gates Carbon Drive CDX depois de 6000KM / 12 meses, um pouco empoeirada mas ainda ótima!](https://willem.com/global/images/cef1d281abe2.webp)

A transmissão tem tido sempre um bom desempenho; o ponto mais fraco do sistema CDN original é a roda dentada traseira. Em contrapartida, a correia CDN e a roda dentada da frente são muito duráveis.

![A roda dentada da frente CDN e a correia CDN estão em bom estado depois de 7800KM (são as originais da minha bicicleta, que tem cerca de 14 meses) ](https://willem.com/global/images/ee41a3fe1404.webp)

É impressionante como o sistema Gates Carbon Drive é resistente: nos meses de inverno com neve aguentou condições que teriam danificado com facilidade uma corrente e um desviador tradicionais. Combinado com o cubo de velocidades Shimano Alfine, está pronto para muitos mais quilómetros.

![Condições duras para a Gates Carbon Drive](https://willem.com/global/images/2dfc9fef4f6e.webp)

![Usa sempre capacete quando tentas dominar as estradas escorregadias do inverno!](https://willem.com/global/images/1b8f9954fc9d.webp)

## Outras coisas que se avariaram

Durante os meus 12 meses na bicicleta, a luz traseira deixou de funcionar por uma falha elétrica na matriz de LED. A minha luz traseira Busch und Müller está montada dentro do guarda-lamas traseiro. Fica mesmo na zona dos salpicos de sujidade e água do pneu. Acho que isto é uma receita para o desastre: os componentes elétricos deviam estar mais bem protegidos da água suja.

![Luz traseira Busch und Müller montada dentro do guarda-lamas traseiro, com sinais de desgaste causados pelos salpicos de água suja do pneu traseiro](https://willem.com/global/images/c329ac7d91ab.webp)

Se és como eu (±85KG de peso) e pedalas a bom ritmo (>25KM/h), vais levar ao limite a integridade estrutural de todas as peças da tua bicicleta. Isto significa que as coisas se podem avariar quando o caminho fica um pouco mais duro. Partiu-se-me um dos raios traseiros quando apanhei um buraco na estrada!

![Raio partido na roda traseira, depois de um encontro repentino com um buraco...](https://willem.com/global/images/c674a647369a.webp)

## Para lá das deslocações diárias

O habitat natural da minha bicicleta de deslocações diárias é a estrada entre a minha casa e o escritório. Mas durante o ano usei a bicicleta noutros contextos, só porque gosto tanto dela.

![Centro de Amesterdão: não te esqueças do cadeado!](https://willem.com/global/images/60b22d27dc7a.webp)

Com um bom cadeado, podes usar a bicicleta no centro de Amesterdão, o que te lembra como uma bicicleta de deslocações diárias é versátil. É, claro, uma grande vantagem em relação a uma bicicleta de corrida pura (que não queres deixar sozinha na cidade...)

Tal_como_no_ano_passado (https://willem.com/en/2017-06-30_fietselfstedentocht-2017/), fiz os 235KM do Fietselfstedentocht. Achei que seria o teste de resistência definitivo se conseguisse completar o percurso frísio dos heróis na minha fiel bicicleta de deslocações diárias. Consegui, e foi fantástico!

![Fietselfstedentocht 2018: o teste de resistência definitivo para qualquer bicicleta, 235KM num dia](https://willem.com/global/images/f2fe0c0d84b1.webp)

## Conclusão

Adoro ciclismo e a minha bicicleta de deslocações diárias é provavelmente a bicicleta mais versátil e robusta que já tive. É ótimo saber que funciona de forma fiável em todas as condições.

Mas, no fim de contas, não interessa muito que bicicleta usas. O que mais importa é o passeio em si! Andar lá fora de bicicleta dá uma sensação de liberdade e tranquilidade difícil de igualar!

### Atualização

Já te perguntaste como é ter uma bicicleta de estrada com uma transmissão Gates Carbon? Então vê a_minha_história_sobre_a_Siegfried_Road (https://willem.com/en/2020-04-30_minimalistic-road-bike-with-gates-carbon-drive/).

Depois de 21.000KM escrevi outra atualização sobre a bicicleta: lê-a_aqui (https://willem.com/en/2021-01-10_commuter-bike-checkup/).

![O que mais importa é o passeio em si, não te esqueças disso!](https://willem.com/global/images/ac71cbb15142.webp)

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## Nascido com MCADD

*Défice de desidrogenase de acil-CoA de cadeia média* · 2019-01-29 · https://willem.com/pt/2019-01-29_nascido-com-mcadd/

Poucos dias depois de o nosso filho nascer, tivemos problemas quando o nosso pequenote deixou de querer comer. As tentativas repetidas de o alimentar falharam, porque parecia cansado demais para mamar da mãe. Quando lhe medimos a temperatura corporal, ficámos em choque: apenas 33º Celsius! O que se seguiu foi nada menos do que uma montanha-russa emocional incrível!

## Internado

Não perdemos tempo e decidimos levar o nosso filho ao hospital, JÁ! Como a minha mulher ainda estava a recuperar do parto (e por isso tinha menos mobilidade), decidimos que eu iria sozinho com o nosso rapaz, para chegarmos o mais depressa possível. Foi uma altura muito conveniente para ter experiência a conduzir_um_carro_o_mais_depressa_possível! (https://willem.com/en/2017-05-31_beast-of-the-green-hell/)

Já no hospital, os médicos sabiam da nossa chegada, mas não acreditavam na temperatura do bebé. Pensaram que a medição estava errada, mas a leitura deles confirmou a temperatura corporal perigosamente baixa. Antes de fazerem mais fosse o que fosse, puseram-no numa incubadora e deram-lhe comida com uma seringa.

![A salvar a vida do nosso filho: repara no monitor cardíaco que não consegue detetar atividade do coração (o ponto de interrogação verde)...](https://willem.com/global/images/3d96decd77d1.webp)

Houve momentos críticos em que o monitor teve dificuldade em detetar a atividade cardíaca do miúdo. Continuava a respirar, mas a temperatura baixa e o aspeto frágil causaram uma preocupação séria. É uma experiência bastante chocante ver o teu filho recém-nascido assim.

## Recuperação rápida

Os cuidados carinhosos das enfermeiras, o calor da incubadora e a energia da comida fizeram maravilhas ao pequenote. Em apenas algumas horas, a temperatura subiu e o apetite voltou. Senti uma felicidade enorme por o poder alimentar outra vez!

![Sentiu-se como uma vitória vê-lo a beber outra vez!](https://willem.com/global/images/0d060fa398d3.webp)

Embora os sinais vitais tivessem voltado ao normal, ninguém (nem os médicos) fazia ideia do que tinha causado a crise do rapaz. Os médicos seguiram o procedimento habitual, fazendo análises para procurar uma infeção ou qualquer sinal de trauma (interno) que pudesse ter passado despercebido desde o nascimento. Não encontraram nada: segundo todas as leituras e medições habituais, o rapaz estava completamente saudável.

Insatisfeitos com a falta de uma causa clara, os médicos aconselharam a manter o nosso filho sob vigilância apertada por mais algum tempo. Podíamos ficar com ele no hospital algumas noites. Três noites depois, deixaram-nos ir para casa, já que continuava a parecer completamente saudável. Continuávamos sem saber o que causara aquele estado crítico, mas não por muito tempo, porque a resposta ia aparecer (quase literalmente) à nossa porta...

## Rastreio neonatal

Enquanto eu entregava, todo contente, os cartões de participação do nascimento, recebi uma chamada da minha mulher: o médico está aqui, vem para casa já!

Em casa, o médico começou o que parecia um procedimento de manual para "dar más notícias". Disse-nos que o rastreio neonatal tinha revelado um resultado anómalo, indicando uma doença metabólica genética rara chamada *"défice de desidrogenase de acil-CoA de cadeia média"* ou MCADD.

Pediram-nos que fôssemos de imediato ao hospital e nos apresentássemos nas urgências, onde nos esperaria uma médica especializada.

![Urgências do VU Amsterdam](https://willem.com/global/images/dbd919f49899.webp)

## Diagnóstico de MCADD

A médica especializada recebeu-nos com simpatia e explicou que era preciso confirmar a indicação de MCADD antes de tirar conclusões. Isso foi feito através da recolha de mais amostras de sangue e de urina ao nosso pequenote.

Como era outro hospital (e outra médica), perguntaram-nos como tínhamos vivido os dias a seguir ao nascimento do nosso filho. A nossa história da hospitalização repentina não pareceu surpreender a médica nem um bocadinho. A lançar nova luz sobre os loucos primeiros dias da vida dele, a médica explicou-nos o que é a MCADD.

## O que é a MCADD?

A MCADD é uma doença metabólica genética rara que afeta a capacidade do corpo de usar gordura como energia. O corpo humano precisa de três nutrientes principais para funcionar:

- hidratos de carbono: decompõem-se em glicose

- proteínas: decompõem-se em aminoácidos

- gorduras: decompõem-se em ácidos gordos

Quando fazemos uma refeição, os hidratos de carbono decompõem-se em glicose e o açúcar no sangue sobe. Isso faz com que a insulina seja libertada na corrente sanguínea, permitindo que a glicose entre nas nossas células e distribua pelo corpo a energia da refeição.

Se houver mais glicose do que o corpo precisa, o excesso é guardado numa "reserva de glicose" (glicogénio) no fígado e nas células de gordura. Entre refeições, o corpo pode usar a reserva de glicose para obter energia. Quando o glicogénio se esgota, o corpo recorre às reservas de gordura para obter energia.

Infelizmente, quem tem MCADD não tem (ou tem em quantidade insuficiente) uma enzima necessária para decompor a gordura e produzir energia. A *desidrogenase de acil-CoA de cadeia média* é uma enzima necessária para a oxidação dos ácidos gordos de cadeia média presentes nas gorduras. A incapacidade de oxidar estes ácidos gordos impede o corpo de usar a gordura como fonte de energia. Isso pode levar à acumulação de ácidos gordos não utilizados, que danificam o fígado e o cérebro e conduzem a uma crise metabólica.

Dito de forma simples, com MCADD ficas em apuros quando acaba toda a energia da comida. Isso leva a sonolência, letargia, coma e, no limite, morte.

![Pelo menos ficou com um penso rápido giro do Garfield](https://willem.com/global/images/e9131def68f3.webp)

## Viver com MCADD

As análises adicionais de sangue e urina confirmaram o diagnóstico de MCADD e marcaram o início da vida do nosso filho com MCADD, já que não existe (ainda) cura.

Em novas visitas ao hospital, aprendemos que é perfeitamente possível viver com MCADD, desde que:

- **Comas com frequência**: para evitar ficar sem energia e causar uma crise metabólica

- **Comas com sensatez**: para evitar os tipos de gordura que o corpo não consegue decompor, com uma dieta rica em hidratos de carbono e pobre em gordura.

- **Tomes a medicação**: pode ser prescrito um suplemento adicional de L-carnitina para ajudar o corpo a eliminar substâncias nocivas. 

- **Estejas preparado**: para situações em que o apetite é baixo, como doença ou vómitos, ou em que é preciso energia extra (por exemplo, durante treinos intensos e prolongados)

## Conclusão

Graças aos resultados do rastreio neonatal, sabemos agora da MCADD do nosso filho. Isso ajuda-nos a evitar futuras situações de risco de vida como a que vivemos poucos dias depois do nascimento dele.

Foi uma maneira infernal de começar a nossa vida de pais, mas podia facilmente ter sido muito_pior (http://minutesmatter-mcadd.org/?page_id=1222). Vou usar este blogue para partilhar as nossas (futuras) lições sobre como lidar com a MCADD, porque pode ajudar outras pessoas. Com os cuidados certos, não há motivo para alguém com MCADD não poder viver uma vida normal, saudável e ativa!

### Ligações

- http://minutesmatter-mcadd.org

- http://www.mcadd.be

- https://ghr.nlm.nih.gov/condition/medium-chain-acyl-coa-dehydrogenase-deficiency

- https://www.nhs.uk/conditions/mcadd/

- https://www.stofwisselingsziekten.nl (em neerlandês)

Se quiseres partilhar comigo um site ou a tua experiência com a MCADD, podes contactar-me à vontade.

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## As minhas primeiras semanas como pai

*Sobre os desafios e as recompensas de ser pai* · 2019-01-24 · https://willem.com/pt/2019-01-24_as-minhas-primeiras-semanas-como-pai/

No Natal passado, a minha mulher deu à luz o nosso filho, um rapazinho que ia mudar tudo! É uma experiência incrível tornar-se pai ou mãe, sobretudo com o primeiro filho. Traz uma forma de viver completamente nova, com refeições regulares, cuidados e noites sem dormir. Lê até ao fim para ver as minhas descobertas (biométricas) e algumas dicas práticas!

![O nosso filho](https://willem.com/global/images/0df65d930178.webp)

## O nascimento

A meio da noite de 24 de dezembro, a minha mulher reparou que estavam a acontecer coisas na barriga dela. O parto estava previsto para perto do Natal, por isso suspeitámos logo que *ISTO* tinha começado... Garanto-te que é uma maneira muito louca de acordar!

Como me tinha preparado o melhor possível, sabia que tinha de cronometrar as contrações. Quanto mais frequentes e regulares forem as contrações, mais avançado está o "processo de parto". Com os olhos de engenheiro informático, tentei perceber a situação, com pensamentos divertidos de barras de progresso pelo caminho: "A descompactar o bebé... 34% concluído... aguarde, por favor". Tive juízo para guardar estes pensamentos só para mim, porque a minha mulher estava com dores sérias.

![A mala e o Maxi Cosi estavam prontos](https://willem.com/global/images/768a3c8230aa.webp)

Algumas horas depois, as contrações eram rápidas e intensas o suficiente para contactarmos o consultório da parteira. Fomos para o hospital para o parto propriamente dito. Já o tínhamos planeado e tínhamos uma mala e o Maxi Cosi à espera. Pratica montar o Maxi Cosi *antes* de precisares dele... Eu pratiquei!

Já no hospital, a minha mulher teve de trabalhar ainda mais e durante mais tempo. Ao ver todo aquele esforço de perto, ocorreu-me que ser homem tem as suas vantagens e que nós, homens, devemos ter um respeito enorme pelas nossas mulheres, mães e avós. Por fim, quase 25 horas depois, o nosso filho nasceu, viva!

## Tudo muda

Ouvir e ver o teu filho pela primeira vez é algo verdadeiramente especial. Deve ser um truque da natureza, mas senti-me logo ligado ao pequenote. É um momento lindo, mas também marca o início do período louco que vais enfrentar depois do parto.

![A segurar o meu filho pela primeira vez, a tentar perceber o que quer o pequenote... (um tema recorrente, como viria a descobrir)](https://willem.com/global/images/806102325b97.webp)

A verdade é que o período a seguir ao parto é duro, muito duro. Tens de aprender e fazer imensas coisas novas enquanto estás privado de sono. A tua vida fica um caos. Imaginei a minha vida como um conjunto de LEGO desmontado: há peças conhecidas por todo o lado, mas tens de descobrir como voltar a juntá-las.

Decidi organizar o meu esforço de reconstrução em torno de três temas importantes:

- Saúde: forma física, sono, alimentação, etc.

- Família: cuidar da mãe e do filho, a casa

- Trabalho: garantir que há dinheiro

## Saúde

A primeira e principal prioridade é a saúde pessoal. Parece egoísta, mas tens de estar em forma para ajudar os outros. De longe, o maior adversário nas primeiras semanas de paternidade é a falta de sono.

Logo a seguir ao parto vais desejar dormir acima de tudo. Até uma pequena sesta durante o dia parece um luxo. Usei o Biostrap para analisar o meu padrão de sono e a sua eficácia com base na variabilidade da frequência cardíaca (HRV), um indicador de quão descansado estás.

![Esquerda: uma semana inteira de dados de sono; direita: uma noite em detalhe](https://willem.com/global/images/5da38e17d71a.webp)

Nas minhas noites de pai de primeira viagem, mudo fraldas e dou biberão ao bebé. Faz-se num horário fixo, com intervalos de 3 horas, incluindo duas ou três sessões durante a noite. Esta é a principal causa da fragmentação do descanso noturno. Leva tempo a ajustar-se a este novo padrão. Nas primeiras noites quase não recuperei HRV, e acordava, na prática, com sono.

![Dados de uma noite medíocre (com recuperação mínima de HRV)](https://willem.com/global/images/b6a761400d05.webp)

Compensei as noites medíocres com pequenas sestas durante o dia. Os dados das sestas aparecem acima a roxo. Isto pode dar-te mesmo um impulso de energia para continuares. Passados alguns dias, o meu corpo começou a ajustar-se às noites interrompidas. A minha HRV voltou a recuperar, apesar das interrupções, e deixei de precisar de sestas durante o dia.

![Dados de um bom sono (que fez a minha HRV recuperar) ](https://willem.com/global/images/7af65785c679.webp)

É bom saber que o teu corpo se consegue adaptar aos novos hábitos de pai. Para além do sono, também deves manter-te em movimento, talvez até fazer algum exercício. A família e o trabalho dão oportunidades para isso, continua a ler.

## Família

Sobretudo nos primeiros dias depois do parto, tanto a tua mulher como o teu filho precisam de todo o amor e atenção que lhes puderes dar. Nos Países Baixos tens alguma ajuda do serviço de maternidade, mas depois da primeira semana estás por tua conta. É o momento de brilhar como pai de primeira viagem.

Uma maneira de o fazer é cozinhar! Antes de o nosso filho nascer, aprendi a cozinhar, precisamente para momentos como este. Cozinhar serve dois propósitos: alimentar e uma pequena "pausa do bebé". Depois de horas a cuidar do bebé, vais gostar de cozinhar um pouco, porque exige à tua cabeça um tipo diferente de atenção.

![Serviço de quartos do pai: salmão fumado como entrada](https://willem.com/global/images/740df7e764bf.webp)

Dar de comer ao teu filho é uma oportunidade única de criar uma relação com ele. Enquanto te concentras na forma como ele bebe o leite, tens tempo de sobra a sós com ele. Tento aproveitar ao máximo, banindo explicitamente o smartphone da cena. É mesmo compensador fazê-lo, como pai.

![Rapazes felizes: um a dar e outro a tomar um biberão de leite](https://willem.com/global/images/f0a07acf87f7.webp)

Além de cozinhar, as tarefas domésticas normais são muito compensadoras, porque permitem fazer algo útil, mexer-te um bocadinho e fazer alguma coisa com o teu filho! Ir às compras, lavar a loiça, cozinhar, aspirar: são todas oportunidades a abraçar. Uso um porta-bebés para ter as mãos livres nas tarefas domésticas, é divertido e útil.

![Carregar um bebé durante as tarefas domésticas é divertido e útil](https://willem.com/global/images/6f466d480779.webp)

## Trabalho

Nos Países Baixos, quem tem contrato de trabalho tem direito a subsídio de paternidade, mas se fores trabalhador independente como eu, não existe nada disso. Tens de planear com antecedência e poupar dinheiro antes de o bebé nascer, porque a produtividade vai estar em baixo nas primeiras semanas.

A vantagem de ser independente é que decides durante quanto tempo, quando e onde trabalhas. Esta flexibilidade dá muito jeito! Descobri que trabalhar de manhã é bastante bom, logo a seguir à biberão das 7h00, porque o pequenote volta a adormecer facilmente depois de beber o leite.

![A minha secretária, ao estilo do pai ](https://willem.com/global/images/75adda00e570.webp)

Como os recém-nascidos adoram contacto corporal (relaxa-os, porque ouvem o teu coração e a tua respiração), podes tentar dar ao bebé um sítio para dormir enquanto adiantas algum trabalho com um porta-bebés.

![Bebé a dormir, pai a trabalhar](https://willem.com/global/images/a4831b946c7d.webp)

## Conclusão

Tornar-se pai ou mãe é algo especial. Tira tempo para o desfrutar, porque passa num instante. O teu tempo vai girar à volta do bebé, e isso é algo que deves abraçar em vez de combater.

Foca-te na tua saúde, na família e põe o resto da tua energia no trabalho. As primeiras semanas são as mais difíceis; depois as coisas ficam mais fáceis, porque te adaptas e ganhas experiência. Quanto mais fácil fica, mais divertida é a tua recém-descoberta paternidade!

![Não te esqueças de te divertires!](https://willem.com/global/images/c14d47fd7068.webp)

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## O meu negócio dentro de uma mochila

*Uma mochila à prova de água para levar o meu equipamento* · 2018-12-22 · https://willem.com/pt/2018-12-22_o-meu-negocio-dentro-de-uma-mochila/

Nos últimos meses tenho andado a testar diferentes sacos e estojos para levar tudo o que preciso para gerir o meu negócio. Como vou de bicicleta para o trabalho, o saco tem de ser à prova de água. O problema do equipamento à prova de água é que costuma ser muito volumoso. Preciso que o meu equipamento seja portátil e, ao mesmo tempo, apresentável, um desafio que merece um artigo!

## O meu equipamento

Se tens lido o meu blogue, sabes que ando a minimizar o equipamento que uso para trabalhar. Há algum tempo livrei-me_do_papel (https://willem.com/en/2017-01-30_ipad-pro-next-to-my-primary-machine/): giro o meu negócio 100% sem papel, digitalizando todos os documentos possíveis. Livrei-me de toda a minha rede LAN quando passei a 'só_móvel (https://willem.com/en/2017-07-31_the-day-i-killed-my-lan/)': já não dependo de infraestrutura de rede local para ser produtivo. Depois de experimentar há_anos (https://willem.com/en/2016-08-15_ipad-pro-as-primary-computer/), agora uso um tablet_como_computador_principal (https://willem.com/en/2018-03-07_tablet-as-main-computer/). Com uma seleção mínima de equipamento, consigo levar o meu negócio inteiro numa mochila!

![Tudo o que preciso para gerir o meu negócio, a sério!](https://willem.com/global/images/3170fb197609.webp)

Para gerir o meu negócio uso:

- **iPhone (XS Max):** é o meu dispositivo mais importante, porque é a principal porta de comunicação com os meus clientes e serviços do negócio. É portátil, mas suficientemente capaz para ler e escrever e-mails e mensagens com conforto. 

- **iPad Pro (11" com rede móvel):** é o meu computador de trabalho principal, uso-o para programar, desenhar, projetar, pesquisar e gerir tudo o que precisa da minha atenção. A autonomia fenomenal da bateria e a internet integrada (4G/LTE) fazem dele o computador móvel definitivo. 

- **Apple Keyboard Folio:** este teclado pode levar algum tempo a habituares-te (por ser ligeiramente mais pequeno e ter menos curso nas teclas), mas depois de te habituares é ótimo! Resiste a líquidos, é super fino e envolve o iPad sem cabos, conectores ou ligações Bluetooth. Funciona muito bem.

- **Apple AirPods:** Estes auriculares sem fios são simplesmente fantásticos pela facilidade de utilização. Basta pô-los no ouvido e o iPhone (ou o iPad) começa logo a usá-los. Uso-os para ouvir música, mas sobretudo para chamadas de teleconferência. Como o estojo dos AirPods também serve de carregador, os auriculares estão sempre prontos a usar.  

- **Carregador de 18 watts e cabos USB-C:** Uso um único carregador para todos os dispositivos. Infelizmente isso obriga-me a levar dois cabos, porque o iPhone e os AirPods ainda usam o conector Lightning (e o iPad USB-C). A Apple tem aqui margem para melhorar: devia adotar o USB-C em todos os dispositivos. 

## Requisitos de transporte

Quero poder levar o meu negócio inteiro para todo o lado. Não porque queira trabalhar o tempo todo, mas porque não quero estar limitado a um único local físico para fazer o meu trabalho. Para complicar, gosto de ter só um saco, adequado a várias situações:

- **Andar de bicicleta:** Adoro_andar_de_bicicleta (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/) e faço-o com todo o tipo de tempo, incluindo chuva forte e vento. O meu equipamento deve estar a salvo de danos. 

- **Andar a pé em zonas urbanas:** Por causa do meu_trabalho_como_voluntário_em_Amsterdam-Zuidoost (https://willem.com/blog/volunteer/), preciso de poder levar as minhas coisas por zonas da cidade conhecidas por serem perigosas. Qualquer sinal evidente de ostentação ou luxo é um convite a atenções indesejadas...

- **Visitar clientes:** Embora grande parte do meu contacto com clientes seja hoje digital, há alturas em que me encontro com pessoas para falar de negócios. O meu equipamento deve ser apresentável, nem demasiado desportivo nem volumoso.

- **Duradouro:** Detesto que as coisas se tornem_obsoletas (https://willem.com/en/2018-01-08_lessons-from-a-takeaway-plastic-bag/), por isso o meu saco e o meu equipamento devem ser o mais duradouros possível. Fortes e resistentes, utilizáveis no futuro.

## Mochila: Ortlieb Urban daypack 15L

A Ortlieb é uma especialista alemã em sacos à prova de água, a palavra "waterproof" faz até parte do logótipo! Os seus sacos são feitos para aguentar até o pior tipo de tempo.

![Eu com o radical saco Ortlieb Velocity com mau tempo: fantástico, mas um pouco volumoso...](https://willem.com/global/images/2574ae6bd62b.webp)

Uso o saco Ortlieb Velocity há anos e é simplesmente fantástico. Mesmo com o_pior_tempo_holandês (https://willem.com/en/2017-12-02_commuting-by-bike/), os sacos da Ortlieb fazem jus ao nome: à prova de água! Se levas equipamento eletrónico caro, isto é importante.

![Ortlieb Urban daypack 15L ](https://willem.com/global/images/ba002caae503.webp)

A nova linha Urban da Ortlieb (https://www.ortlieb.com) foi pensada para ter um aspeto um pouco menos radical e um pouco mais "chique urbano". É feita de uma mistura especial de tecidos de algodão e Cordura, e o saco tem uma aparência têxtil que combina na perfeição com um estilo casual ou formal. Graças a um revestimento interior flexível de plástico (poliuretano), é ainda assim totalmente à prova de água.

![Ortlieb Urban: aspeto têxtil por fora, impermeabilidade de poliuretano por dentro](https://willem.com/global/images/908dfbc31974.webp)

Para o meu equipamento escolhi a versão mais pequena, de 15L (há uma maior, de 20L). O saco tem um bom sistema de correias, ajustável sem pontas soltas (as correias acabam num laço).

![Correias ajustáveis sem pontas soltas. ](https://willem.com/global/images/d8e8f37ce732.webp)

## Carteira Hardgraft para iPhone com cartões e dinheiro

Há anos livrei-me_de_uma_carteira_separada(https://willem.com/en/2016-07-15_cash-is-king-or-is-it/). Prefiro pagamentos eletrónicos onde quer que vá. Tem vantagens juntar os cartões essenciais ao smartphone, ficando com um único pacote que levas 'sempre contigo'.

![Carteira Hardgraft para iPhone com cartões e dinheiro](https://willem.com/global/images/0da508a44d56.webp)

Para o meu smartphone escolhi a "Hardgraft_iPhone_cash_card_wallet (https://www.hardgraft.com/products/phonecashcard-classic)". É uma capa para iPhone combinada com uma carteira fina, pensada para alguns cartões e um pouco de dinheiro.

![A carteira permite acesso rápido (e direto) ao telefone](https://willem.com/global/images/3fdbacb60ab2.webp)

Uma coisa de que gosto na carteira Hardgraft é que protege o ecrã e, ao mesmo tempo, permite acesso rápido ao telefone (nu). Assim podes usar o smartphone sem capas, abas ou carteiras agarradas, e guardá-lo em segurança quando não o usas. A capa tem até um pequeno orifício que permite carregar o telefone.

![A carregar o iPhone dentro da carteira](https://willem.com/global/images/62f718b4e3a3.webp)

## Capa Hardgraft para iPad Pro

A condizer com a carteira do iPhone, escolhi uma capa_para_iPad (https://www.hardgraft.com/products/togetheripadcase-classic) que me dá acesso rápido e total quando uso o dispositivo. Quando transporto o iPad, fica bem (e elegantemente) protegido.

![Capa Hardgraft para iPad Pro com o teclado folio e a Apple Pencil](https://willem.com/global/images/005a4d5ced5a.webp)

O melhor desta capa Hardgraft para iPad Pro é que cabe o iPad inteiro com o teclado folio e a caneta acoplados. Tal como na carteira do iPhone, há um orifício engenhoso na capa que permite carregar.

![O iPad pode ser carregado enquanto está guardado na capa](https://willem.com/global/images/c8fda032e24f.webp)

O acabamento da capa combina na perfeição com qualquer traje de negócios. As costuras, os materiais, a cor e os detalhes comunicam qualidade. É algo que aprecio mesmo.

![A capa dá uma sensação de gama alta, graças ao acabamento e aos detalhes de grande qualidade](https://willem.com/global/images/a262b283c865.webp)

## Estojo dos acessórios

Para completar o conjunto, encontrei uma "coisa" (https://www.hardgraft.com/products/passportthing-classic) adequada, onde cabem o carregador, os cabos e os AirPods. Juntar os acessórios num único pacote pareceu a maneira perfeita de organizar o meu pacote 'negócio dentro de uma mochila'.

![Estojo dos acessórios, a "coisa"](https://willem.com/global/images/2e0d35ccc68c.webp)

O bom desta "coisa" é que permite aceder por ambos os lados. Assim os meus acessórios ficam organizados e, ainda assim, à mão.

![Acesso aos acessórios pelos dois lados da "coisa"](https://willem.com/global/images/3da3250a9523.webp)

## Juntar tudo

Organizar o meu equipamento em três pacotes mais pequenos permite um acesso rápido e independente. Cada artigo é de alta qualidade, mas discreto o suficiente para passar abaixo do radar da ostentação.

![Um trio fantástico... mais ou menos](https://willem.com/global/images/6e8b4a9950ac.webp)

A ausência de marcas evidentes reforça o caráter sério e profissional do conjunto. O couro castanho cor de sela combina bem com o azul "tinta" da Ortlieb.

![Tudo arrumado: Hardgraft e Ortlieb](https://willem.com/global/images/de9b4cb07332.webp)

O interior da mochila é espaçoso e tem um compartimento que mantém os dispositivos no lugar (enquanto andas com a mochila). Sobra espaço para o almoço, uma muda de roupa ou outra coisa.

![Por dentro da Ortlieb Urban Daypack: espaçosa e confortável](https://willem.com/global/images/b2d9b7fbd964.webp)

## Conclusão

Encontrar o equipamento certo exige tempo e esforço. Este 'negócio dentro de uma mochila' é o resultado de vários esforços de minimização e otimização.

Tudo começa por seres seletivo quanto às coisas que *realmente* precisas de levar contigo. Depois pensa onde e como vais andar. Para mim isso significou: à prova de água, à prova de cidade e à prova de negócios.

Por fim, deves perceber que a qualidade do saco e dos estojos é tão importante como os artigos que levas. É tolice poupar uns tostões no saco e gastar fortunas no que vai lá dentro!

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## Faz coisas incríveis com a mente focada

*Tomar um banho de gelo e nadar no rio Amstel* · 2018-12-06 · https://willem.com/pt/2018-12-06_faz-coisas-incriveis-com-a-mente-focada/

Com a temperatura nuns baixos 2° Celsius, atirei-me ao rio Amstel! Estava quase a gelar lá fora e fui nadar, logo a seguir a tomar um banho de gelo! Este artigo é sobre o presente de anos incrível que recebi: um workshop com o Método Wim Hof.

## Método Wim Hof

Wim Hof deixou os médicos de boca aberta quando demonstrou que era capaz de manter uma temperatura corporal saudável sentado num banho de gelo.

![Wim Hof em blocos de gelo, com sensores](https://willem.com/global/images/42b580c332c6.webp)

Desde então, já esteve em inúmeros programas de televisão, documentários e palestras a explicar o seu método. O Método Wim Hof (WHM) assenta em três pilares: terapia pelo frio, respiração e empenho.

![Método Wim Hof (fonte: wimhofmethod.com)](https://willem.com/global/images/681a502a418b.webp)

### Terapia pelo frio

Na nossa sociedade moderna tendemos a controlar o ambiente à nossa volta, como aumentar o aquecimento quando temos frio ou ligar o ar condicionado quando temos calor. Viver em conforto contínuo deixa o nosso corpo preguiçoso. Ao expores-te regularmente ao frio, treinas o teu corpo para lidar com condições desconfortáveis, reativando a sua capacidade natural de se aquecer e de se sustentar.

Podes fazê-lo ao tomares duches frios ou ao nadares em água fria. A exposição ao frio baixa a frequência cardíaca e aumenta a circulação, reduzindo a inflamação e ajudando-te a recuperar mais depressa do exercício. Além disso, endureces o corpo perante o estímulo natural do frio, o que resulta numa maior tolerância ao stress e/ou à doença.

### Respiração

Com o exercício de respiração do Método Wim Hof otimizas a respiração, baixas a frequência cardíaca, desacidificas o corpo, ativas o sistema nervoso autónomo, melhoras o sistema imunitário e alcanças uma calma meditativa profunda.

Isto faz-se ao concentrares-te em respirações profundas e repetidas, a inspirar e a expirar. Depois de alguns minutos de respiração profunda, largas e fazes uma pausa na respiração. Quando o corpo quiser claramente voltar a respirar, inspiras fundo uma vez e seguras o ar durante cerca de 20 a 30 segundos. A entrada súbita de oxigénio provoca uma sensação intensa em todo o corpo que alguns descrevem como uma viagem mental: vais sentir o teu corpo como nunca antes.

### Empenho

Tanto o exercício de respiração como a terapia pelo frio exigem dedicação, não são uma solução rápida para um problema. Como em qualquer treino, o progresso inicial costuma ser difícil. Precisas do teu empenho para te tornares mestre do teu corpo.

Podes alimentar o teu empenho com a calma meditativa e o foco que ganhas quando fazes os exercícios e os treinos, é muito compensador. Embora leve tempo a tornares-te mestre, vais sentir benefícios bastante depressa.

## Viver o Método Wim Hof

Como presente de anos recebi um workshop do Método Wim Hof em Amesterdão. Com o meu amigo Tim, visitámos o Bart Biermans, médico e formador certificado de WHM. Dá workshops em Amesterdão no seu fantástico barco-casa no rio Amstel.

![Treino de homem do gelo do Bart Biermans em Amesterdão (fonte: icemantrainingen.nl)](https://willem.com/global/images/2f81c403f769.webp)

O workshop tem duas partes. Primeiro, o Bart Biermans explica a teoria e a ciência por trás do Método Wim Hof. Ficas a conhecer os exercícios, o Wim Hof, a investigação e as experiências. Como estes workshops se fazem em grupos (pequenos), também conheces outras pessoas. Durante o dia podes falar sobre percursos, intenções e experiências. Isto torna-o muito mais do que uma experiência pessoal: aprendes com os outros e inspiras-te neles.

Vivi o workshop do Método Wim Hof como algo incrível. Embora eu_dedique_bastante_tempo_e_energia_à_minha_saúde (https://willem.com/en/wearable-sensors-measuring-the-body-questioning-the-data/), nunca tinha sentido o meu corpo assim. O exercício de respiração ajudou-me a alcançar um nível de calma meditativa que, para mim, foi sem precedentes. Pode parecer parvo, mas senti como se conseguisse notar distintamente o sangue a correr pelos vasos sanguíneos, o coração a bater, o corpo a viver; fantástico!

Depois chegou a hora do banho de gelo. A temperatura lá fora andava pelos 2° Celsius e, um a um, fomos guiados para a banheira cheia de cubos de gelo. A expectativa de me sentar numa banheira cheia de gelo parecia um desafio. Mas, assim que entrei na banheira, senti calma.

![Não é bem o teu jacuzzi habitual... a tomar um banho de gelo!](https://willem.com/global/images/3e53126d785b.webp)

Com a orientação do Bart Biermans, consegui concentrar-me na minha temperatura interior, o que me permitiu sentir-me bastante confortável, apesar de estar mergulhado em água gelada! É uma sensação muito estranha sentir calor dentro de uma banheira de gelo. Quando sais do banho de gelo, notas que a tua perceção da temperatura mudou: o tempo frio lá fora de repente parece quente. Para completar esta montanha-russa de temperaturas, atirámo-nos ao rio Amstel para um mergulho rápido!

## Conclusão

Que experiência, aprender coisas novas sobre o próprio corpo, perceber que consegues fazer coisas incríveis sem drogas nem equipamento especial.

Foi um workshop inspirador que me deixou uma marca duradoura. Um grande obrigado ao Bart_Biermans (https://www.icemantrainingen.nl/) pela sua experiência e ao meu amigo Tim por este presente de anos fantástico!

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## Pela cidade num carro elétrico

*A conduzir o Smart Electric Drive (EQ fortwo)* · 2018-11-16 · https://willem.com/pt/2018-11-16_pela-cidade-num-carro-eletrico/

No início deste mês andei uma semana pela cidade num veículo elétrico, um Smart Electric Drive (EQ fortwo) novinho em folha. Usei-o para ir trabalhar, para as compras do dia a dia e para visitar família, amigos e clientes. Como é conduzir todos os dias um carro totalmente elétrico?

## Swatch Mercedes Art

A Smart é mais do que um carrinho: é o resultado de uma parceria entre a Mercedes-Benz e a marca suíça de relógios Swatch. Já em 1982 (!), o visionário presidente da Swatch, Nicholas Hayek, teve a ideia de um pequeno carro elétrico urbano.

![Nicolas G. Hayek, 1999, na sua secretária em Biel (foto: swissinfo.ch)](https://willem.com/global/images/dda315d2ed4d.webp)

Nicholas Hayek não era apenas um presidente executivo: muitas vezes é-lhe atribuído o mérito de ter salvo toda a indústria relojoeira suíça, graças à sua visão de futuro à frente do Swatch Group, que inclui marcas bem conhecidas como Omega, Breguet, Hamilton, Tissot e Longines. Acreditava que a indústria automóvel tinha ignorado um setor de clientes potenciais que queriam um carro urbano pequeno e elegante.

![Micro Compact Car (MCC) de 1994](https://willem.com/global/images/e4960b2bbf42.webp)

A Swatch e a Mercedes anunciaram a empresa Micro Compact Car (MCC) em 1994. Um dos primeiros desafios na MCC foi o nome do carro. Nicolas Hayek insistia em que mantivesse a Swatch de alguma forma: "Swatchmobile" ou "Swatch Car". A Mercedes recusou e pressionou por um nome neutro. Acabaram por chegar a Smart, um acrónimo que a MCC já usava internamente para Swatch Mercedes Art.

## Smart EQ fortwo

Hoje a Smart é uma marca da Mercedes-Benz, mas mantém grande parte do conceito original de carro urbano. Com os desenvolvimentos modernos dos veículos elétricos, já existe uma versão totalmente elétrica do carro urbano: o Smart EQ fortwo.

![Smart EQ fortwo (com tração totalmente elétrica)](https://willem.com/global/images/cd17033abd62.webp)

O Smart EQ fortwo é um carro elétrico para duas pessoas, pensado para ser ágil dentro e à volta das cidades. É um carro compacto com apenas 2,6M de comprimento, 1,6M de largura e 1,5M de altura. Com uma bateria de iões de lítio de 96 células e 17,6 kWh, pesa pouco mais de 1085KG.

![Duas pessoas cabem confortavelmente no Smart EQ fortwo](https://willem.com/global/images/d1dbcaa3fc16.webp)

Mesmo não sendo grande, o carro tem espaço de sobra para os dois passageiros. Tem duas portas confortavelmente grandes e uma mala prática.

![É possível aceder rapidamente à mala pelo vidro, além da porta da mala rebatível](https://willem.com/global/images/5cbb55df1b98.webp)

A mala acede-se pelo vidro traseiro, que se abre rapidamente. É ideal para tirar (e pôr) objetos pequenos. Para objetos maiores, podes baixar a porta da mala.

![O estilo do carro é maduro e cheio de opções de personalização, podes dar ao Smart o aspeto que quiseres](https://willem.com/global/images/816c0b5f2cba.webp)

O Smart é tudo menos aborrecido! Tem inúmeras opções de estilo e podes deixar o carro com praticamente o aspeto que quiseres. Tal como os populares relógios Swatch, o Smart está disponível em muitas cores vivas e alegres.

![Smart fortwo cabrio em vermelho/rosado](https://willem.com/global/images/ba11f4291285.webp)

![Smart fortwo cabrio em verde](https://willem.com/global/images/c26832adfc61.webp)

![Smart fortwo cabrio com o estilo especial "nightsky"](https://willem.com/global/images/985581badc5e.webp)

O carro que conduzi tinha um acabamento cinzento mate com detalhes pretos: um visual ousado! Mas seja qual for a cor que escolheres, o design moderno do carro fica-lhe bem.

![Acabamento cinzento mate com detalhes pretos: jovem, sério, mas ainda muito divertido!](https://willem.com/global/images/82040a791e0a.webp)

## Interior

Como muitos holandeses, não sou propriamente pequeno, com 1,93M de altura... mas dentro do Smart fortwo sinto-me muito confortável. O interior foi pensado para acomodar bem os dois passageiros.

![Por dentro do smart fortwo: muito espaço para um tipo alto (1,93M)](https://willem.com/global/images/9dfb15ef8779.webp)

O teto de vidro é um extra simpático, dá uma sensação de espaço. É quase como conduzir um descapotável, mas sem o perigo de estragar o penteado... (se tiveres algum...)

![O cockpit do smart, com muitos botões](https://willem.com/global/images/d5d954d4cadc.webp)

O volante (aquecido) tem inúmeros botões para controlar a música e o regulador de velocidade. Podes usar os botões para mudar o conteúdo dos vários ecrãs. Os ecrãs mostram desde a velocidade e a distância até dados da energia elétrica.

![Indicador de potência elétrica dentro do Smart EQ](https://willem.com/global/images/d19176715fcb.webp)

Só mesmo os designers da Smart para inventarem um indicador de potência elétrica tão divertido. Mostra o nível de potência atual e a carga da bateria. O indicador vai para os dois lados: para a esquerda indica regeneração (por travagem magnética), para a direita mostra o consumo de energia (ao acelerar). É divertido e útil se és novo nos carros elétricos.

![Ecrã tátil central: como um iPad integrado](https://willem.com/global/images/9a894a12f44b.webp)

No meio do tablier fica o ecrã central. Podes usá-lo para navegar, ouvir música e ligar ao smartphone. Uma alternativa ao sistema multimédia integrado é o suporte para smartphone, que te permite usar o telefone como ecrã central.

![O suporte para smartphone é uma alternativa interessante ao ecrã multimédia integrado](https://willem.com/global/images/965ec4cd5908.webp)

Se usas o carro todos os dias, não vês só o interior, sentes o interior. O volante, as pegas, os botões: é qualidade Mercedes-Benz. Isso é bom. Por fora o Smart é um carrinho divertido, mas por dentro parece um carro de luxo a sério.

![Limpa-vidros automático](https://willem.com/global/images/fbec64d86242.webp)

![Bancos aquecidos, com costuras luxuosas](https://willem.com/global/images/fabd4344ef2e.webp)

![Luzes automáticas](https://willem.com/global/images/400912ec43ea.webp)

Os designers do interior mostram mesmo que percebem como o carro (e o banco do passageiro) é usado na prática. Incluíram coisas úteis, como uma cinta de bagagem no banco do passageiro. É de primeira, no pensamento e no acabamento.

![Festa para os iPads: encaixam na perfeição no banco do passageiro](https://willem.com/global/images/b054ce135422.webp)

## Condução

Conduzir um carro totalmente elétrico é mesmo diferente de um carro tradicional a gasolina. Com gasolina, o motor de combustão interna só tem uma gama limitada em que fornece potência de forma eficiente. Por isso precisas de uma caixa de velocidades para subir e descer mudanças e arrancar. Os motores elétricos fornecem potência a todas as velocidades e não precisam de caixa de velocidades.

Isto torna acelerar um carro elétrico muito mais parecido com uma montanha-russa: ele vai! Sem atraso, sem mudanças, só potência! O Smart, relativamente leve (1085KG), pode ter um motor elétrico pequeno (±60kW / 80cv), mas entrega a velocidade de forma contínua e divertida. Leva-te dos 0 aos 60KM/h em 4,9 segundos, o que dá um grande sorriso nos semáforos da cidade.

![Transmissão elétrica dentro do Smart EQ](https://willem.com/global/images/b440aad8cadd.webp)

A caixa de velocidades não é a única coisa que falta num carro elétrico: não há depósito de óleo/combustível, bombas, filtros, líquido de refrigeração, radiadores nem motor de arranque. Um carro elétrico pode ser muito mais simples em termos de peças do que qualquer carro a gasolina.

A falta das peças tradicionais permitiu aos designers otimizar a distribuição do peso, pondo as baterias pesadas o mais em baixo possível. O motor fica muito perto das rodas traseiras, libertando o eixo dianteiro e permitindo-lhe virar em ângulos muito apertados. Combinado com a distância curta entre eixos, isto dá ao Smart um raio de viragem incrivelmente pequeno, de apenas 6,95M.

![Faz curvas muito (incrivelmente!) apertadas (com um raio de viragem de apenas 6,95M)](https://willem.com/global/images/a0407c921f10.webp)

A manobrabilidade perfeita dá muito jeito em zonas urbanas. Consegues enfiar o carro em quase qualquer lugar de estacionamento (minúsculo). A cara do meu vizinho não tinha preço!

![Estacionar com criatividade](https://willem.com/global/images/972c7ac058a7.webp)

![Rua holandesa típica... estilo de estacionamento atípico :-)](https://willem.com/global/images/acf67e07a442.webp)

## Autonomia e carregamento

Durante o tempo com o Smart elétrico consegui facilmente 100KM de autonomia com uma só carga. Se usares o modo ECO, adaptares o estilo de condução e fores com calma, consegues uma autonomia de cerca de 130KM.

No início pensei que isto seria um problema, um carro a gasolina pode ter facilmente uma "autonomia" de centenas de KM. Mas há algo que um carro elétrico faz e o teu carro a gasolina não: carregar durante a noite.

![O Smart na minha garagem, cabem dois...](https://willem.com/global/images/74b4a6b13286.webp)

Reparei que sempre que estacionava o carro na minha garagem, ligar o cabo de carregamento dava muito pouco trabalho. Assim o carro está sempre carregado quando acordas de manhã. De repente percebi o quanto detesto abastecer gasolina!

![A carregar numa tomada normal](https://willem.com/global/images/fed7827c01a9.webp)

Demora no máximo 6 horas a carregar o carro até 80% numa tomada normal de 230V. Se instalares a wallbox opcional, podes aumentar muito a velocidade de carregamento.

![A carregar o carro num lugar de estacionamento público](https://willem.com/global/images/cfef0eb0632e.webp)

Além de carregar em casa, podes usar qualquer posto de carregamento público para encher as baterias. É ideal nas cidades, onde muitas vezes é difícil arranjar estacionamento. Com uma app no smartphone encontras locais de carregamento gratuitos por todo o lado. Enquanto visitas amigos, família ou clientes, o carro vai-se enchendo de energia fresca.

## O teste da cerveja

Há muitas coisas importantes na vida, e conseguir transportar uma grade de cerveja é uma delas. Felizmente o Smart foi desenhado por alemães, e eles adoram cerveja. Fiquei a pensar quantas grades de cerveja caberiam no carro...

![Grades de Heineken 0.0% no Smart ](https://willem.com/global/images/5d23a5e0f900.webp)

![Duas grades de cerveja cabem confortavelmente na bagageira do Smart](https://willem.com/global/images/e7d0dc4e7891.webp)

A mala traseira leva facilmente duas grades de cerveja. Se estiveres mesmo numa festa a sério, podes usar o banco do passageiro para enlouquecer... Eu parei nas 96 garrafas de cerveja, mas se és bom em jogos como o Tetris, imagino que consigas meter muito mais!

![96 garrafas de cerveja dentro do Smart... feito!](https://willem.com/global/images/7aa8b90e66b5.webp)

## Conclusão

Uma semana e muitos quilómetros depois, foi difícil devolver o meu novo amigo elétrico ao concessionário Smart em Amesterdão, a Stern_Auto (https://www.sternauto.nl/2010/Home.html). É simplesmente tão divertido andar pela cidade num Smart elétrico.

Mais do que a visão de futuro no design e na transmissão, é esta diversão que fica! Faz-te sorrir, quando conduzes, quando estacionas, quando carregas. Diversão!

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## O Apple Watch é o relógio de ferramenta moderno?

*Testar a utilidade do Apple Watch na vida real* · 2018-11-02 · https://willem.com/pt/2018-11-02_o-apple-watch-e-o-relogio-de-ferramenta-moderno/

Esta semana fui a Frankfurt em trabalho. Tinha de fazer a manutenção de servidores num centro de dados. Parecia uma excelente oportunidade para testar a utilidade do Apple Watch na vida real (para além da saúde e do fitness). Perguntei-me: será o Apple Watch o relógio de ferramenta moderno?

## O que é um relógio de ferramenta?

Um relógio de ferramenta é um relógio concebido sobretudo para uma finalidade concreta (como mergulhar, voar, competir) e não apenas como uma joia. Os clássicos modernos como o Rolex Submariner, o GMT-Master e o Daytona foram originalmente pensados assim.

![Anúncio clássico da Rolex: a funcionalidade em primeiro lugar](https://willem.com/global/images/c3e97e1c70b4.webp)

Muitos destes modelos clássicos têm as suas raízes em usos militares. A sua precisão e fiabilidade faziam, literalmente, a diferença entre a vida e a morte.

## Os tempos mudaram

Hoje em dia já não precisamos realmente de um instrumento só para ver as horas, porque é fácil consultá-las no smartphone ou no computador. Que outras utilidades poderá ter um relógio de ferramenta moderno?

![Tecnologia digital e mudança social (por Martin Hilbert, Universidade da Califórnia)](https://willem.com/global/images/c347b22b860a.webp)

Depois da revolução industrial do século passado, vivemos agora naquilo a que se chama "a era da informação". As economias passaram da indústria tradicional para uma economia baseada em tecnologias da informação. Em vez do trabalho tradicional, o dinheiro de hoje cria-se com a afetação eficiente de recursos, ligando a oferta e a procura com elevados níveis de personalização. A informação está entranhada na forma como trabalhamos e vivemos.

Por isso não admira que apareçam dispositivos ligados à internet por todo o lado. O teu smartphone, tablet, frigorífico, TV e carro estão todos ligados (ou vão estar em breve). Parece lógico que um relógio moderno também esteja online.

![Apple Watch: um relógio de ferramenta moderno?](https://willem.com/global/images/46a03b85751d.webp)

## O relógio de ferramenta moderno

O Apple Watch evoluiu para um microcomputador de vestir, bem ligado ao mundo. Graças às opções de WiFi/4G/LTE, funciona de forma independente. É um relógio moderno, nativo da nossa era repleta de informação, feito para lidar com informação, mas como é que isso funciona na prática?

![O Apple Watch é um minúsculo computador de vestir](https://willem.com/global/images/ea2b17467ee5.webp)

### Lidar com a informação que chega

O Watch permite-te processar informação. As mensagens, chamadas e e-mails que chegam podem ser tratados diretamente do pulso. Graças à ligação à internet, trabalha em conjunto com o telefone, o computador e o tablet.

Tratar da informação a partir do pulso pode ser bastante útil de vez em quando. Se o configurares bem, o Apple Watch funciona como um filtro e só deixa passar o que é importante. Nem sequer precisas de olhar para o relógio: podes fazê-lo vibrar com padrões diferentes conforme a app, o remetente e o tipo de notificação.

![Apple Watch a mostrar a hora estimada de entrega de uma encomenda (do serviço neerlandês PostNL)](https://willem.com/global/images/01397ceb3728.webp)

Se chegar uma mensagem importante, podes responder com a voz (por exemplo, a telefonar ou a ditar) ou escolhendo uma resposta ou ação predefinida. Ou então tratas disso no iPhone, no iPad ou no Mac, porque estes dispositivos trabalham todos em conjunto. Podes deixar o telefone na mala e só o tirar de lá quando for mesmo necessário.

### Aceder à informação

Pela sua posição no pulso, é muito prático usar o relógio para aceder à informação. Claro que serve para ver as horas, mas graças ao ecrã digital (em vez de um mostrador mecânico), pode mostrar muito mais.

![A hora e a data consultam-se facilmente com o Apple Watch](https://willem.com/global/images/df19f171c664.webp)

Podes aceder a resultados desportivos, à meteorologia, a indicações de navegação e a praticamente tudo o que normalmente encontrarias na internet. Podes mesmo fazer perguntas ao relógio com a voz, em linguagem normal, como: "preciso de impermeável esta tarde?"

O relógio usa tecnologias avançadas para perceber a pergunta falada, determinar onde estás e consultar o tempo local. Depois responde por voz ou por escrito. É um encaixe natural no nosso tempo, em que estamos habituados a ter toda a informação do mundo ao alcance da mão, e neste caso, literalmente!

![Apesar do tamanho reduzido, o ecrã do Apple Watch consegue mostrar muita informação](https://willem.com/global/images/1f54f0571730.webp)

### Criar informação

Além de aceder à informação, o Watch serve para recolher e criar informação. Tem vários giroscópios, um microfone, um chip GPS, um ecrã tátil e um monitor de frequência cardíaca. Com isto podes criar lembretes, mensagens, compromissos e até e-mails completos.

Isto é especialmente útil para os lembretes de última hora, aquelas coisas que sabes que podes esquecer. Podes definir lembretes que disparam a uma certa hora ou num certo sítio. Por exemplo, para te lembrar de fazer algo quando chegares a casa, ou de levares uma coisa contigo quando saíres.

![O Apple Watch tem inúmeros sensores para recolher dados](https://willem.com/global/images/d2cd7926dd6d.webp)

Sensores como o monitor de frequência cardíaca servem para acompanhar o teu bem-estar ao longo do dia. O Watch recolhe automaticamente dados de saúde e fitness. Estes dados ficam guardados no teu smartphone, onde os podes usar para analisar e melhorar a tua condição física. Escrevi outro artigo_sobre_natação_e_ciclismo_com_o_Apple_Watch (https://willem.com/en/2018-09-27_swimming-and-cycling-with-apple-watch/).

## Teste na vida real

Que melhor maneira de testar as capacidades do Apple Watch do que um dia de trabalho a sério? Esta semana fui a Frankfurt fazer a manutenção de um servidor de internet num centro de dados com segurança máxima.

![Centro de dados em Frankfurt](https://willem.com/global/images/f96d172e4a00.webp)

Um centro de dados é o sítio onde vive a nuvem, ou a internet. É como um bunker com muitas salas de computadores lá dentro. Essas salas têm alimentação elétrica e refrigeração extra fiáveis. Normalmente estes centros são muito vigiados, com guardas, portões de acesso, sistemas de verificação biométrica, câmaras e vedações. O "ouro" da nossa era da informação está guardado dentro destes bunkers.

![Avisos em alemão dentro do centro de dados (de alguma forma parecem um pouco mais sérios...)](https://willem.com/global/images/29ea8d2866aa.webp)

Para entrar no centro de dados tenho de passar vários níveis de segurança. Para isso preciso de vários códigos, de identificação e de um horário apertado (porque alguns destes códigos expiram automaticamente). Além de passar a segurança, também tenho de encontrar o caminho, porque estes edifícios têm muitos andares, corredores, salas e bastidores.

![Aceder à informação com as mãos livres](https://willem.com/global/images/ef460ec8159d.webp)

O Apple Watch deu-me acesso rápido à informação enquanto entrava no centro de dados. Precisava das mãos para levar uma caixa de ferramentas e peças de servidor. Por isso foi muito cómodo bastar-me um olhar para o pulso para ver o percurso e consultar a informação.

Isso permitiu-me localizar o servidor avariado e chegar ao bastidor onde estava o equipamento.

![Hardware de servidor num bastidor do centro de dados](https://willem.com/global/images/997dcf89cdca.webp)

Era preciso aceder ao servidor porque, por alguma razão, tinha perdido a ligação à internet. Normalmente isso indica uma falha (de hardware) grave. Para descobrir a causa, começa-se simplesmente por verificar todas as partes da máquina e ver se há sinais de vida.

Dentro do centro de dados há carrinhos com monitores e teclados que podes usar para ligar ao teu servidor. Assim podes ir ainda mais fundo no computador, para encontrar problemas que não se veem por fora.

![Consola ligada ao servidor](https://willem.com/global/images/335417f119a3.webp)

Com o Apple Watch consegui acompanhar o estado do servidor avariado. Configurei um serviço de monitorização que me avisaria assim que o servidor avariado voltasse a ficar online. Como autorizei o serviço de monitorização a enviar notificações para o meu pulso, recebi a mensagem logo. Assim não precisei de um portátil nem de um sistema de monitorização adicional no local.

![Engenheiro feliz com o Apple Watch dentro do centro de dados!](https://willem.com/global/images/15b777edd022.webp)

Quando encontrei o caminho para a saída, o trabalho estava feito. Como me sobrava algum tempo, decidi ir ao centro de Frankfurt fazer um pouco de turismo, e tomar um bom café, antes de voltar à Autobahn rumo a Amesterdão.

![O mundo no teu pulso: o Apple Maps no centro de Frankfurt](https://willem.com/global/images/2ad44de93d3b.webp)

## Conclusão

Durante o meu trabalho em Frankfurt usei o Apple Watch como ferramenta para fazer as coisas. Cumpriu e facilitou-me um bocadinho o dia.

Teria sobrevivido sem ele, claro, mas poder tratar da informação diretamente do pulso é uma verdadeira bênção. Dá-te uma sensação de controlo que um relógio tradicional não dá.

![Apple Watch e Rolex Milgauss 116400GV](https://willem.com/global/images/c6c14ae03947.webp)

O Apple Watch não está livre de defeitos: é uma ferramenta que exige atenção extra para ser configurada e para se manter carregada. Se a história dos relógios de ferramenta tradicionais serve de indício, podemos esperar que melhore com o tempo.

Se o Apple Watch é útil o bastante para substituir um relógio tradicional continua a ser uma questão pessoal. Mas pensa o que pensares agora, fica a saber que a tecnologia continua a evoluir muito depressa. Em breve, talvez seja a hora certa para o experimentares!

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## Recuperar ficheiros de um disco rígido avariado

*Faz cópias de segurança, mais vale prevenir do que remediar!* · 2018-10-16 · https://willem.com/pt/2018-10-16_recuperar-ficheiros-de-um-disco-rigido-avariado/

Ontem uma jovem trouxe-me o portátil dela: já não arrancava e só mostrava uma mensagem de erro. Afinal era o disco rígido que estava avariado. Ela assustou-se quando lhe disse que todos os dados do disco estavam perdidos. Contou-me que lá estavam fotografias preciosas da gravidez e do filho pequeno. O que podia eu fazer?

Todas as segundas-feiras ajudo pessoas no centro comunitário local em Amsterdam-Zuidoost. Faço_este_trabalho_como_voluntário (https://willem.com/en/2016-11-21_being-a-volunteer-in-amsterdam-zuidoost/) há alguns anos e é sempre ótimo poder ajudar_as_pessoas (https://willem.com/en/2018-07-20_helping-people-with-free-software/). Mas desta vez não tinha a certeza de conseguir ajudar a jovem a recuperar as fotografias...

![O portátil avariado com fotografias preciosas](https://willem.com/global/images/d34bbf9c5a6e.webp)

## Disco rígido avariado

Quando usas o computador, os teus ficheiros (e fotografias) ficam muitas vezes guardados dentro dele, no disco rígido ou na unidade de estado sólido (SSD). É uma pequena máquina dentro do computador que se pode avariar. Se isso acontecer, perdes tudo o que lá estava.

Há vários tipos de falhas de disco:

- **Falha de software**: pode acontecer quando o computador é interrompido enquanto grava informação no disco (por exemplo, numa falha de energia). Isto pode corromper ficheiros ou instalações, que às vezes se conseguem recuperar (pelo sistema operativo ou pela aplicação que estavas a usar). 

- **Erros de leitura / escrita**: nesse caso o disco ainda funciona (ouve-se), mas tem (grandes) dificuldades em ler e gravar dados. Já não podes contar com a segurança dos teus dados, e há um sério risco de falha definitiva. 

- **Falha total**: acontece quando o disco já não arranca (sem ruído) e o computador perde o sinal do disco. Só ferramentas especializadas (muito caras) conseguem eventualmente recuperar dados (parciais). A não ser que queiras gastar uma fortuna, os teus ficheiros estão perdidos.

Seja o que for que aconteça ao teu disco, o melhor é deixares de usar o computador de imediato e pedires conselho a um especialista. Continuar a usar o computador com um disco defeituoso aumenta a probabilidade de corromperes os teus ficheiros.

![Disco rígido defeituoso ](https://willem.com/global/images/52eb619083a3.webp)

## Faz cópias de segurança!

O melhor que podes fazer para evitar a perda de dados é fazer cópias de segurança com regularidade. Não é difícil, e há várias maneiras:

- **cópias na nuvem**: podes usar o Dropbox, o iCloud, o Google Drive ou o Microsoft OneDrive para fazer cópias automaticamente. Os teus ficheiros são enviados para a internet. Se acontecer alguma coisa ao teu dispositivo, restaurar os dados é muitas vezes simples: basta transferi-los da nuvem. 

- **disco USB ou cartão SD**: podes copiar os ficheiros para um disco USB ou um cartão SD, que guardas noutro sítio (num cofre, no trabalho, em casa de amigos ou da família). Para maior segurança, podes usar vários discos USB e cartões SD.  

- **NAS**: com um dispositivo de armazenamento em rede (NAS) constróis, na prática, o teu próprio sistema de cópias na nuvem (pequeno), como_eu_fiz (https://willem.com/en/2017-08-31_clouds-below-my-floor/). Copias os ficheiros para o NAS sem andares a mexer em discos USB ou cartões SD. Mas cuidado: um NAS dentro de casa não te protege de um incêndio nem de ladrões. 

Qualquer que seja o método que escolhas, fá-lo com regularidade. Verifica as cópias e vê se têm todos os ficheiros que esperas. As falhas de disco acontecem a toda a gente, é só uma questão de tempo.

## Recuperar ficheiros

A jovem não tinha feito cópia de segurança, o portátil dela tinha a única cópia das fotografias preciosas. Queria mesmo ajudá-la. Ofereci-me para abrir o portátil e ver se conseguia tirar o disco e ligá-lo a outro computador.

![Abrir o portátil para retirar o disco](https://willem.com/global/images/edb0c031bb1c.webp)

![O disco costuma estar preso com uns parafusos minúsculos](https://willem.com/global/images/7553d00b6d5c.webp)

Depois de retirado o disco, podes usar outro computador para tentar ler os dados. Consoante o tipo de falha do disco, talvez ainda consigas recuperar alguns dados. Para ligar o disco a outro computador, podes usar uma caixa externa para discos rígidos USB.

![Liga qualquer disco rígido a um computador com o chip e os cabos de uma caixa externa USB](https://willem.com/global/images/8218090a255a.webp)

O resultado pode variar, mas se tiveres sorte o disco ainda terá vida suficiente. Liguei o disco ao meu computador com Debian GNU/Linux e, passados uns momentos, o computador detetou o disco rígido! Ainda não estava completamente morto!

![Deteção do "USB Mass Storage device", um sinal de vida do disco!](https://willem.com/global/images/45b9b0c73d41.webp)

Com Linux ou Mac podes mandar o computador ligar-se ao disco em modo "só de leitura". Assim evitas que se escrevam dados, o que poupa o disco (porque às vezes o sistema operativo começa sozinho a indexar os ficheiros, criando montes de ficheiros minúsculos...).

![Comandos de terminal para montar um disco no Debian GNU/Linux](https://willem.com/global/images/6bcb215a0916.webp)

Se olhares para a captura de ecrã acima, vês que usei **fdisk -l** para listar o conteúdo do disco ligado (1). Depois vi na lista qual era a partição maior (2), o que responde à pergunta: onde estão os ficheiros? Por fim, com o comando **mount** (3), mandei o computador ligar-se a essa partição. Funcionou e consegui listar o conteúdo do disco (pelos nomes das pastas, vê-se que tinha uma instalação do Windows).

Daí consegui navegar até à pasta Documentos, onde estavam as fotografias da jovem. Sem saber quanto tempo o disco avariado ainda aguentaria, não perdi um segundo e comecei logo por copiar as fotografias. Vai primeiro atrás do "ouro", antes de tentares copiar o disco inteiro.

![Um novo balão de oxigénio: o disco avariado ligado ao meu portátil ](https://willem.com/global/images/66f456d1da3b.webp)

O disco fazia ruídos péssimos enquanto eu tentava recuperar as fotografias. Estava mesmo a dar tudo o que tinha. O meu computador registou inúmeros erros ao tentar ler os dados do disco rígido.

![Mensagens de erro ao ler dados do disco rígido](https://willem.com/global/images/e1d7b2c6a796.webp)

Horas depois, foi um alívio ver o computador indicar que a maior parte dos ficheiros tinha sido copiada com êxito! Resultou, viva!!

## Conclusão

Desta vez tive a sorte de conseguir recuperar as fotografias preciosas do disco. Mas da próxima vez pode ser diferente... Não deves contar com a sorte: faz cópias de segurança!

![Devolver as fotografias preciosas num disco USB](https://willem.com/global/images/2a10c1f497f9.webp)

Depois de recuperar as fotografias, devolvi-as à jovem num simples disco USB. Escusado será dizer que ficou muito feliz!

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## Usar um Android barato como telemóvel principal

*Comparar um Nokia (99 €) com um iPhone (1329 €)* · 2018-10-09 · https://willem.com/pt/2018-10-09_usar-um-android-barato-como-telemovel-principal/

De vez em quando troco de telemóvel para acompanhar a evolução do mundo móvel. Como programador profissional de apps e de web, preciso de saber como funcionam na vida real os diferentes dispositivos. Desta vez usei um smartphone Android barato, e fiquei curioso por ver como se comparava com um iPhone caro.

## Trocar de telemóvel

Apesar de pensares que os smartphones modernos são todos iguais, há diferenças importantes que definem a "sensação" de um sistema operativo móvel. Por exemplo, a navegação: no Android tens o botão de voltar, muito usado, enquanto no iOS tens o botão de início e os gestos. Se desenvolves apps, tens de garantir que a tua app se comporta como as pessoas esperam. Ou seja, tens de respeitar a forma como o sistema operativo faz as coisas.

As apps mal adaptadas parecem deslocadas porque lhes falta este refinamento: parecem ilógicas. É por isso que troco regularmente de telemóvel, para manter uma compreensão fresca de como as coisas funcionam no Android e no iOS.

![iPhone com iOS e Nokia com Android](https://willem.com/global/images/fa923079c93a.webp)

Talvez não te apercebas, mas se usares o mesmo telemóvel durante muito tempo, desenvolves memória muscular para abrir depressa as apps mais comuns. Facilita a troca organizando os ícones de forma semelhante nos dois aparelhos.

## Android barato: Nokia 2

O Nokia 2 é um smartphone Android básico que não custa muito (99 €). É o smartphone de entrada de gama que a Nokia oferece. Tem um toque surpreendentemente agradável, graças à moldura de alumínio. O ecrã é vivo e nítido e o telemóvel tem uma bateria gigantesca (4100 mAh).

![Nokia 2 com duckduckgo.com](https://willem.com/global/images/20e8e3a2f1ce.webp)

![A qualidade de construção do Nokia 2 é boa](https://willem.com/global/images/a807ea52936c.webp)

Em comparação com o iPhone caro, o Nokia barato parece mais leve e a moldura de metal é escovada, em vez do "aço inoxidável cirúrgico" polido do iPhone (pfff). Com o Nokia sinto-me perfeitamente à vontade sem capa, enquanto no iPhone sinto que preciso de uma (e de um seguro, de uma segunda hipoteca...).

![O Nokia 2 é agradável ao toque, mesmo comparado com um iPhone caro](https://willem.com/global/images/1f7d5eb394c3.webp)

![Em comparação com o iPhone, o Nokia 2 tem mais ou menos o mesmo tamanho](https://willem.com/global/images/d16cf5a95829.webp)

## Android One no Nokia

Ao contrário de muitos outros fabricantes de telemóveis Android, a Nokia é muito rápida a fornecer atualizações. Apesar de este telemóvel ser muito mais barato do que as propostas da Samsung, por exemplo, recebe atualizações mais depressa e durante mais tempo. Com a nova experiência "Android One", a Nokia e a Google garantem atualizações durante pelo menos dois anos.

![O Android One é, de facto, espantoso](https://willem.com/global/images/e4b3e373dd4b.webp)

## Configurar o Android

Mudar de sistema operativo significa que vais ter de encontrar outras apps para fazer as coisas, porque nem todas as apps do iOS existem para Android (e vice-versa). Faço muitas coisas diferentes com o meu smartphone. Para algumas tarefas comuns escolhi algumas apps que valem a pena:

- E-mail: **K-9 mail**, um programa de e-mail independente, disponibilizado como software livre, com o código-fonte partilhado. Pode demorar algum tempo a configurá-lo ao teu gosto, mas funciona de forma fiável. Sem anúncios, sem spyware e sem comercialização. 

- SSH: **JuiceSSH**, uma das melhores apps para ligar ao teu servidor ou VPS. Funciona de forma fiável e não tem anúncios. Além de SSH, suporta MOSH, um protocolo parecido com o SSH, otimizado para ligações móveis, com suporte para roaming e para retomar ligações.

- SFTP: **Turbo Client**, é um cliente de FTP/SFTP que podes usar para aceder a ficheiros num servidor remoto. Esta app não tem anúncios e tem uma interface intuitiva e moderna.

- Escrita: **iA Writer**, é uma app para escrever artigos, com uma interface minimalista que não incomoda e te deixa concentrar totalmente no teu conteúdo.

- Windows: o **RD Client** da Microsoft serve para ligar a um computador com Windows. Assim tens acesso a todas as apps de ambiente de trabalho do Windows a partir do telemóvel. Uso-o para responder a problemas comunicados pelos meus clientes que usam Windows.

- Contactos: **CardDAV-Sync**, a minha lista de contactos está guardada num servidor CardDAV Radicale. É como ter o teu próprio Google ou iCloud. Gosto porque controlo totalmente os meus dados e posso usar o CardDAV no iOS, no Android, no Mac, no Windows e no Linux. Depois de sincronizados, os contactos aparecem na app de contactos predefinida do Android. 

- Calendário: **CalDAV-Sync**, o meu calendário está guardado num servidor CalDAV, tal como a lista de contactos. Depois de sincronizados, os meus compromissos aparecem na app de calendário predefinida. 

![Com as apps certas e ligado a um teclado, o smartphone barato consegue fazer trabalho a sério](https://willem.com/global/images/31b5e292819d.webp)

## Desempenho

O smartphone Android barato é limitado em potência de processador e em memória. Nota-se: o Nokia é muito mais lento do que um smartphone de gama alta. Abrir apps demora um pouco mais (alguns segundos) e, ao trocar de app, muitas vezes tem de a recarregar, porque não consegue manter muitas apps ativas ao mesmo tempo. Mas, depois de abrires uma app, ela funciona muito bem. Consegui fazer tudo o que queria, embora demorasse um pouco mais.

O Nokia 2 tem apenas 8 GB de armazenamento integrado. Pode parecer suficiente, mas tens de perceber que não podes usar os 8 GB todos. O Android vem com uma carrada de apps da Google que não se podem remover, e essas apps roubam-te capacidade de armazenamento preciosa. Felizmente podes usar um cartão MicroSD para expandir a memória. Continua a ser um desafio, porém, porque nem todas as apps Android funcionam a partir de um cartão SD.

![O armazenamento limitado é ocupado por... a Google.](https://willem.com/global/images/f440014d9b66.webp)

## A Google está a vigiar-te

Se usas Android, precisas de uma conta Google para transferir qualquer app. A Google usa essa conta para criar um perfil do teu comportamento online e offline. Com esse perfil detalhado, pode fazer recomendações, mostrar anúncios relevantes e informar-te de coisas que acha que te podem interessar (como o trânsito no teu trajeto diário, a tua equipa desportiva favorita, etc.).

![Política de Privacidade da Google: diz-te que dados pessoais são recolhidos](https://willem.com/global/images/9b97e592ee7d.webp)

Embora possas atenuar isto, nunca lhe escapas de verdade. Vale a pena veres a Política_de_Privacidade_da_Google (https://policies.google.com/privacy), escrita em linguagem fácil de perceber, que explica exatamente o que é recolhido.

Com o telemóvel Android fui confrontado várias vezes com a recolha de dados da Google. Quando visitei a minha mãe (que por acaso vive perto de um supermercado polaco), o telemóvel pediu-me para deixar uma avaliação a essa loja.

![A Google vigia-te quando usas Android](https://willem.com/global/images/176c7d5d5fbc.webp)

Outro exemplo é o Google Chrome: o navegador está ativamente a fazer recomendações do que devo ler. Se conheces o meu blogue, vês pela captura de ecrã que a Google faz um trabalho bastante bom a descrever os meus interesses. Podes esconder estes *"artigos para ti"*, mas não consegues desativá-los por completo. Prefiro pensar pela minha cabeça, não quero mesmo que os outros me digam o que ler.

## Ecrã e leitura

O Nokia tem um ecrã surpreendentemente bom. É nítido e as cores são vivas. Em comparação com o iPhone caro, o Android barato tem molduras mais grossas à volta do ecrã. Embora os dois smartphones tenham mais ou menos o mesmo tamanho físico, o ecrã de ponta a ponta do iPhone aproveita melhor o espaço para conteúdo.

![Abrir a mesma página no iPhone e no Android](https://willem.com/global/images/c8a4fd61f6d0.webp)

Além disso, o iPhone oferece o chamado "modo de leitura". É uma opção que o iOS disponibiliza automaticamente na maioria dos sites. Com um só toque eliminas todas as distrações de uma página e concentras-te totalmente no artigo que estás a ler. Também remove os anúncios, e provavelmente é por isso que esta função não existe no Android (que é controlado pela Google, sabes, a empresa que ganha dinheiro com publicidade).

![Uma página web em "modo de leitura" no iOS, concentração total no conteúdo, sem distrações](https://willem.com/global/images/0e43f1176df0.webp)

## Qualidade da câmara

A melhor câmara é a que tens sempre contigo. Se usares o Nokia 2 como telemóvel principal, talvez convenha levares outra câmara, porque a qualidade das fotografias carece de detalhe e de profundidade. Com boa iluminação safa-se, mas não esperes milagres.

![Fotografia de paisagem tirada nas Amsterdamse Waterleidingduinen com o Nokia 2](https://willem.com/global/images/c0d2aef381eb.webp)

A paisagem das "Amsterdamse Waterleidingduinen"  parece um pouco desfocada, sem detalhe. A qualidade melhora um pouco se o motivo da fotografia estiver mais perto.

![Poste de sinalização, fotografado com o Nokia 2](https://willem.com/global/images/668e707cb7a3.webp)

A diferença de qualidade das câmaras fica bem clara quando tiras a mesma fotografia com os dois telemóveis. A fotografia tirada com o iPhone tem mais detalhe. Mas tem em conta que essa câmara é 13 vezes mais cara! Achas que a qualidade de fotografia do iPhone é 13 vezes melhor?

![Comparação lado a lado: à esquerda o Nokia, à direita o iPhone](https://willem.com/global/images/4e8051d16e7b.webp)

## Duração da bateria

É aqui que o Nokia 2 barato deixa a concorrência a milhas! A duração da bateria é simplesmente fantástica, mede-se em dias! Usei o smartphone intensamente e a bateria teve sempre um desempenho ótimo. Isto devia mesmo dar inveja aos donos de iPhones caros.

![A duração da bateria mede-se em dias, fantástico!](https://willem.com/global/images/3f1e10135de9.webp)

## Conclusão

Por apenas 99 € ficas com um telemóvel que faz muitíssimo. Consegui fazer tudo o que queria, por uma fração do preço do iPhone (que chega aos 1659 € no modelo XS Max de 512 GB). Aliás, o Nokia custa aproximadamente o mesmo que um único auricular do iPhone... uma loucura!

![O smartphone Android barato inteiro custa aproximadamente o mesmo que um único auricular do iPhone!](https://willem.com/global/images/c61e71f84a2a.webp)

O mais interessante neste Android barato é que nos faz perceber que o hardware dos smartphones está cada vez mais barato. Está a tornar-se um produto banal. Se os telemóveis baratos de hoje já fazem tudo o que eu quero, fico a pensar no que fará um telemóvel barato daqui a uns anos. Provavelmente serão tão bons que já não vais precisar de um smartphone caro. Os telemóveis baratos estão cada vez melhores, e convém lembrares-te disso quando pensares em trocar de telemóvel!

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## Nadar e andar de bicicleta com o Apple Watch

*Diferentes atividades na app Treino do watchOS* · 2018-09-27 · https://willem.com/pt/2018-09-27_nadar-e-andar-de-bicicleta-com-o-apple-watch/

Este mês a Apple lançou uma nova série do Apple Watch e uma atualização do watchOS. O foco do smartwatch está cada vez mais na saúde e no fitness. Isto deixou-me curioso: como funciona o Apple Watch em diferentes atividades?

## Ciclismo e natação

Para este teste usei um Apple Watch + Nike, o modelo mais desportivo que existe. Mas todos os Apple Watch são idênticos nas funcionalidades de saúde e fitness. Como sou um bocado nerd dos dados, pus outro tracker no pulso para poder comparar os dados.

![Pulseira dupla em nome da Ciência: Biostrap e Apple Watch no meu pulso](https://willem.com/global/images/fa8288fb68f1.webp)

Em vez de usar apps de terceiros, decidi ficar pela app Treino da Apple, que já vem integrada. Quando testei modelos anteriores do Apple Watch, achei que lhe faltavam funcionalidades. Mas desde que a Apple atualizou o watchOS, tornou-se um monitor de atividade muito capaz. Como gosto de nadar e de andar de bicicleta, decidi levar o relógio a mergulhar e a pedalar.

## Andar de bicicleta com o Apple Watch

Pedalar com o Apple Watch é fácil. Basta pôr o relógio, tocar em "iniciar ciclismo" na app Treino e começar a mexer! Não precisas de sensores externos (de velocidade, cadência, frequência cardíaca): o Watch fornece tudo o que é preciso para analisar a atividade.

![A andar de bicicleta com o Apple Watch](https://willem.com/global/images/b51d94d95c44.webp)

O Watch é agradável no pulso, e a bracelete desportiva de silicone é muito confortável. Os modelos de alumínio do Apple Watch, em especial, são levíssimos no pulso, o que é ótimo quando fazes exercício. Enquanto pedalas, manténs os olhos na estrada, porque o relógio faz as análises em segundo plano. Se deres uma vista de olhos ao relógio durante o treino, mostra-te um resumo do progresso atual.

### Dados do percurso

Depois de concluíres o percurso, paras a sessão de treino na app. Os dados são sincronizados automaticamente com o teu iPhone, onde podes analisar o teu desempenho ao pormenor.

![Ciclismo com o Apple Watch na app Treino](https://willem.com/global/images/1e44a007cb1a.webp)

Podes ver a velocidade média, a distância, a duração do percurso, as calorias e a frequência cardíaca. Gosto do gráfico da frequência cardíaca porque reflete claramente a variação de intensidade durante o percurso. Também te deixa ver o trajeto num mapa. Um pormenor (muito) bom é a cor do meu caminho: verde indica pedalar depressa, vermelho pedalar devagar. Se estás a tentar melhorar a velocidade média, isto permite ver depressa onde és lento.

## Nadar com o Apple Watch

Treinar na piscina com o Apple Watch também é fácil. Antes de saltares para a água, começas uma sessão de treino de natação. Isto ativa automaticamente o modo de resistência à água, que desativa a interação com o ecrã tátil (porque é algo complicado com os dedos molhados). Podes indicar o comprimento da piscina, o que ajuda o relógio a analisar a tua braçada.

![A nadar com o Apple Watch (fotografado com o iPhone)](https://willem.com/global/images/00617ffe84f6.webp)

Quando acabas de nadar, rodas a coroa digital do Watch para desativar o modo de resistência à água. O Watch emite um som que expulsa a água em excesso dos altifalantes. É uma maneira mesmo engenhosa de resolver isto, parabéns aos engenheiros da Apple.

![Ecrã de resumo do Apple Watch depois da natação](https://willem.com/global/images/4a612b67c628.webp)

No Apple Watch aparece-te um resumo depois da natação. Podes ver quantas vezes atravessaste a piscina, incluindo a distância total.

![Natação com o Apple Watch na app Treino](https://willem.com/global/images/5b0c4c054dbc.webp)

Com o iPhone podes analisar a sessão de natação ao pormenor. O Apple Watch sincroniza automaticamente os dados de natação assim que volta a estar ao alcance do telemóvel. Não precisas de levar o telemóvel para perto (ou para dentro) da piscina. É incrível que o Watch consiga analisar a frequência cardíaca dentro de água. Com os giroscópios, consegue identificar com exatidão o meu estilo de braçada e a duração, incluindo os pequenos descansos que fiz entre as séries de natação.

## Conclusão

O Apple Watch é só um pequeno aparelho no teu pulso, mas tem uma enorme capacidade de computação e de análise. Combinado com o iPhone, é um companheiro desportivo fantástico.

O que me espanta é a versatilidade: usei o mesmo Apple Watch para nadar e para pedalar. Já não precisas de ciclocomputadores dedicados para teres dados decentes dos percursos. Fiquei mesmo impressionado com a capacidade do Watch de seguir o meu movimento debaixo de água.

Medir o teu próprio desempenho pode ser um fator de motivação nos treinos. Permite acompanhar o progresso e motiva-te a dar mais um passo. É bom, agora mexe-te!

### Atualização sobre andar de bicicleta com o Apple Watch:

Vê o meu outro artigo sobre usar_o_Apple_Watch_como_ciclocomputador_na_tua_bicicleta (https://willem.com/en/2019-04-30_the-best-bike-computer-app-cyclemeter/).

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## Otimizar imagens para a web e para o desempenho

*Reduz o tamanho dos ficheiros com jpegoptim, optipng, pngcrush e pngquant* · 2018-09-26 · https://willem.com/pt/2018-09-26_otimizar-imagens-para-a-web-e-para-o-desempenho/

Uma maneira de tornar o teu site mais rápido é torná-lo mais pequeno. Não com letra pequena, mas com menos bytes! Mais de metade do peso de um site médio vem das imagens. E, no entanto, muito poucas pessoas otimizam as imagens para a web e para o desempenho. Está na hora de descobrir quantos bytes consegues poupar!

## Otimiza o teu site

Se otimizares o teu site, ele carrega mais depressa. Como muita gente prefere sites rápidos, motores de busca como o Google começaram a medir a velocidade das páginas para determinar a posição do teu site nos resultados de pesquisa.

### Tamanho médio de uma página

Apesar de muitos criadores de sites se concentrarem primeiro no HTML e nos scripts, a maior parte do peso de um site médio vem das imagens (Fonte HttpArchive (https://httparchive.org/reports/page-weight), peso das páginas, setembro de 2018).

![Peso médio de uma página web, dividido por tipo de recurso (HttpArchive, setembro de 2018)](https://willem.com/global/images/ec02ee9672ec.webp)

Uma otimização eficaz das imagens pode, por isso, ter efeitos incríveis na velocidade do teu site.

## O que é a otimização de imagens?

Uma imagem digital é como um tabuleiro de xadrez, um retângulo com 8x8 quadrados pretos e brancos. Se guardasses o tabuleiro sem compressão, escreverias a cor de cada quadrado individualmente ("o quadrado um é branco, o quadrado dois é preto, o quadrado três é branco, o quadrado cinco é preto, etc."). Seriam precisas 64 linhas para descrever o tabuleiro inteiro, o que é rigoroso mas pouco eficiente.

![As imagens bitmap são como tabuleiros de xadrez, em que os píxeis são os quadrados](https://willem.com/global/images/e94033e684f1.webp)

Otimizar uma imagem é encontrar formas mais eficientes de descrever as suas cores. Podias descrever o tabuleiro inteiro numa só linha de texto: "alterna entre preto e branco, começa pelo branco", ou de forma ainda mais eficiente: "repete branco, preto". Nas imagens digitais chama-se compressão: o algoritmo tenta identificar sequências de cores que se repetem.

Existem diferentes algoritmos, todos com pontos fortes e fracos. Uns funcionam melhor em fotografias (com milhões de cores), outros funcionam melhor com imagens com muito menos cores (como um diapositivo de PowerPoint). Escolher o algoritmo certo é o teu primeiro ganho de desempenho.

## Formatos de imagem comuns

- **JPG** é um tipo de ficheiro de imagem muito comum, com compressão eficaz para imagens com muitas cores diferentes, como as fotografias. Este formato existe desde 1992 e é suportado em quase todos os dispositivos.

- **GIF** é outro tipo de ficheiro de imagem antigo, desenvolvido em 1987. É popular porque suporta animação. Tecnicamente é muito limitado: apenas 256 cores diferentes por imagem. 

- **PNG** foi desenvolvido em 1994 para substituir o GIF, por causa da polémica em torno do algoritmo de compressão do GIF. É popular porque quase todos os dispositivos o suportam e o PNG suporta milhões de cores, incluindo transparência. Permite compressão sem perdas, que garante texto e linhas nítidos, o que torna este formato perfeito para gráficos e logótipos.  

Recentemente a Google (WebP) e a Apple (HEIF) introduziram novos formatos de imagem, que oferecem uma compressão ainda melhor do que o JPG, o GIF e o PNG. Mas estes formatos ainda não são amplamente adotados.

## Escolher o formato de imagem certo

O melhor formato depende do conteúdo real da tua imagem. Não há uma regra universal que determine o melhor formato para uma dada imagem. O melhor é experimentares tu mesmo e veres o que acontece ao tamanho do ficheiro se guardares a imagem em diferentes formatos. Muitos programas de computador permitem escolher o formato quando selecionas "Guardar como".

Podes começar com JPG para fotografias e PNG para imagens com menos cores, como um logótipo, um gráfico ou um diapositivo de PowerPoint. Formatos como o JPG oferecem diferentes definições de qualidade de compressão, que afetam a qualidade da imagem e o tamanho do ficheiro. Uma definição de qualidade mais baixa diminui a qualidade da imagem a favor de um ficheiro mais pequeno, e deves tentar encontrar um bom equilíbrio entre qualidade e tamanho.

### Compressão com perdas e sem perdas

Os algoritmos de compressão que trocam qualidade por tamanho de ficheiro chamam-se algoritmos de **compressão com perdas**. Já os algoritmos que preservam a qualidade original da imagem chamam-se algoritmos de **compressão sem perdas**.

## Como otimizar imagens

Depois de teres a tua imagem JPG ou PNG, podes otimizá-la escolhendo as definições certas para o algoritmo de compressão. Não te preocupes, não precisas de o fazer à mão: podes usar software de otimização automática para encontrar as melhores definições de compressão para uma dada imagem.

### Otimizar imagens JPG

Se usas o Photoshop, podes usar a função integrada **Guardar para a Web** para obteres uma imagem JPG razoavelmente otimizada.

Ou então podes usar um utilitário de linha de comandos como o **jpegoptim**. Esta ferramenta reduz os ficheiros JPG otimizando as tabelas de Huffman internas, o que melhora o desempenho do algoritmo de compressão. Em média, podes esperar uma melhoria de 10-15% sem perda de qualidade da imagem.

Outra maneira de otimizar imagens JPG é usar um otimizador online, como o TinyJPG (https://tinyjpg.com) ou o ImageOptim (https://imageoptim.com/api).

Se usas WordPress, podes considerar um plugin que faça a otimização das imagens por ti, como o **Imagify** da xtremerain (https://www.xtremerain.com/imagify-advanced-optimization/).

### Otimizar imagens PNG

Os ficheiros PNG podem ser otimizados com o Photoshop, através da função **Guardar para a Web**. Para otimizares ainda melhor os teus ficheiros PNG, podes usar uma app especializada, como o ImageAlpha (https://pngmini.com) para Mac ou o PNGGauntlet (https://pnggauntlet.com) para Windows.

Há otimizadores online para ficheiros PNG, como o TinyPNG (https://tinypng.com) e o Compressor.io (https://compressor.io).

Ou então podes usar programas de linha de comandos como o **optipng**, o **pngcrush** ou o **pngquant**. Vale a pena explorar estas ferramentas de PNG um pouco mais a fundo.

## Testar optipng vs pngcrush vs pngquant

No meu trabalho como programador web integro a otimização de imagens em sistemas de gestão de conteúdos, para facilitar aos meus clientes que as suas imagens sejam otimizadas automaticamente. Como o número de clientes cresceu bastante, deparei-me com problemas de desempenho.

Para ganhar desempenho, decidi testar o **optipng**, o **pngcrush** e o **pngquant**. Esperava encontrar uma boa otimização de imagens com menos poder de processamento do servidor. Isso melhoraria o desempenho para os meus clientes.

### PACE-CME

Um desses clientes é o PACE-CME, um site (https://pace-cme.org) com recursos de formação cardiovascular para médicos. Este site contém milhares de diapositivos de PowerPoint guardados como ficheiros PNG.

![Diapositivo típico em pace-cme.org](https://willem.com/global/images/3640b9482061.webp)

Para testar o desempenho usei uma imagem de teste especial, maior e mais pesada do que um diapositivo de PowerPoint típico. Esta imagem de teste tem alta resolução e conteúdo misto, em parte fotografias, texto e cores sólidas.

![Imagem de teste, com cores sólidas, conteúdo fotográfico e texto](https://willem.com/global/images/4c08bf11faa4.webp)

### Método

Fiz os testes num servidor Intel XEON de quatro núcleos com 8 GB de RAM. Para cada ferramenta de otimização de PNG usei tanto as definições mais **extremas** (para ver o que conseguia fazer ao tamanho do ficheiro) como a definição **predefinida** (para ver quanto mais rápidas são as predefinições e como o resultado se compara com as melhores definições de compressão).

### Resultados

- imagem de teste **original** 2897 KB

- **optipng** extremo (-o7): 2510 KB em 2 minutos e 36 segundos / predefinição: 2536 KB em 4,9 segundos

- **pngcrush** extremo (-brute): 2510 KB em 1 minuto e 42 segundos / predefinição: 2531 KB em 9,2 segundos

- **pngquant** extremo (-s 1): 744 KB em 5,2 segundos / predefinição: 746 KB em 4,2 segundos

O desempenho do pngquant é espantoso: é muito mais rápido e ainda por cima produz um ficheiro muito mais pequeno. Não é magia, no entanto, porque usa um algoritmo de compressão diferente, com perdas. Isto significa que as imagens otimizadas com o pngquant perdem um pouco de qualidade. Comparei-as de perto e não notei a diferença.

![Inspeção da qualidade: à esquerda o original, à direita o pngquant](https://willem.com/global/images/19c8b9866186.webp)

## Conclusão

Otimizar imagens para a web e para o desempenho é mesmo importante. Como mostraram os meus testes, escolher o algoritmo certo pode fazer toda a diferença.

Para mim isso significou escolher o pngquant, mas a tua decisão pode ser diferente, consoante o tipo de imagens que queres otimizar.

A grande lição a tirar deste artigo é, então, que deves dar atenção às imagens. O teu site vai ficar muito mais rápido, e quem não gosta de um site rápido?

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## Viagens espaciais a partir do Teide

*Visita ao vulcão de Tenerife, nas Ilhas Canárias* · 2018-08-21 · https://willem.com/pt/2018-08-21_viagens-espaciais-a-partir-do-teide/

Estas férias de verão levaram-me a Tenerife, nas Ilhas Canárias, em Espanha. É um destino popular pelo clima, mas também é a casa do Teide, o segundo vulcão mais alto do mundo (7500 m, medidos a partir do fundo do mar). As vistas incríveis chegam muito para lá da Terra, ao espaço, à Via Láctea e a outras galáxias distantes.

## Tenerife

A ilha canária de Tenerife é conhecida internacionalmente como a "Ilha da Eterna Primavera" (Isla de la Eterna Primavera). Mais ou menos à mesma latitude do deserto do Saara, tem um clima tropical quente, com uma média de cerca de 24 °C. O clima é controlado pelos ventos alísios do Oceano Atlântico, cuja humidade se condensa sobre a parte norte da ilha e forma nuvens. O tempo na ilha é diferente no norte e no sul por causa do enorme vulcão no centro.

![Imagem de radar da NASA que mostra o vulcão Teide na ilha de Tenerife, Ilhas Canárias, Espanha (Wikimedia Commons)](https://willem.com/global/images/5b0460cf6f3a.webp)

A imagem de radar mostra o vulcão Teide na ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias. A imagem foi criada com o radar de abertura sintética SIR-C/X-SAR (Spaceborn Imaging Radar-C/X-Band Synthetic Aperture Radar) a bordo do vaivém espacial Endeavour em 1994. A cor indica diferenças no terreno, e os tons de verde e castanho assinalam escoadas de lava de várias idades e rugosidades.

## O Teide

O vulcão da ilha de Tenerife, o Teide, é o mais alto do mundo a seguir aos das Ilhas Havai. Medido a partir do fundo do oceano, o seu cume (Pico del Teide) chega aos 7500 metros. O topo fica a 3718 metros acima do nível do mar. Pelo seu historial de erupções destrutivas, o vulcão é monitorizado de perto pelo Comité das Nações Unidas para a Redução de Desastres. A última erupção foi em 1909.

![Esta fotografia detalhada de astronauta mostra dois estratovulcões, o Pico de Teide e o Pico Viejo (tirada da Estação Espacial Internacional, domínio público)](https://willem.com/global/images/e76d65f1a64f.webp)

![A caldeira de Las Cañadas no topo do Teide, vista da Estação Espacial Internacional (domínio público)](https://willem.com/global/images/17a1a12095c9.webp)

Se olhares com atenção, vais reparar que parece que o vulcão desabou: o cume parece empurrado para baixo, rodeado por um "anel" de picos. Chama-se "caldeira", uma grande depressão de abatimento que normalmente se forma quando uma grande erupção esvazia por completo as câmaras de magma no interior do vulcão.

![O Teide visto do meu iPhone](https://willem.com/global/images/8649c75b21a8.webp)

O vulcão e os seus arredores formam o Parque Nacional do Teide, Património Mundial da UNESCO. As suas condições ambientais e formações geológicas são semelhantes às de Marte.

![O meu veículo espacial, um Citroën C1 de aluguer... ](https://willem.com/global/images/3f298ca1e260.webp)

O parque nacional do Teide está aberto ao público e é acessível por estrada. No caminho tens vistas fantásticas à tua espera.

![Estradas cheias de curvas até ao topo do Teide, com formações geológicas notáveis à vista](https://willem.com/global/images/a6dd1f618352.webp)

![A paisagem dentro da caldeira de Las Cañadas é semelhante a Marte](https://willem.com/global/images/6016357e2181.webp)

A paisagem não se parece com nada que eu tenha visto antes. Pelas semelhanças com Marte, as agências espaciais usam Las Cañadas para testar veículos de exploração planetária.

![O veículo planetário Heavy Duty Planetary Rover (HDPR) da ESA, em movimento rápido no Teide (crédito: ESA)](https://willem.com/global/images/a87b2b140d48.webp)

![Sombra de um marciano... mais ou menos :-)](https://willem.com/global/images/2520d636df37.webp)

![Algumas rochas têm um tamanho e uma forma inacreditáveis](https://willem.com/global/images/4aafbda36361.webp)

![O Pico del Teide visto do sul da caldeira](https://willem.com/global/images/8dda8fbe04f4.webp)

![O respiradouro El Chinyero, na crista de Santiago, ainda negro da erupção de 1909](https://willem.com/global/images/be21b9bf796b.webp)

![Panorama na caldeira de Las Cañadas](https://willem.com/global/images/3349da68ef9b.webp)

Há quatro estradas principais de e para a caldeira, cada uma com cenários diferentes. Da floresta densa às rochas nuas, do nevoeiro cerrado ao céu limpo. Tens de as explorar todas!

![No topo do maciço de Los Gigantes, com a ilha de La Gomera no horizonte](https://willem.com/global/images/ea423501807b.webp)

![As dimensões dos Los Gigantes são mesmo inacreditáveis, nas estradas cheias de curvas sentes-te um humano minúsculo.](https://willem.com/global/images/e143d3cd4b00.webp)

![A conduzir acima das nuvens](https://willem.com/global/images/051ec2969047.webp)

Se a paisagem extraterrestre não chegar, conduzir acima das nuvens faz-te mesmo perceber que isto não é o trajeto casa-trabalho habitual. O contraste com o topo do Teide é incrível quando desces para baixo das nuvens. Lá a paisagem é verde, cheia de vida e de vegetação.

![Debaixo das nuvens a paisagem é verde, cheia de vida](https://willem.com/global/images/288afd9ef72f.webp)

![El Palmar no vale entre o Monte del Agua e as montanhas de Teno](https://willem.com/global/images/7c55d105d1fe.webp)

Se seguires o trilho pedestre de Masca, que é um percurso perigoso, podes descer até ao nível do mar. Se não te apetecer fazer montanhismo,  podes chegar a este sítio fenomenal para nadar de barco, avistando baleias pelo caminho.

![A nadar no Oceano Atlântico, lá em baixo em Los Gigantes](https://willem.com/global/images/79b715597a23.webp)

Mas atenção ao sítio onde decides mergulhar no oceano! No lado norte da ilha há correntes fortes, muito perigosas para os nadadores.

![Helicóptero de salvamento a içar pessoas do oceano, repara na praia negra vulcânica](https://willem.com/global/images/837fd42b8ba9.webp)

## Espaço

Pelas boas condições de visibilidade astronómica no topo do vulcão, o Teide é usado para observar as estrelas. Desde 1964 que alberga o Observatório do Teide (Observatorio del Teide). Tornou-se um dos primeiros grandes observatórios internacionais, com telescópios de diferentes países. Que vista tem esta "rua dos telescópios".

![Observatório do Teide com telescópios de diferentes países a 2390 metros de altitude](https://willem.com/global/images/c61d626935e1.webp)

Os observatórios astronómicos situam-se geralmente no topo de montanhas, porque o ar junto ao solo costuma ser mais convectivo (turbulento por causa da temperatura). O ar estável, lá bem acima das nuvens e dos oceanos, costuma oferecer as melhores condições de observação. Também é muito escuro durante a noite no Teide, porque fica no meio do oceano (o que limita a poluição luminosa das grandes cidades).

Devias mesmo experimentar, visitar o Teide à noite. O céu é de facto inacreditável: nunca vi tantas estrelas! Não precisas de telescópio nem de óculos especiais, basta olhares a olho nu. A maior parte das estrelas e galáxias vê-se antes de a lua nascer.  Tem calma e vais reparar em ainda mais pormenores.

![Eu e a Via Láctea (fotografia de Ellen Middelkoop)](https://willem.com/global/images/679e223ac695.webp)

Esta fotografia deslumbrante foi tirada pela minha mulher Ellen (http://elll.nl) com uma câmara profissional. Reflete muito bem como é realmente o céu durante a noite no Teide, isto não é Photoshop!  Vê a Via Láctea a iluminar o céu como uma nuvem subtil. Milhares de milhões de estrelas numa só vista. Nunca vi nada assim, é verdadeiramente magnífico.

## Conclusão

Não tens de esperar que o Elon Musk acabe o seu foguetão para Marte para veres o espaço. Visita Tenerife e deixa-te maravilhar pelas vistas extraterrestres.

![A relaxar na piscina](https://willem.com/global/images/9c4031f45acd.webp)

Depois de toda a observação de estrelas e de viagens espaciais, relaxa e aproveita o tempo soalheiro na piscina. Boas férias a todos!

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## Google Analytics vs AWStats

*Perceber o software de estatísticas de tráfego web* · 2018-08-20 · https://willem.com/pt/2018-08-20_google-analytics-vs-awstats/

Este mês andei a trabalhar em estatísticas de sites, a medir o tráfego com diferentes tecnologias. Alguns dos meus clientes usam o Google Analytics, outros usam o AWStats, e alguns usam os dois. Debate-se muitas vezes qual é o melhor, mas poucas pessoas percebem realmente as diferenças. Está na hora de deitar alguma luz sobre a magia das estatísticas web.

## Comparar o AWStats com o Google Analytics

Podes esperar que os dois programas de análise web indiquem a mesma quantidade de tráfego, mas não é o que acontece. Vou tentar explicar porque é que os relatórios do Analytics e do AWStats diferem (e porque acho que isso não importa muito).

![Google Analytics e AWStats: software de estatísticas de tráfego web](https://willem.com/global/images/5395a5372a16.webp)

## Google Analytics

Como parte da Google Marketing Platform, o Google Analytics é um dos programas de análise de tráfego web mais usados. A Google lançou o serviço em 2005, depois de adquirir várias empresas de software especializadas em análise, sobretudo a Urchin e a Adaptive Path.

### Como funciona o Google Analytics

O Google Analytics funciona colocando um pequeno pedaço de código no teu site (ou dentro da tua app). Isto inicia o rastreio e a criação de perfis que a Google usa para gerar estatísticas web. O código faz o teu dispositivo ligado à internet ligar-se aos servidores da Google, que depois contam todas essas ligações para gerar estatísticas de utilização.

### Disponibilidade do Google Analytics

A Google oferece o Analytics sem custos: ao usares o Google Analytics, aceitas partilhar os teus dados de tráfego com a Google. Isto permite-lhe combinar dados do Analytics de diferentes sites para criar perfis rigorosos de quem navega na web. Estes perfis são ótimos para entregar anúncios personalizados, mas também são motivo de preocupação com a privacidade. O Google Analytics é usado em sites, dentro de apps e em jogos.

## AWStats

Criado originalmente em 2000 pelo francês Laurent_Destailleur (https://www.destailleur.fr), o AWStats é um programa de servidor muito usado que analisa os ficheiros de registo de servidores web. O nome AWStats é a abreviatura de "Advanced Web Statistics".

### Como funciona o AWStats

O registo do servidor web contém o historial completo do tráfego do site. No ficheiro de registo ficam registadas as ligações individuais entre o servidor web e o dispositivo ligado à internet (telemóvel, computador, tablet). Depois de analisar este registo de atividade, o AWStats dá uma visão detalhada do tráfego web.

### Disponibilidade do AWStats

Qualquer pessoa pode usar o AWStats, porque é software livre, com o código-fonte incluído. Já escrevi antes sobre ajudar_pessoas_com_software_livre (https://willem.com/en/2018-07-20_helping-people-with-free-software/), onde explico as vantagens do software livre (não é só dinheiro). O AWStats tem de ter acesso aos ficheiros de registo do servidor, o que muitas vezes se faz instalando o AWStats no próprio servidor. Por isso, o AWStats tem um alcance limitado. Não consegue seguir utilizadores individuais entre diferentes sites. O AWStats é usado em servidores web, de correio, de streaming e de ficheiros.

## Diferença: unidade de medida

Provavelmente a diferença mais importante entre os sistemas é a unidade de medida. O Google Analytics trabalha sobretudo com "Sessões", enquanto o AWStats usa visitas (únicas):

- **Sessão do Google Analytics**: uma série de visualizações de página do mesmo navegador num site, sem mais de 30 minutos entre cliques, exceto à meia-noite. Vê a explicação_da_Google (https://support.google.com/analytics/answer/2731565). 

- **Visita (única) do AWStats**: um endereço IP (único) que acede a uma série de páginas num servidor web dentro de uma hora. Se a série passar da hora, a visita conta como duas. Vê a explicação_na_documentação_do_AWStats (https://www.awstats.org/docs/awstats_glossary.html).

## Diferença: onde se recolhem os dados

Além da unidade de medida, o sítio onde os dados são recolhidos também é diferente. O AWStats mede no servidor web. O software limita-se a contar quantas vezes o servidor recebe um pedido para entregar uma página específica. O servidor responde a visitantes humanos, mas também a pedidos automáticos.

### Bots

Esses pedidos automáticos são feitos por bots, programas de computador que navegam na web automaticamente. Muitas vezes estes bots têm uma tarefa específica, como indexar um site para a listagem dos motores de busca. A maioria dos bots é identificada pelo endereço IP de origem ou pelo chamado UserAgent (uma espécie de texto de identificação que indica a origem do bot, como "GoogleBot"). A maioria dos bots não entra nas visitas do AWStats, mas aparece numa listagem à parte.

![Robôs a navegar na web: tráfego de bots listado pelo AWStats](https://willem.com/global/images/7689fca9d1b9.webp)

### Bots maus

Infelizmente nem todos os bots se portam bem. Alguns trabalham para hackers, à procura de possíveis falhas de segurança. Outros, como alguns robôs de indexação de motores de busca, comportam-se como humanos para testar se o site mostra a mesma página a humanos e a bots. Servir conteúdo diferente consoante o user agent é uma má prática usada por sites estúpidos para manipular a posição nos motores de busca.

### Reconhecer bots

O AWStats tenta reconhecer o comportamento dos bots tendo em conta a sequência e a velocidade dos pedidos de página (um humano normal e saudável não deve conseguir ler mais de duas páginas por segundo). Mas isto não impede que alguns bots se disfarcem com êxito de humanos, fazendo com que o AWStats os conte também.

![Parte de um ficheiro de registo de um servidor web, cada linha corresponde a um pedido de página: consegues ver o bot?](https://willem.com/global/images/d6ce3879461c.webp)

### JavaScript

Em vez de executar software no servidor como o AWStats, o Google Analytics funciona executando código (JavaScript) no dispositivo do visitante. Consoante a forma como o JavaScript do Analytics está integrado, a medição atrasa-se muitas vezes, porque o JavaScript demora algum tempo a carregar. Às vezes só começa depois de a página inteira (incluindo imagens e tipos de letra) acabar de carregar. As pessoas que saem da página antes de ela carregar por completo, ou que têm o JavaScript desativado, não são portanto medidas. Como o Google Analytics precisa de JavaScript, a maioria dos bots não é medida, porque é difícil para um bot simular um navegador com JavaScript ativo.

![Pedaço típico de código JavaScript do Google Analytics: vê-se claramente que se refere aos servidores da Google ](https://willem.com/global/images/9fe21c623fcc.webp)

### Bloquear o Google Analytics

Por causa das preocupações de privacidade com o Google Analytics, algumas pessoas bloqueiam ativamente o JavaScript que ele usa. Há extensões de navegador e bloqueadores de anúncios que o fazem automaticamente, sem exigir qualquer conhecimento técnico ao utilizador. Outro programador web esperto usou uma configuração de servidor feita de propósito para descobrir quantas pessoas bloqueiam o Google Analytics. Na sua experiência, Jason_Packer (https://www.quantable.com/analytics/how-many-users-block-google-analytics/) concluiu que cerca de 8-11% dos utilizadores bloqueiam o Google Analytics.

![Percentagem de pessoas que bloqueiam o Google Analytics (2016), quantable.com - Jason Packer](https://willem.com/global/images/a28ca2b50443.webp)

## Conclusão

Tanto a unidade de medida como o local onde a medição é feita causam as diferenças nas estatísticas do Google Analytics e do AWStats. Com os bots incluídos, o AWStats conta a mais, enquanto o Google Analytics conta a menos, por causa de problemas no carregamento e no bloqueio do JavaScript.

Mas, no fim de contas, isso não interessa muito, porque deves usar estes programas de estatística sobretudo para analisar o desempenho relativo. Imprecisões consistentes nos números absolutos não influenciam realmente as respostas a perguntas como estas:

- O meu site está melhor do que ontem, do que no mês passado ou do que no ano passado?

- Que página, artigo de blogue ou produto da loja online é o mais popular? 

- O tráfego médio está a aumentar? A minha campanha publicitária está a ter algum efeito?

Se queres mesmo saber *quem* visita o teu site, devias considerar pedir ao visitante que se identifique. É muito mais rigoroso (e educado!) do que confiar no Google Analytics ou no AWStats para identificar pessoas únicas. Assim não tens de te preocupar com pessoas que têm vários dispositivos e acedem ao teu site de sítios diferentes, como o trabalho, a casa ou em viagem (comboio, autocarro).

Usa software de estatísticas para acompanhar o desempenho relativo, mas pensa em conhecer o teu visitante ligando-te a ele, em vez de recolheres dados dele. Constrói relações em vez de perfis de dados. É aí que está o valor.

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## Ajudar pessoas com software livre

*Instalar o Debian GNU/Linux num portátil antigo* · 2018-07-20 · https://willem.com/pt/2018-07-20_ajudar-pessoas-com-software-livre/

Esta semana um homem trouxe o portátil dele ao centro comunitário onde ajudo, como voluntário, pessoas com problemas de computador. O portátil antigo já não arrancava e tinha de ser reinstalado. Em vez do Windows, instalei um sistema operativo livre. Acho importante contar-te como e porque o fiz.

Todas as segundas-feiras ajudo pessoas no centro comunitário local em Amsterdam-Zuidoost. Faço_este_trabalho_como_voluntário (https://willem.com/en/2016-11-21_being-a-volunteer-in-amsterdam-zuidoost/) há alguns anos e nunca sabes bem o que e quem vai aparecer. Esta semana revelou-se uma surpresa...

![O portátil tal como chegou ao centro comunitário ](https://willem.com/global/images/62905284bcaf.webp)

Um homem trouxe o computador dele, na esperança de que eu o conseguisse pôr a funcionar outra vez. O portátil HP Mini mostrava uma mensagem de erro ao ligar: "boot device not found".

![Boot device not found: isto não é bom](https://willem.com/global/images/fb23e6aea1ef.webp)

Normalmente esta mensagem de erro indica uma falha de hardware (peça avariada) ou dados corrompidos (vírus, sistema de ficheiros danificado, etc.). Mas, como ia descobrir... desta vez não era bem isso!

O homem contou-me que foi a uma loja profissional de reparação de computadores quando teve problemas com a máquina. Disseram-lhe que o melhor era substituir o computador avariado por um novo, porque a reparação era impraticável. Por acaso tinham em stock um substituto adequado, que, muito convenientemente, lhe ofereceram. Ele recusou e ficou com o computador avariado até ouvir falar de mim, que ajudo com problemas de computador no centro comunitário local.

## O disco de arranque em falta

Depois de uma inspeção rápida, em que tentei arrancar o computador e executar alguns diagnósticos (através da BIOS), não consegui obter qualquer sinal do disco rígido. Brinquei que talvez algum duende maldoso tivesse roubado o disco...

![A mensagem de erro tinha razão, literalmente: falta o dispositivo de arranque!](https://willem.com/global/images/6d8226136f31.webp)

Imagina a minha surpresa quando vi que o disco realmente tinha desaparecido, removido do computador! O homem percebeu então porque é que o computador já não arrancava.

O homem garantiu-me que não o tinha removido ele próprio e que a loja de reparação nunca lhe tinha devolvido o disco à parte. Alguém o levou, de certeza, e, para minha frustração, só posso suspeitar de quem (não há provas).

## Reparar o portátil

Para arranjar o portátil, tive de instalar um disco rígido novo. Embora este computador já não seja novo, achei que ainda merecia uma tentativa, porque detesto quando as coisas são substituídas por motivos_estúpidos (https://willem.com/en/2018-01-08_lessons-from-a-takeaway-plastic-bag/).

![Disco de substituição](https://willem.com/global/images/654cf1d89414.webp)

Felizmente tinha um disco sobressalente por aí. Andava a apanhar pó na arrecadação desde que passei para um disco maior. Achei que este disco SATA de 160 GB a 7200 RPM era exatamente a peça certa para o infeliz portátil. Fiquei contente por lho oferecer sem custos.

Montar um disco rígido costuma não ser muito difícil, mas hoje em dia os fabricantes de hardware cortam custos em tudo, o que dificulta a reparação. Escusado será dizer que não sou grande fã dos "meios modernos" de construção... cola e fita adesiva!

![Instalar o disco no portátil](https://willem.com/global/images/df5c3cfc5c8a.webp)

Depois de voltar a colar cuidadosamente a fita, o disco de substituição ficou instalado sem mais dificuldades. O computador estava pronto para ser reinstalado, porque o Windows 7 Starter original tinha desaparecido com o disco original.

![O disco de substituição escondido no fundo do portátil](https://willem.com/global/images/3c2501280fb6.webp)

## Escolher software livre

Para o portátil do homem queria um sistema operativo que funcionasse bem. Mas, acima de tudo, queria um sistema operativo que não tentasse vender nada a este homem.

Durante os meus anos como voluntário, vi software a fazer isso. Como os antivírus que te pressionam para renovares a subscrição, a assustar-te com perspetivas de ruína e desastre se não o fizeres. Tive de tranquilizar pessoas mais de uma vez, garantindo-lhes que o computador estava bem (apesar destas mensagens!). Ou um computador perfeitamente bom que te insiste para atualizares o sistema operativo para o Windows 10.

As pessoas confundem as atualizações de segurança críticas (que são importantes) com as atualizações comerciais (que servem sobretudo o fabricante do software). Para o portátil escolhi um sistema operativo que serve o homem, e não uma empresa à procura de lucro. Este tipo de software chama-se "software livre".

O software livre não tenta controlar, comercializar nem manipular o utilizador. Muitas vezes é grátis, como em "cerveja grátis", mas, no fundo, em termos de princípio, o "livre" em "software livre" refere-se à liberdade que o utilizador sente ao trabalhar com o seu computador.

## Escolher um sistema operativo livre

A maioria das pessoas compra o computador já com um sistema operativo instalado. Em muitos PCs é o Windows e nos computadores da Apple é o macOS. Poucas pessoas sabem que existem sistemas operativos alternativos, incluindo livres.

### O que é um sistema operativo?

Um sistema operativo é o software essencial para começar a usar um computador. Com um sistema operativo podes fazer muita coisa; sem ele, o computador nem sequer funciona. Um sistema operativo é composto por muitos programas, incluindo aplicações, bibliotecas, ferramentas de programação e jogos.

### O sistema operativo GNU

Em 1984 começou o desenvolvimento de um sistema operativo livre, o GNU.  Foi concebido para executar programas Unix (um sistema operativo muito usado na altura), mas, pelo seu foco na liberdade do software, não era igual ao Unix. Seguindo a tradição dos hackers, o nome "GNU" é um acrónimo recursivo de "GNU's not Unix". Em 1990, o sistema GNU estava quase completo; o único componente importante que faltava era o núcleo.

### O que é um núcleo?

O núcleo (kernel) é um programa de computador que controla os recursos do computador, como a memória, o armazenamento e outro hardware. Torna esses recursos disponíveis para os outros programas que executas. Por isso, o núcleo é uma parte essencial do sistema operativo.

### O núcleo Linux

No início dos anos noventa foi desenvolvido o núcleo Linux e, pouco depois, foi disponibilizado como software livre. Com um núcleo livre disponível, as pessoas já podiam criar um sistema livre completo: um sistema operativo GNU com um núcleo Linux.

### Distribuições

Hoje existem muitas variantes diferentes do sistema GNU/Linux, muitas vezes chamadas distribuições. Distribuições populares são o Ubuntu, o Fedora, o Redhat, o Suse e o Debian. Um erro comum é chamar "Linux" ao sistema inteiro, porque o sistema completo é muito mais do que o núcleo. É melhor indicar o nome, como "Debian GNU/Linux", que quer dizer a versão Debian do GNU com um núcleo Linux.

![Distribuições GNU/Linux](https://willem.com/global/images/739e2cc6f10a.webp)

### Diferenças entre distribuições

Em geral estas distribuições diferem na forma como se organizam e estabelecem prioridades. Às vezes uma distribuição é mantida por uma empresa (como a Redhat, ou a Canonical do Ubuntu), e às vezes é um grupo de pessoas que trabalham juntas e partilham um valor comum. Esses valores podem ir da personalização extrema do software (como o Gentoo) a coisas mais de princípio, como: quem é o dono do software e quem o controla?

### Debian GNU/Linux

A distribuição Debian GNU/Linux está entre as mais antigas que existem. É especial porque os seus responsáveis ratificaram um contrato social, um documento que dá garantias de que o Debian é aberto e livre.

Em teoria isto seria ótimo e fantástico. Mas então porque é que nem toda a gente usa software livre? Porque o software tem de funcionar em hardware e, muitas vezes, os fabricantes de hardware guardam para si o funcionamento interno dos seus chips. Isso dificulta o desenvolvimento de software livre que controle o hardware.

Estes problemas com os controladores de hardware podem dificultar pôr o software livre a funcionar no teu computador.

## Instalar o Debian GNU/Linux

Decidi instalar o Debian no portátil do homem. Usei outro computador para transferir os ficheiros de instalação de https://debian.org. Tens de criar um suporte de instalação, como uma pen USB de arranque, para levar esses ficheiros de instalação para o computador de destino.

![Transferir o Debian](https://willem.com/global/images/2e2c4b0d73bd.webp)

Noutro portátil usei alguns comandos de terminal para criar a pen USB de arranque. Se estás no Windows ou no Mac, podes usar outras ferramentas para fazer este trabalho (como o Utilitário de Discos ou o unetbootin).

![Criar uma pen USB de arranque para a instalação](https://willem.com/global/images/7835cc6a90ea.webp)

Depois ligas a pen USB ao computador e ligas o computador. Talvez tenhas de aceder à BIOS para permitir o arranque do computador a partir da pen USB. No caso deste portátil, tive de carregar em F9 para escolher a pen USB como disco de arranque.

O processo de instalação do Debian descreve-se melhor como uma série de passos em que respondes a perguntas sobre a instalação. Como escolher o idioma, o fuso horário e a ligação à internet preferida.

![Instalar o Debian implica responder a perguntas, como o idioma pretendido](https://willem.com/global/images/f8e252e8203a.webp)

Foi aqui que os problemas começaram: o portátil tem um chip WiFi que não tem controlador de software livre. Por isso o instalador do Debian pediu-me que fornecesse um controlador de software não livre. A instalação não podia ser concluída, porque precisa de transferir ficheiros de instalação adicionais.

Estes controladores de software não livre são por vezes fornecidos pelos fabricantes de hardware. O Debian tem um repositório "non-free" onde regista os controladores que funcionam (mas que não são considerados "livres" no sentido da liberdade total). É um compromisso a que às vezes é difícil escapar se precisares de pôr uma certa peça de hardware a funcionar.

Em vez de mexer com controladores não livres durante a instalação, usei uma peça de hardware que tem controladores de software livre que funcionam na perfeição. Este adaptador WiFi USB "Alfa One" não é o adaptador de internet sem fios mais rápido, mas funciona quase sempre. Em alternativa, podes tentar uma ligação ethernet por cabo ou tentar incluir os controladores não livres certos no suporte de instalação.

![O adaptador WiFi Alfa One 802.11b é reconhecido pelo instalador do Debian](https://willem.com/global/images/f377dfeda300.webp)

Isto permite-te fazer a instalação. Depois de instalares o sistema operativo, podes arrancá-lo. A partir daí, instalei os controladores WiFi em falta com alguns comandos de terminal. Encontras muita informação e instruções na wiki_do_Debian (https://wiki.debian.org/WiFi).

## Conclusão

Deu algum trabalho, mas o portátil funciona outra vez, desta vez com software livre. Pode demorar algum tempo até o homem se habituar ao software novo, mas tenho a certeza de que vai encontrar o seu caminho. É sempre bem-vindo para pedir ajuda no centro comunitário local. Não é a primeira pessoa que ajudo com software livre. Outras vieram antes dele e agora aparecem regularmente. O curioso é que, depois de os pores a funcionar, estes "portáteis com software livre" parecem dar menos problemas do que os equivalentes com Windows!

![O portátil voltou a funcionar, desta vez graças a software (quase todo) livre](https://willem.com/global/images/c9ba52061281.webp)

A minha experiência é que as pessoas gostam mesmo de software livre no computador. É especialmente bom que este software não tente enganar o utilizador para comprar atualizações, upgrades e subscrições desnecessários. Como programador de software, não sou contra gastar dinheiro em software. Os programadores têm de ser pagos, porque têm famílias para sustentar. Mas para mim isso nunca pode justificar enganar ou assustar os utilizadores. Isto significa que, sempre que trabalho em software não livre, há uma coisa que tenho em mente: **tem algum respeito pelo utilizador!**

## Também precisas de ajuda?

Se queres experimentar software livre, posso ajudar-te a instalá-lo e a usá-lo. És bem-vindo aos centros comunitários locais em Amesterdão:

- Buurtwerkkamer Samen Sterk, Bijlmer Oost (Gravestein 3, Amesterdão) à segunda-feira das 10:00 às 12:00

- Buurtwerkkamer Multibron (Albert Camuslaan 103A, Amesterdão) à segunda-feira das 13:00 às 15:00

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## Aproveitar um festival sem álcool

*Cerveja sem álcool no Rock Werchter* · 2018-07-10 · https://willem.com/pt/2018-07-10_aproveitar-um-festival-sem-alcool/

No fim de semana passado fui com o meu irmão ao Rock Werchter, um festival de música de vários dias na Bélgica. Mais de 140 mil visitantes desfrutam de artistas de fama mundial como Pearl Jam, Nick Cave, Arctic Monkeys, Noel Gallagher, The Killers e Queens of the Stone Age. Este ano não bebi álcool durante o festival, o que levou a algumas observações interessantes...

## Rock Werchter

Desde o seu início em 1974, o festival de música Rock Werchter transformou-se num dos maiores e mais premiados festivais de música da Europa. Milhares de pessoas visitam o festival belga e muitas ficam o fim de semana inteiro num dos muitos parques de campismo das redondezas.

![Rock Werchter, palco principal](https://willem.com/global/images/d8746f334670.webp)

## Sem álcool

Depois de analisar a minha saúde e a minha forma física com o Apple_Watch (https://willem.com/en/2017-04-30_smartwatches-vs-mechanical-watches/) e o Biostrap (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/), aprendi que efeitos o álcool tem no corpo. Bastam algumas bebidas para afetar a frequência cardíaca, a variabilidade da frequência cardíaca (HRV, um indicador da tua forma física), a frequência respiratória e a qualidade do sono. Por isso deixei de beber por completo e agora sinto-me incrivelmente_em_forma (https://willem.com/en/2018-05-17_listen-to-your-body/).

O álcool é muito comum nos festivais, e muita gente fica (mesmo) embriagada. Se não bebes álcool, as tuas opções são muitas vezes limitadas a água, refrigerantes, café e chá.

Desde que troquei a minha bebida habitual por uma versão sem álcool, aprendi a apreciar vários tipos de cerveja 0,0%, e esperava mesmo que houvesse no festival. Por isso enviei um e-mail à organização, a pedir cerveja sem álcool...

![Mensagem do Rock Werchter sobre a cerveja sem álcool](https://willem.com/global/images/8af0b6f39456.webp)

Para minha grande surpresa, recebi uma resposta do Rock Werchter a informar que haveria cerveja sem álcool na maioria dos bares durante o festival. Fantástico!

![Cerveja Jupiler 0,0% acabada de tirar no Rock Werchter](https://willem.com/global/images/617a44289daa.webp)

Quando cheguei ao festival, descobri que a cerveja sem álcool era à pressão. Fazia mais de seis meses que não bebia uma cerveja à pressão (com álcool). Como a prefiro a qualquer cerveja de garrafa, fiquei muito contente. Os belgas e a sua cerveja... é quase uma religião, e ainda bem!

Durante o festival organizaram concursos de degustação no meio do público. A julgar pelas caras de surpresa dos “especialistas em bebidas”, muitos não conseguiam distinguir a cerveja sem álcool da normal num teste às cegas. É mesmo boa, sobretudo se lhe deres uma verdadeira oportunidade.

## Como é um festival sem álcool?

Com anos de experiência em festivais, com álcool, estava apreensivo com a ideia de ir sem. Será que ia gostar do Rock Werchter sem álcool? Ainda seria divertido? Não seria aborrecido?

É diferente, completamente diferente. Vives tudo de forma muito mais consciente, e lembras-te melhor. É um festival de música, e se gostas de música vais reparar em muito mais pormenores nos concertos ao vivo. Sobretudo nos cabeças de cartaz mais tarde à noite, quando normalmente já estarias embriagado depois de um dia a beber.

![Queens of the Stone Age no Rock Werchter 2018](https://willem.com/global/images/59fb97488ff9.webp)

É como passar para uma versão “HD” do festival, depois de anos do que agora me parece um sinal analógico péssimo. Em vez de perder por não beber, senti-me muito mais envolvido no festival.

![Podes ter o mesmo ar de maluco de sempre, sem álcool](https://willem.com/global/images/202f071a75a1.webp)

Há mais vantagens, como dormir melhor de noite, lembrar-me de mais coisas, acordar fresco e pronto para mais música no dia seguinte. Ou manter a vista afiada, o que me permitiu apanhar (muitas!) fichas de consumo que as pessoas embriagadas deixam cair dos bolsos junto aos bares.

![Um tipo com muito lixo, arte espontânea no meio da multidão](https://willem.com/global/images/1cb457b6572c.webp)

Há muito entretenimento para lá da música... as pessoas embriagadas fazem coisas malucas, criativas e cómicas. É divertido, divertido a sério.

![A cervejaria do Rock Werchter, casa da Jupiler 0,0%](https://willem.com/global/images/9c5af6ee3509.webp)

## Conclusão

Mais do que nunca, gostei do festival de música de Werchter este ano. Atuações fantásticas, tempo excelente, gente simpática e, graças à ausência de álcool, memórias duradouras.

Espero que a cerveja sem álcool encontre um lugar permanente nos festivais. É um ótimo complemento ao bar e abre uma forma alternativa de desfrutar da música. Fantástico sem álcool, servido pelo Rock Werchter.

![Até à próxima, Werchter.](https://willem.com/global/images/373823664f04.webp)

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## Remover a tinta de um quadro de bicicleta

*Pôr o alumínio a descoberto com produtos químicos e lixa* · 2018-06-09 · https://willem.com/pt/2018-06-09_remover-a-tinta-de-um-quadro-de-bicicleta/

Há beleza no material em bruto, sem acabamento, que muitas vezes se esconde sob camadas supérfluas de tinta. Gosto que as coisas sejam fiéis à natureza do material. A minha bicicleta estava pintada de preto, nada mal, mas fiquei curioso por saber como seria na realidade, do ponto de vista do material.

![A bicicleta pintada de preto antes do tratamento](https://willem.com/global/images/bb4b446ef48a.webp)

A minha bicicleta é de alumínio. É uma liga leve e resistente à corrosão. Bem, tecnicamente continua a corroer; mas durante a corrosão forma-se uma camada minúscula de óxido de alumínio que protege o material de corroer mais (ao contrário do ferro, que pode enferrujar por completo).

## Aviso

Claro que perdes qualquer garantia se tentares algo como o que fiz à minha bicicleta. É irreversível e há uma probabilidade real de danificares a bicicleta de forma permanente. Alguns dos produtos químicos que usei são muito perigosos. Toma todas as precauções de segurança necessárias. Se gostas do aspeto de alumínio puro, é muito mais seguro e fácil comprar uma bicicleta sem pintura do que remover a tinta tu mesmo.

![Etiqueta de segurança na garrafa de diclorometano: perigo, perigo, perigo!](https://willem.com/global/images/b66ff8ea8a20.webp)

## Testar o produto químico

Antes de ir “até ao fim”, testei se a tinta saía num pequeno ponto da bicicleta. Usei diclorometano, que já não pode ser vendido em lojas normais, mas com “a fantástica internet” provavelmente consegues encontrá-lo.

![Teste da solução química para remover a tinta do garfo da frente: funciona!](https://willem.com/global/images/193060b8f2d7.webp)

## Manter húmido

O problema do removedor de tinta é que evapora depressa. Para prolongar o tempo de ação podes “apanhá-lo” com um pouco de papel e um saco de plástico. A superfície pintada fica húmida durante mais tempo e precisas de menos produto.

![Garfo da frente envolvido num saco de plástico](https://willem.com/global/images/5116ed7d38ca.webp)

Passados cerca de 15 minutos podes destapar para ver se a tinta está a largar. Vês claramente flocos de tinta a cair literalmente do quadro:

![Flocos de tinta a cair do quadro da bicicleta, deixando o alumínio em bruto à vista](https://willem.com/global/images/93fa591e6967.webp)

Uma coisa que notei logo foi como o quadro tinha sido mal lixado antes de ser pintado. Ao destapar a tinta apareceu o acabamento original do material, com inúmeros riscos e um acabamento áspero. Calculo que o fabricante do quadro nunca esperasse que alguém visse isto...

![Uma parte do garfo da frente a descoberto, a outra ainda pintada de preto](https://willem.com/global/images/08f011476a22.webp)

## Testar o aspeto

Primeiro terminei o garfo da frente, antes de passar ao resto do quadro. Assim ainda podia decidir voltar ao preto original, e só teria de substituir ou restaurar o garfo.

![Roda da frente montada no garfo de alumínio em bruto](https://willem.com/global/images/eb38f7a42b08.webp)

## O quadro

Satisfeito com o novo aspeto, passei ao quadro. Dá muito trabalho, peça a peça.

![Sabes que algo se passa quando se formam cristais químicos no quadro da bicicleta... ](https://willem.com/global/images/bc8c02a1fc0c.webp)

![A avançar por todo o quadro da bicicleta](https://willem.com/global/images/b901f15978b8.webp)

## Toque final

Quando já removeste a maior parte da tinta do quadro, ficam partes de tinta agarradas. Reparei nisto à volta das soldaduras de alumínio.

Vendo mais de perto, notei que o fabricante usou uma espécie de betume para alisar as soldaduras. Usei lixa para remover o betume.

![A lixar camadas de tinta e betume indesejados](https://willem.com/global/images/7c925728a8d9.webp)

Podes obter diferentes acabamentos de alumínio usando diferentes tipos de lixa e escovas. Experimentei vários tipos de lixa e decidi ficar por um acabamento de alumínio mate e em bruto. Podes perfeitamente polir o quadro até ficar muito brilhante, mas eu prefiro simplesmente o acabamento ao estilo “Apple MacBook”. É uma escolha pessoal que podes fazer (e mudar) durante o processo.

## Conclusão

Depois de pôr o alumínio em bruto a descoberto, fiquei com uma bicicleta diferente. Continua a ser a mesma máquina, mas, literalmente, sente-se diferente.

![Bicicleta de alumínio](https://willem.com/global/images/0ad611cae6d0.webp)

O quadro parece mais frio por causa do contacto direto com o metal. Como bónus, aprendes a desmontar e a montar todas as peças da tua bicicleta.

![Guiador Schindelhauer montado na minha bicicleta de alumínio](https://willem.com/global/images/84f1a1206998.webp)

Estou muito contente com o resultado, mas da próxima vez consideraria sem dúvida comprar uma bicicleta sem pintura, como as da Schindelhauer (https://www.schindelhauerbikes.com/). Boas pedaladas!

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## Criar um suporte minimalista para o iPhone

*Fresar madeira de carvalho para um encaixe à medida* · 2018-06-02 · https://willem.com/pt/2018-06-02_criar-um-suporte-minimalista-para-o-iphone/

Hoje criei um suporte minimalista para o iPhone em madeira de carvalho. Comprar um online é muito mais rápido, mas eu queria um que encaixasse o meu telefone na horizontal, com a capa posta. Gosto de design minimalista, por isso optei por trabalhar uma única peça de madeira.

![Bancada com fresadora pronta para a ação](https://willem.com/global/images/b735cbf230a7.webp)

## Precisava de um suporte horizontal

Uso o smartphone com um teclado Bluetooth para trabalhar a sério só com o telemóvel (escrever, gerir servidores por SSH, até programar com VIM). O teclado é ótimo, mas a combinação teclado+smartphone fica ainda melhor com um bom suporte (para um ângulo melhor).

Uso a maioria das apps na horizontal, em modo paisagem. O suporte tem de permitir pegar no telefone com facilidade (para mudar a orientação do ecrã, tirar fotografias ou ir-me embora com ele). Embora use um iPhone X muito comum, uso uma capa um pouco mais grossa do que a maioria: serve_de_carteira (https://willem.com/en/2016-07-15_cash-is-king-or-is-it/).

Queria de preferência um suporte minimalista, feito de uma só peça, sem partes móveis, mas o mais compacto possível para transportar facilmente (na bicicleta, no comboio, no avião, etc.). Gosto de “materiais em bruto”, de preferência sem tinta nem verniz.

## Protótipo

O programador que há em mim achou boa ideia desenvolver um protótipo em madeira de abeto. É uma madeira muito leve e fácil de trabalhar. Fui buscar umas sobras à loja de bricolage local e determinei o tamanho e o perfil certos para o meu telefone.

![Protótipo em madeira de abeto para definir o perfil de fresagem](https://willem.com/global/images/f67f48225198.webp)

Como o meu smartphone com a capa é um pouco mais grosso, precisei de um perfil mais largo para um encaixe seguro. O lado “em escada” do perfil permite que o telefone fique com um bom ângulo. Encontrar o perfil certo foi uma questão de tentativa e erro, com pequenos ajustes para melhorar o encaixe e o ângulo.

## Versão final em carvalho

Quando fiquei satisfeito com o protótipo, chegou a hora da versão final. Para isso escolhi outro tipo de madeira: carvalho. É muito mais dura, mais pesada e, por isso, duradoura. É mais difícil de trabalhar, mas como aprendi com o protótipo pude saltar os testes e ir direto ao encaixe certo.

![Peça de carvalho em bruto, mesmo antes de ser trabalhada](https://willem.com/global/images/5a2a6495bfdb.webp)

Para dar ao suporte um toque simpático e requintado, usei uma fresa especial para arredondar os cantos.

![A arredondar os cantos da peça de madeira](https://willem.com/global/images/b08b37e5d025.webp)

Tal como os cantos exteriores, fresei o rebordo interior com uma fresa redonda invertida, para ficar mais bonito (e mais suave ao toque dos dedos).

![A alinhar a fresadora](https://willem.com/global/images/52659631e1d4.webp)

Durante o trabalho na versão final fui verificando o protótipo para garantir o encaixe correto.

![Comparação do perfil de fresagem do protótipo com a versão final](https://willem.com/global/images/c9b8be47b949.webp)

Depois de acabar a fresagem, testei a versão final. Embora as duas versões sejam funcionalmente iguais, sentem-se diferentes. É incrível como o tipo de madeira muda a sensação; o carvalho parece que vai durar mil vezes mais do que o telefone.

![A capa do smartphone encaixa na perfeição](https://willem.com/global/images/e3e653e62c16.webp)

## Toque final

Com lixa de grão fino acabei a superfície da madeira. Fui da lixa 80 até ao grão 400. É surpreendente como a madeira fica macia como seda.

![Superfície macia como seda depois de lixada](https://willem.com/global/images/193b1c1d97c0.webp)

![Os veios da madeira dão um padrão natural ao suporte](https://willem.com/global/images/fafb4fcf0ac2.webp)

## Conclusão

Depois de umas horas de diversão com madeira, tenho um suporte de madeira para o iPhone com um encaixe perfeito.

![O suporte é muito estável](https://willem.com/global/images/5ee83381e7ef.webp)

![O ângulo é o certo para aceder facilmente ao ecrã tátil](https://willem.com/global/images/f214bf8d532f.webp)

![O ecrã tátil fica totalmente acessível, o rebordo da frente é ligeiramente rebaixado para permitir os gestos de “deslizar para cima”](https://willem.com/global/images/16164cb891ec.webp)

Embora seja muito mais rápido comprar um suporte, há algo estranhamente gratificante em fazê-lo tu mesmo. Aprendes a fresar e a lidar com materiais em bruto. Nunca se sabe quando estas competências vão dar jeito no futuro!

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## Ouve o teu corpo

*Porque deixei de usar sensores de saúde e de forma física* · 2018-05-17 · https://willem.com/pt/2018-05-17_ouve-o-teu-corpo/

Um bom cliente meu foi fisioterapeuta e contou-me que as pessoas lhe pediam para “sentir os músculos” e dizer-lhes como estavam. “Loucura!”, disse-me ele: “Nunca vou sentir melhor do que as próprias pessoas, se ao menos ouvissem o corpo”. Isto levou-me a pôr em causa os sensores de saúde e de forma física que uso.

## Porquê os dados?

Há três anos fiquei chocado com a notícia de outro cliente meu que quase morreu porque algo correu mal de repente dentro do seu corpo. Não sei exatamente o que aconteceu, mas marcou-me: a saúde é uma coisa frágil, e este pai de três filhos fez-me pensar na minha.

Nessa altura, o carro e a motoreta eram os meus melhores amigos. Não fazia desporto e consumia o que me apetecia. A viver a boa vida, pensava eu.

![Pequena Vespa explosiva, a motoreta que me fez começar a andar de bicicleta](https://willem.com/global/images/2065af7aa361.webp)

Depois, por uma coincidência estranha, o motor da minha motoreta rebentou. Esta explosão levou-me_a_ir_de_bicicleta_para_o_trabalho (https://willem.com/en/2016-09-03_batavus-champion-bike-from-1978/). No início, os 16 quilómetros até ao trabalho pareciam o “Tour de France”: o meu corpo estava em mau estado.

Passaram semanas e senti-me melhor. Passei a usar o Strava_e_o_Garmin_para_acompanhar_o_meu_desempenho (https://willem.com/en/2016-12-31_one-year-of-cycling/). Por curiosidade_sobre_relógios (https://willem.com/en/watches-and-time-a-decade-of-horology-technology-and-craft/) comprei um Apple Watch, que me fez ter consciência da minha frequência cardíaca durante o dia e dos padrões de sono à noite.

Junta uma balança inteligente, um medidor de tensão arterial, um termómetro e, quando dás por ti, tens ali um grande projeto de big data :-)

![A minha coleção de sensores de saúde e de forma física ](https://willem.com/global/images/aef67106a5da.webp)

## Aprender com os dados

Com o Apple HealthKit e o Biostrap (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/) combinei todos os dados. Visualizei o progresso e encontrei correlações entre medições. Aprendi que efeito tem o meu comportamento em relação a:

- **peso: ** nos 12 meses depois de começar a andar de bicicleta perdi nada menos que 15 quilos. Quando deixei de beber álcool por completo, há apenas seis meses, perdi mais 10 quilos. O resultado é dramático: de 110KG em 2015 para 85KG hoje. 

- **coração: ** o exercício regular de bicicleta fez baixar bastante as minhas frequências cardíacas. Quando me esforço ao máximo, acompanha muito mais de perto o nível de intensidade: volta rapidamente ao normal depois do treino. A frequência em repouso à noite desceu de uma média de 70BPM em janeiro de 2016 para ± 50BPM esta noite! 

- **sono: ** agora consigo acordar sem despertador porque percebo quando (e porquê) é hora de ir para a cama. Descobri também que uma sesta ocasional durante o dia pode ter efeitos positivos incríveis. 7 horas de sono por dia parecem ser perfeitas para mim. 

- **álcool: ** beber cerveja era um dos meus maiores passatempos, até ver os dados!  Depois de uma boa noite fora, a minha frequência cardíaca subia até 40%! Por vezes as medições demoravam dias a voltar ao normal. 

- **tensão arterial: ** quando comecei a medir a tensão arterial, há cerca de seis meses, estava bastante alta: 141/92mmHg. Deixei de beber álcool e já não junto sal (adicional) à comida. Em apenas seis meses a minha tensão desceu, e agora meço regularmente valores tão baixos como 115/75mmHg!

![A frequência cardíaca em repouso já não tem picos vermelhos, relativamente estável desde que deixei de beber cerveja](https://willem.com/global/images/ca85055247e0.webp)

![A tendência noturna da HRV, um indicador da tua forma física, também estabilizou](https://willem.com/global/images/3e905eab9ea7.webp)

As minhas medições estão agora estáveis e previsíveis. O curioso é que agora consigo adivinhar com precisão a minha frequência cardíaca pelo que sinto, com uma margem de ±5 BPM. Isto leva-me de volta ao que o meu cliente fisioterapeuta me disse: “As pessoas nascem com todos os sensores de que precisam”

## Sistema nervoso

O sistema nervoso deve o nome aos nervos, que são feixes cilíndricos de fibras que saem do cérebro e da medula espinhal e se ramificam por todas as partes do corpo.

![O sistema nervoso (imagem da Wikimedia)](https://willem.com/global/images/993c55672fa3.webp)

O teu sistema nervoso é uma vasta rede dentro do corpo que permite enviar sinais de uma parte do corpo para as outras. É rápido (100 metros por segundo!) e preciso (até ao nível da célula individual). Permite-te sentir como está o teu corpo, com muito mais detalhe do que um punhado de sensores Bluetooth consegue captar.

## Conclusão

Se percebes como te sentes, não precisas de sensores biométricos nem de wearables de fitness. Mas, para chegar a essa compreensão, podem ser incrivelmente úteis.

Usei os dados como prova quantificável de progresso. Para medir melhorias na forma física e no bem-estar. São um meio para atingir um fim.

Agora sinto-me melhor do que nunca, deixei de usar os sensores de saúde e de forma física e confio simplesmente no que sinto. Talvez um dia pegue neles outra vez para “calibrar o que sinto”, mas por agora desliguei-os. Aprendi a ouvir o meu corpo!

![Vou precisar de algum tempo para me habituar a não usar sensores... repara na marca branca no pulso :-)](https://willem.com/global/images/7862fafde873.webp)

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## Almoço de avião

*Voar de Hilversum a Texel num Tecnam P2002JF* · 2018-05-09 · https://willem.com/pt/2018-05-09_almoco-de-aviao/

Esta semana fui convidado para voar pelos Países Baixos numa pequena aeronave, de Hilversum a Texel. Um grande amigo meu é piloto e planeou voar até à ilha de Texel para almoçar (e divertir-se!). O tempo estava excelente, por isso, equipado com a minha máquina fotográfica, não hesitei um segundo em juntar-me a ele para almoçar!

## Piloto privado e a Vliegschool Hilversum

O meu amigo Tim aprendeu a voar e tem a licença de piloto privado (PPL). Pode pilotar aviões e sabe como lidar com as comunicações por rádio, a navegação e os procedimentos de descolagem e aterragem.

![Willem e Tim](https://willem.com/global/images/c945de91c7cf.webp)

Ele faz parte da escola de pilotos privados “Vliegschool_Hilversum” (https://www.vliegschool-hilversum.nl) para manter as suas competências de piloto e partilhar a paixão de voar com pessoas que pensam como ele. Estes homens e mulheres são genuinamente muito simpáticos (e engraçados), mas também levam muito a sério a segurança, as condições, os procedimentos e a manutenção das aeronaves. Graças a eles conseguimos um avião para o nosso almoço sobre a Holanda.

![Vliegschool Hilversum](https://willem.com/global/images/c3107c3d0895.webp)

## Tecnam P2002JF

É um avião pequeno com dois lugares, um para o piloto e outro para um passageiro. É feito de alumínio e tem um único motor ligado diretamente a uma hélice.

![Tecnam P2002JF - PH-TCM](https://willem.com/global/images/49705055d856.webp)

## Especificações do Tecnam P2002JF

- comprimento 6,6 metros (21 pés)

- envergadura 9 metros (29 pés)

- altura 2,3 metros (7 pés e 6 polegadas)

- área alar 11,5 m² (124 pés ²)

- peso vazio 331KG

- peso máximo à descolagem 600KG 

- motor 1x Rotax 912 S2 com 100 HP (75KW) a 5800RPM 

- diâmetro da hélice 1,6 metros (5 pés e 3 polegadas)

- custa ± 150K €

- fabricado em Itália

- velocidade máxima de cruzeiro (KTAS) 225KM/H (122 nós, 180 mph)

- consumo de combustível cerca de 18,5 l por hora

- autonomia 1050KM (±560 milhas náuticas)

- teto operacional 14.000 pés (altitude de 4,2KM) 

![Dimensões do Tecnam P2002JF (fonte: Tecnam)](https://willem.com/global/images/072d335afa85.webp)

![Motor Rotax 912S2 de 100HP ](https://willem.com/global/images/e5b64be7cba3.webp)

O avião é movido por um motor Rotax 912S2 de 100HP. É um motor de quatro cilindros e quatro tempos, arrefecido a líquido e a ar, que pesa cerca de 60KG. Usa gasolina normal de automóvel, bastante prático.

## O voo

Com um iPad traçou-se o plano de voo de Hilversum (EHHV) a Texel (EHTX) sobre a Holanda do Norte, e de volta a Hilversum sobre o Afsluitdijk, a Frísia, Flevoland e Gelderland.

![Rota do voo indicada a roxo](https://willem.com/global/images/d1bd75db2bc1.webp)

Durante o voo usei a máquina fotográfica para tirar algumas fotografias através da cúpula do avião.

![Loosdrechtse Plassen](https://willem.com/global/images/69a54a974871.webp)

![A Hollandse Brug (A6 perto de Almere)](https://willem.com/global/images/3eec5284abf9.webp)

![Marken, antiga ilha no Zuiderzee](https://willem.com/global/images/5e41e5d8def9.webp)

![Marken vista de oeste](https://willem.com/global/images/30bd9962bf66.webp)

![Middelie, com alguns campos de flores coloridos](https://willem.com/global/images/ee5c7d460b49.webp)

![Os campos de flores veem-se facilmente lá de cima!](https://willem.com/global/images/8dae13850689.webp)

![Lá de cima veem-se bem os edifícios com painéis solares, Smak Tulips junto à N240, a sul de Medemblik](https://willem.com/global/images/347e880a61bb.webp)

![De Vlietlanden perto de Medemblik](https://willem.com/global/images/3f300b3eb4f8.webp)

![Medemblik (com o centro de regatas no canto superior esquerdo)](https://willem.com/global/images/20f9fbcdf785.webp)

![A voar para Texel (a torre Kaapstander de Medemblik bem à vista)](https://willem.com/global/images/013c3dd31526.webp)

Depois de aterrarmos em Texel (EHTX), pedimos emprestado um Renault Twizzy para ir almoçar. É uma sensação estranha estar em Texel, uma ilha tranquila no Mar de Wadden, depois de ter saído de Hilversum aparentemente há apenas uns minutos.

![Renault Twizzy do aeroporto de Texel](https://willem.com/global/images/063dc6efe053.webp)

É mesmo esquisito poder viajar tão depressa de avião, sem alfândega, sem controlo de segurança, sem filas de espera. É completamente diferente dos voos comerciais. Parece mesmo que se salta para dentro e se descola. Depois do almoço descolámos outra vez para o voo de regresso.

![Texel vista de cima, perto de Plassendaal / Westerkolk](https://willem.com/global/images/cc33d39dc1dc.webp)

![Chalés vistos de cima no Jachtlust Recreatie, Slufterweg 380, Texel](https://willem.com/global/images/999a974cb714.webp)

![Westerkolk a refletir a luz do sol em Texel](https://willem.com/global/images/f7b78cd9d439.webp)

![Navio de passageiros no Mar de Wadden (perto de Texel)](https://willem.com/global/images/a8195f78aa0a.webp)

![Eclusas de Stevin perto de Den Oever, parte do Afsluitdijk](https://willem.com/global/images/de941e65aaea.webp)

![Den Oever](https://willem.com/global/images/dc757f7e77fe.webp)

![Den Oever com o campo de futebol do VV Wiron](https://willem.com/global/images/f9eb57692641.webp)

![A voar sobre o Afsluitdijk, de Den Oever até à Frísia](https://willem.com/global/images/6b351df3d638.webp)

![Eclusas de Lorentz em Kornwerderzand, Frísia](https://willem.com/global/images/628b5e82aa20.webp)

![Makkumerdiep e a praia de Makkum, vês claramente do céu as diferenças de profundidade da água](https://willem.com/global/images/58001bef1fac.webp)

![Beach Resort Makkum](https://willem.com/global/images/b7aace9ff498.webp)

![Parque eólico Noordoostpolder, perto de Lemmer ](https://willem.com/global/images/3b528a82362c.webp)

![Urk, antiga ilha no Zuiderzee](https://willem.com/global/images/917b541efef1.webp)

![Zona industrial de Elburg, com o Flevomeer (em cima à esquerda) e o Drontermeer (em baixo à direita)](https://willem.com/global/images/f29ac17fc18f.webp)

![Dolfinarium Harderwijk (a cúpula azul ao centro)](https://willem.com/global/images/bac70a3ad47c.webp)

![Praia de Zeewolde](https://willem.com/global/images/292f89fa9655.webp)

![Porto de Bonshaven, Zeewolde](https://willem.com/global/images/aa02b9738689.webp)

![Ponte sobre o Valleikanaal, perto do cruzamento Holkerweg / Ringweg Koppel em Amersfoort](https://willem.com/global/images/7b3cf5c6ff9c.webp)

![A Stichting Dierenzorg Eemland a fazer grandes obras de terraplenagem perto de Soest](https://willem.com/global/images/39cf1b1dd064.webp)

![De Korte Duinen, Soest, vista de cima ](https://willem.com/global/images/68e46c4f1016.webp)

![Egelshoek, perto de Hilversum](https://willem.com/global/images/5b40b9aef2f3.webp)

![Casa vista de cima perto de Hollandse Rading](https://willem.com/global/images/7b01a82687ee.webp)

![Ecoduto “Natuurbrug Zwaluwenberg” sobre a A27 perto de Hilversum](https://willem.com/global/images/f71be5cebb25.webp)

![Obras na A27 perto de Hilversum, onde se remove a ligação não utilizada à A80, nunca concluída](https://willem.com/global/images/70eaaff542b7.webp)

![Hilversum, com a torre de rádio/TV bem visível](https://willem.com/global/images/136d57053365.webp)

## Conclusão

Aterrámos em segurança no aeroporto de Hilversum e estacionámos o avião perto do hangar. De certa forma, é quase como estacionar o carro.

![Dentro da torre de controlo do aeroporto de Hilversum.](https://willem.com/global/images/a94398681219.webp)

Ir almoçar assim é fantástico. O meu voo sobre os Países Baixos lembrou-me também como este país é diversificado. Está ligado e mergulhado na água como nenhum outro. É lindo e sinto-me um privilegiado por o ter visto lá de cima.

A liberdade de pilotar um avião, onde defines o teu próprio rumo, é fantástica. Já estou a pensar qual será o próximo destino!

![O céu é o limite, ou será?](https://willem.com/global/images/3dfc8268cd64.webp)

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## Fora da rede: trabalhar com 100% de energia renovável

*Recolher, armazenar e usar eletricidade solar para alimentar o telemóvel, o computador e os wearables* · 2018-04-30 · https://willem.com/pt/2018-04-30_fora-da-rede-trabalhar-com-100-de-energia-renovavel/

Durante os últimos 10 dias alimentei os meus dispositivos eletrónicos pessoais (telemóvel, computador, wearables) apenas com a energia recolhida por um pequeno painel solar. Desliguei todos os carregadores ligados à rede elétrica. Esperava que, ao sair da rede, mesmo que só um bocadinho, ganhasse perceções que me permitissem poupar energia (e dinheiro).

## Painel solar

Há poucas semanas fiz uma grande limpeza no meu escritório, livrando-me de muitas coisas que já não usava. Enquanto remexia nas minhas coisas, encontrei um pequeno painel solar, um Gomadic Solar Charger. Cabe numa mala, para o poderes levar contigo, no barco, a acampar, etc.

![Carregador solar portátil Gomadic - 15W - 330 x 305 x 38 mm](https://willem.com/global/images/07792197e4e3.webp)

Comprei este painel no Kickstarter e usei-o algumas vezes a acampar num festival e durante um raro corte de eletricidade em Amesterdão. Pareceu-me uma oportunidade desperdiçada usá-lo tão poucas vezes. Fiquei a pensar se conseguiria usar este painel para gerar energia suficiente para alimentar os meus dispositivos eletrónicos.

## Dispositivos eletrónicos pessoais

Nesta experiência, esperava aprender mais se incluísse os dispositivos que mais uso:

- **iPhone**: o meu smartphone é provavelmente o dispositivo mais importante que uso com regularidade. É o meu principal aparelho de comunicação (telefone, mensagens, e-mail) e uso-o como máquina fotográfica, leitor de música, leitor de livros eletrónicos, sistema de navegação, ciclocomputador e navegador de internet.

- **iPad + Pencil**: o meu tablet_é_o_meu_computador_principal (http://willem.comhttps://willem.com/en/2018-03-07_tablet-as-main-computer/) e, juntamente com o Apple Pencil, uso-o para trabalhar, escrever, ler, desenhar e resolver coisas. É o meu principal computador de trabalho. 

- **Biostrap**: no pulso uso um  monitor_de_saúde_e_forma_física_que_recolhe_dados_biométricos (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/) como a frequência cardíaca, a HRV, a saturação de oxigénio, a frequência respiratória e os padrões de sono. 

- **AirPods**: usados com o iPhone ou o iPad, os AirPods substituíram o meu sistema de som e servem de auricular mãos-livres nas chamadas de conferência. 

## A experiência: sair da rede

Ao tirar os meus dispositivos eletrónicos da rede, esperava encontrar resposta para estas perguntas:

- Quanta energia consigo recolher com um pequeno painel solar (330x305x38MM) em Amesterdão, onde o sol nem sempre brilha?

- Até que ponto é difícil armazenar a energia recolhida pelo painel solar?

- Até que ponto é prático isto de *“sair da rede”*?

- É possível fazê-lo a uma escala maior, como no escritório inteiro ou na minha casa?

## Recolher energia

Usar um painel solar para recolher energia é simples: basta garantir que está virado para o sol o mais tempo e o mais diretamente possível. Embora o painel portátil seja ótimo, não é adequado para usar à chuva. Por isso, um dos primeiros passos foi encontrar uma forma de fixar o painel (semi)permanentemente, para poder recolher energia independentemente do tempo.

![A procurar uma forma de fixar o painel para que o tempo não o danifique](https://willem.com/global/images/7a2cc4297f11.webp)

![O painel solar colocado diretamente atrás do vidro](https://willem.com/global/images/e61a7a1df7e1.webp)

A minha primeira ideia foi pôr o painel diretamente atrás do vidro. Assim não precisava de suportes especiais, ficava protegido do tempo e a sua saída de energia podia ligar-se diretamente aos meus dispositivos.

![Colocado atrás do vidro o painel funciona, mas o desempenho não é o ideal](https://willem.com/global/images/b0fffae0fbe3.webp)

Funcionou, mas o carregamento dos dispositivos era bastante lento. Suspeitei que tanto o ângulo (90º) como a posição *atrás* de vidro duplo faziam o desempenho ficar abaixo do ideal.

![O painel solar colocado ao sol direto para um desempenho ideal](https://willem.com/global/images/e00f28a308cd.webp)

Ao pôr o painel diretamente ao sol, num ângulo de cerca de 40º, consegui uma velocidade de carregamento muito maior nos meus dispositivos (com o mesmo sol). A velocidade de carregamento subiu 200-300%. Se ao menos eu encontrasse uma forma de manter esta posição ideal de forma mais permanente...

### Montar o painel solar na varanda

O meu painel portátil não veio com materiais de montagem. Felizmente tinha por aí um chassis de servidor para bastidor, com kit de calhas, sem uso. Achei que o podia desmontar e fazer com ele um sistema de montagem para o painel solar.

![Chassis de servidor para bastidor (1U), com kit de calhas](https://willem.com/global/images/976569f35eff.webp)

![A conceber um kit de montagem para o painel solar](https://willem.com/global/images/6c54e8b2470e.webp)

Concebi o kit de montagem de modo a ser possível voltar a guardar o painel na mala. Prendi o painel com peças do servidor e usei um pouco de plástico para não danificar o vidro.

![O painel solar preso com peças de servidor ](https://willem.com/global/images/34030d6f7112.webp)

O painel rende mais se estiver inclinado. Dependendo da tua localização no globo e da estação do ano, este ângulo varia. Na internet encontras os ângulos mais usados para o teu local. Em Amesterdão anda pelos 30-40º, um ângulo fácil de conseguir reaproveitando peças do chassis do servidor.

![Outrora a frente de um servidor, agora parte do suporte do painel solar](https://willem.com/global/images/a6de5ca038cd.webp)

![Um bom ângulo conseguido com três pernas, adequado para fixar na minha varanda](https://willem.com/global/images/88d647bf806f.webp)

![Painel solar fixo na varanda](https://willem.com/global/images/cdc12deb5e57.webp)

## Armazenar e distribuir energia

Agora que o painel está fixo numa posição ideal e permanente, recolhe energia. Claro que nem sempre estou perto do painel solar, por isso preciso de uma forma de armazenar e distribuir a energia que o painel recolhe.

Uso um power bank USB normal para armazenar e distribuir a energia solar. Tenho dois power banks que ligo ao painel à vez. É fácil: enquanto um está a carregar com o painel solar, uso o outro para alimentar os meus dispositivos. Assim posso usar eletricidade quando e onde quiser.

![A medir o consumo de energia com um medidor USB em linha](https://willem.com/global/images/9b5cd3693dfa.webp)

O painel carrega facilmente num dia um power bank USB normal de 5V e 5000mAh. Um power bank desses carrega um iPhone várias vezes. Tenho também um power bank USB Anker de 20100mAh, de capacidade bem maior, que carrega os meus dispositivos ainda mais vezes.

![A carregar o Biostrap com energia solar do power bank Anker](https://willem.com/global/images/b66f751e9780.webp)

Os diferentes dispositivos carregam a velocidades diferentes. É interessante ver (e perceber) as diferenças de potência entre os teus dispositivos. Com um medidor de potência em linha, aprendi qual é a potência realmente necessária para carregar os meus dispositivos.

![A carregar os AirPods com energia solar, repara nos amperes mais altos em comparação com o Biostrap](https://willem.com/global/images/641b478c9069.webp)

## Conclusão: o que aprendi até agora

Durante os últimos 10 dias alimentei com sucesso os meus dispositivos apenas com a energia solar recolhida pelo pequeno painel montado na minha varanda. É mesmo possível tirar os meus dispositivos da rede.

O painel gera energia suficiente para manter os meus power banks carregados e, por sua vez, os meus dispositivos. Os power banks são surpreendentemente práticos, porque são portáteis e ligam-se facilmente a vários dispositivos; um só power bank pode substituir vários carregadores e cabos.

A experiência também me fez perceber que pequenas mudanças, como baixar o brilho do telemóvel ou limitar a frequência com que se verificam novos e-mails (durante a noite), podem ter grandes efeitos estruturais nas tuas necessidades de energia.

Isto é só uma pequena experiência, mas já está a mudar a minha perspetiva sobre recolher, armazenar, distribuir e usar energia.

As grandes coisas nascem de pequenos começos, ou *sic parvis magna* em latim. Se isto funciona numa escala pequena, fico com vontade de o experimentar numa escala maior, como no escritório inteiro ou em casa. O tempo o dirá!

![O Tesla PowerWall é uma grande bateria que pode alimentar uma casa inteira](https://willem.com/global/images/5f1acc81fe28.webp)

Nota: este artigo do blogue, as fotografias, a edição de imagem, a escrita, o envio e a publicação foram feitos inteiramente com energia solar!

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## Fora da zona de conforto: teatro amador

*Com um monitor de frequência cardíaca na minha estreia* · 2018-04-18 · https://willem.com/pt/2018-04-18_fora-da-zona-de-conforto-teatro-amador/

Este mês fiz a minha estreia como ator amador. Não sou nenhuma estrela de Hollywood, nem aspiro a sê-lo. Mas gosto de experiências malucas, e agir fora da minha zona de conforto leva muitas vezes a ideias novas e refrescantes. Participei numa peça de teatro amador e, em nome da ciência e da diversão, equipei-me com sensores para medir o que acontecia ao meu corpo.

## Zona de conforto

Talvez já tenhas visto citações inspiradoras que te incentivam a sair e a fazer algo estranho, algo que normalmente não farias. É difícil, porque tendemos a ficar confortáveis com o que conhecemos, com as nossas rotinas.

Já em 1908, os psicólogos Yerkes e Dodson explicaram a relação entre os níveis de conforto e o desempenho. Descobriram que o desempenho aumenta com a ativação fisiológica ou mental, mas só até certo ponto. Esse ponto chama-se “ansiedade ótima”, em que os níveis de stress são ligeiramente superiores ao normal. Neste “ponto ideal”, a pessoa sente pressão para ter um bom desempenho e está preparada, mas não fica paralisada pelo medo.

## Sair da zona de conforto: começar a representar

Há poucos meses fui ver a minha mãe atuar com o seu grupo de teatro, “de Opregte Amateur”. É um grupo de pessoas entusiastas, de todas as idades e profissões, que trabalham juntas para organizar a apresentação de duas peças diferentes por ano. Têm cerca de 45 anos de história a fazer farsas cómicas, a dar boas gargalhadas a cerca de 180 pessoas por noite, duas noites por peça, duas peças por ano.

Estavam à procura de novos atores para o grupo. Sem dúvida desinibido pela cerveja local, pareceu-me a oportunidade perfeita para fazer algo fora do *meu normal*... e assim começou a minha carreira de ator. :-)

![Cartaz a anunciar a peça “Zusters in Zaken” de “De Opregte Amateur”](https://willem.com/global/images/44ea7ca346a7.webp)

![Ai, ai, ai... não há volta a dar quando a tua cara está por toda a cidade!](https://willem.com/global/images/375bf7d85472.webp)

## Ensaios, aprender o texto e aprender a representar

Cerca de três meses antes da apresentação começaram os ensaios semanais, em que se treinam partes da peça. É muito divertido e permitiu-me conhecer os outros atores, o meu texto e os movimentos (quando e onde aparecer e desaparecer).

É um grupo fantástico de pessoas que me fez sentir muito bem-vindo, apesar de eu ter praticamente zero experiência em teatro amador. Mas o progresso veio com o passar das semanas. Aprendi com os outros atores, vendo e ouvindo como interpretavam o seu papel. É incrível até onde se consegue chegar sem manual, quando se está rodeado de pessoas experientes e apaixonadas.

![Página do guião com as minhas primeiras falas, eu a fazer de “Gerard”](https://willem.com/global/images/5b1d9c31d3ef.webp)

## Sensores

Como já escrevi antes, uso_diariamente_um_sensor_biométrico (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/) para medir a frequência cardíaca, a HRV, a saturação de oxigénio, a frequência respiratória e o padrão de sono. Acho estes dados de saúde interessantes porque permitem descobrir “o que é normal” para o teu corpo. Quando conheces os teus números normais, consegues reconhecer medições fora do comum.

![Biostrap, pulseira que recolhe dados de saúde diariamente e dá perceções de longo prazo](https://willem.com/global/images/2b9c6d138a20.webp)

![Wahoo TICKR, cinta na cintura, que mede a frequência cardíaca em tempo real](https://willem.com/global/images/861bb3b8d831.webp)

Fiquei a pensar se a ansiedade teria efeito nas minhas leituras biológicas. Como reagiria o meu corpo à minha estreia? Para ter uma leitura mais precisa durante a apresentação, usei também um monitor de frequência cardíaca preso à cintura. Os dois sensores juntos deram dados de longo prazo e em tempo real, perfeitos para a minha pequena experiência fora da zona de conforto.

## A apresentação

Oh meu Deus, que emoção! Que experiência! É um sentimento incrível representar com um grupo de pessoas e fazer aquilo funcionar. Receber a reação do público, as gargalhadas, o murmúrio e os aplausos. Não se parece com mais nada que eu conheça!

![Eu a fazer de “Broeder Gerard” em “Zusters in Zaken” na minha estreia como ator amador](https://willem.com/global/images/b7a783f5c41c.webp)

Tens uma sensação de controlo (sobre o teu papel), mas também sentes a falta de controlo (sobre a atuação dos outros atores). Estás vestido, preparado para a ação, sabes as tuas falas, mas nunca sabes exatamente como vai ser a peça *real* no seu conjunto.

Ao contrário de ver um filme ou ler um livro, o teatro é muito mais interativo: tens de fazer coisas para aquilo funcionar. Nesse sentido é como jogar um videojogo, só que com 180 pessoas a ver-te e com “uma única vida”.

![O teatro é um trabalho de equipa, e a interação em palco é o que o torna divertido!](https://willem.com/global/images/e2acc65056d4.webp)

## Dados

Nas noites da apresentação usei o monitor de frequência cardíaca preso à cintura para medir o meu ritmo cardíaco. A minha personagem aparece logo a seguir ao início da peça. Senti claramente a ansiedade a crescer até esse momento... fornecendo convenientemente um pico de referência nos dados:

![Frequência cardíaca na minha estreia, com anotações a explicar o que aconteceu](https://willem.com/global/images/e56f31ee821c.webp)

![Frequência cardíaca nas duas noites da apresentação, à esquerda a minha estreia, à direita a segunda apresentação](https://willem.com/global/images/ac23835d406b.webp)

Olhando para os dados, dá para ver algumas coisas interessantes:

- A primeira noite (à esquerda) é diferente da segunda (à direita). A minha frequência cardíaca média e máxima foi mais alta na noite da estreia.

- A ansiedade foi crescendo de forma mais gradual na primeira noite, enquanto na segunda a minha frequência cardíaca esteve muito mais “plana” na hora antes de entrar em cena.

- É muito fácil ver as minhas entradas em cena, que provocam picos claros e agudos na frequência cardíaca. (Quatro vezes antes do intervalo, duas vezes depois)

- Vê-se claramente o efeito do intervalo, um verdadeiro alívio entre as entradas.

- Nas duas noites, a primeira entrada é a mais difícil, e cada entrada seguinte é menos stressante.

- Nas duas noites, a minha segunda entrada é claramente menos stressante do que a terceira. Isto porque me sentia muito mais seguro com essas falas.

- Gasta-se muita energia! Como ando_muitas_vezes_de_bicicleta (https://willem.com/en/cycling-as-craft-building-riding-and-repairing-bikes/), sei que uma noite de teatro (1800 kcal) equivale mais ou menos a uns 50KM de bicicleta.

Além da frequência cardíaca em tempo real, usei o Biostrap (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/) para recolher dados biométricos de longo prazo:

![Leituras biométricas do mês que antecedeu a apresentação](https://willem.com/global/images/67b76ba7b012.webp)

Estes gráficos cobrem o mês que antecedeu (e incluiu) o fim de semana da apresentação. Podes ver que as minhas leituras biométricas mudaram:

- **Frequência cardíaca em repouso**: indica um nível geral de excitação mais elevado nas duas últimas semanas, que tiveram mais ensaios e uma sensação crescente de “vai mesmo acontecer!”

- **Variabilidade da frequência cardíaca noturna (HRV)**: as variações entre batimentos individuais, ou HRV, são um indicador do meu grau de exaustão. Quanto mais baixa, mais cansado estou. Na última semana trabalhei menos horas, para o meu corpo recuperar melhor do aumento de ensaios, algo claramente necessário.

- **Frequência respiratória**: o número médio de respirações por minuto é um indicador claro de ansiedade. Vês claramente a subida até às noites da apresentação.

## Conclusão

Fazer algo fora do comum, fora da tua zona de conforto, tem um efeito real e claro. Tanto físico (como os dados sugerem claramente) como mental (a emoção incrível).

Participar na peça de teatro foi muito divertido. Aprendi com pessoas experientes, a trabalhar em grupo para fazer algo que nunca tinha feito. O empenho deles, alimentado pela paixão (e não pelo negócio), é inspirador!

Sou muito grato a “De Opregte Amateur” por me deixar participar. Obrigado Anneke, Ida, Patricia, Ramona, Bianca, Harry, Winfried, Joey, Carel, Linda, Corrie, Patrick, Jerry, e a todos os outros nos bastidores que tratam de roupa, maquilhagem e cenário. E claro, ao público, as centenas de pessoas que gastaram o seu tempo a ver a nossa peça, obrigado!

![De Opregte Amateur](https://willem.com/global/images/c779a03908a8.webp)

### Referências

Yerkes RM, Dodson JD (1908). "The relation of strength of stimulus to rapidity of habit-formation". Journal of Comparative Neurology and Psychology. 18: 459–482. doi:10.1002/cne.920180503.

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## Cibersegurança: 5 dicas fáceis para proteger o teu servidor contra hackers

*Boas práticas de reforço da segurança de servidores para Windows e Linux* · 2018-03-10 · https://willem.com/pt/2018-03-10_ciberseguranca-5-dicas-faceis-para-proteger-o-teu-servidor-contra-hackers/

Esta semana um dos meus clientes foi vítima de um ataque informático e pediu-me ajuda de emergência para proteger a infraestrutura dos seus servidores. Era um servidor web com sites WordPress em Apache (com PHP/MySQL), incluindo algumas lojas online com dados de clientes. Este ataque podia ter sido facilmente evitado com as boas práticas seguintes. O //teu// servidor está seguro?

![O centro de dados é onde vive o teu servidor. Mesmo que seja fisicamente seguro, deves verificar também o software!](https://willem.com/global/images/4a3f2a7449c7.webp)

## 1) Instala menos software

A cibersegurança já é difícil que chegue, por isso facilita a tua vida ao instalar menos software. Menos programas, serviços e plugins significam menos coisas com que te preocupar. Na terminologia da cibersegurança, isto chama-se reduzir o vetor de ataque.

### Reduz o teu vetor de ataque:

- **começando com um sistema base mínimo**:  não comeces com um sistema operativo completo e inchado, começa com o mínimo possível e vai registando o que acrescentas

- **instala só o que for mesmo indispensável**: instala as ferramentas, os plugins, as extensões e os programas de que realmente - mesmo - precisas. Sê firme e determinado: menos é mais!

- **verifica as dependências do que instalas**: se instalares seja o que for, confirma as dependências; o software muitas vezes exige outro software (que não queres necessariamente)

## 2) Fecha todas as portas de rede e filtra as que não podes bloquear

As firewalls servem para filtrar o tráfego de rede e vêm de série na maioria dos sistemas operativos. Limita as aberturas que os hackers têm para o teu servidor.

### A configuração da firewall deve:

- **adotar uma política de bloqueio por defeito:** a maioria dos sistemas operativos permite tudo por defeito. Inverte isto e bloqueia tudo, exceto o tráfego que esperas e de que precisas. 

- **verificar a entrada e a saída:** filtra o tráfego de rede que entra e que sai. Assim fica muito mais difícil para os hackers entrarem (e saírem, no caso infeliz de um ataque bem-sucedido).  

- **filtrar as portas abertas:** protege as portas de rede abertas filtrando o tráfego pela origem (endereço IP) e/ou pelo estado, e só permite tráfego vindo de onde esperas que venha. 

## 3) Esconde toda a informação de versão

O software que o teu servidor executa tem versões, muitas vezes um número que indica a data exata em que foi compilado. Os hackers podem usar esta informação de versão para procurar problemas de segurança, vulnerabilidades e fraquezas conhecidos.

### Deixa de ajudar os hackers e remove a informação de versão de:

- **servidores web:** Apache, NGINX, Microsoft Internet Information Services, etc. Verifica o teu servidor analisando os cabeçalhos HTTP.

- **servidores de e-mail:** Postfix, Exim, Dovecot, Sendmail, etc. Estes servidores comunicam muitas vezes a versão num “banner de boas-vindas”, mostrado logo após estabelecer a ligação por SMTP, IMAP ou POP3. 

- **linguagens web:** PHP, .NET, Java, etc. Por vezes estas frameworks e linguagens de scripting acrescentam o seu próprio cabeçalho HTTP (“x-powered-by”) com a informação de versão.

- **WordPress:** plugins, temas, formulários, galerias, lojas online, etc. A informação de versão aparece muitas vezes no HTML gerado ou nos nomes de ficheiros de CSS, JavaScript e imagens. 

- **servidores de ficheiros:** FTP, SFTP, WebDAV, etc. Estes servidores comunicam a informação de versão na saudação, mostrada logo ao ligar, muitas vezes antes da autenticação

- **SSH:** sabias que o OpenSSH comunica por defeito a informação da versão do sistema operativo? 

## 4) Usa autenticação por certificado/chave em vez de palavras-passe

Se os inícios de sessão com palavra-passe forem permitidos, os hackers podem tentar aceder ao servidor repetidamente. Com a capacidade de cálculo moderna é fácil automatizar esta adivinhação, experimentando combinação atrás de combinação até acertar na palavra-passe (força bruta).

### Protege a autenticação:

- **usa autenticação por chave SSH:** uma chave SSH é muito mais longa do que uma palavra-passe normal e contém caracteres diferentes das letras e dos números legíveis comuns. Isto dá mais combinações possíveis, tornando exponencialmente mais difícil para os hackers encontrarem a chave certa. 

- **limita a taxa de autenticação**: torna artificialmente mais lenta a verificação da palavra-passe / chave, reduzindo a velocidade da adivinhação automática

- **bloqueia a adivinhação automática:** exclui os endereços IP que falharam o início de sessão. 

## 5) Verifica e atualiza com regularidade

Hoje em dia a maioria dos ataques é automatizada, os bots andam constantemente a analisar todos os servidores e sites à procura de oportunidades de exploração. A questão não é *SE* te vão encontrar, mas *QUANDO*.

### Cuida do teu servidor:

- **consultando os registos: ** os problemas potenciais tornam-se muitas vezes visíveis antes de acontecer algo realmente grave. Verifica nos registos do servidor se há erros e anomalias; muitas vezes são sinais precoces de problemas. 

- **procurando atualizações: ** quer pelo próprio software do servidor, quer no site do fabricante / do software.

- **atualizando com regularidade: ** não esperes até ser tarde demais, instala as atualizações o mais depressa possível (mas *depois* de as testares!)

![Verifica o teu servidor com regularidade, ou arranja alguém que o faça por ti.](https://willem.com/global/images/82d99c9ffa6b.webp)

## Conclusão

Se puseres estas medidas em prática, podes melhorar muito a cibersegurança do teu servidor. Proteger o servidor significa mais segurança para o teu negócio, para a tua organização e para os dados dos teus clientes.

Nenhum consultor de segurança (com juízo) te vai oferecer garantias: com recursos e determinação suficientes, os ataques serão sempre possíveis. Prepara-te: faz cópias de segurança e cifra os teus dados.

Espero que estas dicas te ajudem. Se precisares de mais ajuda, podes encontrar aqui os meus contactos (https://willem.com) ou conhecer os meus serviços_de_cibersegurança (http://digidef.nl).

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## O tablet como computador principal

*Comparação entre o Microsoft Surface Pro e o iPad Pro* · 2018-03-07 · https://willem.com/pt/2018-03-07_o-tablet-como-computador-principal/

Nas últimas semanas tenho usado o Microsoft Surface Pro como computador principal. É um computador tablet moderno que se pode usar como portátil com a capa-teclado. Com a Surface Pen, é um PC versátil que funciona de muitas maneiras diferentes. Está na hora de descobrir se é bom e como se compara com o meu outro computador tablet, o iPad Pro.

## Microsoft Surface

Há alguns anos que a Microsoft fabrica os seus próprios computadores sob a marca Surface. Os computadores Surface são especiais porque a Microsoft cria tanto o hardware como o software (Windows). Isto permite uma integração perfeita entre a máquina física e os seus bits e bytes.

![A família Microsoft Surface](https://willem.com/global/images/68d001e042d0.webp)

Elogia-se a Microsoft por oferecer com o Surface a melhor experiência Windows possível. A linha de produtos inclui computadores de secretária, portáteis e tablets, todos equipados com ecrãs táteis para permitir diferentes formas de interagir com o PC, para lá do tradicional rato/teclado.

## Surface Pro

Para desenvolver a nova atualização_do_Snake_'97_para_o_Windows_10 (https://willem.com/en/2018-02-21_updating-snake-97/), precisava de um PC que corresse o Visual Studio e tivesse um ecrã tátil. Como gosto de trabalhar com tablets, decidi experimentar o Surface Pro. É a proposta da Microsoft para um computador tablet que também funciona como portátil.

![Microsoft Surface Pro](https://willem.com/global/images/f6628afc3f27.webp)

Tal como no iPad Pro, tens de comprar o teclado e a caneta em separado. Acho isso uma estupidez, é como vender carros sem volante... Bem, pelo menos assim tens mais diversão a desembalar. :-)

![Surface Pro, capa-teclado e caneta, tudo vendido em separado, porque para quê um só pacote se podes ter três vezes mais diversão!?](https://willem.com/global/images/df944dd3e043.webp)

Depois de desembalar é altura de atualizar. Não tenhas pressa nem planeies ir a lado nenhum, porque este processo pode demorar horas. A sério, horas.

![A atualizar... a atualizar... a atualizar... a atualizar...](https://willem.com/global/images/2b84ec46efb8.webp)

Demorou quase 7 horas até eu conseguir usar o meu novo Surface Pro para aquilo para que o comprei.

![O Chromebook demorou apenas alguns minutos a ficar útil depois de desembalado.](https://willem.com/global/images/87b1e93577d0.webp)

O contraste com o meu Chromebook (que comprei e configurei exatamente no mesmo dia) não podia ser maior: o Chromebook estava pronto a usar em apenas alguns minutos.

![Vê o que acontece à minha cara quando me testam a paciência...](https://willem.com/global/images/d71476260d24.webp)

## Windows 10

Depois de um início difícil, as coisas melhoraram depressa. Fiquei surpreendido com o quanto o Windows evoluiu para acomodar ecrãs táteis. No modo tablet, as apps e o menu Iniciar ocupam o ecrã todo. Podes alternar, fechar e combinar apps com gestos fáceis de aprender.

![O Windows funciona surpreendentemente bem no modo tablet](https://willem.com/global/images/8d8808c82806.webp)

Com a Surface Pen podes anotar praticamente tudo, de PDF a páginas web.

![Anota o que quiseres com a Surface Pen](https://willem.com/global/images/ef88493b4d5a.webp)

O conteúdo do ecrã roda de acordo com a orientação do dispositivo. Isto torna a leitura de um documento canja.

![Ler num computador tablet não se limita à secretária, gosto de ler no sofá](https://willem.com/global/images/57f24d186cdf.webp)

## Surface Pen contra Apple Pencil

O ano passado substituí_o_meu_lápis_de_papel_por_um_digital (https://willem.com/en/2017-01-30_ipad-pro-next-to-my-primary-machine/). Ao contrário da Apple Pencil, podes usar a Surface Pen como dispositivo apontador para “pairar” sobre botões, tal como moves o cursor do rato sobre menus e botões.

![Apple Pencil e Surface Pen](https://willem.com/global/images/b583be2aa859.webp)

Além de pairar, a Surface Pen tem dois botões e a opção de a virar ao contrário para a usar como borracha (na maioria das apps). Isto torna a caneta mais versátil do que a Apple Pencil, que é apenas isso: um lápis.

Para descobrir de qual gostava mais, fiz uma comparação direta, desenhando o mesmo trabalho nos dois dispositivos. É interessante notar as diferenças na forma como a digitalização funciona. Achei a Apple Pencil ligeiramente mais precisa, a seguir melhor o meu movimento físico.

Porém, os botões extra da Surface Pen permitiram-me copiar/colar rapidamente certas partes do meu trabalho e passar mais depressa à função de borracha. O suporte integrado é suficientemente firme para inclinar o Surface e usar a caneta em ângulo, ótimo!

![A trabalhar com a Surface Pen e a Apple Pencil](https://willem.com/global/images/3af862234efa.webp)

![O suporte é útil em combinação com a caneta](https://willem.com/global/images/543d686ed89c.webp)

Um truque fácil para compensar imprecisões na digitalização é simplesmente fazer zoom (com o movimento de pinça dos dedos), desenhar a uma escala maior e depois voltar atrás. É uma vantagem que a maioria das pessoas esquece quando passa do papel para o digital. Isto funciona tanto no iPad como no Surface.

![Faz zoom para trabalhar os pormenores com mais precisão](https://willem.com/global/images/6e418543ebfa.webp)

## Tablet como computador principal

Por trabalhar como programador de apps e de web, as interfaces de ecrã tátil são muito importantes para mim. A maior parte do tráfego web (os visitantes dos sites dos meus clientes) vem de telemóveis ou tablets, e os PC tradicionais estão a perder terreno. O meu computador principal deve ter uma interface de ecrã tátil porque não quero limitar-me ao rato e ao teclado. No entanto, o teclado é uma ferramenta essencial para mim quando uso o tablet como computador principal. Tanto o iPad como o Surface têm teclados que se ligam por ímanes.

![Hoje em dia os ecrãs táteis são importantes para desenhar (e testar) interfaces](https://willem.com/global/images/621ab7b3b2e1.webp)

![O Surface e o iPad usados como portátil](https://willem.com/global/images/f50e418b33c1.webp)

O teclado do Surface tem mais teclas (ESC, F1, F2, etc.), retroiluminação e um touchpad integrado. Precisas destes extras porque as apps do Windows, sobretudo as mais antigas, muitas vezes dependem deles. O teclado do iPad, pelo contrário, não tem teclas de função nem trackpad, porque o iOS funciona bem sem rato.

![Escrever num tablet é perfeitamente possível com um teclado físico.](https://willem.com/global/images/ab567780c7ab.webp)

Os dois teclados exigem alguma habituação, mas cumprem bem. Gosto da simplicidade do teclado do iPad, mas prefiro a flexibilidade do Surface para usar o teclado em diferentes ângulos (com o suporte e a “dobra” magnética).

![O teclado do Surface pode ser usado em diferentes ângulos](https://willem.com/global/images/be0de60e4a44.webp)

![O suporte é uma peça de design e engenharia engenhosa, funcional e firme.](https://willem.com/global/images/a76c754627ae.webp)

## Software

Tanto o Windows como o iOS oferecem a sua própria diversidade de apps. Coisas básicas como e-mail, navegação, folhas de cálculo e edição de texto fazem-se igualmente bem em qualquer dispositivo. Graças à web moderna, podes ligar-te às tuas aplicações e serviços web favoritos. A verdadeira diferença está no software mais específico e avançado. Apps como o Photoshop, o Visual Studio e o Xcode não funcionam no iOS.

Mas há muitas boas apps que te permitem desenhar, programar e ser criativo no iPad. A vantagem das apps iOS é que normalmente têm uma interface otimizada para toque que traz formas novas de fazer o trabalho.

![O Autodesk Graphic é uma app fantástica para iOS, uso-a para desenhar ícones e gráficos, com camadas e ferramentas de alinhamento](https://willem.com/global/images/c1af94b818ca.webp)

Para os momentos em que precisas mesmo de um software específico que não tem alternativa adequada no iOS, podes sempre usar o Remote Desktop para te ligares a outro computador. Uso isto para verificar sites no Microsoft Edge e no Internet Explorer a partir do meu iPad.

![É possível usar o Windows no iPad com o Remote Desktop](https://willem.com/global/images/2121c4e027ce.webp)

No Windows tens todas as apps em que consigas pensar. Mas muitas vezes não estão otimizadas para toque, obrigando-te a voltar ao modo tradicional de PC/rato. Para piorar, estas apps tradicionais exigem um processador Intel que consome mais energia (em comparação com o chip do iPad), esgotando a bateria mais depressa.

![Quatro apps a correr em simultâneo graças à multitarefa do Windows, à custa de maior consumo de bateria](https://willem.com/global/images/a79bc46256a5.webp)

![Desenvolvimento de software com o Microsoft Visual Studio num tablet Surface Pro](https://willem.com/global/images/7c77021765e8.webp)

## Conclusão

Embora tanto o Surface como o iPad sirvam para fazer as coisas, são muito diferentes por causa da sua origem diferente. Um é um portátil com funções de tablet, o outro um tablet com suporte de teclado.

Escolher o melhor tablet é como o ditado de não levar uma faca para um tiroteio: depende totalmente do software que precisas (e queres) de usar. Se estás a pensar em comprar um destes dispositivos, o meu conselho é simples: faz isso.

Os dois são ótimos e dão-te formas (novas) de fazer as coisas. Gosto de trabalhar em tablets porque oferecem grande flexibilidade e mobilidade. Em vez de replicar os fluxos de trabalho tradicionais, usar um tablet como computador principal é reimaginar a forma como trabalhas.

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## Criar a bicicleta de deslocações diárias definitiva

*A 35KM/h com Nexus Alfine 8 e Gates Carbon Drive* · 2018-02-24 · https://willem.com/pt/2018-02-24_criar-a-bicicleta-de-deslocacoes-diarias-definitiva/

Este inverno uso uma bicicleta Sensa Cintura com transmissão por correia Gates Carbon como bicicleta de deslocações diárias. Foi pensada para ser agradável de pedalar graças ao quadro leve e desportivo. Também deve exigir pouca manutenção graças à transmissão por correia e ao cubo de mudanças integrado Nexus Alfine 8. Depois de 1800KM em apenas oito semanas, chegou a hora de algumas melhorias.

![Sensa Cintura, tal como a recebi da loja de bicicletas local](https://willem.com/global/images/0955f24c885b.webp)

## Sensa Cintura com transmissão por correia

A Sensa Cintura é uma bicicleta de trekking com as seguintes especificações:

- **Quadro: ** Alu 7005 HydroFormed double butted, soldaduras lisas, para transmissão por correia

- **Garfo da frente: ** Supra tapered 1.5 superlite alloy disc

- **Grupo: ** Shimano Alfine-8 + transmissão por correia Gates CDN + travões de disco hidráulicos Shimano

- **Espigão do selim: ** Supra base line

- **Farol: ** dínamo de cubo + Bumm Lyt

- **Farolim traseiro: ** ilu integrado no guarda-lamas com luz de presença (alimentado pelo dínamo)

- **Avanço: ** Supra competition line

- **Rodas: ** aros Supra TA Pro disc + cubos de disco Shimano

- **Pneus: ** Schwalbe Delta Cruiser

- **Selim: ** Selle Italia Net

- **Cor: ** Matt Ano-Black

- **Peso: ** 13,8KG

É uma bicicleta simpática, com vários componentes desportivos combinados com peças que facilitam a manutenção, como o cubo de mudanças integrado, os travões de disco e a transmissão por correia.

Escolhi esta bicicleta para ser a minha principal durante o inverno holandês, quando a minha bicicleta de estrada normal fica dentro de casa. Antes usava a bicicleta de estrada também no inverno, mas a sujidade, combinada com o sal das estradas (usado quando há gelo), revelou-se mortal para o meu grupo de componentes... resultando em muito desgaste e danos.

![Sensa Cintura vista de trás, não gostei do excesso de marcas nos guarda-lamas](https://willem.com/global/images/7b412540c301.webp)

Embora goste do estilo da bicicleta, não gostei do excesso de marcas nos guarda-lamas (tanto da Sensa como da minha loja de bicicletas local). Depois de testar com cuidado, removi por completo a tinta dos guarda-lamas com uma solução química (depois de os desmontar e retirar outras peças). O resultado é um aspeto muito mais limpo:

![Um aspeto mais limpo graças a marcas menos óbvias](https://willem.com/global/images/003aa3ab76b2.webp)

![Os guarda-lamas de metal combinam bem com o disco e os parafusos da bicicleta](https://willem.com/global/images/b51a103ed1a7.webp)

## Inverno holandês

No inverno nos Países Baixos faz muitas vezes frio, chove e há vento. Se a temperatura chega perto do ponto de congelação, o governo holandês espalha uma camada de sal nas estradas com gelo. A “lama molhada e salgada” na superfície da estrada é mortal para os componentes da bicicleta: provoca oxidação instantânea e desgaste excessivo.

![Na bicicleta durante o inverno holandês](https://willem.com/global/images/34bfd586ee77.webp)

Não escapas a estas más condições se usas a bicicleta para as deslocações diárias. A única coisa que podes fazer é limpar a bicicleta com mais frequência. Mas com as condições holandesas isto torna-se muito trabalhoso, muito depressa.

![Sujidade excessiva depois de uma deslocação “normal” no inverno](https://willem.com/global/images/4378a0bfbdca.webp)

A sujidade chega até ao topo do meu guarda-lamas traseiro. Podes imaginar facilmente como este tipo de sujidade é duro para as peças normais de uma bicicleta, como a corrente, a cassete e o desviador.

![Sujidade no topo do guarda-lamas traseiro](https://willem.com/global/images/c5fe762b91dd.webp)

## Gates Carbon Drive

A bicicleta Cintura vem equipada com o Gates Carbon Drive, uma transmissão por correia que funciona sem óleo para lubrificação. É seca e por isso atrai menos sujidade. Depois de um “passeio sujo” podes limpá-la facilmente com água, sem medo de oxidação.

![Gates Carbon Drive](https://willem.com/global/images/23e947f14601.webp)

Em teoria isto é fantástico, mas na prática revela-se uma história diferente. Com apenas 1800KM notei ruídos estranhos vindos da roda dentada traseira...

![Roda dentada traseira do Gates Carbon Drive com desgaste excessivo após apenas 1800KM](https://willem.com/global/images/428ebaf272b9.webp)

A roda dentada traseira não só ficou ferrugenta, como os dentes de polímero estão muito gastos e alguns partiram-se por completo. É uma qualidade fraca e fiquei muito desiludido com o sistema Gates Carbon Drive.

Afinal a Sensa Cintura vem equipada com a transmissão por correia da linha “CDN” da Gates. É a opção mais barata para ciclistas ocasionais (segundo a Gates), e de certeza não foi pensada para uso intenso em condições salgadas e sujas.

Em vez de ficar desiludido com a Sensa (por escolher a linha CDN) ou com a Gates (por a vender), decidi tomar o assunto nas minhas mãos.

## Passar da Gates CDN para a CDX

Fiquei contente por descobrir que o Gates Carbon Drive CDN, inferior, partilha a mesma forma e o mesmo desenho de roda dentada do sistema premium Gates CDX.

O sistema Gates CDX foi pensado para quilometragens elevadas nas condições mais duras. As peças são compatíveis entre si. Consegui arranjar algumas peças CDX originais numa loja de bicicletas na Alemanha.

![À esquerda a roda dentada CDN de plástico, se olhares com atenção vês os dentes em falta, à direita a roda dentada CDX brilhante de aço inoxidável](https://willem.com/global/images/7af502966145.webp)

![A melhorar a Sensa Cintura](https://willem.com/global/images/7ecf03a31507.webp)

Mudar a roda dentada traseira não é muito difícil. Há muitos vídeos no YouTube, consoante o tipo de cubo traseiro da tua bicicleta (a minha tem Alfine 8).

![A roda dentada traseira Gates CDX instalada](https://willem.com/global/images/6cf98cef1040.webp)

## Pneus

Já que estava com a mão na massa, mudei também os pneus da bicicleta para algo mais desportivo. Troquei os Schwalbe Delta Cruiser por Durano. Estes pneus de estrada resistentes são muito mais leves, mas ainda dão algum perfil e durabilidade.

![Schwalbe Durano](https://willem.com/global/images/139d05b87475.webp)

## Selim e pedais

Para uma pedalada mais desportiva instalei pedais de encaixe (que me permitem “puxar” além de empurrar) e um selim Brooks Cambium C15 que acho que assenta bem na bicicleta.

![Brooks Cambium C15 ](https://willem.com/global/images/f22a57710eaf.webp)

## Shimano Alfine 8

O cubo de mudanças interno exige algum tempo de habituação se normalmente pedalas com um grupo normal de corrente/cassete/desviador. As diferenças entre as mudanças são ligeiramente maiores.

![Shimano Alfine 8](https://willem.com/global/images/fe29b327c8a5.webp)

Isto faz com que a tua cadência seja um pouco mais alta ou mais baixa do que preferias. Mas num país plano como os Países Baixos isso não é problema. Gosto mesmo muito do cubo de mudanças interno Alfine 8.

![Manete de mudanças Shimano Alfine 8](https://willem.com/global/images/aa33d93f7451.webp)

## Conclusão

Depois das melhorias, a bicicleta anda ainda melhor do que antes. O ruído desagradável da transmissão CDN a falhar desapareceu e, graças aos pneus, ao selim e aos pedais desportivos, ando facilmente a 35KM/h.

![A Sensa Cintura melhorada](https://willem.com/global/images/1d107a767ffb.webp)

É uma bicicleta muito boa e, se há uma coisa a reter deste artigo do blogue, é que por vezes tens de fazer tu mesmo (pequenas) modificações para tornar fantástico um bom produto.

![Será a bicicleta de deslocações diárias definitiva?](https://willem.com/global/images/35cf54dccaf3.webp)

## Atualizações:

- Removi_toda_a_tinta_preta_do_quadro_da_bicicleta (https://willem.com/en/2018-06-09_removing-paint-from-a-bike-frame/) para pôr a descoberto o alumínio em bruto que estava por baixo.

- Um_ano_depois,_6000KM_mais_tarde,_o_estado_da_minha_bicicleta_e_do_Gates_Carbon_Drive (https://willem.com/en/2019-02-27_one-year-on-the-ultimate-commuter-bike/) 

- Depois de 21.000KM escrevi outra atualização sobre a bicicleta: lê-a_aqui (https://willem.com/en/2021-01-10_commuter-bike-checkup/).

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## Atualizar o Snake '97

*Sobre os desafios de desenvolver um jogo imensamente popular* · 2018-02-21 · https://willem.com/pt/2018-02-21_atualizar-o-snake-97/

Há uns anos, o meu irmão despejou uma cerveja em cima do meu iPhone num bar de Amesterdão. O coitado não gostou da cerveja holandesa tanto como eu: morreu. Enquanto esperava por um telemóvel novo, usei um velhinho que só sabia enviar mensagens, fazer chamadas e... Snake! Nasceu assim a ideia do Snake '97 e este mês chegou a hora de atualizar o jogo imensamente popular.

![Café 't Pakhuis em Amesterdão, onde o Snake '97 foi "inventado"](https://willem.com/global/images/06e55a3e0198.webp)

## Snake '97

Programei o jogo Snake originalmente em 2011, para iOS. Demorei cerca de duas semanas a criar um protótipo funcional que tinha o aspeto e a sensação do verdadeiro clássico dos anos 90. O meu outro irmão ajudou-me com os gráficos, ao tirar umas macros bem nítidas do meu telemóvel antigo (ainda é uma ideia estranha que tantos de vocês tenham uma cópia do meu telemóvel no bolso).

![Snake '97 a correr num iPhone X, com o aspeto e a sensação do jogo retro de telemóvel dos anos 90](https://willem.com/global/images/ee992b73bb44.webp)

Foi destacado por alguns blogues grandes (https://snake97.com/press/) que fizeram o Snake '97 dominar o topo das classificações por todo o mundo. Hoje joga-se em todo o mundo, está traduzido em 53 idiomas e disponível para iOS, Android, Windows, ChromeOS e macOS.

![Snake '97 a arrasar nas tabelas, ao lado de Angry Birds e WhatsApp](https://willem.com/global/images/13f8f2dd6fc1.webp)

## Era preciso atualizar

Em 2011 só havia um iPhone, o iPhone 4. Como programador, podias ignorar tranquilamente o Android e o Windows Phone ainda nem sequer tinha sido inventado. A vida era tão bela como um programador (preguiçoso) podia desejar: só um tamanho de ecrã.

![iPhone 4, ahhh doces memórias de programador, do tempo em que um só tamanho (pequeno) servia para todos...](https://willem.com/global/images/87b0ccd8c5d9.webp)

Avançando até hoje, a Apple vende atualmente 8 iPhones e há milhões e milhões de dispositivos Android por aí, todos com ecrãs, processadores, memória e versões de software diferentes. Dizer que isto é um desafio é pouco...

Para manter a diversão no Snake '97, tive de atualizar o motor do jogo desde a raiz. De alguma forma, tinha de fazer os gráficos caberem em todos os ecrãs do mundo e compensar as diferenças de capacidade de processamento e de memória....

![Protótipo do Snake '97 a correr em vários dispositivos](https://willem.com/global/images/3da50637eff4.webp)

## Um motor de jogo para os governar a todos

As versões originais do jogo tinham todas o seu próprio motor. Um para iOS, um para Android, um para Windows, etc. Quando lancei o Snake 2k (a variante Snake II do jogo), limitei-me a juntar mais um conjunto de motores. No total, programei 6 motores de Snake diferentes em Objective-C (iOS), Java (Android) e C# (Windows). Manter estes motores a funcionar em dispositivos novos, com ecrãs, processadores e configurações de memória diferentes, tornou-se cada vez mais difícil.

Mas este mês arregacei as mangas a sério. Redesenhei e construí mais um motor de Snake. Só que este foi feito para substituir todos os anteriores. Tem de funcionar em iOS, Android e Windows. Queria um motor preparado para o futuro, para qualquer ecrã e qualquer tipo de entrada (teclado, toque, caneta, gamepad, joystick, o que quiseres).

![A programar o novo motor de jogo e a testá-lo num HMD Nokia 2 com Android](https://willem.com/global/images/8d20b82f1396.webp)

## HTML5 é fantástico

A web alcançou a tecnologia das apps nativas. Foram introduzidas muitas API novas que permitem experiências interativas ricas em muitos dispositivos diferentes. Perguntei-me quão difícil seria fazer o Snake '97 funcionar com tecnologia web. Só há uma maneira de descobrir, por isso comecei.

### Gráficos adaptáveis

Comecei por construir o motor gráfico com base no canvas de HTML5 e num sistema de escala adaptável que tinha desenhado para a versão Android do Snake '97. Em essência, o motor mede o tamanho do ecrã disponível, a orientação e a densidade de píxeis. Traduz automaticamente o material fotográfico de alta resolução para se ajustar ao teu ecrã.

![O mesmo 3310? Olha com atenção e descobre as diferenças entre o iPhone SE e o iPhone X](https://willem.com/global/images/37052d0f8036.webp)

O novo motor gráfico até compensa coisas esquisitas como o notch do iPhone X. Tudo isto acontece numa fração de segundo. Desenhei o novo motor gráfico para reagir também a mudanças no tamanho do ecrã. Agora é possível jogar na vertical ou na horizontal, numa janela ou em ecrã inteiro (ou em ecrã dividido, se estiveres num iPad).

![Jogar em ecrã panorâmico já é possível graças aos novos gráficos adaptáveis](https://willem.com/global/images/98f47b70cb4c.webp)

![Snake '97 a correr como app de ambiente de trabalho no macOS, graças aos novos gráficos escaláveis](https://willem.com/global/images/6848b7ac140f.webp)

### Diferenças de capacidade de processamento

Pensas que um jogo simples não tem de se preocupar com poder de computação? Enganas-te! Num jogo como o Snake, o tempo é essencial. As pessoas jogam com "memória muscular", a repetir os toques no ecrã tátil sem pensar em cada movimento.

O motor do jogo tem de ser previsível, tem de correr de forma constante. Mas, acima de tudo, a experiência tem de ser a mesma, estejas num Android antigo ou num monstro de 6 núcleos como o iPhone X.

![A analisar diferenças de velocidade do jogo com vídeo em câmara lenta](https://willem.com/global/images/a5e27801afbd.webp)

Usei a câmara de vídeo de alta velocidade do iPad Pro para captar o jogo do Snake em câmara lenta. Com o vídeo consegui detetar diferenças de velocidade, fotograma a fotograma. Isto levou a um sistema interno de medição de desempenho (com temporizadores, a contar milissegundos) que ajusta automaticamente a velocidade do jogo, afinada com precisão para o teu dispositivo.

## Controlos: toque, teclado, caneta, gamepad

Os jogadores controlam o Snake com os controlos retro (o antigo teclado de telemóvel). A versão original do jogo para iOS usava UIButtons transparentes fixos que coloquei por cima das fotografias do telemóvel antigo. Um começo simples e eficaz.

Infelizmente, os botões do iOS tinham alguma latência (o que causava atrasos imprevisíveis na resposta) e, claro, não se adaptavam a tamanhos de ecrã diferentes. Literalmente, tive de escrever à mão, no código, as coordenadas novas de cada iPhone novo que a Apple lançou nos últimos anos.... um trabalho nada divertido.

O novo motor usa um truque que desenvolvi para a versão Android: botões virtuais posicionados dinamicamente. Com a informação de escala que o motor gráfico calcula, mantenho dinamicamente uma matriz de coordenadas X e Y correspondente aos botões virtuais. Quando o jogador toca no ecrã, o motor calcula o botão mais próximo com matemática, o teorema de Pitágoras.

![O código real do Snake '97 a calcular distâncias com o teorema de Pitágoras](https://willem.com/global/images/6251dc574a72.webp)

Funciona às mil maravilhas e transforma efetivamente o ecrã inteiro num botão. O jogo é muito mais divertido assim. Além do toque, acrescentei suporte para teclado, para que quem não tem ecrã tátil também possa jogar Snake.

Enquanto trabalhava nos controlos, descobri mais uma pérola do HTML5, a API GamePad. Permite a programadores como eu suportar gamepads, joysticks e outros dispositivos de entrada ligados por USB ou Bluetooth.

![Controlar o Snake com um gamepad da Super Nintendo é fantástico (com um conversor USB SuperSmart-joy)](https://willem.com/global/images/07b9c2f3b1a4.webp)

Suportar gamepads diferentes é um desafio, mas ainda assim divertido. Perdi de certeza um dia inteiro a "testar"... a aperfeiçoar as minhas capacidades com o formidável gamepad da SNES e o adorável analógico do comando DualShock. ("Desculpa, querida, estou a trabalhar...")

![Um truque que o Snake original não conseguia: controlar o jogo com um comando DualShock da PlayStation por Bluetooth, com analógico](https://willem.com/global/images/fa191d607fbb.webp)

## Internacionalização

Se estás a ler isto, provavelmente percebes inglês. Mas uma grande parte do público do Snake '97 não fala inglês. Na verdade, há jogadores em mais de 30 idiomas diferentes. Do espanhol ao russo, do árabe ao hebraico, do alemão ao japonês. Diz um, e o Snake tem-no.

Desenhar uma interface que depende de texto é um desafio se queres servir o mundo inteiro. Os ícones também não são perfeitos (uma imagem pode ter significados diferentes). Como designer de UX, tens de pensar em conceitos usados em todo o lado. Para o Snake, usei ícones de um relógio, um velocímetro, um altifalante e um troféu. São ícones comuns em todo o mundo e foram escolhidos precisamente por isso.

![Design de UX para um público internacional. Desenhar interfaces sem palavras é difícil!](https://willem.com/global/images/12934c0ebe67.webp)

A descrição da app é um texto que mandei traduzir por um serviço profissional de tradução. Alguns outros editores recorrem ao Google Translate, mas eu sei que isso dá resultados péssimos.

## Classificação mundial

Nos anos 90, ganhavas boa reputação na rua se conseguisses uma boa pontuação no Snake. Nas versões originais do Snake '97 só tinhas a tua própria pontuação máxima para bater e, no iOS, podias enviar a pontuação para o GameCenter.

Para a nova versão quis um alcance mais global e introduzi a "classificação mundial". É a nova tabela de classificação integrada, que classifica instantaneamente o teu jogo, comparando pontuações de pessoas de todo o mundo. Há três classificações: de sempre, das últimas 24 horas e da última hora.

![Campeão mundial do Snake '97, mas não por muito tempo...](https://willem.com/global/images/37c761847d86.webp)

As pontuações são processadas por um servidor Intel XEON de 48 núcleos, incrível, com uma quantidade enorme de memória. Corre Debian GNU/Linux, MariaDB, NGINX e NodeJS. Nas horas de ponta, processa mais de 10 pontuações por segundo. A configuração do servidor merece um artigo só para ela, que escreverei mais tarde, por isso fica atento a este blogue se gostas de big data.

![É assim que se vê a nuvem, meninos e meninas. ](https://willem.com/global/images/d31a2077c5a4.webp)

## Transfere agora

Só há uma maneira de descobrir se o meu trabalho valeu a pena: experimenta tu mesmo.

- Android (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.dsd164.snake97)

- ChromeOS (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.dsd164.snake97)

- iOS (https://itunes.apple.com/us/app/snake-97-retro-phone-classic/id438052745?mt=8)

- Mac (https://itunes.apple.com/app/snake-97-retro-phone-classic/id1349761776?mt=12)

- Windows (https://www.microsoft.com/en-us/store/p/snake-97/9nblggh0ccmr)

- Web (https://snake97.com)

Avisa-me se encontrares algum erro, os meus contactos estão aqui (https://willem.com/).

![Snake '97 disponível para transferência gratuita em iOS, Android, macOS, Windows e ChromeOS](https://willem.com/global/images/5234dd3dd7ae.webp)

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## Algo que o smartwatch nunca terá: pátina

*O desgaste feito pelas mãos do tempo* · 2018-01-21 · https://willem.com/pt/2018-01-21_algo-que-o-smartwatch-nunca-tera-patina/

Um bom amigo meu teve um problema com o Apple Watch: a coroa digital perdeu um anel de borracha e o relógio deixou de ser resistente à água. A Apple não fez problema nenhum e ofereceu-se para substituir o "dispositivo". Resolveu o problema dele, mas soou doloroso aos ouvidos de um apaixonado por relógios. Fez-me perceber a única coisa que um smartwatch nunca terá: pátina.

## O que é a pátina e porque é importante?

Os sinais de desgaste que resultam de décadas de uso diário são o que os aficionados chamam pátina. Por mais que pareça contrário à intuição, a pátina nos relógios é considerada desejável.

![Tudor Oyster-Prince Submariner 7924 (de 1959) vendido em leilão por 93 750 $ em 2016 (foto: Christie's )](https://willem.com/global/images/08ac2b8ce8f2.webp)

Os colecionadores adoram o facto de um relógio precisar de tempo para ficar como está hoje. Inúmeros arranhões minúsculos e cicatrizes ocasionais contam a história dos antigos donos. Podes até imaginar que herdas um pouco do machismo de quem o usou antes.

Quando usas um relógio, ligas-te a ele, literalmente. Os sinais visíveis dessa ligação é que tornam a pátina pessoal e única. Quando um relógio antigo é restaurado com um mostrador novo, ponteiros ou outras peças importantes substituídas, perde logo o encanto (e o valor).

## Smartwatches e pátina

Tal como muitos produtos eletrónicos de consumo modernos, o smartwatch só é útil durante pouco tempo, porque é substituído por um modelo melhor, mais rápido e mais recente no prazo de um ano. Continuará a funcionar durante algum tempo, mas avaria ou fica obsoleto por falta de atualizações de software. Simplesmente, o smartwatch nunca envelhecerá o suficiente para desenvolver uma pátina com algum significado.

![O smartwatch Pebble já não tem suporte de software e não desenvolverá pátina](https://willem.com/global/images/77770d30596c.webp)

## Peças de família

A pátina pode ter um valor incrível, mesmo que o relógio não seja assim tão caro. Considero-me sortudo por ter estes três relógios:

![Um Zerdax (dos anos 1960, vale cerca de 100 €), um Citizen (anos 1970, ~ 80 €) e um Seiko (2008, 130 €)](https://willem.com/global/images/9353a98fbcf0.webp)

Estes relógios foram usados pelos meus avôs e pelo meu pai, que já faleceram. Os relógios deles têm todos uma pátina que é só sua. Arranhões, riscos e mossas que foram acumulando no *seu* pulso. Estes sinais do tempo fazem com que estes relógios valham para mim muito mais do que o seu valor monetário.

![Repara nos inúmeros arranhões microscópicos a refletir a luz como nenhum relógio novo faria](https://willem.com/global/images/b9904cd33e18.webp)

![Entre os riscos e arranhões veem-se pelo menos três cores diferentes de pingos de tinta](https://willem.com/global/images/c519712bba02.webp)

![O dourado está gasto, mas o relógio continua a brilhar ao sol](https://willem.com/global/images/3d7b02bad639.webp)

## Conclusão

Quando comparas smartwatches com relógios normais, não te esqueças da pátina. Um relógio normal pode facilmente durar uma vida inteira e desenvolver a pátina correspondente para o provar.

O Apple Watch do meu amigo foi tratado como um "dispositivo" anónimo quando foi substituído por causa da vedação de borracha solta na coroa digital. Imagina a minha reação se o meu relojoeiro "reparasse" o relógio do meu pai substituindo-o... Ficava furioso!

Mesmo que hoje não dês valor à pátina, isso pode ser diferente para a próxima geração. Tenho curiosidade em saber como as gerações futuras vão olhar para as coisas que hoje valorizamos e usamos. Acho que só o tempo o dirá... :-)

![Só o tempo dirá como as gerações futuras olharão para o Apple Watch](https://willem.com/global/images/610d58a1e22c.webp)

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## Lições de um saco de plástico de comida para levar

*A minha antipatia crescente pela obsolescência programada* · 2018-01-08 · https://willem.com/pt/2018-01-08_licoes-de-um-saco-de-plastico-de-comida-para-levar/

Há cerca de cinco meses, comprei comida para levar no restaurante asiático cá do bairro. Embalaram a comida e deram-me um saco de plástico para a levar para casa. A caminho de casa fui a pensar no saco. Apesar de ter uns desenhos giros impressos, foi concebido para uma única utilização. Que desperdício... Fiquei a pensar: quanto tempo duraria se o usássemos todos os dias?

![Saco de plástico do restaurante asiático de comida para levar](https://willem.com/global/images/be0a79d6abf6.webp)

Numa semana normal de trabalho levo muitas vezes almoço de casa. A minha mulher cozinha lindamente e não custa nada comer as sobras ao almoço do dia seguinte. Uso o saco de plástico para embrulhar a caixa (reutilizável) dentro da mochila com que vou para o trabalho, para proteger o resto do conteúdo de possíveis (mas raros) derrames.

![O saco de plástico em ação no trabalho, com comida dentro, a proteger o conteúdo da mochila](https://willem.com/global/images/c4ebbc8d1643.webp)

Como vou para o trabalho de bicicleta (https://willem.com/en/2017-12-02_commuting-by-bike/), o conteúdo da mochila está sujeito a choques e abanões, enquanto encontro a minha dose diária de buracos, lombas e lajes de passeio tortas...

## ... seis meses, 2000KM e a contar!

Adivinha? Passados cinco meses a andar comigo, cerca de 2000KM, continua bom. É claro que há sinais de desgaste (uns buracos aqui e ali), mas o saco ainda é funcional. Está ótimo, podia usá-lo para levar comida para casa tal como quando era novo.

Isto chocou-me um pouco, porque percebi a quantidade absurda de sacos de plástico que deitei fora ao longo dos anos... que desperdício. Mas, mais do que isso, percebi que não se tratava só de sacos. Percebi que muitos outros produtos que uso são como o saco de plástico: concebidos para serem deitados fora.

## Comprar produtos novos

Todos os anos compro um smartphone novo e um computador. Como programador, crio sites e apps. Sempre foi uma decisão óbvia para mim: uso-os para trabalhar, por isso compro-os. Todos os anos.

Normalmente vendo as máquinas "velhas" ou dou-as à família. Mas ao longo dos anos ficaram-me alguns dispositivos. Inspirado pelo saco de plástico eterno, decidi dar uma segunda vista de olhos a estes dispositivos:

### Smartphone

Considera por um momento o seguinte smartphone, com estas especificações:

- ecrã de 4,95" (painel IPS de alta qualidade)

- 1080x1920 píxeis a 445 píxeis por polegada (PPI)

- processador de quatro núcleos a 2,26GHz

- GPS, WiFi, Bluetooth, NFC

- Carregamento sem fios 

- 3G e 4G (rápido)

- As apps mais recentes e melhores disponíveis

... agora adivinha de que ano é este telemóvel? É o LG Nexus 5 de 2013. Esse telemóvel já tem mais de 5 anos!

![LG Nexus 5 a correr a versão mais recente do Chrome (v63)](https://willem.com/global/images/11c4aeaadbc1.webp)

O Nexus 5 ainda é suportado pela Google Play e podes transferir (e usar) apps modernas. Ainda corre a versão mais recente do Chrome. Uso-o para testar apps e sites para o meu trabalho. Pode não ser tão rápido como um iPhone X, mas não é nada mau.

Tal como o saco de plástico, o Nexus aguenta-se perfeitamente. Ainda funcionaria como smartphone hoje.

### Portátil

Outro exemplo: considera este portátil, com as seguintes especificações:

- ecrã IPS panorâmico de 12"

- processador Intel de 64 bits (2,13GHz, vários núcleos)

- 8GB de RAM

- disco de estado sólido (SSD) de 1TB

- Wifi, Bluetooth, LTE/rede móvel

- Autonomia de bateria de mais de 10 horas

... impressionante? Impressionante como um MacBook da Apple dos dias de hoje? Estas são as especificações do meu ThinkPad X200 de.... 2008! Sim, *meus senhores e minhas senhoras*: 10 anos!

![ThinkPad X200 a correr Debian GNU/Linux com OpenBox.](https://willem.com/global/images/8e9408e3241b.webp)

Os ThinkPads são famosos pela durabilidade e facilidade de manutenção. Este X200 é a prova viva. Aumentei a RAM e instalei um SSD (com uma facilidade incrível, só com uma chave de fendas normal).

![Aumentar a memória e o SSD do ThinkPad X200 é fácil. ](https://willem.com/global/images/a8dbfe0dcad0.webp)

Instalei Debian GNU/Linux com OpenBox (um gestor de janelas mínimo e leve) e corre de forma extremamente fluida. O teclado fantástico, em combinação com Linux, continua a fazer desta máquina um terminal perfeito.

## Obsolescência programada

O facto de eu substituir os meus dispositivos todos os anos é o resultado daquilo a que se chama "obsolescência programada". É uma estratégia de design que consiste em fazer produtos com uma vida útil artificialmente limitada. A ideia por trás desta estratégia é reduzir o tempo entre compras repetidas, para aumentar o volume de vendas a longo prazo.

Há alguns tipos de obsolescência programada que podes reconhecer facilmente nos produtos de hoje, incluindo a eletrónica de consumo:

- **Durabilidade forçada**: é uma estratégia para fazer um produto avariar depressa, usando materiais e peças inferiores ou frágeis. *Como: peças de vidro nos smartphones, dobradiças de plástico nos portáteis*

- **Reparação dificultada**: é uma estratégia para tornar um produto difícil de reparar ou de fazer manutenção, selando-o, colando-o ou unindo-o de tal forma que é impossível desmontá-lo. *Como usar parafusos esquisitos ou laminar peças do ecrã*

- **Desejo ditado pela moda**: é uma estratégia para fazer um produto parecer menos desejável, introduzindo novas estéticas em ciclos de moda. *Como cores, formas de ecrã e curvas*

- **Funcionalidade decrescente**: é uma estratégia para fazer um produto perder funcionalidades, excluindo-o das atualizações de software ou limitando as suas funções dependentes da rede. *Como apps que funcionavam perfeitamente e deixam de ser suportadas por causa de uma nova versão incompatível com o teu produto*

## Conclusão: o que levar do saco de plástico da comida para levar

Embora o meu smartphone e o meu portátil antigos ainda funcionem bem, preciso dos dispositivos novos para testar os meus sites e apps. E isso é por tua causa, caro leitor; porque queres que este texto apareça corretamente no *teu* ecrã moderno.

Mas, felizmente, isto só se aplica ao meu equipamento profissional, o mesmo não se aplica a todos os produtos que uso. Coisas como a minha bicicleta, a TV, a mochila, a roupa, os sapatos e vários aparelhos domésticos.

Se há algo que podes levar do meu saco de plástico da comida para levar: pergunta-te se *realmente* precisas do dispositivo mais recente, ou se estás a ser enganado pela obsolescência programada. Sê consciente, fica atento!

Podes poupar muito dinheiro e, ao mesmo tempo, és muito mais simpático para o ambiente.

![Dopper, a garrafa é a mensagem](https://willem.com/global/images/ade1eac2da8c.webp)

Uma forma pequena de começar é deixar de usar garrafas de plástico de utilização única. Arranja uma garrafa decente e reutilizável. Um bom exemplo é a Dopper, recebi uma da minha mulher no meu aniversário. Feita para durar, fácil de limpar e fácil de reparar (as peças vendem-se separadamente e são intermutáveis).

Vamos combater juntos a obsolescência programada!

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## Ir para o trabalho de bicicleta

*Uma semana (240KM) na VanMoof Electrified S* · 2017-12-02 · https://willem.com/pt/2017-12-02_ir-para-o-trabalho-de-bicicleta/

Há alguns anos que vou para o trabalho de bicicleta. Perdi mais de 15KG desde que deixei de usar a scooter. Esta semana testei uma VanMoof Electrified S, uma bicicleta elétrica com um design industrial e minimalista. É boa? Como se compara com uma bicicleta normal? Uma bicicleta elétrica deixa-te preguiçoso? Acompanha-me e descobre!

## VanMoof

Fundada por dois irmãos holandeses, a VanMoof dedica-se a fazer a bicicleta urbana perfeita. As bicicletas são robustas, suficientemente duras para sobreviver à vida na cidade. Muitas das peças (80%) são desenhadas e produzidas pela própria VanMoof. As equipas de design ficam mesmo por cima da loja, perto de toda a ação e no meio da cidade. Eles adoram as suas bicicletas.

![Os fundadores da VanMoof, os irmãos Taco e Ties Carlier](https://willem.com/global/images/e3e837268217.webp)

## Electrified S

A Electrified S é *o resultado* de todos os esforços da VanMoof para desenhar a bicicleta perfeita. É uma bicicleta feita para cidades, para ir para o trabalho, para ir de A a B sem complicações. Tem um sistema antirroubo com localização e luzes integradas. Mas a melhor característica é a bateria escondida e o motor elétrico.

![VanMoof Electrified S, uma e-bike com superpoderes secretos, um foguetão disfarçado de bicicleta](https://willem.com/global/images/f4cfa52e66d2.webp)

![Por dentro da Electrified S: a bateria e a eletrónica estão habilmente escondidas no quadro](https://willem.com/global/images/f2a95e452ec1.webp)

A bicicleta está disponível em preto, cinzento e branco, com várias opções para transportar bagagem. O motor tem 250W de potência, o que significa que não precisas de carta de condução, seguro nem matrícula. Segundo a lei da UE, a Electrified S é considerada uma bicicleta normal, e não um ciclomotor ou scooter como as pedelecs mais rápidas.

### Especificações

- **autonomia** 60KM (modo de potência máxima) ~ 120KM (modo económico)

- **peso** 21KG (medido com o cadeado de corrente)

- **motor** motor de 250W no cubo da roda da frente

- **bateria** bateria de 418WH, integrada no quadro 

- **velocidade** 32KM/H nos Estados Unidos ou 25KM/H nos países da UE

- **carregamento** de 0 a 100% em 6 horas

- **tamanho** adequada a ciclistas de 170 - 210CM

- **pneus** Schwalbe Big Ben em rodas de 28"

- **travões** travões de disco mecânicos à frente e atrás

- **luzes** luzes integradas alimentadas pela bateria, ativadas por sensores

- **corrente e mudanças** corrente totalmente fechada e anti-ferrugem e sistema de mudanças automático SRAM Automatix

- **preço** € 2998 (na altura em que escrevo)

A bateria é a peça mais cara da bicicleta. A VanMoof indica que a bateria dura cerca de 1000 ciclos de carga (depois perde capacidade). Há baterias de substituição por cerca de €600. Esta manutenção obrigatória é algo que deves ter em conta (tal como outros meios de transporte também precisam de manutenção).

## Uma semana na bicicleta...

Normalmente vou para o trabalho de bicicleta, a pedalar cerca de 160KM por semana. Consoante o tempo, uso uma bicicleta de estrada ou uma bicicleta urbana normal. O meu trajeto tem 16KM e faço-o em cerca de 40 minutos. O percurso leva-me por Amesterdão e pelo campo holandês (com muitos campos abertos ventosos, os chamados 'polders').

Tive a oportunidade de testar a VanMoof Electrified durante uma semana e usei-a a fundo. O que poderia atrapalhar-me a andar na bicicleta perfeita?

### ... com o tempo holandês

![Imagem do radar de chuva durante o teste da Electrified S (fonte: knmi.nl)](https://willem.com/global/images/8cd61993c816.webp)

Dizem que não há mau tempo... só mau equipamento. Apesar da chuva, do frio e do vento, peguei na bicicleta e andei com ela nos meus trajetos diários.

![Este sorriso não é por causa do fantástico tempo holandês... é por causa daquele foguetão disfarçado de bicicleta ](https://willem.com/global/images/3a19d2010c3b.webp)

A VanMoof Electrified S transforma um trajeto comum num passeio de prazer! Vais mais depressa e com mais facilidade contra o vento. Isso põe-te a sorrir, a sério!

![Bicicleta holandesa, tempo holandês: a Electrified S aguenta facilmente o escuro, o frio e a chuva!](https://willem.com/global/images/4dc32f2dd921.webp)

### Destrancar a bicicleta

A Electrified S é uma SmartBike, liga-se ao teu smartphone por Bluetooth. Podes destrancar a bicicleta só de lhe tocares (ela deteta a tua presença pelo sinal do teu telemóvel).

![Destrancar a bicicleta com um smartphone](https://willem.com/global/images/23e4266dcc54.webp)

### A app da VanMoof

Além de destrancar a bicicleta, podes usar a app para ver o estado da bateria, o local onde a estacionaste e configurar coisas como as luzes e a velocidade.

![A app da VanMoof](https://willem.com/global/images/8ab2b8fffeed.webp)

A Electrified S está limitada a 25KM/H nos países da UE. No entanto, a app dá-te a opção de a mudar para 32KM/H ou 20MPH (para cumprir as leis dos EUA). A VanMoof recomenda que mantenhas a polícia local contente, respeitando os limites do teu país... uma recomendação que podes escolher ignorar.

### Antirroubo e "Piece of Mind Service"

A bicicleta tem um GSM integrado no quadro, o que permite localizá-la à distância. Serve também de sistema antirroubo com localização. As bicicletas roubadas são rastreadas. Com o seu "Piece of Mind Service", a VanMoof dá-te a garantia de que, se a tua bicicleta for roubada e não puder ser recuperada em duas semanas, a substituem.

![Ao ar livre: a Electrified S](https://willem.com/global/images/6ce115a6c7b1.webp)

## Andar de bicicleta elétrica

A bicicleta anda como qualquer outra: não é preciso aprender controlos especiais nem truques. O motor só entra em ação quando pedalas. Apoia o teu esforço, não se move sozinho. Podes escolher entre 4 níveis de assistência elétrica.

![A andar de VanMoof pelo campo holandês](https://willem.com/global/images/f7727d33bcca.webp)

![VanMoof Electrified S](https://willem.com/global/images/8c09d43aa3a6.webp)

A bicicleta é bem equilibrada e responde bem. O peso extra da bateria e do motor aumenta a confiança que a bicicleta te dá. Parece um tanque, mas é ágil como uma roadster.

A facilidade de uso e a velocidade extra fazem da Electrified S uma bicicleta muito agradável de andar. Nas horas de ponta fui muitas vezes mais rápido do que carros e autocarros.

![Uma vantagem de velocidade que põe a sorrir em relação ao resto do trânsito nas horas de ponta](https://willem.com/global/images/8ffd740ccf82.webp)

### Direção e carregamento

Como o ecrã está integrado no quadro, fica mais protegido contra pancadas de outras bicicletas quando estacionas na cidade. Mesmo por baixo do ecrã tátil encontras o conector de carregamento e um botão para ligar ou desligar a bicicleta manualmente.

![A bicicleta tem um guiador citadino desportivo e um ecrã tátil integrado no quadro](https://willem.com/global/images/0e601d18853c.webp)

![O painel indica a velocidade atual, o nível da bateria e o desempenho do motor](https://willem.com/global/images/999dbe442e25.webp)

![O painel e o conector de carregamento estão integrados no quadro](https://willem.com/global/images/740cc0925e67.webp)

![A porta de carregamento está escondida atrás de uma tampa de borracha. ](https://willem.com/global/images/2c1de5b1fab0.webp)

### Motor elétrico

O motor está integrado no cubo da roda da frente. Parece mesmo um cubo de roda da frente normal, só com um diâmetro ligeiramente maior.

![Motor elétrico no cubo da roda da frente](https://willem.com/global/images/455e4deeb657.webp)

![O botão booster, convenientemente posicionado junto ao polegar esquerdo  ](https://willem.com/global/images/0986841bdbba.webp)

Para os momentos em que precisas de um bocadinho mais de ajuda, podes usar o botão booster. Aumenta (temporariamente) a potência do motor.

Usei-o ao arrancar nos semáforos ou sempre que subia uma ponte. É útil porque te permite usar o sistema elétrico em modo económico (para maior autonomia) e mesmo assim libertar rapidamente os superpoderes elétricos.

### Luzes

As duas luzes estão integradas no quadro. Tal como o ecrã tátil, isto significa que as luzes estão mais protegidas contra pancadas de outras bicicletas. São potentes e cumprem muito bem a sua função.

![A luz da frente está integrada no quadro](https://willem.com/global/images/dcd8dc5d44fc.webp)

![A luz traseira está integrada por baixo do tubo do selim](https://willem.com/global/images/eceeee6deb62.webp)

Uma desvantagem da luz traseira é que, se usares um porta-bagagens traseiro, uma cadeirinha de criança ou um casaco comprido, a luz fica tapada. Outras bicicletas como a Sensa Cintura (https://willem.com/en/2018-02-24_creating-the-ultimate-commuter-bike/) usam uma luz ILU integrada no guarda-lamas traseiro. Dependendo do uso que lhe dês, isso pode ser melhor.

![Luz integrada ILU na bicicleta Sensa Cintura Belt Drive: não fica tapada por bagagem traseira, cadeirinhas de criança nem casacos compridos](https://willem.com/global/images/1cbdf3c77223.webp)

O guarda-corrente 'flutua' à volta da corrente: não está fixo ao quadro. É feito de plástico flexível. Isto torna-o resistente a danos.

![O guarda-corrente em plástico flexível é resistente a danos](https://willem.com/global/images/4836e8544b9f.webp)

### Mudanças

A bicicleta está equipada com um cubo traseiro SRAM Automatix de duas mudanças. As duas mudanças têm uma relação de 1:1 e 1:1,37. A bicicleta muda automaticamente para a segunda a cerca de 18KM/H. Isto é bom quando usas o motor elétrico, mas torna o pedalar sem assistência elétrica muito pesado... o que descobri da pior maneira (quando fiquei sem bateria).

![Cubo de duas velocidades SRAM Automatix: ou se odeia ou se adora](https://willem.com/global/images/9511abada85a.webp)

Um sistema de mudanças manual (como o Shimano Alfine) dá-te mais mudanças e tornaria a bicicleta mais agradável de andar com pouca ou nenhuma assistência elétrica. A Electrified S ganharia se a VanMoof o oferecesse como upgrade opcional.

### Pneus e travões

A bicicleta vem com pneus Schwalbe Big Ben. Como o nome sugere, são pneus grandes e gordos. São ótimos, dão à bicicleta uma tração excelente e reduzem a hipótese de ficares preso nos carris do elétrico...

![Pneus Big Ben da Schwalbe](https://willem.com/global/images/e43147ce4f26.webp)

![Os travões de disco mecânicos não têm problema nenhum em travar-te](https://willem.com/global/images/0711394fd530.webp)

Em combinação com a enorme aderência dos pneus Big Ben, os travões de disco mecânicos cumprem bem a sua função. A bicicleta trava muito bem, mesmo em piso molhado. Numa bicicleta elétrica rápida isto não é luxo, é um requisito absoluto!

### Transportar coisas

A bicicleta que testei só tinha um pequeno compartimento de bagagem usado para o cadeado de corrente. Podes optar por um porta-bagagens à frente ou atrás.

![Cadeado de corrente dentro de um pequeno compartimento de bagagem](https://willem.com/global/images/9bce552575e0.webp)

![O porta-bagagens frontal opcional "bambooman" pode ser bem útil (foto de outra bicicleta, a minha VanMoof S5)](https://willem.com/global/images/4aa427374643.webp)

### Autonomia e ficar sem bateria

Na definição mais potente, a bicicleta tem uma autonomia de cerca de 60 quilómetros. Durante a minha semana fiquei sem bateria uma vez, aos 55KM, com vento forte, o motor parou. Não foi problema, as luzes e o cadeado da bicicleta continuaram a funcionar e segui para casa só com a força das pernas (a andar confortavelmente a 22KM/H).

## Teste: Electrified vs bicicleta normal

Uma coisa que notei logo foi que se sente muito mais frio na bicicleta elétrica (em comparação com uma normal). Rapidamente percebi que é porque vou mais depressa e faço menos esforço. Resolve-se facilmente com boas luvas e um casaco mais quente, mas fez-me pensar: será que ia ficar preguiçoso com a e-bike?

### Medir a frequência cardíaca

Decidi descobrir quanto menos esforço o meu corpo tinha de fazer na e-bike. Para isso, decidi comparar a Electrified S com uma bicicleta normal, outra VanMoof semelhante, mas sem motor elétrico.

![Bicicleta normal (sem motor) vs elétrica](https://willem.com/global/images/4ee4fa7f5b44.webp)

Com um monitor de frequência cardíaca de cintura, medi quanto trabalho fazia o meu próprio corpo. Frequências cardíacas mais altas indicam mais esforço físico.

![Com o Cyclemeter Pro e um Wahoo Tickr medi a velocidade e o desempenho durante o teste](https://willem.com/global/images/dc29cd2256b9.webp)

Andei com as duas bicicletas num circuito aqui perto, com estradas em todas as direções (para compensar o vento). Entre voltas descansei o suficiente para a frequência cardíaca voltar ao repouso. Dei duas voltas em cada bicicleta: uma "a andar descontraído" a ±20KM/H e uma "a toda a velocidade" a ±30KM/H.

![Medição da frequência cardíaca a velocidades diferentes, numa bicicleta normal e numa elétrica](https://willem.com/global/images/ca194f444a77.webp)

- **volta #1**: Sem motor a ±20KM/H ~ 130BPM

- **volta #2**: Sem motor a ±30KM/H ~ >180BPM

- **volta #3**: Elétrica a ±20KM/H ~ 110BPM

- **volta #4**: Elétrica a ±30KM/H ~ 150BPM

Não é surpresa que o teu corpo trabalhe mais numa bicicleta normal. A toda a velocidade, é mesmo intenso, cansas-te depressa. O meu coração chegou aos 195 BPM, considerado muito alto para alguém da minha idade.

![Histograma do tempo e da frequência cardíaca, mostrando durante quanto tempo (% do tempo total) se mediu uma dada frequência cardíaca. (azul é elétrica, vermelho é normal)](https://willem.com/global/images/eedf6df533b3.webp)

O teste mostra que, se andares devagar numa bicicleta elétrica, não estás a treinar assim tanto (indicado pela frequência cardíaca muito baixa). Mas a maior velocidade continuas, de facto, a treinar!

## Conclusão

Depois de uma semana com a VanMoof Electrified S, em que pedalei cerca de 240KM, posso dizer que é, de facto, uma bicicleta muito boa. Ir para o trabalho nesta bicicleta é divertido. A vantagem de velocidade leva-te de A a B mais depressa, o motor potente poupa-te o suor.

A vantagem elétrica torna o trajeto para o trabalho muito mais fácil e com menos esforço físico. Tudo isto enquanto o teu corpo continua a queimar calorias. Se funciona para ti depende, obviamente, de onde vives, mas recomendo vivamente que experimentes!

![Se ainda tens dúvidas: a mobilidade elétrica é o futuro e veio para ficar.](https://willem.com/global/images/9edfc8e27c88.webp)

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## Recolher dados de saúde com o Biostrap

*Um mês com um sensor de fotopletismografia (PPG) de nível clínico* · 2017-11-15 · https://willem.com/pt/2017-11-15_recolher-dados-de-saude-com-o-biostrap/

A maioria dos wearables (smartwatches, pulseiras de atividade, etc.) usa sensores muito básicos para medir a frequência cardíaca. O sinal é binário: limitam-se a contar batimentos. O Biostrap é diferente: em vez de verificar apenas pulsações, capta uma forma de onda PPG de alta fidelidade. São o mesmo tipo de formas de onda que os médicos usam, e fiquei a pensar no que poderia aprender com elas!

## Dados de saúde

Uma coisa que aprendi ao usar um Apple Watch é que gosto de dados de saúde. Podes aprender muito sobre o teu corpo medindo dados biométricos, como a frequência cardíaca. Não é só para atletas; na minha experiência, a frequência cardíaca indica:

- o quão em forma estás

- se és fisicamente ativo 

- como dormiste na noite passada

- que influência têm noites mais longas ou mais curtas

- com que rapidez te recuperas do álcool, de festas ou de drogas

- se estás sob stress (emocional / de trabalho)

As melhores conclusões tiram-se ao longo de um período prolongado. Os resultados são pessoais: o que é bom para mim pode ser totalmente diferente para ti. Depende da idade, do género, da forma física, etc. Acho útil saber que (pequenas) coisas da minha rotina diária afetam o meu bem-estar. Com pequenos ajustes no estilo de vida podes sentir-te muito mais em forma, era tolice não tentar!

## Usar um sensor

No início deste ano usei um Apple Watch, mas, como escrevi aqui (https://willem.com/en/2017-04-30_smartwatches-vs-mechanical-watches/), continuo a preferir um relógio mecânico. Simplesmente não gosto de ter de carregar todos os dias, nem da atenção extra que o computador de pulso exige (vibrações, luzes a piscar, apitos, etc.).

### Conhece o Biostrap

É um exercício de design minimalista: sem ecrã, sem botões, sem vibração, sem sons; é só uma pulseira de borracha que contém um sensor. Usas o Biostrap no pulso (esquerdo ou direito) e podes combiná-lo com qualquer relógio.

![Abrir a caixa do Biostrap: vem bem embalado numa caixa bonita. ](https://willem.com/global/images/d431d11fbb33.webp)

O Biostrap vem numa caixa pequena com três pulseiras de cores diferentes, um carregador, dois sensores e um simpático "Obrigado". Aqui em Amesterdão só o consegues se o encomendares online.

![A caixa contém três pulseiras, cabo de carregamento, carregador e dois sensores](https://willem.com/global/images/77e64ceddc47.webp)

Prepara-te, no entanto, para taxas alfandegárias... importar um dos Estados Unidos não é grátis neste *adorável país sobrecarregado de impostos* chamado "os Países Baixos". Podes encomendá-lo em biostrap.com.

![Tamanho dos sensores do Biostrap comparado com um AirPod da Apple](https://willem.com/global/images/bad36eb149aa.webp)

Há dois sensores pequenos, um que fica no pulso e outro que podes (opcionalmente) encaixar no sapato. Ao combinar os dados dos dois sensores, o Biostrap consegue reconhecer diferentes atividades e treinos. Mas para esta experiência interessava-me o sensor PPG, não usei o sensor do sapato (porque ando muito de bicicleta com vários tipos de sensores dedicados, como cadência, velocidade, potência, etc).

![O sensor PPG de pulso do Biostrap ao lado de um Swatch Sistem 51](https://willem.com/global/images/a8cc29662e04.webp)

![O sensor PPG do Biostrap tem mais ou menos a espessura de um relógio](https://willem.com/global/images/d126ce02dba2.webp)

Comparado com um relógio normal, vês que o sensor de pulso é bem pequeno.

![Em baixo vês os dois LEDs vermelhos e o sensor PPG. Tal como o movimento do Swatch Sistem51, fica escondido quando está no pulso](https://willem.com/global/images/b2e34e39ab0e.webp)

Na parte de trás vês os sensores. Os dois LEDs vermelhos iluminam a carne e o sangue por dentro do teu braço. Entre os LEDs está o sensor, que capta a intensidade da luz vermelha refletida pelo teu braço. Isso permite ao Biostrap captar uma forma de onda do sangue que corre pelo teu corpo. Coisa fantástica, diria eu.

![O Biostrap é quase como um Swatch, leve no pulso por causa do material: borracha e plástico.](https://willem.com/global/images/518d6ab1e50e.webp)

![Biostrap no pulso: agora vês-me...](https://willem.com/global/images/2a72820dd1f3.webp)

![... agora não vês: o Biostrap usa-se bem e passa facilmente por baixo da manga](https://willem.com/global/images/aff50a2476dd.webp)

## Dados

Aproximadamente de 10 em 10 minutos, o Biostrap tenta registar uma forma de onda PPG. Isto só funciona quando estás em repouso. Se te estás a mexer (demasiado), o registo é descartado. Os dados captados são analisados pelos serviços na nuvem do Biostrap.

![Em vez de apenas contar batimentos, os serviços na nuvem do Biostrap analisam a forma de onda PPG captada pelo sensor. ](https://willem.com/global/images/994904d7956e.webp)

Cada batimento é analisado segundo 29 parâmetros diferentes e depois comparado com todos os outros batimentos das últimas 24 horas. Num bom dia, o Biostrap capta cerca de 2000 batimentos, é uma enorme quantidade de dados.

![Painel da app Biostrap para iOS e frequência cardíaca diária](https://willem.com/global/images/a35855c69135.webp)

Acedes aos teus dados através de uma app fácil de usar. Quando a abres, aparece-te um painel com as medições de 'hoje'. Navegas no tempo ou por uma medição biométrica específica (como frequência cardíaca, saturação de oxigénio ou frequência respiratória).

Os algoritmos analisam a forma de onda e determinam não só a frequência cardíaca, mas também a frequência respiratória, a saturação de oxigénio no sangue e a variabilidade da frequência cardíaca (HRV). Esta última é considerada um indicador essencial para medir a saúde biológica (por oposição à cronológica).

![Variabilidade da frequência cardíaca (HRV) medida e explicada pelo Biostrap  ](https://willem.com/global/images/a88ef8df34d7.webp)

A variabilidade da frequência cardíaca (HRV) é relativamente recente e desconhecida de muitos. Mede o intervalo entre batimentos individuais. Quanto maior a variabilidade entre intervalos, mais descansado estás. Uma variabilidade menor pode significar que estás stressado ou cansado em excesso. A HRV tem sido associada a hipertensão, obesidade, diabetes e problemas do sistema imunitário.

![Comparação da qualidade do sono em duas noites diferentes. Acordar mais vezes reduz a qualidade do sono. ](https://willem.com/global/images/97771b6b7344.webp)

O Biostrap está no seu melhor quando estás em repouso: faz análises completas do sono. Dentro da pulseira há um giroscópio que mede o movimento. Deteta o quão parado ficas. Combinado com as medições PPG, dá uma ideia de quão repousante foi o teu sono.

## Conclusões

Com o Biostrap recebes mesmo muitos dados detalhados. Gosto disso, mas pode ser avassalador. É por isso que a app faz parte das análises por ti e dá-te conclusões. Por exemplo, um alerta de que, sempre que tiveres uma má noite, deves levar o dia com mais calma.

Mas, se fores como eu, podes analisar os dados tu mesmo. Podes encontrar conclusões e padrões incríveis. Olha, por exemplo, para este gráfico:

![A recuperação depois de uma quinta-feira à noite pesada pode demorar dias](https://willem.com/global/images/9034203c16e9.webp)

Este gráfico mostra a minha frequência respiratória (o número de respirações por minuto). Menos é melhor, porque significa que estás mais confortável. Vês claramente que aconteceu algo sério na quinta-feira à noite, e as frequências ficaram elevadas durante a semana inteira!

A história por trás deste gráfico é que caí da bicicleta e me magoei. Apesar de não ter partido nada, senti dores durante dias. Isso reflete-se claramente na minha frequência respiratória.

## Limitações

Apesar de gostar mesmo do Biostrap, neste momento é limitado porque só mede bem quando estás em repouso. Não sabe qual é a tua frequência cardíaca durante o exercício. Isto tende a criar um enviesamento ao olhar para as frequências cardíacas médias ao longo do dia. A boa notícia é que a app do Biostrap permite exportar automaticamente os teus dados para o Apple HealthKit.

![Apple HealthKit a agregar dados de diferentes fontes e dispositivos](https://willem.com/global/images/09207d4e4389.webp)

Com o HealthKit consigo agregar os dados de diferentes fontes e dispositivos. Como o meu Wahoo Tickr, que uso na bicicleta de corrida. Imagino que os dados recolhidos agora estarão disponíveis durante muitos anos. Pelo menos enquanto eu continuar a usar o Apple HealthKit... (embora a Apple, de facto, dê uma forma de exportar os teus dados, porreiro!)

![Carregar o Biostrap é fácil: a bateria dura até 5 dias](https://willem.com/global/images/3033656f0863.webp)

A bateria dura cerca de 4 dias, o que me serve, mas mais é sempre melhor. Acho que os sensores de saúde wearable são *mais* um campo a precisar de uma revolução nas baterias. Felizmente, o Biostrap carrega depressa, dos 0 aos 60% em menos de uma hora.

## Conclusão

Preocupo-me muito com a minha saúde. Só tenho um corpo, é melhor tratá-lo bem. Recolher dados biométricos com regularidade ajuda-me a acompanhar o estado do meu corpo.

![Um mês de dados de saúde do Biostrap](https://willem.com/global/images/c4d934460ea9.webp)

Isto é apenas um mês de dados, mas imagina que recolhias anos de dados. Poderias encontrar padrões e diagnosticar problemas antes de teres sequer problemas de saúde. Sobretudo se pudesses comparar os teus sinais vitais com os de outras pessoas, saudáveis e doentes.

Acredito mesmo que, na próxima década, a tecnologia de saúde wearable vai continuar a evoluir para coisas mais pequenas e menos óbvias. Vai tornar-se parte das nossas vidas, porque vai contribuir para percebermos a nossa saúde. De certeza que vou continuar a recolher dados!

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## Da árvore à mesa

*Desenhar e fazer uma mesa de cabeceira* · 2017-10-23 · https://willem.com/pt/2017-10-23_da-arvore-a-mesa/

Mesmo ao lado da casa onde nasci havia uma castanheira que, infelizmente, morreu há ano e meio. Quando foi abatida, o meu irmão guardou-me uma prancha de madeira. Queria fazer algo com ela, uma bela aventura de bricolage, digna de um artigo no blogue!

![A prancha de castanheira em cima da bancada](https://willem.com/global/images/27b64214cde5.webp)

## Desenhar uma mesa de cabeceira

Queria fazer com a árvore algo que usasse com frequência. Acabou por ser uma mesa de cabeceira, uma mesinha ao lado da cama. Para tornar as coisas interessantes, defini alguns objetivos de design:

- usar a prancha de madeira inteira

- não usar parafusos nem metal na estrutura

- a "árvore" deve ficar visível no resultado final

- cerca de 50 centímetros de altura

Antes de fazer fosse o que fosse, medi a prancha de madeira. Com as medidas, concebi um desenho que aproveitava a forma circular da prancha para chegar à altura certa.

![Mesa de cabeceira "Willem.com", desenhada no iPad](https://willem.com/global/images/1f59c6785b48.webp)

A prancha tinha uma grande fenda que tive de contornar. Basicamente, o desenho corta a prancha em quatro peças (mesmo ao longo da fenda). As peças são coladas entre si para criar um "desenho de prancha dobrada". Se fosse bem feito, a ideia era que não precisaria de peças de metal para sustentar a estrutura...

## Alisar a prancha

O meu irmão usou uma motosserra para me tirar esta prancha de castanheira. A motosserra deixou muitas marcas na madeira que tive de alisar.

![A serrar as arestas ásperas](https://willem.com/global/images/e717b7957e3b.webp)

![A lixar a prancha de madeira](https://willem.com/global/images/571618703c8f.webp)

Usei uma Bosch Multitool para serrar e lixar a superfície. Após algumas horas de trabalho, os dois lados da madeira estavam suficientemente lisos para serrar a prancha nas peças definidas pelo desenho.

![A serrar com a multitool](https://willem.com/global/images/69f61bc1fa8e.webp)

![Peças serradas na bancada de trabalho](https://willem.com/global/images/0a6a2955391b.webp)

![A testar o conceito do desenho](https://willem.com/global/images/d17ba6ef1c90.webp)

## Colar tudo

De acordo com o desenho, queria ligar as peças sem qualquer meio visível, sem parafusos nem peças de metal.

![A fazer furos para as cavilhas de madeira](https://willem.com/global/images/841d47337036.webp)

Fiz furos e usei cavilhas de madeira para obter resistência suficiente (em combinação com cola).

![A colar](https://willem.com/global/images/4e53b2582eae.webp)

![Primeiras ligações feitas](https://willem.com/global/images/b00da7d1d6bb.webp)

Depois de colar as duas peças inclinadas, deixei-as a secar ao sol da tarde.

## Verniz transparente

Como produto da natureza, a madeira tem uma textura interessante por causa das suas veias. Nesta árvore em particular, viam-se os "anéis de crescimento" na madeira. Devido às mudanças das estações e do tempo, a velocidade a que a madeira cresce varia de vez em quando. Queria manter estas linhas de vida e escolhi um verniz transparente.

![Duas peças na bancada, pintadas.](https://willem.com/global/images/b711a61aa3d6.webp)

### Uma e outra vez

Depois de aplicar o verniz, lixei a superfície uma e outra vez. De cada vez usei uma lixa mais fina; comecei com 60 e fui até 400.

![A lixar outra vez](https://willem.com/global/images/b12b6b9e06eb.webp)

![Verniz fresco... outra vez](https://willem.com/global/images/4429473db95e.webp)

![... e outra vez](https://willem.com/global/images/29080dd62f67.webp)

## Resultado

Muitas horas depois, o resultado é uma mesa de cabeceira com uma superfície muito lisa e um design original.

![Resultado (desenho totalmente visível)](https://willem.com/global/images/6e6f489021b3.webp)

![Pormenor da superfície lisa](https://willem.com/global/images/93c1840d0aaf.webp)

![As veias da madeira bem visíveis através do verniz transparente](https://willem.com/global/images/df8a7e7a22b8.webp)

![A fazer furos para as rodas](https://willem.com/global/images/68d8c3068a60.webp)

Montei três rodas para a mover com facilidade (e para ganhar um pouco de altura). Escolhi três para evitar que a mesa abane. Usei anéis de metal para poder afinar os ângulos (porque a prancha de madeira não é perfeitamente plana).

![Roda com anel](https://willem.com/global/images/6a12ba6c62e8.webp)

![Resultado na mesa de jardim](https://willem.com/global/images/0150624dde31.webp)

![O acabamento em verniz é fantástico](https://willem.com/global/images/45dbefa83acf.webp)

![Mesa de cabeceira ao lado da cama](https://willem.com/global/images/40c78fa52cc6.webp)

Foi uma experiência interessante fazer design de madeira em modo bricolage. Basta teres calma e não te apressares. Diverti-me imenso e recomendo a qualquer pessoa. Na verdade, diverti-me tanto que provavelmente vou fazer outra!

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## Salvar um MacBook Air com a bateria rebentada

*Não tentes isto em casa, mas eu tentei* · 2017-09-14 · https://willem.com/pt/2017-09-14_salvar-um-macbook-air-com-a-bateria-rebentada/

Ontem à noite tive uma surpresa desagradável: o meu MacBook Air original estava inchado por causa de uma bateria rebentada. Tive de agir de imediato, por razões de segurança e para preservar esta peça da história da informática moderna. Não tentes isto em casa, mas, se o fizeres... continua a ler para umas dicas práticas.

## MacBook Air

Steve Jobs apresentou este MacBook Air na conferência Macworld de 2008. É um MacBook Air original de 2008. Tirou-o de um envelope para demonstrar a sua finura.

![Steve Jobs a apresentar o MacBook Air em 2008, tirado de um envelope simples](https://willem.com/global/images/6a444211bc7c.webp)

Foi um dos primeiros portáteis a dispensar a unidade ótica, a ter poucas portas e a oferecer memória flash de estado sólido. Costuma ser descrito como o projeto original dos portáteis Ultrabook modernos. Era um computador caríssimo, €3600 por este modelo topo de gama com SSD!

![O MacBook Air original: revolucionário pela finura e pela falta de portas](https://willem.com/global/images/e300a9fb99a7.webp)

## Bateria inchada

Quando quis usar este portátil, reparei que a caixa estava inchada e deformada. Suspeitei logo que a causa era uma explosão da bateria, porque há muito poucas outras peças dentro do MacBook Air.

![Este portátil não devia ter uma bossa...](https://willem.com/global/images/b0dc65a92cc8.webp)

![O teclado e a caixa estão deformados](https://willem.com/global/images/8d9bcac8527e.webp)

É muito importante **não** ligar um portátil com uma bateria defeituosa e desligá-lo imediatamente da corrente! Baterias avariadas podem causar incêndios e queimaduras com ácido.

![Aquela bossa não devia estar ali..., e dobra o teclado](https://willem.com/global/images/76ad45d6ed3c.webp)

Deves ir a uma Apple Store para pedir assistência. A Apple leva a sério as baterias que rebentam e oferece ajuda, mesmo que o teu computador já esteja fora da garantia.

## Salvá-lo

Esta máquina em particular significa algo para mim: foi o meu primeiro portátil novo da Apple, usei-o para escrever a minha tese de mestrado e dei-o ao meu falecido pai para ser o seu primeiro computador para aceder à internet. Nenhum computador de substituição serviria, tinha de salvar *este*.

Por isso, sem hesitar, peguei nas minhas chaves de parafusos de precisão e abri o MacBook deformado. Abre-se o MacBook Air retirando a tampa de baixo.

![É possível abrir o MacBook Air retirando a tampa de baixo.](https://willem.com/global/images/243107d2b067.webp)

Quando abres um portátil (ou qualquer aparelho eletrónico), deves lembrar-te de que parafuso saiu de que furo. Eu coloco os parafusos num padrão específico que corresponde à disposição dos furos. Assim posso sempre voltar a pô-los na mesma ordem em que saíram.

![Certifica-te de que te lembras de que parafuso foi para onde... ](https://willem.com/global/images/c22a24752c99.webp)

Tem muito cuidado se suspeitares de danos na bateria. Faz isto num local seguro, onde ácidos ou até fogo possam ser facilmente controlados. Como no exterior, ou perto de um extintor. Nunca toques em químicos que escorram das baterias!

![Os danos no bloco da bateria veem-se claramente](https://willem.com/global/images/d779fb654228.webp)

Depois de aberto, confirmei que o problema era do bloco da bateria: estava inchado e rachado ao centro. Examinei com cuidado a bateria rebentada para ter a certeza de que era seguro retirá-la.

![Inchado e rachado. Procurei cuidadosamente quaisquer fugas.](https://willem.com/global/images/c4fd42293ba7.webp)

Para retirar a bateria, usei uma peça de plástico para desligar os fios da placa lógica do MacBook. Plástico porque não conduz eletricidade e eu não sabia ao certo se havia (loucas) correntes no conector. Mais vale prevenir do que remediar, penso eu.

![Desliguei a bateria da placa lógica com uma ferramenta de plástico (que não conduz eletricidade).](https://willem.com/global/images/deadb40347b6.webp)

Depois de retirada, a deformação vê-se claramente. A caixa unibody do MacBook voltou à forma original depois de eu remover a bateria. Sem a bateria, era seguro ver se o computador ainda ligava.

![Depois de retirada, a deformação do bloco da bateria vê-se claramente](https://willem.com/global/images/9363647beb56.webp)

![Esta bateria está morta.](https://willem.com/global/images/a0da0ca74e2c.webp)

Depois de montar o MacBook outra vez, liguei o adaptador de corrente MagSafe. Demorou algum tempo, mas lá estava ele, o famoso som de arranque da Apple: funcionava!

![O MacBook voltou à vida e cumprimenta-me com o ecrã de arranque.](https://willem.com/global/images/a06c63362cd2.webp)

![O MacOS X concluiu corretamente que não há baterias disponíveis, funciona bem com o adaptador de corrente.](https://willem.com/global/images/8412e2be42ad.webp)

Obviamente, o MacBook agora só funciona ligado à corrente. Para mim não faz mal, porque o uso para converter CDs de música em ficheiros de áudio sem perdas com uma versão antiga do iTunes (escreverei sobre isso noutra altura). Posso sempre usar o Ebay para encontrar outra bateria. Por agora, estou contente por ter salvo este computador.

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## Subir ao Etna

*Uma visita a um vulcão ativo na Sicília, Itália* · 2017-09-02 · https://willem.com/pt/2017-09-02_subir-ao-etna/

Na semana passada fui com a minha mulher à Sicília, para umas pequenas férias de verão. É a maior ilha do Mar Mediterrâneo. É uma região autónoma de Itália, juntamente com as pequenas ilhas à volta. Tem o maior vulcão ativo da Europa: o Etna. Tivemos oportunidade de visitar este monstro que cospe lava e foi toda uma experiência.

## Região vulcânica

A Sicília e as pequenas ilhas à volta têm alguns vulcões muito ativos. A Itália tem os únicos vulcões ativos da Europa continental. Isto deve-se sobretudo ao facto de a Itália ficar perto do limite de duas placas tectónicas. Pensa-se que o magma que sai dos vulcões italianos resulta de rochas empurradas para cima, fundidas pela subdução da placa africana por baixo da euroasiática.

![Panorâmica das placas tectónicas (imagem: USGS)](https://willem.com/global/images/d42d14eb1b32.webp)

## O Etna

O Etna é o maior vulcão ativo da Europa. Tem mais de 3300 metros de altura e uma circunferência na base de 140 quilómetros. É grande e destaca-se claramente na paisagem. Todos os dias sai fumo do seu cume, feito de vapor e gases.

![O Etna é tão grande que se vê do espaço (NASA Earth Observatory)](https://willem.com/global/images/0ec7ae998d59.webp)

Se te aproximares do vulcão, a mudança de paisagem é um verdadeiro espetáculo. Quanto mais sobes, mais extraterrestre o ambiente parece. Podes subir de carro até ao Rifugio Sapienza. É uma estação base de onde podes subir ao vulcão.

![Cratera lateral de 2001, mas, se olhares com atenção, vais reparar em muitas crateras adicionais mais abaixo](https://willem.com/global/images/e453230babb7.webp)

![Terreno acidentado](https://willem.com/global/images/a46a3ead52dd.webp)

![Alpinismo como um profissional... mais ou menos. :-)](https://willem.com/global/images/e83069bf085d.webp)

## Mais de 300 crateras

Perto da estação base há algumas crateras recentes que podes subir. Embora o cume do vulcão se destaque mais claramente, há mais de 300 crateras adicionais por onde o magma já saiu no passado. É incrível perceber isto quando estás no Etna. Estas crateras laterais podem surgir do nada e já o fizeram várias vezes.

![Quanto mais sobes, mais acidentado fica o terreno](https://willem.com/global/images/c935c8003d76.webp)

Do Rifugio Sapienza apanhámos o teleférico até à estação superior, a 2500 metros de altitude. Desta estação superior podes apanhar um autocarro todo-o-terreno especial que te leva até cerca de 2900 metros. A partir daí só podes subir mais com um guia profissional.

![O branco/amarelo no cume do Etna é sulfito, não é ouro... segundo o nosso guia](https://willem.com/global/images/741b5d872a01.webp)

Respira-se de maneira um pouco diferente a maiores altitudes, porque há menos oxigénio, visto o ar ser mais rarefeito. Tens de ir com calma e não te apressares a subir as crateras.

![Só se pode imaginar as forças da natureza ao ver estas crateras. ](https://willem.com/global/images/463b817ece26.webp)

## Deserto vulcânico

A vista é fantástica. O nosso guia explicou que praticamente não há vegetação neste deserto vulcânico. Para onde quer que olhes, há rochas, magma antigo e muito pó. Como o Etna ainda está ativo, vê-se mesmo a diferença entre escoadas de lava "frescas" e antigas.

![Lava fresca, com apenas alguns meses, claramente reconhecível](https://willem.com/global/images/5798343a0f56.webp)

![Estas crateras são o resultado de erupções explosivas de magma](https://willem.com/global/images/240fd6ee0e7c.webp)

A maior parte do terreno é cinzento-escuro ou preto. Algumas partes são mais acastanhadas. Isto deve-se ao facto de, dentro das câmaras magmáticas, todo o tipo de minerais se fundir com as rochas, incluindo elementos como o ferro. Quando o vulcão entra em erupção, esses elementos também saem. A cor castanha que vês é o resultado da oxidação de partículas de ferro dentro do material piroclástico. De certa forma, as rochas estão a enferrujar. :-)

![A cor castanha é ferro oxidado, ou simplesmente "ferrugem"](https://willem.com/global/images/44523864ab91.webp)

## Calor vulcânico

O nosso guia levou-nos para dentro da cratera que entrou em erupção em 2002/2003. Para os humanos já foi há algum tempo, mas à escala geológica ainda é muito recente. A cratera ainda está quente.

![O nosso guia, o Peppe, descobre umas manchas escuras na cratera. Sai vapor dali, sente-se literalmente o calor!](https://willem.com/global/images/8260f3221e11.webp)

![A vista é espetacular.](https://willem.com/global/images/0fbc383ebb5f.webp)

Na verdade, vês fumo a sair de dentro das rochas. É impressionante quando estás ao lado. Sentes o calor com as mãos nuas se afastares um pouco de pó e rochas.

![Não são autocarros típicos. Estes veículos 4x4 servem também de veículos de fuga de emergência em caso de erupção.](https://willem.com/global/images/ebf66d3764c8.webp)

![O cume do Etna](https://willem.com/global/images/06eecea2a244.webp)

![Uma panorâmica das crateras: repara como está atualizada :-)](https://willem.com/global/images/365b08e297f5.webp)

![O Etna](https://willem.com/global/images/48ea8d339072.webp)

Estar no topo de um vulcão é algo que deves fazer se alguma vez tiveres oportunidade. Recomendo vivamente!

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## Nuvens debaixo do meu chão

*Construir um pequeno datacenter na minha cave* · 2017-08-31 · https://willem.com/pt/2017-08-31_nuvens-debaixo-do-meu-chao/

Em casa tenho uma ligação de internet ótica loucamente rápida. É uma ligação de fibra de 600MB de descarga e de envio que chega diretamente a casa (sem cabos de cobre pelo meio). É como uma autoestrada privada da internet. Razão mais do que suficiente para ver se conseguia fazer alguma coisa para aproveitar melhor toda esta fibra veloz...

## Hardware

Tinha algumas peças que me sobraram de quando matei a LAN do meu escritório no mês passado. Podes ler sobre isso aqui (https://willem.com/en/2017-07-31_the-day-i-killed-my-lan/). Sobraram-me uns cabos de rede blindados, umas fontes de alimentação e um servidor de baixo consumo.  Todos os ingredientes para um pouco de engenharia de datacenter caseira.

O servidor começou a vida como um computador de secretária económico (e silencioso). Desmontei-o para tirar a unidade ótica e abrir espaço para mais memória e discos rígidos. Agora tem dois discos de 8TB cada, o que dá uns impressionantes 16TB de armazenamento.

## Software

O computador corre Debian GNU/Linux, o mesmo software que os meus servidores empresariais correm no (verdadeiro) datacenter. Isto é ótimo, porque significa que posso usar exatamente o mesmo software que um servidor normal usaria. (Por exemplo, com muita ação nativa de HTTP, SFTP, SSH e RSYNC!)

## Debaixo do chão

O ideal era o hardware ficar fora da vista, por isso fui à procura de um sítio adequado em casa. O hardware de computador funciona melhor em ambientes secos e frescos. Achei que o espaço por baixo da minha casa cumpria essas condições.

![Por uma escotilha perto da porta de entrada tenho acesso ao espaço debaixo do chão.](https://willem.com/global/images/b466ecfaf16d.webp)

Tem acesso fácil por uma escotilha no chão, perto da porta de entrada. Este espaço serve de amortecedor entre as fundações e a casa. Em algumas casas este espaço não é seco, mas a julgar pela quantidade de pó completamente seco, percebi que aqui não entra humidade há anos.

![Assente em lajes de betão, o PC modificado está ligado à internet](https://willem.com/global/images/9663a6d83ed9.webp)

Para ter a certeza, peguei em algumas lajes de betão e fiz uma torrezinha para levantar a eletrónica do chão. Depois de mais algum esforço, consegui fazer chegar um cabo de alimentação e um cabo de rede ao meu pequeno datacenter acabadinho de montar.

Se estás a pensar fazer isto também, garante que o local é seco. Em caso de dúvida, podes comprar um sensor de humidade por uns euros numa grande superfície. Ou arranjar um que ligues por USB ao próprio servidor. Seja como for: eletrónica e água normalmente não se dão bem...

## Testes

O servidor liga-se ao router através de um cabo Ethernet CAT6 blindado de 1GB. O router Apple Airport Extreme está ligado ao modem de fibra com um cabo CAT6 muito curto. Depois de ligar o servidor e de configurar um pouco o router, estava pronto para um pequeno test drive.

![Ligados um monitor e um teclado para testar os sistemas](https://willem.com/global/images/6a015775189f.webp)

![Uma média de 3,4 milissegundos no ping ao Google. É rápido, velocidade de datacenter. ](https://willem.com/global/images/cac3104b66e3.webp)

O ping ao google.com é rapidíssimo, com uma média de 3,4 milissegundos. Depois decidi ver que velocidades conseguia ao fazer passar dados pelo fio. Para este teste usei o rsync para copiar um monte de ficheiros. A velocidade é fantástica, chegando a mais de 230 megabit, o que presumo ser por causa dos limites físicos dos meus discos rígidos e de algum overhead do software devido à encriptação que uso.

Em apenas uma hora copiei cerca de 104 gigabytes de dados. É uma velocidade absurda, velocidade de datacenter. Se o deixasse a trabalhar a todo o vapor, poderia transferir 2496 gigabytes por dia e uns incríveis 75TB por mês.

A certa altura até contactei o fornecedor de internet, que monitoriza o datacenter, para lhe dizer que o pico de tráfego não era um erro nem um ataque DDOS... era eu e o meu pequeno servidor. :-) Viram o tráfego e agradeceram a explicação.

![Os gráficos do sistema de monitorização da ligação (do datacenter verdadeiro) mostram claramente quando testei o meu pequeno servidor](https://willem.com/global/images/aed0a29d2feb.webp)

## Utilização real

E que tal usá-lo a sério? Decidi usar o meu servidor recém-ligado como cópia de segurança adicional: fazer cópias de ficheiros de produção e de bases de dados dos servidores verdadeiros. Embora a computação na nuvem tenha ficado mais barata nos últimos anos, armazenar big data continua a ser caro (50 € por mês por apenas 10TB).

Nunca faria computação de produção a sério com uma configuração destas. O datacenter é muito mais adequado para isso, porque oferece uma redundância de energia e de conectividade inigualável. Mas para operações não críticas funciona lindamente!

Assim está feito: nuvens debaixo do meu chão.

![Nuvens debaixo do meu chão: o meu pequeno datacenter na cave.](https://willem.com/global/images/1261457404f4.webp)

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## O dia em que matei a minha LAN

*Desliguei a rede local e passei só para 4G* · 2017-07-31 · https://willem.com/pt/2017-07-31_o-dia-em-que-matei-a-minha-lan/

Hoje liguei ao meu fornecedor para cancelar a subscrição de internet ADSL do meu escritório, já não preciso dela. Desliguei a minha rede local e passei a trabalhar só com internet móvel. A simplicidade e a poupança surpreenderam-me tanto que escrevi um artigo sobre isso.

## O homem da internet

Sem dúvida que sou um grande utilizador de internet, desenvolvo aplicações para a internet como profissão. Movo gigabytes de dados todas as semanas. Achavas que, de toda a gente, eu seria quem precisava de uma ligação de internet rápida e dedicada no escritório, certo?

Errado! (Também me surpreendi!) Nos últimos anos o meu fluxo de trabalho mudou. Antes usava uma estação de trabalho local para o trabalho pesado, a descarregar e a enviar muitos gigabytes de dados. Mas agora já não tenho uma estação de trabalho local: uso uma estação de trabalho na nuvem.

Como os meus dados já estão online, não há necessidade de os descarregar nem de os enviar localmente. Isto reduz bastante a necessidade de uma ligação à internet (local) rápida. Continuo a mover muitos dados, mas movem-se "dentro da nuvem", de um servidor de internet rápido para outro.

De certa forma, trabalho agora com a internet como um controlador de tráfego aéreo com aviões. O controlador controla o tráfego, mas não é dono de um aeroporto nem de uma pista.

## O escritório e a sua LAN

O meu escritório em Amesterdão é onde programo e faço desenvolvimento web. Fazem parte dele os seguintes dispositivos e coisas ligadas:

- Ligação de internet ADSL 

- Modem ADSL Telfort (Experiabox V8, velocidade de 100MB de descarga / 10MB de envio)

- Apple Airport Extreme (router / switch de 1GB / wifi de 5GHz)

- Impressora de rede HP Laserjet

- Scanner Canon Canoscan

- Recetor de áudio de rede Onkyo TX-8050

- AppleTV para streaming por Airplay

- TV Samsung HD

- Servidor de ficheiros local de 3TB (NAS)

![Já me sinto velho, a minha fiel e velha rede local (LAN)](https://willem.com/global/images/eb644cecab17.webp)

Antes de desligar a minha LAN, tive de tornar obsoletos todos os dispositivos acima.

### Escritório sem papel

Já tinha passado antes para uma administração digital, a fotografar faturas e a enviar contas em PDF por email. No início deste ano comecei a usar o iPad para esboçar, desenhar e conceber com o Apple Pencil. Já não uso papel e gosto, lê sobre isso aqui (https://willem.com/en/2017-01-30_ipad-pro-next-to-my-primary-machine/). Isto poupa árvores e toner e torna a impressora e o scanner efetivamente obsoletos.

![iPad Pro + Apple Pencil a substituir o papel](https://willem.com/global/images/d51cfc953251.webp)

### Estação de trabalho e ficheiros na nuvem

Desde que comecei a experimentar o iOS como plataforma de produção, passei o meu fluxo de programação e de testes para um servidor privado virtual (VPS) na nuvem. Isto permitiu-me trabalhar a partir de praticamente qualquer dispositivo, incluindo um Apple Watch, como escrevi aqui (https://willem.com/en/2017-02-16_programming-on-apple-watch/). Significa também que já não preciso de um servidor de ficheiros local, foi substituído por um servidor na nuvem.

![Programar no iPad Pro com VIM, Blink e um VPS Linux](https://willem.com/global/images/fa27086768ce.webp)

### AppleTV e TV Samsung

Antes usava uma AppleTV em combinação com uma grande televisão Samsung de 55" para testar e demonstrar conteúdo web. Mostrar as tuas criações a clientes num ecrã grande pode parecer boa ideia, mas com a necessidade crescente de interatividade tátil, esta configuração com a TV tornou-se obsoleta por si só. Hoje em dia os testes e as demonstrações fazem-se nos dispositivos reais, a maioria deles tablets e smartphones.

### Música no escritório

Isto depende obviamente do gosto pessoal, mas de vez em quando gosto de ter música no escritório. Desde batidas house eletrónicas minimalistas (como deepmix.ru) até aos ocasionais riffs de guitarra "destruir-tudo" dos Metallica. O recetor de rede Onkyo é um aparelho versátil, com muitas entradas e saídas. Mas não precisas de todas as suas funcionalidades para ouvir boa música; um simples recetor estéreo em combinação com uma base para iPhone/iPod oferece praticamente a mesma funcionalidade.

![Música a sair do armário do escritório: o iPhone como leitor de música ligado. Um verdadeiro espetáculo de rock, em combinação com o Apple Watch como telecomando.](https://willem.com/global/images/d4d05312ed22.webp)

![Carregar e ouvir música ao mesmo tempo com uma base Apple Lightning](https://willem.com/global/images/373dab715867.webp)

### Conectividade à internet

Com toda esta magia da nuvem a acontecer, preciso de alguma conectividade à internet. Mas tem de ser uma ligação ADSL fixa com um router wifi dedicado? A minha ligação ADSL fixa tem uma velocidade de 100MB de descarga e 10MB de envio. A banda larga móvel 4G+ moderna chega aos 225MB!

O fixe é que o meu operador móvel fornece um cartão SIM extra por apenas 5 € por mês, que aproveita o plano de dados móveis do meu smartphone. Por comodidade uso este SIM separado no meu iPad e no portátil, mas podias dispensar o SIM de dados e configurar antes um ponto de acesso móvel.

## Poupança

O "perigoso" nos dispositivos de rede é que estão sempre ligados. Apesar da baixa potência por hora, o consumo anual pode ser substancial por causa das muitas horas de funcionamento. Vamos fazer umas contas:

- Modem de internet ADSL ~ 10W

- Apple Airport Extreme ~ 9W

- HP Laserjet ~ 10W (em repouso)

- Recetor Onkyo ~ 10W (em repouso, sem tocar música)

- Servidor de ficheiros de rede NAS ~ 35W (em repouso)

- AppleTV ~ 6W

- Smart TV Samsung ~ 0,3W (em standby)

Consumo total contínuo: 80,3 Watt por hora, 24 horas por dia, 365 dias por ano, o que dá um total de 703428 watts. São 703kWh por ano. Os preços atuais da energia nos Países Baixos rondam os 0,20 € por kWh, o que resulta numa poupança de energia de 140 € por ano.

Mas isso não é tudo, também podes terminar a subscrição de internet se já não tiveres rede local. No meu caso, a ligação de internet ADSL da Telfort custa 30 € por mês, ou 360 € por ano.

São **500 €** de poupança por ano no total. Pode não mudar o mundo para uma grande empresa, mas se tens um escritório pequeno como o meu, pode valer a pena; sobretudo porque não te custa realmente nada em termos de funcionalidade. (E, como bónus, ficas com um escritório menos atravancado, com menos fios e aparelhos)

## Limitações

A maioria das ligações de internet móvel tem um limite de dados. Se isso é um problema depende do teu fluxo de trabalho. Eu não chego ao limite porque faço o "trabalho pesado" dentro da nuvem (transferências de dados de internet para internet, em vez de envios do local para a internet). Para a exceção ocasional tenho o wifi de casa, ou posso ir a um café e beber um belo Latte Macchiato enquanto faço coisas de "grandes bytes".

## Conclusão

Estou sempre à procura de formas de cortar custos e, ao mesmo tempo, aumentar a flexibilidade e a produtividade. Matar a minha rede local fez precisamente isso: poupo dinheiro e o meu fluxo de trabalho é agora o mesmo dentro e fora do escritório.

Fico a pensar qual será o próximo passo, trocar o escritório por uma bela praia tropical, talvez? :-)

![Quem sabe... o meu próximo escritório? ;-)](https://willem.com/global/images/e75025769249.webp)

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## Fietselfstedentocht 2017

*Pedalar os 235KM da volta de bicicleta pela Frísia* · 2017-06-30 · https://willem.com/pt/2017-06-30_fietselfstedentocht-2017/

Este mês pedalei a Fietselfstedentocht, uma volta de 235KM pela Frísia. Este percurso leva-te por várias cidades frísias, numa das províncias mais a norte dos Países Baixos. A prova foi organizada pela primeira vez em 1912 e tornou-se lendária pela sua história, pelo desafio e pela popularidade; razões de sobra para um artigo no blogue!

## História: os frísios e as suas onze cidades

A Frísia é uma província especial dos Países Baixos, onde as pessoas têm a sua própria língua (oficialmente reconhecida) e cultura. Parte dessa cultura é a "elfstedentocht", uma prova de 200KM de patinagem no gelo, por canais, rios e lagos, através das onze cidades frísias no inverno. A prova de patinagem foi realizada pela primeira vez em 1890, durante um inverno longo e frio. Desde então a elfstedentocht tornou-se uma prova lendária, em que quem completa os 200KM é considerado um herói, por ter resistido com sucesso aos elementos.

![Elfstedentocht: onde os homens se tornam heróis](https://willem.com/global/images/91fcbb073bcc.webp)

De alguma forma, há mais de 100 anos, uns quantos frísios decidiram que se podia fazer a Elfstedentocht de bicicleta em vez de patins, no verão. Fez-se história: desde então a volta de bicicleta é organizada regularmente. A popularidade chegou aos 12.000 participantes nos anos 1970. A organização mantém um registo de quem completou a prova, e há um reconhecimento especial para quem a terminou com sucesso várias vezes.

![Sneek, 1912: a primeira Fietselfstedentocht](https://willem.com/global/images/89c6653f3c5e.webp)

## Participar

Eu também queria um pouco deste heroísmo "elfsteden". Conseguir uma vaga na partida é difícil: todos os anos há mais gente a querer pedalar do que bilhetes disponíveis. Para conseguires o teu bilhete tens de te pré-inscrever em novembro, e os bilhetes são atribuídos através de um "mecanismo de sorteio". Na primeira ronda não tive sorte, mas em janeiro consegui agarrar o meu bilhete (quando voltaram a emitir os bilhetes não reclamados).

Como a prova começa de manhã cedo, tens de chegar lá a horas. A forma mais fácil é dormir na noite anterior algures nas redondezas. Reservei um hotel em Leeuwarden, o "Postplaza Hotel". Outros ciclistas acampam num dos poucos parques de campismo de Bolsward, onde ficam a partida e a meta.

![O Postplaza Hotel em Leeuwarden](https://willem.com/global/images/5016ebe6ea66.webp)

O engraçado da Elfstedentocht é que a região inteira sabe dela. Por isso também no hotel há instalações especiais para a tua bicicleta e podes combinar um pequeno-almoço bem mais cedo. Servem comida saudável, perfeita para ganhar a energia extra de que precisas para a grande volta.

Os locais fazem dela um dia especial, por todo o lado há multidões a aplaudir e a apoiar os participantes. Uns com música, outros aos gritos de incentivo, outros com cartazes, outros a dançar, outros com disfarces especiais. É realmente diferente de qualquer outra prova de bicicleta que já fiz.

## Partida

Cheguei assim à partida de manhã cedo, a 5 de junho de 2017. Foram só 20 minutos de carro desde o hotel. Estava tudo calmo, fresco, e eu sentia-me pronto para começar os 235KM. Tudo isso mudou quando abri a mala do carro....

![Falta uma coisa... a minha roda da frente!](https://willem.com/global/images/8a4112f16c04.webp)

... se olhares para a fotografia acima vais reparar que falta uma coisa essencial: a minha roda da frente! Esqueci-me de pôr a roda da frente no carro quando saí de casa! Poucas vezes senti uma miséria tão instantânea e tão intensa...

Não ia deixar que a minha tentativa de participar na Elfstedentocht acabasse antes de começar, por isso peguei na bicicleta (em todas as partes que tinha) e fui a pé até à cidade. Não demorou muito até as pessoas repararem em mim. "Ei, não te estás a esquecer de nada?!", perguntavam. Depois aproximou-se um simpático senhor local, já de idade, a perguntar se eu precisava de ajuda. Ele conhecia uma loja de bicicletas que estava aberta (ainda era muito cedo), fomos a pé até lá (por uns atalhos do centro) e agradeci-lhe.

![A bicicleta na "werkplaats" da loja de bicicletas local (neerlandês para oficina)](https://willem.com/global/images/144f1414a202.webp)

Na loja de bicicletas local disseram-me que não era o único, aparentemente há mais gente que faz tolices como esquecer a roda antes de uma volta de 235KM de bicicleta...

Com uma roda da frente nova, acabada de montar, estava pronto a partir (como diziam, a propósito, os autocolantes na montra da loja: assim estava destinado).

![Pronto a partir: preparado para 235KM sobre duas rodas!](https://willem.com/global/images/0193147e360d.webp)

## O desafio dos 235KM

O que tem uma volta longa, ou gran fondo (como dizem os italianos), é que durante a prova as condições podem mudar. De certa forma nunca sabes bem o que esperar. Já fiz voltas longas antes e sei dosear o esforço para conseguir aguentar durante horas.

![Ruas cheias junto aos postos de carimbo ao longo do percurso](https://willem.com/global/images/a01a64c23ba9.webp)

Durante a manhã e o início da tarde houve bastante vento. Pedalar muitos quilómetros pelo campo aberto fez do vento um verdadeiro desafio. Felizmente não era o único participante; com um posicionamento esperto consegui juntar-me a outros ciclistas numa formação contra o vento. Pedalar num "comboio", atrás de outros ciclistas, pode reduzir mesmo o efeito do vento sobre ti. Mas faz questão de apanhar a tua parte do vento, porque não é justo deixar os outros fazer todo o trabalho duro.

![Sim, sou eu. :-)](https://willem.com/global/images/4d71234dea7f.webp)

![Pelo caminho vais recolhendo carimbos das várias cidades frísias. Precisas de um cartão completo para receberes a medalha (Elfstedenkruisje)](https://willem.com/global/images/9ccc81dd18a4.webp)

## Apoio

Havia muita gente ao longo do percurso. Foi fantástico e ajuda de certeza a passar o dia. Neste dia tive apoiantes especiais: a minha mulher com sandes frescas e a minha mãe com uma amiga.

![Apoio especial: a minha querida mulher, Ellen!](https://willem.com/global/images/d01e7f7b0d17.webp)

![Apoio especial: a minha mãe e o amigo dela, Albert](https://willem.com/global/images/c66d554a9ad9.webp)

## Meta

Depois de 8 horas e 41 minutos estava de volta a Bolsward e terminei a prova com uma velocidade média de 27KM/hora (nada mau, tendo em conta o vento!). Foi uma das voltas mais difíceis que já fiz, mas valeu totalmente a pena todo o esforço!

![Meta! Todos os carimbos recolhidos, medalha conquistada e uma bebida para celebrar um dia fantástico!](https://willem.com/global/images/07e1de9c50f9.webp)

![O percurso pela Frísia](https://willem.com/global/images/c61486e7cf2a.webp)

![Estatísticas do Cyclemeter Pro](https://willem.com/global/images/b78cf12dbee3.webp)

E lá estava ela um dia depois, a minha roda da frente original, ainda na garagem lá de casa. No próximo ano levo as duas rodas para a partida. :-)

![](https://willem.com/global/images/7f6fa0a15325.webp)

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## A Besta do Inferno Verde

*Ao volante do Mercedes-AMG GT R* · 2017-05-31 · https://willem.com/pt/2017-05-31_a-besta-do-inferno-verde/

Este mês recebi um convite da Mercedes para ir ao circuito de Zolder, na Bélgica, conduzir "a besta". O Mercedes-AMG GT R, um furioso carro de alto desempenho de cor verde, que ganhou a alcunha no Nürburgring, onde foi desenvolvido. Foi uma experiência incrível, que merece bem um artigo no blogue!

![O Mercedes-AMG GT R no circuito de Zolder, na Bélgica](https://willem.com/global/images/f1ce0f17f2f2.webp)

## Dados técnicos

- 430kW (585CV) às 6250rpm

- 700Nm de binário entre 1900 e 5500rpm

- V8 de 4.0L com dois turbos

- motor central dianteiro, transaxle, caixa de velocidades atrás

- feito de alumínio e carbono

- 0-100KM/h em 3,6 segundos

- velocidade máxima de 318KM/h

- distribuição de peso com ligeiro predomínio traseiro: 47,3% à frente e 52,7% atrás

- aerodinâmica ativa

- direção ativa nas rodas traseiras

![Motor AMG V8 de 4.0L com dois turbos](https://willem.com/global/images/3fe448fad2fa.webp)

## Dia de circuito com a AMG Driving Academy

O dia, cheio de ação, começou com um bom pequeno-almoço, bem cedo, seguido de uma apresentação sobre a história da AMG.

![Pequeno-almoço às 8 da manhã no circuito de Zolder](https://willem.com/global/images/4f3ade08a97e.webp)

Curiosidade: embora a AMG não tenha pertencido originalmente à Mercedes, os fundadores eram na verdade antigos engenheiros da Mercedes-Benz: Hans Werner Aufrecht e Erhard Melcher. Fundaram a AMG depois de o trabalho deles num motor Mercedes especial de alto desempenho ter sido cancelado. O motor deles foi um grande sucesso e ganhou muitos prémios, inspirando a marca inteira. As letras "AMG" significam Aufrecht, Melcher e Großaspach (a terra natal de Aufrecht).

![Mercedes 300 SEL 6.8 AMG de 1971 nas 24 Horas de Spa](https://willem.com/global/images/400eef80ed15.webp)

## Todo-o-terreno 4x4

Depois da apresentação fomos conduzir o Classe G num percurso todo-o-terreno, a explorar as suas capacidades 4x4. O G é um carro fantástico que parece um tanque. O modelo que conduzi era uma edição "Professional", usada pela polícia e pelo exército.

![Mercedes-Benz Classe G: uma potência 4x4](https://willem.com/global/images/1476bc51c5ab.webp)

![O Classe G Professional é bem duro, "a função primeiro"](https://willem.com/global/images/8e59a19c881f.webp)

![O Mercedes-AMG G63 também vem em cores vistosas](https://willem.com/global/images/7fcd5db179c3.webp)

## Passeio panorâmico

A seguir fomos pelo campo belga a conduzir vários modelos AMG, incluindo o A45, o C63S, o SLC45 e o S63 cabriolet. Antes de conduzir cada carro tínhamos de assinar um documento em que assumíamos a responsabilidade por multas de trânsito e afins.. :-)

![Rapaz feliz, a desfrutar da bondade AMG na estrada aberta](https://willem.com/global/images/bd9d89fc9204.webp)

Embora já tenha conduzido diferentes carros AMG, conduzir os vários modelos na mesma estrada, uns logo a seguir aos outros, faz-te perceber melhor as diferenças de dinâmica de condução entre eles. Faz uma diferença enorme conduzir o S63 ou o C63, apesar de ambos serem muito rápidos.

![O C63S é sem dúvida o meu preferido, um monstro em estado bruto com o tejadilho aberto](https://willem.com/global/images/e3d549376e0d.webp)

![Mais alguns pormenores desta máquina brutal que é o C63S](https://willem.com/global/images/59faa8681ee7.webp)

![Se conduzires o AMG GT S sentes-te como Bernd Mayländer (que conduz um Safety Car de F1 semelhante)](https://willem.com/global/images/786146f20faf.webp)

![O S63s parece um navio, um muito rápido... ](https://willem.com/global/images/91f76391ba44.webp)

![O interior do S63s é de topo: detalhes fantásticos, requinte máximo](https://willem.com/global/images/4174438408b5.webp)

![O S63s é muito confortável para os passageiros e tem muito espaço](https://willem.com/global/images/47a7620b9150.webp)

## Táxi de corrida

Depois do almoço fomos ao paddock, pusemos capacetes de corrida e preparámo-nos para ser levados à volta da pista por um piloto profissional. Uau! Aquilo é rápido à brava! Um piloto de corrida trava muito mais tarde, com mais força, e passa nas curvas muito mais depressa do que eu, como condutor normal, me sentiria confortável a fazer. Impressionante!

![Pronto para uma volta à pista com um piloto profissional](https://willem.com/global/images/d9efadc79306.webp)

![Não é o teu táxi habitual... ](https://willem.com/global/images/39543ef1c76c.webp)

## Ao volante do E63S AMG na pista

Depois conduzi o E63S na pista. Tínhamos de seguir um piloto profissional que dava instruções por rádio dentro dos capacetes de corrida. Explicou-nos a trajetória ideal, os pontos de travagem e o ápice da curva.

![Conduzir o E63S na pista põe o sangue a ferver... ](https://willem.com/global/images/df760eb1eaf5.webp)

É muito bom poder conduzir um carro de forma muito mais agressiva, porque na pista não há polícia (nem semáforos, peões, etc.). Faz mesmo diferença e é muito mais divertido por não haver preocupações.

## Agility-X

Seguiu-se um desafio de agilidade em que tive de conduzir o mais depressa possível numa pista pequena e cheia de curvas, com dois carros AMG muito diferentes. O A45 (leve, com tração às quatro rodas) e o S63S (mais pesado, mais potente). Pelas leis da física, o A45, mais pequeno e menos potente, foi mais rápido.

![O A45, menos potente (à esquerda), é na verdade mais rápido no desafio de agilidade do que o S63s (à direita)](https://willem.com/global/images/8bb12ae06640.webp)

## A Besta do Inferno Verde

Chegou finalmente a minha vez de conduzir o Mercedes-AMG GT R, apelidado de "Besta do Inferno Verde". Este carro é a versão homologada para a estrada do carro de corrida AMG GT3. É um carro potente, mas destaca-se mesmo pelo equilíbrio. O motor está à frente/ao centro e entrega os seus 585CV através de um eixo à caixa de velocidades montada atrás. Quanto mais equilibrado é um carro, mais depressa podes passar nas curvas.

![A Besta do Inferno Verde: Mercedes-AMG GT R](https://willem.com/global/images/9f2aba990414.webp)

O carro tem muitas novidades técnicas, é o gadget definitivo sobre rodas. Uau! Que experiência incrível! O carro é furioso, extremamente potente, cheio de força e de ruídos ferozes. E, no entanto, ao fim de duas ou três voltas dá-te confiança para andares cada vez mais depressa. É isso que distingue este carro: é um monstro que se agarra a ti e te faz sentir à vontade.

![Parece faminto.... de velocidade!](https://willem.com/global/images/2024f9cd77b3.webp)

O equilíbrio é fantástico, tens a sensação de que podes entrar em qualquer curva apertada e o carro limita-se a seguir. Pneus a guinchar são sinal de que estás no limite da física... mas por dentro continua a ser um Mercedes confortável. Um que conduzes com uma frequência cardíaca muito acima do normal... :-)

![Por mais duro que seja, o interior do GT R continua a ser de primeira!](https://willem.com/global/images/a13d60ba8268.webp)

A besta verde deixou-me uma marca duradoura! Uau!

*Um agradecimento especial por este dia fantástico à Mercedes-Benz, à Stern Auto Amsterdam e a Bernd Schneider (o tetracampeão de DTM que deu instruções na pista).*

## Galeria

Mais umas imagens espetaculares, toca em qualquer uma para ampliar:

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## Smartwatches vs relógios mecânicos

*Porque continuo a usar um mecânico e porque é que os smartwatches têm potencial* · 2017-04-30 · https://willem.com/pt/2017-04-30_smartwatches-vs-relogios-mecanicos/

A tecnologia percorreu um longo caminho desde o primeiro computador. Os smartwatches de hoje são sobretudo uma conquista da miniaturização. Usei recentemente um Apple Watch Series 2 para descobrir se a tecnologia já avançou o suficiente para substituir o meu relógio mecânico, e hoje partilho contigo as minhas conclusões.

## História do smartwatch

Em 2012 a Pebble lançou no Kickstarter o smartwatch com o mesmo nome. Prometia seguir o smartphone e trazer apps que fazem coisas úteis, mas desta vez mesmo no pulso. Os principais argumentos de venda eram as notificações silenciosas, o acesso ao email e à internet e a personalização infinita através de diferentes mostradores.

![O Pebble original de 2012](https://willem.com/global/images/a65adb8a6d81.webp)

Embora o Pebble não tenha sido o primeiro relógio digital (Pulsar/Seiko) nem o primeiro relógio ligado à internet (Timex Datalink, Fossil WristPDA, Microsoft Spot), foi o primeiro smartwatch moderno, porque se ligava ao smartphone para permitir conectividade bidirecional à internet. Tornou-se a campanha de maior sucesso de sempre no Kickstarter. Fui um dos apoiantes originais do Pebble no Kickstarter, em 2012.

O burburinho em torno do Pebble estimulou certamente os gigantes dos smartphones, Apple e Google, a responder. Em 2014 a Google lançou o Android Wear com o LG G Watch. O Android Wear acrescentou mais opções de entrada e saída à experiência de smartwatch tal como o Pebble a definiu originalmente, à custa da duração da bateria.

![O LG G Watch com Android Wear](https://willem.com/global/images/8984e4eba983.webp)

A Apple apresentou o Apple Watch em 2014, mas só em 2015 o produto ficou disponível para os clientes. O Apple Watch introduziu um sensor de frequência cardíaca integrado, a possibilidade de trocar facilmente de bracelete e a possibilidade de usar o Apple Pay para pagar nas lojas.

![O Apple Watch de 2014](https://willem.com/global/images/42b888a67500.webp)

Hoje o Pebble já não existe e parece que, tal como nos smartphones, a Apple e a Google dominam o mercado dos smartwatches. Como uso sobretudo um iPhone, o Apple Watch pareceu a escolha mais lógica para o meu teste

## Apple Watch (Series 2)

O modelo atual do Apple Watch é o Series 2. É em grande parte uma versão melhorada do Apple Watch original apresentado em 2014, com avanços na duração da bateria, GPS incluído, maior velocidade de processamento e resistência à água. Muitos críticos defendem que é a melhor experiência de smartwatch atualmente disponível (pelo menos se tiveres um iPhone da Apple..).

![O Apple Watch Series 2](https://willem.com/global/images/a818beda4c5d.webp)

Testei o Apple Watch Series 2 (em aço, com ecrã de safira) durante três meses, a usá-lo sempre, exceto quando precisava de carregar. Numa semana normal vou trabalhar, faço ciclismo por desporto, saio para jantar e beber copos, visito clientes e relaxo em casa no sofá. Testei o smartwatch em todas estas situações. Uso também o relógio à noite (para a monitorização do sono e o despertador silencioso) e no duche (para o limpar depois de suar a fazer desporto).

### Design e qualidade de construção

Gostar ou não do design do Apple Watch é obviamente algo pessoal, mas, a julgar pela minha experiência com relógios mecânicos suíços, posso atestar que o Apple Watch é bem construído. A atenção ao detalhe, o toque e o peso são, na minha opinião, prova de que os designers do Apple Watch percebem de verdade de design de relógios.

O tamanho e o aspeto permitem que a tecnologia "desapareça". O hardware sai da frente do software; com o ecrã preto a fundir-se com as bordas, sentes o software e o hardware a agir como um só.

![Estilos diferentes graças às várias opções de bracelete](https://willem.com/global/images/2dc8ad4313e5.webp)

As braceletes dão mesmo personalidade ao relógio; são muito fáceis de trocar (sem ferramentas). Há muitas braceletes diferentes disponíveis. Para carregar o relógio tens de o tirar e ligá-lo a um cabo de carregamento magnético especial. É fácil e o carregamento é rápido (cerca de um % por minuto). No dia a dia, o design e a qualidade do relógio chegam bem para desafiar a maioria dos relógios que existem.

## Vantagens do smartwatch

### Filtragem de distrações

Adoro mesmo poder usar o smartphone para filtrar chamadas, emails e mensagens recebidos e encaminhar para o pulso só o que considero importante. Demora algum tempo a configurar bem, mas quando funciona dá-te a possibilidade de ficares mais afastado do telemóvel (continuando disponível para quem consideras importante, como a família próxima).

Enquanto usava o smartwatch, usei o smartphone com menos frequência. Muitas vezes podia responder rapidamente a mensagens diretamente do pulso, com textos predefinidos ou a ditar as respostas. Em casa costumo pôr o telemóvel na base de carregamento e deixá-lo lá a noite toda.

![Apple Watch no pulso a mostrar a temperatura atual, a hora, a frequência cardíaca e o acesso ao correio, às mensagens e à música](https://willem.com/global/images/a0ee9a8a3284.webp)

Comparado com o smartphone, achei o smartwatch menos distrativo, sobretudo pelo conjunto limitado de funcionalidades e pelo ecrã mais pequeno. Gostei disso sempre que estava a fazer outra coisa, como ler, ver televisão ou ir para a cama.

### Extrair dados dos teus movimentos diários

São interessantes as opções que o smartwatch oferece para quantificar cada movimento teu. Pensa no número de passos, de escadas, nos quilómetros, nas horas de sono, nas horas de pé, nas calorias e na frequência cardíaca. Se dedicares tempo e usares as apps certas para analisar os dados, podes obter informações interessantes sobre ti próprio.

![Comparação de dados de análises do sono (duas noites com um padrão claramente diferente)](https://willem.com/global/images/6a36a0c648d4.webp)

Por exemplo, descobri que, quando bebia álcool, a minha frequência cardíaca média à noite era mais alta, até 30%. Além disso, vi que podiam passar vários dias depois de uma longa noite de festa até as minhas métricas físicas voltarem ao normal. E, tal como o álcool, via claramente o stress do trabalho a contribuir para frequências cardíacas mais altas e noites agitadas.

Ao longo de um período mais longo, os dados recolhidos por um smartwatch podem dar informações realmente úteis e surpreendentes.

### Companheiro de desporto no ciclismo de estrada

Usei também o smartwatch quando fazia desporto (ciclismo de estrada). O relógio pode funcionar em conjunto com o smartphone (e sensores Bluetooth) para recolher dados de velocidade, cadência, frequência cardíaca e distância. Podes combinar e comparar estes dados com treinos anteriores, o que dá uma visão clara da evolução e da forma física.

![Análise de dados desportivos de uma volta de bicicleta](https://willem.com/global/images/c7f6984c025b.webp)

Antes do smartwatch usava um ciclocomputador Garmin dedicado, com um sensor de frequência cardíaca de pulso. A principal vantagem sobre um sistema desportivo dedicado é que o smartwatch continuou a recolher dados depois do treino. Mostrou que podiam passar várias horas até o meu corpo voltar às métricas normais.

## As falhas do smartwatch

### Mais um aparelho que precisa de carregar

O Apple Watch dura cerca de 1,5 dias com uma carga de bateria. Ou seja, tens de o carregar todos os dias. Há quem carregue o Apple Watch à noite, mas eu usava-o para analisar o sono e por isso não o podia carregar de noite. Costumava carregá-lo quando estava no duche ou a tomar o pequeno-almoço ou o jantar. Mas exigia sempre algum planeamento de quando carregar o relógio, o que é irritante. Talvez fizesse sentido um segundo smartwatch, para alternares entre eles e limitares o "tempo de inatividade do relógio"...

![A base de carregamento magnética é uma solução elegante para um problema irritante: a necessidade constante de carregar o smartwatch](https://willem.com/global/images/a4abad8d2ea4.webp)

### Ecrã desajeitado

Na nossa cultura ocidental, consultar o pulso de forma evidente é um sinal social que diz algo como "preciso de ir". Tens mesmo de ter isto em conta quando usas um smartwatch; notificações que chamam a atenção para o teu pulso podem ser interpretadas como má educação.

O ecrã do Apple Watch só acende quando inclinas o pulso ou tocas num botão. Isto torna muito mais difícil ver as horas de forma discreta. É de notar que existem outros smartwatches com ecrãs sempre ligados.

### Software do smartwatch

Durante os três meses de teste tive de atualizar o relógio algumas vezes, resolver alguns problemas de sincronização do email, reiniciá-lo e gerir a instalação e as atualizações das apps do relógio. O software não é perfeito e exige a tua atenção de vez em quando.

Outra desvantagem do software do smartwatch é que o conjunto de funcionalidades fica atrás do dos equivalentes para smartphone, obrigando-te regularmente a usar o smartphone para despachar as coisas. Não consigo deixar de pensar quanto mais útil seria o smartwatch se pudesse fazer tudo o que o smartphone faz.

## A concorrência mecânica

A alternativa ao smartwatch é o relógio mecânico. Existe há muito tempo e vem em diferentes formas e acabamentos. Embora contar a história completa do relógio mecânico esteja fora do âmbito deste artigo, vale a pena focar algumas vantagens do relógio mecânico sobre o smartwatch.

![Um relógio mecânico: Christiaan van der Klaauw](https://willem.com/global/images/41600782da9e.webp)

### Sem necessidade de pilhas

Um relógio mecânico automático recolhe energia através de um peso mecânico (o rotor) que se move dentro do relógio sempre que mexes o pulso. O rotor liga-se, por engrenagens e eixos, a uma mola espiral que armazena a energia. Através do regulador, essa energia armazenada é libertada no movimento do relógio, para que ele continue a marcar o tempo. A beleza desta engenharia mecânica é que não precisas de pilha nem de carregamento elétrico.

![O rotor de corda e o movimento do relógio mecânico, visíveis através do fundo de safira](https://willem.com/global/images/d61b587b12f3.webp)

### Engenharia e design extasiantes

Os relógios mecânicos são por vezes concebidos para resistir a condições físicas extremas (como as profundezas do oceano, o espaço, campos magnéticos), ou desenhados como uma obra de arte, com uma atenção incrível ao detalhe e ao acabamento. Este vasto leque de opções faz da escolha do relógio que usamos algo muito mais pessoal. O relógio que escolhes usar diz algo sobre ti e é uma mensagem em si mesmo.

![O meu relógio mecânico em ação (Milgauss 116400GV zBlue)](https://willem.com/global/images/1aa571e7cd0c.webp)

## Conclusão

Depois de testar o smartwatch, achei os relógios mecânicos melhores relógios (sem necessidade de carregar) e o smartphone um melhor computador móvel (mais funcionalidades).

A única vantagem verdadeira do smartwatch é a extração de dados (atividade, frequência cardíaca, análises do sono, etc.). Infelizmente esta vantagem é limitada pela duração da bateria e pela necessidade frequente de tirar o relógio para carregar (interrompendo assim a recolha de dados).

Espero que o futuro traga dispositivos_focados_na_recolha_de_dados_de_saúde (https://willem.com/en/2017-11-15_collecting-health-data-with-biostrap/), sensores vestíveis concebidos para serem usados por períodos mais longos, sem interrupções. Estes dispositivos serão pequenos, discretos e possivelmente integrados em joalharia clássica (como relógios mecânicos, braceletes, pulseiras e anéis).

Estes dados de saúde serão extremamente valiosos, para os indivíduos mas também para investigação e usos comerciais. Espero que seja o futuro, mas por agora continuo feliz com o meu relógio mecânico.

Related posts:
- [O Apple Watch é o relógio de ferramenta moderno?](https://willem.com/pt/2018-11-02_o-apple-watch-e-o-relogio-de-ferramenta-moderno/)
- [Apple Watch como telefone](https://willem.com/pt/2023-11-10_apple-watch-como-telefone/)

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## Reparar uma Nintendo Gameboy Advance SP

*Cirurgia de chips para jogar o Zelda clássico* · 2017-03-26 · https://willem.com/pt/2017-03-26_reparar-uma-nintendo-gameboy-advance-sp/

Este mês a Nintendo lançou a Switch com o Zelda "Breath of the Wild". A nova consola recebeu críticas positivas. O novo jogo do Zelda é fantástico e pode ser jogado em qualquer lado, graças à portabilidade da Nintendo Switch. Mas está longe de ser o primeiro aparelho da Nintendo com o reino mítico de Hyrule, o Link e a princesa Zelda. Encontrei uma velha Gameboy Advance, perfeita para jogar os jogos clássicos do Zelda... mas precisava de reparação!

## O problema

Quando esta Gameboy é apertada (o que acontece durante o jogo intenso), o sistema reinicia de repente... É mesmo irritante! (imagina estares a lutar contra um chefe terrível, quase a ganhar, e BUM, acontece isto)

![Esta velha Gameboy estava avariada: deixa de funcionar se a "apertares"... sinal de alguma falha elétrica. ](https://willem.com/global/images/d8a1396b33ec.webp)

A Gameboy Advance foi lançada em 2002 e foi a primeira consola portátil da Nintendo com um ecrã com luz. E, mesmo assim, é totalmente compatível com os cartuchos originais da Gameboy. É a máquina perfeita para jogar os Zelda clássicos, pois muitos dos títulos originais da NES foram disponibilizados como títulos de Gameboy Advance.

## Porquê o Zelda: exploração de mundo aberto e aventura

Desde o primeiro jogo do Zelda, em 1986, o jogo permite ao jogador explorar livremente um mundo aberto cheio de aventura. Tu decides para onde ir a seguir e como lá chegar: a andar (por vários caminhos), a correr, a cavalo, a nadar, a navegar, a teletransportar-te e até a viajar no tempo. Pelo caminho, o jogo surpreende-te com desafios aleatórios, personagens interessantes, segredos e puzzles. Isto faz mesmo com que jogar o Zelda pareça uma aventura personalizada.

![O novo jogo do Zelda, "Breath of the Wild", estabelece uma nova referência para jogos de mundo aberto, segundo o popular blogue The Verge. Tem um aspeto fantástico!](https://willem.com/global/images/598b62644bf4.webp)

![À esquerda: uma captura de ecrã original de "Link's Awakening" (1993). À direita: como os fãs sentem a magia. (Arte de fã criada por "einen" em http://einen.deviantart.com) ](https://willem.com/global/images/add74a997e6a.webp)

## Reparar a Gameboy: substituir a placa lógica

Com um pouco de lógica simples, concluí que a Gameboy reinicia porque algo elétrico falha. No início suspeitei de uma bateria com defeito (contacto), mas o problema persistiu depois de verificar a ligação e trocar a bateria. Se não é a bateria, tem de ser outra coisa, mas o quê?

A Gameboy tem muito poucas peças, toda a ação está num único chip: a placa lógica. Achei que, se substituísse a placa lógica, o problema desaparecia. Felizmente é fácil encontrar peças originais no Ebay.

![Obrigado, Ebay: uma placa lógica de substituição original por cerca de 15 €](https://willem.com/global/images/96862d880d3f.webp)

![Com as ferramentas certas: uma chave de fendas triangular tri-wing](https://willem.com/global/images/e5a04d90fb12.webp)

A Nintendo prefere que não se mexa no hardware, por isso usa parafusos especiais para impedir que as pessoas abram as consolas. Deves mesmo usar uma chave de fendas triangular tri-wing para abrir a tua Nintendo, pois usar a chave errada vai muito provavelmente danificar os parafusos.

![Organiza os parafusos à volta de algo fácil de reconhecer (a bateria) para saberes facilmente onde vai cada um dos (diferentes) parafusos ](https://willem.com/global/images/671c95175b7b.webp)

É sempre boa ideia controlar cada parafuso ao abrir aparelhos eletrónicos. Muitas vezes usam-se parafusos diferentes (comprimento, largura) em posições específicas. Aprendi isto à minha custa ao abrir um Apple PowerBook G4 (um portátil com mais de 50 parafusos...). Organizei os parafusos à volta da bateria, algo que reconheço facilmente.

![A Gameboy Advance SP por dentro](https://willem.com/global/images/be7d94d7f56a.webp)

Depois de retirar os parafusos, remove com cuidado a tampa traseira. Presta especial atenção aos botões de ombro (L/R) e de ligar.

![Os botões podem ser retirados facilmente para limpeza](https://willem.com/global/images/b6a8f7f3c8b8.webp)

Ao levantar a placa lógica da Gameboy, tem muito cuidado com o cabo plano que liga a placa lógica ao ecrã. Está preso por duas minúsculas "patilhas" de plástico. Não te esqueças de qual é a placa lógica com defeito... e qual é a nova. :-)

![Design de hardware inteligente: cada botão encaixa exatamente numa só posição e orientação!  ](https://willem.com/global/images/df88f23b6ae4.webp)

Esta é uma excelente altura para retirar os botões da Gameboy e limpá-los. Com o tempo acumulam sujidade e limpá-los é um bónus extra.

Limpei os meus com um pouco de água e detergente da loiça. Certifica-te de que os secas bem antes de os voltares a pôr!

![Encontra as diferenças: a placa lógica original avariada em cima e a de substituição em baixo](https://willem.com/global/images/4f8e69f0fb57.webp)

A minha placa lógica de substituição parece ter um CPU ligeiramente diferente. Vê-se isso pelas diferenças nos números de referência na placa lógica. A minha parece ter um número de revisão de CPU mais alto, o que indica uma placa mais recente. Não é raro o hardware de jogos evoluir durante o ciclo de vida de uma consola, mas felizmente não afeta a jogabilidade ter ou não uma placa lógica mais recente.

Depois de voltares a montar a placa lógica, não te esqueças de prender de novo o cabo plano, os botões e os parafusos.

![Zelda "Link's Awakening" de 1993 na Gameboy Advance SP reparada](https://willem.com/global/images/7c11b16b9da9.webp)

Depois de montar a Gameboy outra vez era hora de ver se funcionava... e funcionou! A reparação foi um sucesso e a Gameboy está de volta ao serviço!

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## Programar no Apple Watch

*A levar a sério experiências malucas* · 2017-02-16 · https://willem.com/pt/2017-02-16_programar-no-apple-watch/

Nos últimos anos as experiências malucas não têm sido novidade para mim, mas desta vez quis mesmo levar a coisa ao extremo: programar num Apple Watch. Será possível escrever código num aparelho tão minúsculo? E para quê o esforço? Este artigo é sobre a razão de ser das experiências malucas e porque é que também deves experimentar!

Há uma semana estava a trocar uns emails com o meu amigo Niels, a contar-lhe esta ideia de usar um iPhone para trabalhar. Ele sugeriu (em neerlandês) que levasse a ideia ao nível seguinte... Apple Watch.

![Mensagem do meu amigo Niels, a sugerir que leve a minha ideia de "trabalhar num smartphone" ao nível seguinte, com direito a maqueta em Photoshop. ](https://willem.com/global/images/91b808d07886.webp)

Enquanto ele usava as suas brilhantes capacidades de Photoshop, eu usei o Xcode, os meus conhecimentos de Linux, SSH, VIM, a rede local, um teclado bluetooth, um Apple Watch a sério, algum tempo e paciência.... e o resultado foi esta prova de conceito:

![E foi o que fiz! Programar no Apple Watch com VIM, SSH, um teclado Bluetooth e café. ](https://willem.com/global/images/a91c01a62961.webp)

![Código de programação a sério, Apple Watch a sério. Sem Photoshop. ](https://willem.com/global/images/a168f98b960f.webp)

## Como funciona (para totós)

Criei uma pequena app para o Watch que se liga a um computador externo onde corre o software de desenvolvimento. O teclado está ligado a esse computador externo, para que eu possa mesmo escrever código. O princípio é simples e pode comparar-se à app Câmara que vem por defeito no relógio: usas o relógio como visor da câmara do iPhone. Esta app do Watch é como um "visor" para código de programação.

## Como funciona (para quem percebe de tecnologia)

Na rede local corro um pequeno servidor NodeJS numa máquina Linux que tira capturas de ecrã de uma sessão de shell onde corre o meu editor de código preferido, o VIM. O teclado está ligado a este portátil por Bluetooth. No Watch criei uma app simples que vai buscar uma nova captura de ecrã de poucos em poucos segundos e a mostra em ecrã inteiro. É uma prova de conceito, nada digno da AppStore (há bastante latência entre atualizações, mas funciona). Se estás a pensar construir isto, procura *WKInterfaceImage*, *UIImage*, *NSURLSession* e *dataTaskWithURL*

![A fonte da magia: o meu ThinkPad X1 ligado à rede local.](https://willem.com/global/images/caa603c5520c.webp)

## Porquê

Experimento regularmente, porque me permite aprender sobre a forma como faço as coisas. As experiências obrigam-me a repensar coisas que dou por adquiridas ou normais. Em muitos aspetos, **"a caçada é melhor do que a captura"**.

Experimento ativamente com hardware e software novos, só para me manter atualizado e aprender coisas novas. Em 2008, poucos meses depois de a AppStore ser lançada, fui dos primeiros a começar com o desenvolvimento para iOS. Mesmo sem o potencial ser claro, aprendi e experimentei com a tecnologia. A minha experiência inicial ajudou-me a programar a app Snake (www.snake97.com) '97 em 2011, outra ideia maluca que se revelou um jogo com *20 milhões de transferências*... :-))

![Snake '97: a ideia original e as estrelas do jogo, os Nokia 5110 e 3310. Possível graças a experiências anteriores com a tecnologia](https://willem.com/global/images/d260e207062a.webp)

## O que aprendi

Portanto, em vez de perguntares "Porquê?", é melhor perguntares "O que aprendi?". Bem, bastantes coisas, na verdade:

- **Passa o teu ambiente de programação para o terminal:** Aposta no texto, larga o IDE (como o Visual Studio) e aprende a usar bem o VIM (ou o emacs) com atalhos de teclado. Estas ferramentas funcionam praticamente em *qualquer* aparelho e não exigem um sistema operativo proprietário. 

- **Adeus, rato:** mantém os dedos onde escreves código, no teclado. Em vez de procurares o rato, usa o teclado (atalhos). Pode demorar algum tempo a conhecê-los, mas no fim és *muito* mais rápido. Para além da velocidade, ganhas também a possibilidade de usar qualquer ecrã, porque mais aparelhos suportam teclados do que ratos (pensa em consolas de jogos, smart TVs, AppleTV, aparelhos à moda antiga)

- **Usa os píxeis com sabedoria:** Se te limitares a um ecrã pequeno, és obrigado a pensar melhor em como usar os píxeis. Precisas mesmo de todas essas barras de ferramentas sempre visíveis? Quantos menos elementos de interface permanentemente visíveis, mais espaço tens para o conteúdo em si.  Menos distração, mais foco.

- **Escreve melhor código:** Para manter as coisas legíveis num ecrã pequeno, aprendes a prestar mesmo atenção à estrutura do código, à lógica das funções e aos nomes. Os ecrãs pequenos incentivam linhas de código mais curtas e corpos de funções mais compactos. Obriga-te a simplificar e a encurtar, a repetir-te menos. Estas vantagens aplicam-se também a ecrãs maiores. 

- **Já não precisas mesmo de um PC:** Se é possível num Watch, pensa nos outros aparelhos que levas contigo, como o smartphone e o tablet. Conseguir usar melhor o(s) teu(s) aparelho(s) móvel(is) vai tornar-te menos dependente dos PCs tradicionais. 

- **O Apple Watch tem potencial: ** Antes, programadores do Facebook já conseguiram (http://www.theverge.com/tldr/2015/10/2/9443491/doom-apple-watch-new-apple-tv-port) pôr o famoso jogo 3D Doom a correr no Apple Watch. Também eu aprendi que o aparelho tem um potencial sério. Começo a achar que o Apple Watch é muito mais um "computador móvel sempre presente" do que algo para comparar com um relógio mecânico tradicional. 

![Sentir-me móvel: este artigo foi criado com um iPhone, um teclado e um pouco de café! Sem PC!](https://willem.com/global/images/4b4f8a31a75a.webp)

## Conclusão

Esta experiência toda empurrou-me mesmo para a frente em computação móvel. Aprendi a otimizar o meu conjunto de ferramentas e a minha forma de trabalhar. Na verdade, este artigo inteiro foi criado num iPhone, incluindo as fotografias (tirá-las, cortá-las), e não me pareceu estranho de todo. Adoro, porque torna tudo mais fácil, e isso fez esta experiência valer a pena

### Bónus: Nokia Communicator e Jolla

Enquanto escrevia este artigo, pensei se os meus velhos Nokia Communicator ainda funcionariam. Depois de mexer um pouco nas baterias velhas, consegui pôr o E90 e o 9300i a funcionar. Com o Putty e wifi 802.11b, consegui ligar-me ao sistema de desenvolvimento acabado de criar que usei para esta experiência com o Apple Watch. Adivinha? Funcionou na perfeição. Quem precisa de um telemóvel novo? :-)

![Desenvolvimento multiplataforma bem feito: Nokia Communicator E90 com Symbian series 60 de 2007, Nokia 9300i com Symbian series 80 de 2004, telemóvel Jolla com SailfishOS e o curioso meio teclado (tohkbd), e o iPhone 7.](https://willem.com/global/images/6870b8e5577e.webp)

![Nokia E90 Communicator a correr o Putty em Symbian Series 60.](https://willem.com/global/images/f19e6557543c.webp)

![Nokia 9300i, oficialmente não é um communicator, mas mesmo assim um aparelho com opções avançadas de comunicação móvel para a sua época (2007). A correr o Putty em Symbian Series 80.](https://willem.com/global/images/ef24cdb8830e.webp)

![Multiutilizador, multiecrã. Dois Nokia Communicator (E90/9300i) ligados em simultâneo ao meu ambiente de trabalho com o Putty.](https://willem.com/global/images/2786e0481cad.webp)

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## iPad Pro ao lado da minha máquina principal

*Usá-lo com o Apple Pencil como uma potência criativa* · 2017-01-30 · https://willem.com/pt/2017-01-30_ipad-pro-ao-lado-da-minha-maquina-principal/

Queria ver se encontrava algo melhor do que o meu velho lápis e papel, que uso para conceber software como programador profissional. Já conhecia o iPad Pro do meu teste do verão passado, para perceber se podia substituir a minha máquina principal de desenvolvimento. Embora talvez não consiga substituir por completo o meu fiel ThinkPad, a história revelou-se totalmente diferente quando se trata de papel.

![Um desenho típico meu quando concebo software](https://willem.com/global/images/64bad261760f.webp)

## Alargar e melhorar os meus pensamentos com papel

Uso papel para apontar ideias e, quando o faço bem, consigo melhorar e alargar os meus pensamentos originais. Com lápis e papel consegui conceber algumas das melhores coisas que criei como programador profissional. Gosto de papel porque não tem distrações e, sempre que usas uma folha em branco, parece um novo começo (de algo potencialmente fantástico).

### O problema do papel

Por natureza da sua forma física, uma folha de papel só pode estar num sítio ao mesmo tempo. Tens de a levar contigo quando vais a algum lado, juntamente com um lápis e uma borracha. Parecia um pouco tolo: o meu smartphone faz todas estas coisas fantásticas e eu a andar com bocados de árvores mortas cortadas em fatias...

### O problema do desenho e das notas digitais

Então, porque não larguei o papel há muito tempo, quando tive o meu primeiro portátil ou smartphone? É porque me sinto limitado por um teclado físico, que me obriga a usar palavras para exprimir as minhas ideias e pensamentos. E embora seja possível desenhar com um rato, sinto demasiada distância entre mim (a minha mão no rato) e o desenho (no meu monitor) para realmente gostar.

## Apresento o iPad Pro com Apple Pencil

As minhas melhores ideias nascem da manipulação direta, instantânea e sem distrações. Antes usei o iPad Pro numa experiência como computador principal, sobre a qual podes ler aqui (http://willem.comhttps://willem.com/en/2016-08-15_ipad-pro-as-primary-computer/). Apesar de não ter conseguido substituir o meu computador principal, gostei do lápis e da app de notas digitais. O Apple Pencil assenta-me mesmo bem e, se desativares as notificações, o iPad quase não distrai, com o seu design industrial minimalista.

![Rabisco inicial para ver como responde o lápis](https://willem.com/global/images/359a7faa0215.webp)

A resposta do Pencil é muito direta e precisa. Graças à alta resolução do ecrã retina do iPad, a tinta digital é representada de forma convincente. A app de notas normal da Apple faz um ótimo trabalho, mas há poucas apps que simulem diferentes ferramentas de desenho, como tinta e lápis mais grossos.

## Conceber software com o iPad Pro e o Apple Pencil

Decidi simplesmente começar a usar o iPad para fazer o meu trabalho de design, para ver se gostava.

![A usar o iPad para conceber algo, com café](https://willem.com/global/images/02d7d95ee305.webp)

Se usares a imaginação para fazer desaparecer a moldura, usar o iPad pode ser como usar uma folha de papel. Integra-se muito bem por causa das suas dimensões físicas.

O software pode ser configurado para sair do caminho, e o brilho e o equilíbrio de brancos podem ser ajustados ao ambiente. A Apple chama a isto "ecrã True Tone", e funciona mesmo.

## Para além do papel tradicional

Como o iPad é digital, torna-se possível partilhar os meus desenhos com os meus clientes, sincronizá-los entre os meus aparelhos e tê-los automaticamente com cópia de segurança. É uma grande vantagem em comparação com o papel tradicional.

Pouco depois dos meus primeiros rabiscos, habituei-me ao Apple Pencil e a minha escrita e o meu desenho melhoraram. Comecei a experimentar a régua, diferentes ferramentas e cores.

![Comecei a usar a régua e a cor](https://willem.com/global/images/56e24c8ef0a0.webp)

Mas talvez uma das vantagens mais surpreendentemente fixes seja a função de anular. Permite desenhar algo e removê-lo instantaneamente. Pode parecer óbvio, mas isto é muito difícil no papel tradicional, pois uma borracha é muito mais desajeitada e remove tudo em que toca.

![Branco sobre azul](https://willem.com/global/images/6bb7d6aff7a5.webp)

Antes tinha um lápis de uma só cor, porque não queria andar com vários lápis. Mas com tinta digital não custa esforço nenhum. Agora até posso usar um lápis branco, é mesmo muito divertido.

## Desenhar

Gostei tanto de desenhar com o Apple Pencil e o iPad que comecei a desenhar mais, só por diversão.

![Uma ovelha cor-de-rosa chamada Beh](https://willem.com/global/images/d7958dc2fb6b.webp)

No início tentei criar algo simples, uma ovelha cor-de-rosa, mas logo a seguir passei a temas mais desafiantes, como um Rolex GMT Master.

![Rolex GMT Master](https://willem.com/global/images/9f5e442d173c.webp)

Ou um pôr do sol:

![Pôr do sol](https://willem.com/global/images/8d7610c5ad00.webp)

## willem.com/drawing

Como tudo é digital, agora posso partilhar contigo os meus desenhos. Criei uma secção própria no meu site: www.willem.com/drawing

Juntamente com os desenhos publico também algumas fotos de "bastidores", para teres uma ideia melhor de como estes desenhos são criados.

## Conclusão

Sem qualquer dúvida posso dizer que o iPad Pro com Apple Pencil é mesmo melhor do que o meu tradicional lápis e papel. Pode ser diferente para ti, mas recomendo-te vivamente que experimentes!

E é por isso que o iPad ganhou um lugar ao lado do meu computador principal de desenvolvimento.

![iPad Pro ao lado do meu ThinkPad](https://willem.com/global/images/f9748ca07b6e.webp)

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## Um ano de ciclismo

*Gravar com GPS um ano inteiro de passeios de bicicleta com Garmin e Strava* · 2016-12-31 · https://willem.com/pt/2016-12-31_um-ano-de-ciclismo/

Há um ano comecei a gravar todos os meus passeios de bicicleta, incluindo deslocações diárias, pequenas idas às compras e longos Gran Fondos. Equipei as minhas bicicletas com computadores Garmin Edge que registavam a localização (GPS), a velocidade, a cadência e a minha frequência cardíaca. Percorri mais de 7683 quilómetros em 320 horas de pedalada. É altura de rever todos os dados e partilhar algumas fotos que tirei pelo caminho!

## Recolher dados de ciclismo

Embora seja possível gravar passeios de bicicleta com o smartphone, escolhi ciclocomputadores dedicados para gravar os meus. Dão dados de velocidade mais precisos e podem ser ligados a sensores externos, como sensores de cadência e de frequência cardíaca.

Na minha bicicleta de estrada Sensa Romagna usei o avançado ciclocomputador Garmin Edge 1000, enquanto na minha bicicleta urbana VanMoof usei o compacto Garmin Edge 25. Ambas as bicicletas estão equipadas com sensores de velocidade e de cadência, e em muitos dos meus passeios usei um monitor de frequência cardíaca. Os passeios foram enviados para o Strava para análise e agregação.

Dados recolhidos:

- velocidade (por GPS e sensores de velocidade)

- distância

- localização GPS (por onde andei)

- frequência cardíaca

- temperatura local

- tempo (hora do dia e duração)

- cadência (rotações por minuto dos pedais)

Entre os passeios estavam as minhas deslocações diárias e pequenas idas à mercearia local. Gravei até os meus passeios noturnos para (e dos) bares de Amesterdão. Cerca de uma vez por mês fazia um "Gran Fondo" (italiano para passeio de longa distância). Combinadas com as condições meteorológicas variáveis dos Países Baixos, estas longas distâncias (>100KM) foram um verdadeiro desafio para o homem e para a máquina.

## Mapa de calor: por onde andei?

O Strava oferece a opção de gerar um mapa de calor, que visualiza todos os dados de localização GPS. Quanto mais frequente é um percurso, mais vermelho (ou quente) fica (daí o nome mapa de calor).

![Mapa de calor dos meus passeios de bicicleta nos Países Baixos. O vermelho indica percursos feitos com frequência. ](https://willem.com/global/images/2f776e5c4ff0.webp)

Neste mapa dos Países Baixos vês claramente que fiz a maior parte dos meus passeios mesmo a sul da cidade de Amesterdão. Não admira, pois é onde vivo e trabalho.

![Mapa de calor dos meus passeios de bicicleta na zona de Amesterdão. ](https://willem.com/global/images/d041d2afb030.webp)

Se ampliarmos a zona de Amesterdão, distingue-se facilmente o meu principal percurso diário. A minha casa fica em Uithoorn (em baixo à esquerda) e trabalho em Amsterdam-Zuidoost. Também se veem percursos alternativos e a minha zona preferida no centro de Amesterdão.

## Resumo dos dados

Com o Strava e o Garmin Connect é possível resumir os dados:

- distância total de 7683 quilómetros 

- tempo total de pedalada de 319 horas e 56 minutos

- distância média semanal de 147,75 quilómetros

- tempo médio semanal de pedalada de 6 horas e 9 minutos

- 366 passeios

- 250744 calorias queimadas

- frequência cardíaca média de 145 BPM 

- frequência cardíaca máxima de 198 BPM

- velocidade média de 25 quilómetros por hora

- velocidade máxima de 57 quilómetros por hora

- cadência média de 83 RPM

- passeio mais frio, temperatura de -4 °C (30 de dezembro de 2016)

- passeio mais quente, temperatura de 35 °C (20 de julho de 2016)

- passeio mais longo, 231 quilómetros em 9 horas e 11 minutos (Fietselfstedentocht, 16 de maio de 2016)

- deslocação diária mais rápida, 27 minutos e 15 segundos para uma distância de 16,17 KM (35,2 quilómetros por hora)

## Pneus, desgaste e uso

Durante o ano tive dois furos e gastei quatro pneus. Mas o desgaste mais visível na bicicleta foram os pedais, que eram novos quando comecei, há apenas 12 meses...

![Este pedal era novo quando comecei, é assim que ficam milhares de quilómetros de ciclismo num pedal. ](https://willem.com/global/images/49f343116ab5.webp)

## No próximo ano

Em 2017 vou continuar a recolher dados de ciclismo para fazer uma comparação lado a lado no próximo ano. Fica à vontade para me acompanhares no novo ano: www.strava.com/athletes/12012433

## O ano em imagens

Tirei fotografias em muitos dos meus passeios. Clica em qualquer foto para ampliar.

![O primeiro gran fondo foi à volta do "Markermeer" neerlandês, um percurso de 208,5KM.](https://willem.com/global/images/0078e63e1b46.webp)

![Depois de alguns passeios de longa distância, desmontei a bicicleta para voltar para casa.](https://willem.com/global/images/17424201acf8.webp)

![Para passeios mais longos (>8 horas) o ciclocomputador precisava de energia adicional. Instalei um pequeno powerbank USB na bolsa do selim. ](https://willem.com/global/images/dd884c3efbce.webp)

![O cartão de carimbos completo da "Fietselfstedentocht", com 231 quilómetros o passeio individual mais longo de 2016.](https://willem.com/global/images/325d72064e28.webp)

![Para além das deslocações diárias e dos gran fondos, gravei também pequenas idas à mercearia. Como esta, na "Beer Bike".](https://willem.com/global/images/5c844341322e.webp)

![Em algumas ocasiões atravessei fronteiras internacionais. Esta foto foi tirada na Alemanha, junto a uma Autobahn. ](https://willem.com/global/images/682aec513dcc.webp)

![Esta foto foi tirada durante um passeio pela floresta perto de Hilversum. As árvores tão próximas dão-te mesmo uma sensação de velocidade (e uma razão para te concentrares em andar a direito...)](https://willem.com/global/images/e776c5e9f0b0.webp)

![No outono os dias ficaram mais curtos e muitos passeios foram feitos ao anoitecer ou ao amanhecer. É bom ver o sol nascer ou pôr-se. ](https://willem.com/global/images/44918c08eb81.webp)

![Esta imagem foi tirada no centro de Leiden num dos primeiros dias frios de novembro.](https://willem.com/global/images/dc863a975db7.webp)

![Nos Países Baixos não faltam diques. Muitos deles têm longas ciclovias retas. Este fica perto de "Hoek van Holland", e vê-se a indústria da Maasvlakte de Roterdão no horizonte. ](https://willem.com/global/images/176b9a629ad9.webp)

![Um dos meus passeios noturnos passou pelo McDrive: as bicicletas são bem-vindas, pelos vistos :-)](https://willem.com/global/images/3de1feee1664.webp)

![Fazia mesmo muito frio neste passeio de dezembro. As minhas garrafas de água, luvas e sapatos estavam congelados!](https://willem.com/global/images/df9a5aee6191.webp)

Os Países Baixos são lindos de bicicleta. Clica em qualquer imagem para ampliar:

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## Ser voluntário em Amesterdão-Zuidoost

*Apoio informático no centro comunitário do bairro* · 2016-11-21 · https://willem.com/pt/2016-11-21_ser-voluntario-em-amesterdao-zuidoost/

Depois de perceber a sorte que tenho, como homem jovem, saudável, instruído e com um rendimento sólido, quis fazer algo pelos outros como voluntário. Por acaso, há dois anos recebi na caixa do correio um folheto do centro comunitário local: procuravam alguém com conhecimentos de computadores. Estava prestes a começar uma viagem muito interessante!

## Amesterdão Venserpolder

Em 2010 comprei um pequeno apartamento no bairro de Venserpolder, em Amesterdão-Zuidoost. Alguns amigos avisaram-me da má fama da zona: ladrões, droga e outros criminosos. Decidi ignorar isso e descobrir por mim. Não tinha medo, porque sou um tipo bastante alto e com um peso um pouco acima do saudável.

![Uma viela típica em Venserpolder, Amesterdão-Zuidoost](https://willem.com/global/images/a5d39fb08909.webp)

O bairro é composto por vários grandes blocos de apartamentos de 4 a 5 andares, construídos nos anos 80. Há uma mistura de proprietários e habitação social de arrendamento. A zona está bem ligada ao resto de Amesterdão por estrada, comboio e metro. Ao contrário da parte central e mais antiga de Amesterdão, esta zona da cidade tem muito mais espaço para o verde (arbustos, relva, árvores) e para a água. Carros, bicicletas e peões estão muitas vezes separados por estradas e caminhos distintos.

![O bairro tem muita água e muito verde](https://willem.com/global/images/217999ffa7b7.webp)

Gosto mesmo do bairro, apesar de alguns problemas. Come-se aqui como em mais nenhum sítio de Amesterdão, há imensa gente simpática, menos stressada e menos centrada em si própria do que vi noutros lugares. E mais: muitos dizem "olá" quando passas por eles. Às vezes penso em Venserpolder como uma pequena aldeia, e isso é uma coisa boa.

![O centro comunitário fica na Albert Camuslaan](https://willem.com/global/images/f09bedcf96e1.webp)

## O centro comunitário

Em dezembro de 2014, um folheto do centro comunitário local pedia voluntários. O centro comunitário pode descrever-se como uma sala de estar pública com cozinha, café grátis e internet sem fios, onde os habitantes do bairro podem organizar atividades como um curso de tricô, culinária e aulas de neerlandês.

![O centro comunitário é como uma sala de estar acolhedora](https://willem.com/global/images/4bbee11e9087.webp)

O centro procurava alguém com conhecimentos de informática. Com mais de 10 anos de experiência profissional em IT, um curso superior na área e várias certificações, incluindo duas da Microsoft, pensei que talvez estivesse qualificado para o trabalho. Mas não queria mesmo que a minha reputação profissional entrasse nisto. Queria começar do zero, ganhar confiança e apreço pelo que fizesse ali, e não pelo que tinha feito antes. Caramba, só queria ser o "Willem do bairro".

![No centro comunitário organizam-se várias atividades](https://willem.com/global/images/53225aed9804.webp)

![O neerlandês é mais difícil do que muitos nativos imaginam](https://willem.com/global/images/960f6ea28456.webp)

## Apoio informático

Depois de uma breve apresentação na reunião semanal, pude começar o meu trabalho de voluntário. Juntei-me à chamada "ComputerBrigade", que ajuda as pessoas com todo o tipo de problemas informáticos (vírus, atualizações, etc.) e tarefas (internet, e-mail, redes sociais, banco e Office). Funciona semanalmente: as pessoas aparecem e recebem ajuda. Nada que eu não consiga resolver, pensei...

O meu primeiro dia correu bem, ajudei umas três ou quatro pessoas e tive a ajuda de outro voluntário com mais experiência. Mas apenas duas semanas depois do meu primeiro dia, o outro saiu e fiquei sozinho a gerir o apoio informático. O número de pessoas crescia a cada semana. Por vezes ajudava mais de 10 pessoas ao mesmo tempo! Lembro-me de ir dormir a sesta depois de cada sessão, pela pura intensidade de tanta ajuda (isso não se ensina na universidade, ah!).

![Alguns dos visitantes habituais das sessões semanais de apoio informático](https://willem.com/global/images/6f4b337ce04a.webp)

## Ganhar confiança e apreço

Depois de sobreviver às primeiras semanas, comecei mesmo a conhecer alguns dos visitantes habituais. E o mesmo se passou ao contrário: as pessoas começaram a conhecer-me. Sabiam que eu levava aquilo a sério e que aparecia todas as semanas. Esta confiança mútua é muito importante, porque me permitiu mudar o horário semanal de 2x1 hora para 1x2 horas. A sessão mais longa permitiu-me ajudar pessoas com problemas mais complexos e, ao mesmo tempo, facilitou-me conciliar o voluntariado com o meu emprego normal.

Surpreendeu-me mesmo o valor que tem o meu conhecimento quando o uso para ajudar pessoas: és apreciado de uma forma genuinamente diferente de quando recebes dinheiro por um trabalho. Por mais pequeno que um problema me pareça, conseguir resolvê-lo pode fazer uma enorme diferença no que os outros sentem. És logo recompensado com gratidão e, ao contrário do dinheiro, não pagas impostos sobre estes ganhos (ah!)

## Coisas tristes que aprendi sobre a sociedade moderna

Além da confiança e do apreço que ganhei, aprendi também algumas coisas tristes sobre a sociedade moderna de que tanta gente se orgulha. Deixa-me partilhar dois exemplos:

### A burla do cashback

Um dia, uma senhora idosa contou-me que tinha comprado um eletrodoméstico de cozinha; pagou 40 €, mas os funcionários da loja disseram-lhe que o preço real era só 30 € por causa de uma ação de cashback... bastava visitar um site e o dinheiro voltava.

Para ter direito ao cashback, o fabricante do aparelho exigia os dados pessoais dela (nome, morada, data de nascimento, número de telefone, etc.). Depois enviavam um e-mail com um anexo em PDF que tinha de ser impresso, preenchido com os dados bancários e enviado por correio em papel para receber o dinheiro de volta.

A senhora não tinha sequer computador, quanto mais acesso à internet, endereço de e-mail ou possibilidade de imprimir anexos em PDF. FURIOSO com esta loucura, criei um endereço de e-mail falso e preenchi os formulários com ela. Demorou três semanas, mas recebemos o dinheiro de volta.

![A loucura do cashback: imagina explicar isto à tua avó](https://willem.com/global/images/015fee1d4eaf.webp)

### Arranjar o que não está avariado

Outro dia apareceu um senhor com o portátil, dizendo que tinha caído sobre ele (..) e que o teclado deixara de funcionar. Contou que foi a uma loja de informática, que concluiu que o portátil precisava de um teclado novo de 55 €. Se isso fosse demasiado para ele, estavam dispostos a vender-lhe um teclado USB externo por 30 €.

Curioso com esta história, decidi ligar o portátil e ver com os meus olhos. Quando carreguei em algumas teclas, apareceram coisas estranhas no ecrã: ao carregar na tecla "U" saía um "4", na tecla "I" um "5" e por aí fora. Para um olho destreinado, o teclado estava a avariar... mas para os meus olhos era a função Numlock do teclado do portátil que tinha sido ativada por acidente.

Brinquei um pouco com ele ao dizer que bastavam "dedos mágicos" para escrever naquilo: desativei depressa o Numlock para mostrar que o teclado escrevia bem, e voltei a ativá-lo logo a seguir, quando o convidei a experimentar... Expliquei-lhe a função Numlock e poupei-lhe um teclado novo.

![Números em vez de letras: uma funcionalidade do teclado facilmente confundida com uma avaria, se não conheces o Numlock](https://willem.com/global/images/cbce500b4522.webp)

Que tempo fantástico tenho como voluntário! Nos últimos dois anos ajudei muita gente e aprendi eu próprio algumas coisas. É enormemente gratificante. Cada vez é diferente, nunca sabes quem vai aparecer nem qual será a sua história... já estou ansioso pela próxima semana!

![Nunca sabes que tipo de máquina vai aparecer nas sessões de apoio informático...](https://willem.com/global/images/660128f4826c.webp)

## Atualização de julho de 2018

Recentemente comecei a ajudar pessoas com software livre nos seus computadores. Lê sobre isso aqui (https://willem.com/en/2018-07-20_helping-people-with-free-software/).

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## Colher o tédio para a criatividade florescer

*com o telemóvel básico Punkt MP01* · 2016-10-01 · https://willem.com/pt/2016-10-01_colher-o-tedio-para-a-criatividade-florescer/

Os smartphones estão em todo o lado na sociedade moderna em que vivemos. Com as ligações 4G e WiFi, a internet está a um toque de distância. Tão perto, na verdade, que parece uma extensão natural de nós. Mas será que toda esta riqueza de informação é só boa, ou também tem um lado negativo? Parece-me uma experiência interessante ficar sem apps durante algum tempo e usar apenas um telemóvel básico.

## O meu problema com os smartphones: são bons

Antes de mergulhar na experiência, posso descrever-me como um defensor do smartphone moderno. Como programador de apps móveis e web, faz mesmo parte da minha vida. O smartphone facilita as coisas, a forma como trocamos mensagens, e-mails, fotos e outras coisas é quase sem esforço.

Também é uma maneira cómoda de procurar coisas na web. Muito poucas perguntas ficam sem resposta com uma simples pesquisa no Google. E, quando damos por isso, as coisas que encontramos online afastam a nossa atenção da pergunta que tínhamos logo ao início. Acho que isso trava a minha criatividade, porque muitas vezes as perguntas são mais importantes do que as respostas.

## Criatividade

A criatividade caracteriza-se pela capacidade de ver o mundo de maneiras novas, de fazer ligações entre fenómenos aparentemente sem relação, de encontrar padrões escondidos e de gerar soluções. Sou mais criativo quando estou sozinho com os meus pensamentos, como debaixo do duche ou a andar de bicicleta. Julgo que é porque nesses momentos não sou interrompido e estou (temporariamente) impedido de procurar coisas na internet. Faz-me pensar se um smartphone resistente à água é assim uma coisa tão boa...

O smartphone moderno é bom a manter-me ocupado. Em cada momento livre uso-o para me ligar ao fluxo constante de nova informação, notícias, tweets, mensagens e e-mails. Pergunto-me o que aconteceria se deixasse de ter acesso constante a tudo isto. Talvez um tédio criado artificialmente me faça bem. Tornar-me-ia mais criativo, e o que mais?

## Conhece o Punkt MP01

O Punkt MP01 é um telemóvel sem apps e sem internet. Foi desenhado de propósito assim, para ser um telefone simples que suporta chamadas e mensagens de texto básicas.

![O telemóvel básico Punkt MP01](https://willem.com/global/images/29b67ce85355.webp)

Vem numa caixa grande com um livrinho, carregador, ferramenta para o cartão SIM e um auricular.

![Depois de aberta, a caixa contém o carregador, o auricular, o livrinho, a ferramenta do cartão SIM e o telemóvel.](https://willem.com/global/images/32146ddb44f5.webp)

![Quando foi a última vez que recebi um livrinho com o telefone?](https://willem.com/global/images/7cc5af1a5f8d.webp)

O design é funcional, com botões redondos e grandes que fazem um agradável "clique-claque". Corre um sistema operativo mínimo, diferente do Android ou do iOS. Não corre apps, a não ser um alarme integrado e um calendário que só mostra a data (e não permite guardar compromissos).

![O Punkt é agradável na mão; nem demasiado pequeno, nem demasiado grande.](https://willem.com/global/images/36d090858b91.webp)

É um telefone moderno, com suporte para kits de carro Bluetooth e uma bateria relativamente grande. Como é tão simples, a bateria dura semanas (!!) antes de precisar de carga.

![A traseira tem uma forma que o faz desaparecer no bolso.](https://willem.com/global/images/6d4edcde5962.webp)

## A configuração: contactos sem nuvem

O meu fiável iPhone liga-se à nuvem para sincronizar os meus contactos e números de telefone. Claro que o MP01 não suporta a nuvem. Podes ligar o telemóvel a um computador, que o vê como uma (minúscula) pen USB. Depois copias para lá um ficheiro com os teus contactos em formato VCF (disponível no Apple Mac, no Microsoft Windows e no Google Gmail). O telemóvel deteta o ficheiro e importa facilmente a tua lista de contactos.

## A experiência

Prevejo que vou precisar de algum tempo para me adaptar, por isso dou três meses a esta experiência (até ao fim do ano). Tenho curiosidade de saber de que apps vou mesmo sentir falta e como vou contornar a sua ausência.

![A experiência começou!](https://willem.com/global/images/f0649a81235a.webp)

Com o portátil continuarei a ter acesso à internet, mas deixarei de estar constantemente ligado através de um smartphone. Vai ter desvantagens, de certeza, mas pergunto-me se faz bem ao meu estado de espírito e à minha criatividade.

Continua...

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## Bicicleta Batavus Champion de 1978

*restaurar a glória retro com a ajuda da internet* · 2016-09-03 · https://willem.com/pt/2016-09-03_bicicleta-batavus-champion-de-1978/

Há quase um ano comprei uma velha bicicleta de corrida em aço, de 1978. Queria perceber se usar uma bicicleta nas deslocações diárias funcionava para mim. Funcionou! Andei mais de 1000 KM nela antes de decidir comprar uma bicicleta de estrada moderna. Agora, quase um ano depois, decidi pôr os poderes da internet a bom uso: devolver à bicicleta a sua glória retro!

## Autodestruição da Vespa

Em setembro de 2015 usei o OLX neerlandês (marktplaats.nl) para encontrar uma bicicleta adequada para ir trabalhar. Umas semanas antes, a minha motoreta Vespa decidira que era hora de se autodestruir: o cilindro encravou e destruiu o motor. Eu andava numa bicicleta urbana normal de 3 velocidades, porque detesto usar o carro por causa do trânsito de Amesterdão, mas achava-a pesada e ineficiente para o dia a dia.

## Avançar mais depressa como um campeão

Foi então que a encontrei, um belo exemplo do design de bicicleta barata dos anos 70: a Batavus Champion. De modo nenhum uma bicicleta especial ou de desempenho, nem no seu tempo. Mas para mim significava tudo: levava-me mais depressa para a frente do que qualquer outra bicicleta que tive e era diferente de tudo o que eu tinha visto!

![A Sensa Romagna Sport '15 de escola nova e a Batavus Champion '78 de escola antiga](https://willem.com/global/images/0eb362d74322.webp)

Especificações da Batavus Champion quando a encontrei:

- quadro pesado em aço

- pedaleiro duplo

- cassete traseira de 6 velocidades

- selim fofinho

- avanço de guiador Syntace dos anos 90

- dois pneus "em estado original"...

- rolamentos gastos, a chocalhar

Na primeira vez que usei os travões, um dos parafusos que seguravam o cabo do travão partiu-se. Esta máquina precisava claramente de uma manutenção em atraso!

## A oficina de bicicletas ao resgate

Fui então à oficina de bicicletas local para arranjar a minha recém-descoberta peça da história do ciclismo. Dois pneus novos, um conjunto completo de rolamentos novos (no pedaleiro, atrás e à frente) e parafusos novos nos travões (para segurar o cabo do travão). Quando a recebi de volta parecia nova, pronta para muitos quilómetros de deslocações!

![Depois de limpar e desengordurar a bicicleta, a sua glória retro ficou visível](https://willem.com/global/images/257490a47a9a.webp)

Depois de cerca de 1000 KM comprei uma bicicleta de estrada moderna, sobretudo pela melhor geometria, menor peso e melhor sistema de mudanças. A bicicleta moderna anda melhor e por isso a Batavus voltou a ficar parada...

## Restaurar a glória retro

Aconteceu uma coisa durante o último ano de pedalada: a minha condição física melhorou muito. Agora consigo andar em qualquer bicicleta com facilidade, quase independentemente do peso ou da geometria. Pensei que seria fixe voltar a andar na velha Batavus!

Com os meus novos conhecimentos de bicicletas, investiguei a velha Batavus: precisava de uma limpeza a sério, de desengordurar, e algumas peças mecânicas pareciam não ser originais.

![Travões de bicicleta à moda antiga, a travar em estilo retro](https://willem.com/global/images/4885d91f9774.webp)

![Sem toda aquela massa lubrificante preta e suja, o laranja retro brilha mesmo em combinação com os discos metálicos da corrente à frente](https://willem.com/global/images/ad407f677812.webp)

![O desviador traseiro estava enferrujado e não era original desta bicicleta](https://willem.com/global/images/efbf2ea26c8d.webp)

## Os poderes da internet

Claro que não nasci especialista em bicicletas Batavus de 1978..., mas felizmente sou bastante habilidoso com a internet. Depois de uma pesquisa extensa encontrei um anúncio original da Batavus Champion de 1978:

![Um anúncio original da bicicleta dos anos 70, com a especificação das peças originais](https://willem.com/global/images/7ced4075582b.webp)

Este anúncio não só deu uma ideia do aspeto original da bicicleta, como também especificava que grupos de mudanças estavam disponíveis para ela!

### Desviador

O desviador traseiro da minha Batavus estava enferrujado e obviamente não era original (ainda se vendia na filial local da Decathlon...). Felizmente encontrei um tipo que vendia um desviador traseiro Hurret da época!

![Obrigado, Ebay: um desviador traseiro Hurret da época](https://willem.com/global/images/39c215244b13.webp)

O desviador foi enviado do outro lado do mundo até mim e instalei-o na bicicleta. Encaixou na perfeição!

![O desviador traseiro Hurret (que veio de avião do outro lado do mundo) encaixa bem](https://willem.com/global/images/32cf12bc907a.webp)

### Bomba

Ao contrário das bicicletas modernas, a velha Batavus tem um gancho especial no quadro para montar uma bomba de ar grande. Claro que a bomba faltava na minha. Encontrei uma bomba italiana Silca que servia, com uma cabeça de bomba Presta a condizer.

![Há bombas de bicicleta retro de várias cores e tamanhos, e eu encontrei uma cromada, italiana, que serve!](https://willem.com/global/images/5a44d4c928d0.webp)

### Bidão retro

Quando andas de bicicleta, deves ter sempre algo para beber contigo. Achei que um bidão moderno seria ridículo nesta bicicleta. Depois de alguma pesquisa encontrei um bidão novo de stock antigo (NOS) de meados dos anos setenta, algures nos Estados Unidos da América. O dono ficou contente por mo enviar, tão contente como a alfândega neerlandesa, que me cobrou uns incríveis 36 € de direitos de importação por este velho pedaço de plástico...!

![A bomba encaixa bem e consegui também encontrar um bidão de plástico da época](https://willem.com/global/images/e1ae30bfb5fa.webp)

## Avanço

Quando encontrei a Batavus, tinha montado no tubo da direção um avanço Syntace preto muito mais recente. Funcional, com certeza, mas achei mais bonito trocá-lo por um avanço cor de metal da santafixie.com

![A grande campainha ding-dong é um exagero e o minúsculo Garmin Edge 25 é um toque da era moderna que juntei à bicicleta para gravar os meus percursos por GPS](https://willem.com/global/images/c5bc4a7da5ac.webp)

Além do avanço, juntei uma grande campainha ding-dong e equipei a bicicleta com um minúsculo (mas potente) ciclocomputador GPS Garmin Edge 25.

### Selim

O aspeto de uma bicicleta é em grande parte definido pelo selim. O selim que veio com a Batavus era grande, fofo e nada desportivo.

![O selim Brooks C15 com a bolsa a condizer é uma combinação perfeita (e confortável) para esta bicicleta](https://willem.com/global/images/eed9a5ad40df.webp)

O Brooks Cambium C15 é um selim moderno com ar retro. Não foi difícil encontrar uma bolsa de selim a condizer, em estilo retro semelhante.

## O resultado

Depois de muitos envios (internacionais) de peças de bicicleta, estou muito contente com o resultado:

![Bicicleta Batavus Champion de 1978, pronta para um passeio!](https://willem.com/global/images/5bc9feab192e.webp)

A bicicleta está de volta e é plenamente apreciada pelo seu ar retro. Claro que uma bicicleta moderna anda mais depressa, mas para quê andar à pressa se podes viajar com estilo? :-)

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## iPad Pro como computador principal

*a testar o iOS como plataforma principal de desenvolvimento* · 2016-08-15 · https://willem.com/pt/2016-08-15_ipad-pro-como-computador-principal/

A ausência de tralha física, de marcas a distrair ou de LEDs a piscar faz do iPad Pro um exemplo de manual de design minimalista. A minha aversão à distração explica o meu interesse em usar o iPad Pro como único computador, para ver se está à altura da tarefa. Será que o último esforço da Apple no iOS chega para permitir trabalho de desenvolvimento a sério?

## Do computador de secretária ao portátil e... ao tablet?

Na última década usei apenas um portátil para trabalhar. Antes disso, usava um potente computador de secretária, até começar a viajar com mais frequência e a precisar de trabalhar em deslocação. A mobilidade dá uma sensação libertadora de não teres de estar fisicamente num sítio para fazer as coisas, e passei a apreciá-la imenso. Por isso perguntei-me: quão grande é o passo do portátil para o tablet?

![O novinho iPad Pro da Apple, o Apple Pencil e o Smart Keyboard](https://willem.com/global/images/3625e8867ba9.webp)

## O que faço no trabalho

Antes de começar a experiência com o iPad Pro, pensei no que faço no trabalho e se essas tarefas estão presas ao dispositivo que uso. O meu trabalho consiste sobretudo em desenhar software, programar, gerir servidores, tratar do e-mail e ler.

### Desenhar software

Normalmente uso lápis e papel, à moda antiga, quando desenho software. Gosto de não ficar preso aos limites digitais de qualquer software de notas ou de desenho. Uma folha de papel não tem pretensões, e é exatamente isso que deixa os meus pensamentos fluir livremente e ser apontados como eu gosto.

### Programar

Trabalhei muito com Microsoft .NET (C#) para desenvolver software. Usava o Microsoft Visual Studio como o meu principal ambiente de desenvolvimento integrado (IDE). Trabalhar num IDE pode ser uma grande ajuda: dá estrutura aos projetos, as tarefas repetitivas podem ser automatizadas, depurar software fica mais fácil e escrever código é ajudado pela magia do IntelliSense (que completa o teu código automaticamente).

Mas, no âmbito de outra experiência, decidi começar a usar um simples editor de texto para escrever software. No início foi terrível, senti mesmo falta do que o IDE oferecia. Mas fui ficando menos dependente da ajuda do IDE, o que me tornou melhor programador e já não preso à plataforma em que o IDE corre: o meu editor de texto favorito, o VIM, corre praticamente em tudo.

### Gerir servidores

A minha empresa usa uma rede de servidores físicos, virtuais e na nuvem para correr as soluções de software que os clientes utilizam. É minha tarefa garantir que os servidores funcionam bem. Hoje em dia, gerir servidores pode fazer-se à distância a partir de quase qualquer dispositivo. Uso um navegador normal, SSH, VNC e RDP para manter tudo a funcionar.

### E-mail

O e-mail é a minha forma preferida de comunicar com clientes, fornecedores e outros na minha rede profissional. Desativei todas as notificações de e-mail e não uso push. Leio o e-mail quando me apetece, em momentos em que não estou a fazer outro trabalho (muitas vezes complexo). No mundo moderno e ligado, é fácil ter acesso ao e-mail em praticamente qualquer dispositivo.

### Ler

Ler em papel pode ser agradável, mas ter de imprimir cada documento que leio seria um desperdício de papel e de toner. Durante o meu tempo na Universidade de Amesterdão aprendi depressa a ler num ecrã. Leva algum tempo a habituar-se, a mexer no brilho, no tipo de letra e nas cores, mas é uma grande vantagem sentires-te à vontade com artigos científicos, documentos e livros digitais.

## Configurar o iPad Pro

Depois de desembalar o iPad Pro, comecei a prepará-lo para as minhas tarefas de trabalho:

- **desenhar software**: uso o Apple Pencil com a app de notas do iOS

- **programar**: uso a app "Prompt" da Panic (https://panic.com/prompt/) para entrar num sistema Linux remoto por SSH e ter acesso à minha configuração normal de desenvolvimento, que usa VIM e um conjunto de ferramentas Linux de linha de comandos

- **gerir servidores**: uso o Safari, o Prompt e a app Microsoft Remote Desktop para gerir os servidores à distância

- **e-mail**: a app de correio predefinida funciona bem, só deu algum esforço extra desativar todas as notificações e a receção automática de e-mails

- **ler**: leio com o Safari, o Apple iBooks e a app Papers (http://papersapp.com/ios/)

Além do iPad Pro, comprei também o Smart Keyboard e o Apple Pencil. Embora tenha aprendido a escrever com eficácia em teclados de software (no ecrã), continuo a ser muito mais rápido a escrever (às cegas) num teclado físico. Caso não gostasse do Apple Smart Keyboard, tenho também um normal teclado Apple Bluetooth (mais sobre isso adiante).

![O Smart Keyboard tem um toque muito agradável, mas faltam-lhe certas teclas (como ESC, HOME, END)](https://willem.com/global/images/e4181c093e11.webp)

## Conclusões: hardware

O iPad Pro é uma peça de hardware maravilhosa, com um ecrã lindíssimo e velocidade suficiente para tratar das minhas tarefas com facilidade. A mobilidade melhorada em relação ao portátil fez-me mudar de sítio com mais frequência consoante a tarefa: da secretária para a minha poltrona quando trato do e-mail ou leio. É mesmo especial perceber que estás a usar um tablet para trabalhar.

### Partilhar a energia

Outra vantagem sobre o portátil é que o iPad tem o mesmo carregador que o meu telemóvel (e os telemóveis dos meus amigos e da família). O próprio tablet tem boa autonomia, mas saber que há sempre um carregador por perto é bom. Posso até carregar o aparelho enquanto conduzo, só com um carregador USB normal no carro. São vantagens a sério sobre o portátil.

### Sem rato: sem problema

O iPad Pro não suporta rato. Em vez disso, usas os dedos ou o Apple Pencil para apontar e tocar. Não senti falta do rato para apontar, mas achei irritante ter de deslizar por e-mails ou textos longos com o tablet na vertical. Esticar o braço para os gestos de toque e deslize é fisicamente mais exigente (agora sou um rapaz forte..., mas mesmo assim). Mas o teclado ajuda: há muitos atalhos de teclado, que ficam visíveis se carregares na tecla CMD durante alguns segundos. Chegam para dispensar o rato ao mudar de app, selecionar texto e percorrer conteúdo.

### Apple Pencil

Escrever numa peça de vidro é diferente de escrever no velho papel. Mas é muito parecido, tão parecido que me consigo habituar. A única coisa que é uma sensação um pouco estranha é o vidro iluminado aquecer. Parece uma folha de papel aquecida, não sei se gosto disso em dias quentes de verão; mas pode ser agradável em dias frios de inverno.

### Smart Keyboard

O Apple Smart Keyboard escreve mesmo bem, e digo-o eu, que sou um viciado em teclados. As teclas são suficientemente grandes (sobretudo se usares o iPad Pro maior). O retorno tátil das teclas é diferente, mas não é mau. Gostei mesmo do teclado. Uma coisa com que tens de dar a volta é que o Smart Keyboard não tem todas as teclas de um teclado normal. Faltam teclas como ESC, HOME, END, PAGE UP e PAGE DOWN. Acontece que uso muito essas teclas quando trabalho com servidores Linux ou programo em VIM. A boa notícia é que o iPad suporta teclados Bluetooth normais, algo que experimentei durante a experiência.

No conjunto, o hardware do iPad Pro é mesmo bom e, com algum hábito, bastante adequado para trabalho a sério.

![O iPad Pro ao lado do meu fiável ThinkPad X1](https://willem.com/global/images/277647b357c9.webp)

## Conclusões: software

O iPad Pro corre iOS, durante o meu teste a versão 9.3, o sistema operativo que a Apple usa nos iPads, iPods e iPhones. O sistema tem um excelente suporte para multitoque e é conhecido pela facilidade de uso da interface. Mas como se sai quando o uso para fazer o meu trabalho?

### Fluidez

As apps que escolhi para trabalhar no iPad funcionam bem. O iOS é uma plataforma de software estável, onde as apps correm com fluidez e sem falhas súbitas. O iOS funciona muito bem para o e-mail, a programação, a gestão de servidores e a leitura. Quando usas uma única app durante um período mais longo, o iOS oferece mesmo um bom ambiente de trabalho.

![O iPad Pro funciona bem com um teclado Bluetooth normal](https://willem.com/global/images/a26dc822475e.webp)

### Multitarefa com ecrã dividido

Desde 2015 o iOS suporta multitarefa com ecrã dividido, que permite correr duas apps ao mesmo tempo. Podes dividir o ecrã em segmentos predefinidos: 50-50 % ou 75-25 %. Usei-o para ter o meu código à esquerda e uma pré-visualização em tempo real do trabalho à direita.

A multitarefa com ecrã dividido funciona bem com o toque, mas falha quando usas um teclado, porque não há indicação visual de que app tem o foco do teclado. Aconteceu muitas vezes o que escrevia ir parar ao lado errado do ecrã, e isso é péssimo quando lidas com comandos de servidores Linux potencialmente letais...

![A multitarefa com ecrã dividido permite-me ter acesso ao meu código (à esquerda) e a uma pré-visualização em direto (à direita) em simultâneo](https://willem.com/global/images/24ba2fe2c2bc.webp)

### Animações que distraem

Outra coisa engraçada que senti é que as animações do iOS num iPad Pro de 12 polegadas são muito mais intensas (por causa do ecrã grande) do que num iPhone mais pequeno. Comecei mesmo a detestar as animações pelo efeito de distração ao passar de uma app para outra. Reduzir as animações nas definições de Acessibilidade substituiu a animação por um efeito de esbatimento igualmente ineficiente.

### Ligações de rede

O que é mesmo mau são os limites que o iOS impõe aos programadores para manter ligações de rede em segundo plano. As ligações de rede são terminadas se uma app não estiver ativa durante algum tempo. Isto é enormemente frustrante quando faço gestão de servidores ou desenvolvimento através de uma ligação SSH remota. Embora os limites de rede façam sentido num smartphone, ter esses limites num aparelho 'Pro' é parvo.

## Conclusão

Usar o iPad Pro como dispositivo principal de trabalho tem vantagens, sobretudo pela versatilidade e mobilidade. No entanto, o iPad Pro é limitado pelo seu software, de uma forma que acho que se corrige facilmente. Se a multitarefa com ecrã dividido passar a lidar melhor com o teclado, faria uma enorme diferença. Se a Apple retirar os limites de rede e permitir desativar as animações, a experiência seria ainda melhor.

Fazer esta experiência deu-me indicações valiosas sobre o meu fluxo de trabalho. Aprendi que dá uma grande sensação de liberdade depender menos de peças de software específicas, presas a um determinado sistema operativo. Além disso, fiz algumas alterações ao sistema operativo do meu computador de secretária com base nesta experiência com o iOS: uso mais vezes o teclado para mudar de app e organizar janelas (tarefas que antes fazia com o rato).

No fim, devolvi o pacote de 1200 € à Apple para reembolso. O meu fiável ThinkPad continua a ser a minha máquina de trabalho principal... durante algum tempo!

### Atualização, janeiro de 2017 

Lê aqui (https://willem.com/en/2017-01-30_ipad-pro-next-to-my-primary-machine/) a minha atualização sobre o iPad Pro.

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## O dinheiro vivo é rei, será?

*A experiência sem carteira e sem dinheiro* · 2016-07-15 · https://willem.com/pt/2016-07-15_o-dinheiro-vivo-e-rei-sera/

Vejo muitas vezes homens com uma carteira cheia de plástico: vários cartões de débito e de crédito, mais um monte de cartões de fidelização e de sócio. E há quem ainda a complete com notas de papel fedorentas e moedas de metal peganhentas! Fez-me pensar se consigo libertar um bolso ao largar a carteira.

Então, como era a minha carteira? A minha carteira tem:

- cartão de débito pessoal

- cartão de crédito pessoal

- cartão de débito da empresa

- cartão de débito partilhado (com a minha namorada)

- carta de condução

- cartão do seguro de saúde

- cartão de chip dos transportes públicos

- algumas notas

- um cartão que indica que sou dador de órgãos voluntário

- uma lista em papel com números de telefone "em caso de emergência"

Estas eram as coisas que achava sensato ter na carteira, que levo praticamente sempre comigo. Mas depois decidi pensar a sério em quanto uso realmente estas coisas. O primeiro passo para largar a carteira é identificar o que realmente fazes com ela.

## Identificar o uso real

Claro que uso a carteira para fazer pagamentos, normalmente com o meu cartão de débito pessoal. Só às vezes uso outro cartão. A maioria dos sítios onde vou aceita pagamentos eletrónicos com algum tipo de cartão de crédito ou débito. Se não aceitarem pagamentos eletrónicos, costuma haver um multibanco por perto para levantar algum dinheiro, se for mesmo necessário.

Nunca precisei do cartão do seguro de saúde (sorte a minha); e sei por experiência que os hospitais e prestadores de cuidados neerlandeses têm um sistema informático que lhes permite verificar os dados do seguro e a informação de dador introduzindo o teu nome e data de nascimento. Por isso, o cartão do seguro de saúde e o de dador de órgãos podem ficar de fora.

Desloco-me sobretudo de bicicleta, motoreta ou carro. Só uma ou duas vezes por mês uso os transportes públicos. Para os transportes públicos nos Países Baixos precisas de um cartão de chip especial. Nem todas as estações de metro e paragens de autocarro os vendem. Por isso, quando viajo de transporte público preciso desse cartão, só então, não o tempo todo!

Nos Países Baixos a lei obriga a poder apresentar um documento de identificação válido; se não o fizeres, a multa é de cerca de 90 euros. Na prática, pediram-me identificação em controlos de trânsito ou sempre que levanto uma encomenda na estação dos correios local.

Depois de ponderar a sério, reduzi os requisitos funcionais da minha carteira a apenas: fazer pagamentos e conseguir identificar-me.

## Otimizar os pagamentos: o smartphone

Parece parvo, neste mundo moderno e ligado, andar com quatro (!) cartões bancários. Só quero poder pagar e, de alguma forma, garantir que é feito a partir da fonte de dinheiro certa. Não me interessa o cartão que uso. Posso largar de vez os cartões?

Claro que o futuro dos pagamentos é móvel. Como quase toda a gente anda com um smartphone, é lógico que as duas grandes forças mundiais dos smartphones estejam a abrir caminho nos pagamentos móveis. Falo do Apple Pay e do Google Wallet. Infelizmente, o suporte para pagamentos móveis nos Países Baixos ainda está na infância e, na melhor das hipóteses, é muito fragmentado. Por isso, pelo menos por agora, parece que preciso de pelo menos um cartão bancário amplamente aceite para fazer pagamentos.

Se levar só um cartão bancário, qual deve ser? Percebi que a maioria dos meus pagamentos são pessoais, não da empresa. Pagar as compras, um café ou uma sanduíche. Só uma ou duas vezes por mês uso o cartão da empresa. Com as apps bancárias posso transferir dinheiro rapidamente de uma conta para outra: assim é fácil deixar em casa os cartões pouco usados. Nos Países Baixos (e nos países vizinhos) os cartões de débito (Maestro / PIN) são os mais aceites, seguidos dos de crédito. Por isso escolhi o meu cartão de débito privado como "o tal", mas se vivesse nos Estados Unidos talvez fosse o meu cartão de crédito privado.

## Juntar tudo

Idealmente quero largar a carteira, mas preciso de levar dois cartões de plástico: um cartão bancário e a minha carta de condução. Pensei em colá-los ou prendê-los com fita. Mas depois ocorreu-me: o smartphone que uso é grande o suficiente para meter um ou dois cartões entre a capa e o telefone.

![A capa do iPhone é suficientemente grande para esconder cartões.](https://willem.com/global/images/923e4b04103f.webp)

Ao contrário dos pagamentos com smartphone nos Países Baixos, os pagamentos sem contacto (através de um chip NFC no cartão bancário) são agora amplamente aceites. Basta aproximar o cartão bancário do terminal de pagamento para pagar. Para pequenos pagamentos (abaixo de 50 euros) a maioria dos bancos neerlandeses permite pagar sem introduzir o PIN. O que a maioria das pessoas não sabe é que os pagamentos sem contacto também funcionam para montantes maiores, sem ser preciso entregar o cartão (só te pedem para introduzir o PIN no terminal).

![Empilhar dois cartões de plástico é fácil](https://willem.com/global/images/6c0587ea2a8c.webp)

Como as ondas de rádio atravessam facilmente uma capa de borracha de iPhone, tentei colar o cartão bancário NFC e a carta de condução mesmo atrás do telefone. A capa flexível de borracha escondia bem os cartões e o telefone raramente ficava mais grosso. Simplicidade brilhante... ou foi o que pensei!

![O iPhone com capa fica só ligeiramente mais grosso.](https://willem.com/global/images/ce901db81b4a.webp)

## Testes no terreno

Um amigo meu tem um bar e deixou-me simpaticamente usar o terminal de pagamento dele para testar a configuração "smartphone com cartão bancário sem contacto escondido". Não funcionou! O terminal não reconhecia o meu cartão bancário quando estava enfiado entre o telefone e a capa. Tirar o telefone e apresentar a capa de borracha com o cartão funcionou.

Mesmo que não use o Apple Pay no meu iPhone, o chip NFC dentro do telefone parece interferir com o sinal do cartão bancário. Experimentei ativar o modo de avião (que desliga todos os chips de rádio) e até desligar o telefone por completo. A combinação continuava a não funcionar sem contacto. De cada vez que queria pagar, tinha de me atrapalhar para tirar o cartão da capa... bah!

![Tal como qualquer outro iPhone: mas este tem um cartão bancário NFC sem contacto e um documento de identificação escondidos lá dentro!](https://willem.com/global/images/983a907a2b8f.webp)

## Refinar o conceito

Depois de alguma pesquisa encontrei outra capa para smartphone, com duas ranhuras para cartões nas costas. Continua a ser um conjunto mínimo, mas permite um acesso muito mais fácil a um ou dois cartões. Ótimo para o cartão que uso para pagamentos. Como raramente preciso do documento de identificação, decidi guardá-lo entre a capa e o telefone. Na prática, funciona bem.

Além da nova capa, instalei também a app "Card Mate Pro" para guardar facilmente uma cópia digital dos meus outros cartões (incluindo cartões de fidelização e de sócio). Digitalizar um cartão é tão fácil como tirar uma foto. É uma app simples que funciona muito bem.

![Esta capa permite um acesso fácil ao cartão de pagamento, escondendo lá dentro o documento de identificação.](https://willem.com/global/images/4c171a022bf0.webp)

## A experiência após semanas de testes

Como já estou há algum tempo sem carteira e sem dinheiro vivo, posso dizer que funciona e que gosto mesmo. Fui à Alemanha e à Bélgica e correu tudo muito bem. Houve algumas vezes em que encontrei uma loja que não aceitava nenhum cartão bancário. Não foi um problema a sério: ou levantava dinheiro num multibanco próximo ou encontrava outra loja onde conseguisse o que queria. Uma das exceções foi um (pequeno) ferry sobre o rio Maas, e por isso pus algumas moedas no carro e no bolso do selim da bicicleta.

Outra coisa em que não pensei de início foi o cartão de chip dos transportes públicos. Às vezes, quando o tempo está muito mau, deixo a bicicleta em casa ou no trabalho e vou de metro ou autocarro. Mas, devido à natureza imprevisível do tempo, tinha dificuldade em decidir quando levava o cartão de chip comigo. Às vezes queria apanhar o metro, mas o cartão dos transportes estava no sítio onde eu tinha estado e não no meu destino! A solução foi comprar outro cartão e garantir que tanto o trabalho como a casa têm um cartão de chip dos transportes públicos "em stand-by".

Portanto, no fim consegui: já não ando com uma carteira à parte. Gosto do bolso vazio nas calças e da simplicidade de só ter de levar o telefone comigo.

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## Construir o blogue... com estilo!

*Desenvolver num computador com 20 anos, 16 MB de RAM e Windows 98* · 2016-06-23 · https://willem.com/pt/2016-06-23_construir-o-blogue-com-estilo/

É preciso ser um bocadinho louco para ter a ideia de construir um blogue (ou seja, programar a sério) num velho portátil 486 com apenas 16 MB de RAM. Acontece que sou assim tão louco: peguei no meu primeiríssimo portátil, dos anos 90, e decidi descobrir se era possível transformá-lo numa máquina de desenvolvimento.

## O portátil

Foi por volta de 1999 que gastei todas as minhas poupanças a comprar o meu primeiro computador, um Toshiba T2130CT em segunda mão com especificações impressionantíssimas:

- processador Intel 486DX4 a 75 MHz

- 16 MB de RAM

- disco rígido de 500 MB (que mais tarde atualizei para um de 2,1 GB)

- leitor de disquetes de 3,5"

- ranhura PCMCIA dupla

- placa de rede PCMCIA 3COM de 10 megabits

- ecrã TFT de 65 536 cores com resolução de 640x480 píxeis

- rato MousePoint integrado (o pontinho de borracha)

- autonomia da bateria de cerca de 20 minutos

![Portátil Toshiba T2130CT com um processador Intel 486 a 75 MHz e uns tremendos 16 MB de RAM (são megabytes!)](https://willem.com/global/images/b5be855aa969.webp)

Quando a máquina saiu, em 1995, era o modelo de topo. Comprei-a em segunda mão, recondicionada, num vendedor local de computadores, por uns tremendos 1000 florins neerlandeses (que em dinheiro de hoje é aproximadamente o mesmo que 1000 €). Como jovem estudante, mexi nela e usei-a para programar o meu primeiro software em BASIC e sites em HTML.

## Pô-lo a funcionar

Depois de anos a acumular pó no armário, perguntei-me se a máquina estaria disposta a ligar, e não estava. O computador cumprimentou-me com uma mensagem "invalid boot disk". Obviamente ou sofria de amnésia ou havia outra coisa a impedi-lo de arrancar.

![Tive de retirar o disco original porque não funcionava... ou foi o que pensei!](https://willem.com/global/images/3ae0df46d1ce.webp)

Suspeitei que o disco rígido era o problema e decidi ligá-lo ao meu computador moderno. O meu Linux de todos os dias não conseguiu falar com o disco, mas tive mais sorte ao ligá-lo a um MacBook Air. O Utilitário de Disco do OS X identificou o disco corretamente e consegui navegar no conteúdo do disco de 2,1 GB (é engraçado perceber que até os smartwatches de hoje têm mais memória do que o meu precioso portátil antigo). Verifiquei erros no sistema de ficheiros e, uma vez limpo, voltei a instalá-lo no Toshiba. Infelizmente não fez diferença: o "invalid boot disk" continuava.

![... pelos vistos precisava de um pequeno incentivo dos seus primos modernos...](https://willem.com/global/images/1610bbee32b3.webp)

Felizmente tinha também o disco rígido original de 500 MB (que estava instalado antes de eu atualizar o disco). O portátil reconheceu o disco original de 500 MB e começou a arrancar. Quase me esqueci de que existia quando vi o Microsoft Scandisk pedir para examinar o disco. Então, com um disco a funcionar e o outro não... tinha de ser outra coisa!

Como muitas vezes na informática, a solução era lógica: como o computador esteve desligado de qualquer fonte de energia durante muito tempo, a bateria da BIOS estava vazia. Isso fez repor as definições básicas do computador, como a data e a hora. Entre as definições da BIOS havia a opção do modo de interface do disco rígido. Quando o modo de interface do disco rígido foi definido como "enhanced IDE", o computador ficou pronto para arrancar com o disco maior, de 2,1 GB.

## Windows 98 e a internet moderna

Nunca fiquei tão contente por ver o ecrã de arranque do Windows 98. É engraçado perceber que os ecrãs de arranque de hoje são bem menos coloridos, mas também só se veem durante alguns segundos. O velho portátil levou o seu tempo e, quando acabou de arrancar, eu estava pronto para o levar ao nível seguinte: ligá-lo à internet moderna!

![Nunca pensei ficar contente por ver isto: o ecrã de arranque do Windows 98!](https://willem.com/global/images/c44b872a7dfc.webp)

Os portáteis modernos têm quase todo o hardware integrado, mas antigamente era normal ligar hardware adicional (como placas de rede e modems). Nalgum momento de 1999 comprei uma placa de rede PCMCIA 3COM de 10 megabits. Por muito depressa que algumas tecnologias informáticas evoluam, o protocolo da internet é hoje muito parecido com o dos anos 90. Isso tornou relativamente fácil ligar o velho portátil à minha rede local com um cabo de rede normal.

![A máquina de desenvolvimento 486!](https://willem.com/global/images/6a30ba0135ec.webp)

Uma nota de segurança: é preciso ter muito cuidado ao ligar um computador tão antigo diretamente à internet pública. Qualquer computador velho é um alvo interessante para vírus informáticos. Como sou o administrador da rede local, tinha uma certeza relativa de que era seguro ligar o computador. (E se rebentasse, teria dado uma passagem interessante nesta história, suponho...)

## Ferramentas de desenvolvimento: o poder da nuvem

Então, quão bom é o Windows 98 para o desenvolvimento de software moderno? Bem, esquece os ambientes de desenvolvimento integrados modernos e completos, não há navegador web moderno e, se algo falha no Windows 98, é possível que o computador inteiro congele (por causa da maneira como o Windows 98 gere os seus processos). Mas nem tudo é mau: o Bloco de Notas está lá, o Explorador de ficheiros do Windows também, e consegui encontrar uma cópia compatível do PuTTY! Com o PuTTY podes entrar noutros computadores e usar o software deles como se estivesse na máquina local.

![O VIM a correr no 486 através do PuTTY](https://willem.com/global/images/4e404681a940.webp)

Com o PuTTY liguei o velho portátil a uma máquina virtual Debian Linux moderna, a correr na nuvem. O computador antigo tornou-se como "uma janela" para o mundo moderno (do desenvolvimento), tornando totalmente possível programar este blogue!
